19 de setembro de 2021

Diz que é uma espécie de jornalismo - que aconteceu no Oeste

 

Passaram quase 14 meses desde que o Pombal Jornal publicou um suplemento sobre o oeste do concelho que era - na teoria e na prática - patrocinado pelo núcleo do PSD. Os mais distraídos podem recuperar a história aqui. Ora, quando até eu já me esquecera da façanha, eis que sou surpreendida com um e-mail da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social - na semana passada, dando-me conta do que foi a deliberação do Conselho Regulador a respeito do caso. E do seu arquivamento, não obstante a advertência, ao cabo de uma (inusitada) esmiúça dos factos por parte daquela entidade, que acabou por ir além do caso do Oeste, analisando o trabalho do próprio jornal em várias edições.

 Os detalhes estão online e podem ser consultados aqui, mas importa reter alguns tópicos, sobretudo para memória futura. Porque embora às vezes não pareça, isto ainda é um país, com leis e regras. E a Lei de Imprensa - assim como o Estatuto do Jornalista, o Código Deontológico e a Constituição da República são os mesmos em Pombal, em Lisboa, na Ponta do Sol ou nas Barbas Novas. ´

É difícil fazer jornais em Pombal. Sei-o bem. É igualmente difícil fazer jornalismo. Mas há linhas vermelhas que não podemos pisar. 

Cada um escolhe o seu caminho e o percorre como quer, mas quando está em causa o espaço público, a coisa extravasa um bocadinho o negócio familiar. E por isso faço votos para que a advertência da ERC não caia em saco roto, nomeadamente no que toca ao pluralismo partidário e do respeito pelo estatuto editorial definido pelo próprio jornal. De resto, ide ler, que sempre se aprende alguma coisa sobre publicações, suplementos, informação e publicidade.

Agradecimento

Eu, Miguel Saavedra, mui apreciado e desdenhado escriba, venho por este meio agradecer ao Joelito, el Raspador, a sua mui generosa e útil oferenda, que muito préstimo terá.  


                                                                                            Miguel Saavedra

17 de setembro de 2021

A felicidade e o absurdo

Camus (e outros filósofos da mesma linha) escreveu que “A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra”. Esta terra, e estas eleições, confirmam-no.

De um lado, temos o profecta (e os/as apóstolos) da felicidade, do amor, do superlativo, do notável e do extraordinário, do optimismo vazio, da vida mágica; temos um hipocondríaco da empatia e da lisonja, um coração juvenil com espírito velho, ridiculamente superficial, sem essência própria, consequentemente sem valor, com uma pregação pomposa nas palavras mais infantil que adulta, dissimulada e desconexa, mendaz até, que tudo subordina à propaganda e ao charlatanismo.

Do outro temos um anão com duas cabeças, a bipolaridade, o nada e os absurdos, a moleza e o excesso, o estupor apático e o egocentrismo, a falta de tesão e a procura de guerrilha, o mutismo e a retórica opinativa oca, num corpo frágil, amorfo, doentio até, tolhido pelos seus medos e pelas suas contradições, consumido pela intriga e pela desconfiança, onde coexistem almas perdidas e rufiões do espírito incapazes de se fazerem ouvir por crentes e por não-crentes. Uma desgraça completa, que só não será maior porque do outro lado está o que está – outro filho da mesma terra, do mesmo sangue, da mesma massa.


Decididamente ainda não é desta que sairemos do marasmo.  

Siga a festa, que a ressaca pode esperar.

15 de setembro de 2021

Juntas, um mundo obscuro

Anteontem, depois de ouvir e postar sobre o debate entre os cabeças de lista à Junta de Almagreira, prometi aos leitores do Farpas um estudo comparativo sobre o desempenho das diferentes juntas do concelho de Pombal, se obtivesse os dados indispensáveis a uma boa análise. Apesar de crítico do poder local, ainda acreditava – agora menos – na rectidão dos políticos locais, mas a realidade continua a surpreender-me(nos) pela negativa.

Decerto que muitos cidadãos continuam a achar que as juntas são os parentes pobres da administração local, que não têm recursos nem obrigações a cumprir para além de passar uns atestados, de limpar uma valetas e de cuidar do cemitério lá da terra; mas realidade actual é muito diferente da imagem difundida ao longo de várias décadas. As juntas têm hoje atribuições e responsabilidades mais relevantes e orçamentos de muitas centenas de milhares de euros, que usam vezes demais sem critério nem controlo ou de forma irregular ou ilegítima, como temos tido conhecimento. Porquê? Porque não são sujeitas a qualquer fiscalização, nem da oposição, que não a sabe fazer ou debanda após a derrota, nem do quarto poder. Por isso, a esmagadora maioria não presta contas a ninguém.

