16 de maio de 2015

Mais uma baixa…

Desta vez durou, apenas, dois meses e meio. Jorge Cordeiro, adjunto do Príncipe, contratado para chefe da propaganda, bateu com a porta e zarpou.
As crueldades continuam a ser mal usadas, a desconfiança é enorme, os ministros andam pelos cabelos e dirigentes amedrontados e em guerrilha.

O príncipe está demasiado incauto e o delfim no terreno a entender o regaço aos desiludidos. 

Não desvalorizem as touradas

Nota prévia: não sou grande aficionado nem anti-touradas. Aprecio, até, uma boa lide, preferencialmente “a pé”: a coreografia, a encenação, a musica e a adrenalina do risco.

A junta de Abiúl (com apoio da câmara) vai pagar (dar), à RTP, 25.000 € pela transmissão de uma tourada, por altura das festas de Agosto. Não se percebe - até porque as televisões andam ávidas de eventos e parodias que lhes ocupem as muitas horas de emissão.

É um 2 em 1: desvalorizam as touradas - ao assumirem que não têm valor e gastam dinheiro, sem qualquer retorno, necessário para suprir carências básicas.  

13 de maio de 2015

Bullying estudantil e praxis académica

Recentemente, assistimos à divulgação de um vídeo mostrando alguns estudantes a agredir um colega, para escândalo da hipocrisia de graúdos, que também já o fizeram, e de miúdos, que também o fazem. Recuando mais um pouco no tempo, assistimos anteriormente à novela televisiva da investigação das responsabilidades na morte dos estudantes da Praia do Meco, em resultado da brincadeira e da estupidez da adesão a praxis estudantis.
No primeiro caso, é patente a presença de uns marmanjos, feitos líderes, a incentivarem as suas fêmeas a agredirem o macho mais fraco, chegando mesmo a manietá-lo para que este não se possa defender. No segundo caso, um estudante cábula e repetente, intitulado “dux”, liderou alguns estudantes, nomeadamente fêmeas, conduzindo-os à Praia do Meco onde perderam a vida.
Não se surpreendam os graúdos que compram fatos de andorinha para os seus “meninos” se inserirem na “sociedade” académica e na cultura da festa inconsciente, para participarem nas atividades das praxis académicas e apanharem quilómetros de bebedeiras e produzirem toneladas e lixo…

Entretanto, miúdos e graúdos continuam a disputa territorial e o jogo de sedução muito vistos nos documentários televisivos sobre vida animal, como por exemplo nos filmados no “Parque Nacional do Serengeti”.

A 13 de Maio, na cova da Pombalaria

Maio é um mês que me irrita um bocado.
Desde logo, por causa das aparições. Refiro-me, claro, às aparições dessa aberração rodoviária que são os "carros de apoios a peregrinos". Juntemos a essa irritante realidade o facto de suprimirem todas as segundas faixas na estrada (IC2) entre Coimbra e Leiria, e... vamos completar o quadro com a colagem dos políticos ao fenómeno religioso, que é talvez ainda mais obscena do que aquela que fazem ao futebol.
O Pombal Jornal dá a boa-nova, em noticia assinada pela menina JESUS (o que reforça a santidade da acção municipal), e de forma não muito diferente da que é feita pela site do Município. Há plágio de um dos dois, ou há uma "acção concertada" entre órgãos que se querem (e são, não duvido) amigos? Ou o "gabinete da propaganda" foi aumentado mais uma vez, e nós não sabíamos? Ou então, poderá também ser uma substituição, mas para isso, teria algum dos actuais membros de tão activo órgão que se demitir, o que não parece uma coisa normal.

O estado é laico, mas o município, aparentemente, não é. Nem os seus seguidores.
Amén.

12 de maio de 2015

Se eu não me ajudar…

Não sei se é da crise ou da evolução normal da praxis: o certo é que o lema “se nós não ajudarmos os nossos…”, assumido publicamente pelo PSD para justificar as múltiplas arbitrariedades, evoluiu para “se eu não me ajudar…”.
O presidente da junta do Louriçal reconheceu, em plena assembleia de freguesia, que a junta compra produtos à sua empresa. Está explicado o seu deslumbramento com a terra de oportunidades em que Pombal se transformou!

11 de maio de 2015

É tudo uma questão de fé

A comovente divulgação do apoio aos peregrinos por terras de Pombal, por parte do município - republicano e laico (?!) -  mostrou ao país e ao mundo que não há terra como esta.
Desta vez, superámo-nos no sacrifício pelos outros, deixando aos nossos atletas uma sala para se equiparem, pois que os balneários estavam TODOS destinados aos peregrinos.

9 de maio de 2015

Rapaziada, quer se possa ou se não possa...


A convocatória merece ser emoldurada.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha e mal se lê, no jornal.
A convocatória merece, ainda, ser emoldurada porque...não se via nenhuma destas desde há uns dois anos!
A convocatória é uma boa convocatória. O clube é um bom clube. E os candidatos também. 
Era um Lopes para o Sporting de Pombal, sff.

7 de maio de 2015

Ao jeito de Frei Tomás

Custa-me, acreditem, repisar estes temas (o seu denominador comum): Conselho Geral de Agrupamento de Escolas de Pombal e a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Mas a realidade é de tal forma abusadora que até deixar de ver faz doer os olhos.  E, como dizia Pessoa, tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. E, nestes casos, é preciso ter contra-alma bastante para não chorar e grande desvergonha para calar.
O Agrupamento de Escolas de Pombal não tem Conselho Geral, vai para ano e meio. Não tem porque o presidente da câmara, fazendo-se passar por paladino da legalidade, aponta potenciais irregularidade na eleição dos representantes dos pais, e, apoiando-se nisso, recusa-se a tomar posse e não consente que tomem posse os membros designados pela autarquia, o que acarreta transtornos e prejuízos para a comunidade educativa.
Há cerca de um mês, foram (re)eleitos os (velhos) dirigentes da Associação de Bombeiros Voluntários de Pombal, mantendo-se o presidente da câmara como vice-presidente. O processo eleitoral foi um chorrilho de ilegalidades, que atingiu o caricato com uma eleita a ter que emitir um comunicado para se demarcar do processo e mostrar a sua estupefacção por constar da lista única apesar de não ter sido convidada e não ser associada. Apesar desta (e não só) ilegalidade que roça o burlesco, os dirigentes eleitos tomaram posse e, depois de o caso ter sido tornado público, não se demitiram – o que não surpreende - e o presidente da câmara – o tal paladino da legalidade – continua sereno e inamovível, atestando, dessa forma, a conformidade do processo.

