12 de fevereiro de 2017

Muita parra, pouca uva


Diogo Mateus não se cansa de apregoar os méritos da parceria que a Câmara Municipal de Pombal tem com a Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social. De tempos a tempos, lá surge um comunicado a referir as maravilhas do programa. 

Sejamos sérios: alguém conhece os resultados de tal parceria? Talvez a culpa seja minha, mas até agora ainda não vi nada de concreto. E quanto ao envolvimento dos pais: é verdade que colaboram efectivamente no projecto ou estão lá apenas porque ficam bem na fotografia?

Como professor e pai, sou o primeiro a aplaudir tudo o que de sério possa ser feito pela promoção do sucesso escolar. Se for essa a vontade dos senhores empresários e da autarquia, trabalhem com descrição e eficácia. Não gastem energia e dinheiro em propaganda oca. Vão acabar por matar uma ideia com potencial a brincar à caridadezinha.

Dissemelhanças

O PSD local sofre de dores de enfartamento, provocado pelo excesso de candidatos - tem três em campanha.

A oposição faz dieta - faz da inexistência modo de vida - e espera que o adversário pereça do enfartamento. 

8 de fevereiro de 2017

E o candidato do PSD em Pombal é...

A novela autárquica segue a bom ritmo com um novo capítulo: "Tendo tido conhecimento da desvinculação do PSD do ex-militante Narciso Mota, a Comissão Política Distrital de Leiria do PSD retira a confiança política de todos os cargos que exercia e reforça toda a solidariedade para com a concelhia de Pombal na preparação do processo eleitoral autárquico". Era o esperado, e era o mínimo, à luz das obrigações e deveres partidários. Mas como nem tudo é normal em Pombal ocidental (nem oriental), estranham-se alguns contornos destes caso.
1. Por que razão é a comissão política distrital a retirar a confiança dos cargos que são ou advêm do concelho? 
2. Quem assina o envio do comunicado é Pedro Pimpão, enquanto "secretário da comissão política distrital". Estamos a atirar a pedra e a esconder a mão? 
Não era a concelhia que deveria exercer essa responsabilidade?
3. É bizarro o atraso na apresentação da (re)candidatura de Diogo Mateus. A não ser...que Diogo Mateus não seja o candidato do PSD. Note-se que, até à data, não há uma palavra do próprio que indique essa disponibilidade, e crescem rumores de que poderá estar de abalada de Pombal. Na verdade, não se levantou a vaga de fundo que era esperada num caso destes. Na Rua dr. Luís Torres fazem-se comunicados com os dentes de fora e tiros nos pés; na Bidoeira faz-se uma coisa insipiente apelidada de comunicado. É como dizia o outro: "se não tens nada para dizer, não digas". Mas neste particular, Narciso Mota terá muito para dizer - a começar pela lista de empregos que arranjou ao longo de 20 anos aos que agora cospem no prato onde comeram. Porém, os telhados de vidro nunca foram boa cobertura...
Esperamos para ver se o PSD local será consequente com tamanha valentia escrita, e propõe a demissão de NM da presidência da Assembleia Municipal.


7 de fevereiro de 2017

Politiqueiros da insegurança no IC2

O título do Diário de Leiria soa a alarme: “Pombal: autarcas fazem ‘ultimato’ para exigir obras no IC2”. A notícia reforça o toque a rebate: “as juntas e a câmara municipal deram um prazo, até final do mês, à empresa Infraestruturas de Portugal (IP)…. Caso contrário, estão dispostos a encetar uma “luta” com marcha lenta e outras iniciativas de “maior força””.
O deputado Pedro Pimpão – o grande reivindicador das obras – afirma que é “uma causa que nos une a todos”. Não lhe passei procuração para falar por mim. Compreendo-o, e não o censuro por me incluir no molho: é um exageradão, vive da ressonância.
Não nego que o IC2, nomeadamente no troço que atravessa o concelho, precise de obras. Todas as estradas, todos os anos, precisam de obras. Nego é que seja insegura (ou, melhor dito, menos segura que o resto da via) e que seja o grande problema de Pombal (temos tantos, infelizmente) ao ponto de exigir um toque a rebate.
Utilizo o IC2, todos os dias, no troço Pombal – Leiria. Considero-a uma via segura e relativamente fluída para o volume de trânsito que a procura. Podia ser mais segura? Podia. Mas mais segurança implicará, sempre, perca de outras valências. Podia ser mais rápida? Podia. Mas maior rapidez acarretará, sempre, mais dificuldade de acesso. Tenho muitas dúvidas que as populações que vivem nas imediações da via desejem limitações no acesso e no atravessamento da via. E sejamos sérios: mais segurança obrigará a isso. As recentes alterações no IC2 têm dado primazia total ao veículo automóvel; e, por vida disso, a colocação de separadores centrais, forte redução do número de acessos e cruzamentos, e proibição dos motociclos e bicicletas. 
Uma intervenção profunda no troço que atravessa o concelho, dando primazia total à segurança, não é uma prioridade para o concelho, e tenho muitas dúvidas sobre os seus benefícios globais.

5 de fevereiro de 2017

O estranho caso da ADAC

A Associação Desportiva e de Acção Cultural da Charneca comemorou este fim-de-semana 42 anos. Casa cheia, música made in Pombal, um misto de várias gerações que insistem em rever-se na emblemática colectividade da periferia. É ali que as bandas continuam a ensaiar, é aquele o palco que Pombal continua a ter para mostrar muito do que aqui se faz. Como se fosse preciso, de quando em vez, beliscar-mo-nos para perceber que "estamos vivos" - expressão perfeita utilizada, amiúde, pelo vocalista de uma banda que veio de Braga. 
Na noite de sábado, 4 de Fevereiro, não havia entidades oficiais nem selfies politiqueiras no salão da ADAC. Mas havia todo o talento dos irmãos Jaca, da Catarina, do João, da Iolanda ou do Calika, que a partir de Londres continua a organizar eventos assim, e a fazer-nos acreditar num final feliz para este filme. O talento dos The Hecklers e dos Quinta-Feira 12. É gente que não figura nos cartazes das festas do Bodo, que não é presença regular nos eventos municipais, mas que faz andar uma cidade e um concelho, que escreve o nome da terra no país inteiro e fora dele. Que enche o peito a dizer "obrigado Pombal!"
Foi bonita a festa, pá. Terminou com uma exibição de vários pares de automóveis da GNR, numa declarada caça à multa, em todas as ruelas da Charneca que desaguam na cidade. É tão valente exercer a autoridade de madrugada, nos becos alcatroados de fresco (iupi!) junto de perigosos espectadores dos concertos da ADAC...é talvez a prova da grandeza daquela carismática aldeia, que olha lá de cima para o Cardal. Saúde!

3 de fevereiro de 2017

O respeitinho.


