13 de julho de 2020

Premeditação ou aselhice?

O doutor coiso (autor e primeiro subscritor) meteu os pés-pelas-mãos na proposta de revogação das competências delegadas pelo executivo no presidente da câmara, ferindo-a de nulidade. A proposta foi aprovada - pela “oposição” - mas teve que ser re-submetida na reunião seguinte.

Na reunião seguinte (sexta-feira), o doutor coiso voltou a meter os pés-pelas-mãos, ao apresentar uma proposta cheia de irregularidades formais. Mesmo depois de o presidente da câmara o ter alertado para as desconformidades da proposta, na reunião anterior.

Este tipo de proposta exige unicamente três competências básicas: ter a lei que regula a matéria em causa, saber ler e saber copiar.

Pergunta-se: o doutor coiso meteu os pés-pelas-mãos, repetidamente, por premeditação ou por aselhice (jurídica)?

11 de julho de 2020

Gante na Caixa Agrícola



O que aconteceu hoje na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal mostra bem como não há poderes eternos nem absolutos: quando se quer muito, quando se trabalha afincadamente para isso - e quando o poder apodrece de maduro - a mudança acontece.
A lista B, liderada por João Gante, derrotou a lista A, liderada por Albano Carreira (em segunda escolha, perante a desistência de Diamantino Leal). 653 votos contra 480, mais seis brancos e três nulos. Quer isto dizer que as eleições mobilizaram mais de mil sócios.
Afastado de Pombal pela anterior administração, João Gante regressa agora pela porta grande, como presidente do Conselho de Administração. Vamos ver como se comporta no poder de uma das maiores unidades do Crédito Agrícola do país: 20 balcões entre Pombal, Penela, Soure e Condeixa. 

Inferno de Dante


(Gustave Doré, Dante fala para os traidores no gelo do Nono círculo, canto 32)

Na primeira parte de “A Divina Comédia”, obra prima de Dante Alighieri, o autor é conduzido ao Inferno pelo poeta romano Virgílio e pela sua musa inspiradora Beatriz. No poema, o Inferno é descrito com nove círculos onde cada um corresponde a um tipo de pecado. Quanto mais profundo o círculo, maior a intensidade do pecado. O fundo do Inferno é destinado aqueles que cometeram o pior dos crimes: a traição. 

A política em Pombal atingiu as profundezas do Inferno e, tal como na obra de Dante, o que existe não é fogo, só gelo. Por cá, os os traidores ainda não estarão submersos na água gelada, apenas com a cabeça e tronco de fora, alimentando-se dos cérebros dos mais fracos. Lá chegaremos. No entanto, se tiverem vergonha, jamais conseguirão voltar a erguer os olhos e recuperar a dignidade perdida. 

O episódio lamentável a que hoje assistimos, protagonizado pela vereadora Ana Gonçalves, não a compromete só a ela: compromete todo o PSD local. A triste vereadora é apenas um joguete submisso aos interesses do seu partido, vendendo a sua dignidade por um prato de lentilhas. E se alguém ainda tinha dúvidas, agora é evidente: vamos ter mais quatro anos de Diogo Mateus à frente da Câmara Municipal de Pombal. Nem Dante conseguiria ser tão cruel!

Hoje lembrei-me de uma música de José Afonso, homem íntegro, chamada "Tinha uma sala mal iluminada". Dizia o poeta: A velha história ainda mal começa // Agora esta voltando ao que era dantes // Mas se há um camarada à tua espera // Não faltes ao encontro sê constante. Ele tinha razão: se há um camarada à tua espera, não faltes ao encontro sê constante.

10 de julho de 2020

Putedo político

A política local já estava, há muito, transformada num bordel, administrado por proxenetas e tias, onde tudo se vende e tudo se compra. Hoje, desceu abaixo do bordel.

No bordel vende-se quase tudo. Na política local vende-se tudo – até a alma.

