5 de dezembro de 2016

O ex-futuro presidente

Tem sido um deleite para quem acompanha a acção política, o desenrolar dos últimos tempos em Pombal. Sempre achei que, à falta de oposição, o PSD haveria de consumir-se internamente, com os diversos actores a degladiarem-se, entre si. É o que está a acontecer, desde que Narciso Mota saltou para o terreno, abrindo aquilo a que a JSD já chamou "uma guerra fratricida". Mas a quantidade de tiros - nos pés e ao lado - que o ex-presidente da Câmara tem dado, faz-nos adivinhar um tempo ainda mais animado nas próximas eleições autárquicas. Hoje mesmo fez sair um comunicado em que diz que afinal não-votou-o que foi votado-pois que-não tinha que votar- mas que ainda é candidato- pois que não concorda com outro - e que será candidato com ou sem o PSD. A vantagem do engenheiro continua a ser a mesma de sempre: o seu fiel eleitorado não lê comunicados, pouco liga a jornais, e continua a sentir-se órfão do poder político, como se tivesse perdido o interlocutor de eleição. Mas há um limite para asneirar, e isso o ex-futuro-presidente-da-Câmara parece que ainda não percebeu, desde 2013. Foi a candidatura que acabou por não ser apresentada, foi a votação em que afinal não participou, é a falsa esperança que alimenta de ver o PSD a apoiá-lo, quando toda a gente já vislumbrou que isso não vai acontecer. 
Quando esprememos esta paródia, há no entanto figuras tristes que nunca pensámos ver outros fazer, nomeadamente aqueles que foram humilhados por D. Diogo - e que agora vão em coro, quais cavaleiros do apocalipse, bater à porta de Narciso e implorar-lhe para que não se candidate. A troco de quê?

3 de dezembro de 2016

oh, a segurança...



Foi um pai atento quem se deu ao trabalho de passar pela obra do futuro Centro Escolar de Pombal - coisa que deve estar pronto a inaugurar antes das próximas autárquicas - e observar o que por ali se passa, no decorrer das obras. Fotografou e fez chegar ao Farpas as dúvidas legítimas sobre a segurança do edifício e a forma como está a ser construído. Como aqui não somos engenheiros de obras nem temos pretensões para tal, fomos ouvir um técnico especializado. Diz que os pilares  se apresentam "de faces irregulares e com um ligeiro desaprumo; isto deve-se a uma hipotética falta de cuidado na execução da cofragem (molde de betão), que revela utilizações excessivas". Verifica-se também "uma falta de cuidado no uso do recobrimento das armaduras, ou seja, a total envolvência de armaduras (ferro) em betão que evita o contacto destas com o ambiente exterior.
Ora, este desaprumo "supõe que a estrutura em questão – pilar – não cumpra plenamente com as funções para as quais foi preconizado, que são o suporte do edifício. Aquando da sua solicitação de esforços, que pode ser a médio ou longo prazo, facilita o surgimento de fissuras no edifício".Sobram ainda armaduras “à mostra”: "o ferro dentro dos elementos entra em contacto directo com o ar, com água e outros elementos externos, podendo daí advir a carbonatação das armaduras, ou seja o enferrujar, que se dá por reacções químicas com o oxigénio e promove o dilatar da armadura e a sua destruição". Por fim, parece que - no acto da betonagem -  "não houve vibração no enchimento, ou foi insuficiente. Desta forma os inertes (areias, britas) não são distribuídos de forma homogénea, aglomerando-se  e formando chochos. Este chocho torna-se uma zona débil do betão que pode originar também a rotura".
E pronto. Escusamos de ficar descansados.

2 de dezembro de 2016

E a Segurança, Pedro

“Este executivo não sabe fazer obras” - Narciso Mota farta-se de o afirmar, e pelos vistos, com razão. A construção da rotunda no Alto do Cabaço no IC2 é o exemplo maior. Nasceu mal, progride mal e sem fim à vista. O executivo nunca deveria assumir a responsabilidade pela obra – afirmei-o aqui -; mas, já que se meteu a fazer o que não lhe era devido, que o fizesse bem.
O executivo foi alertado na AM, pelo seu chefe de bancada, para os incómodos e os problemas de segurança que a obra causaria; e o presidente da câmara comprometeu-se a tudo fazer para minimizar os transtornos e a fazer a obra no mais curto prazo possível. Não cumpriu: não fez nada para minimizar os transtornos, nem se preocupou em fazer a obra num prazo curto – 300 dias é uma exorbitância e não vai ser cumprido. Uma amiga, que viaja muito, dizia-me que “no Dubai já tinham feito cinco arranha-céus”; e “em países que classificamos de atrasados fazem-se obras como esta, mais depressa e com mais segurança”.
As condições de segurança na obra são muito deficientes, e só por mera sorte ainda não houve acidentes graves. A situação é especialmente gravosa porque, com o encurtar dos dias, as obras decorrem, em parte, de noite, sem qualquer adequação das condições de trabalho e da circulação rodoviária. O Plano de Segurança e Saúde (PSS) da Obra não está a ser correctamente implementado e não foi, com certeza, adaptado do período de Verão para o período de Inverno - falha grave.

A CMP, como Dono da Obra, tem responsabilidades acrescidas na segurança em obra; não pode permitir que as circunstâncias da execução se sobreponham à segurança na obra, mas é isso que parece estar a acontecer. Na câmara, são conhecidas as divergências entre o Coordenador de Segurança e o vereador, porque a premência na execução das obras está a comprometer a segurança das mesmas. Espera-se que a pressa em ter as obras prontas, para a data das eleições, não acarrete nenhum acidente grave. Mas era bom que o vereador e o responsável pela segurança tivessem consciência de que, em caso de acidente grave, por não implementação e adequação do PSS, serão responsabilizados criminalmente.