Esta semana ficou marcada pela agressão de um professor a um aluno, na escola Marquês de Pombal. Aconteceu tudo numa aula de substituição, essa artimanha do sistema que mantém os meninos na sala, quando um professor falta, aos cuidados de outro qualquer, em vez de os deixar brincar - para o bem de todos.  Os factos foram descritos pelo irmão do miúdo agredido, no facebook, num post partilhado centenas de vezes por amigos, conhecidos, curiosos da comunidade. Ainda bem que foram: num tempo esquizofrénico como este, a rede (que tantas vezes é um pelotão de fuzilamento) tem esse lado libertador, de democratizar o acesso ao público. E isso para mal dos pecados de quem acha que tudo se resolve dentro de quatro paredes, com os panos quentes do sistema, que abafam todos os males - sobretudo os/dos maiores. Não faltaram moderadores furtivos, nem justificações diversas para o injustificável. De todos os argumentos e tentativas de apagar o sucedido - alguns podem revelar-se eventualmente chocantes, como entidades legalmente superiores sugerirem primeiro o silêncio cúmplice, e mais tarde a retirada do post do facebook. Neste particular, uns e outros vivem ainda noutro século, sem perceberem que nada se apaga: uma vez na net, sempre na net. 
Mas à distância dos dias, o que fica é a questão de fundo: tal como no flagelo da violência doméstica, não perdemos a mania de fazer de conta que não existiu, e pior - somos fartos a arranjar justificações para um adulto que, dentro de uma sala de aula, leva uma criança a fazer xixi nas calças. 
"O meu filho quase ficou numa cadeira de rodas e ninguém fez nada", desabafou um pai, por estes dias, no facebook, aludindo a uma história do passado recente. Só há uma maneira de alguém fazer alguma coisa: Falar. Escrever. Destapar. Ou ainda há dúvidas?

2 de fevereiro de 2017

Tiros na água

Antes dos jogos de computador, a malta entretinha-se muito a jogar batalha naval. Por estranho que pareça, o gozo maior do jogo nem era ganhar, mas responder ao adversário: ÁGUA - que significava um tiro na água.
O PSD local parece ter perdido a pontaria – só dá tiros na água. Mas o problema não é só de falta de pontaria ou de ponto-de-mira mal calibrado; é mais grave: é do tipo de munição.

Nos últimos tempos, bastava ao PSD dar uns tiros para o ar que toda a passarada batia asas e se refugiava. Agora o PSD enfrenta um adversário muito diferente - que gosta de dar o peito às balas - e que todo o eleitorado conhece muito bem – qualidades e defeitos; méritos e deméritos. É uma nova realidade, muito mais complexa.

31 de janeiro de 2017

Falam os rotos do mal remendado

PSD faz ataque pessoal a Narciso Mota com comunicado titulado “Narciso Mota faz rotura com o PSD por motivações pessoais”.

30 de janeiro de 2017

Onde se conta o que o Pança tinha para contar ao Príncipe

A todos surpreendeu a presença do Pança no lançamento da candidatura inimiga. E mais ainda o fazer-se acompanhar pelos fieis-ajudantes: a donzela e o lacaio. Todos perceberam que não vinha em apoio, mas "cuscar" para si e para o amo. A presença da donzela percebe-se - gosta de se mostrar - mas a do lacaio levantou suspeitas...  
O Pança não disfarçou a inquietação durante o evento, e no final mostrou-se irritado aos aos microfones da Cardal (como o Cid assinalou bem). No trajecto de retorno, desabafou longamente com os fieis-ajudantes. Estava preocupado, e quis, de imediato, por o amo ao corrente dos contornes da ameaça; mas lembrou-se, atempo, que o Príncipe não gosta de ser incomodado quando se entrega à família, e que é dever de fiel escudeiro não acrescentar preocupações ao preocupado. Deixou a coisa para hoje de manhã. Quando, hoje, se apresentou na câmara, já o Príncipe o esperava; e nem o deixou sentar-se, mandou-o logo entrar.
- Com licença, Alteza; e bom-dia – disse o Pança. Cumprimentaram-se.
- Sentai-vos, e contai-me o que vos pareceu aquilo – ordenou o Príncipe.
- O que sei dizer a Vossa Mercê: estamos lixados – opinou o Pança com ar abatido. O traidor apresentou-se forte, coadjuvado com outros traidores - ex-esquerdistas - e desalinhados de peso. Dói, só de ver, a forma como bajula o povinho, parecendo mergulhar-lhes no peito com cortesia e humildade.
- Não percebo – contrapôs, agastado, o Príncipe -, afiançáveis que o homem estava Ché-ché, e que não chegava à contagem dos votos…
- Enganei-me, Alteza. Enganámos-nos…- anuiu, com ar triste, o Pança.
- Que o coveiro de Albergaria o apoie, percebe-se e ajuda-nos, até; mas a Condessa de Lagos…! Estava esquecida, dei-lhe palco, tem-nos bajulado tanto, e trai-nos desta forma! Desabafou, entristecido, o Príncipe.
- Tocou Vossa Mercê no ponto que me despertou mais rancor. Deveis aplicar sem demora o castigo reclamado pela traição para evitar mais deserções – propôs o Pança.
- Não digo menos disso — respondeu o Príncipe. Porém, para me ajudares contra o traidor, hás-de ter mão nos teus ímpetos naturais, Pança.
- O Senhor tem a faca e o queijo na mão, e a espada. Não pode deixar a onda levantar-se, senão… – incitou o Pança.
- Os dias não são para sangria. Seria loucura tentar semelhante feito! – contrapôs o Príncipe.  Lembra-te Pança: quem faz imoderado uso da espora, termina por matar a montaria. E não vos esqueçais, Pança; essas despesas, a serem feitas, cabem ao Chefe Pimposo.
- Isso deveria Vossa Mercê saber quando começou o reinado – retorquiu o Pança. E acrescentou: - Agora, concordo, talvez seja tarde…
- Não te entendo, Pança – contrapôs o Príncipe. Umas vezes criticais-me porque gero muito odioso, outras porque sou macio!
- Senhor meu, se Vossa Mercê se enfada, eu calo-me e deixo de dizer aquilo a que sou obrigado como leal escudeiro – retorquiu o Pança. Pois se me não entendeis, não admira que as minhas sentenças sejam tidas por disparates. Não se agonie Vossa Mercê comigo, e desculpai-me a ousadia — continuou Pança — que me não criei na corte, nem estudei em Coimbra.
- Dize, Pança; tudo o que te vier ao pensamento e à boca…- demandou o Príncipe.
- Só quero o seu bem, Alteza. Que Deus o ilumine e a Nossa Senhora do Cardal o proteja. 
                                                                                                                        Miguel Saavedra

29 de janeiro de 2017

Narciso Mota ao ataque

Na apresentação da candidatura, em resposta à pergunta se continuará como presidente da assembleia municipal, Narciso Mota respondeu afirmativamente. E recordou que o PSD já escorraçou dois presidentes da assembleia municipal: Meneses Falcão e Luís Garcia. Lembrou, ainda, que se opôs à moção de censura contra Luís Garcia (que este ganhou, mas posteriormente renunciou ao mandato); e aproveitou bem a pergunta para afirmar que sempre cumpriu os mandatos e deixar o recado que, se o demitirem, ocupará o seu lugar na assembleia como independente.
Narciso Mota sabe bem que o PSD escorraçou Meneses Falcão e Luís Garcia sem razão – puro terrorismo político - e que Diogo Mateus foi o mentor e executor do ataque a Luís Garcia.
Neste momento, Digo Mateus e o partido podem assacar a Narciso quebra de solidariedade política. Resta saber se têm tomates para o fazer. Narciso Mota desafiou-os!

