23 de fevereiro de 2021

Para quem é bacalhau basta?

Nasci numa aldeia onde o colectivo sempre importou. Muito antes de haver uma associação (com estatutos e corpos sociais e tudo o que Abril nos trouxe, no final dos anos 70), o povo já se encontrava para fazer coisas, fosse no largo da capela ou num barracão, numa casa em construção ou numa esquina qualquer. Nasci naquela parte da Moita do Boi que era pertença da freguesia da Mata Mourisca (mais tarde da Guia), mas tinha menos de um ano quando me mudei para esta rua que as fotografias vos mostram. Rua da Guarita, Rua do Campo de Futebol. Metade das casas ali construídas nos últimos 50 anos são da minha imensa família. Cresci ali, à beira de uma estrada de terra batida, onde esfolei os joelhos vezes sem conta, onde no inverno havia uma brincadeira divertida que era não pisar as poças, numa gincana até chegar à estrada principal - também ela ainda de terra batida - e depois à escola. Lembro-me bem do espanto de uma das minhas professoras da primária, que me fez pensar pela primeira vez no que era não ter alcatrão. Foi numa aula de Meio Físico e Social. De modo que me lembro bem do que fomos, enquanto povo, num país desigual. Uma das primeiras lutas do meu pai quando voltou à terra foi essa do alcatrão. Ele e uns amigos andavam de casa em casa, com "os homens da Junta", a convencer os pares a ceder uns centímetros de terra, para que a estrada pudesse servir também para os automóveis. Não foi há 100 anos, foi há menos de 40. 

Ao mesmo tempo, o meu pai e esses amigos, e os homens mais velhos e os rapazes novos, erguiam a sede da Associação Desportiva Recreativa e Cultural da Moita do Boi (hoje também de promoção social). Nos tempos livres, organizam-se para os trabalhos de construção. No dia em que foi colocada a "primeira placa", juntaram-se para uma foto de grupo, que lá está, na parede do Bar da Associação, para que ninguém se esqueça de onde veio. E já se sabe, na Moita do Boi tudo começa e acaba na bola. A Associação nasceu a partir de uma equipa de futebol já formada - Os Corsários. Não é por isso de espantar a bravura com que tudo se faz. Só assim se explica que numa aldeia (que não só não é sede de freguesia como é dividida por duas - Guia e Louriçal), um clube que começa com uns rapazes a jogar  à bola onde calhava, a troco de recreio, chegue onde está. Desconfio que muitos não sabem que a Moita do Boi milita hoje na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria, a mesma onde estão o GD Guiense e o Sporting de Pombal. 

Desconfio que os autarcas também não sabem. Ou melhor, a memória selectiva só lhes permite lembrar desse feito em época de eleições, quando vão todos desfilar para o campo, nas bancadas, a ver o jogo e dar o seu apoio, a troco dos votos. Se não fosse assim, como é que se explica de forma racional o que está a acontecer neste primeiro trimestre de 2021? Como é que chegados a este tempo é possível fazer uma obra de tamanha vergonha, sem um único passeio? Como é que se arrancam manilhas e se atiram para as eiras e entradas das casas? Como é que se refaz uma rua e não se pensa no escoamento das águas pluviais? 

Esta é a rua do campo de futebol. Mas é também a rua onde estão sediadas algumas empresas de obras particulares e públicas. Que liga a Moita do Boi a Santo António e ao Louriçal. Antes da pandemia, aquela rua era um corrupio, todos os dias (não apenas pelos atletas da equipa sénior e escalões de formação), à conta dos treinos, dos jogos, e da atividade económica. Passam ali camiões de grande porte - o que ajudou a rebentar o piso. Foi com entusiasmo que vi as máquinas chegarem. E foi com pesar que este fim de semana percebi o desleixo, a incúria, o desprezo com que ainda são tratados os cidadãos da aldeia onde eu nasci, onde moram os meus pais, os meus tios, os meus amigos de infância.

Porque o poder - seja ele qual for - continua a olhar para o povo com a mesma expressão de há 50 anos: para quem é, bacalhau basta. Basta, sim. Só que basta de nos comerem por parvos. 

