13 de março de 2017

Obras tortas

O Príncipe e os seus apaniguados andam inchados com a rotunda do Alto do Cabaço, no IC2, que passou a ser a obra do regime, substituindo o CIMU – Sicó - o malfadado mamarracho . Quando se comemora a construção de (mais) uma rotunda na principal estrada nacional, paga com o dinheiro dos pombalenses, está tudo dito sobre os decisores locais.
A rotunda beneficia uma pequena parte dos automobilistas, os que circulam na EN237 na direcção Leiria; mas prejudica a esmagadora maioria, os que circulam na IC2.
Mas pior do que a rotunda, é a solução para o entroncamento entre a EN237 e a Rua Carlos Alberto Mota Pinto (junto à Estação de Serviço). A EN237 foi desclassificada - passou a EM – e tem funcionado como a única variante à cidade, permitindo, a Norte, contornar a cidade e fugir ao trânsito interior. Com o novo figurino, o trânsito que circula na EN237 em direcção ao Alto do Cabaço e pretende entrar na cidade, tem que entrar no IC2 e fazer a rotunda, obrigando à paragem do trânsito no IC2, nos dois sentidos.
Pergunta-se: como é que as Infraestruturas de Portugal aceitaram esta aberração? Olharam só para o projecto da rotunda ou limitaram-se a seguir o ditado popular: em cavalo dado não se olham os dentes. A investigar… 

11 de março de 2017

Propaganda barata

Tudo serve para promover o Príncipe como grande visionário e construtor; mesmo as asneiras. Ei-lo no alto das Corujeiras, na pose do grande timoneiro, determinado, apontando para amanhãs grandiosos, profetizando a recuperação do que nunca quis(eram) recuperar, do que deixaram atingir a degradação total, do que não é recuperável.

Haja paciência.

9 de março de 2017

Quem quer casar com a carochinha?*


Está a Ana bem contente
Nos tortulhos, tão afã
Desiludida anda a gente
Já não é independente
A moça de Vila Cã

Condivou-a o Narciso
“Há para si e há para os seus!”
Muito riso, pouco siso
Nem sempre abunda o juízo
E derrete-se com Mateus

Descartou-a D. Diogo
Na primeira eleição
Mas o partido é engodo…
Pior que noite de bodo
Para qualquer João Ratão

Convidou-a o PS
Pela voz de Jorge Claro
Do resto logo se esquece
Do Sidónio ao CDS
Haja quem lhe dê amparo


*canta-se assim, na freguesia de Vila Cã, onde o vento mudou.

3 de março de 2017

As falsas avenças, e não só

Na CMP, o final do ano e o início de novo traz muitas renovações das avenças aos “abençoados” do regime. Avenças falsas ou desnecessárias.
Para além da avença crónica ao Teófilo Santos, que nos custa uns módicos 40 mil Euros anuais, e que representa uma espécie de renda vitalícia; há as avenças falsas: falsas prestações de serviços que na prática são serviço corrente, com horário e subordinação hierárquica - já aqui caracterizadas.
Mas o sintoma maior do desleixo e/ou incompetência que reina por aquelas bandas é este: renovaram avenças a 7-2-2017 - a avençados que terminaram a avença anterior no final do ano - e mantiveram-nos a trabalhar durante o mês de Janeiro, cumprindo o (tal) horário regular. 
Pergunta-se: os avençados, nestas circunstâncias, vão receber o trabalho realizado durante o mês de Janeiro? Como é que lhes vão pagar, sem violarem a lei?

2 de março de 2017

O dia em que a oposição honrou a bancada


Lá diz o povo que "tarde é o que nunca vem". O ditado assenta que nem uma luva à bancada do PS, na última reunião da Assembleia Municipal. A líder, Odete Alves, esteve no seu melhor. E Vítor Gomes também. Não se limitaram a questionar. Fizeram-no com o espírito aguerrido que se espera da oposição. Sem cautelas nem caldos de galinha. Vítor Gomes chamou "os bois pelos nomes", num tempo em que o saudosismo ganha terreno. A forma como a distinta comunicação social pega no assunto, é bem sintomático, depois de ter dado o devido destaque ao evento.
Não se trata de não ter memória, escudo tantas vezes usado pelo poder para justificar tanta bajulação ao tempo da outra senhora. Trata-se de decoro.

