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5 de novembro de 2025

Distribuição de tarefas na 'Comissão de Melhoramentos'

Esta manhã reuniu pela primeira vez a Comissão de Melhoramentos - sucedânea da 'junta' - sem grandes novidades. A craveira de cada um dos titulares já deixava adivinhar que tanto fazia Pedro como Paulo à frente das obras ou das licenças, mas vale a pena partilharmos como os nossos leitores o essencial desta salganhada. Há, neste elenco, uma super-vereadora identificada, uma velha conhecida do Farpas; Ana Carolina Jesus assume então o pelouro das Obras Particulares e Fiscalização Municipal, do Urbanismo e Habitação, mas também a Gestão, Administração e Financiamento, Recursos Humanos e Gestão Organizacional, Freguesias, Associativismo e Cidadania, Proteção Civil e Segurança, e ainda uma competência antiga em que terá adquirido experiência nos últimos anos: Gestão de Cemitérios.

Isabel Marto, a única que transitou do executivo anterior, prepara-se para um mandato mais levezinho: Ambiente e Ecologia, Inovação e Empreendedorismo, Águas e Saneamento Básico,Transportes e Mobilidade,Smart Cities e Transição Digital, e ainda Património e Equipamentos Públicos.

A enfermeira Patrícia Rolo assume, claro, o pelouro da Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento Ativo. Calhou-lhe também o Turismo e Promoção Territorial; Desenvolvimento Rural, Agricultura e Florestas, Espaços Verdes e Jardins, Proteção e Bem-estar Animal. E por último, dois inusitados pelouros: a Cultura (um workshop no TAP vale sempre alguma coisa) e outro novo - Rede Social, Interculturalidade e Inclusão. Recuperando as intervenções que teve, ao tempo da assembleia de freguesia do Oeste, a propósito dos imigrantes que viriam trabalhar para a Lusiaves...a coisa promete.

Por último, Marco Ferreira. Sem surpresas, Pimpão entregou (finalmente e oficialmente) ao ex-companheiro da bola o Desporto e Juventude; Educação e Formação Profissional; Ensino Superior, Ciência e Conhecimento (por via das dúvidas, se vier o Politécnico, o desaire terá um rosto); Rede Viária e Conservação do Espaço Público; Mercados e Feiras; Comércio Tradicional; Defesa do Consumidor e Direitos dos Munícipes. Eu voto na contratação do Caló como adjunto. 

E Pimpão, tem pelouros? Tem. Planeamento Estratégico e Desenvolvimento Territorial; Economia, Atração de Investimento e Empreendedorismo; Obras Públicas; Assuntos Jurídicos, Transparência e Integridade; Felicidade e Desenvolvimento Sustentável (what else?), e por últimos, duas escolhas que lhe assentam que nem uma luva: Comunicação, Protocolo e Relações Externas. E Diáspora e Internacionalização. Que se é para voar, que seja daqui para fora. 

Nota de rodapé: Manuel Serra (CH) e Fernando Matos (PS)

*fotografia publicada pelo Pombal Jornal





20 de novembro de 2020

Comédia a la carte no PSD/Pombal

Uma pessoa anda pela rede num momento de descontração e entretenimento, e leva com o feed do Pedro Pimpão sem pagar bilhete.

Toda a gente sabe que está armada no PSD local a maior disputa pelo poder de que há memória. Que Diogo Mateus os enrolou a todos com a conversa de que não se recandidatava, mas deu o dito por não dito. E disse-o já ao próprio Pedro - que tem mais exército mas menos estratégia, e por isso não bastam sprints, é preciso endurance para a maratona. E também já não tem propriamente idade para se prestar a estes números.

O eleitorado mudou, Pedro. Já não come toda  a papa que lhe dão. E toda a gente sabe que o PSD está mais frágil e dividido que nunca. Só difere do PS porque tem mais gente, e o cheiro do poder é real, beneficiando da falta de comparência do adversário. Mas olha para este título e para as respostas às deixas com vontade de se atirar para o chão a rir.  

10 de novembro de 2020

A campanha


A minha pequena cidade tem aquela particularidade das vilas e aldeias: é pequenina. E mesmo quando ligada ao mundo, comporta-se amiúde como se vivesse fora dele. Às vezes isso dá-lhe encanto, torna-a pitoresca, outras vezes é angustiante, perturbador.

