14 de fevereiro de 2017

D. Diogo, o conquistador

                                          Foto: Município de Pombal. Esta terça-feira, em Vila Cã, o engº Abel parece apontar o caminho

Desfeitas as dúvidas, é certo que Diogo Mateus não vai a lado nenhum. Fica em Pombal, onde disputa, nas próximas autárquicas, as eleições da sua vida: é a primeira vez que pode assumir a desforra com Narciso Mota, vingar-se de todas as vezes em que comeu e calou, até chegar à presidência da Câmara, em 2013. Dessa vez, ainda foi agarrado à imagem do "mestre". Usou-a nos cartazes, dando ideia de que estavam unidos para sempre. Quando naquelas eleições de 2001 se candidatou à Junta, não podia assumir a ruptura. E poucos saberão que o fez por instinto de sobrevivência, já que Narciso o deixou de fora da lista à Câmara. Desta vez, preparem-se para o pranto e ranger de dentes.
Na reunião da comissão política concelhia do partido, ontem à noite, já se definiu alguma coisa, mas o órgão continua por aprovar a (re)candidatura.O actual presidente da Câmara vai esticar essa corda até ao limite. Estratega, como só ele, há-de deixar todos os pares na dúvida, quanto a nomes e lugares a ocupar. Na próxima sexta, a Assembleia de militantes há-de confirmá-lo.
No meio desta novela há outra certeza: Pedro Pimpão não tem (outra vez) lugar na lista de Diogo. Mas continuamos a ter candidato, nem que seja à Junta de Freguesia de Pombal. Assim teria tempo para se afirmar localmente como advogado, fazer teatro à sexta, correr ao sábado, ir à bola ao domingo. E para fazer o caminho necessário até à Câmara, de permeio. Fica a dica.

O falso associativismo

O nosso associativismo está infestado pelo falso associativismo - uma praga que se propaga de associação para associação, mais rápido do que a praga dos gafanhotos, se enraíza melhor do que as ervas daninhas, causa mais dano do que o pior dos parasitas. É uma praga que ataca mais as associações importantes - com potencial para gerar receitas - do que as pequenas associações.
A Associação dos Industriais do Concelho de Pombal (AICP) foi atacada pela praga do falso associativismo. Se a AICP tivesse como missão servir unicamente os seus associados e não fosse financiada por dinheiros públicos, a enfermidade era um problema dos industriais de Pombal. Não é o caso.
As associações de industriais são, em qualquer concelho deste país com alguma tradição industrial, entidades influentes e respeitadas, lideradas por industriais com obra feita, que muito contribuem para o crescimento local e regional. A AICP é o oposto do que deveria ser. Foi tomada por profissionais do associativismo - não-industriais e algumas muletas - que cirandam de associação para associação: Consultores, Formadores, Contabilistas, Advogados, Enfermeiros, Agentes de Seguros, Comerciantes, Reformados, etc.
Os Industriais associados da AICP são responsáveis, por acção e inação, pelo estado da associação. Não lhes basta criticarem os dirigentes, actuais e anteriores (a doença é antiga), em surdina; e assumirem, em privado, que não se revêm na associação.
E uma pergunta: todos os membros dos órgãos sociais da AICP assumiram a candidatura? (Ou foi como nas eleições para a Associação dos Bombeiros Voluntários de Pombal?)

12 de fevereiro de 2017

Muita parra, pouca uva


Diogo Mateus não se cansa de apregoar os méritos da parceria que a Câmara Municipal de Pombal tem com a Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social. De tempos a tempos, lá surge um comunicado a referir as maravilhas do programa. 

Sejamos sérios: alguém conhece os resultados de tal parceria? Talvez a culpa seja minha, mas até agora ainda não vi nada de concreto. E quanto ao envolvimento dos pais: é verdade que colaboram efectivamente no projecto ou estão lá apenas porque ficam bem na fotografia?