Bem prega Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que eu faço! Até quando…

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

Perigo nas estradas dos peregrinos

As vias rodoviárias que ligam o norte e o centro de Portugal a Fátima, em grande parte dos seus percursos, constituem um risco para a vida dos peregrinos, como o demonstram as recentes mortes por atropelamento nos concelhos de Pombal e de Condeixa.
A Igreja Católica, os sucessivos Governos e os Municípios por onde transitam os peregrinos poderiam construir um caminho rústico interdito a veículos motorizados, para proteção dos peregrinos, à semelhança da maior parte dos troços dos caminhos de Santiago.
A omissão de iniciativas da Igreja Católica, principal responsável moral pela proteção dos peregrinos, parece revelar apenas preocupação com os resultados económicos das peregrinações a Fátima, de que é sempre a principal beneficiária. Também os autarcas dos municípios atravessados pelos peregrinos, aqueles que se fingem muito religiosos e que atribuem gordos subsídios à Igreja Católica, para construção ou remodelação de adros de capelas, ou às associações, para “atividades” sem utilidade, parecem não valer os cargos que exercem…

O Município de Pombal começa a falar numa solução. Veremos se a mesma implica os habituais “remendos” na adaptação de vias rodoviárias ou a definição dos “caminhos de Fátima” materializados em novos trajetos interditos a veículos motorizados.

6 de maio de 2015

Louriçal: quem quer festa sua-lhe a testa...


Estão a concorrer com o Bodo as grandiosas festas do Louriçal. O cartaz - que foi publicamente conhecido e promovido muito antes da festa da cidade - é tão ou mais arrojado que o do ano passado. A única chatice é que o do passado saiu caro à Junta de Freguesia local. Soube-se agora, em pública reunião da assembleia de freguesia, que o prejuízo ultrapassou os 30 mil euros, qualquer coisa como cinco vezes mais do que o previsto. Se o orçamento daquela que é a maior Junta do concelho (jóia da coroa para o PSD nas últimas eleições) anda nos 640 mil euros...é fazer as contas, como dizia o outro.
Para evitar males maiores, este ano a autarquia mudou de plano: vai atribuir um subsídio de 16 mil euros à nova Comissão de Festas do Louriçal (não havia uma desde os tempos da chamada festa do Seco...), presidida pelo benemérito António Calvete. 
Entretanto, somam e seguem os Serões Culturais pelas colectividades da freguesia. Honra seja feita a José Manuel Marques, o primeiro presidente de um executivo social-democrata a promover a iniciativa que, até agora, era um exclusivo dos socialistas. E mérito, já agora, pois que nunca a Câmara contribuira com um tostão para o evento, e desta vez chegaram aos cofres da Junta 4.500 euros...

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5 de maio de 2015

Um vício típico de endinheirado

A maioria das câmaras municipais tem ideias e projetos, mas falta-lhes dinheiro. A CMP tem dinheiro a mais, mas faltam-lhe ideias. Vai daí: sentido o incómodo do dinheiro parado e da falta obras, lança-se a fazer o que não deve e/ou o que não lhe pedem.
Os exemplos do desvario abundam. O mais risível é o desembolso de 236 mil Euros para a recuperação das fachadas do Hospital de Pombal – edifício que não administra nem lhe pertence. Então, porquê substituir/subsidiar o Centro Hospitalar de Leiria-Pombal – instituição com uma situação económico-financeira desafogada?  

Embelezar mulher alheia é um vício típico de endinheirado.

Boa ou Má Gestão

Boa gestão é aquela que fornece (muito) valor às partes interessadas, que capta bem o que agrega valor e utiliza bem os recursos disponíveis para o atingir. Má gestão é aquela que não fornece valor às partes interessadas porque avalia mal as suas necessidades ou utiliza mal os recursos.
A CMP terminou 2014 com um excedente de 7,8 milhões de Euros. Isto é bom ou mau? Revela Boa ou Má Gestão? Antes de responder a estas questões convém introduzir alguns considerandos que diferenciam a gestão pública da gestão privada: (i) a gestão pública, ao contrário da privada, não visa o lucro; (II) a gestão pública transfere valor essencialmente para os utentes ou cidadãos em geral – nomeadamente nas câmaras, porque lhes está vedada a possibilidade de transferir valor para accionistas (não existem) ou colaboradores. 

Uma câmara que termina o ano com um excedente de 7,8 milhões de Euros é uma câmara que sacou aos seus cidadãos mais do que necessitava ou que não tem ideias onde deve investir os recursos disponíveis com valor para os cidadãos. É, no fundo, uma câmara mal gerida. 

3 de maio de 2015

As caminhadas e os trails dos políticos

As caminhadas, os “trails” e os percursos de btt estão a deixar de ser apenas atividades físicas, desportivas e lúdicas para se transformarem também em modas aproveitadas pelos políticos para ser mostrarem e obterem receitas para agradar a algumas associações.
A Câmara Municipal organizou há uma semana uma caminhada e um trail, cobrando uma pequena quantia monetária aos participantes e utilizando (sem custos) os trilhos, desde há muito abertos por alguns praticantes de btt, que sinalizou com fitas plásticas presas à vegetação ou, nalguns pontos, seguras debaixo de pedras colocadas nos estradões.
Enquanto atribui subsídios a diversas associações, alegadamente para construção de infraestruturas e para os seus membros praticarem desporto, a mesma Câmara cobra pela participação nalgumas outras atividades desportivas para a algumas associações. O objetivo parece ser sempre a obtenção de “receitas” para agradar às associações e não o fomento da prática de atividades salutares e do desporto para todos.

Entretanto, passada uma semana sobre a realização da “caminhada” e do “trail”, ainda não foram retiradas as fitas plásticas sinalizadoras dos percursos colocadas na vegetação e nos estradões nem as pedras colocadas/obstáculos colocadas nos estradões. Bem, apenas retiraram uma pequena parte das fitas junto à cidade… 

30 de abril de 2015

Juntar uns trocos

Depois da sessão de ontem da Assembleia de Freguesia de Pombal, deixei de acreditar nos regulamentos. Erro meu, má fortuna, tempo descrente...este em que as instituições da terra (supostamente laicas) estão rendidas ao trimestre que o Bispo aqui passou - e que teve de tudo, desde a benção das máquinas (tenho especial carinho pela roçadoira de Pombal) até às coreografias que as senhoras professoras ensaiaram com os meninos, num total desrespeito pela liberdade religiosa de cada família. Foram três meses apoteóticos para a comunidade. D. Virgílio é simpático, um líder cativante, e no dizer de uma beata cá da terra "um pedaço de mau caminho" - expressão do léxico feminino para descrever os homens bem apessoados. 
Mas essa é conversa para outro post. Este serve para beatificar os 2.500 euros que a Junta de Pombal atribuiu à Fábrica da Igreja Paroquial. Para suportar as obras mais recentes da Igreja - respondeu-me ontem o senhor presidente da junta, à dúvida levantada. 
Qualquer executivo de uma Junta é soberano para distribuir o dinheiro dos cofres (cheios, como felizmente estão os nossos). O único senão é que existe um regulamento, desde 2005, que estipula um tecto máximo de mil euros para apoio a associações e festas religiosas. E foi esse que suportou (!) a decisão autárquica.
Posto isto, não sei que diga aos dirigentes associativos que se desunham por apoios (às vezes logísticos, como a cedência de transporte). O melhor é irem à missa, todos os dias e com devoção. E uma vez praticantes, que integrem o Coro Municipal Marquês de Pombal, pronto para viajar até à Checoslováquia, e levar longe o nome de Pombal - com o apoio de 750 euros, que a Junta deu para a viagem, mesmo sem se tratar de uma associação e ser, como o nome indica... municipal.

