31 de dezembro de 2022

Depois vai-se a ver e...nada


 

No Dia de Natal o Pedro teve aquela prenda por que andava à espera desde que chegou à Câmara: um encontro entre a criatura e o criador, com a visita de Marcelo, o omnipresente Marcelo. Desaconselhado pelas entidades competentes a intrometer-se no teatro das operações - quando deflagram os incêndios - escolheu aquele dia em que toda a gente está com as famílias para visitar um território ardido: parte da freguesia de Abiul. Pouco se importou se arrastava consigo aqueles que iriam abdicar do dia com a família, porque para ele, um homem só, não há melhor do que a vida pública para matar a solidão e buscar conforto. 

Chegou a Abiul antes da hora e não encontrou vivalma. Mas o Pedro tinha arregimentado todas as tropas: as da Câmara e as do PSD, e claro, já que era Natal, fez-se acompanhar de um dos rebentos. As criancinhas ficam sempre bem nestas coisas. E tiram selfies com o professor. E foi bonito de ver o à-vontade geral, abrilhantado pelo animador de serviço, outrora traidor do partido, agora regressado, mas sempre declamador de poemas Rodrigues Marques. E o entusiasmo puril da presidente da Junta, secundado pelo do presidente da Câmara, enquanto resguardavam Marcelo dos pingos da chuva, como se acreditassem que sim, que a vinda dele vai mudar alguma coisa nos apoios que Pombal que não tem, por não atingir a área ardida que a lei prevê. 

No dia de Natal, as televisões mostraram aquelas imagens várias vezes, para gáudio do nosso Pedro & seus amanuenses. Marcelo fez o número. Ter-lhe-ia ficado melhor talvez fazer uma visita à mulher que ficou tão gravemente ferida naquele incêndio - já que tanto queria ocupar o tempo. Longe das câmaras, dos autarcas e dos jornalistas - que a 25 de Dezembro (na sua maioria) deveriam estar à mesa com pais e filhos, em vez de darem cobertura a números de circo mediático. 

Porque depois vai-se a ver...e nada. 

Natal em Pombal, hoje à tarde

 





28 de dezembro de 2022

A política, o poder e a oposição (II)

O estado do reino é a resultante da acção conjugada da política, das forças vivas e dos cidadãos. Em Pombal - minha terra Natal - nada me desgosta mais que a política que por cá se faz, tanto pelo poder como pela oposição. Julgo que este sentimento é evidente nos meus escritos, mas já o era quando, há duas décadas, entrei tardiamente na política local, imbuído da ilusão que era possível inverter a situação: o desfalecimento da terra e a decadência da política. Não o era; e continua não o ser. Quer isto dizer que não há esperança? Que nos deveremos conformar? Não. Há esperança, mas não é para nós (os da minha geração), como dizia o Kafka.



A política que por cá se faz é de cariz personalista, unitário (todos por Pombal) e apartidária, inspirada no modelo da União Nacional, do consenso e da concórdia. Surgiu no pós-Guilherme Santos (1989) mas foi definitivamente instituída por Narciso Mota, um tipo de política que exauriu, em seu próprio benefício, o concelho, as instituições, o sentido de comunidade e até as frágeis estruturas partidárias - actualmente antros de intriga entre uma dúzia de indivíduos e respectivas famílias. 

Este caldo de cultura - pobre em vitalidade - e este tipo de política gerou um concelho anémico, com uma economia fraca que não gera riqueza nem emprego atractivo, e uma comunidade descrente, sem sentido de colectividade e de representação, onde meia dúzia de oportunistas se serve da coisa pública. 

Mas se o passado foi o que foi, o futuro não será brilhante…Com um poder inepto, associado à própria ignorância (sim, há poder na ignorância), e pueril, carregado de desejo e de vontade excessiva pelo que é festivo e acessório, quais Ícaros e borboletas desta vida, voando felizes dentro da espuma dos dias e das festas, desligados da realidade e do essencial, e uma oposição frouxa e dividida, impreparada e inconsistente, possuída também pela positividade (propostas balofas e distribuição de apoios/esmolas), onde há fé mas falta vontade, onde a vitimização abafou a afirmação (a contestação), nada de virtuoso se pode esperar.