Como professor e pai, sou o primeiro a aplaudir tudo o que de sério possa ser feito pela promoção do sucesso escolar. Se for essa a vontade dos senhores empresários e da autarquia, trabalhem com descrição e eficácia. Não gastem energia e dinheiro em propaganda oca. Vão acabar por matar uma ideia com potencial a brincar à caridadezinha.

Dissemelhanças

O PSD local sofre de dores de enfartamento, provocado pelo excesso de candidatos - tem três em campanha.

A oposição faz dieta - faz da inexistência modo de vida - e espera que o adversário pereça do enfartamento. 

8 de fevereiro de 2017

E o candidato do PSD em Pombal é...

A novela autárquica segue a bom ritmo com um novo capítulo: "Tendo tido conhecimento da desvinculação do PSD do ex-militante Narciso Mota, a Comissão Política Distrital de Leiria do PSD retira a confiança política de todos os cargos que exercia e reforça toda a solidariedade para com a concelhia de Pombal na preparação do processo eleitoral autárquico". Era o esperado, e era o mínimo, à luz das obrigações e deveres partidários. Mas como nem tudo é normal em Pombal ocidental (nem oriental), estranham-se alguns contornos destes caso.
1. Por que razão é a comissão política distrital a retirar a confiança dos cargos que são ou advêm do concelho? 
2. Quem assina o envio do comunicado é Pedro Pimpão, enquanto "secretário da comissão política distrital". Estamos a atirar a pedra e a esconder a mão? 
Não era a concelhia que deveria exercer essa responsabilidade?
3. É bizarro o atraso na apresentação da (re)candidatura de Diogo Mateus. A não ser...que Diogo Mateus não seja o candidato do PSD. Note-se que, até à data, não há uma palavra do próprio que indique essa disponibilidade, e crescem rumores de que poderá estar de abalada de Pombal. Na verdade, não se levantou a vaga de fundo que era esperada num caso destes. Na Rua dr. Luís Torres fazem-se comunicados com os dentes de fora e tiros nos pés; na Bidoeira faz-se uma coisa insipiente apelidada de comunicado. É como dizia o outro: "se não tens nada para dizer, não digas". Mas neste particular, Narciso Mota terá muito para dizer - a começar pela lista de empregos que arranjou ao longo de 20 anos aos que agora cospem no prato onde comeram. Porém, os telhados de vidro nunca foram boa cobertura...
Esperamos para ver se o PSD local será consequente com tamanha valentia escrita, e propõe a demissão de NM da presidência da Assembleia Municipal.


7 de fevereiro de 2017

Politiqueiros da insegurança no IC2

O título do Diário de Leiria soa a alarme: “Pombal: autarcas fazem ‘ultimato’ para exigir obras no IC2”. A notícia reforça o toque a rebate: “as juntas e a câmara municipal deram um prazo, até final do mês, à empresa Infraestruturas de Portugal (IP)…. Caso contrário, estão dispostos a encetar uma “luta” com marcha lenta e outras iniciativas de “maior força””.
O deputado Pedro Pimpão – o grande reivindicador das obras – afirma que é “uma causa que nos une a todos”. Não lhe passei procuração para falar por mim. Compreendo-o, e não o censuro por me incluir no molho: é um exageradão, vive da ressonância.
Não nego que o IC2, nomeadamente no troço que atravessa o concelho, precise de obras. Todas as estradas, todos os anos, precisam de obras. Nego é que seja insegura (ou, melhor dito, menos segura que o resto da via) e que seja o grande problema de Pombal (temos tantos, infelizmente) ao ponto de exigir um toque a rebate.
Utilizo o IC2, todos os dias, no troço Pombal – Leiria. Considero-a uma via segura e relativamente fluída para o volume de trânsito que a procura. Podia ser mais segura? Podia. Mas mais segurança implicará, sempre, perca de outras valências. Podia ser mais rápida? Podia. Mas maior rapidez acarretará, sempre, mais dificuldade de acesso. Tenho muitas dúvidas que as populações que vivem nas imediações da via desejem limitações no acesso e no atravessamento da via. E sejamos sérios: mais segurança obrigará a isso. As recentes alterações no IC2 têm dado primazia total ao veículo automóvel; e, por vida disso, a colocação de separadores centrais, forte redução do número de acessos e cruzamentos, e proibição dos motociclos e bicicletas. 
Uma intervenção profunda no troço que atravessa o concelho, dando primazia total à segurança, não é uma prioridade para o concelho, e tenho muitas dúvidas sobre os seus benefícios globais.

