6 de maio de 2016

Sai uma depilação

O convento de S. António tem funcionado, nos últimos tempos, como um verdadeiro depilador, tal a quantidade de vezes que foi chegada-a-roupa-ao-pelo aos funcionários. Porque o trabalho não foi bem feito ou por sadismo, a câmara resolveu protocolar a conclusão do processo de depilação com as cosméticas locais, assegurando um desconto aos funcionários.

Mas, como a chegada-de-roupa-ao-pelo foi feita a frio, não seria mais conveniente protocolar uns tratamentos de pele? E uma reparação dos neurónios, aos mais sofridos?

5 de maio de 2016

Síndrome do unanimismo

O PS local sofre da síndrome do unanimismo – uma espécie de raquitismo político, que os protege – no seu fraco entender - dos perigos. A doença é antiga, mas agravou-se nos últimos tempos - tornou-se crónica.
Quando fiz parte da AM - no mandato 2005-2009 – a doença já se manifestava. O cabeça de lista da altura – Jorge Silva (o mesmo deste mandato) – chegou a defender que deveríamos abandonar a AM, porque, dizia ele, o presidente não respondia às nossas questões e a bancada da maioria nunca aceitava as nossas propostas. Expliquei-lhe na altura - sem o convencer - que a eficácia da nossa acção politica não estava dependente das respostas do presidente ou do apoio da bancada da maioria, mas da pertinência das nossas questões, da qualidade dos nossos argumentos e da diferenciação das nossas propostas.
Agora a situação piorou – ou melhorou, depende da perspetiva. O PS (também) faz questões e o presidente actual responde as todas. Mas as questões são “deixas” - tal como as da bancada da maioria - para o presidente brilhar.
Na última AM o CDS e PSD apresentaram moções de defesa (e reforço) do ensino privado. E o que fez o PS? Aprovou-as, com a abstenção envergonhada de três membros da bancada.
A não renovação dos contratos de associação com os colégios privados, nos locais onde o Estado tem oferta educativa, é uma medida com toda a racionalidade económica, nomeadamente quando o Estado não tem dinheiro. Logo, só por esta razão, deveria ser apoiada por todos os partidos. Mas um socialista deveria saber que se trata de uma medida ideologicamente emblemática deste governo. Votar contra ela é uma enorme quebra de solidariedade política com o frágil governo do PS, que devia fazer corar de vergonha um verdadeiro socialista.
A falta de preparação politica ainda se tolera - tal o nível a que já descemos - mas a ausência de consciência política, não.
Oh Jorge, convence lá esse pessoal a abandonar a assembleia municipal. Fazias um belo serviço ao partido.

4 de maio de 2016

O mistério da sala que falta no Centro de Saúde


Desde a apresentação do projecto que médicos e enfermeiros foram alertando para algumas falhas no edifício do novo Centro de Saúde de Pombal, que deverá abrir portas na próxima semana. A coordenadora alertou, os profissionais também, mas chegámos ao fim da obra com o insólito: falta uma sala de enfermagem na Unidade de Saúde de São Martinho. Como é possível tamanha leviandade numa obra que custa milhões, e que deveria ser projectada para o futuro? 
Quando na segunda-feira os responsáveis foram à Câmara para tentar uma solução, nos contentores (onde tem funcionado o Centro de Saúde) os profissionais sabiam que não havia muito por onde remendar. E assim foi: vai fazer-se à pressa uma divisória, para caberem todos. 
Ora aí o pior do planeamento, remendando uma obra mesmo antes de a inaugurar.

3 de maio de 2016

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - sempre a pensar na carreira

Pedro Pimpão – Líder da Concelhia do PSD – anda atarefadíssimo a tentar, por todos os meios, abafar o tsunami lançado por Narciso Mota, no concelho e no PSD, tentando convencê-lo a não avançar para a câmara, o que vai ser difícil – digo eu.
Mas aquando do processo de destituição de Luís Garcia - baseado numa dessintonia política menor, opinativa, referente a uma área – Saúde – onde o executivo local não tem atribuições e responsabilidades, Pedro Pimpão teve um comportamento bem distinto (para não dizer oposto), bateu-se pela destituição. Na altura, disse e escreveu:
E agora, Pedro, o que dizes e o que fazes? Qual vai ser o teu voto? Vais liderar a destituição de Narciso Mota?
Ficamos à espera. Atentos.