Sigamos juntos! Para mais uma década de desfalecimento.

27 de dezembro de 2022

Marcha do pequeno autarca

Numa altura do ano em que abundam os jantares das colectividades e instituições, deixo uma pequena marcha para ser cantada pelos nossos jovens autarcas que, coitados, não têm tido parança.

Marcha do pequeno Autarca

Somos pequenos Autarcas
Mas já fortes e leais
Amamos e respeitamos 
Nossas farras e arraiais.
Queremos espalhar amor
E a plebe seduzir
Desejamos já ser grandes
Pra muitas festas curtir.

Cabeça erguida, sereno olhar
Seguindo em frente a marchar
Somos pequenos mas amanhã
Juntos  iremos petiscar.
E se algum dia preciso for
Passar o dia a apertar a mão
Iremos com a fé em Deus
E com Pombal no coração.

22 de dezembro de 2022

A política, o poder e a oposição (I)

O regime que vigora na generalidade do mundo Ocidental deriva, em grande parte, do modelo do Estado Racional (de Direito), republicano e democrático, idealizado por Hegel, como caminho para a realização da liberdade e prosperidade da humanidade.

O modelo foi inspirado no iluminismo francês, que desencadeou a Revolução Francesa (1789-1799), mas ganhou corpo, adesão à realidade e à natureza humana por encerrar dentro de si o princípio do contraditório, essencial para a evolução do conhecimento e da realidade. Hegel rejeitava a ideia, ainda hoje disseminada na política e na sociedade, de que a contradição é vazia de conteúdo, não acrescenta nada. Segundo ele, a evolução do conhecimento e da realidade faz-se por um processo dialéctico contínuo de choque entre tese e antítese, do qual surge uma síntese, que, por sua vez, será a tese da nova etapa do processo evolutivo.



Hegel percebeu aquilo que os actuais pseudo-democratas - apologistas do positivismo inócuo e ignaro - ainda hoje não percebem: que as pessoas se posicionam e fazem as suas escolhas políticas e outras por padrões e raciocínios lógicos muito antigos, de escolha entre contrários, muito bem retratados na tragédia grega.  

A Democracia, sendo um regime naturalmente fraco, encontra na sua essência, no choque entre contrários, a sua força motriz. Numa verdadeira Democracia é a oposição que afirma o poder. Mas para isso, poder e oposição devem submeter-se ao regular exame público - das suas ideias, dos seus actos, dos seus comportamentos e das suas atitudes.

O poder entregue, indefesamente, à positividade não possui qualquer marca de soberania nem força criadora. Actualmente vive-se no “modernismo psicológico” do politicamente correcto, que abafa a reflexão e a dialéctica política, onde é difícil distinguir o imbecil do inteligente.

Segundo Hegel, é a negatividade que garante a vitalidade da existência e a vivacidade do viver. E na verdade, é assim nas coisas da vida e da natureza.  Por exemplo, a corrente elétrica produz-se na diferença de potencial entre os pólos positivo e negativo. E curiosamente, o pólo de maior potencial é o (realmente) negativo. O contraditório – a negatividade - é em si criativo e essencial à vitalidade. Em política nunca deve ser sanado.

