30 de janeiro de 2023

Não obstaculizem os serviços – um caso particular

Por regra não uso – e considero que não se deve usar – casos particulares para fazer política. Mas como toda a regra tem excepção, e considero este meu caso paradigmático da desordem que impera na câmara, aqui vai:



- Dia 8-9-2022, por indicação da e-Redes, enviei à Direcção de Obras Particulares, da CMP, um pedido de permissão para uma ligação aérea à rede elétrica.

- Por não ter recebido qualquer resposta, dia 1-10-2022 reenviei o pedido para o Atendimento Geral. Recebi a resposta automática que assinalava a entrada do pedido.

- Dia 30-12-2022, já um pouco incomodado com tamanho desleixo, dirigi-me à recepção da câmara e perguntei “quem é que mandava aqui?”; ao que a senhora respondeu “é o presidente, doutor Pedro Pimpão, mas ele não está”; e acrescentou, “mas se me quiser dizer qual é o assunto eu posso endereçá-lo ao respectivo serviço”. Informei que era um assunto de Obras Particulares e entreguei uma cópia dos e-mails. A senhora deslocou-se ao primeiro andar, desceu passados algums minutos e informou-me que o vereador Pedro Navega viria falar comigo, entretanto.

- Passado cerca de meia hora, o vereador desceu a escadaria, e ali na recepção, disse-me que já tinha localizado o (meu) pedido, que não tinha ainda sido respondido porque tinha ficado esquecido no computador do engenheiro, que estava de férias de Natal, mas podia ficar descansado que na primeira semana de ano teria resposta.

- Como a resposta, mais uma vez, não chegou, dia 17-1-2023, dirigi-me novamente à recepção, fiz a mesma pergunta e obtive a mesma resposta “… é o presidente, doutor Pedro Pimpão, mas ele não está”. Respondi da mesma forma à segunda pergunta “pode-me dizer qual é o assunto?”. A senhora disse-me que era assunto do vereador Pedro Navega; e eu retorqui que “com esse não falo outra vez porque ele não manda nada”. A senhora voltou a subir as escadas, voltou a descer, e disse-me para circundar o edifício pela direita e dirigir-me à segunda porta depois das escadas, que estava lá o engenheiro que está com o assunto para falar comigo.

- O engenheiro recebeu-me, indicou-me uma cadeira para me sentar, sentei-me, ele virou o monitor do computador para mim, disse-me que o vereador Navega tinha encaminhado o assunto para ele no segundo dia do ano, e que ele tinha emitido o parecer dia 3-1-2023, pelo sistema informático; depois, leu-me o parecer, e disse-me que a comunicação comigo era da responsabilidade dos serviços – “eu fiz o meu serviço, de imediato”, reforçou! Agradeci a explicação, e o parecer, e saí novamente de mãos a-abanar. Até hoje. Até não sei quando!

Já contei este caso a alguns amigos. Todos me dizem que isto é uma perseguiçãozinha. Respondo sempre que não acredito - e não acredito mesmo. Digo mais: melhor fosse uma perseguiçãozinha... Mas não é; isto é coisa muito pior: é inépcia pura, contagiante - inépcia que, para além de não ser capaz de fazer nada certo, obstaculiza e corrói os serviços.

28 de janeiro de 2023

Director Municipal – doutor Agostinho: sim ou não?

À hora deste post, desconheço se os dirigentes e os barões do PSD local, indignados com a escandalosa escolha e nomeação do doutor Agostinho, para Director Municipal da CMP, já reuniram e demoveram ou não o doutor Pimpão a não concretizar a admissão – escandaloso erro político. 



Tenho pouca esperança no resultado da reunião porque conheço o Pedro, as suas debilidades e fraquezas, a sua incapacidade congénita para tomar medidas difíceis e para assumir responsabilidades e erros; mas numa terra, onde a vida pública está tomada por arolas, que defendem que é chafurdice discutir os pagamentos indevidos que o doutor Agostinho mandou fazer a si próprio, quando foi Director Administrativo da CMP, e a sua insolvência pessoal, não poderiamos deixar de dar nota da honrosa tentativa de resgate da decência pública, vinda de dentro do PSD local.  

A escolha do doutor Agostinho para o mais alto cargo administrativo da CMP ofende a consciência colectiva; não só pelo seu comportamento, conduta e actos praticados na esfera pública e pelas circunstâncias da sua insolvência pessoal, mas, acima de tudo, pelas práticas ilícitas. 

