25 de setembro de 2022

Menos Investimento para Mais Despesa

Não foi preciso passar um ano, nem esperar pelo primeiro Relatório de Prestação de Contas, para termos a confirmação do tipo de governação do doutor Pimpão: Menos Investimento para Mais Despesa.

A justificação apresentada para o cancelamento de 4.200.000 Euros de Despesa de Capital (Investimento), metade transferida para despesa corrente, foi o adiamento de obras que não foi possível realizar. Pois: realizar obras é muitíssimo mais difícil do que comprar feito. Tal como gerir é muito mais trabalhoso e complexo do que comprar festas e serviços (planos e estudos).  

Da pobre discussão ressaltou que só a doutora Marto dominava minimamente o ponto – Alteração ao Orçamento. O doutor Simões ainda fez uma pergunta vaga, respondida de forma honesta pela doutora Marto. Já o aparte do doutor Pimpão mostrou que nem sequer percebeu a questão - do que é que ele percebe, coitado?!   



24 de setembro de 2022

A nova dinâmica da Feira de Artesanato e Tasquinhas

*Foto captada quando já passava das 19 horas. O showcooking estava marcado para as 18h30 

Decorre até domingo mais uma edição da Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas, a primeira organizada por este executivo municipal. Como era de crer, o evento 'Tasquinhas' está  transformado num apêndice do Bodo - "para eles tudo é Bodo", como notam os serviços - com organistas, bailaricos e, claro, DJ's pela noite noite. 

A organização, leia-se Câmara, pensou em tudo, menos na logística. Só assim se explica que, ontem, à hora em que decorria a inauguração do evento, os funcionários municipais se atropelassem a pregar alcatifa no chão e placas no ar. Que ninguém daqueles gabinetes todos tenha tido a noção de que, para fazer um showcooking, um chef precisa de algo mais do que uma cozinha (por exemplo, de um microfone, que lhe permita comunicar com o público).

Como já aqui dissemos em post anterior, o rei vai nu. O que vale é que vai abençoado, pois que este ano, pese embora só termos metade das tasquinhas que já tivemos, outrora, a da freguesia de Pombal é directamente ligada à Igreja, e à Jornada Mundial da Juventude...

23 de setembro de 2022

Duas "máquinas" a discutir máquinas – uma pérola

Reparem bem, caros leitores, nestas duas “máquinas” - doutora Odete e doutora Catarina - a discutir máquinas e investimentos. doutor Pimpão não disse nada sobre o assunto - sabe que isto é matéria para especialistas. Partilhem connosco qual delas sabe mais (alguma coisa) de uma e de outra coisa. E como é que esta terra pode andar para a frente com políticos deste calibre?

Foi uma pena não terem convidado, para esta importante discussão, o coveiro-mor do reino, grande especialista em aquisição e gestão de máquinas, enterros e afundanço de autarquias e outras que tais. O doutor Pimpão não disse nada sobre o assunto - sabe que isto é matéria para especialistas.

Antes de a máquina chegar a Vermoil já o Daniel está a pedir um subsídio para o combustível, que ele agora está caro; outro para o ordenado do manobrador, que já não há quem trabalhe pro-bono; mais um para a certificação do manobrador, que afinal é necessária; e outro para um reboque, para transportar a máquina; e outro para um gancho, que faz falta e na altura não foi considerado para não aumentar o preço da encomenda; e ainda outro para os pneus, que entretanto se desgastarão; e outro ainda para uma bateria nova, que a da máquina entretanto vai morrer; etc.; etc.; etc.

E assim se foi criando uma nova espécie da “fábula dos porcos queimados”, que não funciona mas todos alimentam.

PS: As Juntas de Freguesia e as Câmaras Municipais são entidades autónomas, com atribuições e fontes de financiamento estabelecidas na lei. Por cá - e não só – estabeleceu-se uma relação de dependência promíscua e bastante ineficiente que desbarata recursos públicos sem critérios de responsabilização e boa governação. E ninguém mete mão nisto!



22 de setembro de 2022

O “rei” vai nu…

A doutora Odete fez uma interpelação, como deve ser feita (pela oposição), finalmente!

Já sabíamos que o doutor Pimpão não faz, nem quer fazer, nada que dê trabalho, obrigue a estudo ou exija disciplina. Na resposta à interpelação da doutora Odete – e durante toda a reunião  - mostrou que nem tarefas executivas básicas, como designar coordenadores e equipas de trabalho, faz!

O doutor Pimpão é bom como animador de festas e eventos, e até um bom bobo da corte (já fez números engraçados), mas como político executivo é um inepto completo. Com uma oposição a sério, nem as reuniões do executivo conseguiria aguentar.  


21 de setembro de 2022

Descentralização - trapalhadas - à moda do doutor Pimpão

O doutor Pimpão promoveu a “Reunião do órgão Câmara Municipal de Pombal de forma descentralizada na freguesia de Abiul”! Só para se gabar que estava a fazer história: reunir, pela primeira vez, o “órgão câmara” numa freguesia. 



Quando vi a publicidade ao “número” cheirou-me a fanfarrice e trapalhada. Mas dei o benefício da dúvida: admiti que se tratasse de uma reunião de trabalho entre o executivo municipal e o executivo da junta. Custava-me a acreditar que na reunião do executivo municipal, sujeita a regras e formato muito próprio, estabelecidas na lei e no regimento, pudesse participar outro órgão ou titular de cargo político. Foi preciso ouvir o áudio da reunião para perceber, e confirmar, que aquilo foi uma reunião do executivo municipal com a presidente de junta. 

O doutor Pimpão tem tanto de voluntarioso como de falta de maneiras. Dá para presidente de junta, mas definitivamente não dá para presidente de câmara. É demasiado vulgar e meio trapalhão. Falta-lhe conteúdo e decência institucional.  Pior: não tem consciência que na sua posição poucas coisas são mais críticas que a (in)capacidade de regular as maneiras. 

Bem sabemos que para o doutor Pimpão a política é espectáculo e diversão. Mas dessa paródia, deveria salvaguardar, pelo menos, os actos oficiais. Permitir a participação do/a presidente ou membro da junta na reunião do executivo fere de nulidade as deliberações tomadas. E fazer unicamente a reunião do executivo nas freguesias é pura perda de tempo e recursos e o mais descarado show-off. 

Será que já não há ninguém na câmara, nomeadamente dirigentes com conhecimento e experiência, capazes de pôr freio nos regulares devaneios do presidente.

PS: A presidente da junta – Sandra Barros – esteve bem: desvalorizou aquilo, chegou tarde (depois da reunião ter começado) e saiu antes do final. 

20 de setembro de 2022

O problema não está na mobilidade, está na actividade, …!

Nos últimos dias, o doutor Pimpão e a sua esfrangalhada equipa têm andado entretidos com “A Cidade dos 15 minutos e a Mobilidade” (dita suave) e outras modas. Para o doutor Pimpão administrar a câmara é como administrar a junta – uns eventos e tapar uns buracos. Esquece-se, coitado, que uma enfiada de eventos não faz sequer um programa de acção…

 

Já era tempo de o doutor Pimpão deixar as modas que lhe sopram aos ouvidos e tentar perceber os problemas da cidade e do concelho. Nós, sempre muito acusados de só criticar, damos-lhe daqui uma pequena ajuda: os problemas de Pombal não estão na (excessiva) dimensão da cidade e na (fraca) mobilidade; estão na falta de actividade/dinamismo da cidade e do concelho. Não quero com isto dizer que a cidade não tenha estrangulamentos a solucionar e ciclovias a acrescentar. Mas não precisa de ser transformada na Cidade dos 15 minutos; já é uma Cidade dos 5 minutos. De trotinete ou de bicicleta, em cinco minutos dou a volta à cidade e ainda me sobra tempo. No geral, encontro a cidade despida de gente e lojas desertas ou fechadas. Do concelho rural nem vale a pena falar… Mas perante isto, o doutor Pimpão entretém-se com vacuidades da Cidade dos 15 minutos e da Mobilidade Suave, e outras coisas do mesmo género, como concursos de ideias para o estacionamento de bicicletas! Desgraçadamente, só “trabalha” para os jornais e para as redes sociais. 