21 de dezembro de 2022

Reunião da “junta”, com nova cenografia

Anteontem, a “junta” reuniu outra vez. Mais uma vez. Mas dali não saiu nada de relevante, nem de irrelevante. Para o doutor Pimpão aquilo já é um fastio que convém despachar sem muita conversa. Ele gosta é da rua e dos eventos, não de perguntas e daquela conversa. Quem olha para aquilo percebe que só o doutor Pimpão sabe ao que anda, e sabe andar por onde anda. O doutor Simões sabe falar sobre gatos e cadelas abandonadas! O resto faz conversa…

Naquela reunião, de novidade só a mudança de cenografia… Alguém deve ter dito ao doutor Pimpão que aquela coisa, em redor da mesa não era boa coisa, não o favorecia, era coisa de “junta” ou de associação de estudantes. Mas a cenografia só ajuda quem sabe interpretar…


20 de dezembro de 2022

Obras-tortas

A degradação acentuada da Zona Industrial da Formiga requeria, há muito tempo, requalificação urgente. Depois de muitas hesitações e adiamentos, a empreitada foi adjudicada em agosto. Mas as obras não arrancaram! E não arrancarm porquê? Porque o projecto (esquema básico) apresentava erros significativos que forçaram o empreiteiro a requerer o adiamento das obras.

Poucos metros ao lado, as obras de asfaltagem da rua junto à linha férrea foram igualmente suspensas, e também por erros no projecto (cotas).


O Obras-tortas foi-se, mas as obras-tortas ficaram… Quando a politiquice - as festas e a diversão - se sobrepõe à política concreta (Obras, por exemplo) os erros e as omissões são recorrentes.    

Diversão e servilismo

Ramalho Ortigão escreveu, nas Farpas, que a Política, outrora nobre actividade, transformou-se numa actividade reles porque assenta no servilismo inato e ignaro; às vezes até desinteressado, mesmo sem esperar recompensa imediata, apostando no prémio de reserva, a crédito.

Subscrevo.


19 de dezembro de 2022

Numa casa pobrezinha, mas toda cheia de luz


Na última reunião da Assembleia Municipal, o eterno jovem social democrata João Antunes dos Santos decidiu perorar sobre Cultura. No meio do laudatório ao desempenho do companheiro Pimpão & seus amigos, em matéria de festas e eventos diversos, levantou-se o rapaz, cheio de pose, para arrasar a intervenção da bancada da oposição - que questionava o prejuízo com as festas do Bodo -  e queria saber onde e, já agora,  em que é que vão ser gastos os 250 mil euros nas festividades de Natal.

Como João Antunes dos Santos confunde cultura com recreio, baralhou-se todo. Naquele dia fez ali falta Manuel Barros - o último a pô-lo no devido lugar. De certeza que lhe explicaria, com prosódia, a diferença entre o que é uma autarquia com política cultural e com agenda de eventos.

Mas ao cabo de tanto saltitar pelo país à boleia da JSD e do partido, JAS tinha obrigação de saber que ver não é só olhar. Concordamos que

“a cultura não é aquilo que muitas vezes cada um de nós acha que é. A cultura é muito mais do que isso”, sim. É mais do que as comédias que enfiamos nos salões das associações, é mais do enfiar um barrete de pai natal e encetar um passeio dos tristes pelas ruas de comércio fechado e lojas abandonadas, é mais do que o baile de verão em noite de inverno.

A pérola que foi a intervenção de JAS na AM sobre a Cultura diz muito da sua cultura, mas diz sobretudo da forma como olha para a Cultura. E não, não é preciso invocar os livros que lemos, os concertos onde vamos ou as viagens que fazemos. Basta não confundir a beira da estrada com a estrada da beira.

Diz ele que trabalha no centro da cidade e tem visto a dinâmica que as iniciativas de natal [lhe] têm trazido. Que bom para ele, que se satisfaz com o movimento de “autocarros e carrinhas” de transporte escolar nos dias de semana, e pelos vistos mora noutra cidade que não a minha, ou então fala com comerciantes tão selecionados, que devem ser considerados no próximo estudo da Câmara. Muito estranho que os comerciantes com quem fala não lhe tenham apontado a desilusão pelo facto de terem passado os dois feriados de Dezembro sem a programação de natal em funcionamento, quando nas cidades à volta já bombava. Ou que lhe apontem o lamento de verem a cidade encolher cada vez mais para a avenida, transformando em ruas-fantasma as do centro histórico. Ah, quis ele fazer comparações! E logo com a capital de distrito, onde as instituições disputam os dias para participar na Aldeia de Natal, porque sabem que dali advirá uma receita importante. Mais ou menos como o que se passa no Cardal, com aquelas barraquinhas, não é JAS? É só passar por lá. A decoração, o espírito, a iniciativa (estou a lembrar-me do Centro Social e Paroquial dos Pousos, que há anos vende vinho quente, o que tem sido um sucesso...fica a ideia para Vila Cã, ou para os Bombeiros. De nada).

