26 de março de 2024

Dotora Gina na corda-bamba

Já se sabia que o clima na “junta” andava agitado, entre os vereadores e o dotor Pimpão – problemas de coordenação e de excesso de felicidade. Mas recentemente soubemos - e comenta-se nos “mentideiros” locais – que o dotor Pimpão quis substituir a dotora Gina pelo seu ajudante de campo - Marco Ferreira. Para tal, preparou o terreno e as contrapartidas: tentou convencer a dotora Gina das vantagens mútuas da sua renúncia; e prometeu-lhe colocação numa empresa municipal.  

A dotora Gina, confrontada com a delicada situação e a contrapartida, mostrou abertura e ficou de dar resposta na segunda-feira seguinte. Mas, depois de pensar e se aconselhar, recusou. 

Agora estamos assim: com uma “vereadora” (que nunca o foi) materialmente demitida... Trapalhadas de “junta” - de rapaziada.





PS: Toda a espécie de comunicação social que por aqui ainda existe conhece este relevante facto político, mas não informa porque não quer incomodar o poder.

25 de março de 2024

O 25 de Abril na Ilha

 



O café Lanheiro estava à pinha: novos e velhos reunidos para ouvir "histórias do25 de Abril nas tabernas", naquela que terá sido a mais genuína iniciativa das comemorações dos 50 anos da revolução -  testemunhos de quem a viveu, sob diversas formas. Durante a tarde de domingo, esteve ali tudo:  o povo e a forma como vivia, sem paz, pão, habitação; os privilegiados da Guia (Artur Carreira e Amândio Neves assumiram-no e contaram-no com grande generosidade, desde a campanha de Humberto Delgado às lutas estudantis em Coimbra), os que não conseguiram escapar à guerra e combatiam contra a vontade, os que foram vítimas do processo de descolonização. E os que cresceram a ouvir as histórias dos pais e avós, que já nunca conheceram a ditadura mas têm consciência e valorizam as portas que abril abriu. Ao fundo, uma fotografia antiga dos homens que criaram a primeira Comissão de Melhoramentos da Ilha, essa terra especial onde o tempo fez cinza da brasa. Um mão cheia deles. 

"Estes homens sofreram muito. Ninguém imagina. O povo vivia mal". As palavras da Ti Preciosa, viúva de um desses homens, avó da Patrícia, que agora gere o Lanheiro (antiga taberna) vão ecoar-me por muito tempo. O medo. O medo de falar, de agir, de ser "chamado a Pombal", à Câmara, ou ao capitão Gonzaga. Os pides infiltrados entre a populaça, controlados pelos homens poderosos da terra. As diferenças tão vincadas entre uma aldeia como a Ilha (que podia ser a minha Moita do Boi) e a Guia, "que ao pé de nós era uma cidade". As diferenças tão vincadas na sociedade. E a declaração emocionada de António Moderno, professor jubilado: "Ninguém imagina a alegria que eu sinto em olhar à minha volta e ver que o neto do sapateiro é engenheiro, que toda a gente tem instrução, quando naquela altura havia três ou quatro licenciados. O 25 de Abril foi o dia mais feliz da minha vida".

A ilha é uma terra especial. Dali sempre brotou intervenção pública, sobretudo cultural. E ontem, ao ver aquele encontro de gerações e de interesses (que terminou com a brilhante atuação dos músicos André Ramalhais e Evandro Capitão, a acompanhar a declamação da poesia de Ary dos Santos pela Lina Oliveira), tive a certeza de que ali se cumpriu Abril. 

Só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse.

22 de março de 2024

A paródia pousou arraiais nas Meirinhas

Nos últimos dias, o dotor Pimpão prosseguiu e reforçou a sua desenfreada empreitada de festas, eventos e conferências. E não se prevê abrandamento. 



Anteontem esteve nas Meirinhas (e em mais uma enfiada de eventos), com a rapaziada, a dar posse a outro presidente da junta! Se fosse para substituir o que lá meteram, e que há muito perdeu todas as condições para se manter no cargo, vá-que-não-vá; mas não, foi só para se entreter, e entreter a rapaziada.

Gabo-lhe a fértil imaginação e a frivolidade festiva que consegue colocar nesta contínua paródia. Vai conseguir terminar o mandato sem queimar um único neurónio. É obra. 

No início do mandato, a dita oposição exigiu-lhe participação oficial em todos os eventos organizados pela câmara. A sua ambição sempre foi ser ramo de enfeite do poder; da qual, a evidente concertação política com o Pimpão é a mais escabrosa amostra. Mas como até neste frágil ponto falharam, mereciam um valente castigo: ser obrigados a acompanhar o dotor Pimpão na sua desmesurada empreitada de festas, eventos e conferências. Talvez assim nos víssemos livres dos pimpões e das oposições.

19 de março de 2024

Sobre a reunião da “junta”

A “junta” reuniu outra vez, quinta-feira. A reunião foi rápida e simples; serviu unicamente para cumprir as formalidades e as obsequiosidades habituais. O presidente - um esforçadíssimo relações-públicas que se consome numa infinita e sobre-humana enfiada de eventos e conferências - gastou rapidamente a pouca voz que lhe restava nos obrigatórios obséquios. Depois, coitado, ficou sem goela para responder às frágeis observações…



A dita oposição cumpriu a sua condição: reiterou os obséquios e recolheu a senhazinha.

Siga a festa.

18 de março de 2024

Feliz é quem diz: quando há dinheiro há palhaços

 



Estava a malta descansada a comemorar Abril como deve ser, este ano, e eis que abre o alçapão para ressuscitar a ditadura da felicidade. Podemos não dar uma para a caixa no que respeita à juventude, à confrangedora feira que se finou no domingo, mas é de pequenino que se ensina aos catraios que o que importa é a felicidade. O resto logo se vê. Atentem, pois, no programa preparado pelo pelouro da dita, para esta tarde de quarta-feira - dando (mais) uso à tenda no Cardal. 

Como as estrelas maiores ficam sempre para o fim, lá se arranjou maneira de tornar orador mais um apóstolo da Felicidade, que atualmente desempenha as funções de chefe de Divisão de Desenvolvimento Social e de Saúde na Câmara de Pombal. Para os que se intrigavam com o papel de 'vereador oficioso' que desempenha em atos oficiais, ao lado do executivo, eis a resposta. 

A 'jornada' termina com o Tochas, longe dos tempos em que usava o seu humor para denunciar como é que o rei ia nu em Pombal. Mudam-se os tempos, os autarcas, as vontades, continua a haver dinheiro e por isso há palhaços.

Sorriam! estão a ser captados :))))))

15 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (II)

O cenário em redor da tenda que acolhe a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, mais parece uma exposição das forças de segurança e bombeiros que coisa ligada à juventude. E do recheio (da tenda) pode dizer-se com segurança que é coerente com o embrulho (com a face). É coisa para espantar juventude – autêntico espantalho.

Reconheço que tenho uma certa aversão às polícias (às forças de segurança em geral), que atribuo às memórias de infância - ao medo que os meus avós e vizinhos me transmitiram quando ordenaram reclusão imediata e trancas na porta quando o boca-a-boca anunciava a entrada da GNR a cavalo na aldeia - e ao comportamento autoritário das polícias, mesmo em Democracia. Porventura por estas experiências, mas também pelo sentir de alguns jovens, não vejo sentido e préstimo na presença das Polícias neste tipo de evento,  nenhuma afinidade na associação das polícias à juventude num evento cujo propósito, dizem, é a formação e orientação vocacional dos jovens. Mas o equívoco maior nem será a monopolização do evento pelas forças de segurança e afins, é todo o cenário e enredo do evento: uma mimetização pobre (de mau-gosto) e infrutífera dos eventos organizados pela União Nacional e pela Mocidade Portuguesa, mas sem o rigor, o foco e qualidade cénica que o antigo regime colocava na coisa.  