O doutor Pimpão é uma criatura sem conteúdo (político), possuída por exaltado estado febril pelo sucesso (pessoal), que aceita tudo que lhe gritam aos ouvidos, sejam ideias, serviços ou eventos. Como desconhece que só no dicionário o “S” - de sucesso - vem antes do “T” - de trabalho, cai sistematicamente na fantasia de que tem ideias e é capaz de realizações valiosas. Oitenta por cento, ou mais, das soluções para os problemas da cidade e do concelho terão que vir do trabalho sistemático, metódico e apurado com os técnicos da câmara, da chamada aprendizagem organizacional e não do show-off dos eventos.

Já era tempo de o doutor Pimpão perceber que a vida não é brinquedo, e a política não pode ser uma distração; que se deve dedicar a fazer coisas úteis e necessárias, e deixar para os animadores sociais o papel de sensibilizar e distrair as criancinhas e para os palhaços o papel de fazer rir as pessoas.

Mas o problema maior desta malfadada terra é não haver quem meta mão nisto. A oposição está morta e enterrada. E o PSD está de pés e mãos atadas, depois de ter corrido com o outro e a coisa ter dado nisto.

Siga a festa!

19 de setembro de 2022

A vitória de Pirro que aconteceu no oeste


Ao cabo de vários meses de uma acesa campanha - encabeçada sobretudo na Guia, onde alguns não estão para ser governados por bastardos da Ilha ou da Mata Mourisca, sobretudo depois dos resultados das últimas eleições autárquicas - a população da União de Freguesias do Oeste foi chamada a responder SIM ou NÃO quanto à desagregação das três freguesias, que desde 2013 formam uma só. Toda a gente sabe que aquela união foi colada a cuspo. Não admira por isso que os poucos fregueses que se dignaram sair de casa para expressar, numa urna de voto, o seu parecer - que não será vinculativo, mas é indicador - tenham maioritariamente dito que sim, querem voltar ao que eram: cada uma das freguesias por sua conta. Nunca saberemos o que pensa a maioria da população, porque cerca de 70% dela não se manifestou. 

O que nos dizem, então, estes resultados, com evidentes leituras políticas? Primeiro, que o povo se está esmagadoramente nas tintas para este processo. Depois, que esta é uma derrota clara dos políticos envolvidos. E não admira. Afinal, todos ali já defenderam uma coisa e o seu contrário, a começar por Manuel António, o ex-presidente da Junta da Guia e "pai" da agregação, agora desenganado com o processo, passando por Gonçalo Ramos, que desta vez quis passar entre os pingos da chuva, mas em 2017 chegou ao poder com discurso e promessas de reversão da agregação. Do PS nada. Até hoje, não sabemos o que pensa sobre o assunto. Ora, como mostram os resultados que dão ao Sim esta vitória de Pirro, só mobiliza gente para votar quem tem mensagem e diz ao que vai. Mesmo que seja pouca, mesmo que doravante só traga dissabores.

Continuamos para bingo, que a malta precisa sempre de andar entretida, e o tempo das festas acaba no São Mateus de Soure.

18 de setembro de 2022

A hora do recreio




 Se a Câmara tivesse usado para o início do ano lectivo - pelo menos em matéria de comunicação, já que não vai passar disso - um décimo do esforço que está a fazer com o folclore à volta da semana da mobilidade, estávamos bem. Mas as escolas retomaram as actividades com muitos e novos problemas, e isso não interessa. É chato. Essas dinâmicas não contribuem para a felicidade, a não ser que acabem por dar nome às AEC's, quando as houver. Sim: há escolas que arrancaram sem essas actividades, normalmente entregues às autarquias locais. Pombal (freguesia) é um desses casos. 

Já sabíamos que este não iria ser um ano qualquer, no concelho de Pombal. Seria o primeiro da descentralização de competências na área da Educação,  e por isso era suposto que se trabalhasse mais, e mais cedo, para garantir que as coisas iriam começar - e correr - bem. Mas nesta nova era em que tudo se faz com meia-bola-e-força, chegamos a meio de setembro e ao início do novo ano escolar com um retrato muito pouco colorido, muito pouco colado ao estilo Pimpão & amigos. É que não adianta nada fazer jornadas e conferências com temas bonitos, passear uma comitiva entre o Teatro-Cine  a Casa Varela, e fazer de conta que  a realidade não está lá fora. E essa começa em casos como o das crianças da Moita do Boi, que por causa do sucesso da creche (à conta de uma associação que se transformou em IPSS) de repente não têm lugar na sua aldeia e têm de ocupar as salas vazias num centro escolar da Mata Mourisca (Lembram-se dos anos em que aqui escrevemos sobre isso, caros leitores? De como os executivos de Narciso Mota andavam a construir escolas com salas que nunca iriam abrir?) - e termina na Escola Secundária de Pombal, requalificada há uma dúzia de anos, mas agora insuficiente para acolher os alunos que vêm de toda a parte, e não só as dezenas (centenas?) de imigrantes que estão a chegar todos os dias, mas logo à partida os alunos do Louriçal, da Redinha e de Albergaria dos Doze, findo o financiamento dos colégios privados. Não sei se ainda se mantém na Câmara aquele projecto do EPIS, mas talvez haja por lá alguma daquela meia dúzia de técnicas que possa pensar um pouco  em como é que é possível uma criança/adolescente ter alguma rentabilidade na escola quando se levanta às 6h30 da manhã para apanhar um autocarro, e depois passa uma manhã na escola até à hora das aulas. Foi o melhor que se conseguiu em muitos horários, na Secundária de Pombal. Nesta altura vão saltar meia dúzia de professores e falar-me dessa outra invenção - contra a qual lutei, com outros pais, sem sucesso, no Agrupamento de Escolas de Pombal - que é a Ocupação Plena dos Tempos Escolares. Tanto especialista que já veio a esta terra falar sobre isto, tanta tese sobre o assunto, e continuamos na mesma. A grande preocupação é enfiar os miúdos dentro de uma sala, de preferência caladinhos, de modo a que não chateiem. 

Na apresentação de mais um ano, não pude deixar de me espantar com o mimetismo do modelo. As décadas passam, mas no AEP o registo cristalizou. Para espanto de quem chega de novo, nem uma palavra sobre a Associação de Pais, nem um folheto. nada. É verdade que também não se fez notar. Esperamos que ainda exista, para lá da reprodução de frases feitas no Facebook. 

Perante este caldo, era de esperar que um Município que passeia automóveis por aí com a propaganda da Educação e do Sucesso Escolar 100%, mais a nova ambição da parentalidade positiva, tivesse um pelouro da Educação preocupado em desfazer estes nós. Se Pimpão tivesse colocado o amigo Marco Ferreira num lugar elegível, teria esse problema resolvido. Assim, continuamos em modo Junta, à espera que alguém da Câmara resolva. Quando acabar o recreio. 