“Quantas cidades aqui à volta é que têm a dinâmica cultural que ao dia de hoje o concelho de Pombal tem?”, atirou, por fim, o nosso jovem conservador de direita. Estranhamente, ninguém se atirou para o chão a rir.

Na verdade, Pombal deixou há muito de ombrear com as cidades com que se comparava noutros tempos, como Marinha Grande, Alcobaça ou Caldas da Rainha. Se nos quisermos comparar com o interior - o que faz todo o sentido, em função dos indicadores de perda de população, por exemplo, e por isso talvez se perceba por que razão já nem sequer precisamos de semáforos, estamos outra vez em 1990 - estamos um degrau acima, sim. Devemo-lo às associações (como o TAP, que já conseguiu criar público no teatro), mas falta-nos política cultural. Que os espaços não sejam meras barrigas de aluguer. É comparações que queremos? Mesmo com os mais pequenos? Vamos ali a Ourém? Pois, tem um programador cultural.

Não precisamos todos de ser “arautos de alguma intelectualidade”, não.  Basta não nivelarmos tão por baixo. 

16 de dezembro de 2022

Histórias de vida, e da terra

Trabalhei vários anos com um Senhor muito especial - austero e acessível, antipático e cordial - com uma solidez de conceitos e princípios e um raciocínio lógico invulgares – um verdadeiro cartesiano (como ainda não conheci...). 

Era um Gestor* que estava sempre focado na eficiência e na modernização da organização, a quem era muito difícil, e ao mesmo tempo estimulante, vender uma ideia ou um projecto novo. Mas era frustrante enfrentá-lo unicamente com uma boa-intenção, sem uma rigorosa quantificação dos custos e do retorno esperado (ao longo de toda a vida do projecto, lembrava ele sistematicamente). 

Quando lhe diziam, “mas isto (projecto) tem muitas vantagens, e vai gerar muito retorno no futuro”, ele adoptava o estilo ainda mais austero, e perguntava: “Você(s) conhece(m) a história do vendedor de pentes da baixa de Lisboa?" - (história dos anos 60-70 do século passado). O campeão do projecto – e os outros - franzia logo a testa, e murmurava por dentro, “Mas o que é que isso tem a ver com o nosso projecto?”; e só depois respondia, “Não, Engenheiro!”

Perante tão estranha afirmação e resposta, ele recostava-se na cadeira, puxava mais um cigarro – fumava 4 maços de tabaco por dia! -, batia com ele meia dúzia de vezes na secretária, acendia-o, dava duas longas “passas”, pousava-o no grande cinzeiro, e começava a contar curta, seca e instrutiva história. E assim terminava, geralmente, a boa-intenção. Só não terminava para aqueles que insistiam, e replicavam “Mas, …”. Nesse momento, o Engenheiro comutava para o modo antipático, e respondia, de forma seca, “Ponha-se na rua” (do seu gabinete, claro).



Quando ouvia as desculpas do Renato, do Antunes e do Pimpão sobre o avultadíssimo prejuízo das Festas do Bodo, na assembleia municipal, lembrei-me da figura do Engenheiro, das suas histórias, e do quanto pagava para ver os Renatos, os Antunes dos Santos e os Pimpões desta vida perante ele, a tentarem explicar a "bela" realização que foi as Festas do Bodo. E podiam levar, também, a Gina - só para assistir.

PS: * A figura contribuiu muito para trazer uma empresa em pré-falência para o top europeu na sua àrea de negócio, com alta rentabilidade).

15 de dezembro de 2022

DAR PÉROLAS...

