Mostrar mensagens com a etiqueta PSD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PSD. Mostrar todas as mensagens

1 de março de 2026

Pombal já voou. Agora segurem-se.




Se algum dos estimados leitores tiver paciência para ver o vídeo da Assembleia Municipal, comece pelo fim. Pode ser pela intervenção da antiga vereadora e deputada Ofélia Moleiro - que depois do corte com o partido, à conta do apoio ao amigo Narciso Mota, voltou em ombros (tal como ele), e é agora uma espécie de padroeira dos eleitos e dos heróis de capa azul e amarela, vulgo trabalhadores. Aqueles a quem pagamos, tu e eu, todos nós, para fazerem o seu trabalho. Pasme-se: não são voluntários. 

Comece pois pela intervenção da doutora Ofélia, incumbida de fazer um laudatório que incluiu até o "importante troféu" que o doutor Nelson Pedrosa recebeu, na BTL (aquele evento onde os nossos autarcas vão pavonear-se, e tirar muitas fotos e publicar nas redes), por causa do seu desempenho nos dias que se seguiram à catástrofe. Em contraponto, não gostou do pedido de uma comissão de inquérito à resposta da Protecção Civil, em Pombal, aos acontecimentos de 28 de Janeiro. "Isto é criar um circo dentro desta assembleia", disse ela, sem se dar conta de que, com essa imagem, só estaria a ofender os palhaços e os malabaristas. Não é bonito, doutora Ofélia. Mesmo quando nos dedicamos ao contorcionismo. Assim como não é bonito ver os seus companheiros tornarem a Assembleia Municipal numa taberna. Não acredito que se reveja na chafarica em se tornou o órgão. Quem chegou agora à política e nunca conheceu outra coisa, até pode achar normal. Mas não é. 

Foi o que aconteceu neste sábado, num salão a que chamamos Nobre. Tenho o maior respeito pelo trabalho de João Pimpão, enquanto presidente de Junta, mas perco-o totalmente quando entramos na intervenção político-partidária. Nos últimos quatro anos foi travado pela mão firme de Paulo Mota Pinto, que nunca permitiu a escalada, mas agora, com João Coucelo, faz o que quer, diz o que quer, e sobra-lhe tempo. Destrata os pares da bancada do PS, e tem um coro ao lado e atrás de si: Daniel Ferreira, de Vermoil (melhor fora que aplicasse energias no tanto que falta fazer na sua freguesia), Fernando Neves, de Albergaria (é melhor não falarmos desta freguesia, por agora...) e outros que tais. Tem também uma voz afinada do outro lado, o ex-presidente Eusébio Rodrigues, de Carnide (que finalmente conseguiu voltar à ribalta) com pérolas do nível "se não quer ouvir, tape os ouvidos". Pese embora os que, igualmente do PSD, também sentiram vergonha do estado a que chegou a AM, o que fica desta primeira sessão pós calamidade é uma luta na lama.

Podemos discutir se os eleitos do PS têm moral para falar do que se passa terreno. Mas ali representam cada um dos eleitores que votou neles. E desrespeitar isso é desrespeitar a democracia. Para mais, têm tanta moral como certos eleitos do PSD, que saberão da realidade nas aldeias (e nos subúrbios da cidade, onde só houve luz na semana passada e ainda não há internet nem televisão) pelo ecrã do telemóvel ou pelas imagens da TV. 

"Nos tempos que correm, o que o povo quer saber é quando e quem lhes resolve os problemas". A frase de Manuel Gonçalves terá sido das mais acertadas que ali se disseram. Mas o PSD - a quem não basta ganhar e ter tudo, precisa de espezinhar - gosta pouco que o questionem. Onde é que já se viu questionar a actuação do socorro na tempestade? Quem é que tem o topete de não estar agradecido e embevecido com o exército dos coletes e dos casacos amarelos ou laranja? Quem ousa viver sem encher a boca com a palavra resiliência, e com o jargão "juntos somos mais fortes"?

O Pedro acredita convictamente que os serviços que lidera conseguiram proteger as pessoas.  Diz que tem dificuldade em perceber as críticas, ou mesmo o "tribunal das redes sociais", onde mora a maior parte do tempo, como sabemos. Não compreende ele que o confrontem com a pouca visibilidade de Pombal nos media nacionais, porque depois dizem que é só propaganda. Esse é o ponto, meu caro Pedro. Chama-se comunicação.

Posto isto, se o estimado leitor for daqueles a quem ainda ninguém foi perguntar se estava vivo, se precisa de alguma coisa, ou não encontrou nenhum dos membros das equipas multidisciplinares que os autarcas asseguram que andam no terreno, é porque teve azar. E livre-se de perguntar pelo Plano de Acção Climática, que deveria ter sido aprovado até Dezembro do ano passado. Leiria já tinha. "E então? Em Leiria aconteceu pior que em Pombal!" - atirou João Pimpão. Vamos mesmo comparar a resposta?Claro que assim não discutimos o elefante na sala: o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil. E o serviço que o sustenta. Da parte dos presidentes de Junta, só Sandra Mendes, da Guia, pôs o dedo nessa ferida.

Portanto, agora que foi aprovado o plano tridimensional Pombal avalia, Pombal Protege, Pombal Renasce, nada temam. Pombal está bem arrumado. Já voou mais alto.

