7 de outubro de 2024

Cheira mal nos Redondos, cheira mal em Pombal

No período regimental reservado para intervenções do público, o cidadão Jorge Cordeiro - ex-assessor de Diogo Mateus - fez uma oportuna intervenção na Assembleia Municipal. Expôs com clareza o drama dos habitantes da Aldeia dos Redondos e lugares limítrofes: o cheiro nauseabundo que emana regularmente de um aviário próximo.

Já houve um tempo, por volta das décadas de 70, 80 e 90 do século passado, em que o concelho estava povoado por pequenos aviários, que cresceram como cogumelos, dentro e fora das localidades. Eram outros tempos, tempos onde tudo era permitido e a sobrevivência mandava desenrascar. Na transição do século, o amadorismo, a falta de escala e as queixas da população condenou a esmagadora maioria destas pequenas explorações avícolas à morte.

Actualmente o concelho está a ser novamente invadido por aviários e afins, por grandes explorações avícolas, que se aproveitam da permissividade da "classe política" reinante e aclamante, débil e dócil (com o capital oportunista). Prometeram-nos o paraíso na terra, cheio de bem-estar e felicidade. Mas servem-nos um “desenvolvimento” malcheiroso, sem presente e sem futuro. Um modelo que já condenou a Aldeia dos Redondos à morte, como bem diz o Jorge Cordeiro, e arrisca fazer deste grande aviário uma terra malcheirosa. O que cheira mal, FAZ MAL.


4 de outubro de 2024

Pimpão contra Pimpão & C.ª

Na última reunião da AM, o Pimpão João bateu e arrasou, sem dó e sem piedade, o Pimpão Pedro e tudo o que gravita à sua volta: o vereador Navega – apesar de tudo, o único que faz alguma coisa e sabe alguma coisa do que faz –, o responsável pela Divisão de Obras, a Fiscalização Municipal, a direcção da PMUGest, etc. Como diz o povo, só se perderam as que caíram no chão.

As acusações são graves: alicerçam-se em factos e documentos e não em simples opiniões, consubstanciam uma forma de fazer política e algumas poderão ter contornos criminais. Nada que nos surpreenda.

A aventura do Pedro, digamo-lo sem refolhos, terminou. Na verdade, na verdade, terminou quase no mesmo instante que começou. O efémero é assim, dá felicidade mas esvai-se rapidamente. A partir de agora, a vida política do Pedro será um tormento público que tem tudo para terminar numa agonia dolorosa à espera do golpe de misericórdia. Nada que não tivéssemos previsto. O destino previsível de um escravo da lisonja que se limita a pregar a felicidade tola, foge voluntária e descaradamente dos problemas, dissipa capital político na fanfarrice, doudejando por festas e eventos, inebriado pela alegre vaidade de aparecer, cai inevitavelmente num drama sociopolítico como este, carregado de incerteza e sofrimento, que pode não determinar o seu fim imediato, mas acarreta um declínio irreversível na indispensável relação de confiança com a população e os seus correligionários. Um drama que pelos sinais já é psicológico, mas se pode tornar psicopatológico. 

 


2 de outubro de 2024

AM – juntas ao poder

No poder não há vazios. A última reunião da Assembleia Municipal (AM) confirmou o que já se vinha notando há algum tempo: o empoderamento das juntas (dos presidentes de junta). Durante o PAOD (Período Antes da Ordem do Dia) - e ao longo da reunião - adoptaram um registo comum: cobrar promessas ao dotor Pimpão. Coisa nunca vista, por cá…



Descortinaram-se, ali, três bancadas: a do poder (PSD), desinteressada e desarticulada, sem adversário e sem missão, limitou-se a cumprir agenda, sem honra e sem brio; a da dita oposição (PS), sem estratégia e sem astúcia, e agora sem as predilectas “Propostas/Recomendações”, limitou-se a picar assuntos; e a dos presidentes de junta!, sintonizados na cobrança de promessas e na disputa do melhor quinhão no rancho municipal.

