28 de julho de 2023

Pombal, terra de pimpões e bustos (II)

Já aqui demos nota do desmando do doutor Pimpão ao dar o nome e mandar colocar um busto do almirante Silva Ribeiro no largo da Central de Camionagem. Mas faltava dizer que o busto nos custou 12500 euros + IVA + trabalhos de colocação. 



Também aqui ridicularizamos o busto do empresário das Meirinhas. Mas sejamos justos num pormenor: o meirinhense pagou do próprio bolso a tola vaidade. 

Para compor o ramalhete mandaram vir - e vem - uma estorninha para dar pompa à coisa, que nada tem a ver com isto mas também se quer mostrar.

Quando o pedantismo público atinge estes patamares perde-se definitivamente o sentido da decência.

Siga a festa.

27 de julho de 2023

Sai um bodo requentado, sff


 


À hora a que vos escrevo ainda se parte muita pedra ali no antigo Largo da Biblioteca, que agora passará a ser o largo do Almirante. Mas não é por isso que o Bodo deixará de ser inaugurado, sem pompa nem circunstância, pela ministra da Justiça - que se tivesse vergonha não vinha dar para este peditório, nem contribuir para tamanho circo. Afinal, foi a ela, enquanto candidata, que o mandatário financeiro da candidatura de Pedro Pimpão - que acumula o cargo de presidente dos Bombeiros - recusou receber, ao tempo da campanha. Mas como já percebemos, isto da representação pública e dos titulares de cargos está como há-de ir. E por isso, vale o que vale. 

Amanhã teremos honras de governantes, numa espécie de regresso ao passado: Pedro Pimpão desencantou o AgroBodo - com o qual Narciso Mota acabou, numa decisão sensata. Tenho a sensação de que estamos a andar para trás com uma velocidade vertiginosa: É o AgroBodo (que fazia sentido nos anos 80 do século passado...), é a Confraria a acantonar as freguesias na Praça Marquês de Pombal, é a Igreja a tomar conta do Cardal (mandando outros literalmente às urtigas, para junto das piscinas), é a criação de um hino (!), qual laivo bafiento,  foi o presidente da Câmara na televisão a dizer coisas sobre o Bodo que adulteram a lenda, logo ele, tão 'oh meu Pombal', tão coração da cidade, tão amigo do chefe-de-gabinete-historiador.  

E no meio dessa feira de vaidades que escala em publicações, selfies, desfiles e toda uma bebedeira de aparato fútil, fica a sensação de que alguma coisa correu mal com o programa e à última hora sobraram aqueles artistas. Evitando o trabalho, este ano até as barracas de cerveja foram concessionadas a um privado, ao invés da gestão municipal. 

Nos concelhos à nossa volta as festas da cidade e dos concelhos são aproveitadas pelas autarquias para permitir às associações que as rentabilizem. Tasquinhas e bares são explorados pelas colectividades. Mas aqui, que somos muito à frente, preferimos investir nos subsídios.

Siga a festa!


25 de julho de 2023

Obras Tortas 2.0 – Central de Camionagem

As obras de requalificação (embelezamento) da zona adjacente à Central de Camionagem eram para ter terminado no final do mês passado, mas nas vésperas da inauguração prosseguem… - no modo “Faz & Desfaz”.

São, porventura, o exemplo maior do voluntarismo, do amadorismo, da incapacidade de realização e do desperdício de recursos públicos - só batidas pelo inenarrável CIMU-SICÓ. Mas no final ainda haverá muita gentinha a elogiar aquilo – “ficou muito bonito”. 

Falhada a grande obra do regime, o CIMU-SICÓ, D. Diogo agarrou-se a este grande “projecto” que, segundo ele, mudaria toda a orgânica da cidade, aproximando as duas zonas da cidade, através da introdução de uma passagem superior que serviria não só como elemento ligante das duas zonas mas funcionaria como articulador dos serviços de transportes públicos, integrando-os no novo Interface Modal de Transportes; e redesenharia o espaço urbano com zonas verdes, espaços de lazer e ócio e a criação uma de ciclovia sobre a linha férrea.