20 de novembro de 2025

Ao PSD não basta ganhar e esmagar. Precisa de brincar na lama


 


Mal se soube que o lugar de vereador do PS na Câmara de Pombal iria ser ocupado por João Coelho, o PSD não perdeu tempo a pôr as unhas de fora. Ontem à noite disparou um comunicado vil, completamente desmedido, travestido de nota à imprensa. Diz o PSD que "lamenta que o PS Pombal tenha enganado os pombalenses" e que "a renúncia de Fernando Matos demonstra estratégia socialista premeditada". Quanto à primeira, já lá vamos. Quanto à segunda, era bom, era. Significava que no PS Pombal havia estratégia. 

Lendo atentamente o laudo timbrado pelo PSD, percebe-se bem o desconforto: que bom seria se ali continuasse para todo o sempre doutora Odete, mas não podendo ser, que fosse o doutor Fernando Matos, "o meu amigo Fernando Matos" - como a ele se referiu nos debates o todo-poderoso Pedro Pimpão. Ora, quer dizer que isto de o PS só ter um vereador foi uma grande vitória, mas isto de ter João Coelho ali a incomodar é uma chatice. E sim, até poderia ter sido premeditado, mas estou em crer que Coelho só não foi candidato porque não quis. É passível de crítica? É. Pode o PSD vir dizer que foi premeditado? Não. 

Ora vamos então fazer um exercício de memória, coisa que - já se percebeu - rareia no PSD local. Poderíamos começar pelo topo, quando essa reserva moral do partido que é Durão Barroso decidiu dar de frosques do lugar de maior responsabilidade - o de Primeiro Ministro - para a Comissão Europeia. Bem sei que nessa altura o presidente da concelhia do PSD, João Antunes dos Santos, à época adolescente, o mais alto que via era a presidência da associação de estudantes da Secundária de Pombal. Mas aconteceu, e isso sim, foi enganar os portugueses, colocando Santana Lopes no poder. Mas vamos descer na hierarquia do país, para ser mais fácil: 2009, Leiria. A medalhada deste ano no 11 de Novembro, Isabel Damasceno, agora intocável presidente da CCDR, perdeu as eleições para a Câmara de Leiria, quando se preparava para um terceiro mandato. Renunciou ao mandato do PSD, deixando o partido tão esfrangalhado em Leiria como o PS em Pombal desde 1993. Claro que dessas autárquicas que colocaram o PSD neste pedestal em que hoje senta, JAS não tem memória. Ainda não era nascido. Mas fazemos o obséquio de lhe contar: nesse ano em que veio ao mundo, muita coisa aconteceu. Por exemplo, o executivo com que Narciso Mota ganhou a Armindo Carolino, foi logo estraçalhado nos primeiros meses, quando a promessa do vereador para as Finanças da Câmara, César Correia, bateu com a porta e renunciou ao mandato. Mas outros se haveriam de seguir (o próprio João Coucelo, agora essa espécie de senador do PSD que até sabe de cor a letra dos Vampiros), ao longo do reinado de 20 anos. Quem havia de dizer que o PSD local chegaria a este estado de dar tiros nos próprios pés, armando-se em arauto da moral, fazendo letra morta da lei - que prevê isso tudo, no universo das suspensões e renúncias, num impulso infantil.

Por fim, vamos descer à terra de de Joãozinho, Vila Cã. Há dois mandatos consecutivos que a população elege um presidente da junta que passa a maior parte do tempo ausente. Conta-se pelos dedos da mão (e sobram) as assembleias municipais em que se foi ele próprio, ao invés de se fazer representar pela substituta.

Pensando bem, percebe-se que pelo menos há estratégia. O PSD atirou ontem ao inofensivo PS porque era preciso anular um outro escrito: a carta aberta do movimento Pombal Independentes à presidente dos Bombeiros, Ana Cabral, que é também secretária da AM. O episódio (que deveria ter vindo a público logo na hora, durante a campanha, até para se perceber que, dos 9 membros da direcção, 6 iam nas listas do PSD em lugares de destaque) mostra bem como o PSD controla, à descarada, as associações e instituições do concelho. De resto, o dia terminou em cheio, com a eleição da mais nova das irmãs Longo para a presidência da Associação de Pais da escola Gualdim Pais. Ah, também lá está o comandante dos bombeiros. 


21 de outubro de 2025

Do Oeste ao Faroeste: como repor a "normalidade" democrática na Guia

Se houve freguesia onde a população nunca engoliu a agregação, foi a Guia. Para sermos rigorosos, não foi bem a população da freguesia, mas antes um nicho dela, oriundo da vila. Acresce que, nos últimos dois mandatos, a ferida ficou em carne viva à conta de polémicas várias, e sobretudo porque o PSD perdeu ali (na União de Freguesias) as eleições duas vezes. 

Ora, nas eleições do dia 12, cumpriu-se a máxima da "Guia aos Guienses", devolvendo a freguesia aos aguerridos, e voltando a colocar todas as peças no seu lugar, o que inclui, claro está, o PSD no poder. E estava tudo pronto para essa nova vida da terra quando uma sucessão de episódios caricatos nos veio mostrar que às vezes é ténue e a linha que separa o Oeste do Faroeste. O que nos fez soar campainhas foi um comunicado do PSD Freguesia da Guia (assinado pela futura presidente da Junta, Sandra Mendes), demasiado "explicativo". Pois que, afinal, ao contrário do que anunciavam os cartazes, Carlos Mota Carvalho não vai ser o Secretário da Junta de Freguesia, mas antes o Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia. É certo que esse é um papel que lhe assenta muito melhor, doutorado que é em presidências de clubes e associações. Porém, o que teria sido honesto de todas as partes era assumir-se, perante o eleitorado, que esta sempre foi a jogada.

