1 de julho de 2026

O verão é uma festa - e a Protecção Civil também!


Estamos na era da pós-verdade, da linha esbatida entre o que é informação e entretenimento, entre a comunicação e a propaganda. Já sabíamos disso tudo, e também já sabíamos que o poder autárquico faz o que quer - e sobra-lhe tempo. O que talvez ainda muitos não tenham percebido é como são marionetas para o mesmo poder. 

Depois da tempestade Kristin - em que a Protecção Civil civil municipal falhou em toda a linha, e percebemos que os planos municipais não servem para mais nada que ocupar meia dúzia de trabalhadores nossos a compilar dados e elencar medidas - ficou sempre a ideia de que o coordenador Hugo Gonçalves estava a prazo. Soubemos agora, sem a seriedade que o tema e órgão impõem, que vai embora (da Câmara, para já, mantendo-se como comandante dos bombeiros), sem que o presidente da Câmara tenha tido a decência de o dizer, nos sítios próprios - e mesmo de o confirmar aos jornalistas que o tentaram contactar. Ora, como toda a gente sabe, à era da pós-verdade junta-se a era do cordão umbilical entre o poder e a imprensa da terra. Terá sido certamente para poupar recursos que Pedro Pimpão contratou a directora e proprietária do Pombal Jornal (entretanto substituída, no papel, pelo decano social-democrata Rodrigues Marques), para funções ainda não totalmente claras. E como é que se poupa? No jornal. Que usa a(s) foto(s) publicada pelo presidente nas suas redes, com o despudor de quem sabe que isto é tudo nosso. 

Boa sorte, comandante Hugo.

Boa sorte, coordenador David. 

Máquinas. Campeões. Não se preocupem que isto é meia bola e força. Vejam só o caso da vereadora Carolina, que tutela precisamente a Protecção Civil, e que num passo de mágica passou da caixa de comentários do Farpas para a rádio, depois para o jornal, e agora exercita conselhos, de colete vestido, com toda a pompa. Simples!

26 de junho de 2026

Prospecção em Albergaria: a ponta da ponta do Iceberg


É inegável que todos, sem excepção, necessitamos de recursos para viver e
sobreviver. Nisso julgo que todos concordamos. No entanto - e temos disso evidências -  ao longo da história da humanidade existiram vários modelos para os obter.

Existem exemplos de tribos amazónicas que vivem em comunhão com o seu meio, mantendo um equilíbrio que lhes permite prosperar mesmo na adversidade. Regra geral, não usam mais do que necessitam.

No entanto, também existiram povos que desapareceram, ao que tudo indica, devido à

quebra do tal equilíbrio - disso a Ilha da Páscoa é um bom exemplo.

Por inverosímil que possa parecer, neste momento Pombal está mais próximo da Ilha de Páscoa do que imagina. Senão vejamos: a Freguesia de Albergaria do Doze ocupa cerca de 2305ha, dos cerca de 62600ha do Município de Pombal. Os pedidos de pesquisa e concessões para esta freguesia perfazem 477.78ha, o que representa cerca de 20.73% da sua área, ocupada com uma indústria extremamente destrutiva.

Se vos parece mal, ainda vai piorar.

 Neste momento está em consulta pública (entre outras) o plano de lavra da concessão C179-Eguins, e pasmem-se! A área da concessão intercepta o Rio Arunca!

Mas ainda consegue piorar. Cinco linhas de água que alimentam a nascente do Rio, chamadas de sub bacias, vão ser destruídas.

Está a doer? Ainda vai doer mais. Juntemos a isto os efeitos que a Kristin teve no povoado florestal desta freguesia, com 260,2ha destruídos, num total de 1507ha (fonte: Município de Pombal). A concessão de C-179 Eguins vai destruir 48.89ha, e a concessão C-175 Cartaria vai destruir 77.32ha.

Tudo somado, temos 361.03ha, o que significa que a freguesia de Albergaria dos Doze vai perder 23.96% da sua floresta.

E sendo assim, existe a probabilidade de o Rio Arunca deixar de existir em Albergaria dos Doze, e esta ainda ficar sem aproximadamente 1/4 da sua floresta.

Mas nada temam. O Sr. Presidente da Freguesia, em entrevista ao Jornal de Leiria, pede que “se continue a transformar este mal necessário em bem necessário”, falando numa ação de greenwash feita por uma das empresas de exploração.

Pessoalmente, vou esperar para ler as participações das associações (ditas do Ambiente) de Pombal e espero que tenham mais conteúdo que as últimas, assim como a manifestação contra a E-Redes , com direito a apoio dos presidentes de junta, aquando da tempestade.