Aconteceu recentemente, a propósito da campanha de "ajuda" ao comércio tradicional, que a Câmara encomendou, espalhando pela cidade e pelas freguesias as caras de umas dúzias de "agentes" culturais, desportivos, etc.

Num post aqui publicado há dias, o Adelino Malho chamou-lhe 'campanha saloia', traduzindo em palavras aquilo que muitos de nós pensámos. Além de saloia, mal feita. Como se fosse importada dos anos 80, quando a fotografia era aquilo, quando a comunicação era feita assim. Evoluímos muito nessa matéria, nas últimas décadas. E pasme-se, temos gente no concelho que faz campanhas publicitárias para o mercado nacional e internacional.

Mas a nossa costela mais pequena, mais maneirinha, mais tão-lindos-que-eles-estão logo se esforçou por distorcer a discussão. Num instante, em vez da campanha - e da sua (in)utilidade - estávamos a discutir os meninos da natação, as meninas do basquete, "os jovens atletas da nossa terra" (dos clubes que foram felizes contemplados e seleccionados), nessa capacidade inata de confundir a beira da estrada com a estrada da beira.

Ou não.

Não é inocente esta escolha municipal. Assim como não é inocente a localização dos outdoors. Já lá ficam as estruturas para campanhas que hão-de vir, em menos de um ano. De inocente, aqui, só a candura de meninos e meninas cujo guarda-roupa tem sotaque turco, chinês ou do Bangladesh, e é feito por meninos e meninas como eles, vendido nas marcas do comércio internacional, no shoping da cidade mais perto de si.

Fico à espera de os encontrar a todos na loja da D. Lucília, na Lurdes, na Gina, na Teresa, na Anabela, ou noutra qualquer do comércio tradicional.

Eram essas protagonistas que eu queria ver na campanha. E já agora que fosse uma campanha a sério, como até as dos anos 90 já eram: pensada para a rua, mas também para as rádios e os para os jornais - e já agora, que estamos em 2020, para o online.

Mas isso sou eu que tenho a mania. 



25 de setembro de 2020

A (corajosa) despedida do Director de Recursos Humanos

Miguel Ribeirinho ficará na história do município de Pombal por várias razões, mas interessa particularmente sublinhar a forma como - nos últimos tempos -  foi capaz de fazer peito aos poderes que dominam no Largo do Cardal. Lá diz o povo que "quem mora no convento é que sabe o que lá vai dentro". Haveremos de saber, todos, um dia destes. 

Impedido de ir falar de viva voz à reunião pública, ao abrigo de uma lei qualquer, enviou uma intervenção gravada, que vale a pena ouvir. Isto é o que fazem as pessoas educadas.

19 de agosto de 2020

Terras (região) em rumo



Na falta de melhores propósitos para as suas terras, os presidentes de câmara de Leiria e Coimbra continuam entretidos com a briga pela localização de um suposto aeroporto na região centro.

Falta saber se querem iludir ou andam iludidos. Pareceria menos mal que só quisessem iludir; porque para ilusão, que se tornou tormenta, já deveria chegar os elefantes brancos que existem nas suas terras - os malfadados estádios municipais. 

Os presidentes de câmara de Leiria e Coimbra, e outros, já deveriam saber, por experiência própria, que há investimentos (empreendimentos) que vale mais não fazer...

