15 de setembro de 2026

O caso Gualdim Pais


 

Depois do texto que aqui publiquei ontem, muitas pessoas fizeram chegar ao Farpas a sua preocupação e indignação com o que está a acontecer na Escola Gualdim Pais, que junta crianças desde o primeiro ao terceiro ciclo. Pais e Mães fizeram correr pelas redes um grito de alerta em relação ao estado de sítio em que está a escola-sede do agrupamento: edifício em obras, enquanto decorrem aulas em contentores. Contentores que foram colocados à pressa, sem se acautelar que estavam em condições de suportar temperaturas extremas, como aconteceu ontem, e como vai acontecer  em próximos dias. Há relatos de desmaios, indisposições, efeitos que talvez a climatização pudesse ter evitado. Não sabemos. O que sabemos é tão só o reforço do que já aqui disse ontem, agora ainda com mais propriedade: o que vai na cabeça de dirigentes públicos quando entendem que aquilo são condições  (de segurança, desde logo) para albergar crianças?

Esta manhã fui lá ver, com os meus próprios olhos. Encontrei mães e pais preocupados, professoras e professores  apreensivos. Esperam acção da autarquia, posições por parte dos organismos da escola, mas sobretudo por parte Associação de Pais, cujo silêncio parece ensurdecedor. Como esta é uma terra em que anda tudo ligado, talvez seja melhor sentarem-se. E esperar que a crise passe. Ou então, por uma vez, levantar-se alguma cidadania. Que tem de começar pela frontalidade: publicações anónimas não merecem grande credibilidade. Por mais verídicas que sejam as denúncias - e são. O estado de sítio está à vista de todos. 


Ouvi há pouco as declarações do director do Agrupamento à Rádio ONDA CERTA (haja algum meio de comunicação a quem o assunto não queime). Seriam cómicas se o assunto não fosse trágico. Mas ouçam vocês: https://www.facebook.com/reel/2484752728678124

Por último, uma nota para o projecto-piloto que está a juntar de forma atabalhoada trabalhadoras da Junta e da Câmara, neste agrupamento. Há descontentamento generalizado entre as funcionárias, e isso não é bom, muito menos nesta área. 



14 de setembro de 2026

Não têm árvores? Desenhem-nas e respirem.

 



Pela primeira vez em 20 anos não fui a reuniões de pais e mães, e posso olhar para o início do ano lectivo em Pombal apenas como cidadã. Por estes dias a minha filha mais nova já foi estudar para fora, e portanto caminho agora neste limbo confortável de não me preocupar com refeições escolares, recreios, actividades e quejandos. O que não quer dizer que não me preocupe com o outro, com os outros. E todos os dias nos chegam preocupações de quem vai fazer esta travessia com mochilas demasiado pesadas, seja no primeiro ciclo - à conta das obras na Escola Conde Castelo Melhor, que para mal de uns e bem de outros se prolongam no tempo, seja na escola Gualdim Pais, que no dizer de alguns professores e pais, parece saída de um cenário de guerra, também à conta das obras. 

Mas fazendo fé num vídeo promocional publicado hoje mesmo pela Câmara, está tudo bem. "Em Pombal educar é apoiar as famílias e garantir que cada criança encontra as condições certas para aprender", diz a narradora ao serviço do município. Eu não sei em que realidade paralela vivem estas pessoas. Não sei se é por osmose que o presidente Pimpão consegue passar à "equipa" estes conceitos colados a cuspo. Ou se isto é apenas para ficarem todos de bem com a própria consciência. 

Porque o que eu vejo, em Pombal, são escolas com recreios empedrados, onde não cresce uma erva saudável quanto mais uma criança. 

O caso da Escola Conde Castelo Melhor angustia-me. Não julguei possível que qualquer decisor político assinasse de cruz fazer uma escola, aos dias de hoje, enfaixada entre estradas e edifícios, claramente como se metesse o Rossio na Rua da Betesga. A sério que isto é querer o melhor para Pombal?

Nas últimas décadas habituámo-nos a isto, de cada vez que se constrói um edifício público (ou privado). Na verdade, quando olhamos à volta, só nos restam dois edifícios com algum verde para caminhar e respirar: a Casa da Criança e o Hospital. O conjunto de Lares de Idosos, Creches, Escolas e demais equipamentos são verdadeiros bunkers ao nível do chão, numa selva de pedra que cresce todos os dias.