Lá dentro, encontrei meia dúzia de “gatos-pingados” e “barracas” abandonadas; e uma tentativa, meio-falhada, de interagir com os jovens, em que, a muito pedido, participei por misericórdia. No final, tive uma curta conversa com o jota assalariado na câmara que supervisiona a coisa, onde apontei a obsolescência do modelo, o peso dado às polícias e afins, e a descabida presença da JSD. Ao que ele me respondeu, com uma sinceridade cativante, que os jovens têm mostrado algum interesse e até já tinham várias adesões. 

Não há nada mais enternecedor que a confissão de um bom-cristão tenrinho. Perdoai-lhes Senhor…

14 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (I)

Por norma não participo nas iniciativas da câmara. Considero-as desinteressantes – destinadas simplesmente a preencher agenda – e, vezes demais, de grande mau-gosto. Evito, assim, o desprazer pessoal e mais reacções críticas.   



Ontem, alertado por amigos/as e desafiado pelo presidente da “junta”, fui ver a exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 Abril 74, patente nos Claustros dos Paços do Concelho. E, aproveitando a passada, visitei a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, a decorrer no Jardim do Cardal. Com esta dose dupla fiquei imunizado por um longo período. Contava ir a uma palestra que me pareceu interessante e se realiza hoje, integrada nas Comemorações do 25 Abril de 74, mas perdi o interesse - não posso arriscar uma terceira dose seguida.

A exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, é coisa sem critério e sem trambelhos, sem propósito e sem lógica que se perceba, mais digna do 24 Abril que do 25 Abril, com rostos do passado (alguns já desaparecidos) e sem passado ligado ao 25 Abril – salvo raríssimas excepções.

O curador – desconhecido! - diz-nos que a amostra “é um exercício que nos mostra o passado, o presente e o futuro através do olhar dos pombalenses e pela objectiva de Victor Freitas”. Do passado vá-que-não-vá, mas do presente e do futuro cruzes canhoto e Deus nos livre destes apóstolos e destas apologias.

Custa a aceitar que o comissário das comemorações, Luís Marques (pessoa culta e com forte vivência do período), tenha dado aval a isto! Agora, já só se pede que não levem pela frente a ideia peregrina de distribuir o vídeo realizado pelas escolas, para ser utilizado como instrumento formativo sobre tão importante período da nossa História recente.  

11 de março de 2024

Eleições Legislativas – resultados e consequências

1 – A AD (o PSD) ganhou

A AD ganhou porque tinha de ganhar… Os astros (PSD, PR, PGR, PS, Media, e CDS…) alinharam-se para esse fim. Não é uma vitória com sabor a derrota porque sabe bem à maioria conjuntural o afastamento do PS do poder. Mas é uma vitória forçada, arrancada-a-ferros, que pelas suas contradições e frágeis condições políticas dificilmente corporizará uma alteração significativa dos status e responderá às expectativas dos descontentes.


 

2 – O PS perdeu

O PS perdeu porque tinha de perder… - cumpriu-se o que estava escrito nas estrelas. Mas no final da noite eleitoral chegou a pairar o improvável: a vitória do PS. Teria sido um mau fim para este ciclo político, tanto para o PS como para o Regime. O PS precisa de uma cura de oposição, de fazer mea-culpa dos seus erros e a síntese dos seus importantes sucessos, a fim de reassumir rapidamente o seu preponderante papel na política nacional.

3 – O Chega triunfou

O Chega triunfou, e provocou um pequeno terramoto que abalou todos, de uma ponta a outra do Regime, com fortes ondas de choque no centro-direita, e na esquerda.

Ao contrário do que muitos afirmam, o Chega não é um verdadeiro partido de extrema-direita, falta-lhe substrato ideológico, é essencialmente um partido populista, de protesto, que é muito eficaz a aglutinar descontentamento, mas sem perfil de poder – é de contra-poder. Até há pouco, foi um problema eleitoral e de poder para o centro-direita; nestas eleições foi um problema eleitoral para a esquerda, comeu eleitorado tradicional da esquerda a sul. Enquanto for liderado por A. Ventura – um demagogo extremo -, e a conjuntura lhe for favorável, vai ter sucesso eleitoral e mediático. 

4 – A IL e o BE falharam

Dois opostos que, numa conjuntura que lhes era favorável, falharam: a IL falhou a afirmação; o BE falhou o renascimento. Enfrentarão ambos tempos difíceis. Nos próximos tempos, a IL jogará a sua sobrevivência, tenderá para a desagregação. O BE resumir-se-á ao nicho onde se acantonou (Ideologia de Género e LGBT).

5 – O PCP mumificou  

O PCP secou e mumificou, por erros próprios e pelos ventos dos novos tempos. Custa ver o partido de Cunhal entregue a estas fracas figuras. Mas as coisas são como são: o igualitarismo levado ao extremo leva à mediocridade completa.

6 – O Livre brotou

O Livre é um epifenómeno metropolitano programaticamente inócuo que não resistirá à próxima intempérie.

7 – O PAN

O PAN não adianta nem atrasa - irrelevante.

8 – O Regime

Nestas eleições, todo o Regime foi a jogo e saiu combalido. Diria, até, que foi derrotado pelo povo. Os partidos de poder (PS e PSD) perderam influência e poder. A Presidência da República perdeu poder e legitimidade (se Marcelo tivesse a dignidade de Sampaio, perante a situação política criada, renunciava). A Justiça fragilizou-se ainda mais… O dito quarto poder (media) perdeu por simpatia e má figura.

9 – O populismo

O populismo medrou muito, mais à direita que à esquerda. E vai continuar a medrar porque a realidade socioeconómica de toda a EU é terreno fértil para o discurso demagógico e de protesto.

10 – Líderes partidários – vencedores e perdedores

Destas eleições (só) saiu um vencedor: André Ventura (facto que não carece de explicação). A globalidade perdeu. Uns mais que outros, uns pelos resultados (em termos absolutos ou em função das expectativas), outros pelo enfraquecimento das suas condições políticas.

Luís Montenegro conseguiu uma vitória tangencial, mas o resultado e o quadro parlamentar saído das eleições deixam-no com poucos graus de liberdade para exercer os cargos de primeiro-ministro e de presidente do PSD. Em princípio, é líder a prazo. O “não é não” foi a sua mais ousada cartada política, que, ao contrário do que muitos laranjas pensam, pode ser muito valiosa para ele e para a coesão do próprio partido.

Pedro Nunes Santos perdeu, mas manteve intactas as condições políticas para liderar o PS e a oposição. Tem o perfil apropriado para líder da oposição - na noite eleitoral já o mostrou.

Rui Rocha perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) e perdeu capital político para se afirmar. Abusou no discurso neoliberal. E pior: levou uma cabazada do discurso conservador e corporativista. É líder a prazo.  

Mariana Mortágua perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) mas não perdeu as poucas condições políticas que dispõe para fazer crescer o partido. Manter-se-á à frente do Bloco.

Rui Tavares ganhou nas urnas mais três deputados, mas não passará de grilo falante de uma sociedade unipessoal inócua. 

Paulo Raimundo perdeu nas urnas e perdeu as condições para fazer política no parlamento – na verdade o PCP já as tinha perdido no último mandato com aquela fraquíssima bancada.   

Nuno Melo ganhou um balão de oxigénio para se manter ligado à máquina mais uns meses.

Inês Sousa Real não ganhou nem perdeu nada. Manteve o que tinha: o ordenado e as respectivas mordomias.

As eleições em que o PS foi ultrapassado pelo Chega



Quando as televisões avançaram ontem à noite com projeções distritais, os primeiros dados apontavam o Chega em segundo lugar no distrito de Leiria. Não aconteceu. Foi o PS o segundo partido mais votado. Mas em Pombal, onde a realidade consegue sempre superar a ficção, já não tivemos essa sorte. 