21 de fevereiro de 2021

Despedida de um camarada


Fernando Domingues, camarada e amigo, figura histórica do Partido Comunista Português em Pombal, vai hoje a sepultar. Homem digno, dedicou a sua vida política e sindical à defesa dos interesses dos que não têm voz, dos que estão mais afastados dos centros de decisão. Foi-lhe particularmente cara a luta pela defesa da floresta e do mundo rural em Pombal, nomeadamente na salvaguarda da propriedade comunitária dos baldios e das comunidades de compartes, assim como na protecção da biodiversidade e o equilíbrio ambiental.

Serão sempre escassas as palavras a ser ditas nestas ocasiões. Poderia lembrar o passado no movimento associativo, o seu sentido de humor, a forma simples com que pautou a sua vida, os magníficos queijos que sempre tinha, a coerência do seu pensamento político, a sua alegria de viver. Mas, mais do que palavras, a justiça à sua memória só será feita assumindo a sua luta. É esse o meu compromisso, camarada!

19 de fevereiro de 2021

Pombal sempre na “vanguarda”


 

Na ultima semana, fomos assistindo a vários municípios aqui à volta, a trazer a publico como irá arrancar o processo de vacinação nos seus concelhos.

Desde a cedência de espaços para o mesmo, até o dia em que o mesmo processo arrancará.

De Pombal nada. Contudo, soube que o processo de vacinação já arrancou, e que algumas pessoas já foram vacinadas (ainda bem).

Numa altura em que tanto se tem falado na transparência da informação, não percebo o silêncio em torno do assunto. Parece-me (por aquilo que observo) não haver articulação entre o município e as autoridades de saúde.

Sr.Presidente Diogo deixe lá as reuniões com as colectividades, que isso já o devia ter feito antes, e faça lá um Briefing a fazer o ponto da situação. Os munícipes agradecem.

18 de fevereiro de 2021

Subsídios e politiquice

Em Pombal, os subsídios e a politiquice têm andado sempre entrelaçados. Daí que não se estranhe a forma como a câmara os tirou (ou cortou) recentemente e os prometeu reforçar de imediato. Há muito que os subsídios são o alfa e o gama da política pombalense.

Para o bem e para o mal, esta trapalhada política tem um mentor (Diogo Mateus), um executor (Pedro Martins) e um denunciador (Pedro Brilhante) - o PS entrou nisto por arrasto.

Mas neste folclore não podia faltar o PSD local – Pedro Pimpão -, que veio censurar, em comunicado, o “ aproveitamento político desta matéria por parte do Partido Socialista e do Vereador Pedro Brilhante, a quem já retirámos a confiança política em Julho de 2020”. 

Ao mesmo tempo que mina a (fraca) credibilidade de D. Diogo e do seu executivo e se quer impor como candidato alternativo ao candidato natural do PSD à câmara, Pedro Pimpão dá uma no cravo e outra na ferradura, coloca um pé numa margem e o outro na outra.

Cuidado com as pernas muito abertas, Pedro - é uma posição muito instável, e vulnerável. 

12 de fevereiro de 2021

Subsídios – do 80 ao 8 num ápice

Vai (ou ia), hoje, à reunião do executivo uma proposta de corte de 160.000 € aos clubes desportivos do concelho (aproximadamente 40% do montante global e 50 % aos maiores clubes). 

Para tal, bastou que D. Diogo lavrasse um despacho que altera dois critérios do regulamento de atribuição de subsídios desportivos e o seu “vereador” executasse (L`Etat C`est Moi!).

Mas quando os clubes foram informados do que se ia passar na reunião (tinham sido avisados que eram pequenos cortes) revoltaram-se.

Perante a revolta, D. Diogo escondeu-se e mandou avançar o “vereador” do desporto – Pedro Martins – que, com a habilidade política que lhe conhecemos, em vez de acalmar a revolta estimulou-a. Não explicou nem negociou a medida; quis simplesmente saber como é que os clubes tinham tido acesso à informação - sempre a paranoia do controlo da informação. 

Resultado: alguns clubes (GD Ilha à cabeça) ameaçaram encerrar e entregar as chaves à câmara, se a proposta for aprovada. 

E agora, D. Diogo?

9 de fevereiro de 2021

Já há candidatos no Oeste

 

Enquanto cá no burgo persiste a dúvida (oficial) sobre quem são os candidatos à Câmara, naquela ala que domina o eleitorado, no Oeste as eleições autárquicas já correm com "normalidade". Gonçalo Ramos avança para um segundo mandato por conta própria, como independente, desta vez sem o chapéu de um movimento que nasceu e morreu em 2017 - Narciso Mota Pombal Humano - e que teve ali a sua única vitória.