6 de setembro de 2022

O doutor Pimpão e os subsídios

Os subsídios têm sido o principal estratagema de captura e manutenção do poder em Pombal. Narciso Mota atribuía-os sem regra, mas com moderação – com umas centenas de euros adocicava os apaniguados. Diogo Mateus introduziu regras, mas manteve as excepções (muitas), e subiu o patamar – passou das centenas para os milhares de euros. Com o doutor Pimpão é o regabofe completo: sem regra e sem moderação – qualquer criatura ou pequeno grupo de criaturas munidos de uma associação meio-formalizada vai à câmara e saca dezenas de milhares de euros. 

Uma recém-criada associação, designada “Cine Clube de Pombal”, foi presenteada com 18.000 euros para projectar uns filmes; outra, também recente, designada “Costumes e diálogos” – que bela designação - foi presenteada com 18.000 euros, para, vejam bem, “desenvolver esforços para preservação da memória colectiva”; etc.; etc.; etc.



O doutor Pimpão é um crente, um grande divulgador e um grande impulsionador do chamado “empreendedorismo social” – um depauperador de dinheiros públicos. Vai daí, transformou o Salão Nobre numa incubadora social, onde germinam associações como cogumelos em floresta húmida e nutritiva. Há cogumelos associativos tão imberbes e tão precárias que chegam a dar como sede edifícios da câmara. Ao que nós chegámos!

Sempre achei o doutor Pimpão inepto (politicamente), mas julgava-o sensato e aplicado. Não é, nem uma coisa nem outra. A dar subsídios desta forma e a contratar pessoal como se não houvesse amanhã, vai arruinar a câmara e o seu futuro político. 

29 de agosto de 2022

A contratação de Ana Gonçalves e a política pela positiva do doutor Pimpão

O processo de contratação de Ana Gonçalves, para administradora-executiva da PMUGest - e de toda a administração -, diz tudo sobre o que é o doutor Pimpão, como regente da coisa pública. Nada diferente do que já tinha mostrado na junta: amiguismo, falta de rigor e de transparência.  Por exemplo: distribuiu prebendas sem critério e sem rigor – nunca explicou aquela trapalhada do subsídio à ADAC e o burlesco extravio do cheque emitido pela junta; escondeu sempre o regime em que exercia o cargo, violando a lei; etc.



Na contratação da Ana Gonçalves o doutor Pimpão confirmou que o amiguismo e a obscuridade são a sua marca-de-água - prevalecem sobre a ética, a decência e a lei. Deu-se ao desplante de contratar para o cargo mais bem remunerado, a seguir ao seu, a pessoa que no executivo anterior desbaratou todas as condições para exercer qualquer cargo político em Pombal e arredores. Mas pior: para esconder o “arranjinho” violou descaradamente a lei, porque não submeteu ao executivo municipal a aprovação do cargo de administrador-executivo remunerado nem a aprovação do respectivo vencimento. 

Agora, o doutor Pimpão vai ter que responder por esta trapalhada; incorrendo em sanção financeira reintegratória (devolver do seu bolso todas as remunerações auferidas por Ana Gonçalves) e possível perda de mandato (já sucedeu aqui perto).

Custa a compreender, e a aceitar, que um político com experiência autárquica e uma licenciatura em Direito cometa irregularidades tão graves e tão pouco abonatórias da honra e da ética. Bem pode o doutor Pimpão apregoar recorrentemente a política “pela positiva” - essa coisa vazia, insossa, inócua e indefinida; a realidade mostra-nos, cada vez melhor, um Pimpão manhoso, impreparado e pouco transparente.  


25 de agosto de 2022

A política ambiental 'de carregar p'la boca'


 

O executivo lá veio, todo pimpão, fazer propaganda de mais um feito: o investimento de meio milhão de euros (isto enquanto houver dinheiro vai ser um fartote, quando se acabar logo se vê...) num autocarro (além de outros quatro veículos ligeiros) todos eles consentâneos com a nova ambição, que - já se sabe - é verde. Ecológica, portanto. Mesmo que os peixes morram no Arunca todos os dias. Mesmo que este contrato já tivesse sido assinado pelo anterior executivo, quem sabe andar nisto é o Pedro. E divulgá-lo bem.

O que pelos vistos ninguém sabe que, como dizem os antigos, os carros não andam com água. Nem os elétricos. Ora, como é sabido, a cidade de Pombal dispõe de apenas um único posto de abastecimento com duas tomadas de carregamento para os carros elétricos (na avenida Heróis do Ultramar). Portanto, ainda bem que a Câmara dá exemplo, e pelo menos a aquisição do autocarro foi aprovada "com o respectivo carregador", segundo o comunicado da autarquia. 

24 de agosto de 2022

Festas do Bodo: o Deve e o Haver, e a mentira anunciada

 Na última reunião da “junta” (aquilo foi pior que as reuniões de algumas juntas), o doutor Pimpão entrou deslumbrado com o “sucesso” das Festas do Bodo. A sonsa “oposição” acompanhou-o no feliz corridinho de loas às festas – valha-lhes a Senhora da Boa-Morte.

Mas numa curta intervenção, a vereadora Gina despejou um tanque de gelo na sala. Docemente, preparou a plateia e a opinião pública para o desastre financeiro que se anuncia. Referiu que a despesa subiu muito; a receita também subiu alguma coisa mas ainda está por apurar. Depois, em jeito de conclusão, afirmou que teremos que repensar o conceito das festas e discutir se se deve introduzir o pagamento de bilhetes. Onde é que já ouvimos isto? No pós-Vila Verde.



Ao contrário do doutor Pimpão, a Gina sabe que neste tipo de realizações há sempre duas colunas, a do “Deve” e do “Haver”, e um “Saldo” a apurar. Fazer festas com o dinheiro dos outros, sem orçamento e sem preocupações de equilíbrio orçamental, pode ser muito bonito, mas alguém as tem que pagar, e alguém tem que responder pelo descontrole - por gastar como se não houvesse amanhã.

Ficámos ainda a saber que o doutor Pimpão já contratou um estratagema de disfarce da coisa, a legitimação do (seu) despesismo: um “estudo” sobre o impacto das festas na economia local. Acredita, coitado, nestes exercícios fantasiosos que só acrescentam valor a quem os faz.

O Pedro forja mentiras em que posteriormente acredita. Vai-lhe chegar tarde o desengano, sem lhe dar tempo para se emendar. 

23 de agosto de 2022

Requalificação da Zona de Interface de Transportes - do Oitenta ao Oito

A 19 junho de 2020, Diogo Mateus apresentava publicamente o seu mais arrojado e modernaço projecto de requalificação do centro da cidade: a designada Interface Modal de Transportes. O dispendioso projecto pretendia substituir a velhinha e degradada Central de Camionagem por uma Interface Modal de Transportes futurista, que, através de uma passagem superior sobre a linha ferroviária, ligaria as duas zonas da cidade e redesenharia o espaço urbano com elementos icónicos, uma ciclovia, novas zonas verdes e espaços de lazer e ócio, entre outros.



O projecto foi contestado na parte referente à passagem superior sobre a linha férrea. E Diogo Mateus acabou por fazê-lo avançar em duas fases: adjudicou a parte correspondente à zona da Central de Camionagem e deixou para o executivo seguinte a passagem superior sobre a linha férrea. O concurso ficou deserto; e nos seguintes os concorrentes apresentaram propostas com valor superior ao preço-base. O doutor Pimpão recuou.

