8 de maio de 2021

O escândalo de Vila Cã

Ao escândalo que é a construção do Centro Escolar (exposto aqui e aqui) junta-se agora uma intifada pela conquista de metros de terreno, entre a câmara e o vizinho do centro. 

Na liderança desta intifada está o vereador Murtinho; que anteontem mandou avançar a máquina terraplanadora para o quintal do vizinho. Perante a resistência deste, que se colocou em frente da máquina, chamou a GNR e repôs a vedação do seu quintal, seguiu-se uma guerra de estacas e de impropérios entre o vereador e o visado, que segundo os relatos atingiu nível degradante. 

O Centro Escolar de Vila Cã é o arquétipo da obra-torta, de que surpreendentemente ninguém fala. Evidencia até ao tutano a incompetência da presidente da junta, do presidente da câmara, do vereador das obras (tortas), e de toda a oposição (que não serve para nada, e alguma até se deixa prender pelo rabito). Mas tamanha aberração não se deve unicamente à incompetência de toda a cadeia de decisão e de fiscalização; há - tem que haver - outras causas presentes, muito mais obscuras, que deveriam merecer investigação apurada – se houvesse gente interessada nisso.

Que o concelho está cheio de obras-tortas é uma evidência que não carece de prova; que a câmara tem um vereador das obras-tortas também não; e que temos obras-tortas por que temos um vereador das obras-tortas idem. O que ficámos agora a saber é que o vereador das obras-tortas é torto. 




7 de maio de 2021

Oh, os pobrezinhos...

Há uma canção que pelo menos a vereadora Ana Cabral há-de conhecer bem, que podia servir de banda sonora para acompanhar as fotografias tão lindas e verdejantes que a Câmara de Pombal exibiu nas redes sociais: "vamos brincar à caridadezinha", de José Barata Moura.

O insólito aconteceu no dia 3 de Maio, que só por acaso é Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas esse, por cá, não convém assinalar. Pode dar ideias. E então, o pé de câmara estava lá a registar o momento descrito como 'desenvolvimento social': O Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Diogo Alves Mateus, visitou esta segunda-feira, 3 de maio, o edifício da antiga escola básica dos Penedos, que após obras de recuperação permitiu alojar um munícipe em situação social de vulnerabilidade, atestada quer pela Junta de Freguesia de Almagreira, quer pela Comissão Social de Interfreguesias Carriço, Louriçal e Almagreira.

A necessidade de exibição chega a este ponto, fazendo tábua rasa dos direitos dos outros, os tais mais vulneráveis. Ou então pelo menos naquele dia D. Diogo não se lembrou de uma citação bíblica que era suposto conhecer de cor: "Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo" - MT 4, 2-4a.

Foi (s.) Mateus quem o disse. O verdadeiro.



3 de maio de 2021

A “carga” pronta metida nos contentores


A discussão em torno de um polo de ensino superior em Pombal é antiga e esperada há muito. Era desolador olhar para concelhos tão próximos de Pombal, conseguirem a instalação de polos universitários, quer do Politécnico de Leiria, quer do Politécnico de Coimbra. E Pombal…

O recente anúncio público de cursos TESP (Técnicos Superiores Profissionais) em Pombal, ministrados pelo Politécnico de Leiria veio renascer a esperança de o concelho conseguir (finalmente) ter um polo do ensino superior.

Julguei que este tipo de implementação fosse planeada e/ou preparada tendo em conta várias vertentes, nomeadamente a preparação das instalações.

Foi com algum espanto que li num jornal regional, que não só não existem instalações, como a alternativa encontrada -temporariamente, claro- é colocar os professores e alunos em contentores (mas climatizados, calma)!

Além de estranho, é no mínimo um mau começo.

EFERREÁ!!!


 

2 de maio de 2021

Quem aturou quem…

Há muito que D. Diogo se mostrou… E há muito que os mais atentos o conhecem. Mas agora, já sem filtros, é ele próprio que verbaliza o que é (o que pensa). Na última AM, afirmou que está farto de aturar os seus “companheiros” de partido do oeste, e (que) intelectualmente não tem consideração por nenhum deles, por serem mentirosos, por serem manipuladores, e por serem pessoas exclusivamente interessadas em fazerem perturbações.

Quando D. Diogo diz isto dos seus companheiros de partido – daqueles que o colocaram no trono -, diz tudo sobre si, sobre a criatura que tivemos que aturar.

 

26 de abril de 2021

Este PS não é para precários


O que aconteceu na última reunião de Câmara - a propósito da integração, em regime de contrato anual, de alguns dos técnicos do malfadado programa EPIS, nos quadros do município - faz corar de vergonha  qualquer socialista. Ou melhor, faz corar de vergonha qualquer pessoa com os mínimos em matéria de princípios laborais e protecção social.

