30 de maio de 2023

E agora, PS?




Depois de um plenário de militantes que evidenciou o que já todos sabíamos, o presidente do PS/Pombal, Joel Gomes (Joelito, para os mais distraídos), percebeu finalmente que não tinha condições para se manter no cargo. Ontem à noite, numa reunião extraordinária da concelhia, anunciou a (in)evitável demissão em bloco do secretariado. Mas como insiste em agarrar-se ao partido como uma lapa (vá-se lá perceber porquê, sendo que não se lhe conhece interação social, muito menos política, com a terra), logo ali fez saber que cai para se levantar: recandidata-se, e desafia outros a fazer o mesmo. Estás um assomo de coragem, este rapaz. 

É chegada a hora de percebermos de que massa é feita a orla crítica de Joelito e seus/suas mentores/as. Se chegámos aqui na sequência da retirada de confiança política ao líder da bancada na AM, João Coelho, que publicamente veio dizer aos pombalenses que podem contar com ele, pois que não deixou de honrar o partido, muito menos os que o elegeram, está na altura de o mostrar. É uma obrigação moral e ética. Ou apoiar quem esteja disposto a dar a cara - e o peito às balas. Só assim nos podem convencer que ainda é possível ressuscitar o PS em Pombal. É essa "a nossa defesa", certo?

29 de maio de 2023

PSD a duas vozes

O PSD nacional retirou a confiança política ao deputado Joaquim Pinto Moreira, arguido na operação Vortex.



Mas por cá, o PSD mantém a confiança política no João Pimpão, presidente da Junta das Meirinhas, ACUSADO de peculato no exercício da função de Chefe de Gabinete do ex-presidente da câmara, Diogo Mateus, igualmente acusado de peculato e de falsificação de documentos. 

O presidente do PSD, Luís Montenegro, justificou a decisão – política - afirmando que "o PSD não se conforma, nem quer contribuir para a degradação da política”. Mas, por cá, ninguém lhe dá ouvidos. Por cá, quanto maior a degradação da política melhor… 

24 de maio de 2023

A propósito das Contas do Município de 2022

O problema das Contas do Município de 2022 não está no relatório - traduz bem a situação económico-financeira da câmara -, está no desempenho do executivo. A oposição centrou a discussão do documento nas baixas taxas de execução das GOP e do PPI (67%), mas o documento reflete bem o fraco desempenho do executivo e um concelho novamente adiado. A nota mandada publicar na página do município espelha bem a impreparação, leviandade e desfaçatez da classe dirigente.



A nota cita uns sound-bites, retirados com certeza de alguma intervenção mais inflamada do doutor Pimpão ou do doutor Antunes, como, por exemplo, uma “gestão séria, responsável e competente”, traduzida numa “posição financeira robusta” do Município, que apresenta uma “saúde financeira muito estável e recomendável”. Era difícil ser mais demagógico com tão poucas palavras, mas o doutor Pimpão conseguiu.

A câmara terminou o ano de 2022 com um Saldo Transitado de 17 milhões de euros! Este resultado não é proeza, é falhanço. Numa empresa privada seria, com certeza, um feito que mereceria reconhecimento; numa câmara municipal é um falhanço que deveria merecer forte reprovação, porque indicia incompetência e/ou irresponsabilidade/desleixo.

A esmagadora maioria dos politiqueiros que nos desgovernam e representam desconhece que os propósitos, o foco e o que se deve medir na gestão pública são diferentes dos da gestão privada. Na gestão privada o foco e os esforços estão predominantemente na receita; enquanto na gestão pública o foco e os esforços devem estar na despesa de investimento, até porque a receita está praticamente assegurada.

Assim, qualquer leigo que leia o Relatório de Gestão, ou simplesmente a nota síntese publicada na página do município, percebe que o doutor Pimpão & C.ª recebe demasiado dinheiro, e não é capaz de o aplicar. Os investimentos estruturantes não avançaram. Daí que as realizações do doutor Pimpão se limitem a arranjos, eventos e carradas de subsídios. O doutor Pimpão faz o que pode para se livrar do dinheiro, mas nem isso conseguiu! A básica oposição continua a discutir os méritos e os deméritos da gestão do município pelas taxas de execução – equações manipuláveis pelos dois lados (numerador e denominador). Como diz o povo, uma desgraça nunca vem só.

