19 de julho de 2019

E a abstenção, estúpidos?

Que o regime (democrático) está doente poucos o negam; e ninguém o quer tratar. O afastamento das pessoas dos partidos e da participação política confirmam-no, nomeadamente nas eleições .
Há muito que os partidos deixaram de representar a sociedade, as profissões e as pessoas - as suas expectativas e interesses -; transformaram-se num charco onde só sobrevivem os aparelhistas (jotas e caciques) à espera de tachos ou honrarias, um ou outro predador de fraco gosto, e meia-dúzia de pobres de espírito.
O retrato local é deprimente, o do país não é diferente. Os mesmos aboletados do poder e os mesmos rufiões de espírito, cujo traço comum é a superficialidade, o oportunismo e a destreza para tecer as teias de aranha que os nutrem. Falta-nos uma classe política dotada da ousadia própria da consciência, capaz de afirmar ideias, de se ligar às pessoas e à sociedade.
A cegueira é muito rara nos indivíduos, mas nos partidos é regra. As listas de candidatos a deputados da Nação, que os principais partidos nos apresentam, em Leiria, ilustram-no: Cavaleiros(as) da Triste Figura com fome de celebridade ou das sobremesas da vida, que não representam nada nem ninguém; de que não se pode esperar nada, porque é perfeitamente inútil esperar.
Perante isto, em quem votar?
- No camaleão próximo do lusco-fusco mental? Na paraquedista feminista? No vaidoso cobiçoso? No dizedor de graçolas sem coragem para a libertinagem? Na noviça de retórica oca? No ex-jota aparelhista insaciável? No profeta do amor, da vontade e do optimismo vazio? Na aparelhista feminista? Na mensageira da mensagem beata? No controleiro que só serve para dar recados? Na esganiçada requentada sempre envolta em virilidades? No mal menor: no partido que provavelmente menos comprometa as suas condições de vida.


15 de julho de 2019

É a cultura, estúpido!


Quando entrei no Café Concerto, na última terça-feira, um rol de gente enchia o espaço. Estavam em círculo, como nas reuniões ou grupos de auto-ajuda, enquanto o mastro Paulo Lameiro explicava ao que vinha: a candidatura de Leria a capital europeia da cultura em 2027, a importância dos municípios se envolverem em trabalharem em rede (lá está), num trabalho que deve começar pela base, entre os diversos 'agentes culturais'. E bom, chegamos então ao cerne da questão: aquilo era uma reunião de agentes culturais - como horas antes me avisara o responsável da PMU, sabendo-me parte do Gang da Malha, que ali se reúne precisamente às terças, desde há cinco anos. Não raras vezes, as tricotadeiras são a única clientela do espaço, para mal dos resultados financeiros do CC. 
Espantei-me com o cenário: não conhecia uma boa parte das pessoas que ali estavam, não reconhecia ali a cena cultural dominante. Faltava ali muita gente, a começar pelos rapazes do Ti Milha (o festival que é mesmo uma Ilha), o pessoal da ADAC, e tantos agentes culturais individuais e colectivos que vão fazendo coisas, teimando em dar à terra aquilo que ela nem sempre merece.
A certa altura, o Paulo quis perceber melhor o que somos e quem somos, culturalmente falando. E foi aí que o circulo se abriu, desaguando entre um muro de lamentações e um bailado de graxa à Câmara, que ali estava representada pela vereadora da Cultura, Ana Gonçalves. 
Foi uma cena bizarra, aquela: ranchos e filarmónicas, grupos de música popular e barroca, músicos vários, professores, assalariados e assessores, dirigentes e afins, num espaço público sem público. A maioria não se conhece. 
E no meio da discussão, a lembrança da casa Varela. Aquela que foi comprada para ser berço das artes, em Pombal, que assim se mostrou ao público num Bodo, e que agoniza, sem rei nem roque. Que motivou certa vez uma reunião de outros agentes culturais, ao estilo pretensioso de D. Diogo, com muita parra e pouca uva. Pior: chegou a pedir trabalho a um grupo mais restrito desse naipe, para nada.
De modo que a intenção do Paulo Lameiro é boa (mesmo que Pombal não tenha sido seleccionada para os prelúdios que aconteceram noutros pontos do distrito), mas faria muito mais sentido se esta casa estivesse arrumada: se os nossos agentes culturais (seja lá isso o que for) se conhecessem, pelo menos. Se isto não fosse um saco de gatos em que o rancho inveja o subsídio da banda, em que há filhos e enteados para o poder, em que isso se traduz na importância maior ou menor que cada um assume. Porque nos falta, também na cultura, o de sempre: sociedade civil. Que não fique à espera das migalhas que hão-de ser aprovadas por quem não distingue uma clave de sol de uma roda de bicicleta, uma noite de fados de um projecto musical, um artista de um chico-esperto. 
Para nossa felicidade, temos alguns (bons) exemplos. Mas a maioria não estava ali. Fica-me a dúvida: não foram porque não quiseram ou porque simplesmente não foram convidados? Tenho para mim que isto de ser agente cultural aqui na terra é mais ou menos como a mulher de César, mas de forma mais apurada: mais do que ser, é preciso parecer. 

12 de julho de 2019

Afinal, qual é o verdadeiro amor do Pedro?