13 de agosto de 2020

Democracia à moda do Louriçal

O João Pedro Domingues denunciou hoje no seu perfil de Facebook o que eu julgava ser impensável, pelo menos à descarada: o presidente da Junta do Louriçal, José Manuel Marques, um dos  barões do PSD local, terá ameaçado a Associação Pik-Nik de não a subsidiar com mais um tostão enquanto o dirigente João Pedro não deixar de fazer publicações nas redes sociais como as que são conhecidas.
O João Pedro - que nas últimas eleições foi candidato pelo Bloco de Esquerda à Junta de Freguesia do Louriçal - faz um importante trabalho de denúncia pública sobre o que é preciso melhorar na vila e na freguesia. E o senhor José Manuel não gosta, está bem de ver. Eu tenho dúvidas de que o senhor José Manuel goste de alguma coisa que não seja a paz podre, o saudosismo latente nas suas intervenções na Assembleia Municipal, o beija-mão. Para sorte minha  (e dele, sobretudo), já não nos cruzámos na vida pública do Louriçal. Quando eu lá morava, quando eu lá estudava e participava da vida da minha aldeia e da minha freguesia, ele recusava sempre os convites do PS para integrar as listas autárquicas à Junta de Freguesia. Justificava então que "tinha uma porta aberta". Era chato. Mas um dia percebeu que havia uma maneira de escancarar a porta, desde que fosse pelo PSD. E assim se tornou esse autarca modelo, paladino da liberdade de expressão - e de imprensa, não esquecer que acolhe, protege e tem lugar cativo naquela espécie de jornal que se faz no Louriçal. 
Talvez valha a pena lembrar que nem a Junta e as verbas são dele. Assim como é importante sublinhar o mesmo à Associação Pik-Nik. Se embarcou nessa chantagem é grave. Se não embarcou deve vir a público denunciá-lo. Estamos sentadinhos à espera. 

adenda: esperámos, e noite dentro a Associação veio emitir um comunicado, que diz tudo. Basta saber ler. https://www.facebook.com/lourical.futsal/photos/a.292929168188695/765995650882042


23 de julho de 2020

Autarca perde mandato

O presidente da câmara de Castelo Branco, Luís Correia, perdeu o mandato e tem que abandonar o cargo até dia 30 de Julho, depois do Tribunal Constitucional ter julgado improcedente o recurso apresentado na sequência da condenação decretada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco, em Maio de 2019, confirmada pelo Supremo Tribunal Administrativo, por ter adjudicado três contratos, entre 2014 e 2016, no valor de cerca de 180.000 €, com uma empresa detida pelo seu pai. A justiça foi célere e implacável. 

Se o for, também, com os casos recentemente iniciados far-se-á justiça a tempo. E bem precisamos dela. 

O poder local não é – nunca foi - a escola de virtudes que os seus apaniguados apregoam - a melhor conquista do 25 de Abril 74. É um poder pouco democrático (pouco plural, pouco fiscalizado e pouco transparente), de matriz autocrática, que favorece a perenização dos dirigentes locais, através de redes de interesses e relações clientelares que impõem um certo “patrocinato político” e gera desigualdades ilegítimas e comportamentos ilícitos. 

É, por natureza, o poder do abuso de funções, que exclui, reprime, recalca, censura, mascara, esconde, e da grande e da pequena corrupção, que favorece a aceitação de vantagens patrimoniais ou não patrimoniais, da comissão, da viatura de serviço, de ajudas de custo indevidas, do suplemento do ordenado e da pensão, de almoços e jantares,…, e que estimula todo o tipo de vícios morais, de perversões e de avidezes, pelo poder, pelo dinheiro, e pela luxúria.

8 de maio de 2020

Manual de instruções para usar a máscara



Depois de uma reunião que durou toda a manhã e o início da tarde de quarta-feira (com Pedro Pimpão, presidente da concelhia do PSD, Fernanda Guardado e Fernando Matias), Diogo Mateus não saiu mais da Câmara, até ao final do dia. Mas quis manipular a opinião pública (desacreditando a informação dada em primeira mão pelo Farpas): o gabinete da propaganda inundou as redes sociais com os fotografias do presidente e vereadores a distribuir máscaras e viseiras, supostamente naquele dia. A atitude já era condenável o bastante, pois que este aproveitamento político é muito pouco higiénico. A necessidade de apregoar o que se dá é sempre condenável. Mas foi pior porque teve a intenção de distrair o eleitorado de um dilema importante: o presidente sai ou não sai? Acaba o mandato ou não?
Haverá nesta altura um acordo de cavalheiros para serenar os ânimos, de parte a parte. Só que o silêncio da concelhia do partido é ensurdecedor, como se o PSD estivesse de quarentena (expressão bem usada pela vereadora do PS, Odete Alves, em declarações à rádio Cardal, embora sem grande moral para falar de silêncios e de partidos que não tomam posições).
Talvez Pedro Pimpão não tenha ainda percebido que já não é o jota a quem tudo se desculpa; e como até no partido já lhe lembraram algumas vezes, não pode continuar para sempre em cima do muro, a espreitar de longe a confusão. Muito menos para quem tem aspirações de suceder a Diogo Mateus, a qualquer preço. 
Porque até para usar uma máscara é preciso saber fazê-lo bem, e cumprir algumas regras. A responsabilidade política é uma delas. 