Em Pombal, neste mandato, só a Junta das Meirinhas divulgou sistematicamente as contas aos seus fregueses (e à comunidade); as juntas de Carnide, Carriço, Louriçal, Pombal, Redinha e UFIGMM divulgaram em parte; as juntas de Abiul, Almagreira, Pelariga, Vermoil, Vila Cã não divulgaram nada (nenhum Relatório de Gestão); e as Juntas de Vila Cã e UFSSSLAD mostram, nos seus sites, que nunca pensaram sequer nisso – o que dá corpo aos rumores que correm na comunidade sobre o tipo de gestão que praticam. 


Esta matéria – Prestação de Contas e o que lhe está subjacente – tem estado totalmente ausente do debate autárquico. O que diz muito, ou tudo, sobre a (im)preparação dos políticos locais que por aqui gravitam. O país pode ter melhorado muito os níveis de instrução da população, a percentagem de doutores, e a percentagem de doutores que exercem cargos autárquicos ou que se candidatam a eles, mas a nossa cultura gestionária, a capacidade de distinguir o essencial do acessório e a capacidade de utilizar bem os recursos no essencial, melhorou muito pouco; continuamos muito atrasados, e, com este quadro, uma coisa é certa: nunca sairemos da cepa-torta. 

Prestar contas aos fregueses é uma obrigação legal e um dever ético do administrador de recursos públicos. Quem não percebe isto não percebe nada do que é o exercício de um cargo público. Quem não cumpre este dever legal e ético deveria ser demitido, e, no caso de incumpridor recorrente, impedido de se candidatar a cargos públicos – devia ser considerado pessoa não-idónea.  

PS: parabéns ao presidente da Junta das Meirinhas (Manuel Virgílio Lopes – PSD), que não conheço. Chegámos a um ponto que até o básico merece ser enaltecido.  

Adenda: pelas informações divulgadas após a publicação do post, sinto-me obrigado a retirar o elogio ao presidente da Junta das Meirinhas. A realidade está sempre a surpreender-nos, pela negativa!     

14 de setembro de 2021

Descubra as diferenças

Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Não será bem assim mas não andará lá muito longe. E são os pormenores que fazem ressaltar os por maiores.


Nestas eleições – no Pombal - está quase tudo decidido. Mas há uma pequena disputa, que apesar de ser totalmente irrelevante para a comunidade, vale a pena acompanhar – até por que eles querem que seja acompanhada. É a disputa entre os dois PS`s!

De um lado, temos o grupo da doutora Odete, que protagoniza a candidatura à câmara; do outro, temos o grupo do doutor Coelho que protagoniza a candidatura à Assembleia Municipal.

A doutora Odete e o seu grupo representam a não-política, o vazio, o NADA. O doutor Coelho e o seu grupo representam outra coisa (que por agora me abstenho de caracterizar).

No final, se o Nada “ganhar” à “Outra-coisa” talvez muita gente fique surpreendida. Eu não. Por que em Política – tal como na vida - a sensatez continua a ser um atributo valioso. A doutora Odete pode não ter mais nada (politicamente), mas é sensata. 

Siga a festa, que a ressaca pode esperar. 

13 de setembro de 2021

A excepção que confirma a regra

Os debates entre os candidatos às juntas de freguesia têm sido de arrepiar e abandonar. Alguns candidatos, nomeadamente de partidos com responsabilidade acrescida, não sabem ao que vão, parece que se atiraram ou os atiraram para dentro dum poço; não têm nada minimamente estruturado ou relevante para dizer, não são sequer capazes de encher o tempo de antena, e alguns chegam ao ponto de afirmar, em directo, que não sabem nada daquilo e estão ali porque foram empurrados.

Mas, por mero acaso, apanhei no telemóvel o debate entre os dois cabeças de lista à freguesia de Almagreira – Humberto Lopes (PSD) e Marlene Matias (PS). Ouvi o debate até ao fim (no telemóvel); mesmo até ao fim, até às intervenções finais de apelo ao voto, e até nessa os candidatos mostraram elevação. 

Em Almagreira só concorrem duas listas. E surpreendentemente é da menor quantidade que emerge a melhor qualidade (até agora). Os eleitores de Almagreira têm a sorte de poder escolher entre dois candidatos bem preparados, profundos conhecedores da sua terra e com grande sentido de serviço publico. 

Muitos – a esmagadora maioria – dirão que estes debates não decidem nada. Têm razão; e não têm. A política é alta competição. O atleta de alta competição sabe que pouco se decide na corrida das medalhas, que tudo se conquista ao longo de quatro anos de trabalho, esforço, dedicação e perseverança; suportados por muito planeamento, monitorização, ajustes e correcções. Se na corrida das medalhas, onde a diferença entre atletas é mínima, os medalhados estão praticamente definidos antes da corrida; na corrida aos votos, onde a diferença entre candidatos é grande (às vezes abissal) o resultado só pode ser um. 