É certo que as eleições acabaram na noite de 12 de Outubro, mas o processo eleitoral só fica concluído com a instalação dos órgãos autárquicos. Na maioria das Freguesias o acto acontece nos próximos dias, e talvez o caso da Guia possa servir de exemplo às restantes, onde uma horda de novos autarcas nem sempre conhece as linhas com que se cosem os processos legais (e naturais) da democracia. Lembremos por isso os senhores e senhoras presidentes que são os únicos automaticamente eleitos. Os executivos não são indicados, nem nomeados. São eleitos, em assembleia própria, tal como está bem explico na lei. Que é a mesma para todos, e não consta que a Guia seja um cenário de Western.



15 de outubro de 2025

O dia seguinte aqui no aeródromo

 



As eleições passaram e ganharam os do costume. Talvez bastasse esta frase para resumir o que se passa em Pombal, só que não. O que tentamos fazer aqui no Farpas é deixar uma marca, para quem vier depois, e por isso é importante juntar a esse repositório algumas notas sobre este momento que parece inédito. 

1. O PODER.  O PSD continua a fazer bem o seu trabalho,  e a fazê-lo sem oposição. A ideia de "vitória histórica", aplicada às 17 freguesias do concelho, pode colar bem nos que chegaram há pouco, nas redes sociais e no discurso global, mas é preciso ser-se rigoroso: não é a primeira vez que o PSD domina tudo, com as suas pessoas (Carnide, 2001, com um movimento supostamente independente, liderado por Eusébio Rodrigues). A única excepção, nalguns actos eleitorais dos últimos 32 anos (desde que o PS perdeu a Câmara) terá sido o Louriçal, freguesia que ficou aliás conhecida como "a aldeia gaulesa", em duas ocasiões. E mesmo assim, numa delas, aconteceu com um candidato que vinha do PSD. Não haja ilusões: terá sempre bons resultados o poder que se perpetua, tem as suas peças bem distribuídas no xadrez (desafio-vos a olhar para a composição de associações e instituições), enquanto põe a mão no ombro dos que ousam levantar a cabeça.

2. A 'OPOSIÇÃO'. a)O PS continuará a somar derrotas enquanto não tiver coragem de se assumir como oposição. O comunicado divulgado ontem, a prometer "oposição construtiva" (música para os ouvidos de Pedro Pimpão, que logo o aproveitou) mostra bem que ali não há vontade nenhuma de tirar ilacções sobre escolhas e resultados, causas e consequências. Resta saber o que vai fazer com o único lugar na vereação, para o qual Fernando Matos não tem o mínimo de apetência.

b) O movimento Pombal Independentes - criado a reboque do efeito bem sucedido no Oeste, nos últimos anos, deu em quase nada. Apesar de Luís Couto ser eleito há muito como adversário preferencial de PSD e PS (o que indiciava bem o potencial), faltou-lhe coragem - para confrontar, denunciar (o episódio com a direcção da AHBVP, a propósito da cedência de um espaço, é épico) e mensagem. Pode ter o condão de trazer de novo para o espaço público um homem como António Moderno, cujo papel foi relevante na construção do poder local democrático neste concelho.

c) o Chega. Manuel Serra foi eleito sem fazer um único dia de campanha, sem programa, mas também não era preciso. Não é por acaso que André Ventura usou a sua cara em todos os cartazes de todos os concelhos deste país. O antigo presidente da União de Freguesias do Oeste, que até há meses era militante e dirigente do PSD, apanhou boleia do partido que mais rapidamente o levaria ao destino: a cadeira de vereador na Câmara Municipal. Alcança a maior percentagem de votação nas freguesias onde, aposto, nem sequer o conhecem. 

Perante este estado da arte, e sabendo nós que ninguém consegue parar o vento com as mãos, este post é especialmente dirigido àqueles que, vivendo aqui, têm a honestidade de perceber que esta hegemonia não é boa para ninguém. Faz mal à democracia, dissipa a massa crítica, asfixia o ambiente. Mas isso só percebe quem está fora da bolha laranja, que é gigante, e onde cabe sempre mais um. O único caminho é levantar a cabeça e ser cidadão. Na rua, no bairro, na colectividade, num colectivo qualquer. Ir às Assembleias de Freguesia, à Assembleia Municipal, participar nas reuniões da escola e do clube dos filhos. E abrigar-se do vento. 


27 de agosto de 2025

Os bandarilheiros de Abiul

 Sandra Barros, que daqui a um mês e meio termina um ciclo de 12 anos como presidente da Junta de Abiul, foi uma das (poucas) boas surpresas nos últimos anos, no domínio autárquico. Pese embora a estrangeirinha que fez ao CDS depois de vencer a primeira vez, cumpriu os seus mandatos com discrição e competência. E tinha tudo para deixar o nome bordado a ouro naquela freguesia. Mas eis que vem a público a sua participação no novo elenco do PSD. Numa primeira impressão, poderia parecer que se candidata a presidente da mesa da assembleia (o que também é discutível, mas a malta já encara com naturalidade), só que não: o cartaz é explícito. E foi ainda mais explícita a utilização da página de Facebook da presidente/candidata, criada há quatro anos. Mesmo que um rebate de consciência tenha obrigado a apagar a ousadia...há coisas que deixam marca. Uma vez na net, sempre na net...

Ora, sabendo nós que o candidato Celso Mendes foi escolha de segunda ou terceira água, está bem de ver o que vai acontecer ali, o jogo de faz-de-conta-que-ela-já-não-é presidente mas na prática...será. 