Nas últimas autárquicas, o Pedro fez repetidas declarações de amor a Pombal, aos pombalenses, aos amigos, à família, etc.; convenceu-nos (à maioria) que a sua paixão era sincera. Mas quando decidiu ficar por Lisboa a dúvida instalou-se… Ficámos agora a saber que a verdadeira paixão do Pedro – o seu interesse – é Lisboa (o Parlamento) e não Pombal: fez-se designar elegível por Leiria, em lugar seguro (3.º)! As opções do Pedro não são fruto das circunstâncias; são uma forma de vida. 
O Pedro é uma criatura amorosa - um polígamo político que ama todos por si - a quem se tolera uma traiçãozita. Se Rui Rio não o cortar – razões não lhe faltam - o Pedro ficará bem lá por Lisboa, junto da senhora luxuriosa, rica e majestosa, durante mais quatro anos, à espera de melhores dias. Talvez gostasse de ficar por cá, com os seus, mas esta terra não gera oportunidades, nem para rapazes como o Pedro. Ficará sempre com o consolo da amante provinciana para os escapes de fim-de-semana.
O Pedro está feito político: surpreendentemente saiu (parece ter saído) vitorioso deste jogo, jogando em dois tabuleiros, com muita manha e jogo de cintura.
Força Pedro, és um dos nossos, o Farpas está contigo.

10 de julho de 2019

Diogo Mateus; balanço a meio


Metade da vida política de Diogo Mateus, como presidente da câmara, esfumou-se. O que mais surpreende nem são os parcos resultados, é o sentimento de inutilidade absoluta. Confrange ver como é que um indivíduo tão empenhado e preparado (tecnicamente) pode ser tão inconsequente e inútil.
Diogo Mateus foi sempre apresentado como o contraponto de Narciso Mota, no estilo, na literacia, nos hábitos de estudo dos dossiês; mas na prática, é a outra face da mesma moeda, o mesmo absolutismo e a mesma exercitação do inútil, com melhor representação, mais encenação e melhor retórica.
Diogo Mateus é poderoso. Daí não viria grande mal se o atributo não fosse um vício, se não gostasse tanto de o ser e de o parecer. Vive a vã glória de ser grande… Sujeita os assujeitados que o servem, e o temem, a fazer aquilo que lhe agrada e não o que os poderia engrandecer. Não é um líder - não vende esperança nem entrega resultados. O que transparece da actividade da câmara é uma lufa-lufa sem rumo e sem sentido, onde se consomem energias e recursos sem critério e sem resultados. Pelo meio, o concelho definha a olhos-vistos; enquanto os executivos, que nada executam, se consomem, meio descrentes, num rodopio estafado de aparições públicas para as mesmas almas conformadas.
A Política é - como alguém a definiu - a arte do possível. Aqui, é sobretudo um jogo, um rito, um hábito, um desserviço à comunidade que se tornou um mero exercício de sobrevivência política.
O que podemos esperar da outra metade da vida política de Diogo Mateus? O mesmo registo, em perda - o mal reforça a acção mal começada. Terminará derreado, desiludido e frustrado com os assujeitados e com a terra.

9 de julho de 2019

O regresso de António Pires

António Pires acaba de ser eleito director do Agrupamento de Escolas da Guia, num processo eleitoral que destronou António Duarte (que nos últimos anos dirigia as escolas do oeste, mas acabou por ser excluído do concurso) e teve a particularidade de reunir dois ex-vereadores da Câmara de Pombal: António Pires e...Fernando Parreira (também excluído).
Há uma certa ironia no destino que reveste esta chegada de António Pires à Guia. 
Antes de ter sido vereador - que mal aqueceu o lugar, saindo em ruptura com o presidente Diogo Mateus, meses depois de eleito - pelo PSD, dirigiu com mestria o extinto Agrupamento Marquês de Pombal. Foi lá que deu nas vistas, que Diogo o foi buscar para a lista, qual grande aposta para a Educação e Cultura. 
Pires - que nas últimas autárquicas apoiou a candidatura de Narciso Mota e foi eleito para a Assembleia Municipal através do movimento independente que a suportou - regressa à ribalta pela porta da Guia. Ora a Guia é nada menos que a terra de Manuel António, o actual presidente da comissão política do PSD - que tudo fez para o afastar de qualquer cargo de direcção escolar. Tantas voltas que a vida dá...

6 de julho de 2019

A JS existe?


O caso do Joel Gomes é paradigmático: como é que alguém que não existe politicamente no seu concelho, na sua terra, pode representar uma juventude partidária a nível distrital, ocupar cargos no mesmo âmbito a nível nacional, e agora ser indicado para ocupar nas listas do PS um lugar de deputado?
Ah, espera...na última AM o Joel fez uma intervenção. De fundo. 

4 de julho de 2019

JSD volta a reclamar

A JSD voltou a criticar o executivo por falta de políticas para a juventude. O executivo tem um vereador (jota) com pelouro da juventude, mas é como se não tivesse. Ou a velha questão: de onde não há não se pode tirar.
Mas triste, triste, é a JSD ver e apontar a falha, e mais ninguém a ver!

3 de julho de 2019

Coisa chocha

Ir à pesca e vir de mãos a abanar; não porque não houvesse peixe, mas por não saber pescá-lo.

Ou o velho problema de não ter rabo para duas cadeiras.