5 de fevereiro de 2017

O estranho caso da ADAC

A Associação Desportiva e de Acção Cultural da Charneca comemorou este fim-de-semana 42 anos. Casa cheia, música made in Pombal, um misto de várias gerações que insistem em rever-se na emblemática colectividade da periferia. É ali que as bandas continuam a ensaiar, é aquele o palco que Pombal continua a ter para mostrar muito do que aqui se faz. Como se fosse preciso, de quando em vez, beliscar-mo-nos para perceber que "estamos vivos" - expressão perfeita utilizada, amiúde, pelo vocalista de uma banda que veio de Braga. 
Na noite de sábado, 4 de Fevereiro, não havia entidades oficiais nem selfies politiqueiras no salão da ADAC. Mas havia todo o talento dos irmãos Jaca, da Catarina, do João, da Iolanda ou do Calika, que a partir de Londres continua a organizar eventos assim, e a fazer-nos acreditar num final feliz para este filme. O talento dos The Hecklers e dos Quinta-Feira 12. É gente que não figura nos cartazes das festas do Bodo, que não é presença regular nos eventos municipais, mas que faz andar uma cidade e um concelho, que escreve o nome da terra no país inteiro e fora dele. Que enche o peito a dizer "obrigado Pombal!"
Foi bonita a festa, pá. Terminou com uma exibição de vários pares de automóveis da GNR, numa declarada caça à multa, em todas as ruelas da Charneca que desaguam na cidade. É tão valente exercer a autoridade de madrugada, nos becos alcatroados de fresco (iupi!) junto de perigosos espectadores dos concertos da ADAC...é talvez a prova da grandeza daquela carismática aldeia, que olha lá de cima para o Cardal. Saúde!

3 de fevereiro de 2017

O respeitinho.


Esta semana ficou marcada pela agressão de um professor a um aluno, na escola Marquês de Pombal. Aconteceu tudo numa aula de substituição, essa artimanha do sistema que mantém os meninos na sala, quando um professor falta, aos cuidados de outro qualquer, em vez de os deixar brincar - para o bem de todos.  Os factos foram descritos pelo irmão do miúdo agredido, no facebook, num post partilhado centenas de vezes por amigos, conhecidos, curiosos da comunidade. Ainda bem que foram: num tempo esquizofrénico como este, a rede (que tantas vezes é um pelotão de fuzilamento) tem esse lado libertador, de democratizar o acesso ao público. E isso para mal dos pecados de quem acha que tudo se resolve dentro de quatro paredes, com os panos quentes do sistema, que abafam todos os males - sobretudo os/dos maiores. Não faltaram moderadores furtivos, nem justificações diversas para o injustificável. De todos os argumentos e tentativas de apagar o sucedido - alguns podem revelar-se eventualmente chocantes, como entidades legalmente superiores sugerirem primeiro o silêncio cúmplice, e mais tarde a retirada do post do facebook. Neste particular, uns e outros vivem ainda noutro século, sem perceberem que nada se apaga: uma vez na net, sempre na net. 
Mas à distância dos dias, o que fica é a questão de fundo: tal como no flagelo da violência doméstica, não perdemos a mania de fazer de conta que não existiu, e pior - somos fartos a arranjar justificações para um adulto que, dentro de uma sala de aula, leva uma criança a fazer xixi nas calças. 
"O meu filho quase ficou numa cadeira de rodas e ninguém fez nada", desabafou um pai, por estes dias, no facebook, aludindo a uma história do passado recente. Só há uma maneira de alguém fazer alguma coisa: Falar. Escrever. Destapar. Ou ainda há dúvidas?