Tanta chatice atormentou outros casos, como o presidente da Pelariga, por exemplo, e afinal estava encontrada a solução para contornar a limitação de mandatos. Um problema, isto das leis e das regras da democracia. Coisas terrenas, que pouco afectam quem voa lá no alto.



20 de agosto de 2025

Fazer a festa antes do tempo

O povo, na sua imensa sabedoria, costuma dizer que é mau sinal festejar antes do tempo. Esta manhã o Pedro veio às redes embandeirar em arco porque, pasme-se, o PSD é a única força política que concorre em todas as freguesias. 

Percebo a euforia, a sensação de vitória antecipada, mas o Pedro esquece-se (como tantas vezes) que continua a ser presidente da Câmara. E ver-se a este espelho deveria fazê-lo corar de vergonha. Porque esta foi a estrada que ajudou a abrir, num concelho onde prevalece o "medo de dar o nome", de "dar a cara", de afrontar o poder. E é um bocadinho triste embrulhar-se nesta lençol de vaidade, mesmo que depois misture ali não-sei-quê de humildade. 

Por este andar, chegará o dia em que dispensa eleições.

O que gostaríamos de ver: que os anos teriam ensinado alguma coisa ao Pedro, e que esta forma de despovoamento o preocupava, enquanto autarca. Mas ao contrário, prefere viver numa realidade paralela. Ah, sempre precisa do PS para alguma coisa: não contente com os 10 slogans que o acompanham, ainda se socorre do slogan usado pelo malogrado António José Rodrigues, nas autárquicas de 2001 - Vamos a isto Pombal!

Vamos pois. Com toda a lata.



14 de agosto de 2025

O Pedro insiste no erro – o Pedro é um erro

Ontem, o PSD divulgou a lista à câmara que o Pedro escolheu para o acompanhar em mais quatro anos da sua comédia folclórica. Nos lugares potencialmente elegíveis aparecem a repetente Isabel Marto, o professor-primário Marco Ferreira, a tarefeira Ana Carolina e a enfermeira Patrícia Rolo! Pelo caminho ficaram a Catarina Silva e o Pedro Navega - e a Gina Domingues. Fica só uma dúvida no ar: se o Pedro sabe mesmo escolher, ou se não tem mesmo por onde escolher - serão com certeza as duas faces da mesma moeda (da má moeda). 



Um dos maiores vultos da cultura e do pensamento europeu, Goethe, afirmou: diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Com esta "escolha", que se segue à anterior, o Pedro confirmou o que já se sabia: é um inepto (político) - criatura destituída de capacidade de aprendizagem e de avaliação daquilo a que se propõe. 

Desgraçadamente, nesta malfadada terra, o PSD - meia-dúzia obstinados, alheados da realidade, escolhidos ou controlados pelo Pedro - continua a dar-lhe carta branca para ele cometer barbaridades políticas que nos sairão muito caras. Perdeu-se definitivamente o sentido da responsabilidade e a noção de causa e serviço público. Isto já não é Política; é uma farsa, uma comédia ofensiva, ruim e indigna, representada por péssimos actores. Mas se o povo gosta, siga a festa.

22 de julho de 2025

O voo (solitário) do Pimpão




Ia dizer aqui que Pedro Pimpão deu anteontem o pontapé de saída para a campanha eleitoral das autárquicas 2025, mas não é verdade: nem ele deu pontapé nenhum, porque apenas materializou o estado de levitação em que vive (desde sempre), nem a campanha começou agora. 

Nestas eleições, o camião da vitória que o PSD popularizou com Narciso Mota foi destronado pela avioneta. Pimpão levantou voo. Convidou o concelho inteiro para embarcar com ele, mas uns tiveram de abandonar, outros parecem ter uma consulta às 5. Muitos tinham a expectativa de ver apresentada a lista de vereadores que o vai acompanhar, porque adivinha-se uma razia: o único vereador que ele queria manter, o arquitecto Pedro Navega (que salvou a honra do convento tantas vezes, neste mandato) quer outros voos, regressando à vida profissional. 

O Pedro percebeu (!) que com esta equipa não vai a lado nenhum, e quer substituir cada uma das três vereadoras. Ainda não decidiu qual delas vai encaixar na PMU, na dúvida entre Isabel Marto ou Catarina Silva. Sendo assim, estão abertas pelo menos três vagas de emprego para o próximo quadriénio, fora os apêndices, vulgo adjuntos/as ou secretários/as. 

Porém, o que resta do partido não acha muita graça a essa secção de recursos humanos com ligação directa entre a rua Luís Torres e o Largo do Cardal. Um hábito interrompido ao tempo de Diogo Mateus e que o Pedro retomou, a todo o gás. Há desconforto instalado com tamanho à-vontadinha.

Mas voltemos então ao domingo passado, ao jardim das Tílias, à apresentação onde era suposto o povo conhecer a lista à Câmara, e os candidatos às juntas. Da primeira nem sinais, dos segundos…nem todos apareceram. De resto, aconteceu o mesmo com o mandatário, Luís Marques, e com o presidente da Comissão de Honra (que bela maneira de arranjar uma guia de marcha para um presidente da AM incómodo), Paulo Mota Pinto.

Como Pimpão continua a viver nas nuvens, talvez acredite mesmo que os últimos quatro anos foram notáveis e extraordinários. Para quem vive na terra, sabemos que foram quatro anos a fazer de conta que evoluímos e desenvolvemos. 