Só para lembrar os mais distraídos: árvores = ar;  rio = água.

Gustavo Medeiros

(Farpas Convidadas)

24 de junho de 2026

Alternativa em Pombal? Só por geração espontânea…

Uma alternativa ao poder reinante em Pombal tornou-se um sebastianismo risível, já só comungado por meia dúzia de crentes “socialistas”. Nos últimos tempos, esse sebastianismo foi personalizado pelo doutor Coelho.



Quem acompanha as peripécias da política local com alguma atenção e regularidade percebeu, há muito, que o doutor Coelho e o doutor Pimpão são dois bons-cristãos, dois rapazes da mesma idade, da mesma massa e com o mesmo discurso redondo, onde a única diferença está nas nuances da retórica, mais concretamente no tom desta: o doutor Coelho mais meloso, o doutor Pimpão mais voz de trovão.  

A última reunião da “junta” confirmou na plenitude o que acabo de afirmar. Num aguerrido despique sobre esperanças e sobre o mais esperançoso, o doutor Coelho afirmou: “A única coisa que eu quase tenho em relação à sua gestão, senhor presidente da câmara, e digo-lhe isto, e já lhe disse isto variadíssimas vezes sobre várias formas, hoje vou tentar desta forma, para ver se é mais claro: não há tanto assim que nos divida, a não ser o facto de o senhor presidente da câmara adiar tudo o que promete, porque de facto o senhor presidente tem tido um conjunto de promessas, feitas desde 2021, que ninguém pode contestar, ninguém pode contestar, não são contestáveis”.

Um manhoso tropeça (quase) sempre na sua rasteira. Com este inenarrável discurso, o doutor Coelho quis deixar subjacente que o que o distinguiria do doutor Pimpão seria a sua capacidade de realização (política). Escolheu mal a sua melhor faceta – que também a terá; até porque ainda estão em ferida os destroços da sua devastação dentro do frágil PS local.

21 de junho de 2026

A “junta” reuniu

A “junta” reuniu, quinta-feira. Duas horas e meia de despiques retóricos intervalados com o cumprimento das formalidades correntes. Um fado triste entre quem “gostaria de saber” e quem não sabe.



As Obras Municipais são uma das atribuições nucleares da câmara. Do último executivo para este desceu-se mais um degrau, fez-se mais um fundo, porque se perdeu o único vereador que sabia do que lhe era pedido. Agora temos o departamento das Obras Municipais em autogestão…

O “executivo” levou à reunião a recepção definitiva da obra dos Passeios da Mata Mourisca, obra realizada em 2016, com recepção provisória em 2018. Questionados sobre o porquê da recepção definitiva passados SETE anos, e não cinco, como manda a regulamentação, a tarefeira que está com o pelouro calou-se, e o presidente, como não sabe nada daquelas matérias importantes nem pode saber, disse que ia perguntar aos técnicos. Noutro caso deu resposta vaga. 

A “junta” é um ajuntamento à deriva, sem rumo e sem foco (no essencial). Convém salientar que não estamos perante questões surpresa, onde nalgumas situações se compreende que o responsável político não esteja por dentro do processo; mas na presença de casos anormais, submetidos pelos “executivo” à discussão e aprovação.

12 de junho de 2026

A lenta morte do mercado dos agricultores

O mercado dos agricultores morreu. Ainda restam por ali duas ou três bancas, dispersas e estáticas, que mais parecem estatuetas de um qualquer museu etnográfico. Mas o destino está traçado: lenta agonia no total abandono, sem um apoio, sem um conforto, sem uma palavra. 



Quem, nas últimas três décadas, ali se abasteceu regularmente de produtos frescos, saídos da terra, com os aromas e os sabores que ficaram gravados durante a infância na aldeia, sente uma dor de alma ao ver aquele definhamento irreversível, aquelas caras tristes e conformadas. 

Morre ali uma boa parte da nossa memória colectiva, porque desaparecem do espaço público os fiéis representantes da nossa arte de sobrevivência – o cultivo da terra. Nada que incomode uma classe política dominante, e ignara, que enche a boca todos os dias com sustentabilidade, empreendedorismo, start-ups, smat-cities, e outras tretas que não enchem bocas; e despreza o que é importante preservar, e o que dá sentido à vida.

Como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita… Nas coisas frágeis não se podem cometer erros. A construção daquele espaço comercial foi muito criticada na altura. A oposição prognosticou o desenlace daquilo. Ei-lo confirmado.

11 de junho de 2026

Até o tarefeiro já distribui o nosso dinheiro!