O arquitecto Guardado voltou a fazer uma boa intervenção sobre o Parque Verde mas ninguém o ouve… - aquilo vai acabar como benfeitoria cara para encher a agenda política. O dotor Siopa voltou para confirmar, por actos e confissão, o que já se sabia: está na bancada errada. O dotor Pimpão chegou atrasado, e sem avisar, mas ainda a tempo de cumprir os serviços mínimos e levar pancada dos presidentes de junta.

25 de setembro de 2024

O PS vai alinhar os chakras


 

O PS/Pombal vai a eleições na próxima sexta-feira, com uma lista única, o que quer dizer que o próximo presidente da concelhia será - em teoria - o terapeuta holístico Rui Pinhão. 

Sabemos todos como o partido anda precisado de meditação, de equilíbrio, e por isso é hora de alinhar os chakras. A lista P, que se apresenta a eleições, tem tudo para reunir em constelação tudo o que nos falta. Por isso é hora de ficarmos descansados quanto ao futuro, o mesmo dizer quanto às eleições autárquicas do próximo ano. 

Pinhão - que nasceu em Ansião mas aqui mora há muitos anos - vai acompanhado de um rol de socialistas mais ou menos conhecidos, com o grupo de João Coelho a liderar as hostilidades. Já o grupo de Odete Alves está - em teoria - afastado das lides. 

Como em política nem tudo o que parece é, só a acção futura nos vai mostrar o caminho da verdade e da luz. 

Impermeável à crítica, o novo líder do PS/Pombal diz (no seu sítio da internet) que sempre se sentiu "uma criança diferente das outras, e com uma forte sensação de que um dia iria deixar a minha marca ajudando os outros". Estava escrito nas estrelas. Diz que até chegou a pensar em "ir para padre". Afinal, ficou-se pelos escuteiros. 

Pelo andar da carruagem, o melhor é deixarmo-nos de eleições e fazermos só uma convenção de Baden Powell. Com essa canhota Pimpão não se importa. 

16 de setembro de 2024

Não comunicar? Faz P.Art(e)


Há um princípio em comunicação que estabelece uma regra clara: o que não é publicado "não existe". E esse é um mantra antigo, muito antigo, da era pré-digital e redes sociais. É quase tão antigo como o princípio do respeito pelas ideias dos outros, renegando o plágio. Ora, vendo o que aconteceu em Pombal nos últimos dias concluímos que, por cá, juntamos o pior dos dois mundos. 

Não bastava a Câmara ter sido acusada de roubar a ideia de um festival de arte urbana a um punhado de artistas locais, conseguiu ainda fazer o pleno: gastar o (nosso) dinheiro e esforçar-se por não o divulgar, quiçá com vergonha do sucedido.  

O local foi bem pensado, a iniciativa também, e é sabido que em Pombal corre uma cena de Hip-Hop - com vários trabalhos já gravados por malta da terra. Também é sabido que a arte urbana tem não só seguidores como promotores, e por isso fazer um festival dedicado a uma e outra coisa junto à Casa Varela, era mais do que tirar a cultura debaixo da ponte, encimando-a. Mas é preciso que se saiba que as coisas acontecem, sob pena de se fazerem só para quem as executa. Trazer a Pombal nomes sonantes como o lendário Sam The Kid, Nasty factor ou Vludo, limitando-se a um post na página do Município é não só ofensivo para os artistas como para quem lhes paga: nós. 

Ao longo das últimas horas sucederam-se lamentos de quem só soube que cá estiveram depois do evento ter acontecido. Porque o gabinete de comunicação da Câmara funciona como se estivéssemos em 2004 e bastasse enviar uma nota de imprensa para os jornais - que nesse tempo eram vários - duas semanas antes. Ou então em 2008, e o mais ousado fosse um post no facebook. 

É recorrente esta falta de comunicação da autarquia, que o presidente pensa que compensa com a promoção da arte de rotear por aí, nas suas páginas pessoais. De que nos serve que promova os eventos depois de acontecerem?! O que interessa que descarreguem fotos à pázada na página da Câmara se a divulgação não existiu? 