Não sei onde foi que a Odete Alves que eu conheci se perdeu do socialismo. Talvez tenha sido no exacto momento em que decidiu fazer par com Micael António - com quem estava claramente alinhada naquele tema (como noutros), que deveria ser dos mais diferenciadores entre a esquerda e a direita também na autarquia. Ao invés, temos o mundo ao contrário, como atesta a intervenção do vereador Pedro Martins, no momento em que lembra o que significa, neste país, viver de uma avença de 1.100 euros: depois de descontados os impostos, representam cerca de 700 euros, durante 12 meses. Não há férias, nem subsídios, nem nada, afinal. É verdade que duas senhas de presença na reunião de Câmara chegariam para pagar a Segurança Social, por exemplo. Mas os precários - que são muitos, demasiados neste país, como revela o último estudo da OCDE - não têm tempo para a vida política, pejada de funcionários públicos, quadros de topo e...advogados.

Mas a candidata do PS à Câmara nas próximas eleições deixou adivinhar o modelo de gestão que defende, alicerçada certamente na célebre pirâmide de Maslow, que privilegia as necessidades básicas: se os técnicos dos projectos educativos fossem cantoneiros, coveiros ou jardineiros, aí já defendia a protecção laboral condigna.

25 de abril de 2021

13 Anos de Farpas - o bebate

Boa noite amigos e seguidores;

Boa noite Pombal; boa noite Mundo.

Esta é a noite da Revolução de Abril; 

Esta é, também, a noite da criação do Farpas Pombalinas.

Comemoramos hoje, convosco, 13 anos de actividade regular do Farpas, com o debate que se impunha: Terramoto político em Pombal e a liberdade de o dizer.  

Farpas é isto, é política. Nascemos com este ADN, gostamos de fazer isto - análise e crítica sociopolítica. Por isso, e por que muitos apreciam o que fazemos, vamos continuar por cá. 

Convém relembrar, que, por cá, a política era uma carreira, uma profissão, um estatuto. Era. Mas deixou de o ser. Aos que no início profetizavam que o Farpas era mais um epifenómeno do éter digital, a que não se deveria dar grande importância, hoje dizemos: enganaram-se. Hoje, podemos dizer que os políticos passam e o Farpas fica. Com o mesmo propósito inicial.

Nestes 13 anos, fizemos um caminho de que nos orgulhamos: atraímos uma pequena legião de seguidores, mas também gerámos ódios de estimação. É a vida. Tinha que ser assim. Orgulhamo-nos de ter levado muita gente a interessar-se pela coisa pública, nomeadamente as mulheres. Desmistificámos algumas coisas: a atração pelo unanimismo, a obsessão doentia pelo politicamente correcto, a ideia de que as mulheres não se interessam por política, etc. 

É verdade que neste trajecto beneficiámos muito do contexto, mas também é verdade que fizemos a cama onde nos sentimos confortáveis. Em Abril de 2008 – quando criámos o Farpas - nunca imaginámos que passados 13 anos estivéssemos, aqui, a debater o maior Terramoto Político local das nossas vidas.

Há muito sentíamos uma dessintonia crescente entre a acção política e as exigências colocadas à acção política. E fomo-la evidenciando, e cavando. Mas estávamos longe de imaginar o sucedido em Pombal: o colapso do poder instalado na câmara. Não tenhamos dúvidas nem medo de classificar as coisas: é o colapso de uma forma de fazer política. Mas desenganem-se aqueles que pensam que o problema estava, exclusivamente, em D. Diogo (e no seu escudeiro, para não o deixarmos sozinho). O problema tem várias causas, que os nossos convidados, os d`casa, e público abordarão e avaliarão com certeza. Agora, interessa – pensamos nós – escalpelizar as razões que estiveram na base deste terramoto político, que arrasou o principal actor, mas não só o principal actor; atingiu, igualmente, as personagens secundárias deste ramalhete. Interessa, igualmente, refletir sobre as novas exigências colocadas à acção política local: que relação com os destinatários das políticas? Deve a política ser autêntica ou um jogo de aparências? Deve saber comunicar o que faz e por que faz ou limitar-se a propagandear? Que papel para a oposição? Como deve ser feita (oposição) para ser eficaz? Etc.  

Siga o debate.

PS: Intervenção do autor no início do debate

24 de abril de 2021

D. Diogo sobre chafurdarem

Interpelado por Narciso Mota, por que não fazia mais um mandato, D. Diogo aproveitou o momento para se justificar, e para culpar… Disse que estava farto, e que se a luta política, hoje em dia, é feita … a chafurdar tem que ser animais com essa aptidão que têm que a fazer.” 