10 de outubro de 2019

ÚLTIMA HORA: Diogo Mateus retira pelouros a Pedro Brilhante



O Presidente da Câmara acaba de retirar todos os pelouros ao vereadores Pedro Brilhante:
Desporto, Tempos Livres e Lazer
Juventude e Empreendedorismo
Equipamentos Públicos
Agricultura e Florestas

(em actualização)

Diogo Mateus convocou todos os presidentes de Junta para uma reunião de emergência, ao final do dia de hoje. A decisão de retirar os pelouros foi comunicada  aos restantes vereadores numa outra reunião, ontem, ao final da tarde. Com esta decisão, cai por terra o regime de permanência em que o vereador se encontrava.
Nesta altura falta saber apenas qual foi a gota d'água que fez transbordar o copo de Diogo Mateus. Há muito que o presidente acumulava razões - como esta e como esta -  para dispensar o jovem Brilhante. Os mais próximos garante que chegou ao 5º lugar na lista à Câmara num acto de pura chantagem: ou ia em lugar elegível ou a JSD não fazia campanha, tão importante naquelas autárquicas em que Narciso Mota partiu o PSD.
E agora, como é?
Temos aqui um palpite: Diogo pode entregar os pelouros a...Narciso Mota.
E temos um segundo: Brilhante não vai renunciar ao lugar para o qual foi eleito.
Longa vida à política cá da terra. E ao Farpas, pois!

8 de maio de 2019

Murtinho por ir à fava...ou por chegar à oposição


Com a galopante ausência do presidente Diogo Mateus nos eventos do concelho, tem sobrado um inesperado protagonismo para o vereador Pedro Murtinho. Como é bom recordar, Diogo fê-lo vice-presidente ao princípio do mandato, pois que a número 2, Ana Cabral, não estava ainda "muito à vontade" - explicou. Aos nossos olhos (e aos dos munícipes mais ou menos atentos) há muito que essa limitação está ultrapassada. Mas D. Diogo, temente a Deus, preferiu fazer-se representar por alguém que bata mais convictamente com a mão no peito.
Mas o inusitado aconteceu no Festival da Fava, no último fim-de-semana, quando Murtinho traçou (aos microfones e câmara da Leiria Tv) o retrato do concelho que nem a oposição tem sido capaz de afirmar: pouca gente, precariedade laboral, um desfalecimento triste que precisa de festas como aquela, ao menos.
E pronto, afinal Deus escreve direito por linhas tortas: é o homem certo no lugar certo. Num tom dolente, só lhe faltou absolver os arautos do desenvolvimento.

5 de dezembro de 2018

Afinal, não custa nada cumprir com as obrigações



Desde ontem que os serviços municipais estão a reparar as pedras levantadas na rua Capitão Tavares Dias, que têm provocado inúmeras quedas aos transeuntes, como aqui denunciámos na semana passada.
Vêem como afinal é tão simples acabar com o desmazelo? Agora só falta o resto.

20 de novembro de 2018

A Jota é quem mais ordena?



Desde segunda-feira que o jota Nuno Carrasqueira já não é secretário dos vereadores Pedro Brilhante e Ana Cabral, passando a integrar o Gabinete de Apoio ao Presidente. E o que à partida pode parecer uma promoção, é outra coisa. O despacho foi assinado pelo presidente, Diogo Mateus, na sexta-feira passada, com efeitos logo na semana seguinte.
Carrasqueira, que fora lacaio do jota Brilhante no executivo, tinha o destino traçado desde que recuou no golpe palaciano que pretendia derrubar a líder da JSD local, Nicolle Lourenço, uma das "revoltosas" com a liderança de Pedro na JSD distrital. Ou melhor, desde que entrou e saiu - chegou a demitir-se mas voltou atrás. 
Ora acontece que entretanto findou-se aquela bolsa de emprego que era o projecto CLDS+Rosa dos Ventos, e era preciso arranjar lugar para a deputada municipal Cláudia Duarte. De maneira que é ela a feliz contemplada em secretariar o jota Brilhante e a vereadora Ana Cabral. 
É sempre interessante observar como Diogo Mateus joga este xadrez, antes de fazer xeque-mate.

