27 de dezembro de 2025

Desavença (im)perdoável

Há pessoas pequenas de mais para o lugar que ocupam. E também há pessoas (que se julgam) grandes de mais para o lugar que ocupam. Ambas as situações são problemáticas, mas é o que mais existe por aqui. O doutor Coucelo é um desses casos: um pombalense-de-gema dotado de enorme sapiência, grande e selectiva memória, que, manifestamente, se sente aperreado no lugar que ocupa, presidente da AM, porque, apesar de lhe conferir estatuto, coarta-lhe a eloquência discursiva. 

Na última reunião da AM, aquando da discussão das GOP e Orçamento, o novato Pinhão fez uma curta intervenção que teve tanto de vulgar como de correcta. Mas vá-se lá saber por quê, o doutor Coucelo aproveitou o momento para, sobre o pretexto de defender a história de Pombal, defender o seu PSD e passar um raspanete ao vulnerável principiante naquelas andanças. Como o atacado não se calou, o doutor Coucelo desligou-lhe o microfone e carregou no raspanete.

Foi um episódio triste, que não deveria ter terminado daquela forma. Mas para isso era necessário que na bancada do PS houvesse alguém com coragem. Se há; então vale a pena recordar a lição que Churchill deu ao novato e promissor político inglês, quando lhe explicou no parlamento onde se sentavam os adversários e onde se sentavam os inimigos. 


26 de dezembro de 2025

Ao que nós chegámos!

A reunião ordinária da AM de dezembro é a sessão mais importante do ano, porque é quando se discutem os documentos que estabelecem as opções políticas e as medidas que a câmara implementará no ano seguinte. É a sessão que marca, ou deveria marcar, a agenda política para os próximos tempos. Infelizmente já não é assim...  

Coube à menina JA (para nós será sempre menina), graduada recentemente em amanuense-mor da “junta”, relegando para papel ainda mais secundário a doutora Marto, outrora gestora-vedeta, a tarefa de ler os números que constam dos documentos provisionais, num tom e num modo que cansa e irrita neurónios pensantes.  

A dita oposição não fez melhor…. De lá saltaram, para a intervenção inicial das respectivas “forças” políticas, dois estreantes nestas andanças, Rui Pinhão e um tal Hugo, que da matéria em discussão mostraram saber tanto como boi manso de astronomia. Perante alguns dislates, o doutor Coucelo não perdeu a oportunidade para passar um raspanete ao Pinhão – atrito repetido ao logo de toda a sessão.


25 de dezembro de 2025

Rasteira aos “Patinhos”

É dos livros: as organizações que não aprendem extinguem-se. A dita oposição tem trabalhado afincadamente para a sua extinção – se é que já não alcançou esse desiderato.

Pode-se ser inocente sem se ser ignorante. No último mandato, a bancada do PS local na AM (PS2) autoflagelou-se com o chorrilho de propostas e recomendações, sempre inconsequentes, despropositadas ou irregulares. Mas neste novo mandato, a tontice prossegue… - nunca há nada é tão mau que não possa ficar pior.

O cinismo e a malícia são coisas mais velhas que a honestidade. Daí que tenha uma certa piada rasteirar um patinho e vê-lo de patas para o ar a dar às asas. Mas na política local, no campo da dita oposição, já não estamos na presença de patinhos, mas de anjinhos. O doutor Coucelo foi cruel na rasteira, rebuscada e pouco regular, que fez àquelas alminhas vulneráveis. 

Às vezes dizem-se e fazem-se coisas cruéis por simples caridade ou para não chorar. 

Ora vejam. 


24 de dezembro de 2025

BOAS FESTAS

 


Um “belíssimo” retrato

Para ilustrar a última reunião da “junta”, os profissionais da propaganda municipal (presidente e ajudantes) resolveram tirar e publicar um retrato que ilustrasse a reunião e a realidade subjacente (aos seus desígnios).

Sim senhora! Revelam surpreendente habilidade. 



23 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (II) – uma confrangedora mediocridade

O anterior regime (Estado Novo) não tinha grande paixão pela Educação, mas Salazar era tudo menos burro: sabia, e por isso decretou, que para exercer funções públicas era preciso saber ler e escrever.



A essência da Democracia é o confronto de ideias para, supostamente, através do debate e do contraditório, validar a mais virtuosa. Um processo que exige protagonistas com pensamento coerente e minimamente alicerçado e estruturado e alguma capacidade de persuasão. 