Todo o bordel tem uma boneca vaidosa, que atrai, que ilude, que trai. Uma cara de bronze sem coração e sem alma, movida unicamente pela vaidade e pela volúpia, que de natural, de digno, de “persona”, não tem nada. 

“Isto é tudo um putedo!”


9 de julho de 2020

Falta de transparência nas eleições da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal?

Sempre se soube que, havendo duas listas para os órgãos sociais e estatutários, haveria naturalmente um frenesim a que a instituição não estava habituada e era um sinal de alternância democrática. É a primeira vez que acontece.

Há, no entanto, relatos de aspectos menos transparentes como a recolha por parte de membros das listas dos votos em casa dos associados fazendo aproveitamento do fraco conhecimento destes sobre o processo. A maior parte dos associados não o são por escolha ou por interesse mas porque em tempos era a única forma de ter acesso a alguns serviços financeiros, hoje normais. É por isso que grande parte pertence a uma classe etária bastante avançada. 

Alegadamente, ao chegarem as cartas a casa dos associados, membros das listas, munidos de listagens, vão de casa em casa recolher os boletins assinados, nem sempre preenchidos e responsabilizam-se por os fazer chegar por correio. Independentemente de quem ganhar, a percepção de falta de credibilidade do processo não será favorável à imagem da instituição.

7 de julho de 2020

O caso Lusiaves

O caso Lusiaves monopolizou o debate na última AM, relegando para segundo e terceiro plano dois assuntos tradicionalmente relevantes: Relatório de Gestão e Moção de Censura do PS.

O caso foi introduzido, logo de início, com o debate sobre a admissão de duas moções subscritas por Manuel António (PSD), que tinham sido aprovadas na Assembleia de Freguesia (AF) da UFIGMM e enviadas à Assembleia Municipal. A admissão das propostas foi rejeitada.

No entanto, fazia parte da agenda da reunião a aprovação da extensão dos prazos para submissão dos projectos do investimento da Lusiaves, na Zona Industrial da Guia. O ponto foi aprovado por unanimidade, mas serviu para fazer uma longa discussão que a generalidade da assembleia rejeitou, estranhamente, fazer no início.

Pelo meio, vieram a público as suspeitas, que o líder da bancada do PSD na AF da UFIGMM - Manuel Serra – apontou, na missiva dirigida à presidente da AM, e a todos os partidos lá representados, nomeadamente “a forma pouco democrática como se lançou uma hasta publica à medida de um investidor, para o espaço urbano da nossa(sua) freguesia, em pleno estado de emergência nacional, tudo à revelia das autoridades e das opiniões locais, deixando a população alvoraçada e os seus representantes ainda mais.” E prosseguia: “Todo este negócio é demasiado nubloso no seu lançamento mas cristalino no objectivo de quem pretende beneficiar, dado que existiu uma hipotética grande empresa francesa que afinal nunca ninguém soube quem era, mas cristalino no privilegiamento da Lusiaves, para que se juntarem mais 5 ha aos 7 ha já classificados na ZIG, para ela se poder instalar como desejava mas sem qualquer projecto ou intenção sequer. Não sabemos quem sai beneficiado com isto, nem que outros interesses poderão existir, mas uma coisa sabemos: se essa instalação se fizer no sítio proposto pela câmara de certeza a Guia sai prejudicada, no seu ambiente, no seu crescimento urbano futuro e nas expectativas de muitos residentes e também dos empresários, e isso é um sacrilégio de lesa freguesia que esta bancada jamais poderia permitir, nesta União de Freguesias, sem se bater até à exaustão.” E rematava a missiva ameaçando que “se a câmara insistir naquele local, teremos de juntar a nossa acção porventura escrutinando melhor os processos administrativos envolvidos e os seus contornos que, como afirmámos, estão envoltos numa penumbra que gostaríamos de não ter de aprofundar”. 

Decididamente, o investimento anunciado não é a pérola que a câmara tanto apregoou; e de que, aqui, logo duvidei.