Avenç(o)ados



27 de abril de 2015

A dança da cadeira

Uma das novidades introduzidas na gestão autárquica por Diogo Mateus foi a peregrina ideia da vice-presidência rotativa. De seis em seis meses, um dos vereadores a tempo inteiro assume o cargo de vice-presidente da autarquia, sabe-se lá com que finalidade. Esta decisão tem dois defeitos e, que eu saiba, nenhuma virtude: desprestigia o cargo e promove a incompetência. É o princípio de Peter no seu melhor, desta vez aplicado à vereadora Catarina Silva.

De acordo com o que aqui leio, o cargo de vice-presidente não é meramente decorativo. A ele cabe, para além das funções que lhe foram confiadas no âmbito da distribuição de pelouros: substituir o Presidente da Câmara nas suas faltas e impedimentos; representar o Presidente da Câmara em matérias administrativas e financeiras; assegurar as relações com a Assembleia Municipal; efetivar o trabalho de preparação política; realizar a coordenação geral da vereação no que às políticas implementadas diz respeito; monitorizar a execução do Plano de Ação Eleitoral sufragado; promover novas abordagens aos processos e incentivar a sua implementação nos serviços; proceder ao acompanhamento da Estratégia 2020.

E se todos reconhecem competência a certos dos vereadores da maioria, porque raio de carga de água o senhor presidente da câmara, ciclicamente, a quer desperdiçar?

O estritamente necessário para deixar pendente um sinal


Obrigado a todos os que fizeram do nosso 25 de Abril uma festa de aniversário do Farpas Pombalinas, um debate vivo e acutilante. Estamos cá para farpear. E para o que der e vier!

25 de abril de 2015

E depois de Abril

Muita coisa mudou nas nossas vidas desde aquela madrugada de 25 de Abril de 2008, quando eu, o Adelino Malho, o Adérito Araújo, o João Alvim e o Daniel Bento Alves mergulhámos nos teclados e nesta aventura de criar um blogue em Pombal, que se assumisse sem medos como um projecto de intervenção cívica e política [não partidário]. Na verdade, eu ganhava-lhes a todos: trazia comigo a Leonor, há sete meses, que haveria de nascer um mês depois, prematuramente aos olhos da ciência. De modo que, quando me perguntam do que me lembro nessa noite – em que trocámos talvez centenas de mails, entre nós, até acertarmos com aquela meia dúzia de linhas que fizeram o primeiro post – a memória traz-me algumas dores nas costas, largas o bastante para o que viria a seguir.
Era outro o Pombal desse tempo, como era outro o país. 
Não sonhávamos com redes sociais, com likes nem partilhas, mas sonhávamos todos com uma terra melhor. Sempre acreditei que a nossa terra é aquela onde vivemos, embora fiquemos para sempre ligados àquela onde nascemos. E por isso fui andando, às vezes por caminhos tortuosos, com a única certeza de o fazer de pé. A falta de predisposição para esfolar os joelhos traz dissabores, nos meios pequenos, mas dá-nos uma imensa  liberdade. E uma certeza: quando não temos nada a perder, e sobretudo quando não temos valores físicos para deixar aos nossos filhos, resta-nos a dignidade. É difícil falar dela e passar esta mensagem a quem só conhece o outro modus vivendi, aquele do registo bem comportado e futuro prometido, mais a pacandita nas costas (agora também existe em forma de like) e unidade colectiva. Às vezes penso que se não tivesse tido a sorte de viver e trabalhar com outra gente (mesmo sabendo que a sorte dá muito trabalho), nunca saberia que há mais vida para lá do Cardal, da declaração do presidente e de reacção oficial. Da mesma maneira, talvez me parecesse normal que a maioria dos jornalistas se anulasse no pé do microfone, esquecendo que são, antes de mais, cidadãos. E que numa sociedade saudável isso nunca coloca em causa o profissionalismo de cada um. Desgosta-me muito o estado a que isto chegou, mas não basta lamber as feridas. É preciso ter coragem de as tratar.
É nesse quadro que o Farpas se assume como um bálsamo, antídoto para caciques e formigas no carreiro.
Muita coisa mudou. Do núcleo fundador faltam-nos o Daniel e o Alvim, migrados para outras paragens. Vieram novos farpeiros, outros vieram e foram, abrimos as portas, desarrumámos a casa -  que fica à esquerda, como sabem. O Farpas foi entrando na vida da comunidade, de Abiul ao Carriço, do Louriçal às Meirinhas. Quando olho para nós, hoje, vejo-nos a abrir a janela e a sacudir o tapete, onde os poderes e interesses instalados guardam as migalhas e a poeira. A “farpearia” – como lhe chamam os meus – é um blogue. O que será depois de hoje, só saberemos logo à noite.
Valeu a pena a travessia? Valeu pois!
Pombal, 25 de Abril de 2015

Sete anos de Farpas


Por feliz coincidência, o Farpas nasceu no dia em que se comemora a liberdade. E tem sido sob o signo da liberdade que, desde 2008, cultivamos neste espaço o exercício da cidadania. Desengane-se quem aqui procura isenção e independência. Sentimos que a nossa democracia, mais do que opiniões consensuais, precisa do confronto leal de ideias, do contraditório. O nosso compromisso com a liberdade é a promessa de continuarmos a ser, como sempre fomos, totalmente comprometidos e tendenciosos. 

24 de abril de 2015

Assino e recomendo

Vai correndo esta petição, pelo fim dos subsídios públicos a actividades tauromáquicas.
Sou amplamente a favor, por vários motivos.

Fica o convite para que assinem também, e a que repudiem as vergonhosas contribuições da CMP (com o silêncio patético do PS) para esta prática.

23 de abril de 2015

A quem incomoda a política?