1 de março de 2017

Que trata da reprimenda do Príncipe ao Pança

O Pança nunca remoeu a perda da pasta da propaganda. Vai daí, tratou de fazer a vida negra à escriba Serôdia e mostrar serviço na praça pública. Rivaliza aí com a primeira-dama pela láurea da defesa do Príncipe. Mas, como é destravado e talhado para a asneirola, quando se empolga, espalha-se; e, em vez de ajudar, prejudica. Informado disso, o Príncipe sentiu necessidade de conter os danos nesta fase crítica. Chamou o Pança para o admoestar.
- Senta-se, Pança – ordenou o Príncipe. Temos que ter uma conversa séria sobre o papel de um fiel escudeiro. Reconheço que tens sido um bom companheiro nos bons e maus momentos; e um servente empenhado no trabalho sujo de preparo das armas, na ajuda no campo de batalha e no enterro das vítimas. Mas, nos últimos tempos, usurpastes funções com pendências desnecessárias e penalizantes no campo da propaganda e da governação. Dize-me Pança: quem te manda meter nessas pendências, para as quais não estais preparado?
- Faço aquilo a que sou obrigado como fiel escudeiro: defender Vossa Mercê dos ataques dos inimigos – respondeu, magoado, o Pança.
- Hás-de compreender, Pança – avisou o Príncipe –; que as pendências que de onde não se pode sair bem delas, não se deve entrar, porque a valentia que entra por temeridade é mais loucura que fortaleza.
- Percebo, Senhor – anuiu o Pança. Mas o exercício de proteger Vossa Mercê, que abracei com paixão, não me deixa ficar quedo, não sou capaz de ver Sua Alteza ser atacado e não dar na cabeça a essa gente.
- Não percebeis – alertou o Príncipe – que andais a dar troco a gente plebeia e ordinária, que deve ser ignorada ou desterrada deste condado cristão.
- É verdade o que dizeis, Senhor meu Amo. Mas a vossa Dulcineia também o faz – observou o Pança.
- Cala-te, Pança – sentenciou o Príncipe, com voz muito desmaiada —; cala-te, repito, e não digas blasfémias, e não te compares a uma Senhora letrada e distinta que sabe como conduzir uma polémica com astucia e eficácia - rematou o Príncipe.
- Não estou para responder, nem para ofender — tornou o Pança. Estou só a observar o que os meus olhos vêem todos os dias…
— Ó homem que tens mais de bruto que de pessoa de juízo, cala-te — tornou o Príncipe, exaltado. Não vedes que para te meteres em polémicas com letras é preciso ter caneta. Não reparas, desgraçado, que se virem que és um vilão grosseiro, ou um mentecapto divertido, pensarão que eu sou algum ichacorvos ou algum Príncipe de empréstimo? Irra; que não percebes!
-Não se agonie Vossa Mercê comigo — tornou o Pança — que me não criei na corte, nem estudei em Coimbra, para saber se aumento ou tiro alguma letra aos meus vocábulos. Valha-me Deus! Parece que falo com o rabo…
- Com a boca ou o rabo, é o mesmo… Quando a cólera se apodera de ti, não há quem te segure a língua, nem há freio que a corrija – disse o Príncipe.
- O senhor aí não me dá exemplos – contrapôs o Pança.
- Andais a pôr-te a jeito, Pança. Mas olha que ainda agora, por muito menos do que fazeis e me dizeis, despedi um mandatário. Se não ganhais juízo, ponho-te a andar…- rematou o Príncipe em tom de ameaça.
O Pança, com a raiva a subir-lhe do coração à cabeça, pensou mas não o disse: - desventurado escudeiro que serve fidalgo vicioso com alma de cântaro. E saiu amachucado e cabisbaixo.

                                                                                                                        Miguel Saavedra

Palavra de presidente

Um dos momentos que entram para os anais da vida política pombalense viveu-se na sexta-feira passada, na Assembleia Municipal, quando o presidente da Câmara respondeu a uma interpelação da líder da bancada do PS. Como é que dizia Sá Carneiro? "A política sem risco é uma chatice, e sem ética é uma vergonha".