Por cá, tudo isso já foi mandado às urtigas há muito tempo. Mas os resultados das últimas eleições colocaram-nos perante uma nova realidade: já se pode exercer cargos políticos sem, sequer, saber ler, quanto mais falar ou discutir.  

O que mais nos irá acontecer?!

22 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (I)

Está a decorrer a reunião ordinária da Assembleia Municipal, com importantes assuntos na agenda: Impostos Municipais, Grandes Opções do Plano e Orçamento. Uma discussão agoniante e pobríssima, sem excepções, protagonizada por “políticos” impreparados, preguiçosos e desconhecedores da matéria (advogados & outros).

Quando não se domina uma determinada matéria, e se participa na discussão, foge-se inevitavelmente para temas paralelos ou marginais. Foi o que aconteceu. Mas ver advogados a fugir do importante tema Orçamento para falarem, sem qualquer conhecimento, de Crescimento Económico e Modelos de Crescimento/Desenvolvimento chegou a ser confrangedor e até patético.

Como costuma dizer um amigo, quando ouço advogados a discutir Economia e Modelos Económicos saco logo da pistola. Era o que aquilo merecia.    

Sobre a reunião da “junta”

Decorreu, hoje, a reunião mensal da “junta” transmitida e aberta à participação do público, num registo muito tranquilo, cordial e até informal. Uma verdadeira reunião de junta, já a roçar a conversa de café, sem temas relevantes ou polémicos - os que havia tinham sido reservados para a reunião reservada.



O presidente conduzui a coisa com muita descrição e despacho. Isto para ele, agora, já é só um proforma obrigatório. 

O vereador não-eleito, agora assumidamente no papel de porta-voz dos fregueses – coisa que lhe cai como uma luva de seda -, apresentou-se contido, sereno, generoso e até indulgente com o presidente e ajudantes.

O Conde do Oeste transmitiu, muito bem, as suas preocupações (coisas do seu condado) e distribui um ou outro confete e auto-elogio.

O resto assistiu.


21 de dezembro de 2025

O novo sítio do Pimpas - e o que ainda falta dizer sobre a chegada à ANMP


Há qualquer coisa de patológico nesta necessidade constante que Pedro Pimpão tem de partilhar notícias sobre si próprio. Mas esta síndrome do culto da personalidade atingiu agora o auge, a propósito da sua chegada à pseudo liga dos campeões da política autárquica, que é a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Muitos camaradas me têm perguntado por ele, sobretudo depois das primeiras entrevistas. É verdade que conheço o Pedro desde menino, que o vi dar os primeiros passos na política, o único caminho que acabou por trilhar. Mas também é verdade que nunca deixo de me surpreender com esta escalada, a dele e de outros, na região, no país e no mundo. Se os líderes mundiais são os que são, neste momento, por que razão nos havemos de surpreender com esta ascensão de Pimpão ao lugar cimeiro dos autarcas?

O Adelino Malho já aqui disse o que isso (não) representa, na prática, mas é preciso estarmos todos conscientes do que vai significar para nós, munícipes, os que aqui vivemos e pagamos impostos.

Soube que esta jogada estava a preparar-se poucas semanas depois das eleições autárquicas, mas custava-me a crer. Pedro fez o seu caminho direitinho dentro do partido (sobretudo desde que Rio saiu de cena e entrou Montenegro), construiu uma imagem de bom rapaz, de quem diz sempre que sim a todos (menos aos que se lhe opõem, pois que é um unanimista militante). No dizer de um companheiro de partido hoje com responsabilidades grandes, é aquele que “está sempre em cima do muro e a meio da ponte”. Isso garantiu-lhe uma aura de bonomia, cimentou o lado escuteiro, permitiu-lhe chegar à Câmara antes do tempo previsto, afastando com pinças (e ajudas várias) Diogo Mateus do caminho. Não nos esqueçamos deste pormenor.

Depois foi eleito representante dos autarcas social-democratas. Quando soaram as primeiras notas a indiciar que poderia ir para a ANMP, duvidei. Faltava-lhe peso político. Mas não descuremos a capacidade do Pedro construir estratégias. Talvez seja esse o (único) trabalho que faz bem. Rodeou-se dos que lhe haveriam de valer, de alguma forma. Quando vi um artigo de Luís Marques no Expresso (sobre ele), quando foi ao Expresso da Meia Noite, depois ao Observador, e tudo isso há mais de um mês, comecei a acreditar que não era assim tão inverosímil a chegada dele lá acima. Fez acordos com o PS (que ainda não percebeu que vai ser comido de cebolada nesta caldeirada), com os independentes, e seguiu viagem. O que dali vai sair logo se vê, se não for nada é nada.

