7 de fevereiro de 2023

O dia em que o PS fez o seu papel


 

Tornou-se moda na Câmara (e para a câmara) isto de "ouvir os partidos" a propósito de batatas. Ao contrário do que possa parecer, o acto em si não revela nenhuma pueril vontade de Pedro Pimpão ouvir todos, mas antes uma forma de entreter o executivo, às aranhas com a realidade. 

Depois do episódio "Café Concerto" - cujo post, aqui no Farpas, serviu para mostrar que neste chove-não-molha se esqueceram do PCP, o que diz bem da forma como está a funcionar o gabinete do presidente - eis que, por estes dias, decorre nova ronda, agora a propósito do Plano Estratégico Pombal 20/30, mas desta vez on-line, pois que a malta da FNway (a empresa de Mira Amaral) tem mais que fazer na capital e vir à província é uma maçada. 

Ora, o momento serviu para o PS local ter um assomo de lucidez e recusar fazer parte dessa fantochada. Agora só falta aguentarem a onda. Se assim for, o próximo passo (que já deveria ter acontecido) é recusarem a presença, nas reuniões do executivo, do proclamado director municipal. Uma coisa é chamá-lo quando for preciso, como acontece com outros responsáveis de departamentos. Outra coisa é torná-lo equiparado a um eleito, fazendo-o pavonear até nas visitas às freguesias, como já aconteceu.

Imponham-se e oponham-se, que foi para isso que 21% dos pombalenses votaram no PS.  

6 de fevereiro de 2023

Sai mais uma contratação amiga e desnecessária

O doutor Pimpão mandou contratar o doutor Pedro Carrana para chefiar, em regime de substituição, a Divisão de Acção Social e Saúde, depois de este ter cessado a comissão de serviço como chefe de divisão na câmara de Coimbra, a 31 de dezembro. 

Nestas situações, o espírito da lei e as regras da boa governação compelem os decisores políticos a privilegiarem a escolha de um técnico superior da casa, com formação e experiência na área e conhecimento da realidade do concelho. A câmara de Pombal tem nos seus quadros técnicos superiores que cumprem os requisitos para chefia de divisão, formação adequada e conhecimento da realidade social do concelho, que o doutor Pimpão elogia e bajula regularmente, mas na hora da verdade trai-os: contrata um Engenheiro Químico, de Cantanhede, com MBA em Felicidade e um doutorado em Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho (!), por acreditar que o homem domina a química da felicidade.



Num ano de mandato, os desmandos do doutor Pimpão na contratação de pessoal já provocaram mais danos nas finanças da câmara que os seus antecessores numa década. São exemplos maiores a contratação  meio camuflada da Ana Goncalves (PMUGest), que só acrescenta custo onde o potencial para acrescentar proveito é reduzido;  a contratação ilegítima - não sufragada - e cheia de vícios do Director Municipal, que só acrescenta elevado custo e entropia à organização; a contração do chefe da Protecção Civil, que também só acrescenta custo porque a câmara tem dois técnicos superiores qualificados e com experiência na área; a contratação do Chefe de  Divisão de Acção Social e Saúde; e muitos outros casos. Contratações que, para além do custo, fazem estragos na moral dos funcionários no dia seguinte e no futuro. 

O amiguismo e a incompetência podem não ser crimes, mas são moral e eticamente inaceitáveis em funções públicas, porque geram descrédito e prejuízo para a coisa pública. 

3 de fevereiro de 2023

Sobre seriedade em funções públicas

Não sou nem pretendo ser o campeão nem o guardião da seriedade, nem nas palavras nem nos actos, mas sejamos claros: “quem não tem a folha limpa não se pode pôr na fila do poder”, e muito menos exercer cargos públicos relevantes.

Por incapacidade minha ou por falar para ouvidos moucos, talvez ainda não tenha conseguido passar suficientemente a mensagem sobre o currículo de seriedade necessário para exercer cargos públicos. Mas a dr.ª Helena Vasconcelos explicou-o muito bem no Região de Lerira desta semana.