30 de novembro de 2016

Onde se dá conta do encontro do Príncipe com o Cura e Trovador Vaz

Ultrapassada a pendência decisiva, no n.º 2 da Rua Luís Torres, com uma vitória limpa, por unanimidade e em toda a linha (?); sem dar um único tiro, deixando as despesas da refrega para os licenciados em leis e os novos fidalgos, e limitando-se a registar alinhamentos e desalinhamentos; o Príncipe sentia-se, novamente, dominador da situação, pronto a ditar as regras e os papéis, quando recebeu o Cura e Trovador Vaz.
O Pança recebeu o convidado com a cortesia com que costuma tratar os superiores, e encaminhou-o ao trono. O Príncipe levantou-se e recebeu o representante do Senhor na terra com um cumprimento discreto. Sentaram-se.
Principiou assim o Príncipe: - Digníssimo Cura Vaz; reconhecerá, com certeza, que tenho sido generoso com a Igreja que dirige, brindando-a com avultados recursos materiais para que possais cumprir a vossa missão nesta terra: manter o rebanho junto e manso.
- Concordo Majestade; – anuiu o Cura – mas não imaginai Sua Majestade o esforço que tenho feito para manter a harmonia nesta difícil paróquia e ser fiel à secular aliança entre Estado e Igreja.
- Aí, discordamos – contrapôs o Príncipe, no seu registo altivo. E foi por isso mesmo que o mandei chamar; para lhe dar nota das falhas e do que espero de Vossa Mercê neste período crítico.
- A Igreja está sempre aberta a assumir as suas falhas; somos servos do Senhor e, também, de Sua Majestade. 
- Então dizei-me, Cura Vaz: acha que eu, que herdei um principado pacificado e obediente, posso estar satisfeito com tanta ovelha tresmalhada (algumas já regressaram), tanta intriga, tanta divisão e com rebeliões, até? - questionou o Príncipe meio exaltado.
- Compreendo a vossa revolta, – anuiu o Cura – mas compreendais, com certeza, que um pastor, por mais atencioso e apaziguador que seja, dificilmente consegue manter o rebanho junto e em harmonia, quando no principado reina uma luta fratricida.
- Mas é nestes momentos que os representantes do Senhor na terra são necessários – exclamou o Príncipe. Para os momentos de normalidade não precisamos de dotes divinos, precisamos deles é para superar as anormalidades.
- O que sei dizer é que, tal como Sua Majestade não consegue sanar as rebeliões; também a Igreja tem as suas fraquezas; e até o Nosso-Senhor-Todo-Poderoso é, às vezes, impotente perante as forças do Demónio.
- Dizeis-me, então, que não posso contar com Vossa Mercê para a minha arriscada empreitada? Perguntou o Príncipe.
- Claro que podeis, Majestade – acudiu logo o Cura e Trovador Vaz. Se as vossas aflições, angustiado Príncipe, podem esperar algum remédio das preces de um Cura, aqui estou eu, que todo me empregarei no vosso serviço. Mas conto, também, com a recompensa de Sua Majestade, para despachar as minhas trovas.
- Isso não é problema, se Vossa Mercê fizer bem a sua parte – atirou logo o Príncipe.
- Com todo o grado o faço, Majestade – anuiu o Cura. Desde que Vossa Excelência façais também a vossa outra parte. Lembrai-vos: se souberdes ter manha, podeis com as riquezas da terra granjear as do céu. Mas primeiramente há que temer a Deus, porque no temor de Deus está a chave do céu. Aconselho Vossa Excelência a passardes pela confissão, que, seguida de uma contrição sentida e de uma boa penitência, limpareis a alma e entrareis na graça de Deus – condição necessária para obterdes a confiança dos vassalos e o respeito dos súbditos.
- O meu estatuto não permite que seja confessado por um simples Cura; mas tenho recorrido ao nosso Reverendíssimo Bispo.
- Estais em boas mãos, - anuiu o Cura e Trovador Vaz. Mas talvez o nosso Reverendíssimo Bispo não conheça suficientemente Vossa Alteza. Por isso, convinha, também, que olhásseis quem sois, para vos conhecerdes bem, e descartásseis algumas baixezas que tendes à mistura com as vossas grandiosidades. Teríeis melhor vindouro se fordes um virtuoso humilde e não um fidalgo vicioso em que Vossa Excelência se tornou.
- E Vossa Mercê deveria rejeitar certas mundanices que tem a mistura com as suas muitas virtudes – atirou o Príncipe. Ou acha Vossa Mercê que a minha dinastia permite que me misture com a Trampa que abunda neste reino?
- Vossa Senhoria está de uma maneira que nem Satanás o atura! Ámen.
                                                                                                                      Miguel Saavedra

29 de novembro de 2016

A excursão a Lisboa


Foi a Câmara, foram as juntas, foram presidentes e secretários, vogais e tesoureiros, e outros apêndices.  A convite do deputado Pedro Pimpão, os representantes do poder local foram todos - ou quase... - passear até Lisboa. Aguardamos o post que Pimpão fará no facebook, ao seu estilo, elogiando os autarcas "maravilhosos" que acederam ao seu convite, incluindo a independente Ana Tenente, de Vila Cã, e Sandra Barros, eleita pelo CDS em Abiul. Ora, como todos sabemos, não há almoços grátis. Muito menos neste tempo.
Os media locais fizeram o seu papel tradicional de acompanhar estes números, e de manter o povo informado, como se pode ver aqui. Estamos em crer que se trata da primeira iniciativa sufragada no plenário do partido, sexta-feira passada. Dizem as notícias que "A Comissão Politica Concelhia de Pombal do PSD vai iniciar o processo de escolha dos seus candidatos à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia para as eleições autárquicas do próximo ano".
Depois do repasto e do convívio, fica-nos só uma dúvida: quem é que paga isto, hã?

28 de novembro de 2016

“Nós somos, todos, muita Trampa”

Foi assim que Diogo Mateus classificou o seu executivo; quando discutiam, na última reunião, o regulamento de transportes para os utentes da USF do Oeste. A discussão atingiu os níveis degradantes que atingem todas as discussões políticas em Pombal quando há divergência significativa, independentemente dos protagonistas.
Mas, afinal, na distribuição de subsídios, estão uns para os outros, e ambos contra nós; senão vejamos:
(i) A presidente da Associação Doentes de Alzheimer foi à câmara pedir (sondar) um subsídio para a compra de um veículo, em segunda mão, para o serviço de apoio ao domicílio;
(ii) O presidente da câmara prometeu à presidente da Associação Doentes de Alzheimer um subsídio de 8.000 €; que - no seu dizer - ela achou generoso;
(iii) A oposição, pela voz do seu líder e, agora, putativo candidato à câmara, achou pouco e propôs a atribuição de mais 2.000 €, sem sequer (se ter preocupado) saber se eram necessários;
(iv) A maioria aceitou a proposta da oposição; com o desconforto evidente de ter sido ultrapassada pela direita, na bondade das benesses.
Acham que esta gente gere o seu dinheiro como gere o nosso? Então, porque lhe confia o seu/nosso? 