A Câmara Municipal de Pombal, alegando querer tornar as cerimónias de comemoração do 41º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974 "mais abertas à população, levando a outro tipo de participação e a outros públicos”, decidiu não realizar a habitual sessão solene. Para quem tomou essa decisão, ouvir os discursos das várias forças políticas com expressão no concelho de Pombal é uma seca, não cativa ninguém. Será a lógica do "like" do facebook a justificar estas aberrações? Das vezes em que participei na sessão (como orador ou espectador) vi sempre a sala cheia e uma plateia jovem e interessada.

Pelo que leio nos jornais, apenas o PCP se indignou com esta decisão e, em consonância, promove uma sessão política no Jardim do Cardal às 11h do dia 25. Não me surpreende. A verdade é que o PS também não me surpreende. Nunca esperei encontrar cultura política no principal partido da oposição. Já me surpreende que a JSD, que tantas vezes tenho elogiado pelo empenho político, não se tenha manifestado.

Tradicionalmente, Pombal dava palco à política na manhã do dia 25 de Abril. Este ano, provavelmente para não perder o encontro de mini-basket do Núcleo ou a arruada da Filarmónica Ilhense, os nossos vereadores eliminaram-na do programa. Que saudades do Eng. Narciso Mota!

Perigo na rua de Ansião




A ribeira do barco, junto ao passeio da rua de Ansião, na zona próximo do "2000" e do entroncamento para a rotunda do monumento aos bombeiros, está desde há muitos anos desprovida de corrimão que evite a queda de pessoas, como as fotos documentam.

Tanto cuidado a aplicar tanto dinheiro a “alindar” os adros das capelas, propriedade do Vaticano, e tanto desleixo a fazer as obras necessárias à segurança dos cidadãos.

Farpas: parar ou avançar?


São poucos os projectos políticos que se disponibilizam a discutir abertamente o seu próprio futuro. Mas é isso mesmo o que o Farpas se propõe fazer por ocasião do seu sétimo aniversário, convidando apoiantes, críticos, comentadores, leitores. Em particular, gostaria de convidar directamente alguns dos nossos históricos comentadores:

Flores Silva, roque, Eduardo Francisco Louro Marques, JA, Jorge Ferreira, Professor, João Gante, João André Coelho, Pedro Brilhante, Rodrigues Marques, Ernesto Andrade, DBOSS, Tiago Louriçal, Andreia, António Justo Domingues, caravaggio, Marlene, lopes da silva, Hugo Neves, Sérgio Gomes, F.D. Carolino, Zé da Maria, Artur Oliveira, João Paulo Forte, Maria Iluminada, Adruzilo Gambino, Sal da Nossa Pele, alegria2, Pedro S@ntos, Anónimo, Carlos Ribeiro da Silva, Nobre Povo, Filipe Eusébio, Cassandra, grilofalante1, Morcego Sicó Nidificador, Adruzilo Gambino, Sopas, Gumercindo Saraiva, Nuno Carrasqueira, Samuel da Chainça, Colonia Perfumada, kariguergous, Tarantola, Sra Cardal, Lino Cardoso, João Pimpão, Missionário, Mabeco, Pedro Moreira, papagaio, Acutilante Portugal, Sofia Dias, tinhoso, Pedro Pinto, Taedium Vitae, Sandra, José Guardado, Candelabro branco, Chico Gravateiro, João Luís Ferreira, Mário Martins, Al-Samir Zayn, Paulo Batista, Dino Freitas, Paulo Lima, Corvo Branco, pica miolos, voltaire898, Natividade Silva, e todos os outros que agora não me lembro.

O Farpas também é vosso. E se nos orgulhamos dos 1948 posts que publicámos, as 1103291 visualizações que temos devem-se muito aos vossos 17097 comentários. Apareçam!

20 de abril de 2015

OS SUBSÍDIOS, COMO A SEMENTE DE NABO, DÃO-SE À CORNADA

Podemos ler na NOTA DE IMPRENSA do GABINETE DE COMUNICAÇÃO que (e cito) "a Câmara Municipal de Pombal, reunida em sessão ordinária, aprovou por unanimidade a atribuição de apoios a Juntas de Freguesia e entidades do concelho no valor global de €53.564,74.
No âmbito dos apoios atribuídos às Juntas de Freguesia, a Câmara deliberou atribuir à Junta de Freguesia da Pelariga um apoio no valor de €12.500, que se destinará à comparticipação de trabalhos de beneficiação no Parque de Máquinas desta Junta de Freguesia, apoio concedido mediante a assinatura de um acordo de colaboração.
Também através de um acordo de colaboração, deliberou a Câmara atribuir um apoio no valor de €15.350,40 à Junta de Freguesia de Pombal, que se destinará à comparticipação de trabalhos de requalificação do Largo da Capela dos Mendes.
A Câmara deliberou atribuir também à Junta de Freguesia de Abiul um apoio de €10.000 (dez mil euros) para a comparticipação da transmissão em direto na RTP1 da Corrida de Touros de Abiul, que decorrerá no dia 14 de agosto.
À Junta de Freguesia de Carnide a Câmara deliberou um apoio no montante de €3.500, que se destina à comparticipação do sistema de rega de apoio ao regadio já existente na localidade de Cavada, nessa Freguesia.
À União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca deliberou a Câmara atribuir um apoio de €2.640,93 para a realização das obras de reparação no Parque de Vale da Sobreira, na Mata Mourisca; no Parque de Lazer da Ilha e para a reparação de semáforos na Guia. A Câmara também votou favoravelmente apoiar a Junta de Freguesia do Louriçal em €4.500, que se destinam a comparticipar nas despesas decorrentes da organização dos “Serões Culturais”, que têm vindo a ser desenvolvidos
pela Junta de Freguesia em todo o seu território."

Outros valores merecem a minha discordância (que não vale muito mais do que isso mesmo, uma discordância pessoal face aos méritos e justezas dos valores em causa), mas os 10.000 € pagos para comparticipar a transmissão em directo de uma corrida de touros, acho um insulto.
E não consigo entender a mansidão da oposição, que quando toca a populismos baratuchos, não mostra ser alternativa ou ter energia para fazer coisa diferente. Estamos mal.

18 de abril de 2015

Obras do Mercado e do Centro de Saúde em risco de continuação

Alpeso – Construções S.A., a empresa adjudicatária das empreitadas das obras de remodelação do mercado de Pombal, da ampliação do Centro e Saúde de Pombal e da construção do Centro Escolar da Mata Mourisca, requereu em 07-04-2015, para surpresa da Câmara Municipal, um Processo Especial de Revitalização (1019/15.2T8STR), depois de ter recebido mais uma “tranche” mensal do valor das empreitadas. Significa isto que a empresa está em dificuldades económicas e que vai necessitar de perdão de dívidas, para poder continuar a laborar, ou que vai seguir para a insolvência.