27 de fevereiro de 2017

O Carnaval em Pombal


A vida são dois dias e...o Carnaval (em Pombal) são apenas umas horas. A imagem é de sexta-feira, registada às 11h30, e retrata o momento em que, prontamente, os serviços da Câmara varrem das ruas os vestígios do que resta do Carnaval na cidade: um desfile apressado das centenas de crianças que pais e escolas vestiram a rigor. Algumas escolas esforçaram-se muito na indumentária, dando ênfase à nobreza, como manda o figurino. E depois, foi um ar que se lhe deu.
Talvez esta imagem diga muito sobre o que somos, por cá, por contraste com os concelhos à volta: Ansião, Figueiró dos Vinhos, Batalha, Alcobaça (sem falar da super potência que é a Nazaré) proporcionam aos seus e aos outros dias de folia, desfiles e bailes. Noutro tempo, Pombal entrava nesse mapa. A crescente formatação do lado institucional da vida foi ganhando peso. Deixamos tudo por conta da Câmara, da Junta, da Instituição. Falta-nos sociedade civil que se envolva e participe. E que seja um bocadinho exigente, até consigo mesma. Anos e anos de subsidiodependência entre as colectividades acabaram com o gene da iniciativa, da ousadia. Resta-nos então o Carnaval de Abiul, que ontem desfilou entre as obras da vila, a mostrar que o que faz falta é animar a malta. Um bom exemplo do que dizia Zeca Afonso: "temos é que ser gente, pá".

25 de fevereiro de 2017

A malta gostava de saber o que vão fazer ao Narciso Mota

Atacar Narciso Mota pelo lado da (falta) transparência é uma má escolha. Já que, para político, é, até, transparente demais - toda a gente sabe o que vai fazer; às vezes, antes, até, de ele o saber.
Narciso Mota já tinha esclarecido que era sua vontade manter-se como presidente da assembleia. Logo, a sua continuidade no cargo depende da posição da bancada maioritária do PSD - partido que o indicou aos sufrágios.
Em Democracia, cada um assume as suas atribuições e responsabilidades. Narciso Mota, mal ou bem, já assumiu as suas. Cabe agora, à maioria que o elegeu assumir as suas.
É estranho que, estando o líder do partido – Pedro Pimpão – na assembleia, tenha sido o independente João Coucelo a questionar a legitimidade de Narciso Mota pela quebra de solidariedade em relação ao partido. Igualmente estranho que os/as grandes apoiantes de Narciso Mota presentes na AM se tenham limitado a assistir, impávidos e serenos, ao ataque a Narciso Mota.

Diogo Mateus lembra que os subsídios “compram” votos

Discutia-se a atribuição de mais um subsídio à Comissão Fabriqueira da Igreja de Pombal. O vereador Jorge Claro anunciou que PS votava contra. Logo Diogo Mateus lembrou, com aquele sorriso cínico: - vota contra! Muito bem. ...Os (seus) votos sobram para alguém.
E a reunião lá prosseguiu no registo do “chá das cinco”, que nem o tema do CIMU da Sicó – o maior desastre político das últimas décadas - alterou.

22 de fevereiro de 2017

A Realidade da Obra do Regime

Quando se junta voluntarismo e megalomania à cegueira e surdez, o caminho para o desastre está traçado.
O Centro de Interpretação e Museu da Serra da Sicó (CIMU SICÓ) é um desastre completo: conceptual, arquitectónico, paisagístico, construtivo, económico, etc.
A obra foi lançada no final de 2014, com um orçamento de 2,139 MEuros e um prazo de construção de 360 dias. A 29 Janeiro 2014, Diogo Mateus disse que a obra deveria “estar pronta e a funcionar em 2015”. Está parada há mais de um ano, no estado de abandono que as imagens mostram.
A obra é um desastre conceptual porque nunca teve um conceito claro estabelecido - servia para quase tudo, e o que serve para tudo não serve para nada. É um desastre arquitectónico porque não obedece a um conceito claro, está mal implantado – dizem, agora, que houve um erro de projecto - choca e desfigura espaço e a paisagem envolvente. É um desastre paisagístico porque, para além de ferir a paisagem, encobre a serra, que tanto se propunha valorizar. É um desastre construtivo porque, nos moldes actuais, não o conseguem construir: a câmara porque não sabe o que construir - não sabe o fim a que se destina e também não consegue encontrar conteúdos para lá colocar; e a construtora porque não tem orçamento suficiente. É um desastre económico porque, se for concluído, vai exigir elevados custos de funcionamento e manutenção, e não gerará receitas significativas.
Chegados aqui, com uma boa parte do orçamento consumido e com três quartos da despesa por fazer, o que fazer? Assumir o erro. Demolir. Responsabilizar. Penalizar.