Apesar de não apreciar o estilo engraxador que perpetua nas reuniões da Assembleia Municipal, e a bajulação ao presidente da Câmara, reconheço que cresceu muito ao longo deste mandato, sobretudo no relacionamento com os fregueses. E não é fácil comandar um barco como o daquela Junta de Freguesia, num mar agitado como é aquele onde navega. Demorará décadas até que sarem as feridas da agregação na Guia, Ilha e Mata Mourisca. 

E eis que finalmente Carlos Mota Carvalho pode ser candidato, agora que se aposentou. O dirigente associativo anda há (muitos) anos à espera deste momento. Será o cabeça de lista pelo PSD no Oeste. O convite está feito e aceite. Não é encarado com bons olhos por todo o núcleo do Oeste, mas...é a vida. 

Do PS, nada. Dos outros também não. 

3 de fevereiro de 2021

Os “processos” do processo (parte II) – Crime e Castigo

A reunião do executivo de 4 Janeiro, onde se discutiu e aprovou as conclusões dos inquéritos disciplinares às duas funcionárias do departamento de recursos humanos, ficará para os “anais da história” – como bem disse o doutor coiso. O vídeo/áudio abaixo mostra o essencial da longuíssima e despudorada discussão.

Como já aqui tinha informado, o instrutor – o “conhecido” dr. Agostinho – popôs, e o presidente subscreveu, a suspensão de funções de uma funcionária por 45 dias e outra por 90 dias, ambas com execução de pena suspensa por 2 anos.

Após a apresentação das conclusões - pelo presidente da câmara - o vereador Pedro Brilhante fustigou até à náusea o libelo acusatório por este se basear quase exclusivamente nas confissões das visadas (e no que não o é deriva delas), feitas por escrito, em dois momentos desfasados no tempo, com circunstancialismo, pormenores e formalismo jurídico de tal forma rebuscados que as torna pouco credíveis. São confissões que acabrunham quem as profere, pela culpabilidade e nível de incriminação assumidas, das quais se pode tirar não importa o quê, mas nada de bom para quem as profere; e em que - como bem disse Pedro Brilhante - só gente muito estupida acredita.

Estava dada a deixa para D. Diogo - o douto nobre sem nobreza – apoucar Pedro Brilhante. Recomendou-lhe a leitura de um clássico da literatura, “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, para que pudesse compreender que a consciência (pelo remorso e contrição) de um cidadão pode ser aquilo que verdadeiramente lhe dá paz, tranquilidade e bem-estar; e que, quem verdadeiramente não consegue perceber que isso é uma coisa boa é que é verdadeiramente estúpido. O nível da conversa ficou definitivamente traçado, depois foi sempre a descer.

Não se pode dizer que a escolha do “Crime e Castigo” para ajudar a interpretar o intricado enredo dos processos disciplinares em causa seja desajustada; até por que, se Pedro Brilhante tivesse lido Dostoiévski, teria podido dizer a D. Diogo que a tomada de consciência e o arrependimento do criminoso não acaba sempre, nem geralmente, com a sua pacificação; inicia, muitas vezes, um processo de auto-destruição do arrependido que conduz ao desespero e até ao suicídio. Mas, ajustado, ajustado, teria sido a escolha de “O Processo”, de Kafka, mais alinhado com esta trama.

 Se D. Diogo leu Dostoiévski – pode ter ficado somente pelo prefácio - sabe, com certeza, que num “crime” não participa somente o executante; participa igualmente o cúmplice, o consentidor, o influenciador, etc. Pelo que se vai sabendo, parece evidente que por toda a câmara, e não só no departamento de RH, surgem regularmente e à vista de toda a gente, irregularidades, falhas, abusos e apropriações indevidas. E D. Diogo comprova-o. E não parece que a leitura do “Crime e Castigo” o tivesse ajudado no processo de consciencialização. D. Diogo é uma espécie de antítese de Mefistófeles, que dizia que queria o mal e não fazia senão o bem. No final desta discussão, D. Diogo anunciou mais três processos disciplinares por factos conexos com a “matéria” destes processos. A intifada continua, como bem disse Pedro Brilhante.

