6 de julho de 2026

O que mudou em Pombal (e ainda não percebemos)


 Conheci na semana passada o Mateus (Hawi), num interessante debate provocado por uma residência artística na Casa Varela - que juntou gente diversa à volta da memória colectiva de Pombal. As outras pessoas eram todas minhas conhecidas ou amigas, traziam todas as suas memórias sobre a terra, e o Mateus absorvia tudo o que dizíamos: chegou a Pombal há cinco anos, veio de São Paulo (juntar-se à família, que já cá estava) e olha para a cidade por um prisma que nos passa ao lado - aqui vê o horizonte, a partir de qualquer ângulo. É produtor musical, tem cá um estúdio, toca vários instrumentos, é autor e compositor, talvez apenas conhecido pelas gerações mais novas, por causa das batalhas (de rimas) do Marquês - que acontecem e mobilizam gente.

O Mateus, 34 anos, já sabia a lenda do Bodo mas nunca tinha ouvido falar do baile dos cedros ou do baile da pérgula, do Agro-Bodo, da meia-maratona, ou da maioria dos postais que cada um guarda na sua memória. Depois daquele fim de tarde  promovido pelo Tristany Mundu - o artista que investiga o que é, afinal, um indígena (aquele que pertence à terra onde habita), ficou de combinar com o Alfredo uma incursão na Filarmónica ou no Rancho Típico de Pombal.

É apenas um dos mais de cinco mil cidadãos estrangeiros que aqui moram. Muitos deles têm colorido o jardim do Cardal nos últimos dias, abalando a pasmaceira habitual. No jogo em que o Brasil foi eliminado pela Noruega, domingo à noite, era um mar de gente.

Bem sei que aqui na terra vamos rapidamente do 8 ao 80 (ou do 80 ao 8, se falarmos na organização do Bodo deste ano), e por isso o cheiro a cachupa, futebol e funk não incomodam só um ou outro herdeiro dos pergaminhos de Pombal. Se o som é alto e prolongado, entra-nos a todos pelos tímpanos adentro, qual timbre do Pimpão na Assembleia Municipal. Mas o Mundial de Futebol vai acabar e voltaremos ao mesmo: dois ou três que dormem sestas nos bancos, um ou outro que fazem scroll, de cabeça baixa, enquanto caminham da estação para o Cardal ou vice-versa. Por isso, deixemos que este povo se divirta, por dias, na terra que também é sua.

O Pombal de Maria Fogaça, António Serrano, Maria Justina Varela Pinto,Guilherme Santos ou Maria Mafra já não existe. Há muito do que fomos que apenas subsiste na memória, e sim, deve permanecer na história, e ser evocado, passado às gerações mais novas. Já não existe O Eco, nem o Correio de Pombal, nem o Voz do Arunca, nem o Pombal Oeste, das rádios resta uma sombra do que foram, da vitalidade que entre os anos 80 e 90 fazia rodar gerações inteiras com programas temáticos e interacção com o público. Era no tempo em que sonhávamos muito e voávamos alto sem precisar de slogans para o fazer.

O que precisamos de fazer agora é uma cidade para os que vivem aqui e agora, se queremos que venham outros. Podíamos começar por acabar com essa mania de empedrar jardins, e cujo resultado esteve à vista, ainda estes dias. Mas essa é outra conversa, para termos a propósito de uma obra que aí vem. 

5 de julho de 2026

A mediocridade gera mediocridade, e o processo está refinado

Que temos a classe política mais inepta das últimas décadas não restam grandes dúvidas a quem é minimamente isento e não é cego; até porque a decadência está patente, seja nas grandes opções políticas e respectivos resultados ou nas mais elementares e repetitivas tarefas governativas, como reparar uma estrada ou um simples buraco ou assegurar a correcção atempada de uns exames desenhados para correcção quase automática.

A requalificação do IC2, entre Meirinhas e Pombal, e o buraco no IC8, no Outeiro Galegas, são dois exemplos paradigmáticos da incompetência, do desleixo e da extrema irresponsabilidade reinante em toda a pirâmide administrativa do regime. Um buraco de cinco metros está há cinco meses para ser tapado numa via estruturante da circulação rodoviária no país. Neste período os chineses já tinham construído de raiz uma autoestrada com 1000 km e estavam a projectar/implementar meia dúzia de novas cidades.



Este declínio/decadência assenta em dois pilares inamovíveis: um regime que se orgulhava de ser «o pior dos regimes, à excepção de todos os outros», mas agora se alicerça na mediocridade que reproduz; uma sociedade que se tornou amorfa e acrítica. 

Confrontado com este quadro sombrio, o caro leitor perguntará: então, não há (melhor) futuro?! Respondo como o outro: há; mas não é nas nossas vidas. 

2 de julho de 2026

O doutor Coelho arriou

Hoje, o PAOD (período de antes da ordem do dia) da reunião da “junta” foi rico em assuntos pobres (o ar-condicionado do Salão Nobre, as condições para as intervenções do público e a informação sobre a substituição do coordenador da Protecção Civil); porém suficientes para o doutor Coelho arriar - abandonou a reunião, número em que é useiro e vezeiro. Será este o último? Veremos…



Na verdade, o doutor Pimpão tem-se apresentado mais manhoso do que parecia…E os vereadores não-eleitos, que tanto gostavam de colaborar (!), têm sido subtilmente desconsiderados e mansamente ludibriados. Primeiro, reduzindo as reuniões a um mero proforma (como aqui tenho repetidamente assinalado); depois, controlando a informação com alguma esperteza. 

O doutor Coelho caiu na ratoeira… Sem estratégia e sem condições políticas cansou-se de tanto arranhar sem fazer ferida. O jogo político é mata-mata, e no mata-mata perde sempre o mais fraco ou o que não tem estratégia capaz de vencer o mais forte.

É a vida.  

1 de julho de 2026

O verão é uma festa - e a Protecção Civil também!


Estamos na era da pós-verdade, da linha esbatida entre o que é informação e entretenimento, entre a comunicação e a propaganda. Já sabíamos disso tudo, e também já sabíamos que o poder autárquico faz o que quer - e sobra-lhe tempo. O que talvez ainda muitos não tenham percebido é como são marionetas para o mesmo poder. 

Depois da tempestade Kristin - em que a Protecção Civil civil municipal falhou em toda a linha, e percebemos que os planos municipais não servem para mais nada que ocupar meia dúzia de trabalhadores nossos a compilar dados e elencar medidas - ficou sempre a ideia de que o coordenador Hugo Gonçalves estava a prazo. Soubemos agora, sem a seriedade que o tema e órgão impõem, que vai embora (da Câmara, para já, mantendo-se como comandante dos bombeiros), sem que o presidente da Câmara tenha tido a decência de o dizer, nos sítios próprios - e mesmo de o confirmar aos jornalistas que o tentaram contactar. Ora, como toda a gente sabe, à era da pós-verdade junta-se a era do cordão umbilical entre o poder e a imprensa da terra. Terá sido certamente para poupar recursos que Pedro Pimpão contratou a directora e proprietária do Pombal Jornal (entretanto substituída, no papel, pelo decano social-democrata Rodrigues Marques), para funções ainda não totalmente claras. E como é que se poupa? No jornal. Que usa a(s) foto(s) publicada pelo presidente nas suas redes, com o despudor de quem sabe que isto é tudo nosso. 

