A Câmara de Pombal trouxe ontem e hoje à cidade um espectáculo com o cantor Clemente, figura de proa da música portuguesa em anos passados, e cuja discografia é facilmente reconhecida pela população sénior. Até aqui, só aplausos: uma autarquia preocupada com aquela que é uma fatia grande da sua população, a gentileza de pensar nela, a abertura de um espectáculo não só às IPSS (Lares e Centros de Dia), como até à população em geral, desde que com inscrição prévia!
O que está mal, então, neste gesto tão nobre dos nossos actores políticos?
Atente-se nas recomendações do mail enviado pela enfermeira Patrícia Rolo, que agora tutela a pasta da Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento Activo: "Dadas as condicionantes da sala, não são aceites inscrições de pessoas com cadeira de rodas. Nestes termos, e para facilitar a preparação da logística associada à participação do vosso grupo, verifiquem, por favor, as seguintes notas: 1. A participação de pessoas com mobilidade condicionada/reduzida poderá ser posta em causa, pelas questões técnicas e de segurança da Sala.".
Este é o concelho que se arroga o maior em matéria de mobilidade e de igualdade. Ganha prémios, exibe-os, enche a boca com planos. Como bem sabemos - e aqui denunciamos há anos - não passam de ramos de enfeite do andor autárquico.
O Teatro-Cine não tem condições para acolher estas pessoas? Façam no Expocentro, façam num pavilhão. O que não nos falta são espaços. Falta-nos o resto, e esse é o nosso drama.