Os números finais mostram que o PSD se mantém na liderança - como sempre, como dantes - e que o PS fica remetido a humilhantes 18,28% de votantes, numa eleição em que a abstenção acompanhou, também aqui, (e ao contrário do que é hábito) o retrato nacional: o voto de protesto, dos que são anti-sistema, e que por isso nunca votavam, foi arrebanhado pelo populismo. Conheço muitos dos que votaram ontem neles, e que esperam (coitados) alguma coisa dali.

Mas é preciso olhar melhor para o que nos dizem os números relativamente ao concelho de Pombal, que já não está no topo da lista dos municípios onde a coligação da AD faz brilharetes. Os possíveis, diga-se, no meio deste estado de sítio. No que toca à vitória do PSD/CDS no distrito, estão à frente de Pombal concelhos como Alvaiázere (50,56%), Ansião (43,27%), Pedrógão Grande (41,42%) e Batalha (42,61%). 

Aqui, o Chega só não ultrapassou o PS nas freguesia de Pombal, Redinha, e União de Santiago de Litém, São Simão de Litém e Albergaria dos Doze. A AD consegue o seu melhor resultado em Abiul (51,63%), Carnide (52,43%) e  por fim das irmãs desavindas de Vermoil e Meirinhas, ambas na casa dos 48%. E é precisamente em Carnide e Meirinhas que o Chega consegue resultados quase nos 25% de votação. Acima dos 20% são várias. Em suma, o PS consegue o seu resultado menos mau na Redinha e em Pombal, e o pior em Carnide e Meirinhas, na casa dos 8%. 

Do resto, o que dizer? A IL mantém-se como quarta força política, crescendo em votos e percentagem (5,22%), e o BE manteve-se mais ou menos estável no concelho de Pombal, enquanto quinta força política, com menos de 4% dos votos. Se já em 2022 notámos a descida da CDU no concelho, desta vez ficou-se na 9ª posição, com  apenas 1,22% dos votos. Uma nota ainda para o Livre, que vai crescendo, também no concelho de Pombal: mais do que duplicou das últimas eleições. 

Feitas as contas, duas notas apenas como rodapé deste quadro: 

1. João Antunes dos Santos foi eleito deputado da AD, devolvendo a Pombal um lugar no parlamento, valha isso o que valer, já que a vitória de pirro da coligação precisará de muito jogo de cintura para se conseguir aguentar no Governo. Não, ninguém quereria estar na pele de Montenegro. 

2. Ao contrário do que acontece no todo nacional, aqui, como em algumas geografias, o Chega poderá ser um problema nas autárquicas, mordendo os calcanhares do PSD. Esta seria mais uma oportunidade para o PS perceber que é preciso ser oposição, combativa, sem medos, e sem paninhos quentes. Porque o ruído chegará, para ocupar um espaço vazio. 

De resto, amparemo-nos na poesia de Manuel António Pina: "ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde". 


Resultados do concelho de Pombal aqui.

4 de março de 2024

Sobre os “políticos” da Pedra Seca

Estamos rodeados por todos os lados por políticos da pedra seca – criaturas de pensamentos atávicos, aspirações vagas, desejos fúteis, sentimentos envelhecidos e actos falhados, que agem para se entreter e vêm méritos nas tolices que praticam.

O dotor Pimpão é o maior exemplar desta espécie. Mas os seus colegas da Associação Terras de Sicó não lhe ficam nada atrás. Sem saberem ao que se dedicar, mas desejosos de mostrar serviço, atiraram-se aos chamados muros em pedra seca, lançando a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade – pobre Humanidade. Arranjaram, assim, uma empreitada para se entreterem por muitos anos, e um pretexto para muitas “notícias” encomendadas sobre a matéria. 



Basta ir uma vez à Serra da Sicó para se perceber a origem e necessidade daquelas toscas edificações, que acima de tudo serviam para arrumo das pedras que cobriam o solo e era necessário retirar para aproveitar todo e qualquer pedaço de terra para a economia de subsistência. Agora, uns quantos (poucos) teóricos do mundo rural, herdeiros de um surrealismo retardado eivado de romantismo bucólico, vêm ali arte e valor.

Para nossa desgraça, esta tontaria afecta tanto os protagonistas do poder como da oposição. Por exemplo, a dotora Odete, coitada, na ausência de melhor assunto – daquela cabeça nunca saiu nem sairá uma ideia – e desejosa de mostrar serviço, agarra-se a estas coisas, segue as suas anotações no caderninho, e farta-se de questionar e colocar pressão no dotor Pimpão. 

É por estas e por outras que estas terras não conseguem progredir mais rápido. Estamos manietados pelos políticos da pedra seca. Melhor dizendo: de cabeça seca.

3 de março de 2024

Câmara deixou de disponibilizar os vídeos das reuniões

A câmara deixou de disponibilizar o vídeo da reunião aberta à participação do público (a última de cada mês), como era da praxe. 

O dotor Pimpão procura, com certeza, proteger-se e livra-nos do mal – das figuras tristes.

Faz bem – aquilo não tem interesse nenhum e de más figuras já estamos fartos.

1 de março de 2024

A pergunta que ficou sem resposta em Abiul – um berbicacho

A presidente da junta de Abiul (Sandra Barros), para além de ter recebido bem os membros da AM, dizem eles, fez, logo na abertura, no seu estilo discreto e oportuno, uma boa intervenção. Para além de, como é da praxe, agradecer alguns investimentos e apoios fez também os inevitáveis pedidos… E obteve as habituais respostas. 

Até aqui tudo bem – tudo como é da praxe.



Mas para o final da sua intervenção, a presidente guardou a pergunta maldita, que muitos membros da assembleia conhecem e deveriam fazer, mas não fazem. Perguntou se os contratos de arrendamento das antigas escolas primárias, para exploração turística privada, realizados há mais de dois anos, ainda estavam em vigor, porque ainda nada foi concretizado e as escolas estão abandonadas, com muito arvoredo, os residentes a reclamar e a junta nada pode fazer! E deu o exemplo da escola de Almezinha, um edifício com três salas e bom espaço adjacente com valor para os residentes. Não obteve resposta!

O dotor Pimpão fala muito, e muito alto, porque não é verdadeiramente questionado - só lhe dão deixas (compreensíveis se vindas da bancada da maioria, mas indesculpáveis se “deixadas” pela dita oposição).

Aos que nos rotulam de só criticar por criticar, relembro que na altura da adjudicação tracei, aqui, o destino desta tola ilusão – a conversão das antigas escolas primárias para Alojamento Turístico. Não me enganei. O resultado está à vista. Às vezes até tenho pena de acertar tantas vezes no prognóstico destas tolices camarárias. Mas enfim – de onde não há não se pode tirar. 

Os estragos desta tolice não se ficam só pelo abandono destes imóveis – já assim estavam – e pelos custos administrativos do processo de adjudicação. Como era previsível, esta hasta pública só atrairia um ou outro oportunista, um ou outro falso empreendedor, sempre pronto a colar-se e a medrar à custa do Estado. Quando viram que isso não era viável abandonaram as ideias e os imóveis. Uns não mexeram uma palha porque queriam que a câmara fizesse o investimento inicial na requalificação dos imóveis, obrigação que nunca esteve no contrato, para eles depois cobrarem as rendas se algum perdido por ali aparecesse. Outro, consta, converteu ou quer converter o edifício para habitação particular, em total violação do contrato. Como a câmara faz algumas coisas só para mostrar que faz (alguma coisa), não controla as coisas nem se dá ao respeito, não exigiu obras no prazo e não cobrou as rendas devidas. Resultado: em vez de resolver um problema menor arranjou dois ou três - meteu-se num berbicacho financeiro e jurídico!

Estamos neste ponto. Cantemos o refrão dos Deolinda:

“Ai, ai, ai, Viriato, queremos ver, 

Como é que vai resolver o berbicacho”.  