As últimas bolachas do pacote



José Gomes Fernandes e João Coucelo representam o que resta de um tempo em que a Assembleia Municipal era palco de grandes discussões políticas na terra, com solenidade, trabalho e dignidade dos que ocupavam o lugar, em representação de quem neles votou (convém nunca esquecer este pormenor). Lembro-me sempre do espanto do meu camarada Damião Leonel (que se sentava a meu lado, na bancada da imprensa, ele a acompanhar para o Jornal de Leiria e eu para o Região de Leiria) e do desabafo, na viagem de regresso a Leiria: "Eles tratam-se por senhor deputado!"
Com isto, passaram uns 25 anos. Tendo em conta que Fernandes e Coucelo já eram membros da AM ao tempo de Armindo Carolino...na bancada do PSD (claro)... é fazer as contas, como dizia o outro.
De maneira que esta discussão entre ambos foi um deleite, a todos os níveis, e figurativa do estado de divisão que reina no partido a nível local - mesmo que, por uma vez na vida, JGF esteja do lado do poder e não da guerrilha. Chavam-lhe "o talibã" do partido, noutro tempo; agora percebe-se que a idade tudo traz, e tudo leva. Ou quase.
João Coucelo é uma espécie de padrinho de Diogo Mateus, conselheiro-mor. Mas sabe (tenho a certeza que sabe) que o que está em causa neste investimento da Lusiaves na Guia não é brincadeira de meninos. E que muitos (e diversos) valores se levantam, como deixa perceber na dúvida. 
Mas Coucelo e Fernandes nunca se arranharam muito bem no saco de gatos em que o PSD se transforma, amiúde: O primeiro representa a tal burguesia da vila-cidade, o segundo o mundo rural, que a mantém viva. É conhecida essa fronteira. Foi evidente, nesta discussão, como ambos se manifestam cara e coroa da mesma moeda. À falta de boa discussão política entre bancadas, entre oposição e poder, valha-nos a que existe dentro da mesma bancada. Por mais estéril que seja, e que mais não queira do que mostrar como cada um deles ainda se acha a última bolacha do pacote.
Para remate deste episódio, e à laia de cenas dos próximos capítulos, fica a imagem dos tremeliques no pé de João Antunes dos Santos e Pedro Pimpão. E o respeitinho da presidente perante a voz grossa do Zé Fernandes. 

6 de julho de 2020

Relatório de Gestão

A discussão e votação do Relatório de Gestão é - deveria ser - o ponto mais alto da política local, aquele em o executivo presta contas e a oposição avalia o seu desempenho - aponta erros, falhas e necessidades não cumpridas.
Aqui, é tudo ao contrário. É a oposição (cábula) que vai a exame. E é o examinado que a examina. 
Custa ver aquelas alminhas a debitar generalidades e banalidades – o óbvio e o patético - ou a ler excertos do relatório sem nenhuma capacidade de análise política e de responsabilização do executivo. E custa ainda mais ver como se expõe - mostra as debilidades – tentando cumprir aquele obrigação sem honra e sem brio.
Quem esteve melhor? Talvez a representante do BE – não falou.


5 de julho de 2020

Querer ou não querer, eis a questão

O Pedro tem muitas qualidades e alguns defeitos. O Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana também. A diferença é que o Pedro quer ser presidente da Câmara e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana não. Quando chegar a hora, o Pedro irá ser o justo vencedor e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Luís e a Liliana não irão perceber. Bem... a não ser que tudo isto seja uma enorme farsa e o Pedro se revele como mero lacaio de um amo superior.

3 de julho de 2020

A Passagem Superior Pedonal caiu

No passado dia 30, o executivo municipal de Pombal aprovou, com o voto de qualidade do presidente da câmara (a oposição falhou o novamente o fito), o projecto de requalificação da Interface de Transportes e da Passagem Superior Pedonal (PSP). Mas o presidente da câmara decidiu suspender/abandonar o projecto da PSP sobre a Linha Férrea. 