Como o voluntarismo tem perna curta, e o inferno está cheio de boas intenções, boa parte “projecto” (das intenções) caiu na fase de debate público; e D. Diogo caiu antes do início da empreitada. Como a capacidade de realização do doutor Pimpão & C.ª é idêntica à de uma barata tonta, o lançamento da parte do projecto referente a Central de Camionagem e área adjacente arrastou-se, arrastou-se, até ter de ser amputado da parte essencial – Central de Camionagem – por incapacidade de concretização dentro do prazo de financiamento comunitário. 

Restou, finalmente, o embelezamento da zona adjacente à Central de Camionagem. Mas nem isso, eles conseguem fazer (bem)… Naquele estaleiro próprio do terceiro mundo, as obras arrastam-se no "Faz & Desfaz" que, para além de desbaratar recursos, incomoda e irrita o cidadão mais pacato.  O dono da obra – câmara - não sabe o que quer; o empreiteiro é o que se vê (no local)! O projecto está cheio de erros (o maior, o escoamento das águas pluviais, fica para o próximo arranjo); as alterações, por falta de planeamento e de revisão do projecto, sucedem-se; etc. Agora, quando se preparavam para a inauguração, lembraram-se que era preciso arranjar poiso para o busto do almirante. Toca a partir o que tanto custou a acabar.



Passámos, num passe de mágica, do mais maçante despotismo para o mais estéril desportivismo. Eis a nossa triste sina: sempre de cavalo para burro. 

PS: Se não se pode correr (já) com o doutor Pimpão & C.ª, nem com doutor Agostinho, contratem um Director Municipal que consiga colocar alguma ordem naquela casa.

22 de julho de 2023

Protocolo de cedência da Piscina do Instituto D. João V à câmara – um contrato leonino

O doutor Pimpão levou à reunião do executivo um acordo com o Instituto D. João V em que este cedia a sua piscina a troco de um vasto leque de proveitos. Perante a merecida contestação do doutor Simões (PS) retirou a proposta.



O acordo tripartido, que na verdade seria bipartido (a câmara acabaria por pagar tudo), envolvia a câmara, o instituto e a junta do Louriçal. O instituto cedia 3 horas diárias de utilização da piscina por 530 euros/dia (11600 euros/mês, 127600 euros/ano), mais 300 euros por cada dia de competição, com a câmara a suportar ainda os custos das análises e do tratamento da água. A junta suportaria o pagamento de um nadador-salvador, um equipamento de aspiração e serviços de limpeza (que acabariam subsidiados pela câmara).

Isto não é contratação pública; isto é negociata reles que nem um adolescente minimamente sensato arriscaria fazer, quando mais um diplomado em Direito.

20 de julho de 2023

Obras Tortas 2.0 – Faz & desfaz

Depois de aqui termos apontado a aberrante obra-torta do mini-parque no Casarelo, que ficou rapidamente inoperacional, a câmara começou a refazer a pequena benfeitoria com uma solução construtiva totalmente diferente.

Na obra em curso na Central de Camionagem os erros são maiores e de mais onerosos – assunto para próxímo post.

Porque é que o Zé e a Maria têm que pagar tanta incompetência?



12 de julho de 2023

O doutor Pimpão tem medo das imagens

O doutor Pimpão é o maior escravo da imagem alguma vez criado nesta terra e arredores - em poucos meses publicou e mandou publicar no site do município mais imagens que D. Diogo em oito anos e N. Mota em vinte -, mas tem medo das imagens... 

Na última AM, no seu registo inflamado, três oitavas acima do razoável, tentou justificar o injustificável: o não acesso às transmissões das reuniões do executivo. Como lhe falta coragem para assumir a desonrosa decisão socorreu-se dos burocratas da Protecção de Dados (nada mais perigoso para a transparência democrática que um burocrata com um regulamento nas mãos), mas nem eles o ajudaram muito... Por agora, viu-se obrigado a recuar,  mas a manifesta hipocrisia do acto e a falaciosa justificação expuseram-no, mais uma vez, ao ridículo.