O Parque Verde? Não temos. Embandeirar em arco por ter "desbloqueado o processo"? Menos, Pedro.

A mobilidade? Era com as bicicletas, que não promoveu, e se tornaram um flop. 

O CIMU Sicó? Há-de tornar-se, um dia, o centro natural das obras que ninguém sabe para que servem mas onde enterramos milhões. 

Mas calma, que vamos ter uma residência para estudantes. Estudantes de quê? E onde? Lá estão vocês com perguntas chatas. “Se faz é porque faz, se não faz é porque não faz”. 

E sim, o Pedro cumpriu o desígnio de sermos uma smart city: já não precisamos de semáforos, o comércio vai encolhendo para a avenida, voltámos a ter os táxis no Cardal…com jeitinho ainda voltamos a ser vila. 

Por agora Pombal voa mais alto. O problema vai ser quando aterrar.


16 de abril de 2025

Autárquicas'25: sobrou pr'a nós o bagaço da laranja


As eleições legislativas que atravessamos vieram refrear qualquer ânimo autárquico, por estas bandas. Vivemos uma espécie de quarta-feira de cinzas prolongada, num jejum de acção política e abstinência participativa. Sem critério nem noção, os partidos mais expressivos vão pingando nomes para as Juntas de Freguesia, ora antes ora depois dos candidatos à Câmara.
Vão longe os tempos em que o trabalho político era levado tão a sério como merece. O que sucede em Pombal é um prolongamento do recreio que este último mandato imprimiu no espaço público, anunciado desde logo naquela tomada de posse de Pedro Pimpão, que de solene teve apenas a toalha de mesa. 
Em Janeiro passado, o PSD resolveu anunciar um candidato à Junta (na Redinha) mesmo antes do (re)candidato à Câmara. Depois seguiram-se outros, que avançam para segundas ou terceiras núpcias. Até agora não sabemos nada do candidato à Assembleia Municipal, se é que Paulo Mota Pinto ainda tem paciência para isto. Por outro lado, sabemos que há no PS um candidato ao cargo um pouco baralhado com as funções, a avaliar pelo caderno de encargos que apresentou na página do partido. Já do candidato à Câmara, não sabemos nada. Depois do estrondo do anúncio, quando era esperado que um estreante na vida pública -  como é o caso do médico Fernando Matos - se fizesse notar, por palavras e actos, do candidato do PS assistimos ao silêncio ensurdecedor. Uma espécie de cabeça de lista fantasma, que paira sobre eventos e reuniões, sem dizer ao que vem. Pensando bem, é um bom contraste com o profeta Pedro, que há-de achar "muito interessante esta partilha e estas dinâmicas".
O tempo está para profetas. Veja-se o caso do anunciado candidato à Junta do Carriço, equivocado no partido que lhe vai dar guarida. Está escrito na sua carta de apresentação que nasceu "numa família humilde, honrada e católica", foi acólito e catequista. O sonho de candidato para o CDS de 1976, se ainda existisse por cá. 
Nesta amálgama que povoa a lista dos candidatos já conhecidos com o símbolo do PS, há ainda o caso do candidato de Vermoil, que garante ter "suspendido" a militância...da Iniciativa Liberal. 
A política sempre se fez disto, da mudança de camisolas. Só que no tempo em que havia algum decoro - e alguma higiene nestas coisas - era fácil encontrar a excepção, porque havia regra. Agora é difícil perceber qual é a regra. 
Para cereja do bolo temos já marcada uma apresentação de candidatura: a de Carla Longo, à Junta de Freguesia de Pombal, em plena campanha para as legislativas. Não deixa de ser irónico que o PSD local, feito de profissionais da política (como é o caso desta recandidata) ainda recorra a almoços e jantares destes, como se tivesse novidades para mostrar. 

Sobra-nos, por estes andar, o bagaço da laranja. 

26 de fevereiro de 2025

Centro Natural da Propaganda

 

Não há nada pior que tomarem-nos por parvos. É mais ou menos o que anda a fazer Pedro Pimpão nestes primeiros meses do ano, em que alimenta uma espécie de tabu sobre a sua (obrigatória) recandidatura à Câmara, ao mesmo tempo que utiliza os meios públicos como forma de - descarada - propaganda, esbatendo as linhas vermelhas entre o que é partidário, pessoal, e público. 

Há dias os habitantes deste concelho foram surpreendidos por um panfleto na caixa de correio sob o título "Em Pombal, 2025 é sinónimo de investimento". O infomail é do PSD, Pimpão usa-o como slogan, coadjuvado por outro: "Pombal pela Positiva". Centro Natural da Felicidade, lá está, sem críticas nem farpas. 

O que aqui se condena é este registo de meias-tintas, que, como sabemos, é meio caminho andado para os troca-tintas. 

Para quem diz que ama Pombal, o mínimo que se esperava era a frontalidade. A hombridade de dizer "amigos, sou candidato outra vez, quero manter-me aqui neste lugar e só vocês me podem garantir isso". 

Mas Pimpão prefere dar uma no cravo e outra na ferradadura. Como diz um dirigente do partido que o conhece desde sempre, não abdica de ficar em cima do muro, a meio da ponte. 

O que fez esta manhã, porém, ultrapassa os níveis da decência: usou a página do Município para mais um laudatório seu, à espera de confettis. Uma publicação nas redes sociais da Câmara - onde, não raras vezes, os comentários que não são pela positiva acabam ocultados. 