D. Diogo ainda não saiu. Mas já começou a caracterizar o que aí vem.


19 de abril de 2021

Descubra a(s) diferença(s)!


Basta olhar para os dois programas e comparar. Cada um poderá tirar as suas conclusões a importância que cada município dá à conquista da Democracia….Infelizmente, nada de novo por terras de Palumbar.

16 de abril de 2021

O 13º aniversário do Farpas e o debate que se impõe

Sismo | n. m.: Fenómeno natural resultante de uma rotura, mais ou menos violenta, no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, e que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante. 

Se o leitor substituir "natural" por "político" e "da crosta terrestre" por "do partido no poder", fica com a descrição perfeita do que se passou em Pombal no último ano e meio. No entanto, apesar da violência do terramoto político, cujas réplicas estão ainda longe de ter terminado, muitos insistem em assobiar para o lado, como se nada tivesse acontecido. 

O Farpas, como é evidente, não pode deixar passar o assunto em claro. O que temos assistido é demasiado grave e, ao mesmo tempo, revelador da enorme impreparação de muitos dos nossos actores políticos. Com a oposição moribunda e a comunicação social sem qualquer interesse em afrontar o poder, o debate só poderia ser promovido pelos suspeitos do costume. 

Fica o convite: no próximo dia 24 de Abril, por ocasião do 13º aniversário do Farpas, junte-se o debate que iremos promover nas nossas redes sociais sob o tema "Terramoto político em Pombal e a liberdade de o dizer". Para enriquecer a conversa, convidámos dois jovens com pensamento político próprio e que não podem ser acusados de falta de coragem: Pedro Brilhante e Raul Testa. Contamos convosco para os interpelar e para, no final, às 24 horas, erguer cravos e copos e, como sempre, brindar à liberdade.

15 de abril de 2021

A grande coligação


Nas últimas semanas, o PSD (Predo Pimpão) e o defunto “movimento” NMPH (Narciso Mota) têm-se ocupado a discutir uma coligação entre as duas forças políticas para as próximas eleições autárquicas.  

Não pensem que o que os move seja a apresentação de um projecto político alternativo ao executado no passado ou receio da (pobre) oposição; move-os unicamente a sobrevivência política: um tacho para este outro para aquele, uma ocupação para o comendador e uma saída para o doutor coiso.
Se a coisa avançar, ficaremos bem entregues ao triunvirato...

12 de abril de 2021

Enfim, a Casa Varela

 As dores de parto da Casa Varela estão aqui arquivadas neste blogue, há vários anos. Mais do que aqueles em que esteve em obras, a cargo de uma mão cheia de construtores, saltitando de plano em intenção, sem nunca existir para ela um projecto definido. Ou melhor, existiram tantos, avulso, que o edifício parecia saído do conto infantil "Pedro e o Lobo": quando finalmente era verdade, já ninguém acreditava. Afinal, não foi um restaurante, nem um espaço de co-work, nem um hostel, nem uma pousada. É desde há uns meses um Centro de Experimentação Artística e acabou de abrir as portas ao público, ainda que timidamente - como tem de ser, em tempo de pandemia.

Enquanto no andar de cima continuam a acontecer residências artísticas, no de baixo está uma exposição de Nuno Mika. Chama-se "Interactivity" e resulta de duas instalações de arte digital, que podem ser experimentadas até Junho,  de quarta-feira a sexta-feira, das 16h00 às 21h00 e sábado e domingo, das 10h00 às 13h00 (por agora).

Talvez este não seja o destino que cada um de nós imaginou para a Casa Varela. Como falava há dias com o Filipe Eusébio (diretor artístico), cada um tinha uma ideia para ela. Mas vê-la abrir as portas à arte e abrir-se ao público é uma boa notícia. Falta-lhe (mais) autonomia, que lhe permita comunicar por meios próprios e construir a própria identidade, mesmo tratando-se de um equipamento municipal. Mas isso vai-se experimentando, e se esperámos tantos anos para a ver de pé, nada nos impede de acreditar que possa ter autonomia, personalidade, independência. Abrir-se ao mundo e trazer o mundo aqui, através da arte, independentemente da origem dos artistas. Além de tudo, é muito bom ver alguma coisa de novo e alternativo a acontecer numa cidade que está presa ao estigma bafiento do Marquês e parece caminhar só para o passado.



9 de abril de 2021

Os "mangas de alpaca" de Pedro Pimpão


 


Os primeiros nomes anunciados pela candidatura de Pedro Pimpão às eleições deste ano deixam adivinhar que, afinal, isto pode sempre piorar. 

Agora que entrámos no registo auto-suficiente, está "facilitado" o trabalho dos media locais, já que o PSD faz a festa, atira os foguetes, e apenas precisará de quem ajude a apanhar as canas. 