Esta alteração de planos confirma, mais uma vez, que quando as pessoas se imiscuem na vida pública as coisas importantes (que afectam as nossas vidas) são melhor trabalhadas e decididas. E confirma-se, também, que afinal D. Diogo ouve! Ou é forçado a ouvir. Neste caso, ouviu com certeza a clarividente intervenção do arq.º Celestino e a do tipo da trotinete que defendeu que projecto da PSP não cumpria dois critérios fundamentais: o estético e o da utilidade.

Percebe-se, pela resposta dada na AM, a azia de presidente da câmara e as razões porque abandonou o projecto. Não o fez por ter percebido que era impróprio, mas por não possuir capacidade política para o impor.

Quando uma criatura, que se julga iluminada mas não passa de um ignorante em muitas matérias, tem a lata de afirmar que avaliar o projecto de uma ponte pelo prisma da utilidade é uma ideia pré-histórica, atesta duas ciosas: primeira, que nos dez anos andou a cursar Gestão (Autárquica) não aprendeu absolutamente nada; segundo, que desconhece os traços fundamentais das diferentes épocas da História.

D. Diogo tem razão quando afirma que as passagens subterrâneas sobre a linha férrea são más, nomeadamente as que vêm do séc. XIX. Mas parte de uma premissa verdadeira para tirar uma conclusão errada, que o deveria fazer reflectir sobre a utilidade/funcionalidade do que tem andado a fazer na cidade.  


Sermão de D. Diogo aos ignorantes


Diogo Mateus esmerou-se particularmente na última reunião da Assembleia Municipal, no que toca a distribuir roda de ignorância ao povo, neste caso a quem ali o representa.
A maneira altiva e petulante  como responde a perguntas ou intervenções que não tragam chancela de sangue-azul ou cor de laranja, revela - essa sim - uma extrema ignorância.
Se nos anos que passou a fazer cursos, tivesse despendido algum do seu tempo (até podia ser com o nosso dinheiro, na mesma) a frequentar um que fosse em comunicação, talvez lhe tivesse sido bem mais útil do que a auditoria de segurança interna. 
Porque há valores que, numa balança, pesam mais do que os botões de punho. 

2 de julho de 2020

Moções e marretas

A Assembleia Municipal iniciou-se com o ritual dos votos de pesar, e do minuto de silêncio, sempre do agrado dos “senhores deputados”, pelo falecimento de três figuras locais, e pelas vítimas do covid-19 (as outras foram ignoradas - covid diferencia).

Prosseguiu com um debate picado a Oeste, mas consensual a Leste, entre todas as forças políticas, sobre a admissibilidade de uma moção sobre a ampliação da ZI da Guia e outra sobre a localização do investimento da Lusiaves. O debate foi rico no apelo à coerência, aos princípios e ao respeito pelo regimento e pelo acordo estabelecido. E a admissibilidade, de ambas, foi rejeitada.

Mas logo de seguida, foi sugerida, oralmente, uma moção de louvor aos profissionais de saúde e outros envolvidos no combate à pandemia, que logo foi aceite, redigida pela mesa, e aprovada por unanimidade. 

Para esta gente, os princípios e os regulamentos servem para bloquear o debate de assuntos relevantes mas incómodos, mas são sempre esquecidos para dar passagem ao mais obsceno populismo.


Discussão da Cobardia

Numa autarquia, por maior ou mais pequena que seja, pede-se ao Presidente do Executivo que respeite, defenda e transmita as decisões e tomadas de posição tidas no seu órgão deliberativo, a Assembleia.

Na Assembleia de Freguesia, do passado dia 19 de junho, da União de Freguesias de Guia, Ilha e Mata Mourisca foi aprovada por maioria duas propostas que o Presidente de Junta, Gonçalo Ramos (NMPH) deveria ter tido o cuidado de ter levado à discussão na Assembleia Municipal como dois pontos da ordem de trabalhos.