19 de maio de 2023

Eleições no Sporting de Pombal: do desinteresse colectivo à join-venture


 


De hoje a oito dias há eleições que vão ditar os próximos anos do Sporting Clube de Pombal. O futuro é outra coisa. 

É sabido que não somos dados a bairrismos e que o nosso sentimento de pertença se esvai numa estrofe do 'Ai meu Pombal', e por isso ninguém estranha que sejam meia dúzia os que vão bola ao domingo à tarde.

Acontece, porém, um fenómeno nos últimos anos. É uma espécie de quarto segredo de Fátima revelado em capítulos: as últimas vezes em que houve eleições aparecem rapazes cheios de vontade de as ganhar. E dali têm saltado para outras responsabilidades maiores, mesmo que o clube aparentemente não dedique grande importância ao trampolim. 

Ora, o que acontece desta vez está para além dessas ânsias. Há duas listas, com slogans irrepetíveis, e por isso os sócios são chamados a embarcar na evolução na continuidade (Continuar o Rumo Certo) ou partir para outra dimensão (Uma equipa sem igual). É esta última (e inovadora) proposta que propõe transformar o SCP numa coisa moderna, em registo SAD. Pois se somos uma smart city, destilamos felicidade  às colheradas e temos características de comunidade solidária...porque não havemos de dar esse passo? Isso de clube da vila é tão jurássico como as cadeiras do estádio. Vejo-me facilmente a assistir a um Cristina talks no municipal, apresentado pelo guru Pedro Roma e pela presidente da junta, Carla Longo, que decidiu marimbar-se para a independência e integrar uma das listas. É de mulher. Ou falta de noção, só. 

E anseio pelo tocante testemunho/apadrinhamento de Pedro Pimpão nas redes. Nada temas, Pedro. Isto é tudo vosso. 



16 de maio de 2023

Sai mais uma pimpalhada…

Vivemos um tempo em que toda a criatura quer ser a primeira de qualquer coisa. Nem que essa qualquer coisa seja coisa nenhuma.

Já tivemos o concurso do “Melhor Mascarado", e do “Melhor Acendedor de Isqueiros”, só para dar alguns exemplos dos mais aberrantes. Porque não ter, então, o “Concurso do Melhor Professor”, ou do “Melhor Contínuo", ou do “Melhor Cantoneiro”, ou do “Melhor Coveiro” – onde teríamos um fortíssimo candidato (o Coveiro-mor, de Albergaria, e outro em estágio acelerado, Pedro Pimpão).



Neste pátio de comédia, que é a política local, ficámos a saber que uma professora da ETAP é finalista do Global Teacher Prize Portugal. E que a “junta” logo aproveitou a coisa para um dia de festejos e bebedeira mediática. “Um dia feliz” e “um orgulho para toda a comunidade”, afirmou o doutor PimPão. Talvez seja. Para o doutor Pimpão e C.ª uma felicidade tola é, com certeza, preferível a uma infelicidade (realidade) consciente. 

Se os pais da Democracia e os arquitectos da Escola Pública vissem esta futilidade extrema e este regozijo público da mediocridade fartar-se-iam de dar voltas no túmulo. Que o doutor Pimpão e C.ª não façam nada, do mal o menos – não estragam -, mas não atrapalhem quem tem que trabalhar.   

12 de maio de 2023

PSD local sem coragem para mandar o Pimpão à fava

O PSD local reuniu, duas vezes, para tomar posição sobre a acusação de peculato, no exercício de funções políticas, feita pelo Ministério Publico, a João Pimpão e Diogo Mateus (também acusado de falsificação de docmentos). Mas, até agora, não saiu nada - nem vai sair! 



Numa terra onde (nos) falta gente capaz de espalhar lição e fundar exemplo não era no PSD local que a iríamos encontrar. Por ali vegetam, essencialmente, criaturas destras para saber distinguir o ético do legal - pimpões desta vida, mais dignos de desatenção que de aversão, à espera que tudo repouse e da sua oportunidade. Mas isto não vai repousar: no apodrecimento há fermentação.  