O doutor Pimpão sabe – toda a gente sabe – que uma imagem vale por mil palavras - por isso usa e abusa delas. Mas se uma imagem vale por mil palavras; imagens com discurso valem por um milhão de palavras. E é disto que o doutor Pimpão tem medo: o que se diz, como se diz e o que se quis dizer. Quando ele afirma que o que tem valor informativo e jurídico são as actas e não as gravações vídeo das reuniões não pode ser levado a sério - merecia perder imediatamente o diploma em Direito que lhe concederam.


10 de julho de 2023

A culpa foi do Benfica

Já aqui o escrevi e repito: a inclusão dos Presidentes de Junta na Assembeia Municipal (AM) é uma excrescência do regime. A situação torna-se mais visível e confrangedora diante de bufões e sirigaitas ávidas de protagonismo. Por cá, neste mandato, a coisa está a assumir proporções inquietantes. Mas sejamos justos: há presidentes de junta que sabem estar.

Já sabíamos que o pimpão João é um grande bufão, mas esperávamos que a criatura se contivesse um pouco na AM - não monopolizasse as discussões com banalidades debitadas duas oitavas acima do razoável. Também já sabíamos que o pimpão João é “anti-impostos” (anti-carga fiscal), mas, se lhe derem largas, atira-se ao pote (ao dinheiro público) como gato a bofes. Como Chefe de Gabinete foi o que se viu; como presidente da junta é o que se está a ver: um mamão de subsídios. Tudo lhe serve de pretexto, e ninguém lhe mete travão. Até a “oposição” o apoia; mesmo aquela em que ele bate sem dó. Custa a perceber, mas, na verdade, o povo tem razão quando diz “quanto mais me bates mais gosto de ti”.
    
A desculpa preferida do pimpão João para a enfiada de subsídios é o parco orçamento da junta, que ele reduziu significativamente quando se fez pagar pelo serviço prestado – coisa nunca vista naquela pequena junta! Mas ao menos que justificasse o ordenado instruindo bem os processos.  


9 de julho de 2023

Obras Tortas 2.0

O mini-parque de estacionamento recentemente inaugurado, no Casarelo, já está intransitável. E o canteiro anexo está ao abandono.

No primeiro caso, não nos venham com a desculpa do costume – erro de empreiteiro -; é claramente um erro de concepção. No segundo, não nos digam que não conheciam a vergonhosa situação – passam lá todos os dias.

As criaturas que nos (des)governam podem servir para abrilhantar festas e romarias, mas nem para  fazer e manter pequenas benfeitorias servem.



6 de julho de 2023

O resgate do soldado Fernandes


O reaparecimento do líder da bancada do PSD na última reunião da Assembleia Municipal elevou o debate à análise geopolítica. José Gomes Fernandes - que noutro tempo, noutra configuração da AM, tinha nos bastidores o cognome de Taliban do PSD - regressou (finalmente!) à linha da frente. E sobre o que falou este aguerrido causídico, dirigente e membro do órgão máximo do Município? Da Guerra (Na Ucrânia, parece, que as outras não interessam). Claro que aproveitou o ensejo para colar o Governo ao tema, pois que - já se sabe - são só os políticos (mormente os da esquerda, no geral, e do PS em particular) que se aproveitam da guerra, essa senhora de costas tão largas como a pandemia ou como a troika. 
E já que a Assembleia era municipal, lá arranjou maneira de deixar uma sugestão ao presidente da Câmara, sobre não sei quê de medidas, a propósito...da guerra. 
 