29 de fevereiro de 2024

Política pombalense – uma dor de alma

Os abiulenses ignoraram a reunião da Assembleia Municipal (AM) na sua terra; só se deve dar importância ao que a tem. E na verdade, estes “números” só interessam aos pimpões desta vida.



Nesta terra - e não só - a política deixou de ser um desígnio nobre para se tornar simples obrigação rotineira. Mas nunca esta veracidade se expressou como na última reunião da AM, realizada em Abiul. Perpassava por aquelas caras, por aquela espécie de bonecos ali sentados, uma resignação e um estupor apático gritantes, só quebrados pelos trovões, risadas e irritantes apartes dos pimpões.

Nesta nova realidade, a bancada da maioria, mais lúcida, já interiorizou a sua obsolescência, excepto o João Pimpão. A da dita oposição ainda esbraceja, despedaçada entre os seus êxtases e os seus tormentos, por uma salvação que sabe(?) não chegará. A descrença e o desnorte são tão grandes que já quase abdicam do PAOD, sacrificando tudo na imolação final com as malditas Recomendações. Agora acompanhados, também, pelo Oportunista do Oeste; arrumado sem levantar garupa por dois coices do João Pimpão.

Este PS não aprende nem ganha juízo, definha lentamente, meio-deprimido, numa agonia dolorosa cheia de traições e contradições. No ponto mais importante da reunião – Alteração do Orçamento e GOP – os representantes do partido no executivo aprovaram, os membros da bancada na AM rejeitaram!  

28 de fevereiro de 2024

Uma tourada em Abiul

 



A ideia peregrina de levar as reuniões magnas da Câmara- e agora da Assembleia Municipal -  para as freguesias, conheceu ontem novo capítulo, em Abiul. Ora, como está bem de ver, eram resmas de cidadãos daquela freguesia a assistir à reunião...o que diz muito da eficácia desta falaciosa iniciativa. Valeu a clarividência da presidente da Junta de Pombal, Carla Longo, que logo ao início deu a nota importante: isto é tudo muito bonito mas não há condições. Condições de trabalho. É claro que só quem trabalha consegue compreender a falta que faz uma mesa de apoio para consultar documentos, em papel ou no computador. Quem olha para a atividade política e para o exercício das funções públicas como um roteiro de vaidades, uma forma de passar o tempo e ainda ser pago por isso, nem sequer se lembra desses "pormenores". No melhor dos casos, a coisa serve para acicatar as vontades de outros presidentes da junta, como se viu bem intervenção de Gonçalo Ramos, que, pois claro, também queria um auditório. 

O mandato vai a mais de meio e já não tenho grande esperança que Paulo Mota Pinto consiga passar ao resto da sua tropa do partido algumas noções básicas de como saber estar. Ontem, em Abiul, mais uma vez Pedro Pimpão deu mostras de quem dignifica muito pouco o lugar de presidente da Câmara, num chorrilhos de à partes, bocas e risadas que lhe podiam ficar bem quando era um jota em ascensão, mas lhe ficam mal, tendo em conta o cargo que ocupa. Foi várias vezes advertido pelo presidente da AM, mas estou em crer que o que não tem remédio remediado está. 

Como isto é dos Pimpões, o auditório voltou a estar por conta do irmão João, que se permitia falar da sala, falar do corredor, falar como e quando lhe apetece.

Toda este quadro que está a acontecer tem o condão de desprestigiar o órgão AM, que todos prometaram dignificar, em juramento solene, pelas funções que lhe são confiadas. Vem-me à memória o que me disse há muitos anos o já falecido Pimpão dos Santos, na primeira reunião da Assembleia a que me mandou assistir: "é o órgão mais importante do município". E era.

Em resumo, quando perguntei sobre como tinha corrido a sessão que só hoje espreitei, aqui, a resposta não podia ser mais clara: 

- uma tourada!

16 de fevereiro de 2024

Coisas de deslumbrado

Por princípio, não gostamos de publicitar nulidades ou excrescências, mas regra é regra e excepção é excepção.

Bem isto a propósito de uma criatura deslumbrada, João Antunes dos Santos (JAS), quarto na lista do PSD/AD às próximas legislativas,  que tem andado a solo num rodopio bacoco e inútil a incomodar instituições respeitáveis e a abusar da boa-vontade dos seus dirigentes; e que, vejam só, não saciado com os tais desvarios, resolveu fazer uma apresentação pública da “sua candidatura”, no Cine-Teatro. Não se enxerga. Nem o insofrido Pedro se prestou a tamanho ridículo!


O provável deputado é uma criatura difícil de caracterizar e descrever. É pedante. E medíocre (politicamente). Dos seus talentos ressalta a capacidade de sorrir sem cessar e piar como o pintassilgo.  Mas já se vê como grande entre os grandes da política e do regime. Não tem noção, coitado, que é simples figurante da romaria, que não acrescenta nem retira nada (nem um voto), tal a sua insignificância. É  uma criatura talhada para nos envergonhar, não para nos representar.

Adenda: aqui no Farpas, depois de rebolarmos uma pedra, repetimos frequentemente entre nós: a realidade (local) ultrapassa sempre a ficção. E cá temos o deslumbrado para o confirmar: não satisfeito com o patético acto da apresentação da “sua candidatura, resolveu lançar uma lista de apoio à sua candidatura! Aonde pode chegar o delírio!

9 de fevereiro de 2024

A infantilização dos idosos (e o aproveitamento dela)

*foto da galeria publicada na página do Município de Pombal


Não contente com o aglomerado de crianças pequenas que quase nunca se divertem com desfiles militarizados, o município de Pombal apostou nos últimos anos em transpor para os mais velhos  esse exibicionismo ao gosto dos lares, centros de dia e demais "respostas sociais", numa chocante infantilização dos idosos. Que não apenas mereciam como têm direito à dignidade, à decência, ao respeito, numa fase da vida em que muitos já não estão capazes  de decidir por si. Questiono-me, nestas horas, para que serve um Plano Municipal para a Igualdade. Para que serve, afinal, a tal estratégia para o "envelhecimento ativo", para que servem os estudos, as conferências, os debates, as evidências, as palavras vãs, se acabamos nisto. 

2 de fevereiro de 2024

Desmandos da “Junta”

Antes de ontem, o dotor Pimpão mandou reunir novamente a “Junta” para dar sequência à distribuição de loas e aos seus desmandos.



Fez aprovar, por unanimidade, e aclamação silenciosa, a aquisição de 48.207 m2 de terrenos rústicos (pinhais), ali para as bandas do Pinheirinho, por uns módicos 578.484 euros, ao preço de 12 euros por metro quadrado. O caro leitor também faria e agradeceria, com certeza, tão frutuoso negócio - se tal lhe fosse permitido.

Em 2020, a câmara vendeu 121.850 m2, urbanizáveis, contíguos à Zona Industrial da Guia, por 640.000 euros, ao preço de 5,2 euros por metro quadrado. Na altura, D. Diogo justificou o preço com dois argumentos racionais e compreensíveis: primeiro, a câmara deve disponibilizar terrenos para a localização de indústrias a preços acessíveis; segundo, a câmara tinha adquirido os terrenos a 2 a 3 euros o metro quadrado, logo vendeu com uma mais-valia aceitável.

Para o dotor Pimpão & C.ª, e para a dita oposição (se tal "ofensa" se pode fazer àquelas pobres criaturas), os fins justificam os meios, ou como diz o “outro”, daqui por uns anos ninguém se vai lembrar do preço pago. Estamos assim entregues a tagarelas movidas por esponjosos anseios, incapazes de compreender o princípio da utilidade e o valor do dinheiro, que compram tudo feito, ao preço que lhes colocam à frente.

Num passe de mágica passámos do despotismo iluminado para o estéril desportivismo. Que mais nos irá acontecer?!

