A Câmara Municipal de Leiria (CML) convidou Carlos André, ex-Professor de Letras (na UC) e ex-governador Civil de Leiria (pelo PS), para elaborar a Estratégia 2030 de Leiria. O documento custará 35.000 € à autarquia; e ajudará esta, supostamente, a “resolver problemas instalados e tendências verificadas”, “prevenindo o impacto das mudanças disruptivas” como “as exigências decorrentes das grandes alterações tecnológicas em curso e as provenientes das alterações climáticas” – in RL.
Independentemente da reconhecida competência de Carlos André como professor de letras, não lhe é reconhecido conhecimento técnico, experiência e competência na área do planeamento estratégico territorial. Por conseguinte, é estranho - ou talvez não - que se entregue, tão levianamente, tarefa tão exigente e complexa a uma pessoa sem provas dadas na matéria, nomeadamente quando na terra existem empresas especializadas na matéria e o Instituto Politécnico de Leiria, que todos o políticos gabam, com grupos de estudo na área e com metodologia e técnicos habilitados para o efeito.
Marcelo Caetano definiu – bem - o seu mandato como “evolução na continuidade”. Na verdade, o país da falsa moral, do caciquismo e do clientelismo político, retratado pelo Eça e pelo Ramalho nas Farpas, nunca nos abandonou. O regime pode mudar profundamente, de monarquia absolutista para monarquia constitucional, de república para ditadura, e de ditadura para democracia, que a instrumentalização e a veniaga política não mudam. E a ética republicana, passado um século, continua ausente.