30 de junho de 2023

Pombal, terra de pimpões e bustos

"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar". J. Goethe

 Até há pouco tempo, o almirante Silva Ribeiro era um perfeito desconhecido da generalidade dos pombalenses. Mas eis que, de um momento para o outro, passou a ser figura omnipresente na terra, pela mão do doutor Pimpão. Os mais atentos estranharam o seu repentino interesse pela terra, mas nós percebemos logo ao que vinham…



Ficámos agora a saber que o doutor Pimpão decidiu fazer do almirante a figura das festas da cidade, carregando-o de homenagens: vai dar o seu nome ao largo da Central de Camionagem e, pasme-se, não suficientemente contente com a risível vénia, vai colocar um busto dele no novo largo. Perdoai-lhes Senhor, tanta soberba. 

Já sabíamos que o doutor Pimpão é um escravo da emoção e da bajulação, que vê méritos nas tolices que pratica e está sempre disposto a sacrificar tudo pela sua satisfação momentânea, mas o que é demais enjoa. A maior fatalidade do seu caráter é não ter consciência do papel que representa nem das suas falhas. Que da sua cabeça tenha saído esta insensatez, compreende-se - já tudo se pode esperar deste hipocondríaco pela empatia, sempre ávido de glória e falho de tino -; mas do almirante, do mais alto chefe da tropa, esperava-se um pouquinho mais: algum bom senso, alguma reserva e algum sentido do (seu) lugar – da sua circunstância e do respeito pela memória colectiva da terra, que o viu nascer mas que nunca mais soube nada dele nem ele da terra.

Há associações que não acrescentam, só rebaixam.  

29 de junho de 2023

Obras tortas: a saga continua



Há ruas que parecem enguiçadas, assim como há obras encalhadas. E depois há as obras tortas, que em Pombal prevalecem de um executivo para o outro. Desta vez foi a Rua Carlos Alberto da Mota Pinto as mostrar a este executivo que o chão lhe pode fugir debaixo dos pés. 

Depois das malfadadas obras que transformaram o Jardim da Várzea numa praça, os vereadores da oposição já tinham questionado a maioria sobre o trabalho ali (mal) feito, que parecia ter deixado a empreitada inacabada. Apesar das operações de lifting, a estrutura do pavimento terá cedido, perante o retomar do trânsito. Estavam os automobilistas todos contentes com o retomar da normalidade (depois de findas as obras da Estação e ruas adjacentes) quando estes dias foram surpreendidos com novidades.

Como há males que vêm por bem, pelo menos assim a Câmara dá ideia de que anda sempre em obras, que tem projectos, que faz alguma coisa. Quando se acabarem as obras projectadas pelo anterior executivo...aí é que vão ser elas!

28 de junho de 2023

Sai mais uma espetada de subsídios para o pimpão João

O doutor Pimpão mandou reunir a “Junta” no Louriçal. Cumpriu mais uma formalidade, e mais uma etapa do seu roteiro pelas freguesias. Este roteiro não serve para nada, nem para entreter o povo. O que seria do Pedro e destas alminhas sem uns roteiros, uns eventos e umas farras?



O “protagonista” da reunião não foi o pimpão Pedro, como seria espectável; foi o pimpão João. O esperto viu no roubo das máquinas da junta uma oportunidade para sacar mais dinheiro: arrebatou por atacado, e por unanimidade, três dos cinco subsídios atribuídos às juntas: 100.000 € para apoio à aquisição de imóvel para instalação do Parque de Máquinas (já tinha recebido um subsídio para a aquisição de um terreno para instalar o Parque de Máquinas); 35.000 € para a aquisição de uma carrinha; e 6.000 € para a aquisição de ferramentas. Tudo instruído às três pancadas, mas tudo aprovado com grande regularidade e seriedade – o irmão Pedro ausentou-se da sala no momento de arrematar a coisa.