As propostas versavam sobre a intenção de “ampliação da Zona Industrial da GUIA (ZIG) a nascente da linha férrea do Oeste” e de alterar a “localização da nova unidade industrial da Lusiaves” apresentando soluções na mesma ZI (já publicado aqui).

Como não o fez, o deputado Manuel António (PSD), assinando as propostas em nome individual apresentou-as no próprio dia da Assembleia, as quais, após votação não foram incluídas, adiando assim a discussão.

Após uma troca de palavras entre os referidos protagonistas, Gonçalo Ramos “deduz” que as referidas propostas tenham sido encaminhadas à Câmara Municipal pela Assembleia de Freguesia e, que, portanto, não foram só pela mão do Manuel António que estas chegaram.

Enquanto Presidente de Junta, o Gonçalo tem de:
  • Apresentar ele próprio as propostas à discussão e votação na Assembleia Municipal;
  • Saber concretamente se as propostas foram ou não enviadas à Câmara Municipal;
Com quase três (3) anos de gestão pede-se mais, muito mais a um Presidente de Junta que concorreu como oposição (?!), mas que nada mais é do que um "Yes Man" do Presidente de Câmara.

30 de junho de 2020

A democracia volta dentro de momentos. Será?



A pandemia obrigou a maioria das autarquias locais a reinventarem formas de comunicar com os munícipes, reorganizando reuniões de Câmara e de Assembleia Municipal: reduziram o número de presenças físicas, mudaram-se para espaços maiores (que permitissem o distanciamento físico), permitiram a deputados e presidentes de junta que acompanhassem a partir de casa, sem prejuízo de intervenção. 
Mas aqui resolveu-se a questão em dois tempos, no que à Assembleia Municipal diz respeito: não houve reunião em Abril. Cortado o mal pela raiz, hoje é hora de retomar a actividade da AM, sem direito à presença do público. Estou bastante curiosa em perceber como é que a senhora presidente vai resolver essas questões sanitárias, e o que mudou agora relativamente a Abril. Se eu acreditasse em milagres, já tinha a resposta.

PSD: Pimpão&Pimpão, sociedade unipessoal, Lda

Sábado, o Pedro (Pimpão) sucedeu ao Pedro, que tinha sucedido ao Manel-Pedro, que já tinha sucedido ao Pedro, que por sua vez já tinha sucedido ao Pedro, …Nada que se estranhe, só se entranha.

Há muito que deixou de existir disputa, e eleições, nas concelhias partidárias. Os protagonistas do costume ajustaram o sistema às suas conveniências, e já nem se preocupam em disfarçar a farsa. Agora, basta juntar uma dúzia de figuras, na véspera da data marcada, listá-las num papel, arranjar um slogan (patético, que a imaginação não dá mais), e simular a coisa (uma suposta eleição). Que os partidos da oposição, afastados do poder há décadas, caiam nisto, ainda se compreende. Mas o PSD local ter definhado nisto, diz tudo sobre o sistema e sobre as criaturas que cirandam pela política local, actualmente. 

De cem coelhos, nunca se faz um cavalo. Bem tem feito D. Diogo, ao reduzir o partido à sua insignificância.

Depois: que dizer desta indigência, “O futuro começa agora!” (com o requinte do ponto de exclamação), de quem anda há décadas a prometer “Mais Futuro”, “Melhor Futuro”, e toda a trampa sobre o Futuro?

29 de junho de 2020

Pés-de-micro


Todos sabemos que a imprensa regional é muito vulnerável face ao poder político. O facto das Câmaras Municipais serem os principais anunciantes locais tem favorecido relações de subserviência que em nada prestigiam jornalistas e políticos. No caso de Pombal, esta situação é particularmente grave e o Farpas, em 2012, colocou à discussão o tema “Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na?” num dos seus primeiros debates públicos. 

