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9 de fevereiro de 2026

Um alerta, contra a irresponsabilidade

A acção política do doutor Pimpão é um jorro dissipador de recursos como se não houvesse amanhã. O que nos vai valendo é a sua (in)capacidade de realização não dar vazão ao rol de desvarios. Há vários, mas um, pela sua dimensão, irresponsabilidade e oportunidade, ressalta, e talvez faça tocar o alarme: o prometido Parque Verde. Teve início da construção prometido para o primeiro semestre de 2025, na Quinta do Emporão, entre o rio Arouca e o IC2, com vários equipamentos caros: piscina ao ar livre, equipamentos desportivos e lúdicos, mini-anfiteatro, cafetaria, casa do ambiente e sustentabilidade, etc. A classe política local aprovou e aplaudiu. E o cidadão comum, que julga não pagar estes desmandos, aceitou a coisa passivamente.



Convém recordar que os proprietários da Quinta do Emporão tentaram, ao longo de décadas, construir naqueles terrenos, ou pelo menos na faixa adjacente à IC2; mas os diferentes executivos rejeitaram porque os terrenos estão em leito de cheia. Coisa de somenos, disse o doutor Pimpão&C.ª, que desconhece o risco hidrográfico (risco de inundações, cheias rápidas, inundações fluviais) ou julga que é coisa que só se aplica aos privados. 

Agora, quando os cidadãos desta região ainda sofrem os efeitos devastadores e as dores da tempestade e das inundações, não era tempo de pôr a mão na consciência e arrepiar caminho? Não era tempo de assumir que se deve respeitar a Natureza, porque ela não é só bela, é também violenta e destruidora?  

Desbaratar recursos públicos em benfeitorias caras em leito de cheia é de uma irresponsabilidade atroz. O Parque Verde, com os equipamentos que para lá se projectam, ficará um dia destes para a história, como o maior atentado urbanístico alguma vez erguido no concelho. 

7 de agosto de 2024

A promessa - história de uma novela chamada Parque Verde






Desde há dois dias que o Pedro anda extasiado com as "notícias" sobre o Parque Verde, a obra (do regime) a que temos direito, e que nos prometeram há 30 anos. A primeira vez que ouvimos falar de um Parque Verde foi no executivo de Armindo Carolino, ao tempo em que o PS era poder, em maioria absoluta. Não, não era este parque verde. Era um idealizado para as margens do Arunca, à vista de todos os que passavam por Pombal. Mas veio a era Narciso Mota e o engenheiro arrasou com os planos passados: decidiu construir a Biblioteca (então pensada para o parque de estacionamento do Centro de Saúde, junto às escolas) no lugar do Parque Verde. Multiplicaram-se então parques, mas de merendas, por toda a parte neste concelho, que isto para a bucha sempre se ajeita melhor. Alguns estão hoje ao abandono, como acontece com aquele lá na minha aldeia. E durante uns anos, enquanto floriam parques nos concelhos vizinhos, nós por cá plantámos calçadas nos largos das capelas, cimentámos recreios nas escolas, tratámos de eliminar o verde, na verdade. 

Depois veio Diogo Mateus, disposto não só a virar a página como mudar o livro - como me disse um dia. Era 2013, e ainda antes de ser eleito presidente, participou desse folclore numas festas do Bodo em que a figura de proa foi Pedro Passos Coelho , à época Primeiro-Ministro: a cidade pejada de cartazes a anunciar o Parque Verde, antecâmara deste que agora foi apresentado. Havia problemas com os terrenos naquela zona, já então dotada do corredor ribeirinho. Mas eis que Pedro Pimpão resolve tudo de uma penada: compra os terrenos. O dinheiro fez-se para gastar, não é assim? Dinheiro é papel, Pedro! E isto bem pode ser meia-bola e força. Não tivéssemos lá implantado (no meio do futuro parque verde!) um campo da bola. Quem é que não quer um campo da bola no meio de um espaço de fruição com a natureza? Ou como diz o novo slogan...é natural [que queira].