Nesta santa terrinha, os dirigentes partidários assistem e participam, complacentes e felizes, a esta repulsiva podridão, ao espectáculo baixo e degradante que os decisores públicos servem à comunidade. É verdade que ainda temos na política, e no PSD local, pessoas lúcidas e honestas, mas já sem o fulgor e o sentido de honra para dizer “basta”.  Assim, nesta cuspinheira onde já ninguém limpa, os pimpões desta vida gozam do pagode e ainda se vitimizam.  

Diogo Mateus e João Pimpão, em vez de sentirem vergonha e pedirem desculpa pelos actos que praticaram, procuram desvalorizar a acusação dizendo que é coisa pouca, mesmo sabendo que nós sabemos que o aproveitamento foi grande: que do fundo de maneio saíram dezenas de milhares de euros irregularmente; que as viagens particulares não foram só para o curso em Lisboa, foram centenas e centenas para todo o lado e para todo o tipo de prazeres; que a multa não foi só uma mas várias e sempre pagas pelo dobro, pelo município, por não identificarem o condutor do carro (do presidente) … Percebe-se  o alívio que ambos sentiram com a acusação - 1.467,75 € é bom "negócio" -, mas não se pode aceitar a desfaçatez pública.  

Bem pode D. Diogo dizer que está de consciência tranquila; se ainda a tem não pode estar. E a prova que não está, é ter-se remetido ao silêncio na fase de inquérito. Quem está de consciência limpa e tranquila esclarece todos os factos e todas as suspeitas na fase de inquérito e mata o processo. É isso que as pessoas verdadeiramente honestas fazem.         

O processo até pode não dar condenação. Mas, como diz o velho princípio romano, “Nem tudo o que é lícito é honesto”. Na Política, primeiro deve primar a Ética; e depois, nos casos aplicáveis, a Justiça. Em Pombal, é quase sempre ao contrário - fora de mão e em excesso de velocidade. 

11 de maio de 2023

Quem quer ficar com a Praia do Osso da Baleia?


 

No fim de semana passado o séquito municipal foi espalhar magia para o Carriço. O Pedro falou ao povo de milhões como quem fala de tostões, e o povo, que não é tolo, desconfiou de tanta esmola. 

Quando acabou  a jornada, o Pedro fez o que melhor sabe: usou o Facebook para comunicar tudo o que disse, viu e sentiu. Pelo meio daquele arrazoado, uma nota de rodapé que é demasiado importante para passar no registo enguia: A concessão da praia do Osso da Baleia a privados. Ao longo destas décadas em que a praia voltou à vida (e foi sucessivamente distinguida por uma associação ambientalista com a categoria de ouro), apenas numa ocasião foi entregue fora da Câmara, e tratou-se da Junta de Freguesia do Carriço, freguesia que tem a sorte de acolher a praia. A coisa não correu lá muito bem. 

É certo que, de acordo com o decreto-lei em vigor, "compete aos órgãos municipais, designadamente: concessionar, licenciar e autorizar infraestruturas, equipamentos, apoios de praia ou similares nas zonas balneares, bem como o fornecimento de bens e serviços e a prática de atividades desportivas e recreativas nas praias identificadas como águas balneares e criar, liquidar e cobrar as taxas e tarifas devidas pelo exercício destas competências". Mas não é suposto que sejam as mesmas a protagonizar esse apoio. Porém, em Pombal, onde (já se sabe) nem tudo é normal, a Câmara teve que voltar a assegurar este ano essa logística, pois que passou o prazo de concurso para terceiros. Por via das coisas, Pedro Pimpão anunciou já o concurso para... 2024. 

Com a época balnear à porta, também não temos notícias da praia do Urso (ou do Fausto, como lhe chamam os locais), na freguesia da Guia, cuja abertura ao lazer está prometida há anos. Estamos em crer que depois de tamanho investimento no [posto de] Turismo, isso deve estar tudo tratado, claro. 

2 de maio de 2023

Diogo Mateus acusado de vários crimes

Diogo Mateus foi acusado, pelo Ministério Público, na prática de: “um crime de peculato, em co-autoria com João Pimpão …; um crime de peculato de uso, em co-autoria com João Pimpão…; e um crime de falsificação de documento…”; crimes praticados no exercício do cargo de presidente da Câmara de Pombal; “encontrando-se, ainda, incurso nas penas acessórias de proibição de exercício de cargo político e de perda de mandato, bem como nas penas acessórias de proibição do exercício de função e de suspensão do exercício de função”.