Diz a "notícia" elaborada pelo 'gabinete de comunicação' que estão escolhidos não só os responsáveis por essa área, como também de dois importantes cargos: o coordenador da campanha e o mandatário financeiro.

O primeiro é Renato Guardado, o melhor relações-públicas que o partido arranja para o social - mesmo que a fotografia tenha uns 10 anos e já vá longe aquele ar de menino. O segundo é Sérgio Gomes, velho conhecido aqui da casa e das redes sociais, impoluto presidente dos Bombeiros. Como dizem que o dinheiro não tem cor, estamos em crer que não haverá problema de maior. E se alguém vos disser que 'isto é uma casa a arder'...acreditem.

Entretanto, já ontem o partido tinha passado a guia de marcha ao presidente da Câmara e à presidente da Assembleia Municipal. Como o candidato a líder do executivo está escolhido, falta apenas anunciar quem será o cabeça de lista à AM. Para ser consentâneo com a linha agora revelada, apostamos (não todas, mas quase) as fichas em José Gomes Fernandes. Serás rapaz para aceitar dar esta pirueta JGF?



30 de março de 2021

“Parem de Fazer Política e Politiquice à Custa do Interesse Público e das Populações!”

O vereador Micael António, na última reunião do executivo camarário, deu uma lição de saber estar na política e de todo o histórico real da aprovação do PDM que define actualmente a Zona Industrial da Guia e do que deverá ser um papel responsável na política. Não poupa Manuel António e Manuel Serra, que estarão à frente de todo este movimento bastante activo nas redes sociais.


Esta intervenção surge na sequência da “exigência” a Diogo Mateus por parte do Pedro Brilhante sobre o projecto Lusiaves verberando a frase: “tem que ser parado já”. Para quem apregoa que se retira da política e se irá dedicar à vida profissional… parece que é difícil tirar a política do Brilhante quando vê a oportunidade de navegar uma onda que até nem é sua de origem.

Mais do que o ruído à volta desta novela, que terá o seu ponto alto na Assembleia de Freguesia de amanhã com emoções à flor da pele, no processo de entrincheiramento de um grupo que está organizado, que concerta as participações nas redes sociais, que têm dificuldade em encaixar opiniões diversas e vilipendia agressivamente alguns, o ponto mais concreto e fulcral é a providência cautelar interposta pela AMAGO – Associação de Moradores e Amigos da Guia Oeste.

Concordo em pleno que a associação tenha agido neste sentido, se existem preocupações sobre a transparência e legitimidade do processo de hasta pública. Também imagino que será com maturidade que a decisão do tribunal será recebida.

Importa clarificar que “quem tiver sério receio de que alguém lhe venha a causar uma lesão grave e dificilmente reparável ao seu direito pode requerer uma medida judicial, chamada providência cautelar, que se destina a assegurar a efectividade do direito ameaçado.” Só em custas judicias são 750€, fora os honorários dos advogados.

Uma das mais famosas foi a providência cautelar do José Sá Fernandes sobre o Túnel do Marquês em Lisboa, que atrasou 2 anos a obra e que custou 4 milhões adicionais aos contribuintes portugueses. Um grupo bem organizado conseguiu atrasar com grandes custos para todos. Na altura houve grande cobertura mediática e ruído. Hoje não existe quem conteste essa obra e é um não assunto.

Caso a providência cautelar não tenha qualquer provimento, visto que não foi considerada urgente e está em apreciação, será difícil manter a contestação para além do argumento que não se gosta do investidor em causa e do seu fundador.

Aguardemos com serenidade.

Gritar mais alto não significa que se tenha mais razão. 

Com a (meia) verdade vos engano

Há cerca de um ano, o presidente da câmara anunciou e publicitou o Investimento da Lusiaves na Guia como o verdadeiro “el dourado” para o Oeste e para o Concelho. Talvez tivesse sido mais avisado, para o curso do negócio, menos pompa. O povo não é todo burro, e quando a esmola é grande desconfia.

Com o passar do tempo e o esmiuçar da coisa, as dúvidas sobre o negócio cresceram com a névoa lançada sobre os seus impactos. A chegada do Pedido de Informação Pérvia (PIP) deveria clarificar a coisa, ofuscou-a ainda mais. A Oeste, onde foi distribuído aos bocados, acicatou desconfianças e “obrigou” o poder instalado a convocar a contragosto uma assembleia de freguesia extraordinária par
a discutir o caso. Nos passos do concelho, foi o assunto principal da última reunião do executivo.