Em 2020, um estudo da universidade de Hasselt (Bélgica), publicado no Guardian e na revista Plus Medicine mostrava como crescer num ambiente urbano, com mais áreas verdes, estimula a inteligência das crianças e diminui os problemas comportamentais. Aqui ao lado, na Universidade de Coimbra, por exemplo, sucedem-se estudos que concluem sempre pela necessidade de aumentar os espaços verdes nas escolas e nas cidades. Na semana passada, o professor Carlos Neto apelava à reabilitação urgente dos recreios escolares, insistindo que "nas primeiras semanas de aulas os alunos deveriam estar todos  brincar, para aprenderem a relacionar-se". Presumo que todas estas questões tenham feito parte da reunião, comunicada nas redes, entre a Associação de Pais de Pombal e a Câmara. Afinal, não será por falta de interlocutores que a comunicação vai deixar de fluir. 

Ali a meio da minha viagem nas escolas, nos últimos 20 anos, envolvi-me na criação da dita associação de pais - como se recordarão os que andam por aqui há mais tempo. Acreditei mesmo que seria possível incluir todos, envolvê-los. Enganei-me. O organismo nasceu, começou a andar, mas tropeçou em valores mais altos que se levantavam para várias almas de (aparentemente) boa vontade. Serviu intentos de ascensão social, profissional e política, e ficou acomodado no degrau onde nasceu. Olhando agora para a constituição dos novos órgãos, passámos a outro patamar. A primeira foto oficial foi tirada nas escadas da Câmara, o que dispensa legendas.

Mais ou menos na mesma altura passei pelo Conselho Geral. Foi onde melhor conheci os professores. Fui a conselhos de turma, vi linchar crianças de 11 anos como se fossem terroristas do Daesh. Também vi gente boa, empenhada em fazer da escola um sítio seguro e melhor, para todos. 

Ao cabo de tantos anos, já não tenho ilusões. Mas nunca perco a esperança. É o que ainda me faz caminhar na floresta, sem ficar presa à imagem da árvore. 

Desejo-vos o melhor: mães, pais, alunos, professores, e - tão importante - auxiliares de todas as escolas. Coragem, porque vão precisar.  

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3 de setembro de 2026

Criaturas sem “trimbelhos” nunca podem ter poder

Na minha aldeia e arredores as pessoas usavam frequentemente o termo “trimbelho”*, e ele ficou-me na memória pela sua sonoridade e expressividade. Com o tempo fui compreendendo o seu sentido e a sua conotação: uma pessoa sem trimbelhos era uma criatura sem grande ou nenhuma coerência de comportamento ou atitudes – meio estouvada/imprudente. Durante muitos anos - muitos mesmo - atribuí a falta de trimbelhos à pouquíssima instrução. Mas pelos vistos estava errado. Uma das coisas que actuamente mais me intriga é como é que depois de tanta instrução ministrada continuamos a ter tanta criatura sem trimbelhos! 

À cabeça, desta triste realidade, estão os meus activos “camaradas” de PS de Pombal. Senão vejamos: os mesmos que coartam a liberdade de expressão interna e removem um militante de base do grupo no WhatsApp “Militantes Concelhia de Pombal” (património dos militantes), vêm, logo de seguida, em enxame, para uma página desse mesmo militante descarregar críticas, afrontas e vitupérios, encarnando as vestes de madalenas-ofendidas. Estas criaturas têm trimbelhos? Têm consciência mínima do ridículo a que se expõem? São minimamente confiáveis para exercer algum tipo de poder público? Se dúvidas existissem, os últimos episódios esclareceram tudo. E o povo há muito percebeu isso.

Mas para agravar a triste realidade do que resta deste PS – 2 – juntou-se o Professor, uma personagem antiquada e meio-fantasmagórica, inábil até ao tutano (pública e politicamente), com uma queda para o ridículo e o para o patético que mete dó. 