28 de janeiro de 2017

O regresso de Narciso

Foto: facebook da candidatura. Narciso ladeado por Ofélia Moleiro (que deverá ser cabeça de lista à Assembleia Municipal) e Rodrigues Marques, que há-de ser o que Deus quiser nesta campanha.

Depois de apresentada a candidatura independente, ontem ao final do dia, no velho auditório da Caixa Agrícola, Narciso Mota está lançado. 
Foi um evento e tanto, aquele: sala cheia, propícia à melhor crónica de costumes. Narciso esteve igual a ele próprio, provando aquilo que já se sabia - vale tanto sozinho como encostado ao PSD, do qual, de resto, já se desfiliou. Falta-lhe máquina, como ficou provado no discurso escrito mas pobre, por exemplo, mas sobra-lhe autenticidade, tal como mostrou no momento de perguntas e respostas aos jornalistas (sim, aquilo era uma conferência de imprensa). E não lhe falta povo. Na sala havia de tudo - empresários, autarcas, ex-autarcas, apoiantes, curiosos, medrosos e outras espécies - mas era sobretudo a populaça que ali estava, para o aplaudir genuinamente, mesmo tendo em conta que uma grande maioria do eleitorado ainda não sabe desta candidatura. Os que o rodeiam talvez não saibam que há uma parte deste concelho que não vive na net. É por isso que a apresentação de ontem foi mesmo o tiro de partida. A partir de agora a luta vai endurecer. Do lado do PSD (que é como que diz de Diogo Mateus e de Pedro Pimpão, que vivem disto) virá muito chumbo grosso, sob as mais variadas formas. Mas os estilhaços desta bomba chamada Narciso hão-de chegar também ao PS. Mais: o tempo e os votos dirão a quem roubará mais esta candidatura independente. Por isso, a presença massiva dos dirigentes e eleitos socialistas na apresentação de ontem é só desperdício. 
Como o CDS continua em banho-maria, não sabemos ainda os danos colaterais que (também aí) provocará este "Pombal Humano". Já que a carne está quase toda no assador, agora e ver se Narciso tem brasas suficientes para a manter nos próximos meses. Mas uma coisa certa: na história de Pombal há um antes e um depois destas autárquicas, pois que não restará pedra sobre pedra da muralha laranja que aqui se ergue vai para um quarto de século. Por ironia do destino, o mesmo 'cavalo de Tróia' que elevou o partido, pode bem ser aquele que o vai afundar. Ou como dizia, numa noite de eleições, há muitos anos, um actor político que já cá não está, "um dia vão-se digladiar uns aos outros".

23 de janeiro de 2017

A doença saudosista

Que vivemos numa terra de saudosistas, ninguém o ignora.
O saudosismo é um traço fundamental da alma portuguesa, aprofundado por meio século de salazarismo. Em Pombal, é uma doença mística fomentada por um messianismo profético que junta política e religião, que se alcandorou a doutrina política e social. É fenómeno que passa despercebido, alimentado por um processo biunívoco – de-cima-para-baixo e de de-baixo-para-cima – que se transformou num modus vivendi, que se faz passar por uma coisa natural mas não o é. O saudosismo não é uma coisa boa, é um mal. Um mal que enfraquece, que retira intensidade à vida, que desfoca da realidade, que conduz a uma vida desgraçada. E quanto mais desgraçada é a vida, mais o sentimento saudosista se propaga, se alimenta do resgate do passado; um passado que pode ter sido alegre ou muito generoso para alguns, mas não o foi para a maioria.
Em Pombal temos um poder saudosista que esgravata no passado - e alimenta quem o faz – na busca de memórias ou fósseis que alimentem o que Espinosa chamou uma oscilação de potência determinada por uma ideia passada de um momento alegre. E os seus acólitos servem-no; e encontram nestes serviços os seus momentos de glória.
Por muito que muitos se esforcem por encontrar e mostrar as minudências desta terra, Pombal é o que é; e nunca será outra coisa enquanto não se focar no seu presente; enquanto não viver, de corpo e alma, o presente. 

20 de janeiro de 2017

Cultura em destaque


A coreógrafa, pedagoga e programadora cultural Madalena Victorino foi distinguida com o Prémio Universidade de Coimbra 2017. No dia da tomada de posse de Donald Trump, é bom salientar que ainda há quem saiba reconhecer a generosidade e a entrega aos outros como um valor maior. 

Esta portuguesa de excepção tem desenvolvido um trabalho notável e marcante para a performance em Portugal, em especial para a dança, nomeadamente pelo carácter comunitário das suas criações. Quem teve a oportunidade de participar nos seus espetáculos – seja como intérprete ou como público – pode atestar da sua generosidade e sensibilidade cativantes. Os méritos da sua obra estendem-se às áreas da pedagogia da dança, das artes na comunidade e na educação, assim como das relações entre o teatro e a dança. Mas mais do que uma referência na dança contemporânea, Madalena Victorino foi também uma das mentoras no desenvolvimento dos chamados Serviços Educativos no nosso país e na programação de eventos que promovem a inclusão cultural e social através das artes contemporâneas.

É enquanto programadora cultural que quero destacar o seu contributo, pois penso que poderia ser inspirador para quem dirige os destinos do nosso município. Madalena Victorino, em conjunto com Giacomo Scalisi, pretendem que a arte tenha uma intervenção na construção do dia a dia das populações. E se, por um lado, têm essa visão política, que defende uma arte igualitária, democrática, capaz de transformar e qualificar as vidas dos indivíduos e suas comunidades, por outro não sofrem da atitude miserabilista que confunde a vontade de a todos chegar com propostas pouco refletidas e de baixa qualidade.

Como disse a Paula Sofia no último post, se queremos que os nossos concidadãos, e muito em particular os nossos jovens, participem activamente na dinâmica cultural da cidade, temos que ser arrojados, sair dos gabinetes, falar com as pessoas e estar atento ao que de melhor se faz no nosso país. A qualidade não é mais cara do que a mediocridade e tem a grande vantagem de dignificar quem a promove e de elevar quem dela usufrui. 

19 de janeiro de 2017

Viver no passado


Aqui há tempos um grupo de adolescentes reunido no Cardal (à espera do Pombus, esse bem-maior) olhava para a agenda do Município que ali se exibe e constatava, resignado: "Já viste que só fazem cenas de velhos, tudo no passado? Nunca há nada para o futuro...". Não me recordo se era o mercado medieval ou qualquer coisa do Marquês, pouco importa. Para quem escolheu viver aqui, às vezes é desolador, sim. Bem sei que a nossa população está envelhecida - e que ainda é essa que vota e decide tudo. Sei também que a sociedade civil quase não existe, mas também por isso mesmo o poder político (que aqui faz tudo, e que criou esse modo de vida) tinha obrigação de olhar o mundo - pelo menos o nosso - por outras perspectivas. 
Esta é a agenda do Município de Pombal para este fim-de-semana. Não nego importância à investigação, à escrita, à memória. Mas quando vivemos mergulhados no passado...é difícil ter futuro. Sobram a garra e o suor na pista de atletismo, para aliviar o bafio.