26 de janeiro de 2024

Já chegámos à Madeira?!

Já. Pior: já os ultrapassámos…

A Madeira foi, desde o início, a nossa “república das bananas”, cunhada com gosto e proveito pelo anedótico Alberto João. 

O modelo foi replicado por cá com o mesmo gosto e proveito pelo engenheiro. Depois, D. Diogo tentou dar ao “regime” alguma formalidade e institucionalidade, mas a sua natureza sobrepôs-se-lhe…Até que, finalmente, isto caiu nas mãos dos pimpões! Ultrapassámos definitivamente a Madeira – a nossa “república das bananas”. Senão vejamos: na Madeira, o delfim do Alberto João – o Albuquerque – foi caçado pela justiça. Mas como se sentia dono e senhor da “república das bananas” logo afirmou que não se demitia de presidente do governo regional. Passadas 48 horas teve que renunciar. Não por decoro pessoal e democrático mas pela força das circunstâncias e das exigências mínimas de decência democrática. Claro que se o caso se circunscrevesse à “república das bananas” nunca se demitiria e até hostilizaria os adversários...

Por cá, a nossa realidade e o caso da Madeira mostra que já ultrapassámos, há muito, o estágio de “república das bananas”, nomeadamente em falta de decoro e de decência democrática. Bem pode a concelhia do PSD local assobiar para o lado e escudar-se na malfadada presunção de inocência. A desvergonha é total. Muito acima da do Albuquerque.

24 de janeiro de 2024

A porta que Abril vai abrir




 As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Pombal chegam-nos com uma aura de esperança.  Mais do que o "programa diversificado e envolvente que visa relembrar, homenagear e refletir sobre este marco histórico que marcou o início de uma nova era em Portugal" (como sublinha a organização), há aqui um corte com o passado. Toda a gente sabe que tanto nos executivos de Narciso Mota como de Diogo Mateus o 25 de abril foi apenas assinalado, porque tinha que ser. Pedro Pimpão quis de imediato marcar essa diferença (como outras, noutros casos), embora mal conseguida: no primeiro ano foi aquela trapalhada de chamar os partidos para lhes pedir sugestões quando o programa já estava feito, no ano passado foi o festival oh da Praça que vinha adiado das calendas, e eis que crescia a curiosidade sobre este ano em que, por toda a parte, já decorrem comemorações. 

Pimpão safou-se bem desta, pelo menos para já. Convidou para comissariar as festividades o jornalista Luís Marques (natural de Abiul), com histórico na ditadura e na revolução. Com memória e com mundo. E perante o atraso de Pombal face a outras cidades do distrito e do país (que há meses promovem iniciativas), concentrou tudo em 50 dias. O programa, que pode ser consultado aqui, é rico e variado: exposições, debates, conferências, teatro, cinema, música, uma panóplia de espetáculos cuja matriz honraria qualquer câmara do espetro da esquerda. 

Aqui no Farpas - o blogue que nasceu no 25 de abril, em 2008, e que durante anos promoveu a única comemoração da data - vamos acompanhar com toda a atenção e entusiasmo tão intenso programa. Nunca é tarde para abrir mais uma porta de Abril, numa terra onde por vezes temos dúvidas se ele aconteceu. 

18 de janeiro de 2024

A “junta” reuniu em Vila Cã

O dotor Pimpão mandou reunir a “junta” em Vila Cã, hoje. Esta frivolidade tonta, que consome recursos sem nenhum ganho para os munícipes, só serve para alimentar a obsessão pelo roteio e a necessidade de consolação contante… No final do império, os soldados romanos encontravam na guerra um tempo de deleite. Estas criaturas que nos desgovernam encontram no roteio a sua razão de existência (política). Deixai-os rotear; hão-de cansar e cansar-se. 



A reunião foi - têm sido - um pretexto para formalidades e pretextos. O dotor distribuiu as habituais loas, pelo que mexe de relevante e de irrelevante… Como a moda pegou, recebeu de imediato protesto exterior por não ter vangloriado uma alma perdida que vai em sétimo lugar – sétimo lugar! - numa lista de “candidatos” às legislativas que repetidamente não elege ninguém. Chegámos a isto! À total indigência mental.

Os “vereadores” da situação evidenciaram, em todos os assuntos, uma gritante incapacidade de acção e realização – chutam tudo para a frente e recorrem sistematicamente à desculpa esfarrapada. Os da suposta “oposição”, falhos de ideias e de foco, atiram uma ou outra medida ad hoc e agitam a espuma dos dias, sem honra nem glória.

E assim vai o nosso Pombal, ao sabor do vento, e dos pimpões, movido graças à força da inércia, sem rumo e sem norte, nas mãos de criaturas profundamente levianas e tagarelas incapazes de compreender o princípio da utilidade e a natureza dos problemas.

Siga a roda.

9 de janeiro de 2024

Pombal, terra de peregrinação e paródia

Bem sei que vivemos tempos em que a aparecer é código postal para o sucesso fácil, e que a política actual adoptou o modelo, mas o excesso enjoa e indispõe almas mais frugais.

Esta paróquia está definitivamente transformada em pátio de comédia, onde criaturas apinocadas, mais dignas de piedade que de aversão, desfilam constantemente em cortejos jocosos ou representam farsas improvisadas. 


2 de janeiro de 2024

Orçamento Participativo (II) - da farsa à fraude

Nesta terra, e nesta paróquia, onde tudo corre como deve correr porque todas as concessões conduzem ao inevitável, até um processo de democracia participativa, como o Orçamento Participativo, degenera rapidamente numa farsa destinada a iludir os papalvos e a saciar um ou outro oportunista.



O Orçamento Participativo nasceu e cresceu torto, ao ponto de se transformar numa farsa.  Com o dotor Pimpão & C.ª transmutou em fraude. A edição deste ano confirma-o na plenitude. Senão vejamos: 

(i)  a proposta vencedora – Sophia, Projecto Educativo de Combate à Fragilidade Sénior – foi apresentada por cidadão(s) não recenseado(s) no Município de Pombal, em clara violação ao espírito e a letra do regulamento;

(ii) a Comissão de Análise Técnica, presidida pelo dotor Agostinho - o inenarrável Director Municipal -, eliminou 21 propostas mas aceitou a proposta Sophia, que acabou vencedora, apesar de violar o regulamento em toda a linha, no que respeita aos promotores e no que concerne aos propósitos e ao âmbito do projecto;

(iii) o processo de votação decorreu às descaradas, sem reserva e sem seriedade, como lerdamente confirmou a dotora Catarina na reunião do executivo que discutiu a trapalhada.

Estamos perante uma fraude completa que beneficiou uma proposta plena de nulidades, formais e materiais, que acabou por afastar propostas correctas e genuínas, como a “Reabilitação da Casa da Piscina no Jardim do Vale”, a “Reabilitação da Praceta Mestre Bimba”, o “Parque Infantil na Urb. Alberto Santiago”, etc.

Deus e o Diabo sabem bem como se estabeleceram certas relações; e nós sabemos que pegando na ponta da linha facilmente se chega ao novelo. Convinha que o dotor Pimpão soubesse que num processo de democracia participativa, que envolve dinheiro público, se exige transparência e imparcialidade à prova de bala; e que manda a prudência, e o bom-senso, que não se coloque uma raposa a guardar o galinheiro.   Até porque ele sabia,  com certeza, que a proposta Sophia, Projecto Educativo de Combate à Fragilidade Sénior, tinha por detrás o dotor Ricardo Pocinho, seu amigo e mentor para Felicidade.  

Há amizades que só atrapalham, quando se quer ser sério. Ou como bem diz o dotor Pocinho, agradeço sempre que a minha vida não seja envolvida com a desta gente.  