25 de novembro de 2016

Em 1961 nascia-se assim…

No meu país, quando eu nasci, a mortalidade infantil era 88,9, a taxa de analfabetismo era 33%, o rendimento per capita a preços constantes era 3463 €, e a maioria das estradas, fora das grandes cidades, eram de terra-batida e a maioria das habitações não tinham casa de banho.
No lugar onde nasci, a taxa de mortalidade infantil e de analfabetismo era mais do dobro da média nacional, as estradas serviam unicamente para a circulação de carros-de-bois e de local para moer o mato mais rijo, que era depois recolhido no final da primavera para amanhar as terras.
No lugar onde nasci, ninguém tinha casa de banho e pouquíssimas famílias tinham automóvel, não havia luz eléctrica (só lá chegou em 1980!), nem água canalizada (só lá chegou na década de 90!), nem telefone, nem, nem, nem...
No final do dia 25 de Novembro de 1961 chovia a cântaros no lugar onde nasci, e quando a noite já tinha pousado, uma mulher de 28 anos, grávida de nove meses, recém-casada, vivia sozinha porque o marido tinha emigrado a salto, sentiu o rebentar das águas, fez-se ao carreiro que ligava a sua casa à da mãe, para a alertar. Como não existia, por ali, nenhuma parteira afamada, a mulher tinha que ser transportada para o hospital. O pai vestiu o capote, pegou no guarda-chuva e calcorreou 2 Km, à chuva, para pedir à pessoa mais próxima com automóvel – o professor primário da terra – que lhe socorresse a filha.
O “carocha” conseguiu chegar a casa da mulher parturiente; carregou-a (e a criança que já espreitava o mundo a negro) e arrancou; mas parou após andar 500 metros, atolado na alta camada de mato moído, encharcado por forte bátega de água, e não se movia. Enquanto a mulher sofria dentro do “carocha”, o pai congeminava forma de mover o “carocha”. Voltou a casa, tirou as vacas do curral, emparelhou-as, trouxe-as para junto do carocha, coloco-as à frente dele, atou-as a ele; picou as vacas e rebocou o “carocha até à estrada de terra-batida que liga o lugar à sede do concelho e a concelhos limítrofes.
O resto da história tem pouco mais que contar: o carro chegou a Pombal e daí a maternidade, em Coimbra; a mulher sobreviveu e a criança também. A mulher já cá não está; mas está cá a tal criança, para recordar a história, e o motorista para a testemunhar.
Por que somos de onde nascemos.

Cada cavadela...

Em Leiria o PPD ufana-se na novela dos candidatos.
Agora, alegadamente como soi dizer-se, será Fernando Costa ex- Presidente das Caldas da Rainha por 7 - sete - mandatos consecutivos, a recuperar Leiria para o mapa laranja da região.
Valha-nos a arqueologia jornalística para recuperar pérolas como esta:

"No discurso ainda houve tempo para mais uma gargalhada do congresso quando Fernando Costa, após ter dito que "foi o Rui Machete que o ensinou a falar assim", rematou dizendo que "se não fosse mentiroso, também não era presidente da câmara"."

Oh, o 25 de novembro...


Ontem à noite a minha filha fez-me umas perguntas sobre a guerra do ultramar e outros quejandos, pois que hoje não-sei-quê de uma actividade qualquer em que a escola iria participar. Soube agora, pelas fotos partilhadas pelos município e seus trabalhadores, que se tratava de comemorar isto, afinal.
É assim desde 2013, desde que D. Diogo subiu ao poder na Câmara Municipal. Os saudosistas do 25 de novembro de 1975 juntam-se neste cenário, ancorados nos ex-comandos - esse exemplo maior para o nosso país.
Percebem agora porque é que os pais têm de se inteirar bem do que se passa na escola? Uma pessoa distrai-se e quando dá por ela as crianças são usadas para isto. 

Onde se dá conta das preocupações do Príncipe e dos afazeres do mundanal Vaz

O Príncipe sabe que o xadrez político está revoltoso e que a roda-viva em que tem andado nas últimas semanas não chega para inverter o sentido da peleja; que é necessário recorrer às peças da retaguarda. A precipitada ofensiva do inimigo foi bem repelida com o avanço do Lorde-mor; mas logo surgiu a surpreendente cisão no reduto eclesiástico a oeste; o que demandou o avanço do “bispo”, nesta época natalícia. Chamou o Pança e ordenou-lhe que marcasse um encontro com o Cura Vaz.
O Pança desceu as escadarias do convento e dirigiu-se à sacristia, onde encontrou o Cura e Trovador Vaz a preparar os despachos das suas novas cantorias para os fiéis. Mal o viu entre-portas, o Cura e Trovador Vaz, puxou-o:
 - Entrai, amigo Pança. Ao que vindes?
O Pança benzeu-se novamente, depressa, e disse: - muito obrigado, reverendo Vaz. Venho a mando do nosso Príncipe.
- E que incumbência trazeis – Interpelou, curioso, o Cura?
- Venho incumbido de o convidar Vossa Excelência para um encontro com nosso Príncipe, amanhã, depois da missa da manhã, se Vossa Mercê tiverdes vagatura.
O Cura Vaz consultou o calepino e disse: - Poderá ser; não tenho nenhum sacramento marcado e, mesmo que tivesse, arranjar-se-ia, com certeza, vagatura para os encontros, sempre proveitosos, com Sua Alteza.
Cumprida a incumbência, reparou o Cura e Trovador Vaz que o Pança se preparava para sair. Por isso, interpelou-o: - Irmão, há muito tempo que não passas pelo confessionário.
- Tem razão – anuiu o Pança – mas, como sabe, agora, a minha atarefada empreitada deixam-me pouco tempo para cumprir os deveres religiosos.
- Não pode ser, meu bom-cristão. A salvação da alma nunca pode ficar para trás. E deveis saber que a vossa empreitada é muito propícia ao pecado; e que Deus suporta os maus, mas não para sempre.
- Mas eu não sou dos maus – acudiu Pança.
- Não digo que o sejais; mas olha que os amanuenses e o povo andam muito queixosos. Tenho-os afagado na confissão, mas...
- Já percebi que é melhor passar pela confissão e comunhão. Reconheço que tenho andado afastado da Igreja, da Sr.ª do Cardal (minha querida Senhora) e, até, da graça de Deus.
- Muito bem – anuiu o Cura e Trovador Vaz, e perguntou logo de seguida: - Mas dize cá, meu bom-cristão: já encomendastes as minhas novas cantorias?
- Ainda não – confirmou o Pança. Mas fá-lo-ei, entretanto. Fique Vossa Mercê descansado que será a minha prenda natalícia aos amigos e família.
- Não esperava outra coisa de um bom-cristão como o meu amigo, com provas dadas – atestou o Cura e Trovador - mas, já que estais aqui, dize-me: a câmara vai encomendar as minhas novas cantorias?
- O que sei dizer a Vossa Mercê — respondeu o Pança – é que os serviços estão a tratar disso. Mas será conveniente abordar esse ajuste no encontro de amanhã. Como Vossa Mercê sabe, D. Diogo é muito formal; exigirá, com certeza, o necessário protocolo; mas conte com uma boa ajuda à Santa Igreja e ao seu digníssimo representante nesta santa terra.
- Vai com Deus, Pança amigo.
- Até amanhã, digníssimo.
                                                                                                                  Miguel Saavedra