2 de novembro de 2018

Michael e a pedagogia barata

Quem acompanha a vida política nas últimas duas décadas lembra-se bem de como Michael António ficou conhecido na Câmara como "o vereador da tarde". E apesar de dar sinais de algum amadurecimento, e de ser, por ora, o menos mau daquele conjunto na oposição, não deixa de ser um mimo este momento em que decidiu fazer pedagogia voltada para o jovem Brilhante. 
Mas bem mais surpreendente é o silêncio deste último, que ficou mudo perante as palavras do antigo companheiro de partido. O que diz bem da fragilidade em que se encontra no executivo - e na política. 

16 de outubro de 2018

O que acontece no PS

Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe. 
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição. 

13 de agosto de 2018

O biscoito e a festa do Louriçal


Está inaugurado com pompa e circunstância o monumento ao Biscoito, coisa singela que terá custado aos cofres do erário público escassos oito mil euros. É uma capicua curiosa. Numa terra que deu à luz vários e tão bons artistas plásticos, o rasgo autárquico não foi além de um biscoito em pedra (ou seja lá o que for) encomendado a um homem do norte.
No sábado, o séquito da Câmara, o garboso presidente da junta e meia dúzia de politiqueiros embandeiraram em arco com o biscoito de pedra. Na gaveta deste executivo está o projecto da Confraria do Biscoito (já que o PS lá foi passear, podia ter aproveitado para o lembrar), por se tratar de uma acção defendida pela anterior junta. E aqui para nós, com toda essa massa não fazíamos umas acções que defendessem melhor o biscoito e o levassem longe? Mas o povo anda contente com a obra, e já se sabe que o que não enche o olho não traz votos. Desconfiamos é que fique tão contente com o rumo que as festas levam: é olhar para o recinto fechado e para o exterior e perceber o desinteresse por parte das colectividades. Mas esse é um balanço que fica para depois, que ainda as festas vão a meio.

2 de maio de 2018

Ousadia e vaidade


Num estilo jactante e gabarola, muito ao gosto de Pedro Pimpão, a Junta de Freguesia de Pombal fez, no facebook (onde mais poderia ser?), o balanço dos seus primeiros seis meses de actividade. O "dinamismo ímpar" e a "ousadia" com que a Junta se adjectiva, só rivaliza com o "apoio fantástico" e o "enorme potencial" usados para qualificar os pombalenses. Nem Pedro Viera faria melhor nas suas "inspirações para uma vida mágica".

A continuar neste ritmo frenético, a Junta de Freguesia corre o risco de acabar (se é que ainda não acabou) com todo o potencial criativo independente em Pombal. Entre tertúlias, palestras, ciclos de teatro, bailes de carnaval, festivais musicais, nada escapa ao dinamismo de Pimpão y sus muchachos. Ao ler a lista incompleta(?) de iniciativas, fico com uma sentimento dúbio: por um lado, não posso deixar de enaltecer a energia da equipa; por outro, tenho que criticar a forma como o supérfluo tem ofuscado o essencial, relegado para o final da lista, num discreto "etc, etc".

Como o tempo é de festa e de exaltação, deixo o meu contributo para as festas populares que se avizinham, talvez para acompanhar com um fadinho conhecido:

Pedro Pimpão e a sua equipa tão airosa
Quis um dia dar nas vistas
E saíu com o Roma e o Pedrosa
P'ra fazer suas conquistas

Manhas antigas, vaidade louca
Anda o Pedrito a bailar de boca em boca
Triste bizarra, em comunhão
Anda em Pombal cabisbaixa a oposição