2 de fevereiro de 2017

Tiros na água

Antes dos jogos de computador, a malta entretinha-se muito a jogar batalha naval. Por estranho que pareça, o gozo maior do jogo nem era ganhar, mas responder ao adversário: ÁGUA - que significava um tiro na água.
O PSD local parece ter perdido a pontaria – só dá tiros na água. Mas o problema não é só de falta de pontaria ou de ponto-de-mira mal calibrado; é mais grave: é do tipo de munição.

Nos últimos tempos, bastava ao PSD dar uns tiros para o ar que toda a passarada batia asas e se refugiava. Agora o PSD enfrenta um adversário muito diferente - que gosta de dar o peito às balas - e que todo o eleitorado conhece muito bem – qualidades e defeitos; méritos e deméritos. É uma nova realidade, muito mais complexa.

31 de janeiro de 2017

Falam os rotos do mal remendado

PSD faz ataque pessoal a Narciso Mota com comunicado titulado “Narciso Mota faz rotura com o PSD por motivações pessoais”.

30 de janeiro de 2017

Onde se conta o que o Pança tinha para contar ao Príncipe

A todos surpreendeu a presença do Pança no lançamento da candidatura inimiga. E mais ainda o fazer-se acompanhar pelos fieis-ajudantes: a donzela e o lacaio. Todos perceberam que não vinha em apoio, mas "cuscar" para si e para o amo. A presença da donzela percebe-se - gosta de se mostrar - mas a do lacaio levantou suspeitas...  
O Pança não disfarçou a inquietação durante o evento, e no final mostrou-se irritado aos aos microfones da Cardal (como o Cid assinalou bem). No trajecto de retorno, desabafou longamente com os fieis-ajudantes. Estava preocupado, e quis, de imediato, por o amo ao corrente dos contornes da ameaça; mas lembrou-se, atempo, que o Príncipe não gosta de ser incomodado quando se entrega à família, e que é dever de fiel escudeiro não acrescentar preocupações ao preocupado. Deixou a coisa para hoje de manhã. Quando, hoje, se apresentou na câmara, já o Príncipe o esperava; e nem o deixou sentar-se, mandou-o logo entrar.
- Com licença, Alteza; e bom-dia – disse o Pança. Cumprimentaram-se.
- Sentai-vos, e contai-me o que vos pareceu aquilo – ordenou o Príncipe.
- O que sei dizer a Vossa Mercê: estamos lixados – opinou o Pança com ar abatido. O traidor apresentou-se forte, coadjuvado com outros traidores - ex-esquerdistas - e desalinhados de peso. Dói, só de ver, a forma como bajula o povinho, parecendo mergulhar-lhes no peito com cortesia e humildade.
- Não percebo – contrapôs, agastado, o Príncipe -, afiançáveis que o homem estava Ché-ché, e que não chegava à contagem dos votos…
- Enganei-me, Alteza. Enganámos-nos…- anuiu, com ar triste, o Pança.
- Que o coveiro de Albergaria o apoie, percebe-se e ajuda-nos, até; mas a Condessa de Lagos…! Estava esquecida, dei-lhe palco, tem-nos bajulado tanto, e trai-nos desta forma! Desabafou, entristecido, o Príncipe.
- Tocou Vossa Mercê no ponto que me despertou mais rancor. Deveis aplicar sem demora o castigo reclamado pela traição para evitar mais deserções – propôs o Pança.
- Não digo menos disso — respondeu o Príncipe. Porém, para me ajudares contra o traidor, hás-de ter mão nos teus ímpetos naturais, Pança.
- O Senhor tem a faca e o queijo na mão, e a espada. Não pode deixar a onda levantar-se, senão… – incitou o Pança.
- Os dias não são para sangria. Seria loucura tentar semelhante feito! – contrapôs o Príncipe.  Lembra-te Pança: quem faz imoderado uso da espora, termina por matar a montaria. E não vos esqueçais, Pança; essas despesas, a serem feitas, cabem ao Chefe Pimposo.
- Isso deveria Vossa Mercê saber quando começou o reinado – retorquiu o Pança. E acrescentou: - Agora, concordo, talvez seja tarde…
- Não te entendo, Pança – contrapôs o Príncipe. Umas vezes criticais-me porque gero muito odioso, outras porque sou macio!
- Senhor meu, se Vossa Mercê se enfada, eu calo-me e deixo de dizer aquilo a que sou obrigado como leal escudeiro – retorquiu o Pança. Pois se me não entendeis, não admira que as minhas sentenças sejam tidas por disparates. Não se agonie Vossa Mercê comigo, e desculpai-me a ousadia — continuou Pança — que me não criei na corte, nem estudei em Coimbra.
- Dize, Pança; tudo o que te vier ao pensamento e à boca…- demandou o Príncipe.
- Só quero o seu bem, Alteza. Que Deus o ilumine e a Nossa Senhora do Cardal o proteja. 
                                                                                                                        Miguel Saavedra