No despacho de acusação, o Ministério Público (MP) conclui que “para execução do seu propósito, o arguido Luís Diogo Mateus conluiou-se com o arguido João Carlos dos Santos, que aderiu ao plano daquele e viabilizou, enquanto responsável pelo Fundo de Maneio do Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara Municipal de Pombal, o pagamento das despesas de deslocação do veículo, bem como de utilização da Via Verde em auto-estradas e parques de estacionamento por parte daquele, à custa do dinheiro do Município de Pombal”. O MP conclui que, tendo o veículo conduzido por Diogo Mateus sido controlado por radar em excesso de velocidade, na A1, ao quilómetro 4.1, em Loures, no dia em este esteve presente no curso que frequentava em Lisboa, a título particular, e tendo a ANSR notificado o município para proceder à identificação do condutor, “Sónia Pereira Casaleiro, Jurista, procedeu à elaboração da resposta a enviar à ANSR, de acordo com a informação que lhe foi prestada por Nuno Filipe Carrasqueira, segundo a qual não tinha sido possível proceder à identificação do condutor do veículo, uma vez que este, em termos excepcionais, também poderia ser conduzido por Vereadores, por motoristas afectos ao sector dos transportes, e funcionários do Gabinete de Apoio à Presidência, sendo que inexistia documento dos registos de condutores do mesmo”. Concluiu também que “elaborada a referida resposta a enviar à ANSR, esta foi remetida ao arguido Luís Diogo Mateus, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Pombal para assinatura”, que “Diogo Mateus leu e entendeu o conteúdo da referida resposta”, “apesar de saber que tinha sido o próprio a conduzir o veículo com a matrícula 22-MH-02, no dia, hora e local constantes da notificação da ANSR e que da resposta deveria constar a sua própria identificação e não a informação de que o condutor era desconhecido”; e que “o arguido assinou a mesma, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Pombal, para fosse posteriormente enviada à ANSR e assim não ser responsabilizado pela prática da infracção estradal que cometera”.

A acusação minimalista veio confirmar aquilo que o Farpas já tinha divulgado e os mais atentos à coisa pública já tinham percebido: o uso e abuso dos cargos políticos para benefício particular, prejudicando o erário público. Dela consta unicamente as despesas indevidas descontadas no fundo de maneio referentes às deslocações de Diogo Mateus ao curso em Lisboa e a falsificação de documento para ocultar identidade do condutor do veículo multado por excesso de velocidade. O MP deixou cair as centenas e centenas de viagens injustificáveis que o veículo atribuído a Diogo Mateus fez fora de horas e os milhares de euros descontados no fundo maneio sem a devida fundamentação e contra todas as regras do controlo dos dinheiros públicos.   Deixou também cair as outras (muitas) multas por excesso de velocidade do veículo atribuído a Diogo Mateus.

Consequentemente, Diogo Mateus e João Pimpão foram o acusados de vários crimes, cometidos no exercício de cargo político. Todavia, vários políticos e dirigentes safaram-se da acusação do crime de falsificação de documentos… Mas não se safam da vergonha pública.

1 de maio de 2023

Sai mais um subsídio para as Meirinhas…

A câmara – a “junta” – está transformada num distribuidor de subsídios: é fácil (não dá trabalho) e compra vontades. O João Pimpão sabe mamar à conta - usa aquilo como fundo de maneio – fez “escola” na agilização dos fundos de maneio. Está-se nas tintas para os procedimentos e para a lei: saca o que quer e como quer. 

Há Pimpão!


30 de abril de 2023

APRAP – a subsídio-dependência extrema

No ano passado, o doutor Pimpão deu um subsídio à APRAP – Associação de Pensionistas Reformados e Aposentados Pombal para esta pagar as dívidas!

Na reunião da “junta” da passada semana, o doutor Pimpão fez aprovar um subsídio, camuflado na forma de protocolo, para a APRAP contratar um(a) administrativo(a).