12 de fevereiro de 2018

De besta a bestial...ou de bestial a besta



1. Um dos momentos mais marcantes da última Assembleia Municipal aconteceu quando o ex-presidente da Junta da Guia, Manuel António Santos, usou da palavra a primeira vez, no dia em que encarnou o papel de líder da bancada do PSD, à falta de João Coucelo. Estava eu a assistir em directo àquele episódio e imaginei que iria assistir a uma intervenção de fundo sobre a Educação no concelho. Afinal, Manuel António tem responsabilidades na direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal, e um historial vasto nessa matéria. Mas não. Foi ali fazer a bajulação de Diogo Mateus e dos 100 dias da sua governação.  
É preciso recuar a 2014 para compreender o percurso de Manuel António, um trajecto em que passou de besta a bestial. Nesse que foi o ano de todos os reveses para o antigo autarca, viu-se obrigado a ir à AM explicar as contas da autarquia que acabara de deixar, por limitação de mandatos. Ao mesmo tempo, Diogo Mateus humilhava-o e ridicularizava-o naquele processo de constituição do conselho geral transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal. Percebo hoje, com clareza, o que na altura não consegui ver: por vezes vale tudo para segurar um cargo. Assim se percebe que Manuel António tenha aguentado todas as investidas de Diogo Mateus (as queixas formais à Inspecção Geral da Educação foram só a face formal), e que tenha decidido começar fazer a vénia naquele momento em que aceitou integrar a comissão política concelhia do PSD, há dois anos. Isto depois de ter sido um dos que incentivou Narciso Mota ao regresso, atirando a pedra e escondendo a mão. Correu-lhe tudo bem, até agora, e foi já premiado com o lugar na fila da frente, na AM. 

2. Manuel António não falou sobre o ranking das escolas. Quem falou disso foi António Pires, que nesse 2014 era vereador da Educação, número 2 de Diogo Mateus, e que com ele fazia coro nas investidas contra Manuel António. Mas Pires fez o percurso ao contrário, passando de bestial a besta, como é bom de ver na forma como o presidente da Câmara o (des)trata. 
Sobre o ranking e sobre as figuras que o concelho faz nessa listagem, basta assistir a este vídeo. 
Quanto ao resto, a moral da história diz-nos que há sempre mais marés que marinheiros. 

3 de dezembro de 2017

A presidente c'est moi



A primeira reunião da Assembleia Municipal tinha tudo para ser cordial e simultâneamente inócua, atendendo à ordem de trabalhos, dominada pela eleição dos diversos membros para representar a AM (e a todos nós) em vários organismos. Já se sabe que, na sua maioria, aquilo servirá de muito pouco, mas já que é assim há tanto tempo (não é dr João Coucelo?) seria uma chatice mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma.
Ora acontece que esta nova AM começa mal, partindo da (des)orientação dos trabalhos e da postura da nova presidente, Fernanda Guardado: bem sabemos que a tentação de imitar D. Diogo é grande, mas...como em tudo na vida, é preciso ter corpo para a mania. 
Foi arrogante ao mostrar uma enorme inflexibilidade na atribuição do uso da palavra aos membros da assembleia, nomeadamente  nas interpelações à mesa, colando-se aos tiques autoritários do presidente da Câmara. 
Fica-nos a dúvida: se o desempenho a que assistimos foi porque quis, ou porque não sabe mais.
É verdade que acordou tarde para a vida política, ainda assim já anda nas lides autárquicas há anos suficientes para perceber como se faz, como se honra o legado de Menezes Falcão, António Rocha Quaresma, Luís Garcia ou José Grilo Gonçalves, num passado recente. Fernanda Guardado foi parcial, porque tratou com toda a parcimónia a bancada do seu partido, e usou de toda a prodigalidade para com as bancadas da oposição.
O mais grave foi quando propôs – e foi aceite – a dispensa da votação de uma lista conjunta com o argumento de que, se era conjunta, seria aprovada por unanimidade. A votação de pessoas é sempre nominal e por voto em urna. Os partidos podem acordar uma lista conjunta, mas o voto é sempre nominal e secreto. E o resultado da votação só é considerado válido após a contagem dos votos em urna.
Em suma: mostrou que não sabe conduzir a assembleia. Tendo em conta que esta reunião (extraordinária) se limitava a cumprir formalidades habituais, o que será no futuro, quando a actividade política for a sério? 
Há ainda a manifesta insensatez na forma como tratou o caso JGF e inerentes ocupações desse lugar, mas esse é um caso que merece um post, de tão rico que é. 

1 de março de 2017

Palavra de presidente

Um dos momentos que entram para os anais da vida política pombalense viveu-se na sexta-feira passada, na Assembleia Municipal, quando o presidente da Câmara respondeu a uma interpelação da líder da bancada do PS. Como é que dizia Sá Carneiro? "A política sem risco é uma chatice, e sem ética é uma vergonha".