29 de dezembro de 2023

Assobia para o lado


 

As redes sociais andam agitadas com a última novidade da Base.gov, onde a câmara de Pombal é obrigada a revelar tudo o que não consegue esconder, em matéria do que é gastar o nosso dinheiro. Sem rei, mas com muito rock. 

Depois de amanhã há passagem de ano - tão reclamada durante tantos anos - e claro que a grupeta de Pedro Pimpão não fazia por menos: Carlão, um nome sonante da cena musical, é cabeça de cartaz. E mesmo que a atuação aconteça às 22h30 (hora a que a maioria dos pombalenses estará a jantar, em casa ou num restaurante), é noite de reveillon e é caro atuar na província: 34 mil euros é quanto nos vai custar. Depois, quando finalmente a malta sair de casa para fazer a festa no Jardim do Cardal, sobrarão umas migalhas para o Dj Nuno Fernandez e os Bagunçada, dois miúdos simpáticos que já estão habituados a levar com os fins de festa (quem não se lembra de Agosto nas Meirinhas?)

Entretanto, o nosso presidente regressou às redes (depois de mais umas férias) para embandeirar em arco com as notícias sobre o prémio com que a API o distinguiu: Promoção da Imprensa. Se eu não conhecesse tão bem o que está na génese destes prémios (e de quem os idealiza), quase pensava que houve ali um engano no artigo (in)definido, pois que para Pedro Pimpão o prémio faria sentido se fosse Promoção NA Imprensa. 

E eu, que o conheço desde os tempos em que ele andava "lá pelos corredores do jornal" (como gosta de lembrar) não percebo como pode um autarca fazer alarde de um prémio destes, quando a imprensa e a rádio na sua terra chegaram ao que se sabe. Há quanto tempo não se lembra o leitor de uma reportagem, de uma entrevista (a sério, sem ser um guião com deixas para autarcas brilharem), de uma notícia que belisque a beleza da realidade perfeita? Há quanto tempo despareceu a imprensa incómoda, de que foram percussores o pai e o tio do nosso autarca-modelo?

Bem vistas as coisas, é fazer como canta o Carlão: assobia para o lado. 

26 de dezembro de 2023

Orçamento Participativo – uma trapalhada em 3 actos (I)

D. Diogo introduziu o Orçamento Participativo na rotina política pombalense em 2015. Mas como é esperto e mais rigoroso que esta trupe que nos desgoverna, logo percebeu as limitações e conflitos de vontades e administrativas que a modalidade acarretava, bem expostas logo na primeira edição. Mas apesar fragilidades, irregularidades e injustiças bem patentes, em todos os concursos e ao longo de todas as fases do processo, a coisa foi andando porque era preciso mostrar serviço e que a malta conta para alguma coisa.

Actualmente é evidente que o processo nasceu e cresceu torto, está viciado, gera injustiças e irregularidades, que bem exploradas podem trazer grandes chatices, e é um atropelo às boas regras de governação. Mas a coisa anda assim porque, pelos vistos, interessa que ande assim.



O regulamento é vago e pouco claro nos objectivos e nos critérios; a Comissão de Análise Técnica (?), que selecciona as propostas admitidas a concurso, não respeita o regulamento, nem no espírito nem na letra – parece que decide por critérios ad-hoc; o poder político deixa correr a coisa, permitindo que a comissão aprove propostas que violam o regulamento e as leis que regulam a correcta utilização dos dinheiros públicos sejam admitidas à votação, comprometendo, desta forma, a legitimidade e justiça do processo e a execução das propostas.

Este ano a proposta vencedora - Sophia – Projecto Educativo de Combate à Fragilidade Sénior - belas palavras - foi apresentada por uma associação e, pasme-se, pelo Politécnico de Leiria (eles assim o reivindicam!), apesar do regulamento estabelecer que “podem participar todos os cidadãos recenseados no Município de Pombal (com idade igual ou superior a 18 anos)”. Neste reino encantado, do Pedro & C.ª, toda a gente aqui vem bicar… Uns mais que outros. Mas isso fica para outro post.

22 de dezembro de 2023

Reunião da “Junta”, e dos “assessores”

A “Junta” reuniu ontem sem a presença do presidente da “Junta”, novamente de férias – passa mais tempo em férias do que a trabalhar. Mas enfim…; se durante as férias nos dispensar da (sua) propaganda, menos mau.

Mau, mau, foi ver a turma de pseudo-assessores, a quem o dotor Pimpão deu emprego, e o director municipal, ali, entretidos, a assistirem à reunião! E os quatro membros da “Junta” atarantados com duas ou três questões corriqueiras da oposição colaborativa - que não colabora entre si.

Um pouco de decoro, se faz favor.

BOAS FESTAS

 


21 de dezembro de 2023

Redinha: quem nasceu para a forca não morre afogado



Os habitantes da Redinha ainda estão naquela fase em que uma pessoa não sabe se ria ou se chore. À falta de melhor ideia, o (ainda) presidente da junta decidiu criar um motivo de atração na terra: uma forca. Como está bem de ver, o povo é um ingrato e não está a corresponder a tão nobre iniciativa, que evoca qualquer coisa que ele lá saberá, mas ainda não disse. 

O que disse, na última reunião da Assembleia de Freguesia, esta semana, foi que sim, concorreu e foi colocado nas Lajes do Pico. É claro que concorreu porque sim, já que, pasme-se, diz que nunca foi intenção dele aceitar o cargo. Que o seu compromisso é com o povo da Redinha. E por isso, finda a comissão de serviço em Pombal, está de novo no posto de trabalho em...Alcobaça.

Se dúvidas houvessem, saberíamos agora que Paulo Duarte é um rapaz que gosta de testar o sistema, só para ver se funciona. Terá sido essa a razão pela qual indagou, junto de uma figura do PS, o que era preciso para renunciar ao cargo - isto antes de aqui tornarmos pública a colocação nos Açores. Um autarca previdente, é o que é. Ou como diz o povo: "quem nasceu para a forca não morre afogado". 

19 de dezembro de 2023

Um número de contorcionismo

No mandato anterior, as reuniões dos órgãos municipais foram, várias vezes, classificadas como touradas, pelos próprios eleitos. Neste mandato, é um circo insípido, sem arrojo e sem graça, onde, de vez em quando, um malabarista ou um equilibrista voluntarista arrisca um número.

Na última reunião da AM, coube ao dotor Henrique a representação de um número de contorcionismo sobre o malfadado negócio dos terrenos para o Parque Verde. Começou por dizer que, se tivesse participado na reunião anterior, teria votado contra a aquisição dos terrenos, porque, disse ele, nunca compreendeu o fetiche da aquisição daqueles terrenos para aquele fim em concreto. Mas logo rematou que iria votar favoravelmente o novo negócio porque a diferença de preço (de 1.800.000 € para 1.200.000 €), com a dispensa dos artigos em causa, para aquele fim (Parque Verde) o deixava completamente confortável. 

Ficámos a saber que o dotor Henrique não aprecia fetiches caros. Mas aprecia fetiches modestos, de 1.200.000 €! Já o dotor Siopa (& C.ª) prefere os grandes fetiches, que, segundo ele, não têm preço, ou daqui a cem anos ninguém se vai lembrar do preço.



18 de dezembro de 2023

Dotor Pimpão, dois pesos e duas medidas

O processo que corre nos tribunais contra Diogo Mateus e João Pimpão, pela prática de crimes de peculato no exercício das suas funções na câmara, e ausência de consequências políticas, pelos visados e pelas entidades envolvidas, tem feito correr alguma tinta e tem provocado alguma indignação.  

Finalmente, alguém da dita oposição, o dotor Coelho, levantou a questão na AM, perguntando se as regras, de conduta ético-política, que o líder do PSD Luís Montenegro impôs aos candidatos e aos titulares de cargos políticos eleitos pelo partido, também se aplicavam em Pombal; se o presidente da câmara tinha avançado com o Pedido de Indemnização Civil; e se câmara se tinha feito assistente no processo.

