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22 de novembro de 2025

Pombal e o Poder de Compra dos pombalenses

O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, referente a 2023, recentemente publicado pelo INE, disponibiliza três indicadores de síntese que traduzem o poder de compra manifestado em cada região e por concelho. O Indicador per Capita do poder de compra (IpC) é o mais relevante porque traduz o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, tendo por referência o valor nacional.

Para nós, interessa-nos perceber como se comportou o nosso Pombal, no último ano e no último quadriénio, em termos absolutos e comparativamente aos concelhos da sua região. A Região de Leiria (NUTS III) obteve um IpC (92,73) abaixo da média nacional, com Leiria (103,52) a superar a média nacional. Os restantes concelhos ficaram abaixo da média nacional; mas Pombal, com IpC de 84,18, ficou não só abaixo da média nacional como bem abaixo da média da sua região (92,73). E mais preocupante que o baixo valor de IpC é o fraco ritmo de aproximação do concelho aos valores médios. No último quadriénio, Pombal cresceu unicamente 1,46 pp, ao rimo de 0,37 pp/ano. Decididamente os números confirmam aquilo que já sabíamos há muito: as festarolas e a diversão podem distrair momentaneamente, mas não trazem riqueza e bem-estar.  

Mas interessa igualmente dar nota do crescimento significativo dos concelhos de Figueiró dos Vinhos (6,39 pp), Alvaiázere (5,81 pp), Castanheira de Pêra (4,93 pp) e Ansião (3,90 pp) no último quadriénio; e Ourém, um concelho vizinho e já meio do interior, com IpC de 87,63, afastou-se definitivamente de Pombal. 

Siga a festa.



NR: As descidas dos valores da Marinha Grande devem estar associadas a uma causa especial, provavelmente metodológica, que não consegui apurar.

10 de novembro de 2021

Poder de Compra – evolução de uma década

O INE divulgou recentemente o Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio (EPCC) que integra informação estatística reportada ao ano de 2019, relativo à população residente em 31 de dezembro de 2019.

A partir de 16 variáveis socioeconómicas o estudo disponibiliza três indicadores: o IpC, Indicador per Capita do poder de compra (primeiro fator extraído da análise), que pretende traduzir o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, nos diferentes municípios ou regiões, tendo por referência o valor nacional; a PPC, Percentagem de Poder de Compra (indicador derivado do primeiro fator), que reflete a importância do poder de compra manifestado quotidianamente em cada município ou região no total do país para o qual a PPC assume o valor de 100%; o FDR, Fator Dinamismo Relativo, que pretende refletir o poder de compra, de manifestação irregular e, geralmente, sazonal, associado à dinâmica que persiste na informação de base para além da refletida no Indicador per Capita, relacionada com os fluxos populacionais induzidos pela atividade turística.

O estudo revela que Área Metropolitana de Lisboa (121,8) e o Algarve (100,8) constituíam as duas regiões com valor de IpC acima do nacional. As três restantes regiões do Continente — Norte, Alentejo e Centro— registavam IpC relativamente próximos: 93,0 para a região Norte, 90,8 para a região Alentejo e 88,7 para a região Centro

A região de Leiria registava IpC de 91,98, abaixo da média nacional mas acima do valor da Região Centro (88,7).

Dentro da região de Leiria, Pombal registava o valor de 82,72, abaixo da Região Centro e ainda bastante abaixo da Região de Leiria. Contudo, regista uma recuperação significativa (9,29 pp), tal como Porto de Mós (12,47 pp), Pedrogão Grande (9,87 pp), Ansião (9,13 pp), Alvaiázere (9,09 pp), Figueiró dos Vinhos (8.94) ou mesmo Castanheira de Pêra (6,65). No entanto, convém referir que a recuperação é mais fácil quando se parte de um valor baixo.

No que se refere ao PPC, Pombal não regista nenhuma melhoria. Já no que se refere ao FDR evidencia uma melhoria significativa (de -0,152 em 2009 para 0,169 em 2019) que estará relacionado com algum incremento da actividade turística.   

19 de agosto de 2020

Terras (região) em rumo



Na falta de melhores propósitos para as suas terras, os presidentes de câmara de Leiria e Coimbra continuam entretidos com a briga pela localização de um suposto aeroporto na região centro.

Falta saber se querem iludir ou andam iludidos. Pareceria menos mal que só quisessem iludir; porque para ilusão, que se tornou tormenta, já deveria chegar os elefantes brancos que existem nas suas terras - os malfadados estádios municipais. 

Os presidentes de câmara de Leiria e Coimbra, e outros, já deveriam saber, por experiência própria, que há investimentos (empreendimentos) que vale mais não fazer...

11 de julho de 2020

Gante na Caixa Agrícola



O que aconteceu hoje na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal mostra bem como não há poderes eternos nem absolutos: quando se quer muito, quando se trabalha afincadamente para isso - e quando o poder apodrece de maduro - a mudança acontece.
A lista B, liderada por João Gante, derrotou a lista A, liderada por Albano Carreira (em segunda escolha, perante a desistência de Diamantino Leal). 653 votos contra 480, mais seis brancos e três nulos. Quer isto dizer que as eleições mobilizaram mais de mil sócios.
Afastado de Pombal pela anterior administração, João Gante regressa agora pela porta grande, como presidente do Conselho de Administração. Vamos ver como se comporta no poder de uma das maiores unidades do Crédito Agrícola do país: 20 balcões entre Pombal, Penela, Soure e Condeixa. 