Assim não, Pimpão. Assim não vamos lá. Muito menos cativamos os mais novos para darem de si à terra. A não ser que a ideia seja só chamar os que já estão predestinados, vulgo "jovens autarcas" e quejandos.

O Faz P.Art - Street Art Festival”, tinha tudo para criar público: um festival ligado à arte, ao ar livre, à sustentabilidade e ao meio ambiente.  Mas aqui temos o síndroma invertido de Midas. E não promover...Faz Parte.

26 de agosto de 2024

Sai mais 500.000 euros para o CIMU-SICÓ

A última reunião da “Junta” aprovou, por unanimidade e aclamação (sem palavras), o procedimento de subcontratação dum Projecto Museográfico do Centro de Interpretação do Maciço de Sicó - seja lá isso o que for - por uns módicos 500.000 euros. 



Já antes, o anterior executivo tinha adquirido, por ajuste directo a um ilustre pombalense, uma maquete do concelho pelo montante de 215.000 euros + IVA, que ficou meia dúzia de anos no armazém, com a câmara a suportar mais 60.000 euros de custos de armazenagem.

O CIMU-SICÓ - recentemente rebatizado Explore Sicó, para dar a ideia que é coisa nova e não aquele mamarracho que foi lançado há quase duas décadas - é a maior aberração edificada neste concelho e arredores. Já consumiu perto de 5 milhões de euros (valor líquido actual). Mas o desastre financeiro, a que se soma o paisagístico, não vai ficar por aqui - será um enorme sorvedouro de dinheiro dos contribuintes e sem retorno. 

Bem sei que a generalidade das pessoas pouco ou nada se importa com aplicação dos dinheiros públicos. Uns porque consideram que é dinheiro do Estado, logo de ninguém; outros porque confiam que existirá algum controle na sua aplicação. Puro engano. Por aqui - e não só - não há ponta de racionalidade nem de controle na aplicação do dinheiro dos contribuintes. Somos (des)governados por criaturas ávidas de afirmação pessoal, que só pensam em fazer coisas sem se darem ao trabalho de estudarem o que pensam fazer, desbaratando, assim, o dinheiro dos contribuintes em coisas inúteis ou prejudiciais, só pela vã glória da celebração de epopeias do irrisório.

Siga a festa.

23 de agosto de 2024

A "Junta" reuniu

A “Junta” cumpriu, ontem, mais uma formalidade: reuniu no Arquivo, no registo serviços mínimos. Mas serviço, serviço, seria arquivá-la definitivamente.



A dotora Gina, a dotora Catarina e a dotora Odete faltaram, mas não se deu pelas suas faltas. A dotota Marto (só) marcou presença. O dotor Pimpão falou mas não disse nada… O arquitecto Navega falou sobre empreitadas. E o dotor Simões cumpriu o papel de resignado que lhe está designado; falou de caminhos e caminhadas, e - vejam só - defendeu a realização de caminhos (passeios) sem projecto! Este nem para junta serve.

Caímos nisto, numa representação pífia, sem delegação nem relação, numa mixórdia insonsa e incongruente que ofende mortalmente uma metade dos eleitores e aborrece a outra. 

8 de agosto de 2024

Passeio a Lisboa, atrás de uma ilusão

O Pedro anda feliz e contente como um cuco, com as suas iniciativas e realizações para a fotografia - canta de noite e de dia. Anteontem, partiu para a capital - acompanhado pela vereadora Catarina e pelo vereador oficioso Marco Ferreira – onde reuniu com o Ministro da Educação e tentou vender-lhe a ilusão da construção de um Polo de Inovação e Conhecimento para albergar uma nova Escola Superior em Pombal. Já antes tinha tentado vender a tolice - não necessariamente de um tolo mas de alguém que vive dois patamares acima da realidade e julga que basta desejar uma coisa para que ela se realize e produza resultados - ao presidente do IPL através de um dossiê a manifestar essa vontade. Mas Carlos Rabadão temporizou o impulso - criou um grupo de trabalho para avaliar a (in)viabilidade…



O Pedro é um escravo da vontade, e da empatia, que promete e faz o que não deve. Consequentemente destrói recursos como ninguém. Mas diverte-se, e diverte.