Coube à fofinha Catarina a defesa do arranjo, que, como se viu, lhe provocou forte comichão. Mas foi persuasiva - convenceu a dita “oposição” a aprovar aquilo. Isto apesar do protocolo entre a “Junta” e a junta do João ainda não ter ido sequer à reunião da junta; isto apesar de os serviços não terem emitido parecer formal (por ter sido tudo muito rápido, disse ela); isto apesar dos valores já estarem desatualizados, falta o montante para as obras, pelo menos mais 50.000 € - avisou o João no pedido) e a carrinha custa mais 5 a 6 mil euros; etc. Na verdade, não era preciso o João avisar o que vem a seguir; toda a gente que acompanha estas coisas sabe que depois virá um pedido para as obras no edifício; outro para as obras no exterior, para uma placa e uma estatueta; outro para aquisição de máquinas; outro para um sistema de proteção anti-roubo; outro para contratação de pessoal; e ainda outros para a manutenção dos equipamentos e a reparação das máquinas… Mas a Catarina adiantou logo que prevê uma despesa de 300.000 € com o Parque de Máquinas da junta do João! E a “oposição”, que diz ela sobre isto? Diz que é tudo muito necessário e urgente, e só está preocupada por não se poder dar o mesmo, já, às outras juntas!

Já aqui critiquei, há muito, este modelo de desperdício/empobrecimento autárquico difundido, por cá, pelo Coveiro-mor do reino, que se pôs a comprar máquinas como se não houvesse amanhã, arruinou a junta e deixou um monte de ferro-velho.

A tolice é contagiosa. Quando cegos conduzem cegos não há nenhuma possibilidade de melhoria.  

23 de junho de 2023

Cancelamento do acesso às transmissões das reuniões do executivo, vergonha ou falta dela?

O doutor Pimpão acabou com divulgação e acesso online à última reunião mensal do executivo na página do município, no YouTube e nas redes sociais, conforme tinha sido instituído – e bem – pelo seu antecessor (Diogo Mateus). Fá-lo por vergonha ou falta dela? Com certeza, pelas duas coisas. O doutor Pimpão tem esta particularidade: encarna (quase) sempre o pior de dois mundos.



Ao contrário do que alguns iludidos julgam, actividade política executiva não é só festas e eventos; é uma actividade que exige competência, dedicação e desempenho (prestação de contas). Por conseguinte, as reuniões do executivo não são um passeio para nenhum presidente de câmara; são um exercício exigente que evidencia os méritos mas expõe os erros e as fragilidades dos intervenientes, mesmo sem dizer palavra. O doutor Pimpão desistiu de evidenciar os seus méritos… Percebe-se. Já se tinha percebido há muito que as reuniõses do executivo se tinham tornado um calvário para o Pedro e para a “Anabela”, um por falar muito e não dizer nada, a outra por ter de se manter horas a fio de beiços cerrados. 

O Pedro é o verdadeiro “Homem sem qualidades” - parafraseado por Musil - que alia uma profunda falta de talento executivo a um entusiasmo pueril, carregado de desejo, e regado com muita farra. Mas já que se meteu nisto tem de se aguentar à bronca. Custa - custa bastante - sentir o assombro do desastre. Mas actualmente só há uma forma de evitar a divulgação de figuras-tristes, é não as fazer. 

Nestas coisas da transparência não se pode andar para trás. Como diz o povo, para trás mija a burra.  

Adenda:

O doutor Pimpão recuou na medida de não disponibilizar as reuniões do executivo online em vídeo; deixou cair a desculpa esfarrapada referente à protecção de dados. Melhor assim…

21 de junho de 2023

Educação – a maior fragilidade do concelho charneira

Saiu recentemente o Ranking das Escolas de 2022. Para quem acredita que é necessário e indispensável fazer muito melhor, os resultados das nossas escolas não poderiam ser mais desanimadores: apesar de ocuparem, ao longo dos anos, posições muito modestas, em 2022 derraparam fortemente.