Boa sorte, comandante Hugo.

Boa sorte, coordenador David. 

Máquinas. Campeões. Não se preocupem que isto é meia bola e força. Vejam só o caso da vereadora Carolina, que tutela precisamente a Protecção Civil, e que num passo de mágica passou da caixa de comentários do Farpas para a rádio, depois para o jornal, e agora exercita conselhos, de colete vestido, com toda a pompa. Simples!

26 de junho de 2026

Prospecção em Albergaria: a ponta da ponta do Iceberg


É inegável que todos, sem excepção, necessitamos de recursos para viver e
sobreviver. Nisso julgo que todos concordamos. No entanto - e temos disso evidências -  ao longo da história da humanidade existiram vários modelos para os obter.

Existem exemplos de tribos amazónicas que vivem em comunhão com o seu meio, mantendo um equilíbrio que lhes permite prosperar mesmo na adversidade. Regra geral, não usam mais do que necessitam.

No entanto, também existiram povos que desapareceram, ao que tudo indica, devido à

quebra do tal equilíbrio - disso a Ilha da Páscoa é um bom exemplo.

Por inverosímil que possa parecer, neste momento Pombal está mais próximo da Ilha de Páscoa do que imagina. Senão vejamos: a Freguesia de Albergaria do Doze ocupa cerca de 2305ha, dos cerca de 62600ha do Município de Pombal. Os pedidos de pesquisa e concessões para esta freguesia perfazem 477.78ha, o que representa cerca de 20.73% da sua área, ocupada com uma indústria extremamente destrutiva.

Se vos parece mal, ainda vai piorar.

 Neste momento está em consulta pública (entre outras) o plano de lavra da concessão C179-Eguins, e pasmem-se! A área da concessão intercepta o Rio Arunca!

Mas ainda consegue piorar. Cinco linhas de água que alimentam a nascente do Rio, chamadas de sub bacias, vão ser destruídas.

Está a doer? Ainda vai doer mais. Juntemos a isto os efeitos que a Kristin teve no povoado florestal desta freguesia, com 260,2ha destruídos, num total de 1507ha (fonte: Município de Pombal). A concessão de C-179 Eguins vai destruir 48.89ha, e a concessão C-175 Cartaria vai destruir 77.32ha.

Tudo somado, temos 361.03ha, o que significa que a freguesia de Albergaria dos Doze vai perder 23.96% da sua floresta.

E sendo assim, existe a probabilidade de o Rio Arunca deixar de existir em Albergaria dos Doze, e esta ainda ficar sem aproximadamente 1/4 da sua floresta.

Mas nada temam. O Sr. Presidente da Freguesia, em entrevista ao Jornal de Leiria, pede que “se continue a transformar este mal necessário em bem necessário”, falando numa ação de greenwash feita por uma das empresas de exploração.

Pessoalmente, vou esperar para ler as participações das associações (ditas do Ambiente) de Pombal e espero que tenham mais conteúdo que as últimas, assim como a manifestação contra a E-Redes , com direito a apoio dos presidentes de junta, aquando da tempestade.

Só para lembrar os mais distraídos: árvores = ar;  rio = água.

Gustavo Medeiros

(Farpas Convidadas)

24 de junho de 2026

Alternativa em Pombal? Só por geração espontânea…

Uma alternativa ao poder reinante em Pombal tornou-se um sebastianismo risível, já só comungado por meia dúzia de crentes “socialistas”. Nos últimos tempos, esse sebastianismo foi personalizado pelo doutor Coelho.



Quem acompanha as peripécias da política local com alguma atenção e regularidade percebeu, há muito, que o doutor Coelho e o doutor Pimpão são dois bons-cristãos, dois rapazes da mesma idade, da mesma massa e com o mesmo discurso redondo, onde a única diferença está nas nuances da retórica, mais concretamente no tom desta: o doutor Coelho mais meloso, o doutor Pimpão mais voz de trovão.  

A última reunião da “junta” confirmou na plenitude o que acabo de afirmar. Num aguerrido despique sobre esperanças e sobre o mais esperançoso, o doutor Coelho afirmou: “A única coisa que eu quase tenho em relação à sua gestão, senhor presidente da câmara, e digo-lhe isto, e já lhe disse isto variadíssimas vezes sobre várias formas, hoje vou tentar desta forma, para ver se é mais claro: não há tanto assim que nos divida, a não ser o facto de o senhor presidente da câmara adiar tudo o que promete, porque de facto o senhor presidente tem tido um conjunto de promessas, feitas desde 2021, que ninguém pode contestar, ninguém pode contestar, não são contestáveis”.

Um manhoso tropeça (quase) sempre na sua rasteira. Com este inenarrável discurso, o doutor Coelho quis deixar subjacente que o que o distinguiria do doutor Pimpão seria a sua capacidade de realização (política). Escolheu mal a sua melhor faceta – que também a terá; até porque ainda estão em ferida os destroços da sua devastação dentro do frágil PS local.

21 de junho de 2026

A “junta” reuniu

A “junta” reuniu, quinta-feira. Duas horas e meia de despiques retóricos intervalados com o cumprimento das formalidades correntes. Um fado triste entre quem “gostaria de saber” e quem não sabe.



As Obras Municipais são uma das atribuições nucleares da câmara. Do último executivo para este desceu-se mais um degrau, fez-se mais um fundo, porque se perdeu o único vereador que sabia do que lhe era pedido. Agora temos o departamento das Obras Municipais em autogestão…

O “executivo” levou à reunião a recepção definitiva da obra dos Passeios da Mata Mourisca, obra realizada em 2016, com recepção provisória em 2018. Questionados sobre o porquê da recepção definitiva passados SETE anos, e não cinco, como manda a regulamentação, a tarefeira que está com o pelouro calou-se, e o presidente, como não sabe nada daquelas matérias importantes nem pode saber, disse que ia perguntar aos técnicos. Noutro caso deu resposta vaga. 

A “junta” é um ajuntamento à deriva, sem rumo e sem foco (no essencial). Convém salientar que não estamos perante questões surpresa, onde nalgumas situações se compreende que o responsável político não esteja por dentro do processo; mas na presença de casos anormais, submetidos pelos “executivo” à discussão e aprovação.

12 de junho de 2026

A lenta morte do mercado dos agricultores

O mercado dos agricultores morreu. Ainda restam por ali duas ou três bancas, dispersas e estáticas, que mais parecem estatuetas de um qualquer museu etnográfico. Mas o destino está traçado: lenta agonia no total abandono, sem um apoio, sem um conforto, sem uma palavra. 