7 de agosto de 2024

A promessa - história de uma novela chamada Parque Verde






Desde há dois dias que o Pedro anda extasiado com as "notícias" sobre o Parque Verde, a obra (do regime) a que temos direito, e que nos prometeram há 30 anos. A primeira vez que ouvimos falar de um Parque Verde foi no executivo de Armindo Carolino, ao tempo em que o PS era poder, em maioria absoluta. Não, não era este parque verde. Era um idealizado para as margens do Arunca, à vista de todos os que passavam por Pombal. Mas veio a era Narciso Mota e o engenheiro arrasou com os planos passados: decidiu construir a Biblioteca (então pensada para o parque de estacionamento do Centro de Saúde, junto às escolas) no lugar do Parque Verde. Multiplicaram-se então parques, mas de merendas, por toda a parte neste concelho, que isto para a bucha sempre se ajeita melhor. Alguns estão hoje ao abandono, como acontece com aquele lá na minha aldeia. E durante uns anos, enquanto floriam parques nos concelhos vizinhos, nós por cá plantámos calçadas nos largos das capelas, cimentámos recreios nas escolas, tratámos de eliminar o verde, na verdade. 

Depois veio Diogo Mateus, disposto não só a virar a página como mudar o livro - como me disse um dia. Era 2013, e ainda antes de ser eleito presidente, participou desse folclore numas festas do Bodo em que a figura de proa foi Pedro Passos Coelho , à época Primeiro-Ministro: a cidade pejada de cartazes a anunciar o Parque Verde, antecâmara deste que agora foi apresentado. Havia problemas com os terrenos naquela zona, já então dotada do corredor ribeirinho. Mas eis que Pedro Pimpão resolve tudo de uma penada: compra os terrenos. O dinheiro fez-se para gastar, não é assim? Dinheiro é papel, Pedro! E isto bem pode ser meia-bola e força. Não tivéssemos lá implantado (no meio do futuro parque verde!) um campo da bola. Quem é que não quer um campo da bola no meio de um espaço de fruição com a natureza? Ou como diz o novo slogan...é natural [que queira].

E então, numa segunda-feira de Agosto, deste ano da graça de 2024, a Câmara faz o grande número de apresentar o projecto "aos pombalenses". Compõe uma plateia, recupera o desenho, faz-lhe uns ajustes, e...voilá! Está feito o negócio. Como isto anda tudo ligado, até lá esteve o vereador do Ambiente do tempo de Narciso Mota. Ah, o arquitecto também transita desse tempo. 

Tudo está bem quando acaba bem. Pelo menos é assim que sucede nas novelas. 

31 de julho de 2024

Ainda a sessão sobre o Marquês

O gabinete de comunicação (propaganda) do município, ou o próprio propagandeado, emitiu uma nota sobre o conteúdo da sessão de apresentação pública do 1.º Volume da Obra Completa Pombalina. Gente normal faz coisas normais;… 

O normal – o expectável – seria fazer uma nota sobre o que de mais relevante tinha sido dito na sessão, pelos oradores convidados, os ilustres Guilherme Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (coordenador científico da Obra). Mas não. A nota cita unicamente o longo rol de banalidades debitadas pelo dotor Pimpão, e destaca a mais tonta das suas ideias: construção de um grande Museu alusivo ao Marquês de Pombal. Já não estamos só no domínio da mais indecorosa propaganda; estamos no domínio do delírio. Um delírio que é preciso “matar” rapidamente; senão ele acredita na tonta ilusão, julga-a virtuosa porque não é contestada, e depois teremos mais um problema grave - mais um elefante branco… Que Deus nos acuda e pare este lunático, que nós não somos capazes.



Há muito sabíamos que estes tipos de eventos não se destinam a um qualquer público ou à divulgação da obra ou do pensamento dos convidados. Há muito sabíamos que o único fito destes eventos é a promoção do dotor Pimpão, através de um circuito de retroalimentação bem conhecido, sem qualquer consideração pelo público e pelos  convidados mais ou menos ilustres.  