17 de janeiro de 2017

Jorge Claro é candidato à Câmara



A comissão política concelhia do PS aprovou ontem à noite o nome de Jorge Claro para candidato do partido à Câmara de Pombal nas eleições autárquicas que acontecem este ano. 
Aqui no Farpas notámos essa vontade de Jorge Claro - e consequente mudança de atitude na vereação, algures no verão passado. Mas os meses passaram, as estruturas distritais  (e nacionais?) iam fazendo caminho paralelo, de forma que no início de Janeiro, o homem publicou na sua página de facebook esta fotografia, respondendo tratar-se de "a minha foto para 2017". Jorge Claro não nasceu ontem e sabia que era preciso marcar terreno. Que nos bastidores o PS continuava a asneirar, alimentando contactos com Narciso Mota, que ainda terá ponderado a possibilidade de ir a votos com a bandeira socialista. E ei-lo, então, pronto para o combate.
De acordo com a nota de imprensa divulgada esta madrugada, "O PS considera que se trata de um candidato credível, capaz e profundamente conhecedor do Concelho e das suas gentes. Dono de um percurso profissional irrepreensível mas também de uma dedicação ao serviço público extremamente relevante". 
Tem agora uns meses pela frente para mostrar o que vale, politicamente, numa corrida que podia ter começado sem pressas.

13 de janeiro de 2017

Pombal pior (II)



Em vez de trabalharem para os pombalenses, aplicando bem o dinheiro que nos pertence; trabalham para o Estado Central, gastando o nosso dinheiro em benefício do Estado Central. E com orgulho!

10 de janeiro de 2017

A não-notícia sobre o falso associativismo



Era suposto que o mandato dos órgãos sociais da Associação de Industriais do Concelho de Pombal (AICP) terminasse em Março próximo, mas a "notícia" divulgada pela Rádio Clube dá conta de novidades: João Matias e Rodrigues Marques foram (re)eleitos presidentes da direcção e da mesa da Assembleia Geral, respectivamente. Na "notícia" falta, no entanto, saber o essencial: quando é que aconteceu essa assembleia geral? Porque é que o mandato não chegou ao fim? Quem são os outros membros dos diversos órgãos sociais? 
No tempo em que as rádios e os jornais locais faziam perguntas, era certo que por esta altura uns e outros queriam saber várias coisas:
1. Quem são os industriais nesta associação?
2. É verdade que a vice-presidente se demitiu do cargo no ano passado? Porquê?
3. Desde quando é que a prestação de serviços é uma actividade industrial?
4. Qual é a principal actividade desta organização (onde ainda não houve tempo para publicar o comunicado replicado em forma de notícia pela 97 Fm, nem para actualizar os novos órgãos)?
Falta-nos (em Pombal) em indústria, em emprego e em valores o que nos sobra em xico-espertismo, numa altura em que se criou uma nova espécie - o dirigente profissional - que saltita entre as diversas associações, acometido de uma súbita vontade de servir o próximo. Ainda bem que "as listas foram compostas por um elevado número de pombalenses". Ficamos todos mais descansados.

8 de janeiro de 2017

Obrigada, Mário Soares


Agoniei-me muitas vezes nas últimas horas com o que gente aparentemente de bem - que tenho entre os amigos da minha página de facebook - escreveu e replicou sobre Mário Soares, na hora da sua morte. O destilar do mesmo ódio que escorre de vez em quando a propósito dos refugiados, que papagueia frases feitas ou artigos de jornais fora de contexto, com o mesmo à-vontade com que partilha pagelas dos senhores dos aflitos, da Cruz Vermelha ou de qualquer obra de caridade. Há um denominador comum entre todos: o ódio. Bem sei que os Homens como Mário Soares nascem assim, na condição de serem amados ou odiados, sem meios termos. Mas impunha-se, a muitos desses actores da vida pública, alguma noção do que isso significa, de como não se despe ali à porta do facebook o casaco de autarca, de dirigente, assim como não se despe o de jornalista, de médico, de professor. Porque antes de tudo há ali um cidadão. Ou deveria haver.
Conheci Mário Soares pessoalmente na sua última visita oficial ao distrito de Leiria, em 1995. Não simpatizando largamente com a personalidade, percebi um pouco melhor quem ele era e como era:imparável. A meio da jornada, percebendo ele que eu andava colada aos seus gestos (daquela vez a minha função era fazer 'o outro lado' da visita), ágil nos meus vinte e picos, visou-se para mim à porta dos Morgatões, agarrou-me nos braços e perguntou: "então, aguenta?". Rimo-nos todos. Mal sabia ele (e eu) o equilíbrio que precisaria para me aguentar, nos anos que se seguiram. 
Poderia dizer muito sobre tudo o que representa Soares para o país, para a Democracia e para a Liberdade, a mesma que permite a qualquer pato-bravo discorrer sobre a sua vida e a sua obra. Mas fico-me pelo agradecimento. Por ter existido e nos permitir, aos portugueses, sermos hoje um povo menos parolo, menos atrasado, do que éramos antes de chegarmos à Europa, de termos o mesmo acesso que os outros ao mundo. Aquela de que fazia parte a Alemanha dos anos 70, onde o meu pai trabalhava, para onde emigrara depois de deixar Angola, depois da guerra. De onde escrevia à minha mãe todas as semanas, a lembrá-la de como era importante ir votar. Aquela de onde voltou em 80, cheio de sonhos para a aldeia e para o país, levados ao extremo naquelas eleições em que no fulgor da adolescência colei um autocolante na lapela a dizer "Soares é fixe", e na escola uma funcionária do bar quase me triturava juntamente com o almoço, porque tudo estava ao rubro, A mesma Europa que encheu bolsos, comprou jipes, criou o cavaquismo e agora se desmorona. Este é o fim de um ciclo, sabe-mo-lo bem. Na hora em que Soares deixa este mundo - que idealizou socialista, republicano e laico - resta-me, só, agradecer. Pelo Farpas, por sermos livres. E sublinhar as palavras de Vasco Pimental, de entre tudo o que se vai escrevendo:


"Atacar a vida de uma pessoa no justo momento em que ela deixa de se poder defender não diz rigorosamente nada sobre a pessoa atacada, e diz tudo sobre o atacante. Fiquem a saber: o que vocês escrevem nesses momentos é um letreiro que vos fica colado na testa para todo o sempre (colam-no vocês próprios) e que diz o seguinte: "Sou uma porcaria ignóbil".

