A Santa Casa da Misericórdia de Pombal vai reunir hoje em Assembleia Geral com um ponto único na Ordem de Trabalhos - a situação do Hospital Distrital de Pombal. Daí deverá sair a legitimação das negociações, que na certa nos vão conduzir a uma espécie de PPP (Parceria Público-Privada), num modelo ainda não testado em Portugal.
O que nos importa, nesta altura, é uma coisa básica: continuaremos a ter um hospital de acesso público? Em que moldes?
Há anos que o Hospital tem vindo a ser esvaziado de serviços e capacidade, conduzindo-o ao estado comatoso em que se encontra hoje. E no entanto, seria tão importante mantê-lo, até para aliviar o caos em que se tornou o serviço de urgência em Leiria, de onde queremos sempre fugir.
Seria bom que tivéssemos um poder local firme, capaz de bater o pé à tutela e zelar pelo interesse colectivo. Ah, esperem, não se afronta a tutela. E não se afronta há muitos anos, independentemente do partido no poder. Até porque há peças que conseguem encaixar-se em qualquer puzzle: há dias, um grupo de cavalheiros que gosta de jantar com cheiro a naftalina em forma de "tertúlia", convidou o antigo administrador do Centro Hospitalar de Leiria, doutor Licínio Carvalho (grande obreiro do esvaziamento do HDP) agora vice-presidente da CCDR Centro. Espero que lhe tenham perguntado o que resultou, para a população, daquele corte cérceo. Também espero que o presidente da Assembleia Municipal, doutor João Coucelo - que já foi director do Hospital, que ainda hoje, apesar de aposentado, lá faz umas horas - tome a dianteira na defesa do que é nosso.
Do resto, nada a esperar. É a dinâmica do território a funcionar.

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
ResponderEliminarJosé Saramago - "Cadernos de Lanzarote", - Diário III - pag. 148, 1995
Citar Saramago resolve o hospital da mesma forma que citar Camões resolve os buracos na estrada. Entre frases bonitas e um serviço de urgência a funcionar, continuo a preferir a segunda opção.
ResponderEliminarPouco sei sobre este assunto e na ultima tertúlia não pude estar presente.
ResponderEliminarPaula, tenho todo o gosto em a convidar para participar na próxima que será em Setembro só para poder ir "in Loco" aquilatar da qualidade da naftalina e não são só cavalheiros, também muitas damas o integram, logo não tenha receio de se sentir deslocada porque a naftalina progressiva não perdoa ninguém...
Sobre o definhar do Hospital de Pombal é notório por mais que o poder local afronte o poder nacional...
Classificações, recados e estados de alma à parte, vejo com bons olhos alguma iniciativa que permita realmente tornar mais digno e eficaz o nosso hospital. PPP já funcionaram neste país e bem, mas o poder PS com todas acabou exceto Cascais que não tem sido notícia por más prestações.
Se a solução vier a melhorar o serviço à população terá o meu apoio. Apenas defenderei que o município deverá ter participação na sua gestão para que mais facilmente defenda o serviço ao público.
É típico da nossa imprensa e seus impressionistas arautarem as desgraças e desvarios de tudo o que pode mudar. Endémico.
Lá está a máxima brasileira de elevado significado aplicada aqui como corolário do post;É melhor deixar tudo como está que é para ver como. é que fica! 🌹