PS1: aconselho vivamente os candidatos à câmara a verem o debate entre os candidatos à junta de Almagreira. Talvez aprendam alguma coisa sobre a forma de passar uma mensagem séria e apelativa. 

PS2: o debate motivou-me a fazer uma análise comparativa do desempenho das diferentes freguesias. Se conseguir obter os dados indispensáveis a uma boa análise trá-la-ei a este blog.  

12 de setembro de 2021

Rei morto, rei posto

A última reunião da Assembleia Municipal deste mandato foi (quase) aquilo que se esperava: uma bajulação colectiva a Diogo Mateus, que soa a falso na maioria dos casos. Toda a agente sabe que Diogo foi empurrado borda-fora, que Pedro Pimpão faz de conta que o (seu) PSD não está no poder há três décadas, e pior, que D. Diogo nunca existiu. Por isso chegou a ser degradante vê-lo(s) dizer em público o contrário do que dizem em privado, destilando ao microfone a teoria do agradecimento que a prática não acompanha. 

Diogo sabe disso. E não o esquecerá. 

Mas a mais hilariante intervenção coube a José Gomes Fernandes - já na fila da frente, já a preparar-se para novo regresso a porta-voz da bancada do PSD, pois que do seu arqui-inimigo João Coucelo espera-se que esteja sempre pronto a substituir o professor, na presidência da próxima Assembleia Municipal. O partido deu um duplo tiro no pé ao incumbi-lo de fazer aquele papel. Primeiro porque toda a gente sabe que JGF (outrora conhecido como enfant terrible ou taliban do PSD local) tem o mesmo jeito para o elogio que um elefante a movimentar-se numa loja de porcelana. Depois porque não resistiu a deixar ali a sua velada farpa ao Pedro, apontando a Diogo as qualidades que sabe serem  defeitos do sucessor. A coragem, sempre a coragem, a preparação e o conhecimento.

Diogo sabe disso. E por isso lhe devolveu com a mesma moeda, agradeceu as palavras, sabendo que eram simpáticas, embora "nem todas verdadeiras". Afinal, foram muitos anos lado a lado a espezinhar os adversários, a maquinar estratégias - como aquela de fazer cair Luís Garcia, presidente da AM - a mexer as peças. Porque são raras as que tombam sozinhas. Aqui ou em qualquer lugar, Diogo não o esquecerá.

5 de setembro de 2021

Sobre a apresentação do Professor

O PSD apresentou, ontem, o seu cabeça de lista, e a lista, à AM. No discurso de apresentação, o Professor Mota Pinto prometeu colaboração activa com o Pedro – com o presidente da junta – e avançou duas ou três ideias (dois ou três palpites) que, disse, ainda não saber como serão implementadas. 

Chega, Professor. O senhor, pelo menos, sabe ao que vai, que cargo vai exercer; e isso, nesta terra, na província, onde a esmagadora maioria não sabe ao que vai, para além de se prestar a tristes figuras, é um factor diferenciador. O senhor sabe ao que vai e será sempre o Professor; não se preocupe nem se esforce muito, que pior (do que está e do que foi) não fica; e tenha sempre presente que dar amêndoas a porcos é um desperdício. 

O senhor daqui, deste pobre escriba, nada terá a temer - terá sempre o destaque e o reconhecimento que merece. 

Siga a romaria.

3 de setembro de 2021

Mundo ao contrário ou novo normal?

Como já aqui realçámos, no último ano ocorreu um terramoto político em Pombal que não deixou pedra sobre pedra, nem no poder nem na oposição (se se pode chamar oposição ao que por cá tivemos). 

O presidente da câmara não foi reconduzido – coisa nunca vista -; nenhum dos vereadores com pelouros foi reconduzido – coisa também nunca vista -; os vereadores da oposição - da força política que disputou o poder (NMPH) – também não vislumbraram condições para se recandidatarem - coisa também nunca vista. 

Onde está, então, o ilógico? Perguntará o leitor. Está numa figura e num partido que gira ao contrário e não se dá conta disso. Essa figura é Odete Alves, representante única do PS no executivo; esmagada, tal como o partido, nas últimas eleições não conseguindo sequer ser eleita; mas, mesmo assim, e com desempenho político no mínimo sofrível, foi reconduzida - fez-se reconduzir.    

Há explicação para isto? Há! E as razões desta aparente anormalidade estão presentes tanto num lado como no outro da equação política local, igualam-se, mas dão resultado único.

Em tempos de abatimento, como os que agora vivemos, os fracos tornam-se fortes, porque a pusilanimidade dos fracos valoriza-os, porque ser-se fraco, ser-se humilde, ser-se sonso - ou parecer sê-lo - é uma grande vantagem. Em tempos de decadência quem anda às arrecuas marcha de acordo com o sentido do tempo. 

E os outros? Perguntará o leitor mais esperançoso. Dos outros nem vale a pena falar: não contam, não têm responsabilidades.