29 de janeiro de 2017

Narciso Mota ao ataque

Na apresentação da candidatura, em resposta à pergunta se continuará como presidente da assembleia municipal, Narciso Mota respondeu afirmativamente. E recordou que o PSD já escorraçou dois presidentes da assembleia municipal: Meneses Falcão e Luís Garcia. Lembrou, ainda, que se opôs à moção de censura contra Luís Garcia (que este ganhou, mas posteriormente renunciou ao mandato); e aproveitou bem a pergunta para afirmar que sempre cumpriu os mandatos e deixar o recado que, se o demitirem, ocupará o seu lugar na assembleia como independente.
Narciso Mota sabe bem que o PSD escorraçou Meneses Falcão e Luís Garcia sem razão – puro terrorismo político - e que Diogo Mateus foi o mentor e executor do ataque a Luís Garcia.
Neste momento, Digo Mateus e o partido podem assacar a Narciso quebra de solidariedade política. Resta saber se têm tomates para o fazer. Narciso Mota desafiou-os!

28 de janeiro de 2017

O regresso de Narciso

Foto: facebook da candidatura. Narciso ladeado por Ofélia Moleiro (que deverá ser cabeça de lista à Assembleia Municipal) e Rodrigues Marques, que há-de ser o que Deus quiser nesta campanha.

Depois de apresentada a candidatura independente, ontem ao final do dia, no velho auditório da Caixa Agrícola, Narciso Mota está lançado. 
Foi um evento e tanto, aquele: sala cheia, propícia à melhor crónica de costumes. Narciso esteve igual a ele próprio, provando aquilo que já se sabia - vale tanto sozinho como encostado ao PSD, do qual, de resto, já se desfiliou. Falta-lhe máquina, como ficou provado no discurso escrito mas pobre, por exemplo, mas sobra-lhe autenticidade, tal como mostrou no momento de perguntas e respostas aos jornalistas (sim, aquilo era uma conferência de imprensa). E não lhe falta povo. Na sala havia de tudo - empresários, autarcas, ex-autarcas, apoiantes, curiosos, medrosos e outras espécies - mas era sobretudo a populaça que ali estava, para o aplaudir genuinamente, mesmo tendo em conta que uma grande maioria do eleitorado ainda não sabe desta candidatura. Os que o rodeiam talvez não saibam que há uma parte deste concelho que não vive na net. É por isso que a apresentação de ontem foi mesmo o tiro de partida. A partir de agora a luta vai endurecer. Do lado do PSD (que é como que diz de Diogo Mateus e de Pedro Pimpão, que vivem disto) virá muito chumbo grosso, sob as mais variadas formas. Mas os estilhaços desta bomba chamada Narciso hão-de chegar também ao PS. Mais: o tempo e os votos dirão a quem roubará mais esta candidatura independente. Por isso, a presença massiva dos dirigentes e eleitos socialistas na apresentação de ontem é só desperdício. 
Como o CDS continua em banho-maria, não sabemos ainda os danos colaterais que (também aí) provocará este "Pombal Humano". Já que a carne está quase toda no assador, agora e ver se Narciso tem brasas suficientes para a manter nos próximos meses. Mas uma coisa certa: na história de Pombal há um antes e um depois destas autárquicas, pois que não restará pedra sobre pedra da muralha laranja que aqui se ergue vai para um quarto de século. Por ironia do destino, o mesmo 'cavalo de Tróia' que elevou o partido, pode bem ser aquele que o vai afundar. Ou como dizia, numa noite de eleições, há muitos anos, um actor político que já cá não está, "um dia vão-se digladiar uns aos outros".