21 de novembro de 2016

A qualidade compensa


A curta-metragem Os Cães da Barragem, realizada por Paulo Vinhas Moreira e coordenado pelo encenador Rui M. Silva, foi distinguida, em Outubro último, como o melhor filme no “48H Film Project - Castelo Branco”, e irá representar a cidade de Castelo Branco no festival Filmapalooza, em Seattle, nos Estados Unidos da América, em Março de 2017. Para esse feito, muito contribuíram os três actores do Teatro Amador de Pombal que fazem parte do elenco: Gabriel Bonifácio, Humberto Pinto e Joana Eduarda.

Este feito evidencia as potencialidades da cooperação que tem sido levada a cabo entre a companhia de teatro pombalense e a albicastrense Ajidanha. A aposta que ambas têm feito na qualidade dos seus projectos merece o maior destaque.  Estão no bom caminho! 

17 de novembro de 2016

Até os votos dos calés já estão em disputa!


São as eleições...

Chegados à véspera das eleições autárquicas, chegam-nos promessas de mais dinheiro para as autarquias. No passado, quando havia muita obra para fazer, eram os autarcas que reclamavam mais verbas ao governo. Agora, são os partidos do bloco central (PS e PSD) que oferecerem mais dinheiro às autarquias. Há umas semanas atrás, Eduardo Cabrita afirmou que “o governo fez um orçamento amigo das autarquia”; ontem, Passos Coelho reclamou “mais dinheiro para as autarquias”.
As autarquias recebem dinheiro demais.
Há, no entanto, autarquias com falta de dinheiro, por que criaram uma estrutura que as consome, e por que gastaram e endividaram-se demais - fizeram despesa sem retorno que originou demasiados encargos e consequente falta de dinheiro. Não necessitam de mais dinheiro; necessitam é de saber aplicá-lo. Mas há, também, autarquias (ex.: Pombal) que têm dinheiro a mais, e deixam-no a repousar nos bancos por que não sabem onde aplica-lo.
Já era tempo de os líderes políticos perceberem que as eleições se ganham com ideias e com candidatos credíveis, e não com mais dinheiro. Até por que o povinho já percebeu que o dinheiro do Estado sai-lhe do bolso.

13 de novembro de 2016

Cerimónia das comendas

A cerimónia das comendas foi muito bonita: cheia de pompa e circunstância, e com felicidade a transbordar por todos os lados – foi lindo de se ver. Os agraciados estavam felizes, mas os agraciadores não o estavam menos – alguns evidenciavam até alguma euforia. Não notámos que o Cura Vaz tenha estado por lá - um pormenor muito bem pensado e do nosso agrado.
D. Diogo esteve discreto e com o donaire que a circunstância e o seu estatuto recomenda. E a sua Marquesa semelhou-o. Mas a cerimónia teve, também, a vertente popular que o dia impunha.
Os agraciados estiveram igualmente bem: uns mais discretos, outros mais vistosos - cada um ao seu estilo, mas todos bem. Um ou outro parecia estar a viver o dia-da-sua-vida; só lhes faltou levarem o Boby e o Dolly - o que daria um toque chique à coisa.
O Farpas contava estar lá, também. Confessa, por ser verdade, e por ser pecado, que ficou com uma pontinha de inveja de não estar em tão digna cerimónia. Não atingimos, com certeza, os deméritos exigidos pelo comité agraciador, mas o facto de termos entrado na lista dos potencias agraciados – diz-se - deixou-nos com o orgulhosinho revigorado e, talvez, também, por isso, gostamos muito da cerimónia. Sabemos que para o ano há mais; prometemos trabalhar com mais afinco pela comenda. Queremos muito estar lá.

Este ano o comité viu grandes feitos nos bem-feitores das mobílias e das enfermidades. La terá as suas razões, e critérios de tão insignes criaturas não se controvertem. Mas custa ver o Mário, o mais antigo empresário do ramo, com negócio no centro da cidade, não ser mobilado. Bem te avisamos Mário: dar gás às farpas, mesmo encoberto, não traz graça. Devias saber isso. E que eles vasculham tudo, e não esquecem nada.

12 de novembro de 2016

O dia de São Martinho, sem adega nem vinho



Passa o Dia do Município e a minha time line do facebook enche-se de selfies, fotos dos homenageados, palavras de emoção dos que lá estiveram. Sim, eu tenho entre os meus amigos muitos desses: autarcas, homenageados,  familares deles, amigos de uns e de outros, apaniguados, enfim. E para começo de conversa, devo dizer que acho de elementar justiça a condecoração de quem faz mais do que a sua obrigação pela terra e pelos outros.
Ontem, uma comoção generalizada abateu-se sobre aquela franja de pombalenses que vai à sessão solene, e que acredita - se calhar profundamente - que a realidade é aquilo: umas dezenas de convidados a cortar fitas e bolos, ao longo do dia, em traje domingueiro.
Na viagem entre Pombal e outro concelho do distrito de Leiria, fui ouvindo na Rádio Clube a transmissão da sessão solene. Foi assim que ouvi um (bom) discurso de Diogo Mateus, bem escrito e bem lido, mesmo que as palavras as leve o vento.  E assim percebi que foi ontem o arranque da campanha eleitoral, de tal modo D. Diogo voltou a usar o slogan que lhe serviu de muleta para a eleição: Mais Pombal. "Temos uma visão para Pombal, queremos mais para Pombal". Continuamos, afinal, a ter um ponto em comum. Mas podíamos começar por descer um pouco à terra, e levar as comemorações ao povo. Fazer mais por Pombal era envolver as colectividades, grupos e movimentos que despontam pelo concelho, abrindo o programa à festa popular, como tão bem fazem outros concelhos do distrito e do país. Como fazem os bombeiros, à sua maneira. Como hoje estavam a fazer os moradores do bairro Agorreta.
Enquanto o modelo for este - da sessão solene, do fato-gravata, da medalhita e do discurso - tanto faz que lhe chamemos Dia do Município como Dia da Câmara. Não passamos disto. 

ps: gostei de ver o presidente a dar um toque cool e irreverente no discurso, ao citar Jorge Palma (que horas antes ali deu um belíssimo concerto, a que poucos puderam assistir)

imperdoável é o que não vivi
imperdoável é o que esqueci
imperdoável é não perdoar

Afinal, São Martinho ainda faz milagres. 