Em finais de abril do corrente ano, o vereador Navega afirmou, no Região de Leiria, que a câmara não conseguiria cumprir os prazos da candidatura aos fundos comunitários, pelo que teria que reformular o projeto. Na última reunião, submeteu ao executivo municipal uma coisa sofrível que deixa de fora o mais premente: a requalificação da Central de Camionagem.

Na sua primeira intervenção urbanística, o doutor Pimpão mostra uma nova e inovadora forma de fazer obras: primeiro executa os arranjos em redor da casa (Central de Camionagem); depois, se ainda houver dinheiro, faz a casa. 

Com o doutor Pimpão estamos condenados a perder em toda a linha: o mais premente; o dinheiro derretido em projectos e concursos; os fundos comunitários já contratualizados.

Há dias (semanas), um dirigente do PSD local transmitia-me a sua preocupação com a falta capacidade de realização do doutor Pimpão e da sua equipa. Ao que lhe respondi: esquece! Esqueçam! O doutor Pimpão não vai realizar nada de relevante; e tomara ele ser capaz de acabar o que D. Diogo deixou lançado. 

19 de agosto de 2022

Sai mais uma “secretária” para o Né

O executivo municipal, do doutor Pimpão, padece de dois vícios graves: não sabe e não quer trabalhar – junta a preguiça à inépcia. Vai daí decidiram contratar um Director Municipal para lhes fazer o serviço que se comprometerem a fazer; para se libertarem do que não gostam nem sabem fazer, e se dedicarem ao que gostam de fazer: andar na boa-vai-ela - nas festas, excursões e recepções. Não percebem que a primeira parte do desejo não se vai cumprir… Mas contam que o resto compense. No que esta gente acredita!

A situação está a deixar muita gente lúcida preocupada com o desastre que se anuncia. No partido as campainhas já tocaram; e até o novo líder do partido já foi chamado a intervir…

Como sabemos, os vícios e os maus exemplos propagam-se rapidamente. Já não é só o executivo que não quer trabalhar; o pessoal político (chefe de gabinete e assessores) está pelo mesmo! Os dirigentes e os funcionários rapidamente seguirão o exemplo.

O doutor Pimpão foi generoso na distribuição dos tachos políticos pela rapaziada do partido. Mas fê-lo sem olhar a competências e capacidades (de trabalho). Não percebe, coitado, que a câmara não é a junta; que a câmara é o maior prestador de serviços do concelho, cuja capacidade de resposta tende a ficar sempre aquém da procura.

Em 2021 a câmara lançou um concurso para a contratação de 1 (um) Assistente Técnico para a Secção de Obras Particulares, admitido no início do ano.

Como temos visto e ouvido, o Né, chefe de gabinete e amigo do doutor Pimpão, de imediato alcandorado a político (nem ao outro foram permitidas tais veleidades), não consegue dar conta do recado e já deve achar que boa parte das tarefas não são para pessoa com o seu estatuto. Vai daí resolveu pedir reforços ao doutor Pimpão. E o que é que passou pela cabeça do doutor Pimpão e da doutora Catarina (pelouro do RH)? Accionar duas reservas de recrutamento, da lista de candidatos aprovados no concurso para Assistente Técnico para Secção de Obras Particulares, e colocá-las a secretariar o Né!



Resultado: cometeram uma irregularidade grave que dá quebra de vínculo e sanção financeira reintegratória sobre quem praticou o acto (o executivo).

O caso já está a ser tratado … Mas há mais casos. E mais graves.

18 de agosto de 2022

Concurso para Director Municipal – um hino à ignorância

Foi publicado recentemente o concurso para o anunciado Director Municipal da CMP, disponível aqui.  



A contratação de um Director Municipal é a assunção de um vazio organizacional e de uma incapacidade gritante de o suprir. É sobejamente conhecida, e reconhecida, a dificuldade de articulação da esfera política (executivo) com a estrutura dirigente, nos municípios. É dos livros que a introdução de mais um nível hierárquico, numa estrutura já muito hierarquizada, não ajuda, antes pelo contrário, tende a agravar as dificuldades de articulação entre os dois patamares e as duas legitimidades. 

Do concurso faz obrigatoriamente parte a “Missão do Director Municipal”. Reparem bem na “pérola” que o doutor Pimpão rubricou:

“Superentender, de forma integrada, a generalidade dos serviços municipais e associadas áreas funcionais, reforçando a capacidade de resposta orgânico-funcional, consubstanciada, nomeadamente, em agregar, articular e alinhar, estrategicamente e transversalmente, as disseminadas dependências hierárquico-funcionais, dos serviços municipais, efetuando o seu robustecimento técnico e chefia / direção, dando prossecução a objetivos de eficácia, eficiência e economia ao todo organizacional municipal. Constitui, ainda, missão da Direção Municipal de Gestão Integrada atentar, proactivamente, aos desafios associados, entre outros, à gestão inteligente, à governança pública e ao desenvolvimento sustentável, bem assim atender prospectivamente, às oportunidades de financiamento, determinantes para a prossecução do interesse público…” 

Nesta fuga para a frente, o doutor Pimpão desconhece o trajecto, os factores críticos de sucesso e o resultado. Só assim se compreende que discorra esta monomania de sublimidade retórica que roça o patológico, expõe uma pavorosa esterilidade ignara, e uma falta de senso (de pragmatismo) que assusta. Porque, coitado, não tem ninguém que o chame à razão, que lhe ponha travão e o faça descer à terra.

Ao contrário do que o doutor Pimpão e seus ajudantes pensam, um chorrilho de léxico palavroso e desconexo não disfarça a ignorância de quem o produz, expõe-na até às entranhas. Só faltou dizer que o Diretor Municipal tem que executar todos os números e truques de circo; fazer a quadratura do círculo; descobrir e distribuir a poção do elixir da felicidade por todos os munícipes, pelo menos uma vez por ano.

Dos “objectivos a prosseguir” nem vale a pena falar (muito). São um exercício anedótico de intenções absurdas*. 

Dizem os sábios que os profetas e as aranhas são os únicos entes que podem tirar de si mesmo os recursos da sua existência. O Pedro acredita que a sua profecia se vai cumprir – que ele será o primeiro político-profeta a atingir o paraíso na Terra. No que este Pedro não acredita…! 

PS: * O Diário da Republica não deveria publicar documentos atentatórios do conhecimento ministrado e da inteligência colectiva. 

15 de agosto de 2022

No adeus ao Pimpão dos Santos



Faleceu o José Ferreira Pimpão dos Santos. Muitos já sabem da notícia (porque era pai do presidente da Câmara e o anúncio de falecimento foi divulgado). Mas a maioria não sabe quem foi para Pombal Pimpão dos Santos - e importa saber. 

Ontem morreu o Pimpão. O homem que entre o final dos anos 80 e princípio dos anos 90 deixou uma marca importante na rádio e na imprensa desta terra, primeiro no departamento de informação do Rádio Clube de Pombal, depois quando fundou O Correio de Pombal. Quem chegou há poucos anos ao espaço público talvez não imagine o que foi essa revolução feita por ele, e da qual tive a sorte de participar. O Pimpão dos Santos rompeu com décadas de quinzenários em tom morno e arriscou criar um semanário, que ainda por cima confrontava o poder - o que até então nunca acontecera. Fez o melhor que sabia, foi muitas vezes além do que podia, com (muito) prejuízo da sua vida pessoal. Desentendemo-nos algumas vezes, como acontecia nas Redacções. Mas saldámos sempre todas as nossas contas. 

