16 de junho de 2021

De Luto pela Várzea

 


Foi logo pela manhã que se ouviam as motosserras e as maquinas a entrarem pelo jardim adentro. Sem aviso prévio.

Foi com uma dor de Alma que só ao fim da tarde consegui espreitar o triste espectáculo: o nosso Jardim da Várzea, perante a incredulidade de muitos, estava a ser destruído.

 Os pombalenses mantinham uma certa esperança que aquela “espécie” de auscultação pública, serviria para demover a Câmara de avançar com este projecto. A mim nunca me convenceram do contrário, de que a dita auscultação publica, não fora mais do que um ceder à forte contestação que se sentia e que o mesmo não foi mais do que “para inglês ver”.

Diogo Mateus quer à força deixar marca. Com esta obra e tantas outras mais, consegue-o da pior forma.

Hoje é um dia triste. Hoje Pombal está de luto por ver (mais) um dos seus icónicos jardins desaparecer. E do PSD continuamos a não conhecer a sua posição (quem cala consente).


Como nascem as Obras Tortas

Quanto mais se vai conhecendo a forma como a CMP gere as obras públicas mais se percebe por que nascem e crescem tortas. Mais: mergulhando nos processos, fica-se na dúvida se a câmara não as entorta deliberadamente para conveniência de alguém. Os exemplos são mais que muitos. O mais recente é o Projecto de Desenvolvimento Urbanístico do Casarelo.

A 22 Julho de 2019, a câmara adjudicou o projecto a um gabinete de Arquitectura de Coimbra, por 24800 €, com um prazo de entrega de 150 dias e estudo prévio no prazo de 3 meses (sujeito a sanção de 0,5 % do preço por cada dia de atraso).

Por indefinições da câmara acerca organização do espaço, das valências e dos equipamentos o prazo do estudo prévio foi sendo adiado e só foi entregue 9 de Dezembro de 2019. Em 23 Janeiro de 2020, a câmara - o gestor do projecto - informou o Gabinete de Arquitectura que os prazos estavam suspensos até emissão de parecer técnico pelos serviços e respectiva validação política, que não apareceu. Mas pior: a câmara não pagou os restantes 50% do projecto, entretanto entregue, e cortou os contactos com o projectista.

Depois de 15 meses de silêncio, o presidente da câmara marcou uma reunião com o projectista, que se realizou a 29 Março de 2021, onde colocou em causa os elementos fundamentais do projecto e propôs – exigiu – opções técnicas que o projectista considerou – e bem – erradas, tanto ao nível da utilização do espaço como da densidade de construção junto de uma zona sensível – Mata da Rola.

Mas o presidente quer, por toda a força, alterar o PDM, aumentar o já exagerado índice de construção no topo norte do Casarelo, de 130% para – vejam bem! - 320%, para, desta forma, defende ele, valorizar os terenos a fim de os utilizar como “moeda-de-troca” com particulares.

Os pombalenses não podem permitir mais este atentado urbanístico, esta delapidação de espaço púbico com enorme valor paisagístico para servir interesses/negociatas privadas.


14 de junho de 2021

“Notícias” do Pombal

Enquanto o Pimpão – o PSD – prossegue a seu passeio triunfal, recolhendo vontades por todo o lado e de toda a forma, o resto é um deserto (de iniciativa).

O PS continua igual, com os mesmos vícios, frágil e sempre dividido entre a facção que participa e a outra que canibaliza a que (agora) participa iludida com amanhãs triunfais.

Do CDS, BE, CDU & al não há sinais.

7 de junho de 2021

Vamos a isto, Pombal?

O meu feed está a ser bombardeado por anúncios patrocinados, ultimamente. A era digital é uma coisa que cola bem com o candidato Pedro Pimpão, ele próprio um produto de marketing social e digital. Não há mal nenhum nisso. Assim como não há mal nenhum em ser ambicioso, em amar a terra, em querer o melhor para ela. Assim, de repente, tenho para a troca muitas e muitos que desejam com a mesma (ou maior) intensidade que Pombal cresça, desenvolva, que aqui haja emprego para nós e para os nossos filhos. Porque nem todos nascemos em berço de ouro e para pagar contas é preciso trabalhar. Depois é preciso o resto. E é para isso que faz falta o rasgo, o golpe de asa, as vistas longas. Não sabemos o que isso é em Pombal há mais de 30 anos. São desse tempo as zonas industriais, o viaduto que desviou a cidade do meio da linha do norte. A ousadia. 