10 de novembro de 2016

Polo Escolar de Vila Cã ficou na gaveta

Por esta altura, Vila Cã deveria estar a inaugurar o seu Polo Escolar. Foi (quase) tudo programado: a câmara assegurou o financiamento e o projecto, e a junta o terreno onde erguer o edifício.
Só que, a junta adquiriu (parte de) um terreno que estava (está) em regime de co-propriedade; e ninguém se entende sobre a parte que foi comprada. 
Resultado: o Polo Escolar ficou na gaveta. Incompetência ou negociata? 

8 de novembro de 2016

Floreado caro


A Câmara Municipal de Leiria (CML) decidiu adquirir, por uns imódicos 4,15 milhões de Euros, o edifício do antigo Paço Episcopal, com intuito de lá instalar uma Loja do Cidadão. No edifício funcionou, até há pouco tempo, uma Loja da Zara; mas um dos maiores empresários do mundo, com um dos negócios mais rentáveis, não o quis, abandonou-o.
A Loja do Cidadão de Leiria esteve prevista para o topo norte do Estádio Municipal (área sem utilização), mas o actual executivo recusou essa localização e optou, agora, pelo Edifício do Paço Episcopal, com o argumento da necessidade de atrair pessoas para o centro da cidade.
Desde o investimento ruinoso na construção do novo estádio municipal que a CML vive uma situação financeira delicada, com dificuldade de honrar atempadamente os seus compromissos e sem grande capacidade de investimento. Surpreende, portanto, que decida aplicar 4,15 milhões de Euros num edifício para lá instalar um serviço – Loja do Cidadão - que não faz parte das suas atribuições. A câmara de Pombal também tem embarcado nestes floreados – adquirir/construir edifícios e fazer obras que competem ao Estado -; mas com uma pequena/grande diferença: tem muito dinheiro disponível (e não sabe onde o gastar).
Para além do questionável racional económico-financeiro do negócio, vale a pena analisar o propósito subjacente: forçar os utentes a deslocarem-se ao centro da cidade, quando lhes deveria facilitar a vida (acesso e estacionamento). Estamos perante a mesma artimanha que um candidato à câmara de Pombal defendeu para dinamizar o turismo local: construir um circuito para os peregrinos de forma a fazê-los passar pelos locais mais actractivos.
Por outro lado, é questionável o interesse (o efeito dinamizador) de uma Loja do Cidadão. O modelo surgiu no primeiro governo de J. Sócrates como uma resposta circunstancial à necessidade de agilizar a criação de empresas (o pior item de Portugal nos Rankings de competitividade), mas não se desenvolveu, acrescentaram-lhe somente alguns serviços complementares. As Lojas do Cidadão tenderão a esvaziar-se, fruto da inevitável reorganização do Estado e do desenvolvimento da e-governance; o que já se verifica com vários organismos públicos.
Logo, não se percebe esta bebedeira com a Loja do Cidadão, nomeadamente no edifício do Paço Episcopal. Um vício caro.

7 de novembro de 2016

Desta água não beberei


O aviso é tímido, e por isso não é de estranhar que a maioria dos mortais continue a abastecer garrafões a rodos. Tem data de 23 de setembro, o que deve significar que Junta de Freguesia, Câmara Municipal e demais entidades competentes estão sabedoras das análises que ditam algumas propriedades da água da Charneca como "não conforme". 
Aqui no Farpas não somos de intrigas e por isso não vamos relacionar o facto com a proximidade do malfadado cemitério. Para mais, se a malta anda a beber água há dois meses e ainda cá estão todos, rijos como um pêro, é como dizia aquele antigo vereador do ambiente: "prefiro beber água de uma fonte, por mais poluída que ela esteja...". É claro que se finou, politicamente, mas isso agora já não interessa nada. 

3 de novembro de 2016

Quão difícil está a distribuição das prebendas ao Zé e à Maria

Depois de atafulhar os regentes locais com dinheiro e feitorias, as comissões fabriqueiras e as associações com subsídios; o príncipe sabe que não chega, que precisa de engodar o Zé e a Maria, mas não sabe como fazê-lo. Não tendo muito por onde demandar ajuda, chamou o seu fiel escudeiro para esboçar a arriscada empreitada.
O Pança apresentou-se no trono: - às suas ordens, Alteza.
- Senta-te, Pança. Temos muito que falar…
- Sou todo ouvidos…
- Como sabes, Pança; tenho feito um esforço enorme para inverter a desgraça que me assolou. Abri os cordões à bolsa  tenho distribuído prebendas por tudo o que é entidade  e aproximei-me do povo. Mas não chega, o povo não se aproxima de mim. Tens que me ajudar a aliciá-lo.
- Eu não sei o que mais fazer; até já sigo o seu exemplo: mostrar ser o que não sou. Porque não pede, Vossa Mercê, ajuda aos seus ministros, ou ao seu futuro número dois?
- Não desconverses, Pança. Sabes bem que isto é para quem pode, não para quem quer…
- Se Vossa Mercê se enfada — respondeu Pança — eu calo-me e deixo de dizer aquilo a que sou obrigado como leal escudeiro.
- Fala Pança, mas não acrescentes aflições ao aflito.
- E que tipo de ajuda quer Vossa Mercê?
- Preciso de arranjar formas de seduzir inimigos e descontentes. Nos próximos meses, teremos o Dia do Principado e as Festas de Natal - oportunidades últimas para distribuir prebendas e conquistar apoios. Não podemos falhar nas escolhas. E lembra-te, Pança: enquanto no pombal houver milho – e tenho muito - pombas não faltarão. O segredo está a saber dá-lo…
- Vamos ver se percebi, Alteza. Que inimigos e descontentes quer conquistar?
- Os inimigos que mais estragos nos fazem e os descontentes mais fáceis de seduzir.
- Comecemos, então, pelo Dia do Principado e pelas medalhas a distribuir… O que vou dizer parecer-lhe-á um disparate, mas talvez não o seja.
- Dize, dize, Pança; que do disparate alguma coisa se deve aproveitar…
- Fala-me Vossa Mercê de conquistar inimigos, certo? O seu maior inimigo  o nosso que aqueles cabrões também não me dão descanso  é o Farpas. Se os conquistarmos, eliminamos o poder de fogo inimigo
- Estás mais esperto do que te julgava, Pança. E como o fazemos?
- Atribui-lhe, Vossa Mercê, uma comenda dourada, no Dia do Principado. Ninguém fica indiferente a tal distinção. Eles gostam de farpear; podem, sempre, continuar a fazê-lo; só lhes pedimos que apontem o cano para o nosso inimigo, e não para nós. E com este tiro matamos dois coelhos, não lhe parece, Alteza?
- E não te parece um exagero, Pança; condecorar essas criaturas?
- É, mas não maior do que algumas que Vossa Mercê já concedeu.
- Sonda-os, Pança. Mas antes, manda subir o cura Vaz. Temos que o informar, e pedir-lhe anuência e confissão para tamanho sacrilégio. Sei que lhe vai custar a roer, mas a Igreja tem a obrigação divina de apoiar os príncipes em momentos adversos.
Acredita, Pança, se a coisa se fizer, até a ti, darei uma comenda… Mas temos, também, que aliciar os descontentes, os Zés e as Marias deste reino. Já prometi uma comenda ao Teixeira dos pensos, à Fernanda das esmolas, ao Michel dos frangos, ao Arlindo das massagens; e a outros de que agora não me lembro. Mas precisamos de muitos mais, de muitos mais.
- Acredite em mim — acudiu Pança  que tudo se há-de resolver. Quem dá o mal, dá o remédio; ninguém sabe o que está para vir, mas com a ajuda de Deus e da Sr.ª do Cardal - minha querida Senhora - tudo se fará.