Quem, nas últimas três décadas, ali se abasteceu regularmente de produtos frescos, saídos da terra, com os aromas e os sabores que ficaram gravados durante a infância na aldeia, sente uma dor de alma ao ver aquele definhamento irreversível, aquelas caras tristes e conformadas. 

Morre ali uma boa parte da nossa memória colectiva, porque desaparecem do espaço público os fiéis representantes da nossa arte de sobrevivência – o cultivo da terra. Nada que incomode uma classe política dominante, e ignara, que enche a boca todos os dias com sustentabilidade, empreendedorismo, start-ups, smat-cities, e outras tretas que não enchem bocas; e despreza o que é importante preservar, e o que dá sentido à vida.

Como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita… Nas coisas frágeis não se podem cometer erros. A construção daquele espaço comercial foi muito criticada na altura. A oposição prognosticou o desenlace daquilo. Ei-lo confirmado.

11 de junho de 2026

Até o tarefeiro já distribui o nosso dinheiro!

O doutor Pimpão concedeu, em maio de 2025, uma avença de 19.900 €, por 240 dias, ao doutor Dino (rapaz que passou aqui pelo Farpas como se não tivesse passado – não produziu nada…), para este criar um Centro de Inovação. Se o rapaz precisa muito, fez bem…

Inovação é a caixa que fica bem nos organigramas das PME, onde se arruma alguém de quem não se espera nada.  

Na semana passada, fomos surpreendidos com o tarefeiro Dino, agora já com as vestes de Coordenador de Inovação, a anunciar publicamente 500.000 € de apoios (esmolas) a microempresas e trabalhadores independentes. 



Alguns dos nossos leitores criticam-nos por, dizem eles, exagerarmos nas críticas. E às vezes, ficamos na dúvida… Na verdade, melhor seria – para o concelho – se estivéssemos errados; mas infelizmente a realidade continua a surpreender-nos…  Por exemplo, criticaram-me por classificar o executivo que está na câmara de “junta”, mas aquilo já desceu abaixo do nível de “junta”, já é uma coisa tipo casa-da-sogra, onde não há sentido institucional mínimo, hierarquias, regras, maneiras, respeito pela instituição, pelos dirigentes e trabalhadores. Pergunto: contrataram um Director Municipal, dito muito experiente, para quê? Eu sei: de onde não há não se pode tirar. Terá muita experiência, mas é má experiência. Só assim se percebe que um tarefeiro seja coordenador/chefe de um serviço/actividade; e pior, que tenha a ousadia de anunciar a distribuição do nosso dinheiro! 

O roto fica sempre menos mal ao lado do mal remendado. Em sentido institucional e cultura organizacional o presidente e director municipal ficam bem um ao lado do outro.

9 de junho de 2026

Não és cabeça de cartaz no Bodo? O problema és tu.



O Município de Pombal anunciou sem pomba mas com circunstância a versão pobrezinha mas honrada do Bodo 2026: uma espécie de arraial na cidade, feito com a prata da casa, onde vão caber todos os amigos - o Graciano, os irmãos Silva, a Filarmónica, os dj's e o resto. 

Numa acção promocional de antologia, deu palco aos trabalhadores da Câmara e a muitos apoiantes do regime, desde o médico à polícia. Todos juntos, como Pimpão gosta, que isto de não estarmos todos unidos e amiguinhos, isto de discordar, pensar sobre as coisas e interpretá-las, já se sabe que não é bem visto. É pouco #adn236.

 Se por acaso és desses, fica sabendo que o problema és tu. Tu que não te esforçaste o suficiente para entrar no círculo, tu que não entendes que o governo não pode dar tudo a todos, tu que se não arranjaste o telhado, a chaminé, não conseguiste reabrir o negócio ou limpar os terrenos atulhados de árvores caídas. Tu que deves reverência e vassalagem aos 'heróis de capa azul e amarela', que nos dias de tempestade "comeram bifanas frias" (Pimpão dixit). Tu que ousas querer saber quanto custam as festas, nos últimos anos, sem que nunca ninguém te responda - lá está, há privilégios que são exclusivos dos cabeças de cartaz. E por isso estranhas quando te dizem que esta "edição especial com a prata da casa" é para conter custos, para aplicar o dinheiro na reconstrução do que falta. E falta muito. Mas o dinheiro municipal, imaginamos que sobre. Ou então não há justificação para a desistência do empréstimo que estava na calha. A pergunta é simples e exige resposta clara: quanto custa este Bodo? Quanto custou, afinal, nos anos anteriores?

Já para este dislate há uma justificação: a Câmara da era Pimpão vê o mundo à dimensão do Cardal. E ali, já se sabe, passa-se pouco mais que a missa e a venda de bolos dos escuteiros. Para quem queria voar mais alto, é poucochinho. Mas lá vamos, cantando e rindo,  tratando os munícipes com aquele paternalismo bacoco que começa nos "nossos artistas" e termina nos nossos eleitos, que só lá chegam por causa dos nossos eleitores. 

6 de junho de 2026

Distrações da rapaziada

Actualmente, a política tornou-se numa das actividades mais reles que um humano pensante pode exercer, mas há protagonistas empenhados em rebaixá-la ainda mais.



O concelho precisa de realizar muita coisa essencial. Mas para isso é necessário e urgente destralhar muito circo. Enquanto não se apresentar, e for eleito, um candidato que se comprometa a acabar com estas farsas do Parlamento do Idoso, do Parlamento Jovem, do Parlamento das Crianças e outras frivolidades conexas, esta terra nunca sairá da cepa torta e aprofundará o seu declínio (relativo). 

26 de maio de 2026

Finalmente, o número do doutor Coelho que parece ter orgulhado o que resta de PS local

Na última reunião da “junta” (sexta-feira), o doutor Coelho – vereador não-eleito -propôs fazer o que tinha de ser feito: reerguer o Centro de Exposições, varrido pela tempestade. Há pessoas que não se importam de passar pelo ridículo, desde que isso lhes proporcione um irrisório protagonismo. 



Tudo ficaria pelo irrisório, pela espuma dos dias, e nem teria qualquer referência aqui, se a ideia fosse recuperar o que lá existia. Mas não, tanto o doutor Coelho como o doutor Pimpão, por razões distintas, querem uma coisa em grande – megalómana para a dimensão da terra. O doutor Pimpão quer deixar a sua obra de regime; como já deu 2 ou 3 tiros na água, acolheu de bom agrado a "proposta" do doutor Coelho, e tomou-a como sua – sê-lo-ia sempre. Há cabeças chochas (politicamente) que julgam que retiram dividendos de obras realizadas por outros!  Não parece ser o caso do doutor Coelho – ele só quer cumprir o desígnio de filho de boas-famílias: ficar associado a uma realização emblemática na terra amada. 

Para dar corpo à megalomania, o doutor Coelho avançou com o palpite de gastar lá 15 milhões de euros; que o doutor Pimpão logo secundou, por ser um número que também lhe andava na cabeça. A nossa desgraça colectiva está no que vai naquelas cabeças. Cabeças que não aprendem; cabeças que não têm memória.