De modo que foi com toda a atenção que assisti ao vídeo de apresentação de Pedro Pimpão: quase nos faz crer que o PSD chegou agora a Pombal - e ele também. Só que não. 

Porém, há 20 anos o Pedro devia andar muito entretido a colar cartazes, a engrossar o coro de vozes da Jota que levava Narciso ao colo. Só isso (ou a impreparação da equipa que o rodeia, o que nada augura de bom) pode justificar que se tenha apoderado de um slogan usado pela candidatura do PS às eleições autárquicas de 2001.

António José Rodrigues já cá não está para os por no devido lugar. Lá, onde estiver, imagino-o a abanar a cabeça. E a dizer-me, outra vez, o que me disse à porta do tribunal, a meio de um julgamento (quando eu lhe contava de como um vereador da época tinha ludibriado uma decisão judicial, manipulando o pedido de desculpas que (me) deveria ter feito: "não se pode facilitar. Esta gente não é séria". 


5 de junho de 2021

Quem é o presidente da junta?

Ao aproximarmo-nos do final dos mandatos autárquicos, tal como num jogo de futebol, é normal aquele sprint final…
 
É normal vermos os presidentes de junta identificarem aqueles pontos do programa que ainda são possíveis ser realizados nestes meses até às eleições para compor melhor a coisa… Aquele parque infantil, a zona de lazer, a pintura daquele edifício, etc…
 
Os presidentes de junta têm uma função inglória no sentido que não controlam o orçamento, mas dão a cara pelas ineficiência e pelos problemas dos fregueses.
 
A correria é notória nas freguesias e os telefonemas multiplicam-se para os vereadores e presidente da câmara (atendidos ou não) para conseguir mais aquela coisinha.
Mas não para todos.
 
Tal como no mandato, há um que tem a vida privilegiada. As funções operacionais, que os outros não consegues delegar, estão sob alçada da câmara e a componente administrativa recai sobre a verdadeira presidente da junta, Carla Longo.
 
Enquanto isso é ver o presidente da junta Pimpão andar em campanha eleitoral para a Câmara Municipal sem qualquer pressão das funções para as quais foi efectivamente eleito.
 

 

2 de junho de 2021

Explore Sicó...até ao tutano

Num dos thriller's de fim de mandato com que D. Diogo presenteia os súbditos, amiúde, chegou a vez do Cimu-Sicó, agora renomeado de "Explore Sicó". Não, não é um filme sobre a pedreira que esventra a serra todos os dias sem que o poder local mexa um dedo para o impedir. Nem nenhum documentário sobre o canhão do Vale dos Poios. É um vídeo promocional daquele mamarracho que o ainda presidente está empenhado em deixar para quem lhe suceder. Feitas as contas, terminando a obra, nem cinco milhões de euros vão chegar para pagar a factura. A última contabilidade apontava para dois milhões e 200 mil euros enterrados na serra. 

E o mais grave, sabemos, nem é tanto o não saber o que se vai lá fazer. A isso já estamos habituados. É mesmo a existência daqueles gigantes de betão, que haveremos de pagar caro, muito caro, para sempre entranhados numa paisagem única. 

Às vezes, aqui no Farpas, duvidamos da sanidade mental dos eleitos. E não é só dos que têm funções executivas. Também nos compreender que a maquete gigante, no valor de 250 mil euros, tenha passado na AM sem contestação.

E de pensar que tanto nos insurgimos contra o mamarracho do Cardal. E que foi o próprio Diogo Mateus que agarrou na proposta do farpeiro (à época vereador) Aníbal Cardona e mandou demolir a coisa. 

Eu confesso que muito gostava de saber o que pensam daquilo os candidatos já anunciados ao cargo de presidente da Câmara: Pedro Pimpão (desse não sabemos a opinião sobre nada, é muito poupadinho), Odete Alves, Jaime Portela, Célia Cavalheiro e Nuno Carrasqueira. Será que sabem que quem vai atrás molha no vinagre?