                                                                                                                           Miguel Saavedra

2 de novembro de 2016

A banalização da acção política

A discussão de GOP e Orçamento para 2017, realizada pelo executivo camarário, na última sexta-feira, ao longo de quase 3 horas, foi um exercício penoso, para os figurantes e para quem o vê; que o príncipe aproveitou para carregar o ego, mas que banaliza a acção política, porque feito por gente sem ideias, sem propostas, sem preparação e sem memória; que se limita a cumprir um ritual recitado, onde não há discussão nem convicção; e a debitar banalidades que geram tédio, que os próprios tentam contrariar com umas graçolas, o uso dos gadgets ou mascando biscoitos.
Resumindo: estão bem uns para os outros - o poder que desconsidera a oposição, e a oposição que se dá à desconsideração - o poder envia os instrumentos plurianuais de gestão da câmara (GOP e Orçamento) às 5 horas da manhã da véspera da discussão (falta de planeamento e empenho?); a oposição aceita participar na discussão assumindo que não teve tempo para analisar os documentos.
Enquanto a política for feita com esta falta de exigência e profissionalismo, por gente que está mais preocupada em estar nos cargos do que em exercê-los, que ciranda por eles como párocos pelas paróquias, não vamos lá. Mas o problema mais grave não é este; é isto só incomodar uma pequena minoria - e eles saberem-no. No final, o Zé paga isto tudo, até os almoços grátis. 

29 de outubro de 2016

O sangue-azul do Cardal

                                          Foto: Forum Pombal. Quando tudo corria bem. Ou parecia que sim.

Foi um ar que se lhe deu. Num dia Narciso anuncia uma conferência de imprensa para se apresentar como candidato - e convida meio mundo a comparecer, entre autarcas e dirigentes de todos os partidos - noutro cancela-a. "Lamentando e por motivos alheios à minha vontade, serve o presente para cancelar a data prevista da conferência de imprensa, até nova data a informar". 
O E-mail chegou às caixas de correio já passava da uma da manhã de hoje, e foi escrito depois uma discussão acalorada que o ex-presidente da Câmara manteve com Pedro Pimpão, à saída do jantar de inauguração do Bodo das Castanhas, em Vermoil. O mesmo jantar onde se esqueceram de guardar lugar para ele, na mesa das entidades oficiais. 
Da conversa entre ambos pouco se sabe pode contar, ainda,  que o povo é bem educado e não se abeira de uma discussão tão séria, com implicações tão grandes para a vida de ambos - e do concelho que é nosso. Mas as ondas de choque não se fizeram sentir. Quem saiu em defesa de D. Diogo (o mesmo é dizer contra Narciso) foi o doutor João Coucelo, que respondeu ao mail de Narciso, enviando a resposta para todos os mortais da mailling list O médico - ex-vereador de Narciso, ex-mandatário de Narciso, ex-presidente da Assembleia Municipal, sempre pelo PSD, sempre próximo de D. Diogo - arregaçou o punho de renda e fez o favor de dizer ao meio mundo convidado de Narciso aquilo que a estrutura local do partido ainda não tivera coragem de escrever:
"Caro Narciso
Devias cancelar as tuas intenções de candidatura que eticamente são condenáveis nos moldes em que o fizeste.Se persistes tens de te demitir das funções na A.M o que é o mínimo de decência que te resta nesta farsa.
Sempre fui solidário contigo nos momentos mais difíceis e nem sempre tive igual tratamento,mas mantive a discrição que se exige a quem na política só pretende o bem publico.
Não alinho em lutas pessoais e cruzadas de mau gosto.
O que está feito, feito está mas trata de desfazer males maiores".
A parte melhor desse e-mail vem no fim. É quando Coucelo se despede de Narciso "com amizade", qual Sousa Veloso aos agricultores que o viam, com respeito, aos domingos de manhã.
Isto promete ser uma campanha de avanços e recuos. E não apenas por parte de Narciso. Na comissão política concelhia, "recuo" passou a ser o nome do meio. Não é Pedro?