Não vou repetir o que já dissemos aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui. É triste constatar que, com o passar dos anos, nada se tenha aprendido. Mas, depois da recente entrevista de Diogo Mateus à Rádio Cardal, não posso deixar de voltar ao tema. Por muito respeito que me mereçam os profissionais da rádio, aquilo a que assistimos não foi a uma peça jornalística; foi um exercício de auto-promoção do presidente da Câmara com a conivência do seu entrevistador. 

Um presidente da Câmara que use a comunicação social a seu bel-prazer,  fazendo uso da sua posição dominante para aniquilar o jornalismo livre, não respeita a democracia. É um déspota. Um jornalista subserviente, que não confronte os seus entrevistados, permitindo sistematicamente que eles digam o que bem lhes apetece, não cumpre o seu papel. É um pé-de-micro. 

24 de junho de 2020

Obrigado, Gentil



O Gentil Guedes partiu ontem, ao cabo de dias de sofrimento. Era um sonhador, o Gentil, e deixou fios vários desse legado a Pombal. Devemos-lhe para sempre a Feira do Livro, a animação inédita que aqui trouxe, a Feira Nacional de Artesanato, sempre envolto em bonomia, galanteio, o gosto pela boa mesa - que nos últimos anos exercitou na Taberna À Cautela. Acho que ali era feliz, ao lado da Sara.
Fui recuperar a última mensagem que trocámos, já lá vai tempo, a propósito de uma novidade que eu sabia que lhe agradaria tanto: o tema "Olha a noiva se vai linda", agora cantado pelos fabulosos Tais Quais, que o ouvi cantar várias vezes, por causa daquela avassaladora paixão pelo Alentejo. 
A Câmara decretou dois dias de luto municipal. Gentil Guedes foi vereador do primeiro mandato de Narciso Mota (1994-1997). Dizia-me hoje o João Alvim que nunca esquecerá "a pedrada no charco" que foi a passagem dele pelo pelouro da Cultura. Afinal, como pode um homem deixar tanta marca apenas num mandato? Basta gostar da terra, vivê-la, querer o melhor para ela, o desejo de trazer aos que nunca daqui saíram as mesmas oportunidades que outros afortunadamente tiveram, fora de portas. 
Há outra marca que fica para sempre, à época contestada, mas que perdura: a toponímia original das ruas, com os nomes dos livros. 
Imagino essas tertúlias aí em cima com o Nelson (Lobo Rocha), Gentil. 

Já não temos O Eco para escrever o obituário que tu merecias, embora tão prematuro. Fica a lembrança da notícia que tu foste: "No dia 5 de Novembro, a D. Palmira Guedes deu à luz uma robusta criança do sexo masculino". Passaram 61 anos. 
Se houver justiça, a terra há-de ensinar/sempre a honrar/o nome teu.


23 de junho de 2020

D. Diogo, o justiceiro, com a bênção de Rui Rio



Diogo Mateus deu hoje umas declarações à rádio Cardal que desmontam qualquer ideia peregrina (que reinava aí nalguns círculos) de que vá embora da Câmara. Está preparadíssimo para o combate autárquico de 2021, e passa por cima de tudo e todos aqui na terra.
Vale a pena ouvir aqueles 20 minutos de prosa em que distribui fruta para todos: reduz à insignificância os partidos da oposição, mas - e principalmente - reduz a pó a estrutura local do PSD, pelo silêncio ensurdecedor de Pedro Pimpão sobre a proposta de revogação de competências assinada por dois vereadores do PSD (Pedro Brilhante e Ana Gonçalves).
Diogo parece estar a viver numa realidade paralela: repete tantas vezes aquela história do artifício que arranjou para se livrar de Ana Gonçalves que parece acreditar mesmo nela. Retive uma frase em que ele fala de "disfarçar adulteração" e na mesma diz que "isso não tem nada a ver com o PSD que eu conheci". Oi?
A cereja do bolo guardou-a para o final. Aliás, foi para isso que quis falar à rádio: dizer que Rui Rio - o líder que não apoiou - já lhe manifestou apoio. Sabe-se que arranjou maneira de falar a José Silvano, para reclamar essa protecção.
De maneira que estamos assim: D. Diogo pode tudo, acima de todos, sobretudo da secção de Pombal do PSD. Vamos ver quanto pode um justiceiro contra a justiça, pelo menos a dos homens, pois que a divina está assegurada.
Pedro Pimpão bem pode ir pondo as barbas de molho, que há um animal feroz à solta no Largo do Cardal.