No ranking referente às notas dos exames nacionais do secundário – o que verdadeiramente interessa -, o Colégio João de Barros ficou na 167.ª posição (4.ª no distrito), desceu 66 posições face a 2021; a Escola Básica e Secundária da Guia ficou na 313.ª posição (11.ª no distrito), desceu 182 posições face a 2021; a Escola Secundária de Pombal ficou na 429.ª posição (17.ª no distrito), desceu 102 posições face a 2021.

Muitos  desvalorizam o Rankings das Escolas porque abominam avaliações e comparações - condições básicas para melhorar. Mas os dados falam por si. E pior: são consequentes... As escolas que pior formam penalizam os estudantes, no acesso aos melhores cursos e no processo formativo. 

Os políticos e os dirigentes educativos locais prometem-nos reiteradamente, a cada começo de um novo ano, um grande compromisso com a Educação e com o sucesso escolar, e, agora, também, com a felicidade na terra; seja com programas de potenciação do sucesso escolar, seja com o EPIS, seja com eventos e seminários sobre educação e parentalidade responsável... Mas uma coisa é certa: a receita não está a funcionar, não se está a trabalhar bem, estamos cada vez piores. 

A verdade é áspera. Porém, negar a realidade é não dar resposta.  


13 de junho de 2023

A marcha dos alinhados




Já lá vão muitos anos desde aquele início da década de 90 em que dois amigos recuperaram uma velha tradição de Pombal, as marchas populares, a cobertos dos "Amigos de Santo António". Penso nisso em cada edição, naquela entrevista que fiz à dupla Carlos Silva e Luís Mota, incansáveis nesta resistência. Os arquivos fotográficos e a memória de muitos pombalenses atestam bem como esta terra já foi tão viva a esse nível, num tempo em que - também aqui - as marchas representavam bairros (principalmente), quase sempre associadas a colectividades. Desse tempo tão rico em massa crítica fica o registo de um Pombal que fervilhava de actividade cultural, em que aqui nasceu até uma revista à portuguesa (Está a ouvir?). Não admira, por isso, que as marchas colorissem os santos populares da vila. 

Quando nos anos 90 esses dois amigos recuperaram a tradição, foi uma festa. E vieram tempos de glória, que trouxeram para a cidade os amantes das marchas de todo o concelho, evidenciando aqueles lugares e freguesias que já tinham essa tradição enraizada. A Câmara, através de um pelouro da Cultura  que então dava cartas, experimentou vários locais: o estádio municipal, a avenida - com as bancadas em frente ao Tribunal - o largo da Biblioteca. Recuperei essas imagens por estes dias, quando vi a (renascida) Marcha de Vermoil (quase marcha da Ranha...) usar de uma letra criada pelo cantor Nel Monteiro, que naquele ano foi padrinho. E porque dei pela falta da marcha de Albergaria dos Doze. Como noutros anos já dera pela falta da Machada, ou da Charneca, ou do Louriçal.  

Já eu tinha virado a página quando ontem à noite a transmissão televisiva das marchas de Lisboa me fez reflectir sobre o que mudou por aqui, sem sairmos do mesmo lugar. A cidade que está refém do turismo, que varreu os moradores dos bairros mais emblemáticos - tema que, aliás, domina a letra da marcha da Bica, a vencedora do concurso deste ano, ironicamente despejada da sua sede - consegue ainda manter de pé as colectividades, que organizam e promovem este produto cultural sempre melhorado. E também há lá lugar para as IPSS. E para as crianças das escolas - como aqui acontecia!

Já estivemos muito à frente do (nosso) tempo, é verdade. Já fomos essa terra. Se ainda formos a tempo de debelar o falso associativismo, talvez à Câmara e juntas caiba de novo o papel que lhes compete: o de apoiar, com meios, e incentivar, ao invés de desfilar. 


12 de junho de 2023

Aposta no Turismo, dizem eles e elas!