2 de maio de 2016

O reality show da Assembleia Municipal



Este era o segredo mais bem guardado da Câmara Municipal em matéria de entretenimento. A transmissão em directo (agora disponibilizada em gravação no youtube) das sessões da Câmara tem sido qualquer coisa de aborrecido, mas a da Assembleia Municipal superou toda e qualquer eventual decepção que eu pudesse ter. Ainda não percebi se aquilo é uma parceria com a pombaltv, se é uma cedência de meios, se é uma adjudicação directa. Seja o que for, é muito bom. Os concelhos à volta que ponham os olhos nisto...
É o nível das intervenções das diversas bancadas.
É a quantidade de deputados que ali vai receber a senha de presença e picar o ponto, sem abrir a boca.
É o deputado que se incomoda com as questões "bagatelares" da árvore e do buraco da estrada (que mania que o povo tem de se preocupar com coisas menores).
É o presidente da Câmara que demora mais tempo a responder aos deputados do que o total gasto pelos ditos.
É o presidente da mesa da Assembleia que não consegue auto-regular a sua intervenção.
E é a cereja no topo bolo: o secretário da mesa que dá ordens ao presidente.
É do melhor. Ide ver.

Chamem os bombeiros


Ao minuto 47 da gravação da Assembleia Municipal da passada sexta-feira, o presidente da Câmara de Pombal explica com detalhe por que razão não está em vigor no nosso concelho o Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios. Legalista militante, Diogo Mateus coloca nas mãos da Justiça a resolução de um processo kafkiano cuja culpa atribui ao Instituto de Conservação da Natureza. Diz o autarca que não é por aí, pois que o Plano Operacional Municipal existe - e é esse "que disponibiliza o conjunto de meios que estão prontos a fazer intervenção, se forem necessários os mecanismos de prevenção". Fazendo fé nas palavras supremas, está tudo bem. Mas diz a imprensa que os Bombeiros Voluntários de Pombal se debatem com falta de gente, lamento assumido publicamente na última assembleia geral da associação humanitária, aqui há dias. Foi na mesma altura em que os sócios aprovaram as contas - que limpam a imagem da casa um ano depois da tempestade directiva. Sabe-se que esta direcção da AHBVP tem funcionado ao estilo "Tide lava mais branco", implacável no alcance dos resultados, entretanto afixados no placard das secções. Tudo está bem quando acaba bem. 
Ora acontece que, apesar da proximidade a Fátima, os milagres não se verificam num instalar de dedos. Como não se pode ter sol na eira e chuva no nabal, são compreensíveis os receios manifestados pelo presidente da assembleia geral, José Manuel Carrilho, que já dirigiu com mestria a associação e sabe do que fala. Sem ovos ainda não se fazem omoletes: sem voluntários não há corpo de bombeiros. Sucedem-se os cursos e também o número dos que nem sequer terminam as formações; os incentivos e regalias foram sendo sucessivamente dizimados, e por isso ser bombeiro é hoje mais penoso do que aliciante para qualquer voluntário. Posto isto, o melhor é aproveitar as peregrinações de Maio para rezar e pedir protecção divina para a floresta. Ou então mudar a agulha na estratégia organizacional, onde tantas vezes o essencial é invisível aos olhos. 
Se perguntarem aos bombeiros, rapidamente percebem que isto não vai lá com trail's.

28 de abril de 2016

Fazem com Narciso Mota o que fizeram com Luís Garcia?

Em 2008, Luís Garcia era presidente da AM e Administrador do Hospital de Pombal, Narciso Mota era presidente da CMP e Diogo Mateus seu vice-presidente. Nesse ano, Luís Garcia afirmou à imprensa "nunca ter visto na agenda política da Câmara a vontade verdadeira de resolver a situação do novo Centro de Saúde". Dias depois, no decorrer de uma assembleia municipal, na sequência da decisão do presidente da AM de cortar a palavra ao presidente da câmara, por reiterado abuso de tempo; Diogo Mateus, num aparte, não anuído, usou da palavra para acusar Luís Garcia de ter quebrado a solidariedade política na assembleia, tal como já o tinha feito quando prestou declarações à imprensa a propósito da política de saúde e do centro de saúde. Diogo Mateus - apesar de não ser presidente da câmara nem do partido - aproveitou a oportunidade para, de forma inoportuna, censurar publicamente Luís Garcia, retirar-lhe a confiança política e, desta forma, desencadear o processo destituição do presidente da AM, conduzido pelo líder da bancada e da concelhia do PSD. O desfecho do processo é conhecido e deixou as suas marcas e as suas vítimas. 
 Agora, Diogo Mateus é presidente da câmara e Narciso Mota é presidente da AM. E é Narciso Mota que, a meio do mandato autárquico, anuncia a sua candidatura a presidente da câmara, justificando-a com o mau desempenho político de Diogo Mateus, consubstanciado no forte descontentamento popular. Com estes actores políticos e neste contexto de guerra declarada, uma pergunta se impõe: Diogo Mateus tem “tomates” para destituir Narciso Mota da presidência da AM, como o fez, por motivos insignificantes, com Luís Garcia? A coerência deveria impô-lo. Até porque, agora, o “pecado” é incomensuravelmente mais grave. Mas, terá “tomates”?  