As obras, pelo menos do mercado municipal, já foram suspensas o que, a persistir, poderá implicar o lançamento de novos concursos públicos. Os custos monetários e sociais, decorrentes da paralisação ou arrastamento das obras e do lançamento de novos concursos, são as consequências visíveis da adjudicação de empreitadas a empresas em dificuldades económicas.

Jantar/Debate


No dia em que o blogue cumpre 7 anos de vida, de intervenção cívica e política, os da casa convidam à reflexão sobre o futuro. 
A blofosfera foi uma moda ou é uma necessidade? 
O Farpas é um projecto esgotado - pelas circunstâncias e pelo tipo de intervenção realizada - ou com potencial para gerar mudanças na comunidade? 
Farpas: parar ou avançar?
Venham daí os comentadores, os críticos e os leitores! Inscrições para o jantar (14 € por pessoa) através do e-mail farpaspombalinas@gmail.com

10 de abril de 2015

As Associações de Carolino, Narciso e Diogo

Armindo Carolino foi Presidente da Mesa da Assembleia das várias Associações locais de maior destaque. Algumas recusas, a excessivas exigências de subsídios e de outros bens efetuadas pelos diretores das várias associações ao Presidente da Câmara, acarretaram desagrado e desgaste político.
Narciso Mota manteve-se fora dos órgãos sociais das diversas associações. O Presidente da Câmara apenas comparecia nas festas das associações, munido de um cheque de subsídio e de várias promessas, para recolher a gratidão e o apoio político dos associados.
Diogo Mateus, parece ter retomado a prática do “Presidente da Câmara” integrar os órgãos sociais das associações de maior destaque local, quer diretamente quer “encoberto” por um “cabeça de lista”. Não tendo querido “aprender” com Narciso Mota, começa a ficar chamuscado pelo calor dos conflitos associativos em que teimosamente gosta de se enredar. Não se percebe…

8 de abril de 2015

Eleita desconhece ser candidata

O que aconteceu nas recentes eleições para os órgãos sociais da Associação de Bombeiros, onde uma eleita na lista para a direção não era sócia e desconhecia ser candidata, é um exemplo do que se passa em muitas associações e é a confirmação do que aqui temos vindo a falar sobre o funcionamento da generalidade das Associações.
A transigência com todo o tipo de irregularidades, em nome dos interesses e do bem das Associações, é uma prática seguida por sócios e outras pessoas com cargos ou destaque públicos que revela o baixo nível ético e cívico dos que cirandam os penachos.

No final, sem pudor, não assumem as responsabilidades; não sabem ser consequentes…

31 de março de 2015

Nova Velha Direção dos Bombeiros

Os votos dos sócios na eleição da direção revelaram a tensão e instabilidade que existe na Associação: 38 a favor da lista única encabeçada por Rodrigues Marques, 37 votos em branco e 28 votos nulos. O seja, teremos de entender que apenas 38 sócios deram o seu apoio à lista única e que 65 manifestaram a sua rejeição e que o resultado ainda seria pior para aquela lista, caso a convocatória fosse levada ao conhecimento de todos os associados.

Tendo em conta que a nova direção está enfraquecida pela falta legitimidade e de estabilidade associativas resultantes do ato eleitoral e do clima de tensão existente e que, no exercício do seu mandato, não terá as condições necessárias para tomar as medidas mais adequadas e necessárias, teremos de nos interrogar sobre os motivos e os interesses que levaram os respetivos membros ou o seu cabeça de lista a apresentar a candidatura.

28 de março de 2015

Eleição nos Bombeiros

Realizou-se ontem a eleição para Direcção dos Bombeiros, tendo concorrido uma única lista constituída, essencialmente, pelos membros da anterior Direcção. 
Resultados: 38 votos a favor; 37 votos em branco e 28 votos nulos.
Grande resultado. 
Sem mais palavras.

27 de março de 2015

Todos diferentes, todos iguais


Acho isto muito bem.
Não acho nada bem (nem percebo como se conjugam estas duas realidades) é que pessoas se queixem que na EB1 de Pombal, as crianças de etnia cigana sejam afastadas das crianças "de famílias chiques", não as incluindo nas mesmas turmas. Aparentemente, e a serem verdadeiras as ditas acusações, há uma espécie de "lista VIP" na EB1.
Sendo a escola da tutela da CMP, esta aprovou ou incentivou tal medida? Confirma-a? Desmente-a inequivocamente?
Aguardemos...

25 de março de 2015

Pombal aquém fronteiras

Ficámos todos muito contentes com a informação que a CMP divulgou há uma semana atrás, que diz o seguinte: acontece que ontem, dia 24, já o "reforçado" gabinete de comunicação divulgava o seguinte (embora não gozando dos mesmos privilégios de destaque no site da CMP):

Desenvolvimento Económico
Município de Pombal marca presença na Feira de Nanterre - Paris

O Município de Pombal, em conjunto com a Adilpom, estará presente na XII mostra de produtos tradicionais portugueses  e da ruralidade, que terá lugar em Nanterre - Paris, de 27 a 29 de Março de 2015.

É a primeira vez que o Município de Pombal se fará representar nesta feira, dando a conhecer não só os produtos tradicionais de Pombal, como também aquilo que o Concelho tem para oferecer no âmbito do seu património, recursos e belezas naturais.

Com a presença neste evento, o Município, reforça os laços com os Pombalenses que vivem em França, e na região de Paris em particular, assumindo-se como agente catalisador na promoção dos produtos de Pombal além fronteiras e contribuindo para cimentar as pontes empresarias e de negócios  entre os dois mercados.

As relações de geminação existentes, o protocolo recentemente assinado pelo Município de Pombal  com a CCIFP (Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa) e a presença nesta feira, são alguns dos passos que contribuirão para um reforço de Pombal, também numa perspetiva de internacionalização, nunca esquecendo, os nossos compatriotas emigrados, a quem devemos uma contínua proximidade.

Acontece que ontem, dia 24, já o "reforçado" gabinete de comunicação divulgava o seguinte (embora não gozando dos mesmos privilégios de destaque no site da CMP): 

MUNICIPIO DE POMBAL 
GABINETE DE COMUNICAÇÃO
NOTA DE IMPRENSA

Feira de Produtos Regionais Portugueses e da Ruralidade em Nanterre – Paris

Dado não existir capacidade logística da Adilpom, fica adiada a participação na Feira de Produtos Regionais Portugueses e da Ruralidade em Nanterre – Paris.

Reiterando a firme e continuada intenção de promover Pombal, aquém e além-fronteiras, o Município de Pombal estará presente nos eventos que pela sua dimensão se adequem à política de promoção turística, cultural e económica do Concelho de Pombal.