* Noutras regiões o povo usa o termo “trambelho”




1 de setembro de 2026

A prepotência do Regedor do PS de Pombal

Nos tempos que correm, as redes sociais são ferramentas essenciais e indispensáveis para os partidos, tanto para a comunicação como para a sua organização. Mas como em tudo, há os que as sabem usar, os que delas tiram algum partido, os que manifestamente não as sabem usar, e, até, os que só se prejudicam quando as usam – tal é a inabilidade.

Ao nível concelhio não há estrutura partidária que não use o WhatsApp para conectar todos os militantes. O PS de Pombal também tinha um grupo no WhatsApp correctamente designado “Militantes Concelhia de Pombal” que reunia todos os militantes. Tinha, mas já não tem! Agora, continua, erradamente, a ter um grupo com o mesmo nome - “Militantes Concelhia de Pombal” – que não aceita todos os militantes, quem discorda abertamente do Regedor (e da sua pequena trupe - é mais um simples tripé) é imediatamente escorraçado. A pouco e pouco o PS de Pombal caiu nisto, e não se perspectivam melhorias, antes pelo contrário. 

Agora é regido por um típico Regedor – uma criatura que é tão do antigamente que nem cinquenta anos de Liberdade e Democracia lhe amenizaram os tiques da outra era. Julga-se o maior, e é bajulado pela sua trupe; mas, coitado, só faz asneiras (políticas). E, mesmo depois de muito avisado, não se dá conta dos danos que provoca no depauperado partido. 

Bem diz o povo: o que não tem remédio remediado está. 



31 de agosto de 2026

A política da esmola

Mesmo fora, o doutor Pimpão vangloriou-se pela distribuição de 42 mil euros de apoios a alguns afectados pela tempestade, isto depois de o governo ter implementado um generoso programa de apoios. 

Eis a política da esmola no seu esplendor - prima direita da política de pobreza.


28 de agosto de 2026

O PS local (também) é…

O Partido Socialista (PS) (também) é favorável à instalação de Ensino Superior em Pombal. 

O PS local apoia todas as promessas do PSD (do doutor Pimpão), mas... 

O PS local veste-se - mal - com as ideias tontas dos outros. É um tipico corpo sem qualidades - um espantalho. Mas nem sequer se sabe apresentar. 

O Professor tem tanto jeito para a comunicação política como eu para dançar o tango. 

E não imaginam o quanto eu gostava de saber dançar o tango.



25 de agosto de 2026

Rabadão rima com Pimpão

O Doutor Rabadão, recém designado reitor de uma universidade que só existe no papel, anda empolado e atarefado a distribuir “Escolas” - ditas Superiores - pelo distrito. A Pombal vai atribuir a do Desporto. 



Tem olho este Rabadão. A uma terra que leva tudo na desportiva fica bem uma Escola Superior de Desporto. Mas ficaria ainda melhor uma de Diversão - seria uma coisa mais abrangente e mais ajustada à realidade.

E já agora, se é para distribuir prendas, prendas bem oferecidas, pedimos – daqui - uma de Tauromaquia para Abiul. Isso, sim, é que seria uma verdadeira tourada à portuguesa, e não a garraiada de mau-gosto a que temos assistido.

24 de agosto de 2026

O esgotamento do Pedro

Na última reunião da “junta” (não transmitida), aquando da discussão dos atrasos na expansão dos parques industriais, o doutor Pimpão afirmou, a destempo – estamos no início do segundo mandato – e a desproposito: “não vou estar aqui muito tempo, não faço questão de estar aqui muito tempo” - quis claramente deixar uma mensagem pública de retirada. 



Fontes muito bem colocadas na estrutura do PSD local já nos tinham posto ao corrente do sentimento interno de esgotamento político do Pedro e das movimentações e posicionamentos para a inevitável sucessão. Desvalorizámos as informações por considerarmos que este tipo de rumores, nomeadamente nesta fase, serem quase sempre mais desejos que realidade. 

Mas quis o subconsciente do Pedro que os rumores se tornassem realidade. Realidade que, com boa verosimilhança, podemos agora transmitir aos nossos leitores. Perante isto duas perguntas se colocam: quis o Pedro acelerar o processo, ou simplesmente “comprar” algum sossego político? Porventura as duas coisas. E tê-las-á?