Pedro Pimpão baralha-se muito, nesta ânsia de se manter omnipresente e conectado a toda a hora. Se esta fosse a sua página pessoal, poderia fazê-lo, claro. Mas as páginas do Município não são dele, mesmo que pareçam. 

E se houvesse oposição, já o tinha posto no sítio. Porque mesmo que a realidade paralela onde vive lho diga, não vale tudo.

Nos próximos meses, que são de pré-campanha, isto promete, senhores leitores. 

8 de janeiro de 2025

Novos protagonistas, velhos hábitos


 Na última reunião da Assembleia Municipal, o JAS (vulgo João Antunes dos Santos, que se gerou há 9 meses deputado da nação) personificou aquilo que o PSD local tem de pior: aquele prazer sobranceiro de menosprezar os adversários, típico de quem prefere ser forte com os fracos e fraco com os fortes. 

Julgava eu que esse era um método passado. E sendo o nosso deputado um rapaz moderno (mesmo que disfarçado de velho), que acompanha com quem defende a igualdade e outros valores, era de esperar que tivesse outros princípios. Só que não. Num rasgo de pedantismo bacoco, decidiu entrar a pés juntos com a representante do Oeste Independentes, Liliana Oliveira, que pela primeira vez participava numa AM. Seria de esperar, pois, que - até por uma questão de educação - fosse (bem) acolhida pelos seus pares. Mas um jovem deslumbrado é sempre um jovem deslumbrado até crescer. E assim se explica a intervenção de JAS (ensaiada tantas vezes com as mulheres da bancada do PS, e outrora com a do Bloco de Esquerda), com o aval do resto da sua bancada, que acha uma certa piada a este tipo de desconsideração. 

Atente-se que o argumento "político" assentava no facto de Liliana (que preside à Assembleia de Freguesia do Oeste, e já provou várias vezes não ter medo de quem rosna) levar uma intervenção escrita, supostamente feita por outro(s). Está bem de ver que Joãozinho se viu ali ao espelho: quantas vezes foi para a AM com cábulas da concelhia, quantas vezes terá feito cábulas para os outros. Lembramo-nos todos das intervenções de tantos eleitos do PSD (mal lidas, por serem alheias), elogiosas do sexo dos anjos e da plantação de orquídeas na Amazónia. 

É o que temos. E é com isto que vamos ter de lidar no futuro. 

22 de outubro de 2024

Aqui não mudam as moscas: multiplicam-se

 

Domingo, 20 de Outubro do ano da graça de 2024. Pombal. 

Tudo corre bem, aqui na terra. Os nossos mais altos representantes estão em êxtase, num corrupio de fotos, posts e selfies nas redes sociais, pois que lá em Braga (quase) todos se safaram numa lista para qualquer coisa. Manifestações de "interesse público", "bem-estar da comunidade" ou "dinâmicas em prol do território" adornam as fotos. 

À mesma hora, um post de uma moradora no lugar de Vale Coimbra (escusam de procurar, já se eclipsou) vai passando de feed em feed: há uma praga de moscas, são aos milhares; um terreno conspurcado por dejectos de galinha tresanda por ali. E atrai o quê? Moscas. 

A cidadã pede ajuda publicamente. Diz que esgotou todas as outras formas, fez todos os contactos ao alcance: GNR, Autoridade de Saúde, Protecção Civil, serviços da Câmara de Pombal e da Junta de Freguesia. Conta que alguns - como foi o caso da Protecção Civil - tão pouco lhe atenderam o telefone. 

As fotos impressionam. Do lado de cá do computador imaginamos o cheiro nauseabundo. À mesma hora, meio Pombal desdobra-se em corações noutro post: o de Carla Longo, a presidente da Junta de Freguesia - que agora faz parte do Conselho Nacional do PSD - a ofuscar as tentativas de Pedro Pimpão. A Charneca, ali tão perto do Vale Coimbra, está em altas. Já se sabe que mais vale cair em graça do que ser engraçada, e afinal isto anda tudo à volta da...Gratidão. 

Já aqui lembrámos várias vezes o quanto nos prometeram o céu, aqui na terra, em fatias de felicidade. E nós, pouco crentes, duvidámos. Agora até um cego vê o que nos está a acontecer: um poder inebriado  pelo barulho das luzes, a viver numa realidade paralela. Serviços paralisados, discursos ocos, uma tentativa de nos atirar areia para os olhos, uma conversa que cheira tão mal como a atmosfera do Vale Coimbra, a lembrar-nos como afinal isto anda tudo ligado. 

Para nosso desgosto, não se vislumbram mudanças. A história há-de contar, um dia, como Pombal foi aquela terra onde nem sequer mudam as moscas, como nas outras. 

Aqui multiplicam-se. 

12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar. 




4 de junho de 2024

Meirinhas – o novo cavaquistão

Realiza-se hoje nas Meirinhas o maior evento de campanha do PSD - agora "rebaptizado" AD – para as eleições europeias na região, com as suas maiores figuras do momento: S. Bugalho e L. Montenegro.



Com Narciso Mota, e depois com Diogo Mateus, Pombal conquistou o estatuto de concelho cavaquistão na região. Mas nos últimos anos perdeu o título para as Meirinhas, por mérito dessa outra grande figura local: o presidente da junta João Pimpão.

Não deve ser fácil uma pequena freguesia arcar com esta responsabilidade de realizar a enfiada de grandiosos eventos do PSD nacional na região. Por isso, este esforço e este dinamismo, que belo uso têm dado ao dispendioso pavilhão que muito nos custou, deve ser realçado, e até subsidiado. 