Pombal, 24 de março de 2015


Fico desconcertado com a "falta de capacidade logística da Adilpom", para cumprir com um evento cuja importância havia sido sublinhada com tanta eloquência uma semana antes.
E noto que nestes, como em outros aspectos, quando é para o bem, a organização é da CMP. Quando a coisa falha, é de outros (neste caso, da ADILPOM). Que, vai-se a ver, e é tudo o mesmo...

Marques candidato aos Bombeiros

Rodrigues Marques já assumiu a candidatura. Já estabeleceu contactos com o PS para indicar alguém para integrar a lista candidata à Direção dos Bombeiros de Pombal, a qual se irá manter quase igual, apesar da falta de apoio do corpo ativo dos bombeiros e apesar do comandante demissionário não aceitar ser reconduzido.
Entretanto, o PS local continua em silêncio e sem soluções, à semelhança do seu líder nacional. Da mesma forma, o Presidente da Câmara Municipal também nada diz, apesar de ser o responsável máximo da proteção civil local, de que o corpo de bombeiros é o principal instrumento.

Assim, não é transmitida confiança pública à população sobre a organização e funcionamento da proteção civil e dos bombeiros.

23 de março de 2015

Idade das trevas


Por incrível que pareça, o que se vê acima é uma fotografia. Foi tirada ontem, às 22 horas, numa das ruas principais da aldeia onde moro. A iluminação pública, como tem sido hábito, ligou só após este horário, e depois de 3 horas de "trevas". É só por lá, ou é uma generalidade nas aldeias do concelho?
Eu também sou favorável à poupança, mas isto é claramente um exagero.

21 de março de 2015

As delícias da nomeação

Meus caros amigos, atentem nesta noticia, que é um mero exemplo de uma triste realidade portuguesa:

António Brigas Afonso assume liderança do Fisco na quarta-feira

Esta noticia é de 15 de Julho de 2014. É uma nomeação politica, como tantas outras. Temos destas coisas todos os dias, e a todos os níveis da administração pública, seja ela central ou local.
Muito poderia ser dito sobre as nomeações. São justificadas, pelos seus defensores, por serem para o desempenho de "cargos de confiança politica". Outras nomeações formalmente diferentes mas iguais na sua essência, são aqueles "contratos de prestação de serviços" que tanto se assinam por esses (estes?) municípios fora.
Ora, mesmo dando de barato que tal processo, só por si, não é criticável (já que essa discussão daria para um rio de argumentos), o que me parece indesmentível é que ele, uma vez iniciado, deve ser levado até ao fim. E como tal, deve produzir consequências quando as coisas correm mal.
Para tentar ser mais concreto, vou exemplificar, usando o caso acima identificado: a ministra nomeia este sr. António Brigas Afonso (este e nenhum outro... tinha que ser ESTE), ao invés de levar a que o cargo entre numa natural progressão de carreira, porque o cargo exige CONFIANÇA POLITICA!
Muito bem. Senhora Ministra, mas tem que ser mesmo este cavalheiro? "Sim, este e só este... este é que é o special one, aquele em quem eu confio, do ponto de vista técnico, pessoal, politico...".
Ora, acontece que as coisas por vezes não correm bem. O homem fez asneira, e o governo limita-se a dizer que "ele fez muito bem em demitir-se" e a fazer uma cara de virgem ofendida.
Fica mal, meus amigos. Fica muito mal, até porque há menos de um ano, este mesmo governo nos obrigou a pagar o ordenado a este senhor porque "este é que é o tipo que tem a minha confiança".
No mínimo, é preciso assumir o erro da escolha. Mas bom mesmo era que o aval que lhe deram para o contratar, fosse efectivamente cobrado agora, que se viu o erro. Só assim se tinha (a meu ver) legitimidade para se continuar a nomear pessoas. É que isto de cometer erros com o dinheiro dos outros, é muito bonito, e particularmente fácil.
O exemplo dado foi para pegar num caso actual, que todos reconhecem. Mas isso também se passa por cá, a nível municipal. Vamos começar a apontar os casos?

20 de março de 2015

Pasquins

Pasquim é um jornaleco que despreza a verdade, a lei, a ética jornalística e os leitores - um panfleto que difama para sobreviver. Abundam na chamada imprensa regional. Escrevinham “notícias” como quem faz chouriças, mas desconhecem os cuidados que as chouriças exigem para não se escaparem das mãos.
Há pasquins assumidos e não assumidos. Os assumidos são raros, têm propósitos claros e não enganam ninguém. Durante anos comprei um (destes). Os não assumidos, os que o são mas não lhe vestem a roupa, os que sendo-o, se fazem passar pelo que não são, são desprezíveis. Nos pasquins não assumidos distinguem-se ainda os inconscientemente não assumidos e os conscientemente não assumidos. Os inconscientemente não assumidos são, apesar de tudo, toleráveis, porque fazem o que não sabem e não sabem o que fazem. O mal vem dos pasquins conscientemente não assumidos, os que se fazem passar por órgãos de informação mas não respeitam as leis e as regras deontológicas destes, preferindo antes, por desígnio próprio, comportar-se como reles pasquins. Servem-se dos leitores para servir as suas clientelas e assim saciarem as necessidades básicas. Praticam uma das mais abjetas misérias humanas. E fazem-no com vaidade. A situação torna-se mais grave quando são alimentados por entidades oficiais com dados, factos e decisões redondamente falsos. É um serviço porco, feito por quem não repugna a própria porcaria, e tem, até, uma atração natural por ela.

Pombal, uma terra especial

Pombal deve ter um micro-clima que propicia os disparates.
Por um lado, refere que o país tem os cofres cheios (ah valente! Eu gosto de ver a malta assim, com peito!), e não contente, sugere aos jovens que se multipliquem.
Apesar de ficar agradado com o incentivo ao coito (haja alegria!), este tom bíblico (lembrou-me de imediato o "Crescei e multiplicai-vos") é completamente desajustado vindo de um membro do governo que assistiu ao maior fluxo de emigração das últimas décadas (e que até o sugeriu, como bem se recordam). Multipliquem-se para quê? Para depois vos pedirmos que emigrem?
Recordo que a ministra veio a Pombal a convite da JSD, e que estes ajudaram a encher o espaço. Espero que não tenham sido as companhias (desculpem-me a provocação) a influenciar o discurso disparatado da ministra.