O subsídio-dependência já chegou a este ponto - a este descaramento. É altura de chamar a "polícia". 

28 de abril de 2023

Os elefantes na sala

A reunião da Assembleia Municipal, de ontem, teve dois elefantes na sala. Um frágil, enfraquecido e envergonhado; outro bufão, convencido e desavergonhado. Como a política é uma selva, ganhou o elefante selvagem e perdeu, por KO, o elefante enfraquecido. Na luta entre elefantes ganha sempre o mais forte. Mas se naquela “selva” política estivessem verdadeiros políticos teria perdido o elefante bufão. Mas a história é como é e não como deveria ser.

Os animais selvagens sabem pisar o terreno - a sua sobrevivência depende da forma como o pisam. Os elefantes (ou os leões) conhecem e têm consciência do seu destino depois da derrota. Os humanos nem por isso.

PS: O árbitro, isento e rigoroso, ainda procurou equilibrar a refrega removendo as armadilhas e os truques baixos da maioria, mas o destino estava definitivamente traçado depois da péssima escolha do terreno de combate e da enorme desproporção de forças.


27 de abril de 2023

Renuncia João

João Pimpão, presidente da junta das Meirinhas e ex-chefe de gabinete do ex-presidente da câmara Diogo Mateus, foi acusado, pelo Ministério Público, de ter cometido crimes no uso indevido de dinheiros públicos, enquanto responsável pela gestão do fundo de maneio do Gabinete de Apoio à Presidência (GAP).



Tais irregularidades foram amplamente apontadas e discutidas nas reuniões da câmara, pelo ex-vereador Pedro Brilhante, e amplamente divulgadas pelo Farpas.

Sabia-se que o(s) caso(s) tinha(m) seguido para o Ministério Público; aguardavam-se, a todo o momento, decisões sobre o(s) processo(s). Diz-se que há mais acusados, o que é normal – este tipo de irregularidade não envolve uma única pessoa.

João Pimpão comunicou o delicado caso ao partido e informou os seus dirigentes que comunicaria o caso, hoje, à Assembleia Municipal. Mas perante a gravidade dos factos não basta comunicar o caso, é preciso retirar consequências. E a consequência óbvia é a renúncia - João Pimpão não tem condições nenhumas para se manter presidente de junta.

Pensamento do dia

 

26 de abril de 2023

Por que morrem os jornais em Pombal?


créditos: Município de Pombal 



 O Alfredo Faustino - Jornalista de excelência, com quem tive a sorte de trabalhar uma parte da minha vida - publicou neste 25 de Abril uma retrospectiva da Imprensa no Concelho de Pombal, que compreende os últimos 150 anos. A obra foi editada pelo Município de Pombal e deveria fazer parte do espólio de todas as escolas deste concelho, das Bibliotecas, das Colectividades. Mas para isso era preciso que os pelouros da Educação e Cultura pensassem sobre a causa das coisas e quisessem, de facto, inverter o sentido. Que se olhasse para os jornais, rádios e outras plataformas como um instrumento de desenvolvimento, pensamento e Liberdade, e não apenas de propaganda, daquela que "divulga o território". Adiante. 

Durante a apresentação, a ex-jornalista Dina Sebastião (actualmente investigadora da Universidade de Coimbra) deixou a pista que ninguém quer seguir: como é que uma terra que há 150 anos começou por ser berço de um "jornalismo de militância"  chegou ao fim do século XX reduzida à luta pela sobrevivência. O autor, Alfredo Faustino, traça um retrato nu e cru do que foi a ascensão e queda da imprensa local em Pombal, que ainda no final dos anos 90 acolhia quatro semanários, em simultâneo. E que hoje está reduzida a um quinzenário.

Por decoro, talvez, ou uma réstia do desencanto que a fez abandonar o jornalismo, a Dina foi cautelosa nas palavras, no diagnóstico e no retrato actual. 

Aqui no Farpas - que ao pé do 'Cão de Fila', o jornal burlesco publicado no século XIX, é um menino - já por diversas vezes o dissemos (e até fizemos um debate sobre o tema): a imprensa em Pombal sucumbiu às mãos do poder político, numa agonia amparada pelo poder económico. 