27 de abril de 2016

Liberdade de Imprensa

Falta pouco para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala a 3 de Maio. A propósito dos jornais que amanhã estão nas bancas, ocorre-me a célebre frase de Orson Welles:

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. 
Todo o resto é publicidade".

26 de abril de 2016

História de um golpe anunciado (I)

No passado fim-de-semana, Pombal comemorou o golpe militar de 74, com as cerimónias oficiais centradas nos “Rapazes dos Tanques”. Premonitório: nas conversas informais só se comentava o golpe desferido por Narciso Mota contra o seu sucessor.
É discutível o modo e o momento escolhido por Narciso Mota para tornar público o assalto ao poder, mas respeita os princípios básicos da arte da guerra: ataque de surpresa, quando o adversário não está preparado ou está enfraquecido. Pode ter sido uma simples coincidência, mas o certo é que Narciso Mota apanhou o príncipe coxo, com a mobilidade fortemente limitada, amparado em muletas.
Independentemente das circunstâncias do ataque, o príncipe é mais réu do que vítima: tem sido demasiado incauto, semeou demasiado odioso nos seus súbditos quando estes ainda não tinham feito o corte com o anterior soberano e ausentou-se do território para ir gozar férias na neve (gosta de feriar regularmente) quando a rebelião já estava em marcha - como por aqui avisámos. Maquiavel ensinou que “contra a inimizade de um povo um príncipe jamais pode estar garantido”. O príncipe está vulnerável, corre sérios riscos de perder, sem honra, o reino rico e até há pouco tempo pacificado que lhe foi legado.

É agora chegado o momento de o príncipe mostrar a sua têmpera: se nasceu para ser Príncipe ou se príncipe foi.

25 de abril de 2016

Quem mais ordena


Não tenho simpatia pela figura do Marquês, mas acho desde o início que o projecto da Associação Artística Marquês de Pombal tem tudo para ser diferenciador. Via-os, por exemplo, na organização do "Maio, mês do Marquês", não apenas o quinteto a tocar, mas a colocarem em prática toda a vasta actividade que está nos estatutos da associação. Mas colocar o quinteto (vestido a rigor) no Café Concerto, em plena comemoração do 25 de Abril...não lembra ao diabo. Lembrou à Câmara de Pombal, que troca a Grândola pela música barroca.

Oito anos de Farpas

Há oito anos, o Farpas foi criado com o intuito de furar o cerco da asfixia informativa local. Conseguimo-lo. Comemoramo-lo com orgulho, com sentimento da missão cumprida, mas também com a azia da obra inacabada. Naquele longínquo 2008 estávamos longe de imaginar que o mais fácil seria furar o cerco. Hoje sabemos que o mais difícil é manter o cerco furado, porque as forças que o querem fechado estão mais fortes, são mais profissionais, e contam com colaboracionistas mais submissos e mais bajuladores.
Por hábito – e, agora, também, por necessidade - as pessoas submetem-se a tudo o que o poder deseja, o que gera um poder arrogante e uma cidadania dormente. Nesta comunhão maldosa, o arrogante encontra-se com o fraco, funcionam como duas faces da mesma moeda, mas não se compreendem.
Às vezes apetece-nos parar, dar a missão por concluída, mas rapidamente percebemos que estamos a meio da cruzada, que parar implicaria o regresso ao ponto de partida, que parar seria sempre uma desistência, uma cobardia. Não podemos dar esse presente aos nossos “inimigos”. E sobretudo: não podemos privar Pombal do contraditório, num tempo em que a oposição se demitiu de funções e a imprensa adormeceu.
Eles não mudam, não podemos mudar.
Cumprir Abril é isto, também.
Viva o Farpas, Viva a Liberdade!