27 de outubro de 2016

Narciso, o renegado



Narciso Mota vai fazer uma fuga para a frente, no próximo dia 4 de novembro, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, e apresentar-se à imprensa como candidato à Câmara de Pombal. Sendo certo que o PSD já deu mostras várias de não o querer - as eleições hão-de confirmar uma evolução na continuidade, com Diogo Mateus - o mais certo é assumir-se já como independente, para não passar a vergonha de ser desmentido publicamente. Consta até que o próprio presidente do partido em Pombal já lho disse, na cara, depois de meses com as mãos a escaldar de tamanha batata quente. Quem conhece o Pedro Pimpão imagina-o a dizer a sentença a Narciso Mota enquanto engole as vísceras e segura as entranhas. Tal como a esmagadora maioria dos que vivem da política em Pombal, deve a Narciso Mota muito do ganha-pão. Mas isso são contas de outro rosário. Também Diogo as engoliu, por mera questão de sobrevivência política, ao longo de 20 anos.
É certo que o PSD não tinha grande saída, e mesmo não sendo D. Diogo o candidato ideal para um partido vincadamente populista, não havia como não o apoiar.
O problema nesta equação chama-se povo. É esse que vai contribuir ainda mais para partir o partido, é essa a grande base de apoio de Narciso Mota - porque o reconhece como parte integrante e não precisa de tirar o chapéu para lhe falar. Mesmo que neste tempo já não baste a empatia para ganhar eleições, a era Marcelo é esta, a dos afectos. Melhor fora que Narciso tivesse escolhido as Meirinhas para se apresentar. Se na quinta-feira aparecer sozinho, não se iludam. Até ao dia das eleições, o cenário será aquele aqui descrito: um exército que com uma mão segura a bandeira do partido e dá passagem a Diogo, e com a outra abre a porta a Narciso. Isto vai ser imperdível...

Teremos sempre Paris


O João Melo Alvim é desde esta semana Cônsul-Geral Adjunto de Portugal em Paris. Aqui na casa ficamos de peito cheio pela conquista do camarada Alvim, que sonhou connosco o Farpas e lhe deu corpo durante vários anos. 
É um orgulho para nós e para a comunidade emigrante, ver um pombalense ali destacado. A terra perdeu mais um dos seus melhores, mas ganhou-o o mundo - e todos nós, de certa forma.

22 de outubro de 2016

Partido

Os partidos são como a pescada: antes de o serem já o eram. Uns escondem-no, outros assumem-no. Nisto, o PPD/PSD é exemplar, e expressa-o bem.
O PPD/PSD local está partido. Nas próximas eleições autárquicas vai ter dois candidatos: Diogo Mateus pelo Partido e Narciso Mota como independente. Mas a divisão das hostes é tão profunda que se justificava que fosse um pelo PPD e outro pelo PSD.  

No fundo, a surpresa nem é tanto a divisão (natural), mas a forma dissimulada e determinada como se está a processar; o persistente jogo duplo de dirigentes e autarcas, que subscrevem um candidato e trabalham para outro. Por este andar, os resultados eleitorais vão ser uma caixinha de surpresas. 
É a política...

18 de outubro de 2016

Agora, até o turismo espanhol mama…

A CMP aprovou, por maioria com 3 votos contra dos vereadores do PS – Uff, acordaram! – um subsídio de 4.592,50 €, à Banda Filarmónica Ilhense, para esta participar no XII Encontro de Bandas de Música na Comunidade Valenciana - Valência – Espanha, entre 30 de Setembro a 2 de Outubro.
Este era um subsídio que até o Farpas ignoraria - é daqueles que o senso comum nos diz que é virtuoso. Mas não o é. Na verdade, é emblemático do conluio de interesses que a subsidiodependência gerou, e do estratagema de geração de poder que engendrou.
A vereadora da cultura, ávida de agradar e de captar agradecimentos para o príncipe, esmerou-se a pincelar a informação com as todas as cores do arco-íris. Mas fê-lo numa tela com fundo negro. O esquema parecia perfeito, se do outro lado não estivesse um ex-inspector, conhecedor profundo dos esquemas avançados dos espanhóis, na captação de excursionistas para as suas instâncias turísticas, na época baixa, preferencialmente junto de grupos financiados com dinheiro público.
Aqui, a oposição – nomeadamente o vereador Jorge Claro – esteve bem: foi oposição - mostrou, até aos mais cépticos, que o papel da oposição é indispensável à prossecução da boa governance, mesmo nos assuntos julgadas menores, ou politicamente inconvenientes. Segundo ele, “o encontro de bandas da comunidade valenciana foi em Julho”, e não entre 30 de Setembro a 2 de Outubro, como a informação refere; “o local previsto para a realização do evento dista 100 km de Valência, é uma estância balnear composta por edifícios turísticos, não há qualquer outra actividade económica a não ser o turismo, existem mais de 100 hotéis, é uma zona dedicada apenas ao turismo.” “Quem promove este evento é uma agência de viagens, com sede em Barcelona, e que tem uma delegação na zona”. A banda actuou num jardim em frente da unidade hoteleira Marina d’Or, perto da praia, - um complexo turístico com cinco unidades hoteleiras.
Falta saber quem tem maior responsabilidade no desvario: a vereadora que quer agradar ou o príncipe que precisa de agradecimentos. 
OH MEU POMBAL, que até o turismo espanhol subsidia! Se o teu castelo falasse mais vezes, tanta coisa que se saberia!

17 de outubro de 2016

O estranho caso da sondagem, ou a sondagem mais estranha


Poucos dias antes da notícia oferecida aos leitores do Pombal Jornal, na sua última edição, duas figuras do PSD perguntaram-me o que achava daquilo. "Então e a sondagem, que tal?"
Ora, como a última notícia que tivera de qualquer sondagem, foi quando Narciso Mota voltou de Lisboa - do encontro com Pedro Passos Coelho, onde alegadamente o líder lhe terá dito que o partido "ia fazer uma sondagem para ver se era ele ou Diogo Mateus o candidato à Câmara" - pensei que estávamos a falar dessa. Ficou-me sempre um punhado de dúvidas, caros leitores, agora agravadas:
1. Sendo vencedor absoluto na Câmara, o que raio iria o PSD fazer a Diogo Mateus, e voltar atrás, com Narciso Mota?
2. A haver sondagem, quem é que a fazia? O PSD nacional? O PSD local?
3.O que ganhava o PS em trazer à liça uma figura como o vizinho João Gouveia? 
4. O que ganhava João Gouveia em mudar-se para Pombal? A que propósito?
Por este andar, escrevemos um livro e fazemos um filme, no final de 2017. Poucas terras teriam um guião tão atractivo.

9 de outubro de 2016

O candidato que veio do...Bombarral

''Desejo um Portugal moderno, livre, em que o Estado — que deveríamos ser todos nós — garanta o direito universal à educação mas não obrigue os menos favorecidos a obtê-la em estabelecimentos públicos.''
Ó senhor Deputado do PSD, Licenciado, Mestre, Doutorando em Direito e Presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, o que seria deste país com gente ''menos favorecida'' a estudar em estabelecimentos públicos?
Medo.
Tenham muito medo.