Enche-nos o peito ler este "da Imprensa do Concelho de Pombal", mas fica aquele nó pelo actual estado da arte. E não, não é igual em todo o lado. Há territórios que entendem bem a imprensa como um investimento e não como uma esmola de onde ainda se pode tirar algum consolo. Aqui, a causa das coisas chama-se declínio: social, económico e político. 

PS: chega a ser comovente o olhar paternalista de Luís Marques (antigo jornalista que terminou a carreira como administrador, lá na capital) sobre a imprensa regional, expresso no final da sessão de apresentação do livro. É contra essa moralidade benevolente que ando aqui há lutar há anos, porque acredito que o jornalista tem os mesmos direitos e deveres aqui, como em qualquer lugar. Foi uma das coisas que me ensinou o Alfredo A. Faustino, que fazia com a mesma determinação a notícia da rua ou a notícia do mundo. Auguramos, pois, tudo de bom para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, de que Luís Marques é comissário...

21 de abril de 2023

Pombal - do concelho charneira ao concelho desfavorecido

O diretor do Centro Distrital de Leiria da Segurança Social, João Paulo Pedrosa, não sai de Pombal. Compreende-se: uma terra desfavorecida precisa de muito apoio. 

Já houve um tempo em que esta terra viveu a ilusão da grandeza; agora vive da pecanez do assistencialismo do Estado e da caridade da cistandade. Pelo meio sonha com a felicidade; mas caminha para a calamidade. 



Este evangelho dos fracos, este culto da esmola e da compaixão, não é a favor dos desfavorecidos, é a favor do(s) profeta(s). 

Desgraçada terra que derrete o que tem e o que não tem em “capelinhas”. 

16 de abril de 2023

Operação resgate da decência (III)

Toda a gente sabe a razão que leva ao penoso(?) acto de pedir a insolvência pessoal: livrar-se definitivamente do pesado fardo de dívidas que não se consegue pagar. Também toda a gente conhece as consequências do subterfúgio para os vigaristas que a ele recorrem: perda de credibiliade e de reputação.

Em 2015 (outubro), o doutor Agostinho Lopes e a esposa requereram ao Tribunal de Comércio de Leiria a insolvência pessoal. E a 22-04-2016, o tribunal proferiu sentença sobre o consequente Processo Especial de Revitalização dos devedores: homologou o acordo de revitalização e mandou citar os credores e outros interessados nos autos. Da lista de credores constava o Município de Pombal.



Com o veredicto da insolvência pessoal, o tribunal retirou ao doutor Agostinho os poderes de administração do seu património (massa insolvente) passando tais poderes para o administrador da insolvência. E determinou que, durante os três anos subsequentes ao encerramento do processo de insolvência (período da cessão), o rendimento disponível que o devedor viesse a auferir fosse cedido ao fiduciário, excepto o que fosse razoavelmente necessário para o sustento minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar. Durante o período da cessão, o doutor Agostinho ficou ainda obrigado a: 

(i) “Não ocultar ou dissimular quaisquer rendimentos que aufira…; 

(ii) “Exercer uma profissão remunerada…; 

(iii) Entregar imediatamente ao fiduciário, quando por si recebida, a parte dos seus rendimentos objeto de cessão; 

(iv) Informar o tribunal e o fiduciário de qualquer mudança de domicílio ou de condições de emprego…; 

(v) Não fazer quaisquer pagamentos aos credores da insolvência a não ser através do fiduciário…”.

Percebe-se agora melhor as razões por detrás dos pagamentos indevidos ordenados pelo doutor Agostinho a si próprio quando foi director administrativo no Município de Pombal. Mas não se percebe que alguém já manifestamente ou declarado insolvente pague dívidas a uma entidade pública(!) quando recorreu ao expediente da insolvência pessoal para se libertar delas! Assim, perante tão estranha situação, temos direito a saber se a dívida ao município foi paga à socapa - como parece - ou de forma legal e transparente (com conhecimento e autorização do tribunal). Temos direito a saber até onde pode ir o topete e a boa ou a má-fé da câmara (dos seus responsáveis).

Explique-se doutor Agostinho. Explique-se doutor Pimpão. Os deveres da transparência e da legalidade assim obrigam. E os da decência também.  

