12 de março de 2009

Vamos a contas, então...

A diferença, actual, entre um vereador a tempo inteiro e um a meio tempo, seria de 1526,40 €, ou seja, perto de 21.000 € por ano, cerca de 0,4% do orçamento da CMP para 2009. Noutros orçamentos, esse valor aumentaria para 0,8%. Estes cálculos não contabilizam as despesas de representação. Se fosse entre um vereador a tempo inteiro e um vereador sem pelouro, este (imaginando que há 20 reuniões por ano - 2 por mês em 10 meses) custaria 1526,40 € por ano, implicando uma poupança de cerca de 41.000 € por ano (menos de 1% do orçamento).

Estas são as contas, aproximadas, feitas aos valores actuais. Em termos muito concretos, longe de representarem uma enorme poupança, soariam a exemplo (sublinho o enorme). Um exemplo baseado na lógica de que a um vereador/Presidente cabe a decisão política e que os técnicos servem para justificar decisões técnicas, logo não precisamos de tantos vereadores. Obviamente que cada caso é um caso, e este é apenas um ponto de partida. Isto é, era, já que agora teremos 9 vereadores. Ora, partindo do princípio que se mantêm 5 a tempo inteiro, o aumento de mais 2 em regime de não permanência é de 3.000 € por ano (números redondos), o que é residual num qualquer orçamento camarário. Mas mais um a tempo inteiro, sempre são mais 42.000 € que não escondem uma realidade simples: as diferenças populacionais são assim tão grandes que justifiquem um aumento de 2 vereadores?

E agora indo à Assembleia Municipal, sabe-se que esta não pode ter um número de participantes inferiores ao triplo do número de membros da Câmara Municipal, ou seja, de um mínimo de 21 - cumprido em Pombal passaremos para 27 a que acrescem os 17 presidentes de junta. Monetariamente, estamos a falar de, pelo menos, mais 1.800 € por ano com o funcionamento da Assembleia Municipal.

Os valores são ilíquidos, obtidos aqui.

Reitero que a redução do número de vereadores é muito mais que uma lógica de poupança, e deve ser antes colocada não no plano monetário, mas sim no plano da organização. Nisso e no exemplo, que apesar de tudo, pode constituir.

28 comentários:

  1. Eu tenho que me rir com isto tudo do Sr. José Gomes Fernandes porque quando propus na Assembleia Municipal que se utilizassem as senhas de presença para a criação de um prémio cultural ele foi o primeiro a sair a terreiro dizendo que da dele não tiravam nenhum. Por isso se houvesse exemplos a dar na Assembleia Municipal também era engraçado... Já disse que não sou nenhum santo e também erro, mas procuro ser coerente.

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  2. Carlos Ribeiro da Silva12 de março de 2009 às 23:24

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  3. Carlos Ribeiro da Silva12 de março de 2009 às 23:30

    quadro novo
    PSD PS
    % 63,08 25,39
    Dividir 2 31,54 12,70
    Dividir 3 21,03 8,46
    Dividir 4 15,77 6,35
    Dividir 5 12,62 5,08
    Dividir 6 10,51 4,23
    Dividir 7 9,01 3,63

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  4. ora bom dia e vaticino pelo andar da carruagem PSD 8 PS 1 para a câmara, Ofélia regressa à câmara Diogo candidato a deputado pelo PSD e João Pimpão candidato à concelhia do PSD

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  5. em castelo de vide tambem ja andam fazer contas do que vão gastar em palha.

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  6. Amigos e companheiros, boa tarde.
    Dr. João Alvim coloca a questão em termos organizacionais e financeiros. Mas não sai do tangível.
    Entendo que o intangível é tão ou mais importante. Vejamos.
    Fico contente por ver que o Município de Pombal, mais uma vez, fica acima da média. Eu sei que é um critério administrativo. Mas nem que fosse por um único eleitor isso deixava de ser importante para todos, já que o mérito é de todos.
    Por isso não entendo por que é que estão a carpir mágoas mal resolvidas nas urnas e que, tudo indica, vão avolumar.
    A auto-estima dos pombalenses deveria ser directamente proporcional ao degrau que agora subimos.
    Deveriamos, isso sim, estar a discutir as mais valias que advêm do facto de podermos ter mais dois vereadores do que fazer exercícios de raciocínio duvidoso. As tais falácias.
    Será praga que nos rogaram sermos obrigados, pelos negativistas, a ter pensamentos negativos?
    Só que provado está que os negativistas continuam sozinhos, e cada vez mais sozinhos, a olhar para o buraco negro para onde nos pretendem conduzir.
    Na firme espectativa de que a ultrapassagem desta meta aumente a nossa auto-estima a fim de nos conduzir, isso sim, a dias melhores, subscrevo-me, com muita alegria e satisfação.

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  7. Já Agora Engº, quantos eleitores é que a Albergaria ganhou, freguesia de que o senhor é o legitimo representante, que trabalho é que tem feito em todos estes anos?. Defender a causa dos outros?(lei-se causa do Narciso Mota!), compreendo tem que se trabalhar, a tipografia precisa....