Surpreendentemente, ou talvez não, coube ao vereador Murtinho, e não ao presidente da câmara que tem o pelouro do Desenvolvimento Económico, a defesa do negócio com informação até essa altura não divulgada – um esclarecimento sobre o PIP entretanto pedido, disse ele. Por alguma razão, não foi D. Diogo a revelar, e a usar, aquela informação supostamente relevante; e talvez pela mesma razão, coube, desta vez, ao vereador Murtinho o papel de ilusionista – fazer o truque de mostrar uma coisa para esconder outra. Falou da gama de produtos mas ignorou (escondeu) o que importa, o que esclarece tudo: o PROCESSO, mais concretamente o MATADOURO.

Nisto da política, o vereador Murtinho pode considerar-se já um feiticeiro, mas não passa de um simples aprendiz (do métier). Já percebemos que já aprendeu que meia-verdade é a melhor das mentiras, mas ainda não sabe mentir.


26 de março de 2021

A doutora Odete a recuar

Na reunião do executivo desta manhã, a doutora Odete questionou o presidente da câmara sobre qual o projecto que vai ser implementado no Jardim da Várzea. D. Diogo respondeu-lhe bem…

Quem olhar para a doutora Odete, naquela intervenção, percebe, pela sua expressão corporal, o vazio e o desnorte. 

A doutora Odete ainda não percebeu que as perguntas avaliam tanto ou mais que as respostas; nem percebeu que em política é sempre mau perguntar, porque pode haver resposta.

A doutora Odete preside ao PS local, é vereadora e candidata a presidente da câmara. Nos últimos tempos (anos), cavalgou unicamente o projecto de requalificação do Jardim da Várzea, e nem sobre esse conhece o estado.   

Havia um certo enigma sobre como é que a doutora Odete iria arrancar, ou se chegava a arrancar, na corrida à camara. Está desfeito o enigma: arrancou a recuar.



25 de março de 2021

A Oeste as coisas aquecem…

... Entre os defensores e os opositores ao Investimento da Lusiaves na Zona Industrial da Guia.

Com a chegada do Pedido de Informação Prévia (PIP), à câmara e à junta, ficou mais claro que a empresa pretende instalar um matadouro e processamento de carne(s) – “uma unidade industrial (tipo I) de processamento alimentar”, num complexo industrial com de 160 m de frente, 190 m de profundidade e blocos com 14 m de altura – um monstro -, junto à vila da Guia, com todos os impactos ambientais conhecidos.

Perante isto, a contestação da oposição (núcleo do PSD do Oeste), da associação de melhoramentos da Guia – Amago, que avançou com um Providencia Cautelar contra o Hasta Pública e o Investimento/Unidade, e de uma boa parte da população, a junta joga à defesa, queima tempo, esconde o jogo, e faz trapalhadas – convocou a contra-gosto uma assembleia de freguesia para discutir o PIP, por videoconferência, que não conseguiu(?) realizar.

Resultado: de um problema fez dois. Em política, os problemas desconhecidos abafam-se (e resolvem-se); os públicos enfrentam-se e matam-se o mais rápido possível.

Quem não tem posições claras sobre questões estruturantes pode servir para muita coisa, não serve para governar.

23 de março de 2021

Casas de Contenção - Uma mudança de paradigma no combate à violência doméstica

 

Numa sessão distrital do Parlamento dos Jovens (https://youtu.be/OOACL_Drrno), iniciativa da Assembleia da República, tropeço numa participação de uma jovem de 16 anos da Escola Básica e Secundária do Padrão da Légua de nome Matilde Simões.

Defende a existência de “Casas de Contenção” para que, após uma denúncia de violência doméstica e feita a análise de risco, não são as alegadas vítimas que têm que abandonar o seu lar, mas sim os agressores. Deixaríamos, com esta medida, de ter Casas Abrigo, como é o caso de uma que existe em Pombal.

Segundo a jovem, seria uma medida de 1ª instância com acompanhamento psicológico e jurídico. Defende que não devemos intervir na vítima, retirando-a do seu quotidiano, mas sim no agressor.

Será o/a agressor/a que deverá sair do seu quotidiano e não o inverso para recolha de mais informação para o processo.

Esta abordagem muda por completo o paradigma, evita um maior sofrimento e teria de imediato uma acção mais directa e eficaz.

Outra das participações refere que a mudança não vai pela educação contra a violência doméstica, mas a educação desde o 1º Ciclo para mudar os papeis de género.

No meio de tanto ruído, existem boas intervenções e quem pensa pela própria cabeça, não se limitando a repetir expressões e frases feitas ou soundbytes.

Esta nova geração, como todas as novas gerações, trazem sempre coisas boas e esperança! 

 



 

22 de março de 2021

Um registo verde a cair de maduro

 Tive que olhar duas vezes para ter a certeza de que não estava ver fotos da década de 90, quando o Dia da Árvore era tudo o que tínhamos em Pombal (e em Portugal, no resto do país não era muito diferente) para pensar no Ambiente e em como seria importante melhorar o planeta para cá continuarmos. 