14 de abril de 2023

O turistaa acidental



Foi inaugurado esta manhã o (novo) posto de turismo cá do burgo, que volta a funcionar dentro da Câmara, como no tempo da maria cachucha. Que um secretário de Estado se preste ao papel, até percebemos: os últimos dias mostraram-nos que podemos esperar tudo da função. 

Mas o insólito está sempre à espreita. Quem foi que se apressou a fazer propaganda do acto, todo contente? Joelito, o presidente do PS local. Não lhe bastava ser ramo de enfeite, ainda precisou de exibir a proeza. 

Já sabíamos que tentava disputar a categoria de inepto com o Pedro. Mas como em tudo na vida, lá diz o povo que é preciso ter corpinho para a mania. Nesta publicação do PS local é tudo mau, a começar pela ideia de o fazer e a acabar nos atropelos ao português, pobre língua...

O pior de tudo? A mensagem. A sério que o PS defende isto? Alguém diga a este candidato a boy que foi um presidente socialista que percebeu a importância de retirar o posto de turismo de dentro da Câmara. E que recentemente o PS, nomeadamente na AM, clamou contra esta asneira. Ah, espera...ele quis demarcar-se desse PS. O resto não lhe interessa. Ou simplesmente não sabe, qual turista acidental.

5 de abril de 2023

A longa marcha para a Igualdade

 Pombal, 05 de Abril de 2023

 

Meu caro pombalense, espero-te bem. Escrevo hoje para ti que nos acompanhas do outro lado do mundo e do outro lado da rua. Para ti que emigraste nos anos 60 ou 70 para França, para a Alemanha ou para o Luxemburgo; nos anos 80 para a Suíça ou para o Canadá, e nos anos 2000 para toda a parte. Sabes que depois das camionetas passarem para o outro lado, junto ao rio, o Cardal mudou muito. Ainda lhe chamam jardim  mas já é uma praça. As lojas da rua Direita fecharam, as da zona histórica também, ali junto à praça das galinhas que ajudava a movimentar o comércio à volta. À medida que fomos definhando, fecharam-se as portas. Até das casas. O que talvez não saibas é que muitas delas voltaram a abrir-se, por estes dias, arrendadas agora a cidadãos que chegam em catadupa do Brasil, mas também da Índia ou do Paquistão, da Colômbia. Muitas já não estão em condições de habitabilidade mas olha, foi o que se pôde arranjar.  Vê tu a ironia: Pombal, este concelho que sempre foi porta-estandarte da emigração, conhece agora o outro lado da moeda, a imigração. E é o que nos tem valido, acredita. Nos restaurantes são eles e elas que nos servem, nos supermercados carregam as caixas, nos lares dão banho aos nossos pais e avós, e até nas escolas amparam as quedas dos nossos filhos e dos deles, limpam o recreio, levam a comida. Vou falar-te de uma dessas mulheres, que vi na rua um dia destes. Era sábado, o dia da semana em que ela aproveita para fazer limpezas em casa das vizinhas. Ia com uma delas, entre a Rua Professor Gonçalves Figueira e a avenida. Do lado de lá, uma colega da escola chamou-a, alto e bom som, até se ouvir no Mercado.

 

 - Ó Brasileira!

 

A rapariga é discreta. Ficou incomodada. Ao lado, uma das “patroas” indignou-se. Chamou à atenção. Lembrou que também é emigrante, noutro país. Que o filho também é. Que isto é descriminação. Xenofia e Racismo estrutural. Que, como tu, ninguém gosta de ser apontado. Contava-me uma prima que, nos anos 80, numa escola dos arredores de Paris, sofreu muito por ser apontada como “a portuguesa”, “a bacalhau”, mais tarde “a tuga”.  Como agora fazemos aos “zucas”.

 

Tu sabes como isso magoa, diminui, apouca. Mesmo que quem tem golpe-de-asa brinque com a piada. Que não tem piada.