O presidente da concelhia do PSD não deu resposta às inevitáveis perguntas – é uma existência que não existe – um duende desta época. 

O dotor Pimpão disfarçou mal o incómodo, e também procurou fugir às perguntas. Respondeu a parte; o suficiente para revelar a sua dupla faceta. Sobre a retirada de consequências políticas, de acordo com as regras determinadas pela direcção do seu partido e dos elementares imperativos de decência ético-política, nada disse. Sobre os passos dados pela câmara, no processo, percebeu-se que também não queria falar; mas, a muito custo, lá disse que a câmara tinha avançado com o Pedido de Indemnização Civil, mas não se tinha feito assistente no processo. No final da resposta, fez um ataque pessoal ao adversário.

Convém aqui dizer, porque vem claramente a propósito, que o dotor Pimpão presidente atoptou postura completamente diferente no processo-crime que correu nos tribunais contra funcionários do município. Neste, litigou de forma compulsiva e discriminatória, recorrendo a interpretações jurídicas e a argumentos que roçam a indigência, depois de sentença em 2.ª instância! 

É esta criatura terrivelmente insegura e impreparada, dissimulada de bom-cristão, que vê na mais óbvia pergunta ou na observação mais corriqueira uma ofensa ou uma alusão aviltante, mas é incapaz de destrinçar a honra da torpeza ético-moral, e pratica levianamente a política dos dois pesos e das duas medidas.



17 de dezembro de 2023

Os negócios da “Junta”

Tenho por aqui afirmado regularmente que não temos um verdadeiro executivo municipal mas uma simples “Junta” - sem presidente de “junta”! Mas com o passar do tempo, tenho que reconhecer que a comparação é injusta para os executivos e os presidentes de junta. Na verdade, a trupe que está na câmara está mais próxima do típico “Grupo de Finalistas”, que informalmente organiza uns convívios e umas viagens, que de uma verdadeira junta.



Organizam festas sem orçamento. Não se preocupam com a despesa e muito menos com a receita. Não prestam contas porque não são de contas, só de festas. 

Contratam serviços mas não exigem nem cumprem. Ninguém os respeita nem se dão muito ao respeito. O fornecedor da iluminação deste Natal deixou-os com as calças na mão. Mas com o anterior a coisa poderia ter sido muito pior…

Agora, fizeram um negócio de milhões, aquisição dos terrenos para o dito Parque Verde, e fizeram-no aprovar na AM. Mas logo de seguida tiveram que o desfazer/emendar porque foi tudo feito em cima do joelho. Parte dos terrenos estava arrendada e o arrendatário tem direito de preferência, que exerceu. Mas o caso, não vai ficar por aqui. O dotor Navega, responsável maior por esta enorme trapalhada, informou que vai ser preciso fazer uma permuta com o outro adquirente, para arranjar terreno que permita melhorar os acessos.

A trapalhada segue dentro de momentos. 

15 de dezembro de 2023

Orçamento Municipal – um exercício de fantasia com números

O dotor Pimpão, sempre ávido a prestar homenagem catita, aproveitou a reunião da AM para assinalar os 30 anos de governação PSD na CMP, na pessoa do seu actual adorno no roteio pelas festas e capelinhas  – Narciso Mota - tudo lhe serve para celebração. Não celebrou grande coisa porque os mandatos de N. Mota e de D. Mateus não deixaram boa memória nem bom desempenho (resultados). Mas dele, do dotor Pimpão, só se pode esperar pior.

Os mandatos de N. Mota e D. Mateus não deixaram boa memória, bom desempenho, porque aplicaram mal os avultados recursos financeiros ao seu dispor. Mas uma importante faceta das suas governações lhe ser creditada: a sustentabilidade da económico-financeira da câmara. Uma gestão cautelosa e responsável, na adequação da estrutura de pessoal e no equilíbrio financeiro, procurou e conseguiu sempre libertar uma boa parcela dos recursos financeiros para investimento. Com o dotor Pimpão quebrou-se definitivamente esta praxis; é gastar como se não houvesse amanhã, em festas, eventos e romarias, em planos e programas, em tachos, avenças e contratos para os amigos.

O Orçamento para o próximo ano espelha bem a desgovernação do dotor Pimpão & C.ª. Pela primeira vez, nos últimos 30 anos, a parcela da despesa corrente (pessoal e consumíveis) suplanta a das despesas de capital (investimento no concelho). Mas, como já aqui tínhamos dito, a situação vai agravar-se porque os erros que o dotor Pimpão tem cometido produzirão efeitos nefastos nos próximos 30 anos. 

Pode custar muito ouvir isto, mas tem que ser dito: não se pode entregar uma câmara com a dimensão de Pombal a um inepto como o dotor Pimpão, nem meter-lhe nas mãos umas largas dezenas de milhões de euros e outras tantas de capacidade de endividamento. Tal como não se pode entregar a administração e as finanças da câmara a um (ex-)insolvente como o dotor Agostinho. Há muita gente que não se importa com estas coisas, prefere as festas e romarias, mas isto tem que ser denunciado continuamente porque o dinheiro é nosso e é escasso.

O orçamento para 2024 traduz bem o dotor Pimpão e a sua trupe: fantasia e despesismo. Derrete o dinheiro no que não devia (tachos, festas e planos) e falta-lhe dinheiro para o essencial (para investir no que é necessário). Colocado perante esta dificuldade, que ele próprio criou, atira-se para os braços dos bancos e endivida a câmara movido pela necessidade de mostrar obra, muita dela desnecessária e que só vai sobrecarregar a despesa corrente da câmara.

O dotor Pimpão é uma criatura fantasiosa que enquistou com a mania do notável e do extraordinário. Acredita que os euros se multiplicam com um truque de magia, o orçamento se engrandece com suposições e dinheiro alheio, e as realizações acontecem por desejo. Não tem perdão, nem culpa, coitado.




PS: o dotor Coelho e o dotor Couto fizeram boas intervenções sobre o Orçamento (principal instrumento de governação autárquica) mas infelizmente não suscitaram discussão.   Do executivo saiu uma infinidade de nadas; e da bancada da maioria, depenada de saber e definitivamente entregue ao facilitador de negócios, saiu a habitual ladainha retórica cheia de farfalhice juvenil.

14 de dezembro de 2023

Secos & molhados: o Natal às escuras

 


Chegados a meio de Dezembro, a maioria das ruas da cidade ainda está agora a vestir-se de Natal. Podemos dar todas as voltas que quisermos ao texto, mas  é a iluminação que faz a diferença numa terra, seja ela de que dimensão for. E aqui já todos percebemos que este ano a coisa correu mal. Anda agora a ser remediada, aos remendos, e foi preciso um jornal de Leiria trazer a notícia para sabermos que, alegadamente, a empresa contratada pelo Município não cumpriu o contrato. Depois, outro jornal de Leiria fez o favor de passar a mensagem da autarquia: na última reunião do executivo, à porta fechada, a vereadora do pelouro pediu desculpa aos pombalenses. 

Não sou daquelas para quem as desculpas se evitam. Os erros acontecem. Lá diz o povo que errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Desde que chegou à Câmara, Pedro Pimpão estendeu a passadeira vermelha a JVV, arrastando com ele tudo o que é adorno. Está bem de ver que, no final das contas, esta é a segunda empresa pouco recomendada para os trabalhos, envolvida numa trapalhada qualquer. Mas esse não é o problema. O problema é mesmo uma Câmara que colecciona prémios e se desfaz em publicações e toda a espécie de comunicação não ter arranjado tempo e espaço para esse pedido de desculpas. Nem era preciso tanto...bastava uma explicação. Mas ali no Largo do Cardal o executivo está tão ego-centrado em citar-se, em mostrar-se, em promover-se, que depois falta o essencial: tempo para os munícipes. Respeito. Consideração. Estou certa que a maioria dos comerciantes, se fosse chamada a isso, estaria disponível para colaborar numa solução qualquer. E outros agentes também. Há municípios que desenham assim as festividades, envolvendo a comunidade. 