23 de abril de 2016

Narciso é candidato à Câmara (crónica de um divórcio anunciado)



Narciso Mota está pronto para ser candidato à Câmara de Pombal em 2017. A decisão andou a ser pensada nos últimos meses, e fontes próximas do ex-presidente garantem que estava tomada já no sábado passado, quando tomou posse como presidente do plenário do PSD de Pombal, e onde deixou uma frase que muitos entenderam dirigir-se ao sucessor, Diogo Mateus: "quem com ferros mata, com ferros morre".
Nos últimos dias, o autarca - que actualmente preside à Assembleia Municipal de Pombal - tem vindo a estabelecer contactos com diversos apoiantes (no seguimento de um crescente apelo popular ao regresso) sendo claro na mensagem: "se o PSD não me quiser, avanço como independente". A decisão já foi comunicada ao presidente da concelhia, Pedro Pimpão.
A foto do triunvirato era premonitória. Tal como se adivinhava, começa a desenhar-se o tsunami.
Estava escrito nas estrelas, mas não era expectável que fosse tão cedo. 

21 de abril de 2016

Apelo aos beneméritos


Circula há mais de uma semana pelas redes sociais este apelo. Não vi na imprensa local nenhuma notícia sobre o assunto, mas parece-me que esta é daquelas situações que pode servir para o poder político e empresarial exercitar a sua responsabilidade social. A Paula sofre de uma doença degenerativa que há anos lhe vem roubando independência, que nos últimos tempos lhe fez perder até a capacidade de engolir. Gostava de deixar a sua história escrita, e já arranjou quem se disponibiliza a fazê-lo gratuitamente. Mas editar um livro tem custos. Por isso, aqui fica o apelo à boa vontade dos pombalenses beneméritos - que os há. Não é caridade, mas é solidariedade. E pode fazer a diferença.

13 de abril de 2016

Expectativas medievais


Respigo o que aqui escrevi há dois anos, aquando da inauguração das obras de requalificação do Castelo. "Face a uma proposta arrojada e polémica como esta, esperava do município um programa em coerência para o monumento. Um programa que justificasse o investimento efectuado e dignificasse a opção tomada. Provavelmente é isso que está na cabeça de Diogo Mateus e da sua equipa. Mas, se assim for, alguém me consegue explicar como se justifica um Mercado Medieval para o dia da inauguração?"

A insistência nos mercados medievais em Abril, assinalando o aniversário da inauguração da obra, mostra claramente que Diogo Mateus e a sua equipa não partilham a minha opinião. E quem sou eu para os criticar! Os factos até parecem dar-lhes razão. Fazendo fé nas palavras da vereadora Ana Gonçalves, o evento "continua a ser muito acarinhado pelos Pombalenses e pelos turistas nacionais e estrangeiros". 

Pronto, tudo bem... Os mercados medievais até são giros e concordo que, quando se tem uma infraestrutura como a do Castelo, seria uma pena não promover um evento desse cariz. Também sei que os pombalenses acarinham a iniciativa (como, aliás, muitas outras). Mas essa dos "turistas nacionais e estrangeiros" não será um exagero? Olhando para a foto que retirei da página da Câmara, noto que conheço quase metade das pessoas que "invadiram" o Castelo. Só 7 são da minha família! 

11 de abril de 2016

A Publireportagem da TSF

No discurso, a CMP mostra-se preocupada com a Educação (nomeadamente com o insucesso escolar), mas na prática, maltrata a Educação: planeia mal as pólos escolares – não os faz onde há crianças e fá-los onde não as há -, bloqueia o funcionamento do maior agrupamento de escolas do concelho, não disponibiliza recursos humanos indispensáveis ao funcionamento das escolas e não investe nas actividades extra-curriculares - indispensáveis para atenuar desníveis de desenvolvimento das crianças. E nada disto é notícia!
Mas quiseram que o programa EPIS fosse notícia, aqui e além-fronteiras. E a TSF fez o jeito - e fez-se pagar por ele – com uma Publireportagem (uma reportagem paga) sobre a matéria.
Ao que nós chegámos!

10 de abril de 2016

Pombal Contemporâneo

O evento designado (erradamente) Mercado Medieval, organizado, este fim-de-semana, pela CMP, nada tem do longínquo e malfadado tempo medieval. É sim, na parte exposta, uma amostra do Pombal contemporâneo, muito próxima do Pombal tradicional.

Evocar o passado com o presente é desvirtuar o passado e puxar o presente para o passado. Ou não saber o que se quer.