No passado fim-de-semana (prolongado), resolvi tirar umas horas para repetir o roteiro pelos Espaços Museológicos e pelo Posto de Turismo, como fizera em 2017. Moveu-me a curiosidade pelos efeitos das medidas, dos investimentos e dos múltiplos eventos realizados no muito badalado eixo estratégico do Turismo. Não posso expressar desilusão pelo que encontrei porque, ao contrário dos politiqueiros locais, nunca tive qualquer ilusão sobre esta matéria, mas, mesmo assim, não esperava encontrar a mesma apatia geral. Foi confrangedor ver e sentir aquelas jovens funcionárias, que ali cumprem um verdadeiro “castigo”, despertarem do longo tédio que é aquela (des)ocupação ao verem chegar o que supunham ser um turista. 



A realidade é o que é e não é sensível a estados de espírito ou a boas-vontades. Sejamos realistas: no horizonte das nossas vidas, Pombal não terá turistas em número significativo. Porquê? Porque não possui, nem possuirá, nenhuma atracção natural ou cultural capaz de os atrair. Desta evidente constatação não advém mal nenhum à comunidade, antes pelo contrário.  Mal para a comunidade advém – tem advindo – das erradas opções de investimento. Faz doer qualquer alma minimamente consciente que recursos financeiros escassos sejam desbaratados sem qualquer análise de custo-benefício em elefantes brancos como o CIMÚ-SICÓ, a Quinta de Sant`Ana, a Casa da Guarda Norte, etc., e em espaços mortos e decrépitos como os “museus” do Centro Histórico. 

Ao contrário do que os politiqueiros da terra repetidamente afirmam, o Turismo não deve ser um eixo estratégico de desenvolvimento do concelho, pela simples e forte razão de o Turismo não ser a solução para nenhum País ou comunidade, salvo raríssimas excepções - forte atractividade natural ou cultural -, por ser uma actividade naturalmente ineficiente, logo incapaz de gerar riqueza e rendimento significativo e consistente - o que não significa que não deva ser aproveitado. 

Por conseguinte, o foco deve ser colocado no embelezamento do espaço público, direccionado para a melhoria da qualidade de vida dos residentes, e não tanto para a utópica atracção de turistas. O desastre que o voluntarismo bacoco espalhou pelo concelho está à vista de todos. A Praça Marquês de Pombal e a Zona Histórica comprovam-no na plenitude – nem atractividade nem turistas. Mete dó ver aquele decrépito espaço abandonado e poiso de enfeites de mau-gosto.

9 de junho de 2023

Olha a Pala!

Como já aqui referi, a Pala colocada na Praça do Cardal é uma aberração urbanística que descaracteriza, enfeia e emporcaha a praça, já  de si incaracterística.  

Mas não temos ninguém, com responsabilidade e dois gramas de bom gosto, que olhe para aquilo e tome medidas.


7 de junho de 2023

Pombal já tem Jornadas Académicas

Pombal não tem Academia, nem Ensino Superior, mas já tem Jornadas Académicas! Haja festa! Que o resto arranja-se - dizem eles e elas!



O Pedro prometeu-nos a felicidade na terra, quando ela nem no Céu existe, mas fez da felicidade um assunto ordinário, medíocre até, feito de pompa e vaidade para seu contentamento olímpico. E em pouco tempo, moldou a terra à sua imagem e semelhança: um arraial contínuo de farras e fanfarras.

Na acção política - como em tudo na vida - nada é mais nefasto que os errados incentivos e os maus exemplos. A política do Pedro é só isto: uma comédia e uma comedoria sem fim e sem regra, uma burlesca e infantil ilusão que faz da câmara uma Central de Eventos e da terra um poiso de cigarras.

Para as pessoas normais as farras são momentos de corte e descanso. Para o Pedro & C.ª são um propósito e uma missão, por onde doudejam demasiadas ficções e criaturas que só pensam em dar ao rabo e em fazer gala dos seus atavios, numa volúpia e numa embriaguez que alegra e afoga mágoas. 

Aqui chegados, a esta comédia e a esta comedoria, custa perceber o que surgiu primeiro: a farra ou o bobo (da farra). E como é que se vai sair disto.