Tive que olhar duas vezes para as fotografias porque não me parecia possível que em pleno 2021 uma Câmara - que se acha a última coca-cola do deserto em matéria de chavões eco-sustentáveis  mas depois acaba com jardins e privilegia praças - mandasse fazer uns bonés de propósito para a fotografia. O retrato era, afinal, muito mais rebuscado: o Município envolveu naquele excerto de política do enfeite os seus "colaboradores" - como foi amplamente replicado pelos media locais, que há muito desistiram do jornalismo - enfiou-lhes um boné e toca de os pôr a plantar árvores, que bonito. A ideia de plantar estas 140 árvores (que nos fazem falta, estas e muitas mais) foi "repor a pegada carbónica provocada pela quantidade de papel consumido, durante o ano de 2020, nos diversos serviços municipais", diz a autarquia. Todo o mise en scène foi devidamente fotografado e filmado e difundido por colaboradores - esses sim - já que se há feito a registar nas contas de merceeiro do Largo do Cardal é que o Município não criou um único posto de trabalho na área da comunicação. Primeiro valeu-se de um falso recibo verde, agora de avenças e acrescentos enxertados de outros departamentos. E como os delegados sindicais também devem ter desistido de Pombal,  não vimos ninguém importar-se com isso de chamar colaboradores aos trabalhadores, pois que moderno. 

Moral da história: há quem goste de enfiar a carapuça e bater a pala, porque ainda por cima aparece no jornal e nas redes sociais, disfarçado de "colaborador" de multinacional em registo de responsabilidade social. E pensam vocês: isto não é nada face ao que aí virá, em matéria de coaching motivacional.

Há gostos para tudo. 


*fotos de André Malheiro, publicados no jornal O Pinheirinho

17 de março de 2021

De como o Pança se quis montar em dois cavalos (burros) e acabou apeado


“Traidores. Traidores. Traidores do Oeste. Traidores. Traidores. Traidores do Oeste…”; gritava ele, sobressaltado, e sempre em crescendo até à aflição; parecia que acordava no final da agitação, mas logo caia num sono profundo; de onde saia, passados uns instantes, noutra e noutra agitação, noites a fio, há muitas noites… 

Lá em casa já se tinham apercebido, e compreendido, que tamanho abalo se devia ao afastamento do Amo; a quem nunca se fartara de servir, sem olhar a maus dias e a piores noites, sempre atrás do aspirado e prometido título de cavaleiro, e depois a Conde ou a Marquês de uma província qualquer; que depois, dizia ele, “saberei torná-la independente, e reiná-la a meu belo prazer, e fazer do meu conchego rainha e dos meus rebentos infantes”. 

Nos últimos tempos, acordava sempre com o fígado aziado e a mioleira inchada de tanto magicar, e não acreditar, que usança de agradecido, entre Amo e escudeiro, fosse quebrada de modos tão nunca vistos nem pensados, por um Amo tão poderoso. E pior ficou quando percebeu que o desafiador era da sua linhagem, e não lhe dera cavaco nem abrigo, por estar comprometido com os fidalgos do Oeste.

Na passada semana, murmurou o seu plano com o lacaio, que lhe franziu o cenho untoso, como se falasse consigo próprio: “veio-me, Deus sabe a razão, o desejo de me vingar daqueles velhacos”. 

Dito e feito, escrevinhou meia dúzia de afrontas e fê-las chegar ao governador do Oeste, arqui-inimigo dos seus inimigos. Tinha aprendido com o seu Amo que, nisto da canalhice (política), inimigo do nosso inimigo é nosso amigo. Mas logo a coisa chegou ao Farpas, que a fez correr.

Quando o aspirante a príncipe - o Profecta da Boa-Vontade - deste reino demonizado foi alertado para a canalhice, por um seu mancebo, dissimulou à sua maneira desconhecimento da traição, e mandou chamar o Pança.

O Pança chegou calado e fez-se quedo. 

- Diz-me, irmão, se o que se diz nos mentideiros, sobre a tua afronta aos nossos companheiros e amigos do Oeste é mentira ou verdade? – perguntou o Profecta da Boa-Vontade

- É verdade – respondeu o Pança.

- Endoidaste, irmão, ou andais fora de conta! – exclamou, de repente, o Profecta da Boa-Vontade; e acrescentou: - Não te deixes cair em desgraça, como o teu Amo.

- Na desgraça já eu estou - caí de um cavalo e não me deixam montar no que julgava certo – retrocou o Pança.

- Se o estás é por tua sandice. Agora, que te poderia dar estado, esbardalhas-te todo…!   