23 de janeiro de 2017

A doença saudosista

Que vivemos numa terra de saudosistas, ninguém o ignora.
O saudosismo é um traço fundamental da alma portuguesa, aprofundado por meio século de salazarismo. Em Pombal, é uma doença mística fomentada por um messianismo profético que junta política e religião, que se alcandorou a doutrina política e social. É fenómeno que passa despercebido, alimentado por um processo biunívoco – de-cima-para-baixo e de de-baixo-para-cima – que se transformou num modus vivendi, que se faz passar por uma coisa natural mas não o é. O saudosismo não é uma coisa boa, é um mal. Um mal que enfraquece, que retira intensidade à vida, que desfoca da realidade, que conduz a uma vida desgraçada. E quanto mais desgraçada é a vida, mais o sentimento saudosista se propaga, se alimenta do resgate do passado; um passado que pode ter sido alegre ou muito generoso para alguns, mas não o foi para a maioria.
Em Pombal temos um poder saudosista que esgravata no passado - e alimenta quem o faz – na busca de memórias ou fósseis que alimentem o que Espinosa chamou uma oscilação de potência determinada por uma ideia passada de um momento alegre. E os seus acólitos servem-no; e encontram nestes serviços os seus momentos de glória.
Por muito que muitos se esforcem por encontrar e mostrar as minudências desta terra, Pombal é o que é; e nunca será outra coisa enquanto não se focar no seu presente; enquanto não viver, de corpo e alma, o presente. 

20 de janeiro de 2017

Cultura em destaque


A coreógrafa, pedagoga e programadora cultural Madalena Victorino foi distinguida com o Prémio Universidade de Coimbra 2017. No dia da tomada de posse de Donald Trump, é bom salientar que ainda há quem saiba reconhecer a generosidade e a entrega aos outros como um valor maior. 

Esta portuguesa de excepção tem desenvolvido um trabalho notável e marcante para a performance em Portugal, em especial para a dança, nomeadamente pelo carácter comunitário das suas criações. Quem teve a oportunidade de participar nos seus espetáculos – seja como intérprete ou como público – pode atestar da sua generosidade e sensibilidade cativantes. Os méritos da sua obra estendem-se às áreas da pedagogia da dança, das artes na comunidade e na educação, assim como das relações entre o teatro e a dança. Mas mais do que uma referência na dança contemporânea, Madalena Victorino foi também uma das mentoras no desenvolvimento dos chamados Serviços Educativos no nosso país e na programação de eventos que promovem a inclusão cultural e social através das artes contemporâneas.

É enquanto programadora cultural que quero destacar o seu contributo, pois penso que poderia ser inspirador para quem dirige os destinos do nosso município. Madalena Victorino, em conjunto com Giacomo Scalisi, pretendem que a arte tenha uma intervenção na construção do dia a dia das populações. E se, por um lado, têm essa visão política, que defende uma arte igualitária, democrática, capaz de transformar e qualificar as vidas dos indivíduos e suas comunidades, por outro não sofrem da atitude miserabilista que confunde a vontade de a todos chegar com propostas pouco refletidas e de baixa qualidade.