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  8. Amigo e companheiro anónimo, bom dia.
    Respondendo às suas questões informo-o que a Freguesia de Albergaria aumentou 181 eleitores.
    Relativamente ao que tenho feito, a coisa é mais complicada, já que serão os eleitores a aferir se o que tenho feito cai dentro das suas expectativas.
    Mas deixe-me dizer-lhe que ao tempo do meu empreendedor avô e em parte do meu saudoso e industrial pai tinhamos, em Albergaria, uma cultura industrial. Começou a cair a seguir à Segunda Grande Guerra.
    Perdemos essa cultura industrial e regressamos às origens: emigração e cultura rural.
    Vim para a Junta de Freguesia com o firme propósito de ajudar a transformar um aglomerado rural numa aldeia urbana. Não sei se estaremos no bom caminho. Mas não vejo outro.
    Relativamente às insinuações que faz da Quilate - permita-me fazer publicidade - só um espírito pequenino é que faz esse caminho.
    Os 18 empregados que tenho criam riqueza. Não deviam criá-la?
    Sabe que a minha maior angustia é ver, por vezes, a carteira de encomendas baixa.
    Nivele por cima!, p.f.
    Abraço.

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  9. Engenheiro, Bom Dia

    O problema é mesmo com o intangível, já que à pala disso, temos de arcar com obras, aqui ou pelo país, para as quais não percebemos qual o custo/benefício.

    Os números são uma chatice, mas são factuais, verdadeiros e permitem-nos o resto da discussão.

    Aumentar o número de eleitores é bom? Claro que é, e nem ponho isso em causa, mas o que pergunto, a partir de números, é o que é que me traz de melhor. Por exemplo, poderia dizer-se que aumentando eleitos aumentam hipóteses de representação de outros partidos, o que pode ser bom. Mas será que é mesmo necessário ter tantos vereadores a tempo inteiro? Só isso. Isso e saber quanta riqueza que é criada pelos particulares e que tem de ser sugada para manter um Estado voraz.

    Por isso, realismo ao máximo. É que a intangibilidade dos projectos dos últimos 34 anos (já que antes nem se discutia isso) e daqueles que se avizinham preocupa-me bastante. Por não perceber muitos dos seus benefícios. E o realismo contribui para a auto-estima. Tal como a responsabilidade e a accountability. Não tem é servido para elegermos melhor, já que mais não precisamos de eleger.

    Abraço

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  10. Dr. João Alvim, bom dia.
    Entendido, correcto.
    Não concordo, mas respeito.
    Abraço.

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  11. Sinceramente não vejo necessidade de tantos vereadores e muito menos num concelho de tão pouca diversidade política. Mas já agora, usando um argumento que não é meu (porque eu nem sabia isto), será verdade que o um Chefe de Divisão ganha aproximadamente o mesmo que um vereador? E será verdade que número de chefes de divisão aumentou com o novo ornanograma da CMP? E que nessa altura ninguém se opôs aos gastos?

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  12. Ainda que um chefe de Divisão ganhe o mesmo é um cargo técnico e não político. Ainda que, sublinho. Partindo do princípio que a Câmara se organiza como quer e como entende que presta um melhor serviço, a parte técnica é bastante mais justificável, ou melhor, tangível, do que a parte política. E é essa que se discute. A contra-argumentação cai por terra, porque mistura duas realidades distintas com um argumento perfeitamente demagógico.

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  13. Não continuamos a falar de poupar? E se o cargo de vereador se aplica apenas e só a este mandato, a estrutura administrativa é definitiva, pelo que maior será o desperdício causado. Eu sei que tem mais impacto criticar um cargo político do que um administrativo, mas podiam perceber que nem tudo na vida é campanha...

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  14. Continuamos a falar de poupar. Mas eu admito que a organização da Câmara, em termos técnicos, possa ser a mais adequada, logo parece-me óbvio que se comece pelas questões políticas. E se eu defendesse que se devia reduzir a estrutura administrativa iria continuar a insistir que é campanha?

    Volto ao início, a parte política é apenas um exemplo. Em termos económicos, até o demonstrei, não é por aí que se salvava o mundo. E foi por isso que fui para factos, porque antes de campanhas, há que discutir e muito. A não ser que se considere que discutir realidades seja estar em campanha, coisa que acho que não quer dizer. Além disso, quem fez a sugestão até foi alguém do PSD: o Dr. Gomes Fernandes está em campanha?

    Aliás, o ênfase da minha argumentação nunca esteve na redução, mas sim no não aumento dos vereadores.

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  15. Não quero tornar isto uma questão partidária. Aliás eu próprio acabei de admitir que o PSD pode estar a ser despesista em algo que nem vocês criticaram...
    O Dr. Gomes Fernandes levantou a questão (com razão até, a meu entender) mas é inegável que o PS fez aproveitamento político. E também duvido que o levantamento da questão tenha sido inocente mas isso já não sou ninguém para ajuizar.
    O aumento do número de vereadores também me parece desnecessário...