Por isso convém recordar, aos mais distraídos e aos mais novos, que o Centro de Exposições, o agora varrido pela tempestade, é o sucedâneo de um elefante-branco, construído pelo presidente Guilherme Santos (PS), destinado a ilusório parque TIR, que nunca existiu nem poderia existir, pelo que ficou ao abandono por uma década, Foi depois reclassificado por Narciso Mota e reutilizado por Gentil Guedes (alguém que já tinha noção que actividade autárquica não poderia ser só estradas e benfeitorias urbanas). Mas aquele antigo elefante-branco não foi caso único. Tivemos a Quinta de Sant`Ana, a Casa da Guarda-Norte, a Casa Varela, e o famigerado CIMU-SICÓ, que nos prometeram que custaria 2 milhões de euros, foi adjudicado por 2,2 milhões, mas já nos custou mais de 6 milhões, sem lhe vermos a face ou utilidade – isto só para falar dos nossos casos mais chocantes. Se agora nos prometem, à-cabeça, que a festa fica por 15 milhões, imagine caro leitor e contribuinte quanto nos vai custar. 

Mas poderíamos falar dos muitos casos chocantes espalhados pelo país, que são uma das causas do nosso atraso.  Da obra do regime que foi o Estádio de Leiria, que asfixiou financeiramente a câmara durante mais de duas décadas e comprometeu a realização de obras essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população. 

Estas alminhas não vivem na real ou querem fazer de nós parvos. Querem endividar e asfixiar a câmara para criar aqui, na província, uma coisa faraónica, uma réplica do Meo-Arena (Ex-Pavilhão do Conhecimento) que nem Lisboa, capital da maior área metropolitana e uma cidade do Mundo, conseguiu rentabilizar.

O doutor Coelho sabe, ou deveria saber, que investimentos sobredimensionados acarretam prejuízos. O problema de Pombal nunca foi a falta de capital para fazer face às carências do concelho; foi despesa de capital inadequada/ineficiente.

25 de maio de 2026

Renascer e Avançar. Mas por onde?



Esta semana passam quatro meses da tempestade Kristin e em Pombal há locais onde parece que foi ontem. Não vamos (por ora) aqui falar do Expocentro ou dos passadiços, tão pouco das candidaturas penduradas na CCDR, ou daquelas que nem sequer chegaram a seguir. Vamos tão só falar do espaço público, como os passeios por onde circulam (ou deviam circular) crianças, idosos, pessoas com mobilidade reduzida.

A tempestade foi há quatro meses e estamos assim. Planos e planos depois, postas municipais de facebook, jargões diversos e conceitos pespegados nos mesmos planos, sob o título maior de "Renascer e Avançar". Mas para onde, senhores, e por onde? Se nem sequer nos passeios conseguimos andar?

Estes passeios circundam dois dos locais por onde passa mais gente em Pombal, todos os dias: a Escola Básica nº 1 e a Escola Secundária. Alerta CM (Câmara Municipal): onde param os heróis de capa azul e amarela? Chama-os lá, Pedro.

21 de maio de 2026

Um partido não é um grupo de escuteiros

Consagrados politólogos consideram que os partidos são as entidades mais antidemocráticas (do regime democrático), sobretudo pelos vícios associados à captura e preservação do poder interno. Mas nos últimos tempos, a situação tem-se agravado, mesmo em partidos que se arrogam referências dos Valores de Abril.



Os iluministas consideravam que o maior progresso feito pelo homem foi aprender a raciocinar correctamente. Sendo que pensar é, desde a Grécia antiga e sobretudo depois com Descartes, divergir, questionar, contestar. Actividades essenciais à profícua acção política, que os partidos, outrora centros de debate, deixaram de fazer, perdendo a sua essência (a alma). Actualmete são pequenos grupos, mais ou menos esfrangalhados, compostos por células familiares, onde grassa o unanimismo balofo, o fanatismo, o ódio à diferença e à verdade, a cultura de rebanho, o instinto de sobrevivência e o carreirismo. Tudo coisas abomináveis.

Um partido não é - nem devia ser – um grupo de escuteiros. Mas foi nisso que se transformou a concelhia do PS de Pombal – um grupo de escuteiros guiado, às cegas, por um trio ávido de conforto emocional que exaspera à mínima dissonância. No último plenário militantes tudo decorria como manda a praxe do escutismo: todos aqueles fulanos e fulanas concordavam, explicavam-se e elogiavam-se uns com os outros, reconhecendo com contentamento que são da mesma opinião. Mas bastou que um militante base fosse desafiado a falar e pronunciasse uma sigla aparentemente anódina (PS1/PS2) para o caldo amorfo se entornar, e vir ao de cima o mais execrável da cultura antidemocrática, com censor-mor a retirar palavra ao militante de base e proibi-lo, repetidamente, que repetisse a dita sigla. Tudo isto com o apoio ou a conivência da generalidade. 

Em política, quando se perde a decência (democrática) perde-se tudo. Mas na verdade, não se perde o que nunca se teve.

18 de maio de 2026

O país a pombalizar

Segundo o Jornal de Leiria, o governo realizará o próximo Conselho de Ministros em Pombal, quinta-feira. 

Os de cá não fazem nada, com valor, senão festas & eventos. O governo parece ir pelo mesmo caminho. Eis a decadência no seu esplendor - deslizar sempre um estágio de menor potencial.

Neste ocidente do Ocidente, a política tornou-se uma das actividades mais reles ao cimo da terra.


Solidariedade, fé & lixo



Há muitos anos que Pombal leva a taça na liga de apoio aos peregrinos de Fátima. Não há pai para nós: abrimos as escolas, os pavilhões, as colectividades, porque quanto mais caridosos formos mais rapidamente alcançamos o céu. E por isso o que importa se durante dias impedimos os clubes desportivos de usar os pavilhões, em nome da fé?

Nos últimos anos, o poder político descobriu neste nicho um degrau importante para mais promoção, para se mostrar mais e melhor. Já não é só o presidente da Câmara, os vereadores & assessores, mai-los presidentes da junta. Agora que temos proximidade com o Governo, vem também o secretário de Estado. É o comprometimento do Estado (supostamente republicano e laico, ainda), em nome de todos, com a causa de alguns. Imaginem vocês que um dia destes os evangélicos, ortodoxos ou outros decidiam fazer o mesmo?

Aqui na terra, as peregrinações servem sobretudo para duas coisas: aumentar os cofres da hotelaria e restauração, e dar mais pano de fundo àquilo que o poder autárquico considera trabalho - sorrir e acenar para as fotos. 

A foto que ilustra este post foi tirada ontem, domingo, junto à sede de uma colectividade na Charneca, que está sempre pronta para ajudar: acolheu uma escola de dança que ficou sem tecto na tempestade. É claro que vieram os peregrinos e há prioridades. As turmas de competição, que tinham torneio no fim de semana, perceberam-no perfeitamente. Foi dali que Pedro Pimpão fez vídeos em pleno baile, para todos verem. Mas na Câmara alguém se esqueceu do essencial: recolher o lixo. Esteve ali toda a semana. 