Como disse a Paula Sofia no último post, se queremos que os nossos concidadãos, e muito em particular os nossos jovens, participem activamente na dinâmica cultural da cidade, temos que ser arrojados, sair dos gabinetes, falar com as pessoas e estar atento ao que de melhor se faz no nosso país. A qualidade não é mais cara do que a mediocridade e tem a grande vantagem de dignificar quem a promove e de elevar quem dela usufrui. 

19 de janeiro de 2017

Viver no passado


Aqui há tempos um grupo de adolescentes reunido no Cardal (à espera do Pombus, esse bem-maior) olhava para a agenda do Município que ali se exibe e constatava, resignado: "Já viste que só fazem cenas de velhos, tudo no passado? Nunca há nada para o futuro...". Não me recordo se era o mercado medieval ou qualquer coisa do Marquês, pouco importa. Para quem escolheu viver aqui, às vezes é desolador, sim. Bem sei que a nossa população está envelhecida - e que ainda é essa que vota e decide tudo. Sei também que a sociedade civil quase não existe, mas também por isso mesmo o poder político (que aqui faz tudo, e que criou esse modo de vida) tinha obrigação de olhar o mundo - pelo menos o nosso - por outras perspectivas. 
Esta é a agenda do Município de Pombal para este fim-de-semana. Não nego importância à investigação, à escrita, à memória. Mas quando vivemos mergulhados no passado...é difícil ter futuro. Sobram a garra e o suor na pista de atletismo, para aliviar o bafio.

17 de janeiro de 2017

Jorge Claro é candidato à Câmara



A comissão política concelhia do PS aprovou ontem à noite o nome de Jorge Claro para candidato do partido à Câmara de Pombal nas eleições autárquicas que acontecem este ano. 
Aqui no Farpas notámos essa vontade de Jorge Claro - e consequente mudança de atitude na vereação, algures no verão passado. Mas os meses passaram, as estruturas distritais  (e nacionais?) iam fazendo caminho paralelo, de forma que no início de Janeiro, o homem publicou na sua página de facebook esta fotografia, respondendo tratar-se de "a minha foto para 2017". Jorge Claro não nasceu ontem e sabia que era preciso marcar terreno. Que nos bastidores o PS continuava a asneirar, alimentando contactos com Narciso Mota, que ainda terá ponderado a possibilidade de ir a votos com a bandeira socialista. E ei-lo, então, pronto para o combate.
De acordo com a nota de imprensa divulgada esta madrugada, "O PS considera que se trata de um candidato credível, capaz e profundamente conhecedor do Concelho e das suas gentes. Dono de um percurso profissional irrepreensível mas também de uma dedicação ao serviço público extremamente relevante". 
Tem agora uns meses pela frente para mostrar o que vale, politicamente, numa corrida que podia ter começado sem pressas.

13 de janeiro de 2017

Pombal pior (II)



Em vez de trabalharem para os pombalenses, aplicando bem o dinheiro que nos pertence; trabalham para o Estado Central, gastando o nosso dinheiro em benefício do Estado Central. E com orgulho!

10 de janeiro de 2017

A não-notícia sobre o falso associativismo



Era suposto que o mandato dos órgãos sociais da Associação de Industriais do Concelho de Pombal (AICP) terminasse em Março próximo, mas a "notícia" divulgada pela Rádio Clube dá conta de novidades: João Matias e Rodrigues Marques foram (re)eleitos presidentes da direcção e da mesa da Assembleia Geral, respectivamente. Na "notícia" falta, no entanto, saber o essencial: quando é que aconteceu essa assembleia geral? Porque é que o mandato não chegou ao fim? Quem são os outros membros dos diversos órgãos sociais? 
No tempo em que as rádios e os jornais locais faziam perguntas, era certo que por esta altura uns e outros queriam saber várias coisas:
1. Quem são os industriais nesta associação?
2. É verdade que a vice-presidente se demitiu do cargo no ano passado? Porquê?
3. Desde quando é que a prestação de serviços é uma actividade industrial?
4. Qual é a principal actividade desta organização (onde ainda não houve tempo para publicar o comunicado replicado em forma de notícia pela 97 Fm, nem para actualizar os novos órgãos)?
Falta-nos (em Pombal) em indústria, em emprego e em valores o que nos sobra em xico-espertismo, numa altura em que se criou uma nova espécie - o dirigente profissional - que saltita entre as diversas associações, acometido de uma súbita vontade de servir o próximo. Ainda bem que "as listas foram compostas por um elevado número de pombalenses". Ficamos todos mais descansados.