Câmara rica, concelho pobre

A mensagem passou ontem: 

"O presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, não escondeu hoje a sua satisfação pela aquisição dos terrenos da Quinta do Casarelo, no centro da cidade. São seis hectares de terrenos, avaliados em cerca de cinco milhões de euros, e pelos quais o município deverá despender cerca de 65 mil euros. Uma operação que permitirá ao município “desenvolver uma nova cidade”, e disponibilizar espaços para que, essencialmente os jovens casais, possam construir as suas casas com custos controlados. Ontem, em conferência de imprensa, o autarca social-democrata explicou que o negócio foi efectuado no âmbito de uma hasta pública promovida pela Autoridade Tributária, executando, assim, a empresa proprietária dos terrenos, localizados na zona envolvente ao Castelo da cidade e mercado municipal."

Tudo o que se pudesse dizer agora sobre tamanha façanha, seria obsceno. Houve um feito maior neste mandato de Diogo Mateus, um mérito que ninguém lhe pode negar, a ele e (especialmente) ao seu gabinete: a facilidade com que qualquer linha de propaganda é transformada pelos mensageiros em notícia, sem enquadramento dos factos nem qualquer réstia de memória. E tudo ao preço de likes, sorrisos, e pancadinhas nas costas. Ou talvez não.

A Obra do Regime

O Centro de Interpretação e Museu da Serra da Sicó (CIMU SICÓ) foi apresentado ao concelho e à região como a grande obra do regime. A maquete, as imagens 3D, os objectivos, as valências e as virtualidades do projecto demonstravam a visão, o arrojo e a capacidade de transformar pedras em rosas, e ouro. O projecto colocaria Pombal, não onde está, no centro do país, mas no centro do mundo. Seria uma atracção mundial para cientistas, investigadores, projectistas, desportistas, turistas, etc.
O projecto resultou – disse-o Diogo Mateus – de “muitas horas de reflexão” (o mal esteve aí – digo eu). Foi concebido com tal polivalência que: “promoveria o desenvolvimento e de valorização regional e local”; “divulgaria o conhecimento associado ao património natural, cultural e científico”; “facilitaria a divulgação e a sensibilização ambiental”; “promoveria e apoiaria o turismo de natureza e a divulgação do desporto de montanha"; “facilitaria visitas e/ou estadias de grupos e fomentaria a realização acções de conservação da natureza, da biodiversidade e da paisagem”; seria a base de um futuro geoparque na Serra de Sicó”; “alojaria uma delegação do Centro Ciência Viva”.
O CIMU SICÓ seria, como nos disseram e se vê na figura, a última maravilha na Terra - uma espécie de Bênção-Divina sobre Pombal - que nos daria tudo o que nunca tivemos e ninguém imaginou – salve Diogo Mateus - “assente em princípios de sustentabilidade ambiental e económica”; com “um carácter de inovação e demonstração em áreas como a eficiência energética e passividade térmica"; “o armazenamento e reutilização de água”; “a integração paisagística e a recuperação ambiental da área envolvente".
E tudo isto no prazo de um ano, a contar do final de 2014, por uns módicos 2,139 MEuros.
Contei-vos o sonho. Falta contar-vos a realidade. Desfrutem antes do pesadelo.

21 de fevereiro de 2017

A igreja não é da Igreja


A decisão de substituir versus requalificar a escadaria da igreja de Abiúl não pode ser deixada, exclusivamente, ao padre e a comissão fabriqueira. Formalmente, a igreja é da Igreja; mas, na realidade, é dos abiulenses – construíram-na e existe para eles.
Há ainda outra razão para não deixar a decisão nas mãos do padre e da comissão fabriqueira: não são eles que pagam as obras; e quem paga deve, no mínimo, participar e ter peso na decisão.
Por fim uma nota para a câmara: não deve pagar uma obra que não é sua nem de outra entidade do Estado, e que não é consensual na comunidade.