Actualmente espera-se que os titulares do poder político mostrem uma autoconsciência elevada relativamente aos padrões éticos e políticos exigidos aos titulares de cargos públicos. O doutor Pimpão é fraco demais o fazer, para encarar a realidade; desculpa a ocorrência do mal sempre em função de factores externos ou hostis, nunca devido à sua impreparação ou inaptidão. Daí que a sua acção política seja uma aventura cega, sem nenhum planeamento e controlo, onde um conjunto de actos desencadeados pelos seus impulsos ou omissões manhosas tomam rapidamente o caminho do desastre.

Como o doutor Pimpão não tem força nem entendimento para fazer o correcto, teremos de continuar a pôr ao sol os desmandos e os desvarios do doutor Agostinho, e prosseguir a discussão dos padrões que definem o que é ou não impróprio no exercício de funções públicas.

27 de janeiro de 2023

O que vai acontecer ao Hospital de Pombal ?

 


O destino do Hospital Distrital de Pombal está traçado. Esta semana o nosso Pedro regozijou com aquele que considerou ser "um dia muito importante para Pombal e para a região", pois que assinou com o Centro Hospitalar de Leiria um protocolo que transformará o nosso hospital numa Unidade de Internamento de Cuidados de Convalescença. Em linguagem prática, significa que o hospital vai tornar-se, oficialmente, naquilo que já é na prática: uma espécie de casa de repouso, com cuidados médicos, mas agora pronto para receber pessoas de todo o distrito, ou pelo menos da área de alcance do CHL. 

O Pedro estava tão contente que veio para o Facebook enaltecer (como sempre...)  este "compromisso, que consiste na aquisição de equipamentos para esta nova valência, na ordem dos 208 mil €". E esses, claro, serão pagos pela Câmara. Por nós, portanto. Se o Pedro não vivesse toldado pelo seu alter-ego de profeta da boa vontade, aproveitaria o momento para bater o pé - como compete aos autarcas. Para questionar, com propriedade, o que vai acontecer ao (resto) do HDP. E perguntar-se-ia o que ganhámos, afinal, com a integração no Centro Hospitalar de Leiria? Não, não perguntaria. Porque sabe a resposta. Sabe ele e sabemos nós: nada. Perdemos não só recursos e meios no internamento, na cirurgia, e vamos tendo aquilo a que ainda chamam Serviço de Urgência com serviços mínimos. E isto porque, por ora, interessa ao CHL. Como nos dias em que a urgência de Leiria fecha e os doentes são encaminhados para cá, mesmo com dois médicos e três enfermeiros apenas. Mesmo que aqui não se façam exames complementares de diagnóstico quase nenhuns.

Aos poucos, o HDP foi sendo esvaziado. Resta-nos, então, esse papel, pomposamente chamado de UICC. 

O coro politiqueiro do PSD, que integra parte do exército PP (Pedro Pimpão), e muito gosta  de vociferar nas Assembleias Municipais contra a política do governo central, comparando "o bem que aqui se faz com o mal que lá é feito", pode ir afinando as vozes para louvar mais este feito.

 Foi um dia histórico, sim. Mas para o capítulo final daquele edifício enquanto Hospital. 

22 de janeiro de 2023

Director Municipal – Pedro, sê minimamente decente

A Política, outrora nobre actividade, vive tempos nebulosos, onde o carreirismo e o oportunismo se sobrepuseram ao interesse público, onde a imoralidade se sobrepôs à decência, onde a manha se sobrepôs à ética (que trata da liberdade que cada um dá a si mesmo). Os últimos acontecimentos confirmam que deixámos de estar no domínio do tolerável para entrar no domínio do inconcebível. A nível nacional, a sociedade civil tem exigido o retorno ao estágio anterior – o de decência mínima. Em Pombal, ainda não iniciámos o percurso. O escandaloso concurso para director municipal é a maior mancha na decência pública. 

Apesar do júri do concurso ter considerado o perfil do doutor Agostinho Lopes mais alinhado com a missão da Direção Municipal, a escolha (final) é sempre do presidente da câmara, faça-a ou não. Bem sabemos que o doutor Pimpão não é de escolher, porque não é de assumir a responsabilidade pelas escolhas. Mas o cargo que ocupa obriga-o a fazer escolhas; e quando mais tarde as fizer pior. 

