2 de dezembro de 2021

O Subsídio a D. Diogo

O doutor Pimpão leva, hoje, à reunião da “Junta”, a (sua vontade de) atribuição de um subsídio reintegração ao ex-presidente Diogo Mateus, no valor de trinta e tal mil euros. A legalidade da medida é, no mínimo, duvidosa. E nesta matéria, o doutor Pimpão parece ter dois pesos e duas medidas...


Quando D. Diogo saiu da câmara, em 2002, para exercer funções de Presidente da Junta de Pombal e de Adjunto do Governador Civil, a Lei atribuía-lhe o direito a receber o subsídio de reintegração no montante de 1 mês de salário por cada 6 meses de serviço como eleito local, até ao montante máximo de 11 remunerações; mas D. Diogo não requereu o subsídio quando cessou as suas funções como vereador em janeiro de 2002.

 O direito a subsídio de reintegração, para titulares de cargos políticos, terminou (foi revogado por lei) a partir dos mandatos iniciados em 2005, pelo que nenhum vereador ou presidente eleito, depois daquela data, tem direito a receber subsídio de reintegração.

D. Diogo veio mais tarde, depois de regressado às funções de vereador da CMP, requerer o tal subsídio de reintegração. Nesta situação, a atribuição do subsídio fica, salvo melhor interpretação da lei, sujeita ao artigo do estatuto dos eleitos locais que obriga que “os beneficiários do subsídio de reintegração que assumam as mesmas funções antes de decorrido o dobro do período de reintegração a devolver metade dos subsídios que tiverem recebido entre a cessação das anteriores e o início das novas funções.” 

Assim, é altamente discutível a concessão do subsídio de reintegração a D. Diogo por inteiro, nesta data, como o doutor Pimpão lhe quer conceder. Além disso, o facto de D. Diogo não ter requerido o subsídio em 2002 (quando deveria) e ter entretanto assumido funções idênticas, põe seriamente em causa o direito a receber o subsídio.


30 de novembro de 2021

Super Odete



Quem pode, pode. Doutora Odete ficará na história do Partido Socialista local por escrever ela própria a sua história, sem dar abébias. Terminadas as eleições autárquicas com os resultados conhecidos, avança agora para as legislativas, pronta para novos desafios. Na noite passada fez-se indicar na estrutura distrital como escolha da concelhia de Pombal para a lista de deputados por Leiria  - que ainda não está fechada, porque o PS continua o mesmo saco de gatos do costume - passando a perna a Joelito, seu fiel escudeiro. E pergunta o (e)leitor atento: foram os militantes do PS local que a designaram? Pois que não, que desde as eleições não se dignou convocar qualquer plenário. Ora porque há pandemia, ora porque chove, ora porque faz sol. Mais: Odete Alves conseguiu a proeza de marcar uma reunião extraordinária da comissão política concelhia para a próxima sexta-feira, com essa finalidade, a de indicar o representante de Pombal na lista do PS pelo distrito de Leiria. É verdade que a reunião da distrital foi ontem, mas...assim se vê a clarividência e astúcia política da nossa presidente do PS, vereadora e aspirante a deputada: a lista não foi votada e só será na segunda feira. Isto afinal está tudo pensado. como naquela musica dos U2 de que Odete tanto gosta. "Sobreviver, sobreviver, sobreviver".

28 de novembro de 2021

A manha do dia (de ontem)

Um rapazola cá da terra fez-se anunciar deputado eleito…, no dia da disputa da liderança do seu partido!

Nas próximas eleições as listas de deputados do seu partido (PSD) vão levar grande razia… 

O rapazola arrisca-se a ver S. Bento por um canudo.


26 de novembro de 2021

Entre vendilhões e ineptos alguém se deve salvar

A sede da Associação de Indústrias do Concelho de Pombal (AICP) esteve em hasta pública e, pelo que correu, foi arrematada por uma empresa da Batalha, que se dedica à Construção Civil e Obras Públicas, por 350.000 €.



A câmara cedeu gratuitamente (ou lá perto) o terreno e o edifício à AICP, com argumento do sempre badalado interesse público. Fê-lo com tanto facilitismo e promiscuidade que até lá deixou, contra todas as regras da boa administração da coisa pública, uns reservatórios de água que, diz agora, são seus.

Só por estes dois enunciados já os estimados leitores devem ter percebido que estamos perante dois problemas: a defunta AICP, e a desgovernada câmara.

A defunta AICP é um esqueleto já sem carne que ninguém sabe e quer enterrar. Ficará para a história como o exemplo maior do falso associativismo. Nunca foi o que prometeu ser; foi rapidamente tomada por oportunistas e “vendilhões do templo” que a usaram para benefício próprio, carregando-a de dívidas até ao último suspiro. Demos conta, por aqui, da desvergonha, mas toda a gente com responsabilidade fez ouvidos-moucos.   

A câmara – agora transformada em Junta – quer comprar o imóvel, para, dizem aquelas alminhas TODAS, salvaguardar o interesse público e instalar ali um espaço de apoio ao sector empresarial e ao empreendedorismo (a banha-da-cobra da moda para a política económica).

O que não faltam à câmara são imóveis às moscas ou subaproveitados. Tem, até, um Centro de Negócios desocupado que nunca serviu para a finalidade subjacente à sua construção.

Porquê, então, a compra de mais e mais património imobiliário?

Somos - e temos sido - (des)governados por políticos que julgam que basta colocar dinheiro numa ideia tonta para ela se tornar virtuosa. Na área privada, estas aventuras têm perna curta, porque o dinheiro tem dono; na esfera pública são um desastre completo, porque o dinheiro não tem dono e os políticos são incapazes de assumir os logros.