17 de fevereiro de 2017

Good News


As obras de requalificação da sede de Abiúl pararam.


Às vezes, é melhor dar um passo atrás, para dar dois em frente, mais seguros.

Não desbaratem os 500.000 €

Na sede de Abiúl tudo exige qualificação: Coreto, Lavatório, WC, espaço, via, …
O Coreto é o elemento mais desqualificador e disfuncional daquele espaço. Surpreende, portanto, que o projecto contemple, unicamente, uma “(re)pintura e reparações diversas, necessárias à sua manutenção”. Prova evidente que o projecto não visa qualificar o espaço, mas simplesmente embelezar a coisa.
O Lavatório poderia ter algum valor sentimental para as pessoas da zona, mas era inestético e démodé. A opção tomada acumula três erros:  refaz o que não tinha valor nem função, coloca-lhes uma pala aberrante e compromete a forma e funcionalidade do WC.
A opção para o Ecoponto é ruim – mais um exemplo de que não se quis qualificar a vila. Deveriam ser enterrados - não se percebe a resistência do Presidente da Câmara a esta proposta.
A solução junto ao Cruzeiro é discutível – gosto e funcionalidade duvidosa.
As lajetas de granito na via, como alternativa ao asfalto, são uma solução aceitável. Já a redução da via e os lancis elevados nas curvas são opções disfuncionais e inseguras.
Em resumo: muito dinheiro, pouco benefício e muita falta de criatividade. 

16 de fevereiro de 2017

Por favor, não destruam património identitário valioso

O projecto de requalificação da sede de Abiúl parece ter sido feito com os pés: desqualifica o que qualifica, e mantém o que desqualifica.
O erro maior está na demolição da escadaria da igreja e construção de uma nova escadaria, menor, assimétrica, com pedra nova talhada a régua e esquadro. O edifício/monumento que mais qualifica a vila histórica é a igreja; apesar de já ter sido alvo de outros atentados. Há pouco tempo atrás, rebocaram as pedras das colunas da fachada porque acharam que lisas ficavam melhores. Entretanto removeram-no, e sobrepuseram pedra trabalhada nas colunas e na porta, porque alguém deve ter alertado que o reboco era um escarro na fachada da igreja. Corrigiram parte do erro, mas a traça primitiva foi-se. Felizmente, não se lembraram de substituir a laje muito gasta da porta principal - salvou-se um elemento traça primitiva da fachada.
A demolição da escadaria e sua substituição por uma escadaria de pedra trabalhada é um crime ao património arquitectónico de Abiúl. É verdade que a escadaria actual necessita de intervenção: está desnivelada, com fissuras e com muitos remendos de argamassa fruto de atentados anteriores. Mas uma coisa é reabilitar a escadaria, respeitando o carácter arquitectónico do edifício e do espaço envolvente, salvaguardando a traça primitiva e a imagem do edifício e da praça; outra, bem diferente, é edificar uma nova escadaria que destrói inevitavelmente património muito antigo.

15 de fevereiro de 2017

E o povo, pá!

O projecto de requalificação da sede da freguesia de Abiúl, em execução, retrata na perfeição o estilo de exercício do poder que temos na câmara: voluntarista, arrogante, surdo.  
Voluntarista porque avançou com o projecto quando e como quis; sem articular a intervenção com a junta.
Arrogante porque faz como quer, contra a vontade da população e dos seus legítimos representantes. Na sessão de apresentação do projecto, a população e a junta mostraram discordância em relação às soluções propostas. Presente na sessão, Diogo Mateus fez-o-número habitual: prometeu introduzir correcções no projecto, mas não o fez - manteve tudo igual.
Surdo porque não ouve, ou só ouve quem quer. É inadmissível que ignore a junta - legítima representante da população.
Resultado: o projecto é mau, está a provocar muita contestação, vai obrigar a alterações e sobrecusto da obra. Por este andar, perder-se-á uma oportunidade para requalificar a sede da vila e desperdiçar-se-á meio milhão de euros (ou, pelo menos, parte deles)