18 de março de 2015

O homem da propaganda

O mi(ni)stério da propaganda da CMP está com uma densidade populacional ao nível do Bangladesh.
O nome não é bem esse, em Pombal a coisa travestiu-se de "Gabinete de Apoio à Presidência". É um GAP (acrónimo feliz, e que poderia suscitar uma torrente de trocadilhos)!
A noticia aparece melhor explicada aqui, e revela aos mais distraídos os restantes nomes a que se junta este profissional com passado na propaganda (embora médica - talvez o executivo esteja convalescente), e passado e presente ainda mais determinante para a função, enquanto filiado no PSD, dirigente concelhio do PSD e membro da AM. Ficamos então com a seguinte equipa de "apoiantes do presidente" para estas coisas das notícias: Jorge Gaspar Cordeiro, Anselmo Câmara, João Pimpão e Andreia Marques. Quatro elementos! Isto numa terrinha em que a comunicação social é "do regime" ou não existe, e é menos competente do que aqueles que a estão a filtrar para o presidente. O exagero é flagrante. Ou a contratação talvez se deva a insatisfação face ao trabalho desenvolvido pelo actual equipa.
Há aqui três aspectos que julgo merecerem atento olhar, e que me preocupam:
1 - Sendo pessoas pagas com o dinheiro dos impostos de todos nós, quero (queremos?) que sejam produtivos. Estão definidas hierarquias? Para além da hierarquia natural nos paços do concelho (em que qualquer funcionário ou eleito é subalterno do presidente), há um "chefe" de tão vasta equipa?
2 - Qual a razão para tanta preocupação com a imprensa? Essa preocupação geralmente tem intuitos "controleiros" e é própria de outros tipos de regimes que não aquele que elegeu este executivo.
3 - O Anselmo Câmara é filiado no PSD? Se não for, é o único nestas condições, em tão requintada equipa. Será essa a razão para ter sido o sacrificado na sua avença?

17 de março de 2015

Pombal 2020


E se a visita de Maria Luís Albuquerque se compreende e se saúda, a iniciativa levada a cabo pelo PSD no Louriçal no passado Sábado, apesar de louvável, tem aspectos difíceis de entender. 

Primeiro a parte boa. A Europa 2020 é a estratégia de crescimento da UE para a próxima década. Portugal não pode, de maneira nenhuma, passar ao lado dessa estratégia e, como tal definiu um acordo de parceria com a Comissão Europeia que designou por Portugal 2020. Dar a conhecer o Portugal 2020 - e em particular o Programa Operacional Centro 2020 - às nossas empresas e instituições é uma iniciativa louvável, uma vez que as oportunidade de financiamento são muitas. Além do mais, existe uma vontade política na Europa de financiar os "países com baixo desempenho", lote em que Portugal se encontra juntamente com o Luxemburgo e todos aqueles que aderiram à UE depois de 2004. 

Agora, o que já não se percebe é porque é que o Governo delega a promoção e divulgação deste importantíssimo programa no PSD. Será que quer capitalizar ganhos político-partidários de uma iniciativa que, claramente, não lhe pertence? A estratégia Europa 2020 que enquadra todos estas programas regionais não pode ser partidarizada! O dinheiro que vai ser distribuído - e é muito - é de todos os contribuintes europeus e, por isso, o mínimo que se exige é que sejam as instituições que nos representam que nos informem destes programas.

Parece que também foi constituído um projecto Pombal 2020 (que tem uma página web), coordenado por David Mota (investigador). Não conheço a pessoa em causa - apesar do apelido me ser familiar - e, sinceramente, não sei quem o nomeou. O que sei é que se um dos objectivos do projecto Pombal 2020 for o de ajudar as empresas e instituições a compreender e a aceder à informação do programa Centro 2020, exige-se que ele deixe de estar sob a alçada de uma força partidária e que seja assumido pela Câmara Municipal.

Maria Luís Albuquerque em Pombal


A convite da JSD distrital de Leiria, a Ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, desloca-se amanhã a Pombal a fim de debater "sobre os mais variados temas da agenda política nacional". Citando Cavaco Silva: já "cheira a pré-campanha eleitoral".

Maria Luís Albuquerque é um peso-pesado da política nacional e, mesmo sendo previsível o conteúdo da sua intervenção, o debate que irá decorrer amanhã, pelas 21h, no Teatro-Cine é, à nossa escala, um grande acontecimento político. Mas mais do que isso: o facto da Ministra ter aceite vir a Pombal debater com os nossos jovens é bem revelador do crescente protagonismo que a JSD de Pombal tem vindo a assumir no contexto nacional. Temos homens!

16 de março de 2015

Transparências

No dia 16 de Março de 2015, o Portal do Município de Pombal, fazendo justiça à transparência que apregoa, tinha disponíveis para consulta on-line:
- ZERO actas de reunião de câmara, de 2015 (a última disponível é de 05/11/2014);
A publicação on-line das respectivas actas foi uma excelente iniciativa da CMP. Mas era bom que fossem disponibilizadas atempadamente, ou passam a ter apenas uma importância histórica, e não uma "transparência efectiva" - a publicidade dos actos deve ser feita quando os assuntos são actuais, e não quando já ninguém se lembra deles.
Fica a recomendação...

Armadilhas e protagonismo

O Cristo desta sociedade pombalense já não suporta a agonia. Generoso e sedento de protagonismo, foi cedendo permanentemente aos desafios das armadilhas de políticos frios, calculistas, manipuladores e cruéis. Os Cristos desbarataram dinheiro, tempo e vida ao serviço de outros e da sua vaidade. Generosos e imprudentes, assumiram avales e outras garantias bancárias em empréstimos de centenas de milhares de euros para várias associações que dirigiram ao longo da sua vida.

Os excessos das gestões e a voracidade das leis fiscais que levaram à ruina económica de empresas e da sociedade, também levaram ao endividamento sem retorno das associações, pelo qual os Cristos ficaram responsáveis. Desesperados por não verem a solidariedade dos “armadilhas” para a solução, perdem o controlo e a educação, enquanto as armadilhas aguardam silenciosos até a mina (bomba) rebentar. 

14 de março de 2015

Festival de Teatro de Pombal 2015


Começa hoje mais uma edição do Festival de Teatro de Pombal. Confesso que cada vez entendo menos qual o papel do TAP na organização. Nos últimos anos, o grupo passou de co-organizador a parceiro e isso nota-se na proposta de festival. Posso estar errado, mas parece-me que o TAP vive acomodado numa espécie de gaiola dourada.

De acordo com informação dos seus promotores, "o Festival, nos seus moldes e lógica de parcerias, vai de encontro aos permanentes propósitos do Município de trabalho conjunto e apoio cultural, no objetivo final de envolvimento das pessoas." Concordo. Mas preferia que, ao invés de ir "de encontro" o evento fosse "ao encontro" desses mesmos propósitos, que imagino os melhores.

13 de março de 2015

Trail dos Bombeiros

Depois de entrar na organização de passeios de BTT, a Associação dos Bombeiros de Pombal, com a colaboração de alguns “voluntários”, vai organizar um trail que irá decorrer no próximo dia 26 de Abril na Serra do Sicó. Os objetivos são vários, nomeadamente, a obtenção de algumas pequenas e úteis receitas e a promoção da prática desportiva na natureza e a maior interação com os associados e a população em geral.