2 de fevereiro de 2023

E o Café Concerto? Privatize-se, dizem eles



 

Apesar de não haver ainda anúncio público dessa decisão, os apaniguados do poder já espalham aos quatro ventos a intenção da autarquia entregar o Café Concerto a privados. 

Até aqui, nada nos surpreende. O Café Concerto sempre esteve sob a alçada de uma empresa municipal (primeiro da Pombal Viva e depois da PMU Gest). Com a chegada à liderança  desta última da ex-vereadora Ana Gonçalves, era trigo-limpo, farinha Amparo - livrar-se do que dá prejuízo. A solução passaria pela assunção de responsabilidades por parte da Câmara, nomeadamente do pelouro da Cultura, se existisse e lhe fosse conhecida acção. Mas há coisas muito chatas, que dão trabalho, e repensar o funcionamento daquele espaço

 pode ser uma delas. Portanto, qual foi a solução do Pedro & amigos? Entregar o espaço (fechado desde 2020, deixando o Teatro-Cine sem bar de apoio) a um privado. 

Mas a esta Câmara foge-lhe sempre o pé para o chinelo, e vai daí decidiu chamar ao gabinete da vereadora Isabel Marto (que toca piano e fala francês, logo, está mais que habilitada a tratar do tema) os responsáveis de todos os partidos políticos que concorreram às eleições, sob o pretexto de recolher a opinião de cada um. Como se algum dia estivesse interessada nela. Pior: como se já não tivesse tomado a decisão, procurando apelas validação do acto. E aqui, não sabemos o que é pior: se chamar os partidos por atacado, juntando alguns na mesma reunião, sem sequer ter a decência de avisar todas as partes de que iriam fazer de ramo de enfeite ao mesmo tempo; se fazer perder tempo a quem ainda dá a cara pelos partidos, sendo certo que este faz-de-conta-que-nos-importamos-com-o-que-pensam faria sentido em muitas temáticas, se fosse sincero. Nesta...é só recreio.

Ainda assim, não deixa de ser estranho que apenas o Bloco de Esquerda tenha ressuscitado para a vida pública assumindo uma posição: é contra. Muitos gostaríamos de saber o que pensa o PS, por exemplo, enquanto representante de uma parte importante do eleitorado. 

E agora a cereja deste bolo: a Câmara vai entregar o Café Concerto por um preço simbólico. Embora o valor do contrato esteja fixado nos 400 euros de renda mensal, no primeiro ano há desconto de 50% por centro. E nos seguintes o desconto vai diminuindo... Mas grosso modo, é isto: há um espaço público para arrendar por 200 euros ao mês, e a Câmara lava dali as suas mãos, como Pilatos. O que esperávamos nós? Que a oposição se manifestasse. Se a houvesse. Porque do poder...o que não tem remédio remediado está. Só falta sabermos qual é o amigo que será o feliz contemplado ;) 


1 de fevereiro de 2023

Director Municipal – o escândalo confirmou-se na plenitude

Ontem, o escândalo confirmou-se: o doutor Pimpão deu posse ao doutor Agostinho como Dir. Municipal.

Nos últimos meses, o regime foi abalado por sucessivos escândalos políticos; não devido a alterações do quadro legal ou por o comportamento dos políticos ter mudado significativamente, mas pela indignação dos cidadãos após a divulgação de actos inequivocamente ilegais e/ou más condutas praticadas pelos titulares de cargos públicos no exercício de funções públicas ou privadas. Este abalo expôs a enorme discrepância de julgamentos entre os detentores de cargos políticos e os cidadãos em geral, que urge corrigir para evitar o crescente descrédito da política.



Em Pombal Ocidental tudo igual: “se não formos nós a ajudar os nossos…” Já sabíamos que falta ao doutor Pimpão autoridade para dirigir e impor critérios e padrões de desempenho e éticos alinhados com as expectativas dos cidadãos, a missão e objetivos da câmara e do concelho.  Mas agora ficámos definitivamente a saber que não temos presidente, nem executivo, nem poder, nem oposição. Com a nomeação do doutor Agostinho, o doutor Pimpão vulgarizou, desculpou e normalizou comportamentos inequivocamente ilegais e a má conduta pessoal e profissional do nomeado. Perpetrou danos reputacionais irreparáveis no curto e médio prazo, à câmara e à sua integridade, que comprometem a sua legitimidade e acentuam o descrédito da política. 