Força João. O PSD está contigo. E nós também.

8 de maio de 2024

O passeio dos alegres




Há uma marca deste executivo que já fica para a história: o passeio, em forma de roteiro pelas freguesias, disfarçado de "visita de trabalho". Pedro Pimpão foi 'beber' alguns tiques popularuchos de Narciso Mota (que intensificou uma iniciativa criada por Armindo Carolino, no século passado) e assim espalha a sua magia. É ele próprio a personificação da 'inspiração para uma vida mágica', que absorveu do mentor. 
Vista de longe, a ideia parece boa: o executivo vai ao concelho real inteirar-se dos problemas reais, mete vereadores, técnicos, presidentes de junta e quejandos num autocarro, e seguem felizes, pela estrada fora. Faça chuva ou faça sol, de mãos nos bolsos ou braços cruzados, não há semana sem passeio. Ele é Carriço, Carnide, Almagreira ou Abiul, ele é serra e é praia, é a vida a acontecer pelas freguesias, numa roda vida que pouco diz ao pacato cidadão. Se não tiver Facebook, só saberá desses movimentos se passar os olhos pelos jornais, que replicam fotos e declarações, embora não de forma tão aprimorada como a rádio, que acumula imagens nas suas redes sociais, como se de informação se tratasse. 
Os desertos de notícias (estudados ao pormenor pela Universidade da Beira Interior, em 2022) hão-de debruçar-se em breve sobre esse fenómeno: territórios que só aparentemente não estão ameaçados. Ou lembra-se o amigo leitor de alguma notícia (de verdade), incómoda para o poder, com pendor de denúncia, nos últimos anos? Ah, para 'dizer mal já há o Farpas'. 
Detive-me, porém, nas imagens divulgadas hoje, um total de 21 fotografias do passeio. No tempo em que os animais falavam, havia nas Redacções uma regra: evitar o 'Portugal sentado' - fotos de salas ou bancadas de gente acomodada. Depois vieram os gabinetes de imprensa com mais gente que qualquer Redação, nalgumas terras (e as redes sociais, esse maná inesgotável). Na nossa, não é preciso ir tão longe. 
O bom das fotos é que quase sempre falam. E as de hoje, da visita à freguesia de Almagreira, mostram que o (nosso) mundo mudou. Dizem-nos que a alegada 'Oposição' está tão empenhada nestas visitas como o poder. Houve um tempo em que o PS/Pombal organizava as suas próprias visitas. Procurava mostrar o que estava por fazer, e apontava soluções. Agora chegámos ao cúmulo do partido que (hipoteticamente)quer ser poder não só acompanhar a caravana com gosto, como até publicar a propaganda nas suas redes sociais! E ai que de quem aponte um defeito, que a cópia, por ser sempre pior que o original, copia também o pior da gestão de redes: responder a quem está descontente. Aqui chegados, concluímos que é muito mais o que os une que aquilo que os separa. Depois não adianta chegar à noite das eleições e levantar um brinde 'à estupidez humana', como aconteceu nas últimas, de má memória.
À frente nesta corrida, vai João Pimpão. Verdadeiro camisola amarela, não só os manda à fava (e eles gostam) como descreve bem a coisa numa palavra: incrível. 

*fotos do Município de Pombal e Facebook da Rádio Cardal 

4 de abril de 2024

O estranho caso do eleito do PS que é do PSD

 


O caso é comentado há meses entre Albergaria dos Doze, São Simão e Santiago de Litém: Ricardo Francisco, eleito pelo PS na Assembleia de Freguesia daquela União de Freguesias, filiou-se no PSD. A decência mandaria que o rapaz - cabeça de lista dos socialistas nas últimas eleições autárquicas - abandonasse o cargo e fosse à sua vida. Em caso de lhe faltar esse valor, impunha-se que o partido lhe retirasse a confiança política. Porque o partido sabe disto há exactamente os mesmos meses em que o assunto é comentado. Mais: foi tema num plenário de militantes. 

Não há muito a esperar de um partido que se permite ser humilhado sistematicamente por um presidente de junta (o da Redinha), que usa as cores e os meios do partido apenas quando quer voltar a ser eleito. Que não fora a denúncia, aqui no Farpas, de que se preparava para abalar da freguesia, teria feito as coisas à laia de regedor. 

Mas quando o caso incomoda até os eleitos de outros partidos - como aconteceu na semana passada, quando Maria José Anastácio, da CDU, tornou o caso público - chegamos ao ponto de não retorno. O que espera o PS para lhe retirar a confiança política? De o ver num evento público do PSD, a apoiar o líder? Ah, espera, já aconteceu.  


7 de outubro de 2023

Excesso de Zelo, ou a marca de Coucelo


Não restam já dúvidas de que neste mandato autárquico a Assembleia Municipal foi salva por Paulo Mota Pinto: um (verdadeiro) democrata, ciente das responsabilidades do cargo, um homem muito acima da pequenez reinante naquelas bancadas. Esta era a ocasião perfeita para muitos aprenderem como se faz. Só que, para isso, é preciso alguma humildade. 

Ora, na última reunião, Mota Pinto teve de abandonar os trabalhos antes do fim, deixando o lugar entregue a João Coucelo, o omnipresente membro do PSD que tão depressa aponta os nomes de quem fala como salta para a bancada com retóricas sobre tudo e mais alguma coisa. Coucelo já foi, por mais do que uma vez, presidente da AM em exercício. Mas divide com Pedro Pimpão essa apetência para ficar em cima do muro, e por isso nunca subiu o degrau seguinte. Em momentos como o da última Assembleia, percebe-se porquê. Quis dar uma de democrata-mor e aceitou aquela trapalhada da recomendação-e-proposta da bancada do PS. Mas logo a seguir apressou-se a dar o exemplo, não só votando contra, como usando de uma declaração de voto "extemporaneamente" como o próprio admitiu. 

