https://youtu.be/Hnywooh9VTs?si=IXkcCxt-Qk5QCLDm
Quando António José Seguro começou esta presidência aberta, parecia mesmo que estava a virar uma página na política portuguesa: guardo a imagem do presidente em Ourém, a fazer o que ainda nenhum outro tinha feito – a visita ao povo afectado pela tempestade, o contacto directo com pessoas sem tecto, longe dos ambientes controlados que têm almofadado as visitas sucessivas de ministros, o desfile obsceno a que temos assistido, sem que daí resulte nada, nicles, zero.
Mas bastaram os dias seguintes para percebermos que foi ledo
engano. Seguro está, afinal, a trabalhar para a reeleição, versão 2.0 de
Marcelo, a distribuir beijos, selfies e abraços com um afinco tal que nos sufoca.
Não há esperança para isto. Desde a Junta ao topo da República, 99% por centro
dos políticos só está preocupado com a sua própria sobrevivência no cargo.
A sua passagem pelas Meirinhas, durante o dia de hoje,
rivaliza com qualquer filme de Kusturica.
Poupo-vos aos pormenores, deixo à curiosidade de cada um as
imagens (algumas em vídeo, que mostram bem o ar de deboche de vários protagonistas),
e permito-me soltar uma gargalhada, só. Eu havia de viver para isto: ver uma
terra onde ser socialista está ao nível da extrema esquerda, rendida a Tozé
Seguro. E ver Tozé Seguro rendido ao poder laranja, levado em ombros por
aqueles que a vida toda apoucam, desprezam e ridicularizam os que vêm da mesma
família política, fez-me lembrar uma procissão de Senhor dos Passos fora de
prazo. Mas serviu para conhecermos, todos nós, o que (lhes) importa.
Seguro passou, Meirinhas soma e segue (não esquecer que ali
os prejuízos se contam aos milhões, não é aos milhares), quem ainda não tem telhado
que espere. Pelo dinheiro do seguro, do Estado, ou tão só por uma visita de
alguém da Câmara.
Uma nota final para o desfile de assessores, uns moiros de
trabalho a saltar de fotografia em fotografia. Alguém que lhes arranje um banco
corrido, que isto cansa. Não acreditas? Estudasses!



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