Todos os vícios têm um limite além do qual não se pode passar, ou não se deveria passar. Ultrapassado esse limite, o jogo tem que mudar. A situação obriga-nos a dar um passo em frente. Dá-lo-emos.

30 de janeiro de 2023

Não obstaculizem os serviços – um caso particular

Por regra não uso – e considero que não se deve usar – casos particulares para fazer política. Mas como toda a regra tem excepção, e considero este meu caso paradigmático da desordem que impera na câmara, aqui vai:



- Dia 8-9-2022, por indicação da e-Redes, enviei à Direcção de Obras Particulares, da CMP, um pedido de permissão para uma ligação aérea à rede elétrica.

- Por não ter recebido qualquer resposta, dia 1-10-2022 reenviei o pedido para o Atendimento Geral. Recebi a resposta automática que assinalava a entrada do pedido.

- Dia 30-12-2022, já um pouco incomodado com tamanho desleixo, dirigi-me à recepção da câmara e perguntei “quem é que mandava aqui?”; ao que a senhora respondeu “é o presidente, doutor Pedro Pimpão, mas ele não está”; e acrescentou, “mas se me quiser dizer qual é o assunto eu posso endereçá-lo ao respectivo serviço”. Informei que era um assunto de Obras Particulares e entreguei uma cópia dos e-mails. A senhora deslocou-se ao primeiro andar, desceu passados algums minutos e informou-me que o vereador Pedro Navega viria falar comigo, entretanto.

- Passado cerca de meia hora, o vereador desceu a escadaria, e ali na recepção, disse-me que já tinha localizado o (meu) pedido, que não tinha ainda sido respondido porque tinha ficado esquecido no computador do engenheiro, que estava de férias de Natal, mas podia ficar descansado que na primeira semana de ano teria resposta.

- Como a resposta, mais uma vez, não chegou, dia 17-1-2023, dirigi-me novamente à recepção, fiz a mesma pergunta e obtive a mesma resposta “… é o presidente, doutor Pedro Pimpão, mas ele não está”. Respondi da mesma forma à segunda pergunta “pode-me dizer qual é o assunto?”. A senhora disse-me que era assunto do vereador Pedro Navega; e eu retorqui que “com esse não falo outra vez porque ele não manda nada”. A senhora voltou a subir as escadas, voltou a descer, e disse-me para circundar o edifício pela direita e dirigir-me à segunda porta depois das escadas, que estava lá o engenheiro que está com o assunto para falar comigo.

- O engenheiro recebeu-me, indicou-me uma cadeira para me sentar, sentei-me, ele virou o monitor do computador para mim, disse-me que o vereador Navega tinha encaminhado o assunto para ele no segundo dia do ano, e que ele tinha emitido o parecer dia 3-1-2023, pelo sistema informático; depois, leu-me o parecer, e disse-me que a comunicação comigo era da responsabilidade dos serviços – “eu fiz o meu serviço, de imediato”, reforçou! Agradeci a explicação, e o parecer, e saí novamente de mãos a-abanar. Até hoje. Até não sei quando!

Já contei este caso a alguns amigos. Todos me dizem que isto é uma perseguiçãozinha. Respondo sempre que não acredito - e não acredito mesmo. Digo mais: melhor fosse uma perseguiçãozinha... Mas não é; isto é coisa muito pior: é inépcia pura, contagiante - inépcia que, para além de não ser capaz de fazer nada certo, obstaculiza e corrói os serviços.

28 de janeiro de 2023

Director Municipal – doutor Agostinho: sim ou não?

À hora deste post, desconheço se os dirigentes e os barões do PSD local, indignados com a escandalosa escolha e nomeação do doutor Agostinho, para Director Municipal da CMP, já reuniram e demoveram ou não o doutor Pimpão a não concretizar a admissão – escandaloso erro político. 