Estas peneiras não se levam a mal doutor Coucelo. Mas também não podem levar-se a bem. 

26 de setembro de 2023

Das crises existenciais nos órgãos autárquicos




 Vai uma trapalhada político-jurídica na Assembleia de Freguesia de Abiul, por causa das sucessivas faltas por parte de um membro do PS - em substituição do eleito Manuel Silva.

Talvez estejamos a abrir aqui a caixa de Pandora. 

2 de maio de 2023

Diogo Mateus acusado de vários crimes

Diogo Mateus foi acusado, pelo Ministério Público, na prática de: “um crime de peculato, em co-autoria com João Pimpão …; um crime de peculato de uso, em co-autoria com João Pimpão…; e um crime de falsificação de documento…”; crimes praticados no exercício do cargo de presidente da Câmara de Pombal; “encontrando-se, ainda, incurso nas penas acessórias de proibição de exercício de cargo político e de perda de mandato, bem como nas penas acessórias de proibição do exercício de função e de suspensão do exercício de função”.



No despacho de acusação, o Ministério Público (MP) conclui que “para execução do seu propósito, o arguido Luís Diogo Mateus conluiou-se com o arguido João Carlos dos Santos, que aderiu ao plano daquele e viabilizou, enquanto responsável pelo Fundo de Maneio do Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara Municipal de Pombal, o pagamento das despesas de deslocação do veículo, bem como de utilização da Via Verde em auto-estradas e parques de estacionamento por parte daquele, à custa do dinheiro do Município de Pombal”. O MP conclui que, tendo o veículo conduzido por Diogo Mateus sido controlado por radar em excesso de velocidade, na A1, ao quilómetro 4.1, em Loures, no dia em este esteve presente no curso que frequentava em Lisboa, a título particular, e tendo a ANSR notificado o município para proceder à identificação do condutor, “Sónia Pereira Casaleiro, Jurista, procedeu à elaboração da resposta a enviar à ANSR, de acordo com a informação que lhe foi prestada por Nuno Filipe Carrasqueira, segundo a qual não tinha sido possível proceder à identificação do condutor do veículo, uma vez que este, em termos excepcionais, também poderia ser conduzido por Vereadores, por motoristas afectos ao sector dos transportes, e funcionários do Gabinete de Apoio à Presidência, sendo que inexistia documento dos registos de condutores do mesmo”. Concluiu também que “elaborada a referida resposta a enviar à ANSR, esta foi remetida ao arguido Luís Diogo Mateus, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Pombal para assinatura”, que “Diogo Mateus leu e entendeu o conteúdo da referida resposta”, “apesar de saber que tinha sido o próprio a conduzir o veículo com a matrícula 22-MH-02, no dia, hora e local constantes da notificação da ANSR e que da resposta deveria constar a sua própria identificação e não a informação de que o condutor era desconhecido”; e que “o arguido assinou a mesma, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Pombal, para fosse posteriormente enviada à ANSR e assim não ser responsabilizado pela prática da infracção estradal que cometera”.

A acusação minimalista veio confirmar aquilo que o Farpas já tinha divulgado e os mais atentos à coisa pública já tinham percebido: o uso e abuso dos cargos políticos para benefício particular, prejudicando o erário público. Dela consta unicamente as despesas indevidas descontadas no fundo de maneio referentes às deslocações de Diogo Mateus ao curso em Lisboa e a falsificação de documento para ocultar identidade do condutor do veículo multado por excesso de velocidade. O MP deixou cair as centenas e centenas de viagens injustificáveis que o veículo atribuído a Diogo Mateus fez fora de horas e os milhares de euros descontados no fundo maneio sem a devida fundamentação e contra todas as regras do controlo dos dinheiros públicos.   Deixou também cair as outras (muitas) multas por excesso de velocidade do veículo atribuído a Diogo Mateus.

Consequentemente, Diogo Mateus e João Pimpão foram o acusados de vários crimes, cometidos no exercício de cargo político. Todavia, vários políticos e dirigentes safaram-se da acusação do crime de falsificação de documentos… Mas não se safam da vergonha pública.

30 de abril de 2022

Ir à lã e ser tosquiado


Enganaram-se redondamente os que julgaram que José Gomes Fernandes não voltaria à Assembleia Municipal, depois dos episódios de fevereiro. Em nome da verdade, confesso: também eu o julgava de espinha mais direita, perante a sua bancada, que o deixou a falar sozinho. Mas quem anda aqui há 30 anos a destilar fel político deve ter alguma dificuldade em recolher a viola. E por isso voltou. Voltou à fila da frente, para enfrentar os "farisaicos" do PS - como lhe chamou. A JGF  não lhe basta que o PSD seja maioria; é preciso que seja supremacia. O justiceiro líder (?) só tem uma vantagem relativamente a muitos sabujos da sua bancada: di-lo de caras*, com toda a raiva, sem as falinhas mansas que tanto o incomodam. 

Desta vez, Marlene Matias respondeu-lhe à letra. O que o PS precisa de entender é que JGF só percebe aquela linguagem. Não se pode usar de outra.

*veremos, nos próximos tempos, se essa frontalidade se aplica/ou a todas as bancadas da AM.