Mas no meio disto, há uma Câmara que supostamente ele devia gerir, ou, num cenário destes, ter um ou uma vice-presidente à altura.  Acredito, genuinamente, que na sua cabeça o está fazer, através de terceiros. Quando foi buscar um director municipal para (lhe) fazer o trabalho, seria essa a linha de raciocínio. Foi exactamente isso que perceberam alguns novos presidentes de Junta, logo na primeira reunião.

E esse é o perigo. Não há terra que singre sem peso político (o que implica liderança e decisão) sobretudo quando não é ancorado no crescimento económico, pilar do desenvolvimento.

Os vazios costumam ser perigosos, como nos mostra a história, pela forma como são ocupados. E sim, há quem esteja à espreita, a ver se o molde lhe serve.

No meio deste estado a que chegámos, talvez a única réstia de alento no interesse político da terra seja a chegada de João Coelho à vereação, que cria desconforto e desassossego, tão importante neste charco de águas paradas. Mas não chega.

O Pedro começa agora a distribuir o seu jogo fora daqui, entre “máquinas” e “campeões” de outro campeonato. E nós, na liga dos últimos, cá nos havemos de aguentar: um plano e orçamento que repete obras prometidas há duas décadas, o canto da sereia à escala do Arunca.

Basta analisar tudo o que tem dito nesta nova pele para perceber que aplicará uma receita de sucesso: colocar nos píncaros os que trabalham na administração local, falar-lhes ao jeito, pedir que lhes paguem melhor. Mais ou menos como começou por fazer aqui, elevando os funcionários à condição de “heróis de capa azul e amarela”. Música para tantos ouvidos. E o dom de os converter em votos.

Siga a dança, Pedro.


*O Sítio do Pimpas era o nome do blogue que criou na primeira década de 2000, quando decidiu que iria ser político profissional.



19 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”, da passada semana (II)

O vereador não-eleito (doutor Coelho) monopolizou a reunião da “junta”, tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como no seguinte, com assuntos e intervenções de todo o tipo, relevantes e irrelevantes, oportunas e inoportunas, atrevidas e azoinadas. Atreveu-se, até, por ignorância ou insensatez (política), a usar o surrealista tema da garantia da qualidade da água dos fontanários dispersos pelo concelho, em desuso para fornecimento de água para consumo humano há décadas, para abespinhar o presidente. 



Quando o PS local teve um programa político estruturado, consistente e coerente, coisa rara, colocou em causa a qualidade da água do sistema de abastecimento público, e defendeu uma solução segura que felizmente foi implementada com sucesso. Mas nem nessa altura via nos fontanários arcaicos uma alternativa necessária ou adequada para fornecimento de água para consumo humano – coisa rara, irracional e totalmente desincentivada pela autoridade de Saúde Pública. 

Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que não é possível garantir a qualidade e a segurança da água nos fontanários, pela simples razão de a Natureza não ser controlável. Mas há criaturas, de cariz antropocêntrico, que julgam que sim! O doutor Coelho é uma delas. Pegou na ideia tonta do controlo da água dos fontanários por duas razões, uma oportunística, outra intrínseca. Oportunística porque tudo lhe servirá para abespinhar o presidente. Intrínseca porque tudo igualmente lhe servirá para passar a imagem do cândido romântico muito sensível aos sonhos revivalistas de algumas pessoas. Os fontanários caem-lhe, aqui, como sopa no mel. Deus lhe perdoe.

18 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”, da passada semana (I)

 A “junta” reuniu na passada semana com uma vasta agenda (mais de setenta pontos) e pontos relevantes para a comunidade, cidadãos e empresas; nomeadamente o orçamento municipal e os inerentes impostos municipais.



(Só agora damos nota da dita reunião porque só há pouco tivemos acesso ao áudio da reunião; e porque confiamos cada vez menos em relatos feitos pelos actores da trama…).