A legitimidade do cargo de director municipal e a legalidade do concurso são altamente questionáveis. Mas a nomeação do doutor Agostinho tornou a situação inconcebível. O doutor Agostinho não tem condições mínimas, subjectivas e objectivas, para exercer o cargo. Não ver isto é cegueira completa.

O Farpas pegou na moda dos questionários para avaliar a idoneidade dos dirigentes políticos: preparou um para ajudar o doutor Pimpão a decidir, com critérios de mínima decência, o que, perante tamanha melindrosa situação, deve ser decidido. Deve chamar o doutor Agostinho e pedir-lhe que responda às 4 perguntas do questionário abaixo. 

 


Depois, na solidão do seu gabinete, o doutor Pimpão deve responder à pergunta que preparámos para ele:

“Após submeter o questionário ao Dr. Agostinho Lopes, continua a achar que o mesmo tem condições para voltar à Câmara Municipal e ocupar o cargo de maior responsabilidade técnica e financeira da autarquia?”

Responde, Pedro. Decide, Pedro. 

20 de janeiro de 2023

Reunião da “Junta”

Decorreu sem novidades.

O doutor Simões esteve particularmente bem: discurso positivo de apoio ao doutor Pimpão & C.ª e reprovação das críticas do Farpas ao despesismo dos festejos de Natal. 


19 de janeiro de 2023

A perfeita tríade desinformativa: um pasquim, um mentiroso e um inepto

Um pasquim (jornal de pouca qualidade) da região enjorcou uma “peça”, sobre o escandaloso concurso para o cargo do director municipal, na CMP, ganho pelo doutor Agostinho, como era antecipadamente anunciado na praça pública e nas reuniões autárquicas, que não procura esclarecer minimamente os factos e os vícios que colocam em causa o modo de selecção e a idoneidade do escolhido mas tão-somente abafar o caso. 

O pasquim ouviu o doutor Pimpão e o doutor Simões sobre o escandaloso concurso - duas pobres criaturas, mais dignas de piedade que de rancor, fracas demais para serem capazes de encarar a verdade.



O doutor Pimpão procurou, canhestramente, justificar os pagamentos indevidos que o doutor Agostinho mandou fazer a si próprio, nos anos de 2006, 2007 e 2008, dizendo que “foi ele próprio que identificou a falha e informou que ela existia”. Mentiu. Mentiu com uma desfaçatez de revoltar a alma, com uma inverosimilhança que desfaz o resto da sua credibilidade.

As inanidades proferidas pelo doutor Simões comprovam que é mais inepto (político) que o doutor Pimpão! O doutor Pimpão não sabe fazer o certo; mas sabe o que anda a fazer. O doutor Simões é muito pior: não faz o certo e não sabe o que anda a fazer. Nasceu sem jeitinho nenhum para a política. Só quer ser ramo de enfeite do poder - das festas, dos eventos e das excursões. Sente-se feliz com o papel de mata-borrão do poder. Deus lhe perdoe.

Gil Vicente escreveu que "o Paço em frade tornado nem é paço nem é nada".  O doutor Agostinho em director municipal é um ultraje ao Paço. Um ultraje que pode ter contornos criminosos. Mas convinha que os decisores políticos tivessem presente que em política é menos perigoso o crime que o escândalo. 

18 de janeiro de 2023

Sai mais um ajuste directo de propaganda

O doutor Pimpão mandou comprar, por ajuste directo, 15.500 € de publicidade à Crónicas Mágicas Unipessoal, lda., proprietária do Pombal Jornal.


16 de janeiro de 2023

O doutor Pimpão quer pôr-nos a jogar

O doutor Pimpão – nosso “presidente da junta” – mandou fazer um jogo de tabuleiro, que nos vai custar 19.875,00 €, “onde os jogadores superam desafios”, “num mapa ilustrado do concelho”, “que dão a conhecer factos e detalhes sobre cada uma das 13 freguesias” – começa logo desatualizado! “Ganha o jogo quem primeiro colecionar as cartas de todas as 13 freguesias”.



Para o Pedro a vida é uma brincadeira. Para o doutor Pimpão a política é um jogo e um circo: um jogo que se resolve com umas fintas e uns apoios; um circo que distrai e ilude.

Esta infantilidade enternecedora vai fazer estragos - na saúde das contas do município e na saúde de cabeças deslumbradas.