8 de janeiro de 2017

Obrigada, Mário Soares


Agoniei-me muitas vezes nas últimas horas com o que gente aparentemente de bem - que tenho entre os amigos da minha página de facebook - escreveu e replicou sobre Mário Soares, na hora da sua morte. O destilar do mesmo ódio que escorre de vez em quando a propósito dos refugiados, que papagueia frases feitas ou artigos de jornais fora de contexto, com o mesmo à-vontade com que partilha pagelas dos senhores dos aflitos, da Cruz Vermelha ou de qualquer obra de caridade. Há um denominador comum entre todos: o ódio. Bem sei que os Homens como Mário Soares nascem assim, na condição de serem amados ou odiados, sem meios termos. Mas impunha-se, a muitos desses actores da vida pública, alguma noção do que isso significa, de como não se despe ali à porta do facebook o casaco de autarca, de dirigente, assim como não se despe o de jornalista, de médico, de professor. Porque antes de tudo há ali um cidadão. Ou deveria haver.
Conheci Mário Soares pessoalmente na sua última visita oficial ao distrito de Leiria, em 1995. Não simpatizando largamente com a personalidade, percebi um pouco melhor quem ele era e como era:imparável. A meio da jornada, percebendo ele que eu andava colada aos seus gestos (daquela vez a minha função era fazer 'o outro lado' da visita), ágil nos meus vinte e picos, visou-se para mim à porta dos Morgatões, agarrou-me nos braços e perguntou: "então, aguenta?". Rimo-nos todos. Mal sabia ele (e eu) o equilíbrio que precisaria para me aguentar, nos anos que se seguiram. 
Poderia dizer muito sobre tudo o que representa Soares para o país, para a Democracia e para a Liberdade, a mesma que permite a qualquer pato-bravo discorrer sobre a sua vida e a sua obra. Mas fico-me pelo agradecimento. Por ter existido e nos permitir, aos portugueses, sermos hoje um povo menos parolo, menos atrasado, do que éramos antes de chegarmos à Europa, de termos o mesmo acesso que os outros ao mundo. Aquela de que fazia parte a Alemanha dos anos 70, onde o meu pai trabalhava, para onde emigrara depois de deixar Angola, depois da guerra. De onde escrevia à minha mãe todas as semanas, a lembrá-la de como era importante ir votar. Aquela de onde voltou em 80, cheio de sonhos para a aldeia e para o país, levados ao extremo naquelas eleições em que no fulgor da adolescência colei um autocolante na lapela a dizer "Soares é fixe", e na escola uma funcionária do bar quase me triturava juntamente com o almoço, porque tudo estava ao rubro, A mesma Europa que encheu bolsos, comprou jipes, criou o cavaquismo e agora se desmorona. Este é o fim de um ciclo, sabe-mo-lo bem. Na hora em que Soares deixa este mundo - que idealizou socialista, republicano e laico - resta-me, só, agradecer. Pelo Farpas, por sermos livres. E sublinhar as palavras de Vasco Pimental, de entre tudo o que se vai escrevendo:


"Atacar a vida de uma pessoa no justo momento em que ela deixa de se poder defender não diz rigorosamente nada sobre a pessoa atacada, e diz tudo sobre o atacante. Fiquem a saber: o que vocês escrevem nesses momentos é um letreiro que vos fica colado na testa para todo o sempre (colam-no vocês próprios) e que diz o seguinte: "Sou uma porcaria ignóbil".