A reunião foi animada, e picada, tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como no seguinte, com o vereador não-eleito – doutor Coelho – a monopolizar o debate, imbuído do seu propósito supremo: abespinhar o presidente - intento que tem conseguido atingir com alguma mestria.

Mas vamos ao que realmente importa: os impostos municipais. O orçamento traz boas notícias: não aumenta os impostos municipais – ficam pelas taxas mínimas, excepto na derrama. O resto também se mantém: vai derreter muito dinheiro onde não devia. Mas do mal, o menos.

8 de dezembro de 2025

Sobre a propaganda e a infeliz realidade

Todos (os que nos lêem) ainda devem estar recordados do arrojado projecto de requalificação e restruturação da Central de Camionagem, orçado em mais de 4 milhões de euros, que colocaria Pombal nos píncaros do futurismo e da mobilidade suave e inclusiva, e proporcionaria conforto, ócio e bem estar a quem viaja ou simplesmente se distrai. 




O projecto incluía uma Gare Intermodal de Transportes que uniria tudo e todos, as duas margens, com uma passagem subterrânea e outra aérea através de um pórtico monumental de entrada na cidade, que seria o orgulho dos pombalenses (mas logo contestada); uma plataforma que ligaria os diferentes meios de transporte, públicos e privados, com novas bolsas de espera; um segundo piso na Gare subdividido em espaços hoteleiros e restaurantes e/ou bares; e novas zonas verdes (sempre a promessa verde), com espaços de estar, lazer e parque infantil. Eis aqui, levemente resumido, o leque do que nos foi prometido. 

E, agora, o que temos? O que nos ofereceram e oferecem? Temos uma Central de Camionagem retocada, meio abandonada e encerrada ao fim de semana, sem um simples barraco, no local ou próximo, para os passageiros de fim-de-semana esperarem os autocarros minimamente abrigados da chuva e do vento frio ou do sol escaldante. E uma mini-praça, rodeada de lixo, que usaram para meter uma estatueta de mau-gosto de uma criatura viva que não diz nada à terra.

Mas palavras, para quê?! É Pombal no seu melhor...


3 de dezembro de 2025

Retrato de família abrigado da chuva




Na semana passada a Câmara promoveu um daqueles momentos em que as fotos falam. Foi a assinatura dos "contratos-programa de desenvolvimento desportivo" que "representam um esforço municipal de 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝟰𝟲𝟬 𝗺𝗶𝗹 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀, que serão canalizados para o apoio da atividade e 𝗽𝗿𝗮́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗶𝘃𝗮 𝗱𝗲 𝟯𝟰𝟬𝟴 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝟭𝟴 𝗺𝗼𝗱𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀, 𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗶𝘀 𝟮𝟳𝟬𝟮 𝘀𝗮̃𝗼 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼", segundo a autarquia.
Poucos momentos explicam tão bem o tipo de associativismo que temos nesta terra, liderado por quem, para fazer o quê, e como o poder autárquico se alimenta de tudo isto. Está ali plasmado neste "retrato de família", tirado ao mesmo tempo em que, para tapar a cabeça, a manta de retalhos que cobre as infraestruturas desportivas de Pombal deixa os pés à mostra. À mesma hora, a tão saudada vinda da selecção feminina alemã de sub-23 era o espelho disso mesmo: as raparigas não puderam equipar-se no Estádio Municipal onde treinavam porque os balneários não reúnem o mínimo de condições. Fizeram-no no pavilhão Eduardo Gomes, o único que temos na cidade, também ele apenas adaptado a dias sem chuva, tal como acontece de resto nos pavilhões da Redinha e Louriçal. Está tudo bem. Para voarmos mais alto não podemos ligar a estas minudências. Ou então cortamos logo o mal pela raíz: há poucos dias, um camarada radialista queixou-se aos representantes do poder de que na cabine de imprensa do pavilhão chovia como na rua. Um nem sequer sabia que "aquilo era um espaço para a imprensa", outro atravessou-se logo a resolver com prontidão, avisando que, se era assim, proibia o relato e pronto. 
Esta é a cidade que escancara as portas a tudo o que é associação do sector, depois do poder ter acabado com a imprensa livre. Desafio os leitores a pesquisarem no site da Associação Nacional de Imprensa Regional o que disseram aqui os oradores - não há-de ser muito diferente do que aqui vão dizer os que vierem, a 18 de Dezembro, comemorar o Dia Nacional da Imprensa. Por isso a piada faz-se sozinha.
O retrato é que não.