7 de janeiro de 2017

Mário Soares

Mário Soares partiu. Viveu uma vida cheia e encheu a vidas de várias gerações. O País deve-lhe muito; por isso, rende-lhe, neste momento, uma justa homenagem. Não é uma homenagem consensual, nem o poderia ser: Mário Soares nunca foi consensual e nunca procurou sê-lo. Há uma direita radical, revanchista, sectária, saudosista que tem raiva a Mário Soares, que nunca lhe perdoou o papel decisivo que teve no pós-revolução, nomeadamente na descolonização. A esquerda radical também lhe teve ódio, mas soube vencê-lo.
Não sei sintetizar melhor o percurso político de Mário Soares do que a forma como o fez (há mais de uma década) Vasco Pulido Valente (insuspeito esquerdista): “Mário Soares fez mais do que ninguém. Liquidou como pôde a ilusão do Império. Foi o fundador da democracia portuguesa contra o Partido Comunista e a tutela do exército. Levou o país para uma "Europa" a que ele sempre desejara pertencer. Presidiu a um "progresso material" (e "social") sem paralelo em toda a nossa história”. E fez tudo isto no período ideologicamente mais conturbado do sec. XX - o pós-Guerra-Fria – porque esteve sempre do lado certo em três valores fundamentais: Liberdade, Democracia e Europa. Pouquíssimos políticos, em Portugal e na Europa, se podem gabar disso.
Obrigado Mário Soares.

6 de janeiro de 2017

Pombal pior

Não é de agora a falta de sensibilidade dos vários executivos da CMP pela economia do concelho; mas evitavam de exagerar.
Na altura da construção do Parque Industrial Manuel da Mota, a câmara da Marinha Grande construiu um, cerca de três vezes maior. Passados três anos estava cheio. Nas últimas duas décadas, o eixo industrial Marinha Grande - Leiria cresceu muito: Leiria tornou-se uma cidade industrial, construiu vários parques industriais, que apresentam altas taxas de ocupação; e a Marinha Grande cresceu tanto que falta espaço para responder à procura dos empresários. Há umas semanas o Jornal de Leiria titulava em manchete: “Empresas obrigadas a deixar a Marinha Grande para crescer”.
Em Pombal, nas últimas duas décadas não se instalou uma empresa industrial de média dimensão. O Parque Industrial Manuel da Mota continua sub-ocupado ou com pavilhões para armazéns, contra o seu estatuto inicial. Nesta zona, a industrialização parou no Barracão. É com Indústria que se cria riqueza de forma sustentada.
A falta de sensibilidade da CMP pela economia está bem patente no chamado Centro de Negócios. Foi prometido pelo PSD, eleição após eleição. Em 2011, foi finalmente anunciado por Narciso Mota. Demorou vários anos a ser construído, foi mal construído e esteve cerca de 2 anos fechado devido a erros de construção e não só. No tempo que decorreu desde o seu lançamento, a câmara não foi capaz de pensar e conceber um projecto consistente com o que deve ser um Centro de Negócios. Não admira, portanto, que não tendo nada, digno dum Centro de Negócios, que lá colocar; coloquem lá o Serviço de Finanças. Ou seja: colocam a raposa junto das galinhas; antes de terem galinhas. Há maior falta de ideias e de sensibilidade pela economia do concelho? Não creio.

3 de janeiro de 2017

Orgulhosamente sós

                                   Ansião, noite de passagem d'ano

Quem atravessou o Cardal na madrugada de 1 de janeiro, encontrou o mesmo cenário desolador de sempre, a fazer lembrar o que aqui escrevemos há um ano atrás. Mas desta vez a vergonha sobe-nos até à face. Dos diversos municípios que fazem fronteira com o concelho de Pombal...só o nosso é que não investe numa festa de passagem de ano para o povo. Ansião deu (mais uma) bofetada de luva branca, com um programa de excelência. Mas aqui, conseguimos a proeza de desmontar o Natal mesmo antes de ele chegar, deixando-lhe o rasto na fogueira do Cardal, ao estilo "numa casa pobrezinha, mas toda cheia de luz".
Quando olho para as imagens de Leiria, Figueira, Ansião (para não falar da Marinha Grande, Alcobaça, Nazaré...) lembro-me dos nossos jovens que abalaram logo na sexta e só voltaram ontem, dando vida e dinamismo ao comércio de outras terras. A história ensina-nos que nunca é bom ficarmos orgulhosamente sós. Para mais, continuo sem perceber onde é que gastámos os 100 mil euros. 
Bom ano a todos!

23 de dezembro de 2016

Boas Festas!


   São os votos d'Os da Casa para todos os que nos lêem. 
  Feliz Natal!

Adelino Malho
Adérito Araújo
Alexandra Azambuja
Paula Sofia Luz

A oeste nada de novo: história de uma (des)união

Quando nos primórdios da sua governação Narciso Mota apelava à união do "Povo de Pombal", sempre me deu tremenda vontade de rir, pois que se referia, não raras vezes, a gente de Almageira e Vermoil, Abiul e Carriço, Guia ou Meirinhas, como se houvesse algum factor de identidade que ligasse as 17 freguesias do concelho de Pombal, que não o administrativo. 
Quando assistia, um dia depois, à transmissão da reunião da Assembleia Municipal e à corajosa intervenção de António Fernandes, último presidente da Mata Mourisca, lembrei-me de uma história que ouvi desde criança, sobre aquele dia em que a população da aldeia se armou de enxadas e forquilhas para correr com um padre, ali no final dos anos 70. Há uma expressão popular lá por aquelas bandas que diz muito sobre aquele povo: "é de cruto (cocuruto) como os da Mourisca". Quer dizer que é com grandeza. Atente-se por isso na intervenção do ex-autarca - cuja posição foi sempre clara desde o início, no que respeita à agregação, de tal forma que não integrou a lista do PSD à União de Freguesias do Oeste. É em resposta a uma intervenção de João Coucelo, que por sua vez comentava a estranha moção do deputado do PCP, a propósito do tema. "Está por provar que não funcione [a agregação]. Regra geral, todas as revisões administrativas nunca foram de encontro à dita 'vontade popular'. Foram sempre coisas que vieram de cima para baixo. Se fosse por vontade popular nunca se mudava nada".
E foi aqui que Tó Fernandes lhe respondeu à maneira lá da terra. E lembrou aquilo que, naquele salão nobre, se tentava ignorar: um abaixo-assinado, lido ao início da sessão, mas pelo qual as bancadas passaram como cão por vinha vindimada.
Nessa tarde-noite de (cada vez mais) confrangedora intervenção política, há ainda a reter a comunicação de Manuel Serra, actual presidente da Junta da União de Freguesias. Lúcido, como é - deixou a nota durante a reunião: "tanto se me dá que sejamos agregados como não. Eu não serei um entrave das decisões contrárias às vontades das maiorias, mesmo não sendo essas vontades muitas vezes as mais esclarecidas, mas em democracia é assim mesmo". E foi quando o ouvi enumerar tudo aquilo que tem sido feito no Oeste que percebi melhor por que é que na Guia e na Ilha as pessoas se unem em abaixo-assinado para acabar com a agregação. É que, de União, há ali muito pouco.

22 de dezembro de 2016

Ser generoso com o-pelo-do-cão


A câmara vai oferecer um jantar de Natal aos funcionários da câmara e das empresas municipais, aos prestadores de serviços, etc.; e distribuir prendas por eles. A Junta de Freguesia de Pombal foi, ainda, mais generosa: estendeu a coisa aos familiares – uma coisa em grande, para a Família, com animação e tudo. O facebookiano Pedro Pimpão – um mouro de trabalho para a Família - partilhou connosco o gozo do evento.