Às vezes faço (fazemos) um esforço para poupar o Pedro, nomeadamente nos seus momentos de eufórica felicidade, como agora. Por isso, e por respeito às individualidades convidadas para a dita sessão e pela valia das suas intervenções, no post anterior, resolvi ocultar a tola intervenção do Pedro, mas a realidade é a que é e não há como fugir dela.

Decididamente, o maior “inimigo” (político) do Pedro é ele próprio, a sua avidez por cumprir-se. Há pessoas que são assim, vivem nesta sofreguidão, consomem-se e deixam-se consumir pelas suas ilusões. Se não estivesse como presidente da câmara, não vinha mal nenhum ao mundo o Pedro ser assim... 

30 de julho de 2024

Presidentes de Junta nas Assembleias Municipais – uma excrescência da nossa Democracia

Os contratos interadministrativos celebrados entre as câmaras e as juntas de freguesia – também muito usados por cá – são estratagemas para transferir recursos do orçamento municipal para as juntas de freguesia. Passam pelas Assembleias Municipais como cão por vinha vindimada porque se convencionou que são coisa virtuosa. Mas não são; padecem de vários vícios, nomeadamente formas de subordinação política e fraco controlo do convénio e dos dinheiros públicos.



Agora, a Direcção-Geral da Administração Legal, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a Inspecção-Geral de Finanças vieram dizer que os ditos contratos são ilegais porque foram votados pelos presidentes de junta com assento nas reuniões das assembleias municipais. Coisa óbvia mas contestada por uma dita Associação Nacional das Assembleias Municipais – há associações para tudo o que possa proporcionar fácil acesso aos orçamentos públicos.

No entanto, a excrescência maior não é votação dos interadministrativos pelos presidentes de junta nas assembleias municipais ou os próprios contratos, é a presença dos presidentes de junta nas assembleias municipais - uma distorção democrática que viola os mais elementares princípios democráticos, como bem explicou, há tempos, o constitucionalista Vital Moreira.  

Por cá, a excrescência vai em crescendo, com os presidentes de junta a monopolizarem o debate político e servindo-se de tudo para esbulhar o orçamento municipal. Então, o das Meirinhas chega a ser obsceno.

29 de julho de 2024

Marquês - lérias não adubam choupas

Acabei de assistir à apresentação do Volume I da Obra Completa Pombalina, sobre a figura do Marquês de Pombal, promovida pelo executivo municipal; não por qualquer admiração especial pelo estadista, que não nutro, mas pela oportunidade de ouvir ao vivo, e sobre esta temática, dois intelectuais de grande craveira: Guilherme d’Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (um dos coordenadores científicos da obra) - mais o segundo, por razões ideológicas e intelectuais.



Raramente assisto a este tipo de iniciativas - e pelos vistos não sou o único atendendo à fraca presença de público - pela simples razão de, regra geral, não aportarem grande valor - são pífios desfiles de pequenas vaidades com muito formalismo bacoco. Neste caso, a coisa foi salva pela boa intervenção de Viriato Soromenho-Marques. Guilherme d’Oliveira Martins faltou! 

Julgo conhecer razoavelmente bem o pensamento de Viriato Soromenho-Marques e, por isso, causava-me uma certa curiosidade, e até alguma estranheza, a sua forte ligação a este estudo. Fiquei esclarecido e compreendo a sua admiração pela figura e legado do Marquês, alicerçado no seu forte impulso reformista e construtor. No que se refere ao lado mais tenebroso, a perseguição aos jesuítas, Viriato Soromenho-Marques reparte a culpa pelas duas partes, e afirma que se o conflito tivesse sido evitado Portugal teria avançado um século. Talvez.    

Também conheço – demasiado bem – a afeição milagreira que o poder desta santa terrinha nutre pelo Marquês e como a tenta inculcar na comunidade. Mas sejamos justos e realistas: nada contra o município apoiar estudos credíveis (como parece ser o caso) sobre figuras históricas com ligação à terra; tudo contra a tola fantasia do filão promocional do concelho em torno de figuras históricas, sejam elas Marqueses ou Condes. 