O Rodrigues Marques costumava dizer que ele vivia a meio metro do chão. Sei hoje que foi esse lado sonhador que lhe permitiu oferecer à terra um jornal livre, durante uns anos. Guardo um milhão de histórias vividas com ele a partir do 3º andar da Rua de Ansião, primeiro, e do 1º andar da avenida Heróis do Ultramar. Das reportagens que eram quase sempre aventuras. Da amizade que ficou para sempre. Percebi que já cá não estava há semanas, quando o vi, depois dos incêndios, e não me reconheceu. Para mim, será inesquecível. 

Obrigada por tudo, Pimpão.

Ao João, ao Pedro e ao Nando, um sentido abraço.

12 de agosto de 2022

O verdadeiro artista

 

Segundo essa referência do jornalismo local e regional que dá pelo nome de "Notícias da Sua Terra", esta é "a dupla do momento". Nada menos que o conhecido organista, cantor e compositor Graciano Ricardo, e o presidente da Câmara, Pedro Pimpão.

E não há muito que se possa dizer sobre um momento destes. Talvez seja esta a deixa para o Município aproveitar a ideia de negócio daquele munícipe que há dias sugeria no Facebook uma adaptação dos livros da Anita. No momento Silly Season, o Pedro está como peixe na água. "Pimpas vai às festas" já seria um êxito garantido. Mas a partir daqui vale tudo. Temos o nosso Marcelo à escala. 

Confiem. Vai correr bem, malta. 

9 de agosto de 2022

Linguagem de guerra

É comummente aceite que a linguagem e a arte antecipam os movimentos sociais, nomeadamente os grandes conflitos.

No conflito a Oeste a linguagem já é de guerra. Já se passou da agregação para a anexação (de freguesias).

Já agora: quem é que quer anexar quem?



7 de agosto de 2022

Discurso de pregador

O Pedro é um genuíno pregador. Um genuíno pregador só faz duas coisas: peregrina e prega. É o que o Pedro faz, a toda a hora, de dia e de noite, durante a semana e ao fim-de-semana, no facebook, nos pasquins, na rádio, na tv; e agora na revista municipal, entretanto criada!

Na pregação que fez para a revista municipal, expõe de forma insensata e sem nenhuma reflexão a empolgação e o messianismo que vai naquela cabeça. O Pedro reúne todas as debilidades do político do nosso tempo; mas combina-as muito bem. Nada nele destoa. Expressa-se com belas palavras e frases feitas que significam nada. Enfatiza uma enfiada de regozijos públicos sem uma ideia estruturada e sem um propósito mobilizador. Prega uma doutrina que é ao mesmo tempo o efeito e a causa de si mesma. E com isto ilude uns quantos incautos.

Durante a campanha, o Pedro prometeu um Plano Estratégico para Pombal, que, segundo ele, iria transformar o concelho num território dinâmico e inovador; a cidade numa smart city futurista; e a vida dos pombalenses no paraíso da felicidade plena. Quando perguntado, na reunião do executivo, se o prometido plano já estava pronto, ou se estava a ser concebido interna ou externamente, gaguejou.

Ficámos agora a saber, num destaque que não está na tal espécie de “entrevista” à revista municipal, que, diz ele, “Quando digo que temos um plano estratégico para a próxima década é um plano de acão, com medidas concretas no concelho, não é um plano bonito mas que nunca sai do papel.”

O Pedro não diz o que sabe (porque não sabe) nem sabe o que diz. No cargo em que está empossado, usa e abusa do termo “estratégia”. Costuma-se dizer, nos meios académicos e da alta governance, que quando um político ou um gestor usa muitas vezes o termo “estratégia” (ou “plano estratégico”) se pode dar como certo que não tem estratégia e provavelmente nem sabe o que é “Estratégia”.

O infeliz destaque confirma três coisas: o Pedro prometeu o que desconhece; a sua equipa nunca será capaz de apresentar uma coisa digna desse nome (Plano Estratégico para Pombal); o Pedro já procura a fuga à promessa.



5 de agosto de 2022

Pombal de realidade alternativa





A 24 de abril a CIM Região de Coimbra promoveu uma caminhada que percorreu,  entre outras zonas, o Vale dos Poios.

Sempre que os nossos pés percorriam territórios geridos pela Câmara Municipal de Soure ou de Condeixa-a-Nova, os nossos sentidos sentiam-se reconfortados e tranquilos pela preparação dos espaços e pela adequação das indicações aos caminhantes. Todavia, a entrada em território do concelho de Pombal era facilmente identificada como se pode comprovar na imagem.

Um dos aspetos marcantes desta caminhada é a possibilidade de contacto direto com a Natureza, sentido os cheiros, escutando a fauna e observando a vida natural que ali prolifera, sem interferências tecnológicas. Nem poderia ser de outro pois pois, em grande parte do percurso, nem existe rede 2G, 3G ou 4G.
Mas eis que, com pompa e circunstância, se anuncia que Pombal é uma cidade 5G (e bem), com destaque para a realidade aumentada da Serra de Sicó. Esta é a imagem de Pombal nestes tempos: tudo é virtual, baseada em realidade aumentada, quiçá, realidade alternativa. Só para quem queira ver, claro.

Luís Gonçalves
professor

4 de agosto de 2022

Altruísmo ou egoísmo?

Nesta madrasta terra, cultiva-se uma espécie de altruísmo, aparentemente alegre e confiante, que justifica todas coisas e fá-las parecer boas porque desperta “belos sentimentos” de compaixão nos sofredores. 

Porque não há actos absolutamente “desinteressados”, a generalidade dos filósofos tem muito pouca estima pela compaixão (uma coisa muito cristã). Na bondade e na compaixão há por vezes uma insolência que parece malícia, no aproveitamento dos sentimentos mais básicos para benefício próprio. 

O apelo sistemático às emoções conduz a um hipersentimentalismo que, no lugar de fortalecer, debilita e deprime. Lá se vai a felicidade.

«Não havia ‘nexexidade’!». 


2 de agosto de 2022

A doutora Catarina em Champigny



 Em junho passado, ficámos a saber da história de um munícipe - por acaso morador de um bairro social da terra - que não sabe ler nem escrever e (des)espera por ajuda burocrática para coisas tão básicas como ajuda das senhoras assistentes sociais da autarquia para tratar das receitas médicas, ou das idas às finanças, etc e tal. Nesse dia, em plena Assembleia Municipal, Pedro Pimpão rasgou as vestes, levantou o plano para a igualdade e quase virou ali o jogo a seu favor, colocando-se ele no papel de vítima, pois como é que alguém ousava pôr em causa o trabalho de tantos doutores naquele documento. Não interessa que não sirva para para nada: está lá. Deu trabalho e emprego a uma catrefada deles. 

Volvido este tempo todo, o vereador Luís Simões perguntou, na última reunião de Câmara, se por acaso já alguém tinha resolvido o problema do senhor. Eis que a vereadora Catarina andou atarefada com a festa da sardinha ali para os lados de Champigny, e perante a resposta que lhe deu, percebe-se que não só não teve tempo de tratar do assunto como não sabe de nada. De que valem pelouros às molhadas, com nomes modernos, desdobrados em coesão e inovação social; integração e inclusão, se depois não resolvemos os problemas básicos às pessoas no dia a dia? 

