2 de janeiro de 2023

O Pimpão e as Festas

O Pimpão e as Festas custam-nos muito dinheiro. Mais o Pimpão, porque não sabe o que o dinheiro custa…

Nos últimos seis meses, o doutor Pimpão derreteu mais de 1 milhão de euros em festas: 600.000 euros no Bodo, mais 250.000 euros no Natal, mais as Tasquinhas e Domingão e mais os festejos do Dia – da Semana – do Município... Se adicionarmos, como se impõe, todas as despesas indirectas e as pequenas despesas directas não divulgadas, que representarão 20 a 30% das despesas directas divulgadas, a coisa andará próxima do milhão e meio de euros.

Isto só tem sido possível porque se alinharam circunstâncias muito especiais: a malta gosta de festas, nomeadamente se forem de borla (julga a malta); a câmara tem dinheiro (e dinheiro que não tem dono); festas com o dinheiro dos outros é a coisa mais fácil de fazer no mundo. Sabendo disto, o doutor Pimpão deu asas ao seu dinamismo folclórico e tratou de divertir a malta, divertindo-se. Pelo meio, encontrou um pequeno entrave, dificuldades de tesouraria, que logo resolveu: cancelou 4,1 milhões de euros de investimento em obras e transferiu metade (2 milhões) para o orçamento da despesa corrente – para as festas e subsídios. Pelo que se sabe, já os deve ter torrado, sem regra e sem critério. E pior: sem nenhum retorno.

Bem sabemos que as terras têm datas e efemérides que devem ser comemoradas e que deve haver espaço e recursos para as festas e para as actividades artísticas, mas tendo sempre em conta que os recursos públicos são escassos, são de todos, e que o que se gasta no supérfluo faz falta para o essencial. 



Vejamos dois exemplos, diferentes mas enquadráveis no que é gastar sem regra e sem critério (sem ter noção do dinheiro): primeiro, a contratação de uma Roda Gigante, por ajuste directo, pelo montante de 19.990 euros, para a malta andar à roda; segundo, a contratou do grupo “Tais Quais”, por 18.000 euros, para actuar na tenda colocada no Jardim do Cardal. A tenda tem uma lotação de cerca de 220 lugares; pelo que, colocar um grupo que custa 18.000 euros naquele espaço implica que cada lugar custe, logo à-cabeça, 82 euros, descontando os 5 euros do preço do bilhete fica em 75 euros. Se ao preço do grupo somarmos todos os custos indirectos, o custo de cada lugar rondará os 150 euros. 

Por conseguinte, pergunto: 

(I) será razoável, e aceitável, a câmara pagar uma roda gigante (ou outro tipo de carrocel) para simples diversão de uns quantos?! E será razoável, e aceitável, que apesar do chorudo cachet (19.990 euros) o contratado ainda cobre bilhetes?!

(II) será razoável, e aceitável, a câmara oferecer um espectáculo que lhe fica em cerca de 150 euros por lugar?! E poderá a câmara suportar o custo se mais ou todos os munícipes quiserem assistir ao referido espectáculo?!

Por este andar, o concelho será tão pouco atractivo e tão desgovernado que virá o dia em que, se quisermos comer uma fartura no Bodo, teremos que pagar para virem cá servi-la!

Razão e lucidez tem um histórico dirigente social-democrata, velho actor da política local e conhecedor da história da ascensão e queda dos impérios, que fez uma boa analogia entre a queda do império romano (causas e as consequências) e o que se desenha para esta malfadada terra. Aqui como outrora lá, o Cómodo diverte-se em comemorações, meses a fio, para promover a sua imagem. Aqui como outrora lá, o circo e a vaidade do novo imperador arruínam as finanças públicas e degradam a organização do império. Aqui como outrora lá, os políticos gastam enormes quantias de dinheiro dos impostos dos contribuintes em festas e promoções de “eventos” de lazer, descurando a economia e a prevenção das crises económicas e sociais e as catástrofes da natureza e da guerra.  

Aqui como outrora lá, o povo paga tudo e os benefícios ficam para outros. 

2 comentários:

  1. Não será este modelo que o povo votou e aprecia? Eu estive lá na Festa de fim de ano e posso dizer que adesão de Pombalenses foi enorme, na maior parte dos dias em que fui ( Sexta e Sábado)e o ambiente era de regozijo de Pombal ter uma passagem de ano á semelhança de outros Concelhos. Se o PS não apresentar um candidato até ao final deste vamos ter PSD, com ou sem o Pedro mais 4 anos.

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  2. Eu era para fazer aqui um comentário de km, mas parece-me que o Roque respondeu muito bem e sem preconceitos.
    Rematou como habitualmente a puxar pelo PS, mas isso já são assuntos onde não me meto.
    Amigo Malho, a questão está na quantificação eficácia/preço, e utilidade ou não utilidade por ter correspondido às expectativas.
    Também há um provérbio cristão que diz : Nem só de pão vive o homem.
    Concordo que a cm deveria arranjar um espaço onde coubessem muitos mais para os espetáculos com bons artistas, e até partilho que já o disse aos responsáveis que não me negaram razão.
    A vida vai-se construindo nas suas várias vertentes e umas não impedem as outras.
    Só há que dosear e ponderar bem as decisões e depois avaliar.
    E já agora, também aguardar a crônica crítica mordaz do Farpas que nunca acha nada bem. Mas isso só nos faz bem porque nos obriga a redobrar a atenção decisória.

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