A propósito deste Maio, fui rever em forma de série o filme "Fátima", de João Canijo, filmado há dez anos. Está na RTP play (dividido em cinco episódios) e mostra, de forma exímia, uma peregrinação por dentro. 

15 de maio de 2026

Até na propaganda, Pedro!

Por desinteresse não acompanho a realidade política de Ansião, mas pessoa amiga fez-me chegar o vídeo da celebração do Dia do Município. 

Por enfartamento (forçado), fiquei avesso à propaganda política, que actualmente é só imagem, forma e embrulho plástico dos poderes instalados. Mas há bons e maus embrulhos. E mesmo onde só há forma, ou só há embrulho, pode-se - deve-se - aportar nível (conteúdo).

Ansião – uma “freguesia” ali do meio-interior - mostra a Pombal como se faz comunicação institucional (propaganda), simples - sem nada de notável ou extraordinário - e com algum nível.

Custa acreditar que até nisto estejamos a ficar para trás – e para trás dos supostamente mais desfavorecidos! Até nisto Pedro; até no teu “métier” nos serves zurrapa.   

https://www.facebook.com/reel/956167063921576

12 de maio de 2026

A importância de pensar Pombal - um livro para memória futura


 

O jornalista Alfredo A. Faustino (meu querido mestre, um dos pombalenses que mais sabe sobre a nossa memória colectiva) acaba de publicar mais um livro, desta vez sobre a história do Rotary Club de Pombal, a que pertence desde o início, na década de 80. "Pensar Pombal - servir a comunidade" é a compilação de 40 anos da vida do clube, ao mesmo tempo que contribui para conhecermos e compreendermos "um tempo e uma realidade vivida em Pombal no último quartel do século XX". Arrisco dizer que é, até agora, o retrato mais fiel da mudança sociológica que se operou no concelho e na cidade, cujas implicações nos atravessam a vida e os dias, actualmente. 

Foi com o Faustino (o melhor chefe que algum dia tive) que aprendi a importância de reflectir sobre as coisas para lá das notícias, recusando fazer papel de pé de microfone. Quando em 1994 me abriu a porta da imprensa regional, através do Região de Leiria, vivíamos os primeiros meses de um novo tempo na Câmara de Pombal. Não raras vezes, o clima tenso nas reuniões do executivo, ou os braços de ferro da Câmara com pessoas e instituições, chegavam à primeira página do semanário. Ao lado das notícias aparecia amiúde um comentário - género jornalístico consagrado, onde é analisado um caso, uma história, uma notícia, um protagonista, para lá da objectividade noticiosa. Lembro-me bem dos ataques a esses escritos, nomeadamente ao autor, por parte de alguns que ainda por aí andam. 

Paralelamente, Alfredo Faustino manteve-se parte activa do Rotary, sabendo que era preciso 'pensar Pombal'. Foi com esse mote, de resto, que nasceu o clube, pela mão de Guilherme Santos. O livro mostra bem como o emblemático autarca socialista delineou toda uma estratégia para chegar ao poder, da qual a criação do clube rotário fez parte. Mas a grandeza do malogrado presidente da Câmara começou pela base: reuniu gente de todos os quadrantes políticos, de todas as áreas, de diferentes estratos sociais. Guilherme era um humanista que acreditava no pluralismo. Tudo o que sei dele é através de quem com ele conviveu, já que eu não passava de uma adolescente quando aconteceu o trágico acidente que lhe ceifou a vida. E por isso é tão importante deixar escrito testemunhos como este, agora impresso.

O livro mostra bem como Pombal mudou, com a mudança política. No sábado, durante a apresentação, Faustino recordou o momento em que um jovem estudante de sociologia (hoje reputado académico), Daniel Francisco, o abordou, no início da década de 90, a propósito da tese de mestrado sobre "o mito" de Guilherme Santos. "Seria o Rotary uma espécie de conselho de opinião da Câmara?". E era. Claro que, ao ouvir a história, Pedro Pimpão extrapolou-a logo: "era uma espécie de assembleia municipal!". Ainda bem que Guilherme não viveu para isto, para ver no que se tornaram as assembleias, no que se tornou a vida política aqui na terra. E o Pedro, último beneficiário do vazio que se foi cavando no PS depois da derrota eleitoral de 1993, bem podia aprender alguma coisa com a História. Nenhuma terra evolui sem debate de ideias, sem reflexão, sem agitar as águas. Gostar de Pombal também é isso, por mais que nos digam o contrário.

6 de maio de 2026

A realidade paralela que alimenta o unanimismo. Quem ganha com isto?


 


A minha costela masoquista levou-me a espreitar a gravação da Assembleia Municipal. A bem da verdade, se cada um de nós soubesse os mínimos do que se passa na coisa pública, talvez não deixássemos que a mesma chegasse a este estado, que o nível baixasse além da indigência. O Adelino Malho já aqui fez um bom resumo do que é aquele ajuntamento, por isso não importa repisar na forma, na deformada forma do órgão que deveria fiscalizar a actividade municipal.  Sendo assim, aqui deixo apenas duas notas para reflexão:

1. Os eleitos do PSD, incluindo os presidentes de junta, encarnam bem o papel da formiga no carreiro - mas nunca ousam ir em sentido contrário, como cantava Zeca Afonso, para nunca correrem o risco de lerpar e trepar às tábuas. Noutros tempos, a defesa da maioria (e do executivo) era feita com pensamento próprio. A excepção era o que agora se tornou regra: o elogio bacoco da actividade municipal, a lambebotice enfadonha. E a oposição? Prepara-se mal, fala a medo, deixou-se tomar pelos bullies que povoam a maioria. 

Olhando para o quadro de miséria que se abre à nossa frente, percebemos que é preciso afagar egos para singrar na vida: as assessoras/adjuntas que conseguiram um lugarzito nos gabinetes de ministros ou secretários de estado, os que ainda não conseguiram mas têm na vida esse objectivo, os que foram penosamente afastados e agora regressam, todos contentes. E voltamos aos presidentes de junta: só aqui é que são tidos como figuras políticas, só aqui têm a veleidade de perorar sobre as posições da oposição. Os que falam, gastam mais tempo a engordar o coro de ataque aos desgraçados do PS e Independentes do que a levantar os problemas - concretos e reais - das suas freguesias. Os que não falam, aprenderam rapidamente a rir, de gozo. Estão ali por inerência. Só para lembrar.