- Sei bem que às vezes me desmando, digo e faço coisas que não vêm a pelo, mas as minhas intenções sempre as dirijo para bons fins, e até Deus e o Diabo já escreverem direito por linhas tortas – retorquiu o Pança.

- Esta rixa, irmão, não é uma rixazinha; é uma rixa que poderá desgraçar-nos num momento – alertou o Profecta da Boa-Vontade.

- Desgraçado já eu estou – retrocou o Pança -; perdi o meu Amo e a confiança dos da minha linhagem. Mas digo, e juro-o, e podeis crê-lo ou não, que é tão certo como Deus ser Santo e Cristo ser Deus: farei campanha contra todos os causadores da minha desgraça.

- Irmão, não há motivo para te vingares de ninguém, nem isso é de bom-cristão e de bom-escudeiro. Bem sabeis que é feio agir por ódio e tomar cabal vingança – profetizou o Profecta da Boa-Vontade.

- Sei bem por que assim falais, mano; estais mui comprometido com o conde e os fidalgos do Oeste, esses traidores, que conspiraram a teu favor, e muito demandaram contra o seu Senhor natural e a Pátria … - retrocou Pança.

- São nossos companheiros e irmãos, irmão; acalma-te e pede perdão – suplicou o Profecta da Boa-Vontade.

- São hereges, maus cristãos e maus companheiros… – retrocou o Pança. O pior deles é o dito conde, que uns valentes açoites merecia, ou prendê-lo e fazer-lhe justiça segundo as culpas dele.

- Irmão!; na empreitada que temos pela frente, todos contam, todos são importantes…

- Contam, mas não são de confiança nem da tua linhagem; e se traíram os da sua linhagem mais depressa trairão um filisteu, que bem diz o rifão: cada ovelha com a sua parelha – asseverou o Pança, já irritado.

- O poder fez-te mal, irmão; ainda não foste apeado e já trazeis cara de desgovernado. Toma um pouco de ruibarbo; purga essa cólera; talvez, assim, reencontres as energias positivas - aconselhou o Profecta da Boa-Vontade.

- Tenho que me vingar dos traidores à Pátria e à nossa Majestade – sentenciou o Pança.

- Diz-me, irmão, como bom-cristão e bom-escuteiro, conheceis os Mandamentos do Evangelho e a Lei da Alcateia?

- Conheço… – respondeu o Pança. 

- E qual a é tua divisa, que juraste cumprir?

- Servir “(me)”.

                                                                                                Miguel Saavedra

14 de março de 2021

A Clarividência Inesperada?

Consta que João Pimpão, Vice-Presidente da Comissão Política da Secção de Pombal do PSD, entregou uma declaração ao Pombal Jornal onde manifesta apoio incondicional a Gonçalo Ramos e defende que as três ou quatro pessoas eleitas pelo PSD "na Guia não representam projectos positivos, reformistas e de união” e que, na sua opinião, não são a forma de estar do partido que governa o Concelho há 24 anos.

Aguardemos se o Pombal Jornal publica esta declaração na íntegra, que colocará definitivamente o PSD contra as personalidades que sempre defenderam o partido no Oeste e abrirá o início do processo de rejuvenescimento a poente.

Esta declaração trará por um lado uma tentativa de não beliscar a candidatura à Câmara pelos eventuais resultados negativos do partido e pisca o olho à equipa de Gonçalo Ramos para um futuro apoio e no desejo de a terem nas suas fileiras.

Dificilmente o actual executivo cairá na tentação de se candidatar pelo PSD, até porque o facto de ser independente lhe traz o apoio da maioria da população da segunda maior freguesia do Concelho e já mostrou que não precisa de partido nenhum a apoiá-lo.

Uma eventual candidatura do PSD no Oeste irá seguramente ter consequências na quantidade de votos para a Assembleia Municipal e para o Executivo Camarário, pelo que este apoio inesperado abre caminho para nem irem a jogo e apoiar a lista de independentes (mesmo sem eles a quererem) para, pelo menos, conquistar uma vitória moral.

E surge assim o herói inesperado, aquele que teve a coragem de assumir publicamente o que estará (ou não) aos olhos de todos. Pelo menos as reuniões da Comissão Política serão animadas.

 


 

13 de março de 2021

Crónica de uma destituição anunciada


O que é notícia, por estes dias, não é a designação do Pimpão; é a destituição de D. Diogo - um acontecimento insólito que custa a compreender, até a quem o combateu muito. Como é que um príncipe tão poderoso e dotado de ordinária capacidade cai em semente desgraça; e é forçado a abandonar o trono, com o rabo entre as pernas, escorraçado pelos seus, por todos os seus, humilhado pelo completo abandono, sem uma batalha, sem um duelo, sem uma estocada, sem um ai?