No final das contas, há nisto um paradoxo: a Câmara que mais passa a vida em festas não consegue organizá-las como era preciso. Dos tempos do coaching Pedro Pimpão poderia ter retirado aquele ensinamento do foco. É isso que lhe falta. É claro que entre as idas à Covilhã e a Lisboa (lá foi mais uma excursão, desta vez a convite de Paulo Mota Pinto, para a Assembleia da República) gasta-se muito tempo. Que é, como sabemos, essencial para fazer coisas. 


13 de dezembro de 2023

Episódio da burlesca ilusão

A Associação Portuguesa de Imprensa atribuiu ao Município de Pombal – ao dotor Pimpão - o Prémio Promoção da Imprensa. No caso, Promoção na Imprensa. 

No mundo da burlesca ilusão (da mentira) tudo o que a serve vende-se (e compra-se) sem freio. Mas não há nada mais enternecedor que um náufrago agarrado a uma bóia furada em águas revoltosas.

6 de dezembro de 2023

Obrigado Sérgio.


 *foto no jantar do 10º aniversário do Farpas, 25 de Abril de 2018

O Sérgio Medeiros foi-se embora ontem, subitamente, com a mesma discrição com que passou pela vida, contrastando com o impacto da sua existência na terra. Na terra que o viu nascer, crescer (e morrer), onde deixa a sua marca tão vincada. Na terra que queria compreender, descendo-lhe às entranhas. Foi por isso que há tantos anos criou, com alguns amigos, o Grupo Protecção Sicó. O Sérgio fez de tudo para proteger a serra, sempre. E a terra também. 

Numa noite fria de Janeiro de 2018, ele o o Hugo Neves sentaram-se connosco a explicar tudo o que não sabíamos, ajudando a preparar o debate mais participado de toda a série "um café e uma farpa", sobre o CIMU Sicó. O Sérgio era de uma generosidade intelectual acima da média, mesmo que travada pela timidez. Pela vida fora, foi a ele que recorri quando precisava de juntar uma opinião conhecedora em artigos que envolvessem a terra e a serra. Porque ele era um cavaleiro andante da natureza. Que vagueava silenciosamente, sem se fazer notar. 

Obrigada Sérgio, pela marca que nos deixas. 

Um abraço à Cláudia, ao Afonso e ao Miguel, e também à Manuela e ao Arlindo Medeiros, ao Gustavo, e a todos os que lhe sentirão para sempre a falta. 

4 de dezembro de 2023

GOP e Orçamento mais ou menos compromissados

Quem não conhecesse nada da política pombalense, e das criaturas que nela vegetam, e, por mero acaso, assistisse à "discussão" e votação das Grandes Opções do Plano (GOP) e Orçamento, realizada na última sexta-feira, ficaria estupefacto com a mediocridade reinante. Mas o problema maior já nem é esse; é meter-se nas mãos destas criaturas tanto dinheiro. E pior: estarem todos empenhados na contratação de mais aos bancos! 

Já houve um tempo, recente, em que a apresentação e discussão das GOP e Orçamento era um momento alto da política pombalense, com discussão acesa, esclarecida e esclarecedora. Actualmente, no registo "junta", é uma mera formalidade, onde cada parte faz a sua declaraçãozinha, e ala que se faz tarde e a festa não se pode perder.

Pela sua conhecida aversão aos números e por aparentar sintomas de urticária, o dotor Pimpão limitou-se a introduzir o assunto com as habituais expressões pomposas, que só ele entende, entrecortadas com muita mímica de mãos, e passou o assunto à dotora Marto, que se limitou a ler a apresentação preparada, e a acrescentar uns comentários... - saía melhor daquilo se se tivesse limitado a ler. 

Já todos sabíamos que os documentos tinham o destino traçado: aprovação pela maioria. Mas faltava saber o que iria dizer deles a dita “oposição”. Este ano teria sido fácil evitar a má-figura. Bastava optar pela abstenção, que não compromete muito, e remeterem-se ao silêncio aproveitando a falha regimental do dotor Pimpão - entregou os documentos fora de prazo. Mas a atração pelo micro falou mais alto. Falaram tanto, e disseram tantas banalidades e tontices que o micro entupiu! Mostraram-nos o que já sabíamos: que não têm ideias - ou melhor, que subscrevem as intenções  da maioria -; que tem pouca ou nenhuma noção do que é a administração autárquica e as  atribuições dos municípios; e nenhum tino sobre o que é a ação política e o seu papel.

Do que faz avançar uma terra falta-nos quase tudo: não temos governo, nem poder, nem oposição, nem exigência colectiva. Entrámos definitivamente numa espiral de declínio, onde umas quantas criaturas foram feitas e juntaram-se para se ampararem reciprocamente.



1 de dezembro de 2023

“Junta” reuniu em espírito natalício

Ainda não estávamos – e estamos - em período natalício, as luzes e as músicas da época ainda não chegaram nem se sabe quando chegam, mas os membros da “junta” já estão no espírito da época. Foi lindo vê-los trocar sorrisos e amabilidades na última reunião, ontem, em Vermoil.



A “junta" trazia a “lição” bem preparada, com o dotor Pimpão a entrar comedido deixando espaço e tempo para as segundas figuras brilharem. A “oposição" alinhou no alinhamento, fornecendo as “deixas” convenientes. O dotor Simões ainda destoou querendo saber como ia o trabalho de recolha do cancioneiro popular local “acordado” com o Tiago Pereira, mas foi coisa insuficiente para comprometer o espírito de concórdia e de profícua colaboração.

A dotora Odete forneceu uma excelente “deixa” à dotora Catarina – aquele caderninho nunca a deixa ficar mal. Mas a dotora Catarina, ontem, não precisava do jeitinho: trazia a “lição” bem preparada. Brindou-nos com um rodízio variadíssimo de prémios e distinções, já conquistadas e a concretizar até ao final do ano. A cereja no topo do bolo foi quando ela anunciou que Pombal é candidato a “Concelho Taurino”, e está bem posicionado para obter tão distinta Consagração. Nestas coisas esta malta - Pimpão & C.ª - nunca falha.

O dotor Navega foi obrigado a falar de obras. Perguntaram-lhe pela concretização do Orçamento Participativo de 2017 (Cobertura dos campos do Clube de Ténis). Assumiu que a obra é muito mais cara do que o prometido, e (ainda) não tem dinheiro para obra. Mas para as festas nunca falta dinheiro, diríamos nós, mas não o diz a dita "oposição". O dotor Navega era um homem das obras, respeitado e respeitador, e num ápice, coitado, rendeu-se às festas - o que fazem as más companhias! Agora, o homem nem os campos, para ele e os amigos jogarem Padel, arranja! Já se diz que faz lembrar o engenheiro Almeida, de quem diziam que era tão incapz que nem a estrada para a sua casa arranjava!

Quem esteve muito bem foi a dotora Gina – a varredora da cultura, como lhe chamou o Salvador Sobral no espectáculo que aqui realizou recentemente, e vai repetir! Nota-se que está mais solta e mais afirmativa; leu muito bem o relatório das festas e espectáculos que lhe prepararam, e anunciou um Natal de arromba com um orçamento de 280.000 € - Orçamento...! À “partida” que o dotor Simões lhe pregou respondeu que o assunto deveria estar com a direcção da Cultura, onde se diz que ela não risca nada – a sua especialidade são as festas e os trail.

A dotora Marto, sempre discreta, não quis ficar atrás: anunciou uma grande gala de apresentação das propostas do Orçamento Participativo no Café Concerto e on-line. De eventos e anúncios estamos fartos, dotora Marto. Do que a malta gostava era de uma obrazita!