22 de junho de 2020

Uma enorme aberração urbanística

Nos últimos dias, temos assistido a um corrupio de apresentações de projectos/obras na cidade.
Uma pessoa ainda não se tinha restabelecido do atentado ao Jardim Histórico da Várzea, que o transformava numa praça modernaça, e da mistela, a seguir apresentada, que procurava um compromisso inviável entre o histórico e o vulgar, e levou, logo de seguida, com o projecto da Interface de Transportes e a Ponte sobre a Linha Férrea, que custa a digerir e merece tratamento devido.
Hoje, tivemos direito à apresentação da Rede Pedonal e Ciclável da Cidade. Fui lá com o compromisso comigo próprio de não participar na discussão (para dar uma folga ao poder). Mas perante a nula participação do público presente, que parece ir ali só por curiosidade, decidi tecer uns comentários sobre o conceito – pobrezinho, ultrapassado, inseguro.
Mas o pior estava guardado para o fim: a apresentação do “projecto” de um Parque de Estacionamento num espaço adjacente ao Largo do Carmo, junto à Praça Marques de Pombal (coração do Centro Histórico). Uma coisa inconcebível. Tive que lhes dizer que aquilo não é um projecto, é uma enorme aberração urbanística, porque usa o que há de mais escasso num centro histórico, o espaço livre, para fazer um parque de estacionamento. 
Decididamente, este presidente - e este executivo - não tem noção nenhuma de como usar o raro e nobre espaço público, é um escravo da vontade que só faz asneiras, que se propõe qualificar o espaço público mas descaracteriza-o sistematicamente. Como dizia, há tempos, um influente correligionário: “este presidente deveria ser proibido de mexer no espaço público", nomeadamente nas zonas nobres.

É a Democracia a funcionar.


A frase “é a democracia a funcionar” passou a ser comum ouvi-la sempre que o poder instalado queria justificar o chumbo ou a rejeição de qualquer proposta vinda da oposição. Habituei-me a ouvi-la, várias vezes, durante os mandatos de Narciso Mota e posteriormente, nos de Diogo Mateus.
Pombal vive tempos nunca antes vividos. Nem vale a pena enumerar os episódios desta trágico-comédia, porque todos a têm mais ou menos acompanhado.
Quem me conhece sabe que não sou muito “adepta” de maiorias absolutas, nem de eternizações de poder. Acho mesmo que o sistema democrático perde (e muito) quando uma pessoa, ou partido, permanece largos anos no poder. E um dos riscos é precisamente acharmos que governamos a coisa publica como se estivéssemos a gerir/governar a nossa casa e fazemo-lo a nosso belo prazer sem acharmos necessário prestar contas. Contudo, não deixa de ser interessante olhar para os vereadores sem pelouro, mas que já foram poder. É interessante ouvir as suas queixas, as suas reclamações, quando verificam que há informações que não são enviadas (ou não chegam dentro do prazo), quando as suas propostas não são consideradas (ou então são ridicularizadas). E mais interessante se torna, quando evocam que tal comportamento do poder põe em causa o regime democrático! Acho curioso e dá-me vontade rir.
Depois há aqueles que vêm para as redes sociais vitimizarem-se, pintando a oposição como responsável pela (suposta) ingovernabilidade da Câmara! Volto a rir á gargalhada … porque estes “iluminados” ainda pensam que somos todos estúpidos!

É somente a democracia a funcionar.