Nesse meio tempo, entre a reunião da Assembleia Municipal em que o caso foi denunciado [e era obrigação da vereadora do pelouro ter resolvido o caso no dia a seguir, ou pelo menos saber o que se passa] e a festa da diáspora, perdão, de certa emigração em França, que acontece hoje no castelo, a doutora Catarina lá foi à festa da sardinha, não percebemos bem fazer o quê. Pelo vistos ela também não. Aliás, de tão baralhada que estava, até pensou que o doutor Coiso ainda era vereador...como se ouve na sua intervenção, pois refere-se "ao meu colega Micael", por certo intermediário nesta viagem, na festa da Sardinha em Champigny, e no Dia da Diáspora, organizado pela associação Les Amis du Plateau. É uma malta que já teve a sua dose de bairros sociais, por isso agora é justo que se lhe abram as portas do castelo. 

29 de julho de 2022

Oh meu! Oh meu! Isso é indecente! Isso é indecente…!

Todos temos uma face e uma contra-face, uns mais que outros. 

Nada inspira mais um profeta que uma grande desgraça. Na penúltima reunião da “Junta”, realizada no passado dia 20, ficámos a conhecer a outra face do nosso presidente da “junta”. Embriagado com as emoções da desgraça, iniciou a reunião com um longuíssimo sermão laudatório, cheio de récitas para todos os atingidos e envolvidos pela desgraça (incêndios) que atingiu uma parte do concelho, coadjuvado pela dócil Catarina. Como bom-profeta forja ladainhas em que posteriormente acredita. 

Mal o doutor Simões proferiu as primeiras palavras, o nosso profeta percebeu que denotavam alguma crítica. Soltou-lhe imediatamente a outra face - a face do verdadeiro Pimpão. A partir daí, foi só conversa ao nível da taberna, com linguagem de bordel. 

O Pimpão tem tanto de voluntarioso como de falta de maneiras. Na sua posição poucas coisas são mais críticas que a (in)capacidade de regular as maneiras.

PS: Depois temos, também, o desastrado PS, com a doutora Odete, de férias mas supostamente em “trabalho” político, a intervir por via remota, não para censurar aquele desvario e apoiar a postura crítica, sentida e factual do seu “camarada” Simões, mas a exercitar a habitual ladainha ascética da harmonia inócua. Desgraçado partido que tem na doutora Odete uma criatura insubstituível.


O Ti Milha, o festival extra agenda



 O que acontece na Ilha desde 2016 (e de que aqui falei em 2018) é caso único no panorama cultural do concelho de Pombal. Há alguns casos de apontamentos comunitários no distrito de Leiria (a Torre da Magueixa, na Batalha, talvez seja a que mais me faz lembrar, mas há outras, nos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós, Caldas da Rainha, etc) ou  que se lhe comparam, mas nada é igual ao que se vive ali, no parque de merendas e lazer daquela terra, em que um grupo de jovens ligado à ARCUPS consegue mobilizar pais e avós em torno de um festival de música, artes e costumes. 

No fim de semana passado, dois anos depois do interregno a que a pandemia obrigou, voltou a acontecer. E aconteceu também um desfile de políticos como nunca tínhamos assistido. Em Pombal, o poder não percebeu o que tem ali. É um problema que vem do passado (lembram-se de quando se esqueceram de convidar esta malta para as conversas da Rede Cultura 2027, quando são eles afinal a pedrada no charco?), mas que agora se agrava, com o pelouro da Cultura em pousio. E agrava-se a este ponto: o festival Ti Milha não figurou sequer na agenda cultural de Julho, distribuída pela autarquia - como bem notou o vereador do PS, Luís Simões, na última reunião de Câmara. 

Pedro Pimpão puxou dos galões para dizer que a Câmara apoiou como nunca a organização do Ti Milha (primeiro eram só seis mil euros, depois a deliberação foi revogada e o apoio dobrado para 12 mil). Já é um passo. Falta agora fazer o caminho. E perceber que é tão longe daqui à Ilha como da Ilha a Pombal. Chamar esta malta para outras coisas. As tais "dinâmicas do território".

*foto da Ana Formigo e do Fábio Silva, que têm muitas e boas imagens dos três dias na página do Ti Milha no Facebook



27 de julho de 2022

Sai mais uma encomenda directa para os amigos do Pedro

A (des)governação do Pedro & C.ª é uma coisa assustadora, sem critério e sem controlo, mas com intuitos claros…, nomeadamente na área das festas e diversão - seu foco principal.

Nas festividades do Natal, entregou a empreitada ao amigo Vila Verde através do alçapão ADILPOM. A coisa correu mal, há gente enganada e mal paga …

Depois veio aquela enorme trapalhada do Festival “Oh da Praça”, que metia subsídios, amigos e família, e que, por ser tão escandaloso e aqui ter sido denunciado, foi adiado antes de ser cancelado.

Agora são as contratações para as Festas do Bodo.  A dos DJ`s foi dada, por ajuste directo e sem contrato (ao que já chegámos!), a uma tal Levelfusion, Lda, com sede em Pombal, que “desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Vestuário para adultos”, por uns chorudos 10.000 € - DEZ MIL EUROS!

Chamem a polícia; 

Chamem a polícia.

26 de julho de 2022

Praça Marquês de Pombal e Praça do Cardal – que paralelismo?

Há duas décadas, o desfalecimento da Praça Marquês de Pombal (no centro histórico) era motivo de grande preocupação e debate. O poder desvalorizava a situação: considerava-a normal e transitória, fruto do envelhecimento dos residentes e da alteração de modos e estilos de vida das gerações mais novas. Mas viu ali uma boa oportunidade para mostrar o seu voluntarismo. Vai daí, sem estudar o problema, derreteu lá dinheiro a-rodos. 

A câmara comprou imóveis, garantindo que recuperando os edifícios e deslocando para lá serviços revitalizava a praça e o centro histórico - só beneficiou os proprietários dos edifícios que venderam bem vendido; construiu parques de estacionamento, no coração da cidade, contra todas as tendências recentes, que continuam vazios; colocou em marcha um plano de revitalização urbana que só descaracterizou e desqualificou a praça -  recentemente corrigido devido à degradação e disfuncionalidade do espaço; avançou com um programa de apoio ao comércio tradicional, com financiamento a fundo pedido, que foi um fiasco total; implementou um programa de revitalização do centro histórico que só o enegreceu e entristeceu mais. Resultado: torrou milhões e matou a praça. Actualmente, a única actividade que ali sobrevive – e com futuro garantido - é a Casa Mortuária. Ámen.

No Largo - agora Praça - do Cardal o processo foi semelhante e o resultado parecido: um plano de revitalização que descaracterizou e desqualificou o espaço, tornando-o desconfortável e nada apelativo. Consequentemente afastou as pessoas e condenou ao definhamento os pequenos negócios.  A Praça, que deveria ser a sala de visitas da cidade, está sem vida, vazia e desprezada. Esta descrição pode incomodar e molestar o sentimento bairrista, mas é a pura realidade – confirmada ao longo de todos os dias do ano.

Nesta pacata "paróquia" salvam-se os “negócios” do cura Vaz, que sem concorrência beneficia desta triste realidade: na Praça do Cardal cuida dos espíritos; na Praça Marquês de Pombal encaminha as almas.   




25 de julho de 2022

O Pedro, a imagem e a felicidade

O profeta Pedro acredita que as suas promessas já estão a surtir efeito – no que esta criatura não acredita! Vai daí, encomendou à Aximage - Comunicação e Imagem, Lda um inquérito de opinião sobre a felicidade do rebanho, já em curso.



