O PS local sofre da síndrome do unanimismo – uma espécie de
raquitismo político, que os protege – no seu fraco entender - dos perigos. A
doença é antiga, mas agravou-se nos últimos tempos - tornou-se crónica.
Quando fiz parte da AM - no mandato 2005-2009 – a doença já
se manifestava. O cabeça de lista da altura – Jorge Silva (o mesmo deste
mandato) – chegou a defender que deveríamos abandonar a AM, porque, dizia ele,
o presidente não respondia às nossas questões e a bancada da maioria nunca
aceitava as nossas propostas. Expliquei-lhe na altura - sem o convencer - que a
eficácia da nossa acção politica não estava dependente das respostas do
presidente ou do apoio da bancada da maioria, mas da pertinência das nossas
questões, da qualidade dos nossos argumentos e da diferenciação das nossas
propostas.
Agora a situação piorou – ou melhorou, depende da
perspetiva. O PS (também) faz questões e o presidente actual responde as todas.
Mas as questões são “deixas” - tal como as da bancada da maioria - para o
presidente brilhar.
Na última AM o CDS e PSD apresentaram moções de defesa (e
reforço) do ensino privado. E o que fez o PS? Aprovou-as, com a abstenção
envergonhada de três membros da bancada.
A não renovação dos contratos de associação com os colégios
privados, nos locais onde o Estado tem oferta educativa, é uma medida com toda
a racionalidade económica, nomeadamente quando o Estado não tem dinheiro. Logo,
só por esta razão, deveria ser apoiada por todos os partidos. Mas um socialista
deveria saber que se trata de uma medida ideologicamente emblemática deste
governo. Votar contra ela é uma enorme quebra de solidariedade política com o frágil
governo do PS, que devia fazer corar de vergonha um verdadeiro socialista.
A falta de preparação politica ainda se tolera - tal o nível
a que já descemos - mas a ausência de consciência política, não.
Oh Jorge, convence lá esse pessoal a abandonar a assembleia
municipal. Fazias um belo serviço ao partido.