PS: é por estas e por muitas outras que temos que continuar a andar por cá…, a dizer estas coisas feias!

Concurso Jovem Autarca

O Farpas tem a honra de mostrar os candidatos a jovem autarca cá do burgo.

O concurso foi desenhado para decorrer em ambiente harmonioso e familiar. Mas há claramente um favorito…! 




25 de novembro de 2021

Um novo 25 de Novembro


A Câmara Municipal de Pombal decidiu associar-se à campanha promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, assinalando, ainda que de forma discreta, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Ao optar por olhar para o dia de hoje sob esta perspectiva, o novo executivo rompe também com o vergonhoso legado do beato Diogo e seus acólitos, que, ano após ano, faziam questão de nos envergonhar enquanto pombalenses. Muitos parabéns, Pedro Pimpão!

23 de novembro de 2021

O monumento do soldado conhecido


Quando o meu pai tinha a idade do meu filho, cruzava os rios de Angola numa guerra que não era dele. Que não escolheu, que nunca quis, mas como não era livre de escolher, foi lá parar. Ainda assim, teve sorte. Calhou-lhe a Marinha, a parte menos má. Lá em casa dos meus pais os álbuns são feitos de recordações boas desse tempo: o meu pai a sorrir, sempre, ao lado de um amigo da terra, dos amigos que fez a bordo da fragata, dos nativos que posavam para a foto sem expressão, ao lado de um exército que lhes ocupava a terra deles.

Depois há apenas  uma foto do meu tio Germano, de que já aqui falei. Não teve a mesma sorte. Foi parar à Guiné. E de lá nunca regressou, verdadeiramente. Muitos voltaram numa caixa de chumbo. Outros, como ele, em frangalhos. Nunca saberemos o que pensaria da estátua mal-amanhada que a Junta do Louriçal plantou agora na vila, adornada com uma frase: "que a memória não se apague". Como se alguma vez ela se pudesse apagar. Como se fosse possível apagar o dia em que a GNR irrompeu pela Moita do Boi com um batalhão de guardas e cães à procura do meu tio, feito agente da autoridade depois da guerra, em permanente luta com os seus fantasmas, que afogou no fundo de um poço no quintal da minha avó. Andámos dias à procura dele, sem sabermos que era impossível encontrar quem nunca voltara. O rapaz bonito que partiu para a guerra não era o mesmo. Como ele, tantos outros. A Liga dos Combatentes sabe disso muito bem. Muitos psiquiatras também. 

Eu percebo que o presidente da Junta do Louriçal tenha uma certa obsessão em dar continuidade ao plano traçado por Diogo Mateus, de que era o maior discípulo, e por isso tenha planeado uma cerimónia próxima do 25 de Novembro (que este ano ameaça ser menos vigoroso, até que enfim). Mas se quer fazer alguma coisa pelos ex-combatentes, comece por dentro. Por perceber como é que estão estes homens e as famílias deles. Saberá que há ainda feridas abertas que tentam sarar com ansiolíticos e outros solutos? E fazer um protocolo com a Liga? Ou levar um Núcleo para o Louriçal? A não ser que... isto que isto da estátua seja uma ideia peregrina do presidente da Assembleia de Freguesia, Célio Dias, experiente numa guerra que nos tem ceifado muitas vidas, como atesta o cemitério do Louriçal: os acidentes rodoviários. Foi ele, de resto, que veio ao facebook fazer a defesa da estatueta, com toda a autoridade - diga-se. Afinal, ele não é só presidente da Assembleia, nem um louriçalense que gosta muito da terra para ir ao domingo e para reunir. É também um ilustre membro do Conselho Municipal de Segurança, acabado de designar pela Assembleia Municipal. Célio não gostou das críticas que surgiram à volta de tão nobre soldado de pedra, feito à dimensão do biscoito que marca estes mandatos da Junta. E retorquiu. É justo. Eu acho que a coisa merecia um livro. É só uma ideia...

22 de novembro de 2021

Pombal, terra do passado e do além

Uma terra, ou uma criatura, que vive do passado e vive para o além não tem presente. Nem o quer ter. 

Neste concelho vive-se da nostalgia de um passado que de grandioso só teve o desastre. E na esperança – na ilusão - de um além que não existe. Estas duas formas de escapismo são as vias para o desfalecimento e declínio. O desconhecimento do sentido faz o resto.



Fermenta por cá há muito um caldo de cultura ascético, frouxo, servil, deprimente, insalubre, que ganha agora novo fôlego com a ascensão do escuteiro a profeta e depois ao poder supremo.  Já Camões dizia que fraco Rei faz fraca a forte gente. A gente é o que se sabe, mas quando se lhe junta o fraco rei, e se lhe serve este caldo de cultura, o caminho para a decadência fica traçado. 

O povo, coitado, embarca nisto. E o poder lança-lhe a rede, e aproveita-se dele: chama-o para cerimónias e honrarias que tresandam a ranço e incenso; serve-lhe um caldo insípido e delambido, que não fortalece, enfraquece, que não alegra, deprime, que não liberta, oprime. Pelo meio ou no final do repasto, louva-lhe as memórias ressequidas e ressentidas e reza-lhe o catecismo da compaixão até os corações doridos e os espíritos sacrificados derramarem a lágrima contida. Serve-lhe, assim, a felicidade prometida…

Já Aristóteles via na compaixão um estado mental mórbido e perigoso. Esta insalubre união entre política e sacerdócio não pressagia nada de bom. 

Deus nos acuda!

PS: Usufrui desta felicidade tola, Pedro, enquanto ela durar, que o infortúnio para ti chegará mais depressa e mais intenso que para os outros.