Convinha que o presidente da câmara e da junta tivessem a noção que não são eles que pagam os jantares e as prendas, são os munícipes. Por isso, um pouco de moderação e decoro ficava-lhes bem; tal como ao nosso deputado.

21 de dezembro de 2016

Vai a legalidade, fiquem os votos

Ontem, o presidente da CMP levou à reunião do executivo uma proposta para atribuição de subsídio de 15.000€, à Associação Cultural Recreativa dos Poios, para a realização de obras na sede; e outra para a atribuição de um subsídio de 5.000 €, à Associação Recreativa Cultural Desportiva da Venda da Cruz, para o mesmo efeito; sabendo que as sedes das associações não estão licenciadas – estão ilegais. Mais: acrescentou que uma delas - a Associação Recreativa Cultural Desportiva da Venda da Cruz – “não está licenciada nem o será, nunca”. Pelo meio, Diogo Mateus, lamentou-se por herdar um passado onde estas coisas eram feitas fora-da-lei.
Entendamo-nos: Diogo Mateus não herdou nenhum passado: é passado, e é presente. Nesta matéria - como estes casos o demonstram - Diogo Mateus tem pior presente do que passado; porque as coisas de um tempo, não são o mesmo noutro tempo – são muito mais graves.
Já abriu há muito a caça aos votos. Mas é preciso não ter topete para, actualmente, com regulamentação muito mais apertada, derramar dinheiro sobre sedes de associações ilegais onde decorrem eventos públicos com grande concentração de pessoas.
Ao conceder os subsídios em causa (e outros idênticos), os membros do executivo poderão estar a violar a Lei 34/87; de 16/07 - Crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos - e a sua versão mais recente - Lei n.º 30/2015, de 22/04. Cabem os actos na previsão do art.º 11.º - “O titular de cargo político que conscientemente conduzir ou decidir contra direito um processo em que intervenha no exercício das suas funções, com a intenção de por essa forma prejudicar ou beneficiar alguém, será punido com prisão de dois a oito anos”. – e do art.º 18–A - "O titular de cargo político que informe ou decida favoravelmente processo de licenciamento ou de autorização ou preste neste informação falsa sobre as leis ou regulamentos aplicáveis, consciente da desconformidade da sua conduta com as normas urbanísticas, é punido com pena de prisão até 3 anos ou multa”.  

19 de dezembro de 2016

Faz de conta que a pista era de gelo

                                foto: Município de Pombal
É uma gente que diz mal de tudo, esta.
O Município faz um esforço sobrenatural para agradar ao povo, investe 100 mil euros na programação de Natal (parte será na iluminação de rua?), manda vir artesãos do resto do país para o mercado, anuncia uma pista de gelo e é isto: uma decepção pegada.
A pista que calhou em sorte às crianças de Pombal deve ser do Sporting: nem sequer chegou ao Natal. Senhores da Câmara: até pode parecer que por aqui se come gato por lebre, que a ninguém se importa com a verdade e a mentira, que para quem é bacalhau basta. Mas é feio mentir, ainda mais tratando-de do público infantil, a quem - supostamente - se destinava a pista. Que não era de gelo. Posto isto, há uma em Leiria. Tem espectáculos de patinagem e só encerra a 1 de Janeiro. E consta que não cheira a cavalo.

Onde se dá conta do resto das delegações

O Príncipe ordenou que o Pança reunisse os ministros, novamente. Com todos presentes foi directo ao assunto; não sem antes pedir ao Pança que apontasse e passasse, depois, ao escrivão-mor.
Começou assim o Príncipe: - Na Marquesa Prada delego a tramitação dos transportes escolares.
- Não pode, estou ocupadíssima com a animação e os eventos culturais e a animação; não tenho tempo nenhum para essas burocracias. Dizei-me: não será melhor concentrar-me na diversão do povo; agora que precisamos tanto dele?
- Claro. É na diversão do povo que vos deveis focar. Como sabeis: o povo, para além de ser falho de memória e de entendimento, é carente de atenção e gozo; mas com duas cocegas e dois enfartamentos deixa-se enganar facilmente. Libertei-vos de mais atribuições para poderdes centrar-vos no que mais precisamos neste momento: termos o povo feliz – concluiu o Príncipe.
- Nisso concordo; mas deveis saber que o povo está cada vez mais insuportável. E os píquenos são do piorío: não gostam de nada. Às vezes enganamos-los: prometemos uma pista de gelo e damos-lhes uma de plástico. E mais: estamos a ser pobretanas nos gastos com a diversão: a animação é uma caturreira e a decoração é pindérica. Esta coisa, de ir pelo baratucho e popularucho, pode resultar uma vez, por ser novidade, mas repetido, desilude. Isto aborrece-me – disse Princesa Prada, desgostosa.
- Depois havemos de falar disso, os dois – rematou o Príncipe, e passou à frente. - No ministro Jota Guardado não delego mais nada, porque já tem carga suficiente e não está a dar conta dela. Devereis aproveitar os próximos seis meses para mostrardes o que valeis – avisou o Príncipe.
O ministro Jota Guardado engoliu em seco. E o Príncipe deu por finalizada a reunião com desejos de um Santo Natal.
Nisto ouviu-se, da ponta da mesa, a Condessa das Cavadas: - e em mim, Alteza; não delegueis nada?
- Estais já bem ocupada com o chamamento dos funcionários para os nossos ajuntamentos. Mas podereis ficar também com as faltas e férias dos assistentes dos jardins-de-infância.
- Obrigado Alteza – agradeceu a Condessa das Cavadas.
                                                                                                         Miguel Saavedra

16 de dezembro de 2016

Tal Presidente Tal Povo

Aqui ao lado, em Ourém, o presidente da câmara municipal está há anos em insolvência pessoal, com dívidas de mais de 4,6 M€. Em 2014, um empresário interpôs-lhe um processo de insolvência pessoal por uma dívida de 350 mil Euros; mas Paulo Fonseca empurrou a inevitável declaração de insolvência, recurso após recurso, até ao Tribunal Constitucional.
Pelo meio, Paulo Fonseca ganhou as eleições no estado de insolvência pessoal amplamente conhecido e exerceu o mandato. Entretanto, o Tribunal Constitucional confirmou a inevitável insolvência pessoal, o que lhe retira a idoneidade necessária para se manter no cargo e para se candidatar nas próximas eleições. Mas o malabarista Paulo Fonseca não quer ficar por aqui; prepara-se para contornar a decisão do Tribunal Constitucional através de um acordo artificial com os credores. Este caso mostra, até à saciedade, o estado de degradação e de desagregação do regime, e a falta de sentido ético mínimo da sociedade em geral e dos Oureenses em particular.
Expõe a Justiça, que permite que um tipo, sem pingo de vergonha e sem qualquer possibilidade de reverter o estado de insolvência pessoal (com o rendimento que tem e quer manter, nem que dure mil anos honra os compromissos), goze de idoneidade para exercer cargos públicos; expõe as debilidades do Sistema Democrático; e expõe o partido – PS - que o candidata e apoia esta desvergonha. Mas expõe também uma sociedade cívica e politicamente corrompida até à medula, constituída maioritariamente por pessoas sem vergonha, sem carácter e que não distinguem já o bem do mal.