Numa assembleia onde a retórica opinativa oca, a falsa linguagem e o palavrório subjugam o argumento sério, o raciocínio lógico e a boa frase, vale a pena realçar a intervenção do outsider Luís Couto sobre o protocolo de delegação de competências, nos domínios da educação e ação social escolar, entre a câmara e as juntas de freguesia. Não porque seja uma bela peça de retórica política ou uma ideia brilhante, mas simplesmente porque destoa da mediocridade ali reinante - analisa um problema em profundidade – o subfinanciamento das actividades delegadas -, com base em números; desmonta a política do faz-de-conta e propõe uma solução para o subsequente empobrecimento e subsídio-dependência das juntas.

Esta intervenção deveria ser o padrão do trabalho fiscalizador que os membros da assembleia se comprometeram a fazer, mas que (quase) ninguém faz; uns porque não sabem, coitados; outros porque simplesmente não querem.
Perante este relevante problema, ninguém – presidentes de junta, membros do executivo e da assembleia - ligou ao assunto. Os presidentes de junta João Pimpão e Carla Longo ainda tiveram o topete de contestar as conclusões do Luís Couto! E aberração das aberrações, todos votaram favoravelmente o protocolo!

Já o sabíamos mas prova-se mais uma vez: cabeças de junta não servem para exigências de câmara. 



PS: há um rapaz discreto, André Tasqueiro, por quem não dava nada (na política) tem vindo a surpreender-me favoravelmente. Ontem fez uma boa intervenção sobre as ARU`s nas freguesias.
 

AM – da boa e da má moeda

Reuniu ontem, tarde e noite dentro, a Assembleia Municipal de Pombal – o caleidoscópio que apresenta imagens variadas, simétricas e progressivas do melhor e do pior desta malfadada terra.

Comecemos pelo melhor: o Professor, o presidente da dita assembleia, aquele que mais dignidade lhe empresta - pelo saber, pela sensatez, pelo trato, pelo rigor e pela reserva.



Depois temos uma assembleia já em debandada, que tem de tudo e a que falta tudo; tem muitos figurantes e poucos pensantes, mas fosse esse o pior mal – não é. Tem uma maioria esfrangalhada, e desorientada, já sem líder - porventura cansado daquele circo e da diversão que é a política local. Tem uma minoria cada vez menor, e mais minorada, já com extrema dificuldade em preencher os lugares e adoptar rumo. E tem um outsider com legitimidade comprometida.   

E depois temos ainda o João Pimpão: um joão-ninguém-que-julga-que-é-alguém (político), uma criatura caricatural que quando se levanta faz estremecer o soalho e quando fala faz barulho. Mas o problema maior nem é (ele) fazer barulho; é fazê-lo muitas vezes; é não haver quem o cale.

Os economistas afirmam que, se nada de sistémico for feito, a má moeda expulsa a boa moeda.  Esta terra caiu nas mãos dos pimpões. Que mais nos irá acontecer?!

14 de dezembro de 2022

Sobre rios e ribeiras (secas)

No passado dia 3 de dezembro, o município promoveu as I Jornadas do Rio Arunca. O evento pretendia “melhorar o conhecimento, a articulação e a acção dos diversos intervenientes”. 



Acreditando no relato de alguns participantes, a coisa parece ter tido êxito.  Os vereadores da “oposição” vieram de lá deslumbrados: “ficaram a saber” - vejam bem – “que o rio não é só água”.  E nós ficámos a saber que a doutora Odete e o doutor Simões aprendem coisas simples - o que, apesar de tudo, é um pequeno alívio.

Logo de seguida, na mesma reunião, as Contas do Bodo (?) foram apresentadas - um dito Resultado Financeiro; um dito cômputo geral de 351.963 euros! Perante isto, a dita “oposição”, que tinha andado quase seis meses a pedir as contas, não quis ou não soube dizer uma única palavra! Eu acredito mais na primeira hipótese – a mais preocupante.