13 de janeiro de 2023

Sobre o escandaloso e o patético (político)

Enquanto o doutor Pimpão frita no escandaloso concurso que colocou o doutor Agostinho no cargo de director municipal, o PS entretém-se a promover a patética recomendação - rejeitada - de divulgação digital das festas do doutor Pimpão!


11 de janeiro de 2023

Apita o comboio. Lá vai sem pagar...




Terminado o Natal em Pombal, eis que nos ficava a faltar um apontamento de Grinch para compor o ramalhete. Aqui no burgo já estamos habituados a não saber quanto custam as festas. Ainda bem que temos essa oposição que faz "a nossa defesa" (é assim o slogan?) e não larga o osso, questionando, confrontando, reunindo dados como é sua obrigação. Ufa...que assim é um descanso. 
Mas apesar de (mal) habituados, ainda há quem tenha a mania de pagar contas. E para isso conta com o dinheiro que lhe é prometido. Terá sido o caso dos condutores do famoso comboio, pagos  a 75 euros euros por cada dia de trabalho. Pagos...é como quem diz: sub-contratados pelo adjudicatário do Natal, até ao início da semana dois deles continuavam à espera que pingassem 300 euros por quatro dias de trabalho. Com esta pitoresca curiosidade: a coisa faz-se "ao negro", sem qualquer recibo. 

Se isto não fosse uma película, estaríamos perante mais um indício de crime fiscal, a existência de um "saco azul", em que o dinheiro circula sem se saber quem paga o quê a quem, e tudo coberto por uma autarquia. Mas foi o Natal em Pombal, tão bonito, as criancinhas e os paizinhos andaram de comboiozinho pela cidadezinha, mais o coelhinho e o(s) palhaço(s)...Depois veio o gato...e comeu. 

8 de janeiro de 2023

Director Municipal – o doutor Pimpão escolheu para o cargo uma criatura sem idoneidade

O doutor Pimpão submeteu à reunião do executivo, realizada dia 3 deste mês, a nomeação do Director Municipal escolhido por si, para realizar o seu trabalho, que já se anunciava antes da abertura do concurso: doutor Agostinho António Gonçalves Lopes, ex-dirigente da câmara de Pombal e actual dirigente na câmara de Ânsião. 

Que o doutor Pimpão sinta a necessidade de contratar um Director Municipal, para fazer o seu trabalho, mal mal mas compreende-se: ele sabe que é inepto para o cargo e não tenta sequer exercê-lo. O que não se compreende é a escolha do doutor Agostinho Lopes.

O doutor Agostinho Lopes tem um passado que não o habilita nem o recomenda para nenhum cargo de responsabilidade, público ou privado. Que o jurí do concurso desconheça o passado do doutor Agostinho Lopes compreende-se e aceita-se porque é de fora. Já o mesmo não se pode dizer o doutor Pimpão, que o escolheu e nomeou sabendo do seu passado por via pessol e profissional.  



O doutor Agostinho Lopes abotuou-se com - mandou pagar a si próprio - dezenas de milhares de euros, durante os anos de 2006, 2007 e 2008, quando foi director administrativo e financeiro na câmara de Pombal. Se este comportamento, só por sí, não o habilita para o exercício do mais alto cargo numa câmara municipal, nomeadamente naquela onde praticou tais desmandos, acresce que o doutor Agostinho Lopes acumulou dívidas de centenas de milhares de euros, na sua vida privada, ao ponto de ter que pedir insolvência pessoal, que foi decretada pelo Tribunal de Comércio da Comarca de Leiria, no dia 28-09-2018.

Na resta qualquer dúvida que o doutor Agostinho Lopes não tem condições mínimas, éticas e políticas, para execer o cargo para que foi irresponsavelmente nomeado. Por outro lado, é totalmengte inaceitável que o doutor Pimpão tivesse permitido que o concurso tivesse sido conduzido, de forma profundamente obscura, para este inenarrável fim, e tenha, agora, nomeado para Director Municipal uma critura da índole e com o passado do doutor Agostinho Lopes.

Perante tamanhos escândalos, o doutor Agostinho Lopes não tem idoneidade para o cargo, logo não pode sequer tomar posse. E o doutor Pimpão, por ser conivente e rectificador desta escandalosa nomeação, perdeu todas as condições para exercer o cargo; logo, tem que renunciar.