2. Custou-me, nesta assembleia, ver um homem que muito estimo (enquanto médico, mas também enquanto cidadão)  tecer loas a um dos ramos de enfeite do poder: a assembleia municipal sénior. José Grilo Gonçalves tem dedicado uma parte importante da sua vida à gerontologia. E saberá tão bem como eu que todos aqueles planos e estratégias "para o envelhecimento activo" não passam de balelas. Quem está nesta fase da vida sabe que lidar com a velhice dos pais é o verdadeiro desafio da idade adulta. E somos muitos. Não, não é com estes números de folclore (cujo critério de selecção já é, por si, duvidoso) que combatemos o idadismo, o isolamento, os dias dos que definham dentro de suas casas ou nas salas dos lares e centros de dia. Queremos dar visibilidade aos mais velhos? É incluí-los nas listas às juntas, à Câmara, à Assembleia. A intervenção de José Grilo teve o condão de colocar a nu a nossa realidade: por cada 100 jovens temos 261 idosos.

Depois de ouvir uns e outros tecer loas à eleição da jovem autarca, à realização da assembleia sénior e quejandos, uma pessoa fica a pensar que um dia destes ainda replicam os modelos na creche e no infantário; depois hão-de fazer a assembleia das mulheres, dos migrantes, dos canhotos e dos que usam bigode. Tudo serve para a fotografia, que é, afinal, o que lhes importa. 

Uma nota final para os que gostam de embandeirar em arco com "a juventude a discursar no 25 de abril". Que o façam uma vez, percebe-se. Que se torne prática, só se entende na lógica do "olhem para nós, em Pombal, que nos importamos com os jovens e com aquilo que pensam". Balelas. Duas coisas, senhores: o 25 de Abril é uma data política. Os partidos devem indicar para falar sobre ela quem entendem. Isto não é a jotalândia, ao contrário do que pensa o PSD, com anuência do PS - e do resto. 

2 de maio de 2026

Sobre a reunião da assembleia da “junta”

A assembleia municipal – agora definitivamente no patamar “junta” – reuniu durante cinco longas horas, no último dia do mês. É uma dor de alma ver e ouvir aquilo. No entanto, aquelas criaturas são capazes de passar uma tarde inteira a dizer tolices ou banalidades requentadas sem se cansarem e sem noção do ridículo. 



Na verdade, tudo ali é vulgar, rotineiro, rasteiro e enfastiante. De um lado ao outro, das peças da mobília aos novatos, mais acima ou mais abaixo, nada daquilo anima, cativa ou engrandece.  Todos (ou quase) vão para ali cumprir a sua rotina, ler a sua folhita, sem graça e sem alma. De um lado debitam sermões de escuteiro ou de beata benfeitora, encharcados de sentimentalismo bacoco e de teologia positivista; do outro largam perguntas inconsequentes e críticas repisadas condenadas ao fracasso. Não há ali qualquer rasgo, qualquer improviso bem esgalhado ou uma réplica desarmante do adversário. Do lado da oposição, só o doutor Gonçalves revela alguma desinibição política e capacidade retórica, mas sem conteúdos preparados e enquadramento político perde-se facilmente no fogo fátuo das tiradas despropositadas.  

O presidente da “junta” cansa até ao sorriso repulsivo, só de ouvi-lo na cantilena de trivialidades e elogios sonsos, pontuados sistematicamente com as batidas estrondosas do “extraordinário” e do “notável” no bombo discursivo – parece ter nascido ou enlouquecido com a mania do notável e do extraordinário.

Sobre o grande assunto da agenda – Relatório de Gestão de 2025 – a bancada PS entregou a importante matéria ao inenarrável Conselheiro Acácio, que de gestão e dos seus instrumentos parece saber tanto como boi de palácios. Vai daí, fez o que sabe fazer: leu, cabisbaixo, a sua habitual ladainha de maneirismos e coquetismos discursivos, mas não resistiu à vaidade tola de lhe acrescentar o seu truque de retórica sofista barata: somou o que não é somável (resultados líquidos anuais - dos últimos anos)! A ignorância é muito atrevida. 

Mas as coisas são como são, e nestes jogos de soma nula acabam sempre por se equilibrar. Coube à doutora Catarina, porventura inadvertidamente, traçar o verdadeiro retrato do documento e do desempenho da câmara quando afirmou, e rematou, que “o nível de concretização vai de encontro aos documentos estratégicos e também ao programa eleitoral que foi sufragado”. 

A política é a única farsa onde o farsante acha que faz boa figura se se engrandece com ela. 


28 de abril de 2026

Dar tudo a todos? Não. Dar alguma coisa a alguns


*foto do fotojornalista Nelson Garrido, no Público de hoje


Passam hoje três meses ( que nos parecem uma eternidade)  da tempestade Kristin. O que nos fica da resenha feita pelas tv's é que há, ainda, muita gente a passar mal. Muita gente que mal conseguiu repôr as telhas que voaram, que ainda não tem comunicações, que não sabe quando ou se algum dia vai recuperar a vida que tinha. 

Esperei até ao fim do dia porque imaginei Pedro Pimpão a fazer um balanço (como as outras Câmaras de concelhos igualmente afectados) do estado do concelho. Não aconteceu. O povo, na sua imensa sabedoria, lá diz que "quem muitos burros toca algum tem que ficar para trás". Para nosso infortúnio, ficamos nós, munícipes deste condado. Penso no casal da Guia que continua a viver envolto no cheiro a mofo que a humidade trouxe, na célebre casa-embrulho (coberta com plástico, para não chover lá dentro). E em todos aqueles que, como eles, só queriam ter recebido uma visita do poder local, uma palavra de conforto e de ânimo. Mas já se sabe que a vida dos autarcas é uma correria, que não dão vazão a tanta pose para tanta fotografia. Se ao menos tivéssemos nascido todos nas Meirinhas...haveria visitas de ministros e presidentes, e hordas de assessores a atropelarem-se para fazer acontecer. O quê? Selfies. 

Passam hoje três meses e quase não se ouve falar de Pombal, do muito que ficou destruído. Uma excepção à hora de almoço, quando o repórter da RTP entrou em directo do Casal da Clara, a mostrar que os cabos eléctricos continuam no chão do lugar, como se fora 29 de Janeiro. O que sabemos é que a Câmara resolveu fazer de conta que está a poupar em tudo para "ajudar" a colmatar os prejuízos. Cancela-se o Bodo (como o conhecemos), programa-se uma alegoria para o Cardal. Alguém acredita que uma Câmara que passa um mandato inteiro sem apresentar contas das festas vai ser capaz de gerar assim dinheiro para repor edifícios e compor vidas? Não. Para mais, agora que o Governo anunciou resmas de milhões, ninguém pára a dinâmica do território. É por isso de louvar que freguesias como o Louriçal decidam manter as festas, o que faz mais pela saúde mental (e económica) da região que centenas de relatórios elaborados pelas senhoras técnicas. Como é de louvar que o Grupo Desportivo Guiense tenha recuperado para si a organização da FAGO, como dantes. Porque não podemos apagar o 28 de Janeiro nem esperar que carpir mágoas nos leve a algum lado. 