 

O último relatório do SEF mostra que Portugal registou, no final do ano passado, 757.252 estrangeiros com residência, um aumento verificado pelo sétimo ano consecutivo, correspondendo amais 58.365 (8,3%) do que em 2021. Ao mesmo tempo, parece que perdemos a memória. Esquecemo-nos de quem somos, de onde viemos. Como os teus pais, que viviam num quarto primeiro, depois naquela minúscula casinha, quando a tua mãe conseguiu um emprego de concierge. E que agora no café da aldeia clamam contra “essa raça”. Que devíamos era “ajudar os nossos”. Por falar nos nossos, olha só o que aconteceu esta semana. O Moisés, cigano nascido e criado em Pombal, foi deitado borda-fora de um trabalho como segurança no Pombal Fashion. Ia começar, através de uma empresa de trabalho temporário (lembras-te quando a malta dizia que eles não queriam trabalhar?), mas o administrador não quer cá misturas.

Imagino que tudo isto te espante e faça confusão. Afinal, tu recebeste aí o jornal da terra e leste no facebook as publicações do Município de Pombal a falar de integração, de um plano municipal para a Igualdade. Viste as fotos dos concertos no Cardal? Do presidente e vereadoras em selfies com a comunidade? Pois, parece que não passou daí.  

E viste as imagens da Feira de Nanterre? Somos nós, ali, a comprar ‘beijinhos’ (como os do João das Cavacas), a matar saudades. Como essas que te afogam o peito tantas vezes, porque tudo o que querias era uma bica, um abraço da avó, uma sopa da mãe.

 

Recebe um abraço pombalense, desta que tanto vos quer, mas às vezes tem vergonha alheia

 

Paula Sofia Luz 


* Foto da inauguração do CLAIM (Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes),  Janeiro de 2023


4 de abril de 2023

Operação resgate da decência (II)

Porque a nomeação de titulares de altos cargos públicos deve respeitar rigorosos critérios legais e éticos, e porque a suposta oposição não se preocupa com estas coisas – prefere o devaneio dos muros de pedra e afins -, resolvi requerer à câmara documentos que respondessem a um conjunto de perguntas que permitissem, por um lado, avaliar se o recém-nomeado Director Municipal tem condições ético-legais para exercer o cargo; e, por outro, clarificar os critérios ético-políticos que norteiam a conduta do presidente Pimpão.



Recebi documentos que permitem responder com segurança às perguntas colocadas. Assim, eis as respostas e os factos:

Pergunta 1: Em que data e por quem foi detectada e comunicada a irregularidade (pagamentos indevidos)?

Resposta 1: A irregularidade foi detectada pela DRH e comunicada superiormente a 8 de novembro de 2010. 

Pergunta 2: Qual o fundamento da irregularidade que deu origem ao processo?

Resposta 2: O fundamento da irregularidade foi o (auto)-pagamento indevido de emolumentos notariais.

Pergunta 3: Que montante de pagamento indevido foi apurado?

Resposta 3: Foi apurado o montante indevido de 26.505, 39 €; a que, erradamente, não foram imputados juros.

Pergunta 4: Em que data o devedor foi notificado da dívida e da obrigação de saldar?

Resposta 4: O devedor (Agostinho Lopes) foi notificado a 1 de fevereiro de 2011 da obrigação de reposição dos valores cobrados. 

Pergunta 5: Qual foi a resposta do devedor à notificação?

Resposta 5: A 15 fevereiro de 2011, o devedor contestou o valor da dívida (alegou a contabilização pela categoria final e a contagem dos emolumentos de 2009 – ambos rejeitados) e o pagamento do montante residual numa única tranche. 

Pergunta 6: A dívida foi saldada ou não?

Resposta 6: A dívida foi saldada. 

Pergunta 7: Se foi saldada, foi-o de uma só vez ou em prestações?

Resposta 7: A dívida foi saldada em 53 prestações.

Pergunta 8: Se foi paga em prestações, qual o montante e a frequência das prestações, bem assim a data da primeira prestação e a data da última prestação?

Resposta 8: Prestações de 500 € mensais, com alguma irregularidade, com início a 30-4-2014 e término a 30-1-2019.

Pergunta 9: Qual a forma de pagamento (cheque, transferência bancária, numerário ou outra)? 

Resposta 9: A forma de pagamento foi por transferência bancária. 

Perante estes factos, que para os mortais alinhados com poder são normais, mas encerram muita anormalidade, novas questões se levantam…