O estado do Rio Arunca é preocupante, porque durante meio ano já não é rio. Mas o estado da política pombalense ainda é mais preocupante…

MEIO RISO - ORÇAMENTO MUNICIPAL

 


9 de dezembro de 2022

350.000 EUROS DE PREJUÍZO NAS FESTAS DO BODO

Finalmente o doutor Pimpão apresentou as contas das Festas do Bodo, na reunião da “junta” de 6 de dezembro. Tentou esconder, até ao limite do insuportável, a sua irresponsabilidade extrema: prejuízo acima de 350.000 euros - provavelmente superior, se todas as despesas,  directas e indirectas, forem contabilizadas.


Por muito menos, Narciso Mota teve que correr com o seu amigo Vila Verde e encerrar a empresa municipal Pombal Viva, organizadora das festas e outros eventos do género. Infelizmente, o doutor Pimpão e a doutora Gina - supostamente mordomo das festas - não terão o mesmo destino, mas mereciam-no. Numa empresa privada, ou mesmo numa comissão de festas de estudantes destinada a organizar convívios, seriam imediatamente postos no olho-da-rua. Por cá, neste pátio de comédia que é a política pombalense, continuarão a cometer todo o tipo de dislates e prejuízos avultadíssimos para o erário público.

Um prejuízo desta dimensão não se deve a ocorrências especiais, por exemplo eventos naturais que afastam as pessoas e penalizam a receita; deve-se unicamente à irresponsabilidade natural de quem gasta sem olhar a meios nem a critérios.

Percebeu-se pela discussão da coisa que, nem para um evento desta dimensão, com despesa muito acima de meio milhão de euros, existia um orçamento ou qualquer tipo de controlo. Já se sabia que o doutor Pimpão não sabe administrar uma junta, nem um evento da dimensão das Festas do Bodo, nem porventura uma simples quermesse de uma qualquer festarola de aldeia, quanto mais uma câmara como a de Pombal. Por isso, nos próximos anos não se lhe pode dar rédea larga. É indispensável obrigá-lo a apresentar um orçamento ao executivo, submetê-lo à aprovação e a designar um responsável pelo controlo do orçamento das festas. Só assim se poderá controlar os desvarios do doutor Pimpão e da sua trupe, num evento desta dimensão.

Talvez agora muitos percebam porque considero o doutor Pimpão, para além de incompetente, inepto (para o cargo que ocupa). A inépcia inclui a incompetência, mas vai muito para além dela; abrange a insensatez e a irresponsabilidade. Pior: a incompetência corrige-se; a inépcia não - é profundamente intrínseca. O doutor Pimpão não é um inepto indolente - o mais tolerável; é um inepto perigoso, porque é impulsivo, sofre da embriaguez da festa.

Já a doutora Gina não é responsável nem irresponsável. Nem perigosa.  É simplesmente nada (neste papel). E o nada não comporta inferioridade nem superioridade, nem sequer comparação. 

Somos claramente filhos da terra que não se governa nem se deixa governar. Siga a festa.

3 de dezembro de 2022

No adeus (definitivo) a Infante da Costa



António Infante da Costa morreu ontem, ao cabo de vários anos doente, e afastado da vida pública. Pombal e o ensino profissional devem-lhe a instalação (e direcção, durante 17 anos, fazendo fé no comunicado divulgado pela ETAP) da primeira Escola Tecnológica e Profisional do País. E por isso fez sentido instalar aqui também a sede nacional da ANESPO, a associação nacional de escolas profissionais. Houve um tempo assim, aqui na terra, em que ganhávamos importância paulatinamente. E o nome de Infante da Costa fica para sempre ligado a ele. Depois veio outro tempo. A par da doença, que já o debilitava - mas não o incapacitava - a fase final do dr. Infante na ETAP não é de boa memória, sobretudo pela forma como foi tratado pelo poder político. 


Embora fosse natural de Tábua, foi a Pombal que entregou a maior parte das suas quase oito décadas de vida. 

Descanse em paz, dr. Infante.