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  16. Nuno, onde é que viu esse aproveitamento político por parte do PS? Aqui houve três cidadãos que, de diferentes prismas, abordaram a questão. Um deles (eu) é militante do PS, mas não sou porta-voz.

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  17. O PS (ou os seus militantes, se assim preferir) aproveitou um argumento de um militante do PSD para criticar também e com o argumento acrescido de a crítica inicial ter sido interna. Não digo com isso que não tenha razão, antes pelo contrário. Mas não deixa de ser verdade que aproveitou um desentendimento interno do PSD para criticar um despesismo que noutras circunstâncias não criticou e isso tem uma explicação, eleitoralismo.

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  18. Nuno, lamento que pense assim mas realmente não posso fazer nada. Assim todas as opiniões sobre política seriam eleitoralistas. E não é assim que vejo a opinião dos outros, mesmo quando não é a minha.

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  19. Mas a opinião também é a minha, não é isso que está em causa. Mas não será estranho que se queixem do despesismo só no caso dos vereadores? E só quando a questão surge de um militante do PSD? Não estou a dizer que criticam mal, eu também acho desnecessário que haja tantos vereadores num concelho como Pombal.

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  20. Para mim são duas despesas diferentes. Para o Nuno não.

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  21. A diferença é que uma é um cargo político e outra um cargo administrativo. Para mim, a segunda é pior porque é definitivo. Para si, a primeira é pior porque a crítica causa mais impacto.
    Já agora, agradeço que continue a contrariar-me sempre que achar que o deve fazer, porque muitas vezes há factos que desconheço e já aconteceu sair daqui com uma opinião diferente do que entrei. Como já disse, tenho 19 anos e a minha personalidade política ainda está em formação, é sempre bom ter vários pontos de vista. Se desta vez não me convenceu, noutras poderá convencer. E mesmo que não aconteça é sempre bom oferecer alternativas de pensamento que mais tarde posso descobrir que estão correctas. Não estou a pedir para me tentar converter ao socialismo, já ficou claro que para mim o mais importante não são os partidos, apesar de ser militante do PSD. O que estou a dizer é só que não me importo de ser contrariado e que agradeço poder aprender alguma coisa com quem tem mais experiência do que eu...

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  22. Nem eu o converteria ao socialismo, tanto que não é essa a filiação do PS, mas isso são conversas para outros posts.

    Apenas perceba que a militância num partido não tem que se tornar num rótulo.

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  23. Torna-se muitas vezes porque os políticos fazem por isso. E falo do PS e do PSD que não tenho dúvidas em dizer que têm mais interesse em proteger o partido do que os cidadãos. Provavelmente o mesmo aconteceria com outros partidos se ganhassem poder. É uma pena mas é a verdade. A política é vista como uma competição e acho que muita gente acaba por defender aquilo em que não acredita só porque tem de ser diferente da oposição e só porque o seu partido pensa assim. Penso aliás que é esse o grande problema do país neste momento. Os líderes de PS e PSD empenharam-se em lutar um contra o outro em vez de lutar pelo país e ambos teimam em contrariar-se e não admitir a razão um do outro. Já estamos é a sair do tema em debate...

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  24. Por isso mesmo, dificilmente defendo aquilo em que não acredito, talvez por isso não seja um político ortodoxo. Melhor, dificilmente serei um político, pela qualificação normal.

    Quanto ao "desvio" é ao do mais saudável que há, já que onde tinhamos chegado não íamos mais longe e uma das coisas boas na Política é a discussão.

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  25. Eu como já disse não sou nem tenciono vir a ser um político no sentido habitual da palavra. Acho sim, que enquanto cidadão tenho o direito e dever de me questionar e de participar na vida política. Porque a democracia não se resume a votar esperar que "eles" trabalhem...

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  26. Pessoalmente, a minha vida política leva-me a um conjunto de conclusões que implicam tomar atitudes que preservem a minha forma de estar independente.

    Costumo dizer que os políticos não foram cá deixados por OVNIs. Os políticos saem da população, logo não devem estar protegidos da análise crítica do que fazem e como fazem. Lamento é que não só não se faça isso como haja um adormecimento geral.

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  27. As pessoas criaram a ideia de que "eles" são uma espécie à parte (é por isso mesmo que uso o "eles") e que são todos uns gatunos, mas que não há nada a fazer e não têm nada que se meter na vida política. Parece que a política é exclusiva de alguns e "eles" que se entendam.
    Para mim, as decisões políticas devem ser questionadas. Não se deve criticar só por criticar mas também não se deve aceitar tudo. Deve saber-se ser participativo, porque dizer "ah eles fazem tudo mal" não é comentar política, é criticar porque sim.
    A questão é também que os políticos deterioraram a opinião pública acerca da política e afastaram a população e, principalmente, os jovens. Exceptuando os meus colegas da jota, conheço muito poucos jovens que se interessem minimamente por política e mesmo na Jota sou dos mais novos que conheço. É uma pena, mas enquanto não se mudar os políticos e a mentalidade dos cidadãos, vai ser difícil mudar...

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