E então, numa segunda-feira de Agosto, deste ano da graça de 2024, a Câmara faz o grande número de apresentar o projecto "aos pombalenses". Compõe uma plateia, recupera o desenho, faz-lhe uns ajustes, e...voilá! Está feito o negócio. Como isto anda tudo ligado, até lá esteve o vereador do Ambiente do tempo de Narciso Mota. Ah, o arquitecto também transita desse tempo. 

Tudo está bem quando acaba bem. Pelo menos é assim que sucede nas novelas. 

19 de dezembro de 2023

Um número de contorcionismo

No mandato anterior, as reuniões dos órgãos municipais foram, várias vezes, classificadas como touradas, pelos próprios eleitos. Neste mandato, é um circo insípido, sem arrojo e sem graça, onde, de vez em quando, um malabarista ou um equilibrista voluntarista arrisca um número.

Na última reunião da AM, coube ao dotor Henrique a representação de um número de contorcionismo sobre o malfadado negócio dos terrenos para o Parque Verde. Começou por dizer que, se tivesse participado na reunião anterior, teria votado contra a aquisição dos terrenos, porque, disse ele, nunca compreendeu o fetiche da aquisição daqueles terrenos para aquele fim em concreto. Mas logo rematou que iria votar favoravelmente o novo negócio porque a diferença de preço (de 1.800.000 € para 1.200.000 €), com a dispensa dos artigos em causa, para aquele fim (Parque Verde) o deixava completamente confortável. 

Ficámos a saber que o dotor Henrique não aprecia fetiches caros. Mas aprecia fetiches modestos, de 1.200.000 €! Já o dotor Siopa (& C.ª) prefere os grandes fetiches, que, segundo ele, não têm preço, ou daqui a cem anos ninguém se vai lembrar do preço.



24 de agosto de 2021

Quem foi que se queixou da falta de espaços verdes?


Estou em crer que os candidatos - todos - que andam por aí a falar da necessidade de mais espaços verdes, estão especializados em distrair o eleitorado. É uma técnica usada pela Câmara durante o mês de Agosto, em que o Arunca se apresenta de leito cheio e alindado com um repuxo, e - pelos vistos - massificada.

Ora acontece que, para lá da cortina, o rio vai assim, neste estado verdejante. Escusam de incomodar os especialistas, de tentar perceber o que está a acontecer ao curso de água: há o milagre das rosas e há o milagre das algas. Deleitem-se. 

1 de abril de 2013

Adivinha quem voltou?

Foi um domingo de Páscoa em cheio. Pelo menos até a GNR decidir cortar o trânsito e impedir os mirones de apreciarem aquele espectáculo único. Quer dizer, o primeiro destes desde a inauguração do Parque Verde do Açude, há coisa de um ano.

Dizem os entendidos (aprendizes de iluminados e pseudo-intelectuais) que não podemos impedir a força da natureza, mas devemos prevenir para não remediar. E há (havia) cuidados a ter em conta. Ou então não. Ou então isto chama-se planeamento e visão estratégica, pois que o passeio ribeirinho se transformou em passeio marítimo. Venham as docas, antes das eleições, vá. Perante os atrasos evidentes nas obras do Cardal, talvez seja uma boa alternativa para o dossier inaugurações do Bodo.

22 de março de 2012

O parque ao povo





Insólito não é Pombal ter FINALMENTE um parque verde. Insólito é o Parque Verde do Açude (assim se chama oficialmente o corredor ribeirinho, por que esperámos tantos anos) ter sido inaugurado pelo povo, gente que aqui mora. Sem placa nem discurso nem séquito inaugural. Durante o fim de semana foram muitas as pessoas que contornaram as grades da Câmara para andar a pé ou de bicicleta. E na quarta-feira, dia 21, eis que foi o próprio executivo a entrar nessa festa, como documentam as dezenas de fotos que constam do álbum no Facebook. Chamou-se (o que resta da) imprensa local, o presidente plantou ali qualquer coisa para a posteridade, e decretou-se a abertura do parque. Que já estava aberto, afinal.
Porque quando a obra é útil, o povo não quer dinheiro pr'a comprar um carro novo. Quer usufruir dela, por direito.