Devíamos esperar pelo apoio do Estado, prometido e devido, mas esse chega a conta-gotas. E quando hoje ouvimos o Primeiro-Ministro dizer que "não pode dar tudo a todos", cresce uma raiva nos dentes: vivesses tu, Luís, sem comunicações; chovesse na tua casa, visses as paredes escurecer de bolor, enfrentasses as respostas lacónicas das seguradoras, e perceberias que bastava dar alguma coisa a alguns, para remediar esta calamidade. 




23 de abril de 2026

O que nasce torto tarde ou nunca se endireita

O vereador não-eleito Manuel Serra, número dois da lista Chega, que assumiu o cargo após a renuncia do cabeça de lista Mithá Ribeiro, anunciou, hoje, na reunião da “junta”, que se desvinculava do partido e passava a vereador independente.

Bastaram seis meses para Manuel Serra despir a camisola que decidiu envergar; o que diz muito, ou tudo, da coerência e da consistência política que actualmente se pratica, em total desrespeito pelos eleitores. Porventura, assume agora o papel que sempre desejou representar, mas sério, correcto e digno seria a renúncia ao triste papel que continua a representar. 




12 de abril de 2026

Ditadura Democrática em Pombal – a suprema tontice do PS local

Na ausência de melhor apreciação, o PS local, nomeadamente pela voz do seu líder na Assembleia Municipal (dotor Manuel Gonçalves), acusa o dotor Pimpão de exercer uma Ditadura Democrática em Pombal!



A acusação tem tanto de inverosímil como de contraditória. Por isso, só pode advir de quem perdeu, há muito, o tino (político). Se por um lado, a expressão é uma contradição nos termos, porque não se pode ser uma coisa e a outra em simultâneo, por outro, o classificativo “Ditadura”, ao estar bem estabelecido pela História e pela Ciência Política, e por estar bem presente, de forma traumática, na nossa memória colectiva, não deveria ser usado corriqueiramente, nomeadamente pelos ditos democratas. Mas o pior nem está na dimensão contraditória da imputação, já de si muito relevante e reveladora; está na total e absoluta inverosimilhança da mesma. Se há faceta que o dotor Pimpão não tem – mesmo - é de ditador. E digo mais: é a sua antítese.

A crítica política, para ser eficaz, tem de cumprir, no mínimo, duas condições: ser minimamente verosímil e ser bem-apresentada e explicada. Regras que o PS local parece desconhecer ou é incapaz de implementar. Mas pior: parece desconhecer totalmente a terra onde vive e a forma como é exercido o poder. Os problemas do concelho, ao nível do exercício do poder, não estão, de certeza, nos supostos abusos de poder do presidente da câmara para condicionar os outros poderes, nomeadamente da oposição; estão, acima de tudo, na impotência da dita oposição para exercer o poder que lhe compete – o contrapoder.

Sobre o exercício do poder que se faz, ou não faz, por cá, convinha que os actores políticos metessem uma coisa muito simples nas cabeças: o dotor Pimpão só se preocupa com uma coisa aparentemente muito simples e ao mesmo tempo complexa: ser amado. Se para isso for necessário abdicar do exercício do poder, abdica (abdicou). É isso que ele tem feito, com sucesso, sem contrapoder.

9 de abril de 2026

Tozé no país das Meirinhas

https://youtu.be/Hnywooh9VTs?si=IXkcCxt-Qk5QCLDm

 Quando António José Seguro começou esta presidência aberta, parecia mesmo que estava a virar uma página na política portuguesa: guardo a imagem do presidente em Ourém, a fazer o que ainda nenhum outro tinha feito – a visita ao povo afectado pela tempestade, o contacto directo com pessoas sem tecto, longe dos ambientes controlados que têm almofadado as visitas sucessivas de ministros, o desfile obsceno a que temos assistido, sem que daí resulte nada, nicles, zero.

Mas bastaram os dias seguintes para percebermos que foi ledo engano. Seguro está, afinal, a trabalhar para a reeleição, versão 2.0 de Marcelo, a distribuir beijos, selfies e abraços com um afinco tal que nos sufoca. Não há esperança para isto. Desde a Junta ao topo da República, 99% por centro dos políticos só está preocupado com a sua própria sobrevivência no cargo.

A sua passagem pelas Meirinhas, durante o dia de hoje, rivaliza com qualquer filme de Kusturica.

Poupo-vos aos pormenores, deixo à curiosidade de cada um as imagens (algumas em vídeo, que mostram bem o ar de deboche de vários protagonistas), e permito-me soltar uma gargalhada, só. Eu havia de viver para isto: ver uma terra onde ser socialista está ao nível da extrema esquerda, rendida a Tozé Seguro. E ver Tozé Seguro rendido ao poder laranja, levado em ombros por aqueles que a vida toda apoucam, desprezam e ridicularizam os que vêm da mesma família política, fez-me lembrar uma procissão de Senhor dos Passos fora de prazo. Mas serviu para conhecermos, todos nós, o que (lhes) importa.

Seguro passou, Meirinhas soma e segue (não esquecer que ali os prejuízos se contam aos milhões, não é aos milhares), quem ainda não tem telhado que espere. Pelo dinheiro do seguro, do Estado, ou tão só por uma visita de alguém da Câmara.

Uma nota final para o desfile de assessores, uns moiros de trabalho a saltar de fotografia em fotografia. Alguém que lhes arranje um banco corrido, que isto cansa. Não acreditas? Estudasses!

Foto do dia

 

Para macacadas, prefiro os caretos de Podence.

1 de abril de 2026

Reunião da “junta”

A “junta” reuniu, ontem. Cumpriu-se mais uma formalidade, sem chama e sem relevo, num registo uniforme e indolente mais digno de final de ciclo.



O vereador não-eleito (doutor Coelho), que rapidamente e compreensivelmente se tornou insubstituível, descarregou, sem força e sem animo, qual Diácono Remédios, o volumoso saco de preocupações e minudências que colecta nas conversas mundanas e arrasta consigo. Carrega, coitado, com a sua circunstância e a consciência das próprias fragilidades. Com o outro vereador não-eleito não vale a pena gastar muito latim, continua agarrado à Guia e a distribuir umas loas pelos companheiros/as, sempre no registo assembleia de freguesia.

O doutor Pimpão despachou bem todas as preocupações dos vereadores não-eleitos – são uma das suas especialidades; a outra é a felicidade. Mas sentiu-se entalado com as intervenções do público, do senhor Amadeu e da senhora Durvalina, que esperam, há longo tempo, por uma solução para os seus problemas: um projecto parado há mais de meia dúzia de anos; e uma obra torta que incomoda sem solução por igual período. Chutou as batatas quentes para a tarefeira-mor, que, coitada, só teve para oferecer a voz e o tom meloso, que só serve para embalar camelo. No entanto, as duas questões do público tiveram o mérito de fazer luz sobre as razões por que rodam tanto os vereadores, sobretudo no urbanismo e obras.

26 de março de 2026

Sobre o malfadado território

Há autarcas que andam sempre com o território na boca, mas desprezam-no olimpicamente. Pior: nalguns casos nem é por má vontade, é por simples ignorância - não têm, sequer, noção das facadas que lhe dão.