A compreensão disto obrigou este pobre escriba a reler o guião, a tentar encontrar na obra-prima de Maquiavel explicação para tamanha singularidade, para tamanha adversidade do nosso príncipe. 

O nosso príncipe aparentava ser mui douto, mas na verdade exibiu pouca inteligência e má natureza. Começou mal, hostilizando o antecessor e a sua família, e terminou pior, em grande desnorte. Cometido o primeiro erro, no lugar de parar e arrepiar caminho, semeou desordens em vez de as vigiar e acautelar, prosseguiu nas afrontas, necessárias e desnecessárias, aos seus e aos outros, não a um só tempo mas a cada dia, sempre com a faca na mão. Parecia sagaz, e durante algum tempo foi temido por isso, mas revelou-se demasiado temerário e incauto. Deixou-se enredar em brigas de onde nada de benéfico podia tirar, só pelo prazer do desprazer, ao mesmo tempo deixava medrar o desafiador e não cuidava das alianças. Depois, quando era preciso fazer a guerra, evitou-a; mesmo sabendo que uma guerra (que tem que ser feita) não se evita mas apenas se adia em benefício do outro. No fundo, satisfez-se a contender por tudo e com todos, com as leis e com a força; ou seja, foi homem e animal. 

Resultado: acabou em desgraça, escorraçado do reino dos Homens.

12 de março de 2021

Bullying aos artistas

A Câmara Municipal de Pombal decidiu incentivar os Artistas (em maiúscula) pombalenses a participar numa exposição colectiva, agendada para o início de Abril no Teatro-Cine. Na carta-convite, é referido que a exposição visa “promover o trabalho realizado pelos nossos Artistas durante o período de confinamento e perceber como o Artista se exprimiu a nível artístico durante este período, dando a conhecer a todos os públicos os artistas plásticos (aqui já com minúscula) existentes no concelho”. Que ideia brilhante! Que palavras tão bonitas! Vivam os nossos Autarcas (em maiúscula), que tanta sensibilidade revelam face a um sector tão penalizado pela pandemia.

Acontece que esta não é a verdade toda. É verdade que os artistas foram convidados, mas também é verdade que o convite não prevê qualquer remuneração. Ou seja: a Câmara convidou os artistas plásticos a trabalhar a custo zero numa inciativa que decidiu promover. É também verdade que os artistas necessitam de visibilidade, mas, mesmo os que desesperam pelos seus 15 minutos de glória, não podem aceitar trabalhar apenas a troco de divulgação. Têm que ser pagos com euros, pois são os euros que lhes permitem pagar as contas ao fim do mês. 

Parece haver aqui uma grande confusão: os artistas pombalenses são trabalhadores, vivem do seu trabalho! Se Diogo Mateus e a vereadora Ana Cabral querem fazer uma espécie de “Jogos Florais”, convidem os filhos ou sobrinhos a fazer uns desenhos e umas coisas giras. Não brinquem é com quem vive do seu trabalho! O convite feito aos artistas é indigno, é vergonhoso! Ainda por cima quando é feito num tom beato, por alguém que está a ser remunerado para o fazer. 

Deixo um apelo final ao jovem artista plástico pombalense que resistiu à leitura do post até aqui: não aceites convites de trabalho que não sejam remunerados. Pintura é trabalho, ilustração é trabalho, fotografia é trabalho. Caso o faças, estás-te a prejudicar a ti e aos outros. Quem dispõe do teu trabalho és tu e tu apenas. És tu quem decide quando e a quem queres oferecer o teu trabalho. Não desperdices essa tua prerrogativa com quem não a merece. Os borlistas que tem a ousadia de te convidar para trabalhar a custo zero, não percebem a precariedade da tua profissão nem o que tens que fazer para teres uma vida digna. Como diz Miguel Esteves Cardoso no texto que aqui respigo, "os borlistas são piores do que bullies: são os novos esclavagistas".

10 de março de 2021

ADN236 - Propaganda barata

O PSD local – Pedro Pimpão – resolveu fazer uns Webinar a que resolveu chamar ADN236. Pela amostra, o ADN é fraco. Tão fraco que o primeiro, sobre “O Conhecimento ao Serviço do Desenvolvimento”, não se pode deixar passar em claro, por aqui.

Que os provincianos de cá não dominem “o Conhecimento”, “o Desenvolvimento” e a relação entre ambos, compreende-se e aceita-se; que Académicos, peritos na matéria, não tenham nada para dizer sobre a temática para além de simples banalidades (orador dixit) mal ataviadas, não…

Que a província - esta - se regule pela pobreza franciscana, aceita-te; da Academia (e afins) espera-se um poucachinho mais.