24 de março de 2017

A tragédia dos comuns


Diz-se, muitas vezes, que uma imagem vale mais que mil palavras. Se isso fosse verdade, bastava o forte impacto visual provocado pelas pedreiras do concelho de Pombal para convencer que estamos perante um atentado ambiental. Infelizmente não é o caso. Daí a relevância da luta do Grupo de Protecção Sicó (GPS), uma associação que presta um verdadeiro serviço público.

Depois do alerta, em sede de discussão do Plano Director Municipal, sobre as consequências da eventual expansão das pedreiras existentes no concelho, a associação vem agora mostrar que as suas as preocupações não eram infundadas. A exploração da pedreira avança, sem escrúpulos,  para os terrenos baldios circundantes e o poder local assiste a tudo isto impávido e sereno.

As populações estão, naturalmente, revoltadas. A prepotência com que os mais fortes impõem a sua lei, desrespeitando as mais elementares regras de convivência comum, é típica de uma república das bananas, não de um estado que se pretende democrático.  Thomas Hobbes, em 1651, na sua famosa obra “Leviatã", afirmou que os homens são fundamentalmente egoístas cabendo aos governos controla-los para que não se destruam mutuamente na busca dos seus interesses próprios. Mas quando o poder político assume, claramente, o interesse de uma das partes, o seu papel regulador desaparece. 

Em Pombal, temos um poder autárquico beato, mas que despreza as populações, e uma oposição de serviços mínimos, simpática e delicodoce. Neste cenário, a regulação dos comportamentos egoístas terá que ser feita pelas pessoas, pelas associações e pelos partidos que insistem em faz seus os problemas comuns. Ah! E pelo Farpas, claro!

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