Bom arranque

Decorreu ontem a eleição dos representantes dos pais no Concelho Geral do Agrupamento de Escolas de Pombal. A única lista a sufrágio foi a apresentada pela Associação de Pais de Pombal - recentemente criada.
A lista apresentada fez uma renovação total dos representantes dos pais no CG, incluiu pais que não são sócios da associação e é uma lista bastante mais representativa do universo dos pais – não é uma lista de doutores&engenheiros, nem é uma lista de pais da cidade.
Bons sinais; numa terra onde estas coisas seguem o padrão oposto.

15 de dezembro de 2016

Onde se dá conta da continuação da reunião das delegações

Terminada a rusga da PJ e tomadas as acções de contenção, o Príncipe retomou o plano no ponto onde o tinha interrompido: delegação de atribuições aos ministros. Ordenou ao Pança que os reunisse, o que este fez com o desembaraço e o gozo conhecido. Desta vez nem o ministro Videira se atrasou!
O Príncipe foi directo ao assunto (os seus múltiplos cuidados obrigam-no a poupar tempo e a libertar tempo). Ordenou:
- Pança; apontai e passai, depois, ao escrivão-mor.
- Às ordens, Alteza – anuiu o Pança, com a solicitude conhecida.
- No ministro das Obras-Tortas delego a segurança nas obras e a substituição do Príncipe na sua ausência.
- Desculpe, Alteza; são empreitadas demais para um ministro enfraquecido. Dispensai-me da representação de Sua Alteza e demais atribuições. Seria loucura tentar semelhante desígnio, neste período delicado – rogou o ministro das Obras-Tortas.
- Faze-te forte – reforçou o Príncipe. A arte da governação está reservada para os distintos ou para os que querem sê-lo. E para sê-lo, é preciso passar bons ou maus sucedimentos. Lembrai-vos que nas desgraças sempre a ventura deixa uma porta aberta para remédio.
- Agradeço as suas sábias palavras, Alteza – disse de forma sentida o ministro das Obras-Tortas. Mas concedei-me esta dúvida: que lhe aproveita a Vossa Mercê conceder-me a sua insigne representação?
- A mim pouco, ou nada, mas é uma oportunidade para exercitardes a arte de representar e reinar. Ficareis melhor habilitado para concorrerdes ao governo de Terras d`Almagra - referiu o Príncipe.
- Eu estou mais é para abandonar este, do que para ficar ou meter-me noutro – disse, pesaroso, o ministro das Obras-Tortas. Pesa-me, só, o remorso de que poderei prejudicar Vossa Excelência. Nisto que nos agora aconteceu — tornou o ministro — tenho sido muito fustigado; arrependido estou de ter trocado os artefactos pelo que julgava ser vida-boa; quisera eu ter tido este entendimento quando Vossa Excelência me convidou e tinha evitado muito desgosto.
- Deveríeis saber que a vida de ministro não é só fama e bom passadio, está sujeita a mil perigos, afrontas e desventuras, sei bem do que falo – lembrou o Príncipe.
- Pouco me importa se são desventuras ou afrontas; o que me importa são as dores delas, e a forma como ficarão impressas na memória – reforçou o ministro.
- Não há lembrança que não se gaste com o tempo, nem dor que por morte não desapareça – lembrou o Príncipe.
- Será verdade, Alteza – anuiu o ministro. Mas que desgraça pode haver maior — acrescentou - que a que só o tempo cura, e só a morte acaba? Se este nosso contratempo fosse daqueles que se curam com uma confissão e uma boa penitência…
- Ajuda; deveis consultar o Cura Vaz – aconselhou o Príncipe. Mas tereis, também, que fazer das fraquezas forças.
- Elas faltam-me Alteza. E faltam-me apoios – disse o ministro com ar entristecido.
- Dize-me o que queres que por ti faça? - Perguntou o Príncipe.
- Nada Alteza. Eu é que preciso de saber o que hei-de fazer de mim – retorquiu o ministro.
- Sois uma criatura esforçada, popular e bom cristão; mas talvez isso não chegue para dar um bom ministro – concluiu o Príncipe.
- Pois aí é que a porca torce o rabo. Cada qual é como Deus o fez, e talvez não me tenha feito para isto – anuiu, conformado, o ministro das Obras-Tortas.
- Agora sim — disse o Príncipe — agora é que bateis no ponto que confirma o meu já resolvido intento. Termina esta empreitada o melhor que puderdes – rematou o Príncipe.
- Não digo que seja impossível, mas tenho-o por dificultoso. Nas mãos de Deus me entrego – disse o ministro.
- Que Deus te acompanhe e te dê um bom destino. Pelo muito que por vós fiz, imploro-vos que me deis o vosso favor e amparo, agora que tanto deles preciso.
- Eu cá não sou desagradecido; contai com a minha devoção.
- Que o Senhor nos acompanhe – desejou o Príncipe.
Ámen - disseram todos.
                                                                                                            Miguel Saavedra

14 de dezembro de 2016

Sai mais um subsídio para a Sicoense

A CMP atribuiu, por unanimidade, um subsídio de 17.500 € à Associação Cultural e Recreativa Sicoense, de Vila Cã, destinado a comparticipar as obras de construção da sede. A este subsídio pode-se somar os atribuídos anteriormente e os que serão atribuídos no futuro; se, entretanto, nada se alterar.
O que não falta por Pombal é sedes de associações abandonadas, que só o foram enquanto tiveram como propósito único, construir a sede. Até agora, a razão de existência da Associação Sicoense tem sido a construção da sede.

Em Pombal as associações nascem e morrem como os cogumelos, com a câmara a meter lá dinheiro sem escrutinar se são boas ou más, se têm actividade ou não, se são úteis ou inúteis. Porquê? Porque o que interessa é caçar votos.