A profissionais da engenharia industrial sabem que o lay-out determina a produtividade. Os autarcas deveriam saber que o ordenamento do território determina a qualidade de vida das populações e a eficiência económica. Mas não sabem, nem querem saber; preferem uma benfeitoria aqui, outra ali, e muita propaganda. O ordenamento do território exige estudo, planeamento, critérios e perspectivadas em horizontes temporais suficientemente largos para garantirem eficácia, equilíbrio e estabilidade. Tudo o que nos falta, e eles (autarcas) não valorizam.

Bastou passar por cá um “estrangeiro” – um tipo do Fundão (Paulo Fernandes - coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro) - para constatar e expor o óbvio: o eixo Leiria-Pombal apresenta uma flagrante falta de ordenamento do território. Venho alertado para isso há décadas...

Por cá o nosso autarca prefere debitar falácias sobre a eficácia do poder local. 


24 de março de 2026

O cata-vento laranja



Tenho acompanhado com atenção a atuação do presidente da Câmara Municipal de Pombal, que acumula funções como presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, e não posso deixar de assinalar aquilo que considero ser um verdadeiro malabarismo de palavras — e de realidades.

Nos últimos meses, tenho visto coexistirem dois discursos que dificilmente se conciliam.

Por um lado, a nível local, é-nos apresentada a imagem de um concelho em recuperação, funcional, com capacidade de investimento e resposta. A comunicação municipal insiste numa narrativa de estabilidade, eficácia e mobilização de recursos, transmitindo confiança à população.

Por outro lado, a nível nacional, o mesmo responsável político surge repetidamente na comunicação social a alertar para a falta de meios dos municípios, defendendo a necessidade urgente de reforço financeiro e chegando a pedir um “pacote financeiro robusto” para o poder local.

O que me preocupa não é a existência destes dois planos — local e nacional —, mas sim o facto de estes discursos acontecerem ao mesmo tempo. Não estamos a falar de momentos diferentes ou de contextos distintos no tempo. Estamos a falar de declarações paralelas, feitas no mesmo período, que transmitem mensagens claramente divergentes.

E é aqui que coloco uma questão simples: afinal, em que ficamos?

Se o concelho tem capacidade de resposta, se consegue investir e apoiar a população, como é que se sustenta ao mesmo tempo a ideia de que os municípios estão estruturalmente sem meios? E se essa falta de meios é real e tão grave como se afirma, como se explica a narrativa de normalidade e sucesso a nível local?

Não estou a dizer que uma das versões é necessariamente falsa. O que afirmo é que esta dualidade cria confusão e levanta dúvidas legítimas sobre a coerência do discurso político.

Enquanto cidadão e enquanto alguém atento à vida pública, não posso deixar de questionar este malabarismo de realidades. A população merece clareza. Merece saber qual é, afinal, a verdadeira situação — sem discursos ajustados ao palco ou ao momento.

Porque a política, para ser credível, não pode viver de narrativas paralelas. Tem de assentar na coerência, na transparência e na verdade.


Emanuel Rocha 
#farpasconvidadas

18 de março de 2026

Onde se dá conta dos preparativos para a apresentação do livro que narra as façanhas e as desventuras do Pança contra as rajadas e os estragos da tempestade

- Dai-me licença, Excelência – pediu o Pança; e acrescentou, com invulgar cortesia: - mui agradecido por me receber, e por me conceder um pouco do vosso precioso tempo. 

- Que queredes? Dizei-o rápido – ordenou o Príncipe.



- Venho endereçar-vos um modesto convite. Mas antes que Vossa Mercê mo relembre, confesso o meu profundo desgosto pelos nossos recentes desencontros. Mas queira acreditar-me: em nada diminuíram a estima e consideração que este sempre fiel escudeiro continuará a sentir pelo Senhor.

- Adiantai, Pança, que nesta fase da minha vida dispenso esses colóquios – observou o Príncipe já meio agastado.

- Que assim seja…. Vossemecê já deve saber que vou apresentar o meu livro, onde narro as minhas façanhas contra a tempestade – anunciou o Pança.

- Como…?! Repete-me, Pança, escreveste um livro? Mas vós não sabeis escrever! – Retorquiu o Príncipe, deveras surpreso.

- Mas quem disse a Vossa Excelência que é preciso saber escrever para fazer um livro?! – Perguntou o Pança agastado. E logo acrescentou: - que eu saiba, para se fazer um livro, um livro que as pessoas leiam com gosto, só é preciso ter uma boa história na cabeça e saber narrá-la ao escriba, que isso de desenhar letras e palavras e de colocar as vírgulas e os pontos nos locais devidos, é coisa que qualquer escriba faz. 

- Para que te metes tu nessas andanças, Pança? 

- Para quê? Meto-me, porque me posso meter, porque sou um escudeiro que aprendeu e tomou o gosto das artes do poder e quer deixar rasto – afiançou o Pança, determinado. 

- Continuais igual, Pança, com pouco siso e muita vaidade. 

- Ouça vossemecê — proferiu o Pança: isto da governação não pode ser só dar ao cabedal e fazer obra. Como o Senhor bem sabe, se não a registarmos em livro as nossas conquistas todas as esquecem, e uma pessoa passa a esquecido. Pratiquei tamanhas façanhas que não poderia deixá-las em silêncio.

- E quem escolhestes para escrever essas tuas façanhas? – Perguntou o Príncipe.

- Um Senhor das Letras… Mas não um poeta, que canta as coisas não como foram, mas como deviam ser; mas sim um historiador, para escrevê-las, não como deviam ser, mas como foram, sem acrescentar nem tirar à verdade a mínima coisa – afiançou o Pança com orgulho.

- Mas quem? Dize-me… - insistiu o Príncipe.

- É segredo até à apresentação, mas ao Senhor digo: a mais ilustre figura das Letras do Reino - bacharel Sanção Carrasco.

- Muito bem… E que reacções tendes tido ao manuscrito? – Perguntou o Príncipe, curioso.

- O bacharel Carrasco considerou a história grandiloquente, magnífica, mui sentida e verdadeira. Narrei-lha com esta voz de trovão e de tambor; mas também o avisei: não ponha a troche e moche quanto me vem à cabeça, mas só o que é o mais saboroso e menos prejudicial ao entretenimento.

- E das pessoas que já o leram? – insistiu o Príncipe.

- Dizem que é uma história mui clara e divertida, que não oferece dificuldades, onde se não encontra nem por sombras uma palavra desonesta, ou um pensamento menos católico. E acredite-me, meu Amo e farol, muito ficou por dizer de mim.

- Jeito para a gabarolice não te falta, Pança – sentenciou o Príncipe.

- Mas dizei-me: posso contar com Vossa Excelência na apresentação? – Perguntou, inquieto, o Pança.

- Vou pensar… Tenho de pensar se tão modesto cerimonial justifica a quebra do meu afastamento.

- Até à vista.

- Deus vos guarde.

                                                                                Miguel Saavedra

                                                                                        (Ficção)