O doutor Pimpão concedeu, em maio de 2025, uma avença de 19.900 €, por 240 dias, ao doutor Dino (rapaz que passou aqui pelo Farpas como se não tivesse passado – não produziu nada…), para este criar um Centro de Inovação. Se o rapaz precisa muito, fez bem…

Inovação é a caixa que fica bem nos organigramas das PME, onde se arruma alguém de quem não se espera nada.  

Na semana passada, fomos surpreendidos com o tarefeiro Dino, agora já com as vestes de Coordenador de Inovação, a anunciar publicamente 500.000 € de apoios (esmolas) a microempresas e trabalhadores independentes. 



Alguns dos nossos leitores criticam-nos por, dizem eles, exagerarmos nas críticas. E às vezes, ficamos na dúvida… Na verdade, melhor seria – para o concelho – se estivéssemos errados; mas infelizmente a realidade continua a surpreender-nos…  Por exemplo, criticaram-me por classificar o executivo que está na câmara de “junta”, mas aquilo já desceu abaixo do nível de “junta”, já é uma coisa tipo casa-da-sogra, onde não há sentido institucional mínimo, hierarquias, regras, maneiras, respeito pela instituição, pelos dirigentes e trabalhadores. Pergunto: contrataram um Director Municipal, dito muito experiente, para quê? Eu sei: de onde não há não se pode tirar. Terá muita experiência, mas é má experiência. Só assim se percebe que um tarefeiro seja coordenador/chefe de um serviço/actividade; e pior, que tenha a ousadia de anunciar a distribuição do nosso dinheiro! 

O roto fica sempre menos mal ao lado do mal remendado. Em sentido institucional e cultura organizacional o presidente e director municipal ficam bem um ao lado do outro.

9 de junho de 2026

Não és cabeça de cartaz no Bodo? O problema és tu.



O Município de Pombal anunciou sem pomba mas com circunstância a versão pobrezinha mas honrada do Bodo 2026: uma espécie de arraial na cidade, feito com a prata da casa, onde vão caber todos os amigos - o Graciano, os irmãos Silva, a Filarmónica, os dj's e o resto. 

Numa acção promocional de antologia, deu palco aos trabalhadores da Câmara e a muitos apoiantes do regime, desde o médico à polícia. Todos juntos, como Pimpão gosta, que isto de não estarmos todos unidos e amiguinhos, isto de discordar, pensar sobre as coisas e interpretá-las, já se sabe que não é bem visto. É pouco #adn236.

 Se por acaso és desses, fica sabendo que o problema és tu. Tu que não te esforçaste o suficiente para entrar no círculo, tu que não entendes que o governo não pode dar tudo a todos, tu que se não arranjaste o telhado, a chaminé, não conseguiste reabrir o negócio ou limpar os terrenos atulhados de árvores caídas. Tu que deves reverência e vassalagem aos 'heróis de capa azul e amarela', que nos dias de tempestade "comeram bifanas frias" (Pimpão dixit). Tu que ousas querer saber quanto custam as festas, nos últimos anos, sem que nunca ninguém te responda - lá está, há privilégios que são exclusivos dos cabeças de cartaz. E por isso estranhas quando te dizem que esta "edição especial com a prata da casa" é para conter custos, para aplicar o dinheiro na reconstrução do que falta. E falta muito. Mas o dinheiro municipal, imaginamos que sobre. Ou então não há justificação para a desistência do empréstimo que estava na calha. A pergunta é simples e exige resposta clara: quanto custa este Bodo? Quanto custou, afinal, nos anos anteriores?

Já para este dislate há uma justificação: a Câmara da era Pimpão vê o mundo à dimensão do Cardal. E ali, já se sabe, passa-se pouco mais que a missa e a venda de bolos dos escuteiros. Para quem queria voar mais alto, é poucochinho. Mas lá vamos, cantando e rindo,  tratando os munícipes com aquele paternalismo bacoco que começa nos "nossos artistas" e termina nos nossos eleitos, que só lá chegam por causa dos nossos eleitores. 

6 de junho de 2026

Distrações da rapaziada

Actualmente, a política tornou-se numa das actividades mais reles que um humano pensante pode exercer, mas há protagonistas empenhados em rebaixá-la ainda mais.



O concelho precisa de realizar muita coisa essencial. Mas para isso é necessário e urgente destralhar muito circo. Enquanto não se apresentar, e for eleito, um candidato que se comprometa a acabar com estas farsas do Parlamento do Idoso, do Parlamento Jovem, do Parlamento das Crianças e outras frivolidades conexas, esta terra nunca sairá da cepa torta e aprofundará o seu declínio (relativo).