6 de janeiro de 2023

Hoje foi assim…

Hoje a rapaziada divertiu-se bastante… Olhem para a felicidade deles e delas! 

Pouco importa que o essencial não se cumpra, que munícipes esperem meses e meses por resposta a pedidos básicos; desde que a rapaziada se divirta, e seja feliz, siga a festa. 


PS: foto publicada aqui.

2 de janeiro de 2023

O Pimpão e as Festas

O Pimpão e as Festas custam-nos muito dinheiro. Mais o Pimpão, porque não sabe o que o dinheiro custa…

Nos últimos seis meses, o doutor Pimpão derreteu mais de 1 milhão de euros em festas: 600.000 euros no Bodo, mais 250.000 euros no Natal, mais as Tasquinhas e Domingão e mais os festejos do Dia – da Semana – do Município... Se adicionarmos, como se impõe, todas as despesas indirectas e as pequenas despesas directas não divulgadas, que representarão 20 a 30% das despesas directas divulgadas, a coisa andará próxima do milhão e meio de euros.

Isto só tem sido possível porque se alinharam circunstâncias muito especiais: a malta gosta de festas, nomeadamente se forem de borla (julga a malta); a câmara tem dinheiro (e dinheiro que não tem dono); festas com o dinheiro dos outros é a coisa mais fácil de fazer no mundo. Sabendo disto, o doutor Pimpão deu asas ao seu dinamismo folclórico e tratou de divertir a malta, divertindo-se. Pelo meio, encontrou um pequeno entrave, dificuldades de tesouraria, que logo resolveu: cancelou 4,1 milhões de euros de investimento em obras e transferiu metade (2 milhões) para o orçamento da despesa corrente – para as festas e subsídios. Pelo que se sabe, já os deve ter torrado, sem regra e sem critério. E pior: sem nenhum retorno.

Bem sabemos que as terras têm datas e efemérides que devem ser comemoradas e que deve haver espaço e recursos para as festas e para as actividades artísticas, mas tendo sempre em conta que os recursos públicos são escassos, são de todos, e que o que se gasta no supérfluo faz falta para o essencial. 



Vejamos dois exemplos, diferentes mas enquadráveis no que é gastar sem regra e sem critério (sem ter noção do dinheiro): primeiro, a contratação de uma Roda Gigante, por ajuste directo, pelo montante de 19.990 euros, para a malta andar à roda; segundo, a contratou do grupo “Tais Quais”, por 18.000 euros, para actuar na tenda colocada no Jardim do Cardal. A tenda tem uma lotação de cerca de 220 lugares; pelo que, colocar um grupo que custa 18.000 euros naquele espaço implica que cada lugar custe, logo à-cabeça, 82 euros, descontando os 5 euros do preço do bilhete fica em 75 euros. Se ao preço do grupo somarmos todos os custos indirectos, o custo de cada lugar rondará os 150 euros. 

Por conseguinte, pergunto: 

(I) será razoável, e aceitável, a câmara pagar uma roda gigante (ou outro tipo de carrocel) para simples diversão de uns quantos?! E será razoável, e aceitável, que apesar do chorudo cachet (19.990 euros) o contratado ainda cobre bilhetes?!

(II) será razoável, e aceitável, a câmara oferecer um espectáculo que lhe fica em cerca de 150 euros por lugar?! E poderá a câmara suportar o custo se mais ou todos os munícipes quiserem assistir ao referido espectáculo?!

Por este andar, o concelho será tão pouco atractivo e tão desgovernado que virá o dia em que, se quisermos comer uma fartura no Bodo, teremos que pagar para virem cá servi-la!

Razão e lucidez tem um histórico dirigente social-democrata, velho actor da política local e conhecedor da história da ascensão e queda dos impérios, que fez uma boa analogia entre a queda do império romano (causas e as consequências) e o que se desenha para esta malfadada terra. Aqui como outrora lá, o Cómodo diverte-se em comemorações, meses a fio, para promover a sua imagem. Aqui como outrora lá, o circo e a vaidade do novo imperador arruínam as finanças públicas e degradam a organização do império. Aqui como outrora lá, os políticos gastam enormes quantias de dinheiro dos impostos dos contribuintes em festas e promoções de “eventos” de lazer, descurando a economia e a prevenção das crises económicas e sociais e as catástrofes da natureza e da guerra.  

Aqui como outrora lá, o povo paga tudo e os benefícios ficam para outros.