Tenho pouca esperança no resultado da reunião porque conheço o Pedro, as suas debilidades e fraquezas, a sua incapacidade congénita para tomar medidas difíceis e para assumir responsabilidades e erros; mas numa terra, onde a vida pública está tomada por arolas, que defendem que é chafurdice discutir os pagamentos indevidos que o doutor Agostinho mandou fazer a si próprio, quando foi Director Administrativo da CMP, e a sua insolvência pessoal, não poderiamos deixar de dar nota da honrosa tentativa de resgate da decência pública, vinda de dentro do PSD local.  

A escolha do doutor Agostinho para o mais alto cargo administrativo da CMP ofende a consciência colectiva; não só pelo seu comportamento, conduta e actos praticados na esfera pública e pelas circunstâncias da sua insolvência pessoal, mas, acima de tudo, pelas práticas ilícitas. 

Actualmente espera-se que os titulares do poder político mostrem uma autoconsciência elevada relativamente aos padrões éticos e políticos exigidos aos titulares de cargos públicos. O doutor Pimpão é fraco demais o fazer, para encarar a realidade; desculpa a ocorrência do mal sempre em função de factores externos ou hostis, nunca devido à sua impreparação ou inaptidão. Daí que a sua acção política seja uma aventura cega, sem nenhum planeamento e controlo, onde um conjunto de actos desencadeados pelos seus impulsos ou omissões manhosas tomam rapidamente o caminho do desastre.

Como o doutor Pimpão não tem força nem entendimento para fazer o correcto, teremos de continuar a pôr ao sol os desmandos e os desvarios do doutor Agostinho, e prosseguir a discussão dos padrões que definem o que é ou não impróprio no exercício de funções públicas.

27 de janeiro de 2023

O que vai acontecer ao Hospital de Pombal ?

 


O destino do Hospital Distrital de Pombal está traçado. Esta semana o nosso Pedro regozijou com aquele que considerou ser "um dia muito importante para Pombal e para a região", pois que assinou com o Centro Hospitalar de Leiria um protocolo que transformará o nosso hospital numa Unidade de Internamento de Cuidados de Convalescença. Em linguagem prática, significa que o hospital vai tornar-se, oficialmente, naquilo que já é na prática: uma espécie de casa de repouso, com cuidados médicos, mas agora pronto para receber pessoas de todo o distrito, ou pelo menos da área de alcance do CHL. 

O Pedro estava tão contente que veio para o Facebook enaltecer (como sempre...)  este "compromisso, que consiste na aquisição de equipamentos para esta nova valência, na ordem dos 208 mil €". E esses, claro, serão pagos pela Câmara. Por nós, portanto. Se o Pedro não vivesse toldado pelo seu alter-ego de profeta da boa vontade, aproveitaria o momento para bater o pé - como compete aos autarcas. Para questionar, com propriedade, o que vai acontecer ao (resto) do HDP. E perguntar-se-ia o que ganhámos, afinal, com a integração no Centro Hospitalar de Leiria? Não, não perguntaria. Porque sabe a resposta. Sabe ele e sabemos nós: nada. Perdemos não só recursos e meios no internamento, na cirurgia, e vamos tendo aquilo a que ainda chamam Serviço de Urgência com serviços mínimos. E isto porque, por ora, interessa ao CHL. Como nos dias em que a urgência de Leiria fecha e os doentes são encaminhados para cá, mesmo com dois médicos e três enfermeiros apenas. Mesmo que aqui não se façam exames complementares de diagnóstico quase nenhuns.

Aos poucos, o HDP foi sendo esvaziado. Resta-nos, então, esse papel, pomposamente chamado de UICC. 

O coro politiqueiro do PSD, que integra parte do exército PP (Pedro Pimpão), e muito gosta  de vociferar nas Assembleias Municipais contra a política do governo central, comparando "o bem que aqui se faz com o mal que lá é feito", pode ir afinando as vozes para louvar mais este feito.

 Foi um dia histórico, sim. Mas para o capítulo final daquele edifício enquanto Hospital.