17 de dezembro de 2019

Sobre Poder de Compra e o falacioso D. Diogo

Por feitio ou por se sentir acossado por as coisas a não estarem a correr bem em várias áreas da administração municipal e na realidade concelhia, D. Diogo agarrou-se ao Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2017, publicado recentemente pelo INE, para se vangloriar longamente na reunião do executivo e na AM. Afirmou que “Pombal consegue ser a única cidade da região de Leiria que cresce mais de dois dígitos”, no IPCC, entre 2007-2017, e que “vale a pena pensarmos nestas coisas e sermos bastante claros nessa identificação das causas e das diferenças políticas que podem de facto trazer aos nossos territórios comportamentos distintos. É o que isto diz, é o que isto diz, demonstrando inequivocamente: aqui há uma diferença sobre os outros territórios”. 
Como em terra de cegos quem tem um olho é rei, D. Diogo pegou no indicador IPCC, no qual Pombal, apesar de mal posicionado, apresenta alguma melhoria, na última década, para pintar o quadro cinzento com cores alegres. Vendeu a sua banha-da-cobra; e a oposição (o PS) comprou-a sem reclamar. 

D. Diogo pode confiar muito nos seus dotes de retórica e na sua capacidade para subjugar consciências, mas não conseguirá falsificar a realidade. D. Diogo mentiu literalmente e por meias verdades (igualmente mentiras), nos números, nas conclusões e nas explicações. Os dados e os gráficos abaixo demonstram-no.




Mentiras maiores:
- Diogo dixit: “Pombal consegue ser a única cidade da região de Leiria que cresce mais de dois dígitos”. 
O IPCC de Pombal cresceu abaixo de dois dígitos, cresceu 8,35, e não foi o que mais cresceu. Porto Mós (12,31); Ansião (10,88); Figueiró dos Vinhos (9,87) e Pedrogão Grande (9,33) cresceram mais que Pombal; e a Alvaiázere cresceu quase o mesmo (8,18).
Perante isto, ressalta uma constatação inequívoca que contraria toda a argumentação de D. Diogo: Pombal compara muito bem - neste como em outros indicadores - com os concelhos do interior norte. 

E perante esta evidência, pergunto (a D. Diogo e aos leitores): os concelhos do interior norte concertam as suas políticas de investimento? Nestes concelhos o IPCC está a ser influenciado significativamente por políticas concelhias?

1 de maio de 2019

Pombal em desfalecimento acentuado

O INE acaba de publicar os dados do saldo natural de população (diferença entre nascimentos e óbitos) por concelho. Todos os concelhos da região do Pinhal Litoral perdem população, mas Pombal destaca-se negativamente: é, de longe, o que mais perde; até quando comparado com os concelhos do Pinhal Interior.
Não há indicadores mais fiáveis da evolução das comunidades que os demográficos.
Todos os dados mostram o desfalecimento acentuado do concelho. Só falta apurar as causas e os responsáveis. Apesar de tudo, tarefas fáceis. Assim haja vontade de o fazer.


8 de novembro de 2016

Floreado caro


A Câmara Municipal de Leiria (CML) decidiu adquirir, por uns imódicos 4,15 milhões de Euros, o edifício do antigo Paço Episcopal, com intuito de lá instalar uma Loja do Cidadão. No edifício funcionou, até há pouco tempo, uma Loja da Zara; mas um dos maiores empresários do mundo, com um dos negócios mais rentáveis, não o quis, abandonou-o.
A Loja do Cidadão de Leiria esteve prevista para o topo norte do Estádio Municipal (área sem utilização), mas o actual executivo recusou essa localização e optou, agora, pelo Edifício do Paço Episcopal, com o argumento da necessidade de atrair pessoas para o centro da cidade.
Desde o investimento ruinoso na construção do novo estádio municipal que a CML vive uma situação financeira delicada, com dificuldade de honrar atempadamente os seus compromissos e sem grande capacidade de investimento. Surpreende, portanto, que decida aplicar 4,15 milhões de Euros num edifício para lá instalar um serviço – Loja do Cidadão - que não faz parte das suas atribuições. A câmara de Pombal também tem embarcado nestes floreados – adquirir/construir edifícios e fazer obras que competem ao Estado -; mas com uma pequena/grande diferença: tem muito dinheiro disponível (e não sabe onde o gastar).
Para além do questionável racional económico-financeiro do negócio, vale a pena analisar o propósito subjacente: forçar os utentes a deslocarem-se ao centro da cidade, quando lhes deveria facilitar a vida (acesso e estacionamento). Estamos perante a mesma artimanha que um candidato à câmara de Pombal defendeu para dinamizar o turismo local: construir um circuito para os peregrinos de forma a fazê-los passar pelos locais mais actractivos.
Por outro lado, é questionável o interesse (o efeito dinamizador) de uma Loja do Cidadão. O modelo surgiu no primeiro governo de J. Sócrates como uma resposta circunstancial à necessidade de agilizar a criação de empresas (o pior item de Portugal nos Rankings de competitividade), mas não se desenvolveu, acrescentaram-lhe somente alguns serviços complementares. As Lojas do Cidadão tenderão a esvaziar-se, fruto da inevitável reorganização do Estado e do desenvolvimento da e-governance; o que já se verifica com vários organismos públicos.
Logo, não se percebe esta bebedeira com a Loja do Cidadão, nomeadamente no edifício do Paço Episcopal. Um vício caro.