8 de outubro de 2016

Os vícios repetem-se


Ana Gonçalves e sua equipa, ávidos por mostrar serviço, continuam a evidenciar uma enorme falta de respeito pelos artistas que convidam. Tal como aconteceu com as Montras Poéticas ou o Taleguinho, o nome de quem leva a cena a ópera "A flauta mágica", de Mozart, é omitido ou não é referido de forma clara (parece ser a Escola de Música de Abiul). Amadorismo, ingenuidade, esquecimento? Não: egoísmo, leviandade e desrespeito! Mais do que promover a cultura e os seus agentes, a vereação da cultura da Câmara Municipal de Pombal pretende apenas promover-se a si própria.

Mas alguém se importa? Aparentemente, não. A comunicação social (97FM, Pombal Jornal), que tão prontamente carimba o nome da autarquia em todos eventos que esta promove, não revela qualquer curiosidade em saber quem lhes dá corpo e voz. Será que iremos ver Ana Gonçalves subir a palco amanhã, no Teatro-Cine, como a Rainha da Noite? 

6 de outubro de 2016

Importa-se de repetir, senhor presidente?

Disse mesmo que "não há uma delas que não tenha uma parque infantil decente..."? Quando é que marcamos uma visita guiada à EB1 de Pombal, a funcionar desde o ano passado no edifício Conde Castelo Melhor? Não é decente. Pela simples razão de que não existe.

5 de outubro de 2016

Um tiro certeiro

Na última AM, Ricardo Ferreira, do CDS, fez uma intervenção certeira (uma excepção em toda a assembleia). Escolheu bem o assunto e os argumentos (enquadrados com a realidade circundante, incisivos e inquiridores). Por outro lado, mostrou astúcia táctica: no aparte inicial, na condução da intervenção e no remake à mesa da AM (esteve bem Narciso Mota e mal o sec(re)tário) e a Diogo Mateus.
Dos outros, foi tudo tiros na água, ou “deixas” para o presidente brilhar. 



4 de outubro de 2016

Quixotescamente

A escolha do tema e a forma como o PS tem conduzido a polémica sobre a Unidade de Saúde Familiar do Oeste é um tratado de inabilidade política, como bem o desmontou Diogo Mateus, na assembleia municipal (ver vídeo, minuto 47).
Mas quem manda o PS trocar a sua postura mansa e pacifica por contendas arriscadas sem nenhum potencial de ganho?
Resultado: caíram logo na boca do lobo… É o que se chama, sair de casa para ir à procura de lã e vir de lá tosquiado.

3 de outubro de 2016

Megalomania

Megalomania é um transtorno psicológico caracterizado por delírios e fantasias de poder, relevância ou (até) omnipotência. Segundo Freud, pode engendrar uma paranóia.
Os delírios e fantasias da rapaziada politizada cá da terra foram sempre considerados excessos de uma adolescência retardada; tolerados porque, supostamente, seriam corrigidos pelo amadurecimento e não traziam nada de mau ao mundo. O pior foi quando lhes começaram a dar ouvidos; e o transtorno, no lugar de regredir, agravou-se.
Agora sim, o potencial de dano é real - dano colectivo, pago por todos nós. Ora vejam!

A propósito de populismo

Fala o roto do mal remendado...


2 de outubro de 2016

Pedro vai à escola


Pedro é um menino muito espertinho que adora a escola. Nos primeiros dias de Setembro a ansiedade é grande. Para não se esquecer de nada, os papás ajudam-no a preparar a mochila de véspera e, na manhã seguinte, é vê-lo saltitar de alegria, com vontade de chegar cedinho, antes dos outros meninos todos. 

O nosso Pedrocas é querido de toda a gente. Para além de muito simpático e bonito, o mocito não enjeita o trabalho e as responsabilidades. Daí que os papás, muito orgulhosos, aceitaram com agrado a sua vontade de visitar todas as escolas do país. Brilhante ideia! - disseram. Assim podes ajudar os outros meninos a ser como tu. 

Vai daí, abriram os cordões à bolsa e pagaram-lhe uma viagem por todo o país (incluindo as Ilhas). Afinal, o dinheiro que se gasta até pode ser um bom investimento. Quem sabe se, no futuro, não poderemos vir a ter uma geração de meninos bonitos como o Pedrinho? Não seria tão bom? Aposto que as más-línguas vão dizer o contrário.

30 de setembro de 2016

Estádio II

A história é simples:
Em Leiria um Plano de Mobilidade incendiou a cidade este ano. (itálico, note-se, significa que é uma força de expressão...)
Um grupo de cidadãos organizou-se e constituiu um Movimento de Cidadãos por Leiria, para contestar alguns aspectos desse Plano. Recolheram-se mais de 6000 assinaturas.
A Autarquia decidiu constituir um Grupo de Trabalho, integrando todas as forças partidárias e este Movimento, para produzir um relatório.
Democrático, não?
Só que o relatório, afinal, não traduz o que se passou nas muitas reuniões de trabalho.
Hoje à noite, em Monte Real, na Assembleia Municipal, a entrega deste pseudo-relatório (itálico, note-se) está agendada para o fim da sessão, que começa às vinte e uma horas no auditório do Cine-Teatro.
Mas a vida é muito mais que este relato a seco, não acham?
Na verdade, o futuro de Leiria e a forma como nos vamos, ou não, poder deslocar, viver e circular está em jogo. A discussão faz-se, convenientemente, longe dos holofotes, em Monte Real, hoje.
E pergunto-vos, a todos os que vivem em Leiria:
se pudessem ter participado em algum momento, no destino da vossa cidade e ter impedido o erro histórico que foi e continua a ser o estádio, teriam saído de casa a uma sexta-feira à noite?
Pois bem, têm agora a oportunidade de poder fazer alguma coisa de realmente importante pelo futuro de Leiria:
estejam presentes hoje na reunião da Assembleia Municipal de Leiria em Monte Real.
Vejam com os vossos olhos o destino de Leiria a desenhar-se.
Sejam parte activa na construção da democracia.
Ou então não.
Mas depois, se tiverem de viver numa cidade onde a mobilidade será uma miragem, calem-se.
Para sempre.

P.S. e sim também tenho filhos pequenos em casa, tarefas domésticas, mais que fazer à sexta à noite, mas tenho de viver com a consciência que me diz diariamente que se não fazemos alguma coisa pelo mundo que queremos ele não se construirá sozinho por milagre.
Partidas às 8,30 em frente ao Teatro José Lúcio da Silva e boleias partilhadas. Divulguem...