Ou como dizia o pastor: ò malhado (ò Pimpão), lérias não adubam choupas.

Adenda: esta coisa de anunciarem dois oradores, um faltar, e depois aparecerem quatro (!) - cinco se contarmos o presidente - mostra algum amadorismo e grande desprezo pelo público, que parece ser recíproco.

28 de julho de 2024

Pombal nas entrelinhas

Vale a pena visitar a exposição “Pombal: desenhar nas entrelinhas da cidade”, patente nos claustros da câmara; um trabalho desenvolvido por estudantes mestrandos de arquitetura da Universidade de Coimbra (DARQ-UC), sob a coordenação do Professor Nuno Grande, que apresenta um “conjunto de propostas de regeneração da cidade, de forma a ultrapassar linhas-barreira” e vários estrangulamentos. Mas expõe, também, de forma clara, os múltiplos erros e atentados urbanísticos cometidos nas últimas décadas e nos últimos anos, que a orografia e a fisiografia, por si só, não justificam.



Ao contrário de outros planos, este aporta valor e aponta opções e soluções válidas que importa avaliar e programar no tempo. Na verdade, há muito se sabia que a interligação entre poder local e academia (entre problemas estruturais e conhecimento) é mutuamente virtuoso. Então, porquê ir por atalhos quando se pode ir por via directa?

Abordarei o estudo, mais em pormenor, oportunamente; agora é tempo de festa.

23 de julho de 2024

Escola Conde Castelo Melhor – o desgoverno total

São os investimentos públicos (bem feitos) que asseguram a sustentabilidade e a qualidade de vida das populações. Em Pombal, têm sido desastrosos ou desproporcionais. A área da Educação é paradigmática deste funesto quadro, mas não é a pior...

Quando um governo central - do PS - avançou, no início deste século, com o modelo dos pólos escolares e respectivo financiamento, alternativos às obsoletas escolinhas do Estado Novo, Narciso Mota e seus apoiantes recusaram o modelo optando bacocamente pela recuperação das humildes e isoladas escolinhas de aldeia. Resultado: desperdiçaram dinheiro e ficaram sem escolas (dignas). Mais tarde, renderam-se à evidência e às exigências do progresso. Mas não o fizeram numa lógica de utilidade, de resposta prioritária às necessidades; antes pelo contrário, construíram Centros Escolares onde não havia alunos, e deixaram a cidade sem escolas do 1.º ciclo dignas. Só mais tarde responderam - mal - à crescente procura, sem planeamento e já sem apoios.  Por exemplo, a situação mais premente, a Escola Conde Castelo Melhor, sobrelotada e sem condições mínimas para uma efectiva aprendizagem, ficou para o fim! Mas finalmente decidiram avançar para a requalificação...



Como a escola não era do município, resolveram comprá-la. Pagaram 719.000 euros, e acharam que fizeram um bom negócio. Com o edifício em sua posse, decidiram avançar para a requalificação das instalações. Mas nas primeiras vistorias perceberam, tarde demais, que a estrutura do edifício não oferecia condições mínimas de segurança. Vai daí, resolveram não requalificar o edifício mas construir um novo Centro Escolar, com 10 salas de aula, enfurnando mais uma escola num emaranhado de prédios e no centro da cidade. Uma opção démodé, própria de quem não integra no seu pensar critérios de planeamento urbanístico actuais e de adequabilidade dos equipamentos ao seu fim.

Lançado o concurso, entregaram a empreitada por uns módicos 4.400.000 euros!, suportados totalmente pelo orçamento municipal (que não chega para tudo). Como pela boa expectativa preveem que a construção demore dois anos (os prazos para esta gente é coisa meramente indicativa), e porque o município não dispõe de alternativa na cidade, resolveram alugar uma dúzia de salas a uma escola privada, pagando a módica quantia de 312.000 euros, mais obras de requalificação das salas (umas boas dezenas de milhares de euros). 