O Pedro acredita em amanhãs radiantes, onde tudo é amor e felicidade; tal como acredita que as almas caridosas alcançarão o paraíso celeste, e, com ele, os pombalenses atingirão a felicidade terrena. Por isso, age politicamente por determinismo metafísico, sonhando conciliar o inconciliável e dar felicidade ao infeliz, ou seja, unir todos e tudo na adoração à sua pessoa.

Para o Pedro a política é diversão e ilusão; onde ele se dedica a procurar estrelas no céu, porque acredita que o céu estrelado gira em torno do destino do homem. Arranjava-se paciência para ouvir os desejos do Pedro se pudéssemos passar longas tardes no Arunca estendidos numa canoa. Mas infelizmente tal não é possível: o Arunca não é usufruível, e a vida para o cidadão comum não é um brinquedo ou uma fábula encantadora.

Não há criatura mais infeliz que o escravo dos seus desejos. A sôfrega paixão pela empatia conduzirá o nosso profeta ao desespero. E nós ao mesmo marasmo.

Cumpra-se o destino… Que mais se pode fazer?

24 de julho de 2022

Cardal (Pombal), hoje ao final da tarde

Uma praça sem vida, vazia, desprezada: esplanada sem clientes; corações que não pulsam, só desconfiguram; vasos sem flores; estruturas metálicas desnudadas, etc. Coisa triste, coisa feia.


Adenda: a coisa já melhorou um pouquito: já retiraram as estruturas metálicas desnudadas e já plantaram uns amores-perfeitos nos vasos!

19 de julho de 2022

Sobre bons samaritanos, subsídios e boa comidinha

A 4 do corrente mês, o executivo municipal (“junta”) discutiu e aprovou - por maioria ou por unanimidade, ainda não se sabe* - a atribuição de um subsídio ao Rotary Clube de Pombal, no valor de 350 € (em dinheiro), destinado ao pagamento de refeições; mais um animador musical, para animar uma confraternização. 

Durante a discussão a doutora Catarina informou que achou melhor trocar a oferta do animador musical por 580 €, destinados à compra de 200 bonés e 500 t-shirts (?). A doutora Catarina é muito fofa e simpática, mas nisto de preparar propostas para levar às reuniões do executivo não acerta uma. Deveria ser rapidamente dispensada destas tarefas burocráticas e empregada unicamente no social socialite.

Mas depois de tudo isto, que já seria muito, perguntará o leitor: o Rotary queria o subsídio concretamente para quê? Bela pergunta, e bela história, que este maldizente escriba tem muito gosto em explicar.

Uma tal associação cívica, intitulada “Cavaleiros do Céu”, promoveu juntamente com o Rotary Clube de Pombal e o Rotary Clube de Leiria, nos dias 22, 23 e 24 de julho, o baptismo de voo para crianças e jovens com deficiência – iniciativa nobre e louvável. Nesta fase da história, pensará o leitor: então, o subsídio de 350 € para refeições destina-se ao pagamento de um lanche às crianças, depois do voo. Puro engano. O subsídio foi pedido, foi atribuído e foi destinado ao pagamento de 10 refeições, a 35 €/pessoa, aos pilotos, organizadores e patrocinadores do solidário evento.

Gente fina confraterniza e assinala a caridadezinha em grande. Ou como canta o J. Barata Moura:

“Vamos brincar à caridadezinha

Festa, canasta e boa comidinha

Vamos brincar à caridadezinha”

PS: * o executivo ainda não percebeu que o principal objectivo da reunião é decidir, não discutir; e que o principal interesse do eleitor é saber o que e quem decidiu.

Adenda: o subsídio foi aprovado, por maioria, com 5 votos a favor e uma abstenção (da doutora Odete).


18 de julho de 2022

O fogo fátuo que cerca o Pedro

 

Pedro Pimpão ressuscitou para as redes sociais ao fim de vários dias de sepulcral silêncio, através de um texto à sua moda: sentimental, acompanhado de 59 fotografias, boa parte delas impregnadas de chamas (é sempre bom para os pirómanos) , outra recheada dele, e da sua gente - os escuteiros, o chefe de gabinete (percebeu-se, de novo, que manda mais que qualquer vereador) assessores e afins. Até Paulo Mota Pinto, o regressado presidente da Assembleia Municipal, aparece nas fotografias. São boas imagens: Pimpão dá entrevistas, Pimpão  fala com bombeiros, Pimpão olha para o mapa, Pimpão entra na carrinha, Pimpão estava lá. 

Qual profeta da boa-vontade, o Pedro recuperou o fôlego e voltou a usar as redes para comunicar com o seu povo, que lhe retribuiu com o afago dos likes e dos comentários, como ele gosta e precisa, para continuar, dizendo-lhe que é o maior. Máquina. Campeão. 

O Pedro nunca fez um curso de comunicação de crise, certamente. Percebemos, pela amostra, que o gabinete da Câmara também não. Ao contrário, perceberia que era precisamente num momento destes que deveria ter usado as redes sociais - como de resto fizeram os autarcas à sua volta, sem entrar em pânico, muito menos espalhá-lo junto da comunidade. Não para fazer estes agradecimentos que lhe rendem likes e afagos, à posteriori, mas para tranquilizar as pessoas e transmitir segurança, no momento, mesmo que por dentro estivesse a tremer de medo, como parecia no dia em que ousou (!) comparar o fogo de Abiul ao de Pedrógão Grande. Queixava-se da falta de meios, colocando-se sempre de fora. Esquece-se Pedro Pimpão que é ele aqui a autoridade máxima de Protecção Civil no concelho de Pombal - mesmo que tenha empurrado (também essa) responsabilidade para a vereadora Catarina Silva, que estava de férias, a muitos km de distância, nos primeiros dias.

Talvez seja hora de sabermos o que é, e o que faz, afinal, a Proteção Civil no nosso concelho. Se trabalha ou não em articulação com a Autoridade Nacional. Porque apesar do tom de balanço do nosso presidente, que anuncia estar contabilizar os prejuízos "juntamente com as autoridades" convém sabermos duas coisas: 1. Ele também é autoridade. 2. O verão ainda não acabou. 

Também seria boa ocasião para divulgarmos, sem medos, o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil. Para não ficarmos com esta ideia de improviso, de quem se põe mais em bicos de pés...

Cercado por este fogo fátuo, mal sentiu que podia respirar, o Pedro voltou às partilhas das suas próprias palavras e da sua própria imagem. Depois das críticas à alegada falta de meios, esperamos pelo passo seguinte: Aposto um vintém num convite a Luís Montenegro para as festas do Bodo. 

11 de julho de 2022

As Meirinhas, o Pimpão, a estatueta e o dinheiro

Meirinhas é uma terra pimpona. E uma terra pimpona tem o seu Pimpão. E com o Pimpão João são favas contadas. E favas contadas – mamadas – fazem peidos danados.

Tudo serve ao Pimpão João para mostrar obra. Até erguer uma estatueta a um empresário vivo -  verdadeira parolagem untuosa.