8 de abril de 2016

Sai um Panteão

Os deputados da região têm andado numa azáfama mediática. Na última semana o Pedro sobressaiu com um bom número: conceder ao Mosteiro da Batalha o estatuto de Panteão Nacional. Desta vez, sejamos justos, o nosso deputado foi imaginativo - já estávamos fartos da lengalenga à volta do Aeroporto de Monte-Real e da transformação do IPL em Universidade. Poucos se lembrariam de utilizar o mosteiro para sepultar os famosos cá da terra - Narciso Mota, Lemos Proença, Fernando Costa, por exemplo - mas o Pedro tem este feeling político, adquirido no prolongado estágio na Jota, que lhe permite ver em antecipação aquilo que os outros não enxergam. Hoje, a política faz-se destes números que não requerem grande elaboração ou fundamentação, mas têm uma enorme capacidade de atrair “likes” e daí saltarem rapidamente para as páginas dos jornais e os noticiários das rádios e televisões.
Há muito tempo que a acção política abandonou o terreno do concreto, a busca do “bem comum”, a racionalização das relações sociais, para se centrar no fantasioso, no virtual, no efémero, no megalómano ou até no bizarro. Neste terreno, a aptidão do político consiste em saber quais são as paixões que podem ser despertadas com mais facilidade e que mais benefício mediático pode trazer, no imediato, ao mentor.
A coisa vai avançar? Claro que não. Mas isso pouco importa. O número está feito e capitalizado. Se avançasse, lá teriam as nossas criancinhas de fazer visitas de estudo ao mosteiro para conhecer os grandiosos cá da terra.

O rastreio das crianças

foto: EPIS

Passou ontem na TSF esta reportagem sobre o programa EPIS (da homónima associação de empresários para a inclusão social). Já aqui falei sobre o tema, já disse publicamente aos senhores coordenadores e autarcas o que acho daquilo, da invasão de privacidade expressa naqueles inquéritos.No ano passado a coisa correu mal na cidade. Na EB1, entre a centena e meia de alunos, apenas dez pais acederam ao desafio da autarquia, no resto do concelho a adesão passou pouco dos 60%. Ora, se o programa é assim tão bom, se os resultados são tão espectaculares, fico sempre intrigada com o facto de apenas os municípios de Pombal, Figueira da Foz e Pampilhosa da Serra aderirem ao dito. Há pelo país uns 360 que ainda não descobriram esta pólvora. Outros há que apostam numa política de criação de actividades desportivas e lúdicas, que asseguram a igualdade de oportunidades que a escola pública nem sempre dá. O outro Diogo desta história (director-geral da EPIS), diz que ainda estão à procura "do grande resultado quantitativo e estatiscamente relevante".
Ouvi com toda a atenção aqueles minutos de rádio, gravados há coisa de um mês. Martelam-me na cabeça as palavras "rastrear" e "sinalizar". Parece que a Câmara de Pombal (através da equipa que criou para assegurar o EPIS) já "rastreou 1070 crianças". Diz o presidente que a ideia é chegar "aos que são mais pobres, mais vulneráveis". E depois "trabalhar os jovens e a sua capacitação para o futuro". O conceito é este, e quanto a isso estamos conversados. 
São os princípios que me incomodam, os meios que tão-pouco sabemos se vão justificar os fins. nessa óptica da caridadezinha aplicada à escola, que só tem paralelo no que se anda a passar em alguns estabelecimentos da cidade, onde a percentagem de crianças carenciadas é elevadíssima. Num gesto caridoso,  há pão para "os meninos pobres". E isto é dito assim, a todos.
Ora aí um bom tema para reportagem, para quem ousar fazer "caminho paralelo".

4 de abril de 2016

A Feira da Floresta trazia água no bico

O dinheiro em abundância permite muita extravagância. Mas há limites!
A CMP, depois de desbaratar dinheiro em quintas e edifícios de que não tinha necessidade e que não utiliza, prepara-se para prosseguir na senda dos maus negócios, ou dos bons - depende da parte. Ao Região de Leiria, a vereadora Catarina Silva afirmou: “temos desenvolvido os procedimentos para nos assumirmos como proprietário florestal. Estamos a preparar todos os passos para fazer compra de floresta”Não precisam: eu tenho pouca mas dou-vos alguma e conheço quem vos poderá dar mais. Que não vos falte floresta! 
E deixem lá estar o dinheiro no banco. Talvez apareça alguém com (boas) ideias onde o aplicar.