13 de dezembro de 2016

Onde se dá conta da reunião de emergência sobre a rusga da PJ

Nos últimos seis meses, o Príncipe desenvolveu, com a mestria que lhe é reconhecida, o plano de sedução dos súbditos. Até à semana passada corria tudo como previsto e melhor do que o esperado.
Nas conversas de taberna e café, corria há muito a atoarda que do plano do Príncipe para manter o poder fazia parte a utilização, no momento certo, dos esqueletos que, supostamente, o inimigo tinha deixado no armário. E toda a gente que segue estas coisas dava os escândalos como certos; até porque as ameaças já tinham seguido pelo correio, para, antecipadamente, destabilizar e condicionar o inimigo. O que o Príncipe não sonhava, era que o feitiço se virasse contra o feiticeiro - não contava, nem nos seus piores pesadelos, que a PJ lhe entrasse casa dentro, sem avisar, para vasculhar um caso bicudo do seu curto reinado.
Perante a bronca, e os seus efeitos devastadores, o Príncipe protelou a continuação da reunião de delegação de atribuições aos ministros e reuniu o núcleo cúmplice, composto pelo fiel escudeiro e a Marquesa Prada. Estavam inquietos, irritados e no conhecido modo retaliativo; mas não sabiam o que fazer, melhor dizendo, por onde começar. Apetecia-lhes fazer mal, mas tinham medo do efeito do mal feito; a cabeça pedia-lhes acção, mas o corpo estava trôpego, próprio de quem tinha acabado de levar um murro no baixo-ventre. Só estavam de acordo numa coisa, nos culpados: PJ, denunciantes e o ministro das Obras-Tortas. Mas, para além do ministro, sentiam-se impotentes para os condicionar ou fazer sofrer.
Pensaram actuar na PJ, servindo-se dos bons canais, mas desistiram da ideia porque, tendo eles deixado passar o caso para os jornais, havia pouco a fazer, por agora. O Pança defendeu que se deveria dar uma lição aos denunciantes, mas o Príncipe moderou-lhe os ímpetos, advertindo-o que não é altura para isso. A Marquesa propôs uma limpeza no ministério das Obras, e justificou-a com o veredicto de serem inúteis. O Príncipe concordou com a ideia (Marquesa e o Príncepe estão sempre em sintonia) e lembrou que já tinha encostado o Celestino e traçado o destino do ministro das Obras-Tortas.
O Príncipe informou, também, que era necessário conter o escândalo: que já tinha mandado calar o ministro das Obras-Tortas para evitar que se espalhasse com os jornalistas e agravasse a situação; e que só ele falaria publicamente sobre o caso. O Pança e a Marquesa Prada concordaram, mas evitando dizê-lo pensaram para dentro: “quem já se espalhou foi o Senhor: negou que o Gaspar dos Frangos nos tinha financiado a campanha, e ele confirmou-o”.
Apesar da delicadeza do caso, o Príncipe queria mostrar que controlava a situação. Agarrava-se a leis e a regulamentos, desfiava justificações, atenuantes e desculpas, mas havia um por maior que os inquietava muito e que ninguém quis abordar: o parecer negativo sobre os armazéns do caso, dado pelo permissivo Celestino, no mandato anterior.
Ele há cada coisa!

                                                                                                                  Miguel Saavedra

12 de dezembro de 2016

Milhão e meio

Atingimos hoje a bonita marca de 1.500.000 páginas visualizadas, com o pormenor de, por cada IP, só contar uma (por exemplo: na câmara temos muitos leitores, mas se 300 pessoas visualizarem um post, só conta uma visualização). No página do Facebook temos, em média, o dobro das visualizações do Blog.
Aos que não se cansam de anunciar a nossa morte, eis o desfecho. Continuem com esses prenúncios; dão-nos vida.
Aos que nos seguem regularmente, o reforço do compromisso inicial: “farpearemos os interesses instalados…”. Cada vez melhor: com a mesma firmeza, mas com muito mais colaboração da comunidade, que se revê neste blogue e o identifica como única janela para espreitar, livremente, o que se passa debaixo do tapete.

Obrigado a todos.

9 de dezembro de 2016

Oh, a legalidade...


É bem certo que no melhor pano cai a nódoa. Toda a gente sabe que D. Diogo é um legalista militante, pelo que nesta altura deve estar a penitenciar-se com todas as forças pelas mazelas que os súbditos lhe vão infligindo no currículo autárquico. A notícia em epígrafe é de ontem, e foi publicada no JN. Diz respeito àquele pavilhão na Água Formosa, essa bela localidade, onde a Lusiaves chegou a juntar em tempo de autárquicas os candidatos que apoia (normalmente do PSD), de Leiria e Pombal, num jantar festivo. Ali pelo Largo do Cardal e pelo bairro Agorreta haverá pranto e ranger e de dentes. 

Onde se dá conta da reunião do Príncipe com os seus ministros

O Príncipe sabe que para conquistar os súbditos tem que se aproximar deles; e para isso, tem que sair do convento de Santo António, tem que procurar o povo e misturar-se com ele – cousas onde não é muito versado. Mas, para o poder fazer, sabe (agora) que tem que se libertar dos seus muitos afazeres, das minudências em que se deixou enrolar e entreter; distanciando-se, ainda mais, de súbditos e, até, dos ministros; não se dando sequer conta do que não fazem, do que fazem mal, e - pior - do que andam a fazer. Chamou o Pança e ordenou-lhe que convocasse os ministros para uma reunião. O Pança perguntou: - Todos ou só os nossos, Alteza?
O Príncipe corrigiu logo a pergunta: - Fazes bem perguntar, Pança; mas fazes mal a pergunta! Sabes bem que são todos nossos; mas para este fim, só quero os que têm pasta atribuída.
- Percebido Alteza, - rematou o Pança.
No dia seguinte, à hora marcada, o Príncipe perguntou ao Pança se já tinham chegado todos, ao que este respondeu favoravelmente. Mal tinha o Príncipe acabado de se sentar, apareceu à porta, atrasado, o ministro Videira. Pediu desculpa pelo atraso - tinha-se descuidado no envio de uma encomenda.
O Príncipe, depois de fazer uma alocução alargada sobre o momento político e da necessidade que tinha de se libertar dos seus muitos afazeres para poder procurar a sua fortuna, e a deles (ou pelo menos de alguns deles); advertiu os ministros que esperava deles mais empenhamento, e que lhes iria delegar mais competências.
A cara dos ministros era de espanto e por todos perpassava uma interrogação: se quis concentrar tudo; porque delega, agora?
O Príncipe mandou o Pança apontar as atribuições a distribuir por cada ministro. E começou por dizer:
- Começo pelo ministro Videira, por ser o mais folgado. Delego-lhe a competência para emprestar os campos da bola.
- Não posso assumir mais atribuições, Alteza – reagiu incomodado o ministro Videira. Preciso é que Sua Alteza me liberte totalmente das que tenho.
- Libertado tendes estado, estes anos todos - retorquiu o Príncipe. Não acheis que seria melhor, que neste final de mandato, fizésseis alguma coisa, para justificardes o cargo? 
- Agora já não vale a pena, Alteza – contrapôs o ministro Videira. Falta-me tempo e querer; tais são as empresas em que estou metido.
- Empresas? Que empresas? – Interrogou o Príncipe.
- Várias, Alteza. Com a família e o negócio dos pines a crescer; e querendo tornar-me governador da junta, não tenho tempo para mais atribuições. E que lhe aproveita Vossa Mercê dar-me mais atribuições se não as exercitarei?
- Muito me surpreendeis: nunca governardes nada, como quereis ser governador? Quem te havia de dar uma junta para governardes? E logo a maior? Não vedes que há homens mais hábeis e esforçados do que tu para governador?
- Governo o meu negócio. - Refutou o ministro Videira.
- Tenho que mandar avaliar as incompatibilidades desse negócio.
- Não tem nenhuma incompatibilidade, Alteza. Não falto ao trabalho; faço-o aqui dentro, para outro público!  - contrapôs o ministro Videira.
A estupefação incomodou todos. Percebendo-o; adiantou-se o Pança para conter o imbróglio: - depois esclarecemos esses negócios…?
E o Príncipe interrompeu a reunião para almoço. Segue dentro de momentos.

                                                                                                                    Miguel Saavedra