Mas o pior nem é o ridículo da coisa e o custo do ridículo; é a forma como o ridículo é custeado. A junta adjudicou a estatueta a Hélder de Carvalho – Criações Exclusivas, Lda., por ajuste directo, pelo montante de 25.000 € + IVA. Quando perguntado se se justificava a junta gastar 25.000 € + IVA numa estatueta para “homenagear” um empresário, o Pimpão João respondeu que a estatueta era oferecida por um grupo de empresas. Na verdade, a junta orquestrou um “protocolo” com a empresa MCS Portugal – Adelino Duarte da Mota, SA, no valor de 31.365 € c/ IVA, que, supostamente, cobre a despesa.  Todo o capitalista gosta de comprar a sua grandeza.

O Pimpão João é manhoso, e imaginoso nas contas travessas - sabe fazê-las. Ganhou vasta experiência na câmara a entrecruzar despesas com dinheiros soltos. 


10 de julho de 2022

Tesourinhos deprimentes

Anteontem uma pessoa amiga enviou-me isto. Resisti durante por algum tempo vê-lo, porque não queria, por agora, voltar à temática abordada. Mas o respeito pela pessoa que me enviou o tesourinho deprimente…

Sempre me intrigou que, por cá (e por outras terras de alguma forma semelhantes), o número de votos brancos e nulos nas autárquicas fosse superior (o dobro!) ao de alguns partidos com implantação nacional e grupo parlamentar na AR. Mas depois de ouvir este tesourinho deprimente, que roça o indecente, reforcei a ideia de que o eleitor comum sabe escolher – não é estúpido como lhe chamam algumas estruturas partidárias – , prefere escolher o mal menor ou anular o voto.

Uma terra – umas estruturas partidárias – que o melhor que tem para oferecer à comunidade, para o mais relevante cargo local (presidente da câmara), é o Pedro, a Odete ou a Célia, perdeu definitivamente o sentido da exigência.

Infelizmente, nesta terra nada destoa - é tudo meio-á-toa ou por amiguismo.

6 de julho de 2022

Câmara compra sede da AICP

Na reunião de anteontem, a câmara – a “junta” – aprovou a aquisição das instalações da Associação de Industriais do Concelho de Pombal (AICP), no valor de 350.000 euros, com base no sempre badalado argumento da salvaguarda do interesse público – quando o decisor público recorre a este vago argumento podemos dar por certo que não existe qualquer interesse público em causa.


Na verdade, nunca existiu uma verdadeira associação dos industriais de Pombal. O que existiu naquela sede, oferecida pela câmara e pelos fundos comunitários, foi uma coisa abjecta - o exemplar maior do Falso Associativismo - que nunca serviu os poucos industriais que por cá existem ou existiram; serviu unicamente para uns quantos figurões e oportunistas tratarem da sua vidinha enquanto os fundos jorravam sem grande controlo para quem se dizia criador de riqueza. Formos por aqui dando conta dos escândalos que por lá iam acontecendo, mas os poderes instalados foram fazendo ouvidos de mercador. Até que a coisa foi liquidada, sem que nenhum dos supostamente interessados (industriais) tivesse mostrado incómodo ou mexido uma palha - que se visse.

Agora, o doutor Pimpão (& C.ª) diz-nos - e julga que nos convence - que vai afectar as instalações à “captação de investimento nacional e estrangeiro; … bem assim à criação de uma eventual incubadora de empresas e ao alargamento de formação e apoio a novos empresários”.

Já vem dos tempos de Narciso Mota a construção do Centro de Negócios para os fins que agora se enunciam, que nunca conseguiram concretizar. Perante o fracasso entregaram aquilo às finanças e a associações com pouca ou nenhuma actividade. O fadário desta terra tem sido e continuará a ser criação destes castelos de areia, este fazer e comprar edifícios sem saber o que lá fazer. Estas criaturas que nos (des)governam não sabem fazer coisa que se aproveite. Esta terra só tem um ideal: gastar/desperdiçar dinheiro para servir as clientelas e mostrar que se está a fazer qualquer coisa.    

Eis mais um negócio ruinoso. Como a Quinta de Sant`Ana, o Celeiro, a Casa da Guarda Norte, a casa do Mota Pinto, a Casa Varela, etc. 

Quem não sabe mais, quem não sabe o que fazer, compra, gasta, desperdiça.

5 de julho de 2022

Pombalbike: É preciso ter pedalada

Uma das primeiras faces visíveis da nova ambição foi o sistema de bicicletas de uso partilhado. A ideia não nasceu da cabeça de Pedro Pimpão (já vinha do executivo de Diogo Mateus) mas ficará associada a ele, como de resto há-de acontecer com um conjunto de obras que apanhou em andamento. E é uma boa ideia? É. Está a funcionar? Não. Porquê? Por várias razões, a começar pela cidade pouco apelativa ao uso da bicicleta, mas sobretudo porque antes de colocar o sistema em prática era preciso uma campanha de sensibilização à comunidade, um período experimental que cativasse as pessoas - como de resto já aconteceu noutras cidades.

Sendo assim, em pleno verão, ao final da tarde, o principal ponto do equipamento - que deveria estar vazio, sinal de utilização - está assim. É preciso dar mais ao pedal, Pedro...isto se queres a tal smart city da sustentabilidade. 

1 de julho de 2022

Sobre as recomendações do doutor Coelho

A acção política do doutor Coelho derivou da tentativa de entupir o Pedro e o Né com dúzias de requerimentos para a sobrecarga da agenda da AM com recomendações. 


Se o estratagema dos requerimentos se mostrou inconsequente, o das recomendações segue pelo mesmo caminho, mas com custos políticos mais acentuados que nem a vitimização ameniza. Daí que o doutor Coelho, desiludido com o estratagema, tenha negociado a aprovação de uma ou outra recomendação com a bancada da maioria. A negociação foi feita, como não poderia deixar de o ser, com o principal “Facilitador de negócios” (projectos) cá do burgo - como é designado dentro do próprio PSD - que logo deu luz verde à coisa. Apesar de a coisa não ter sido muito bem recebida por algumas figuras do PSD, o “Facilitador de negócios”, seguro de si e do seu poder no partido, deu o acordo como consumado na antevéspera da assembleia - uma mão lava a outra e as duas lavam a cara. O doutor Coelho transmitiu a boa-nova aos seus; e lá foram, mais animados para o calvário que têm sido aquelas reuniões da AM, convictos que, finalmente, teriam uma vitória simbólica. Ainda não perceberam, coitados, que em política, como em quase tudo na vida, vale mais uma derrota honrosa que uma vitória consentida.

Só que nestas coisas da política, como em quase tudo na vida, há sempre um “se” - há sempre muitos “se`s”. Como a coisa não foi bem acolhida no PSD, e o “Facilitador de negócios” ainda não tem o poder que julga ter no partido, os opositores ao “acordo” trataram de arregimentar os presidentes de junta contra as recomendações da bancada do PS, com o argumento que a sua aprovação rebaixava o estatuto e imagem dos presidentes de junta. No final, foi delicioso ver “Facilitador de negócios” a tentar salvar face, perante a sua bancada, zurzindo forte e votando contra as recomendações da bancada do PS. 

Daqui se conclui duas coisas: primeira, o doutor Coelho é muito melhor a vender autocarros que a fazer acordos políticos; segunda, é muito mais fácil facilitar negócios que acordos políticos.

PS: a discussão das recomendações da bancada do PS derivou para uma longa conversa de loucos, como a classificou um dos protagonistas, que se arrastou até às 3 da manhã! Algumas daquelas criaturas perderam ou nunca tiveram noção do ridículo: recomendam a eliminação do tratamento pelos títulos académicos (doutor, engenheiro, etc.) mas tratam-se por “Sua Excelência”.