Tudo somado, e admitindo nenhuma derrapagem nos custos - coisa improvável - cada sala vai ficar acima de 600.000 euros! E assim teremos um Centro Escolar inadequado e caríssimo, que ganhará, com certeza, o título de escola com as salas de aula mais caras do país e arredores. Porque é que isto acontece? Porque temos uma classe política impreparada, que não planeia nem faz contas.

De desvario e de comédia em comédia, assim vai esta santa terrinha.

19 de julho de 2024

Reunião da “Junta”

Na última reunião da “Junta”, ontem, quase só se discutiu o novo slogan/marca da terra. Coisa de somenos que, se não fosse tão aberrante, nem aqui - local dito de má-língua - tinha entrada.

A discussão permitiu (re)confirmar uma evidência que entra pelos olhos de qualquer cego: o dotor Pimpão & C.ª pode praticar as maiores tolices do mundo que perante aquelas duas alminhas do PS parecerá sempre um estratega e um gestor esclarecido.

Vejam, e digam se é ou não é verdade.

18 de julho de 2024

Pombal Centro Natural de Portugal – uma aberração

O dotor Pimpão resolveu torrar 55.000 € num slogan (ele chama-lhe marca) para Pombal – “Pombal Centro Natural de Portugal”. A rapaziada da ETAP fazia melhor, e muito mais barato.



“Pombal Centro Natural de Portugal” é uma aberração completa. O centro natural de Portugal é Vila de Rei, terra do Portugal profundo. Nós somos outra coisa e não somos nada, também por causa destes desvarios. Por isso, custa-nos muito perceber esta abstrusa aberração; se é a natural queda juvenil para a asneira, a impulsividade crónica, a vontade de torrar dinheiro ou a necessidade de o atribuir?

Em Pombal, a abundância de slogans promocionais do concelho é inversamente proporcional à qualidade deles. Já tivemos vários: "Pombal - do Mar à Serra"; "O meu coração bate por Pombal", “Pombal, Cinco Sentidos”, etc. O traço comum é a sua pobreza ritmo-melódica e a dissintonia com a realidade. Morreram todos de morte morrida, à nascença. Curiosamente, o mais badalado foi “Pombal, concelho charneira”, saído gratuitamente da cabeça do presidente Narciso Mota. Não "charneirou", morreu naturalmente com ele. 

"Pombal Centro Natural de Portugal" é só mais um triste episódio desta epopeia do irrisório, feita de pomposa mediocridade e vaidade pacóvia.

9 de julho de 2024

Do estado a que chegámos



Na semana passada houve eleições para os órgãos internos do PSD e do PS, os dois maiores partidos no país, e também (supostamente) em Pombal. 

Por aqui, a política partidária tornou-se desgraçadamente desinteressante - até para nós, aqui no Farpas. Mas o pior, plasmado no que aconteceu nesses actos eleitorais, é o desencanto que se instalou dentro dos próprios partidos: no PS não apareceu ninguém para se candidatar aos órgãos concelhios, no PSD o que apareceu é sintomático desse estado a que chegámos, como bem pode o leitor apreciar: quatro jotas passados do prazo, um presidente da junta que acha que pode chegar a vereador, e o inerente Pimpão. (Humberto é um senhor, e por isso não debandou, já). 

Depois da ‘folha de rosto’, aparecem os empregados da política, passados, presentes e futuros - um misto do gabinete de Diogo Mateus com o de Pedro Pimpão. Já a era de Narciso Mota ficou paradoxalmente guardada para aquele órgão denominado “Conselho Estratégico”. Tudo fresco e vivo para pensar (n)o futuro, devidamente separado do mundo rural, etiquetado de “conselho das freguesias”.

Ora, uma vez arregimentados todos, todos, todos (até o tresmalhado José Gomes Fernandes) sentimos aqui a falta de João Pimpão. Imperdoável. 

7 de julho de 2024

Coisas de cidade de província perdida no tempo

Não tinha que ser assim, mas infelizmente é: Pombal - cidade província – tem uma propensão natural para a parolagem. Mas se já nos chegava e sobrava a nossa, porquê atrair e fomentar a alheia?!