Para além de contribuir para o turismo local, o trail terá de servir também para sensibilizar os participantes para as questões ambientais, quando eles passarem na cratera da pedreira da Serra do Sicó que se encontra em permanente e contínuo crescimento e sem recuperação ambiental. Talvez, depois, a população deixe de tolerar os atos predatórios que, com a cumplicidade de autoridades locais e nacionais, tem sido praticados contra a Serra do Sicó, contra a natureza que a todos nós pertence e que a todos nós compete defender.

11 de março de 2015

Perigo no Jardim do Vale






Caixas de esgotos com tampas corroídas e abertas podem ser uma ratoeira perigosa para pessoas e animais no Jardim do Vale da cidade de Pombal. Corrija-se o desleixo, assim se evitando acidentes e sofrimento e responsabilizações por negligência.

6 de março de 2015

Quem tem medo do Manuel António?

O Manuel António falou!
Fez a coisa como homem que é: foi à Assembleia Municipal, fez-se rodear pelos "seus", que estiveram com ele 12 anos ao serviço da população da Guia, que não o deixariam mentir, e que mostram assim que é necessário haver mérito para se guardarem estas lealdades.
Leu um documento em que faz a sua defesa da honra, e expôs-se, para que quem com tanta sobranceria o acusou, lhe pudesse fazer as perguntas que entendesse, cara a cara.
Um embate entre homens e garotos é sempre uma coisa penosa.
Virão aqui os anónimos encomendados do costume denegrir a imagem do Manuel António, de forma cobarde, sem apontar nenhum facto em concreto, sem sequer mostrarem a própria identidade.
No meu post, as minhas regras: não o permitirei!
Quanto aos contributos que queiram ser dados para esta questão, são bem vindos (quer defendam o Manuel António, quer o acusem de algo). Mas, ou que sejam feitos por pessoas identificáveis, ou sendo proferidos por "pseudónimos não identificáveis", que não se limitem a insultos.
Uma palavra final à comunicação social da terra, comprometida que está com os silêncios amuados do reino: a independência é uma aventura só ao alcance dos melhores, que custa no início, mas que produz resultados a longo prazo. A subserviência permite apenas os "encostos a recibo verde", que dão o pão com manteiga de hoje, mas que nunca trarão melhor do que outro pão com manteiga, para a semana.

Taxas Municipais de Direitos de Passagem e de Exploração de Inertes

O progresso continua: as operadoras de telecomunicações andam pela cidade a colocar fibra ótica e caixas de distribuição nos edifícios. Os utentes pagam a chamada “Taxa Municipal de Direitos de Passagem” na fatura dos serviços de telecomunicações e de tv, desconhecendo, muitos deles, que o respetivo valor reverte a favor da Câmara Municipal.
Em contrapartida, as crateras das pedreiras na Serra do Sicó vão crescendo sobre os baldios, sem controlo e sem recuperação paisagística, e a Câmara Municipal não aplica o Regulamento da Liquidação e Cobrança de Taxas pela Exploração de Inertes publicado no Diário da República, II série, nº 30, apêndice 15 de 05-02-2004

Uma atividade, que representa um serviço essencial, paga uma taxa municipal, outra, que consome os recursos naturais de todos nós e destrói a natureza, é “isentada” de taxas municipais. Estará o critério no pagamento ou não de campanhas eleitorais e na prestação de outros favores?

4 de março de 2015

EFERREÁ!

Declaração de interesses, fui anti-praxe!
Não um anti-praxe "militante", nunca me aborreci muito com o tema, só isso. Não participava, mas também não entrei em qualquer cruzada anti-capas negras.
Uma das coisas que me irritava profundamente, no contexto praxístico, era a figurinha triste feita pelos alunos do 2º ano.
O facto de andarem muito tempo a ser humilhados, a conter o seu desejo secreto de "mandar", de castigar os demais como eles próprios foram castigados, faz destes indivíduos (os do 2º ano) os mais radicais (mas também patéticos) executores de tudo o que de mau pode ter a praxe. A figura que me ocorre é a de abusos de poder praticados por uma criança mimada.
Quando estes (os humilhados de outrora) chegam ao poder, é uma tristeza!

2 de março de 2015

Lá, como cá…

A mesma praga: organizações que deveriam ser um exemplo de virtude – paz, tolerância, respeitabilidade, elevação - são pousios e alfobres de dirigentes que não respeitam, nem se dão ao respeito.

Cucurrucucu

O meu aplauso entusiasmado a este "Cucurrucucu"! É uma representação perfeita da cultura em Pombal. 
É uma grande comédia!
Eu próprio imagino (e a capacidade de estimular a imaginação é uma virtude teatral que deve ser enaltecida), nos 10 minutos por ano em que se fala de cultura nos paços do concelho, uma mesa compostinha de entendidos em cultura, a fazer um alegre "cucurrucucu", misto de dissertação filosófica e de representação desta nossa cidade dos pombos.
E os pombos não fazem apenas "cucurrucucu", como bem sabeis. Fazem outras coisas, abundantemente, que também nós (concelho), com o alto poder de representação que temos, reproduzimos "culturalmente", de executivo para executivo.
Não pode o concelho aspirar a mais, com decisores que não sabem mais.

5% do IRS para o Município de Pombal

A Câmara Municipal de Pombal não prescindiu da participação de 5% no IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal no concelho de Pombal. Poderia fazê-lo, com base no disposto no artigo 26º da Lei 73/2013 de 03 de Setembro, tal como fizeram cerca de 100 outros Municípios para, ao reduzirem a carga fiscal do seus munícipes, lhes possibilitarem maiores disponibilidades económicas e, consequentemente, maior dinamismo no comércio e maior investimento privado.
Por outro lado, enquanto o governo apela ao aumento da produtividade, ao rigor e redução de custos e à redução de funcionários públicos e reduz os feriados, por cá concedem-se subsídios para tudo e para nada, pagam-se jantares de natal para 400 pessoas com artistas em casas de festas, fazem-se “merendas” e cafezinhos com intervalos, concedem-se dispensas ao trabalho e folgas no carnaval e em dias próximos de datas festivas e contratam-se mais trabalhadores, enquanto a atividade camarária na aprovação e fiscalização de projetos de loteamentos e de obras se tornou quase inexistente ou bastante reduzida.

Para além das referidas opções políticas não terem em conta os custos económicos e sociais para os contribuintes, representam seguramente uma forma de gestão à esquerda, aparentemente comunista, e representa também falta de solidariedade para com o governo também eleito nas listas do PSD.