 A doutora Odete - sempre alinhada com o doutor coiso - acompanhou e suplantou até D. Diogo na incriminação das “desventuradas” – nunca a vimos tão determinada e aguerrida na defesa de uma causa! Começou por se indignar por o vereador Pedro Brilhante ter criticado a forma como defesa das funcionárias (não) foi feita; depois, discorreu sobre a verdade e o valor da confissão como prova, sem nunca suscitar uma ponta de dúvida sobre as condições e a forma como as confissões foram obtidas. Será que a doutora Odete considera que a confissão é a rainha das provas, como foi no passado, no Império Romano e na época da Inquisição? Como boa-cristã estará ela convencida que a confissão, o arrependimento e a penitência purificam tudo? No final, alegou impedimento na votação por ter sido advogada de uma das funcionárias (Pedro Brilhante tinha-o lembrado pouco antes!), mas não o quis dizer aqui no Farpas, mesmo depois de ter sido desafiada a justificar o impedimento.

O doutor coiso gastou - mais uma vez - o tempo e a energia a mostrar o que não é. Primeiro, a censurar e depois a aconselhar Pedro Brilhante sobre a forma de fazer política. Depois, a mostrar muita compaixão pelas funcionárias e a suplicar máxima reserva da intimidade das suas vidas privadas, até porque, disse ele, uma delas estará por um fio. Pelo meio, defendeu com “unhas e dentes” a acusação e teceu rasgados elogios ao instrutor - percebe-se: têm atributos semelhantes, mas pouco recomendáveis. Terminou da forma mais abjeta e na mais profunda contradição, profanando o que tinha começado por implorar aos outros: falou da vida privada das funcionárias, nomeadamente do lado mais íntimo e mais dorido da vida de uma delas. Afirmou que foram dirigidas por quem se aproveitou delas e acabaram por criar factos na vida delas, alguns já não têm volta, pois uma - e nomeou-a - está divorciada, e divorciou-se no âmbito destes factos. Simplesmente execrável. Quando o doutor coiso prega moral ou apregoa virtude é capaz de irritar um morto.


2 de fevereiro de 2021

O estado a que chegámos: da incúria à xico-espertice


A SIC abriu o noticiário desta noite com laivos de proximidade a Pombal: o marido da responsável distrital da Saúde Pública, Odete Mendes (natural de Vermoil), foi vacinado contra a covid-19, sem fazer parte de nenhum dos grupos indicados como prioritário. Estava "ali à mão", que é como quem diz dentro do carro, como explicou aos jornalistas em tom exasperado outra médica de Saúde Pública, Ana Silva. 
As notícias dos últimos dias sobre a vacinação mostram bem o oportunismo e a xico-espertice que reina nas instituições de solidariedade social deste pobre país - que de resto explica bem o número de casos elevados que proliferam lá dentro. Mas não é só. Este encobrimento tácito nas estruturas da Saúde públicas chega a dar náuseas. Ao mesmo tempo que Armínio Azevedo negava, ao telefone, ter sido vacinado, a mulher, Odete Mendes, confirmava-o de viva voz e consciência tranquila. 
E o que tem isto a ver com o facto de Pombal continuar sem delegado de Saúde? - perguntará o leitor, perante a incapacidade do vereador Pedro Murtinho em explicar, na reunião de câmara, o que é que o poder político tem feito por isso. Ora acontece que Odete Mendes foi a mesma que passou por cima de uma ordem de José Ruivo, em novembro, dando parecer positivo a um torneio de xadrez onde o marido iria participar, quando as indicações do então delegado de saúde iam no sentido contrário. É a mesma com quem D. Diogo reúne. Só não sabemos se também já falaram desse gesto demagógico do nosso presidente da Câmara, que mandou emitir um comunicado a anunciar que prescindia da vacina, sob o argumento de que "o Estado deve ser criterioso e que o Plano Nacional
de Vacinação seja executado a um ritmo muito elevado”, privilegiando  "os cidadãos com mais de 80 anos". Diz o autarca-modelo que isso de considerar prioritários os responsáveis  locais pela Proteção Civil (como é o caso dele) “resulta de um processo lamentável de atropelo e respeito pelas pessoas mais prioritárias e mais confrontadas com o risco". Em certa medida, lá tem a sua razão. Só corre risco aquilo que existe. E em Pombal, não sabemos nada da Proteção Civil nesta pandemia. 
Ora, perante este lodaçal em que andamos a escorregar todos os dias, espero que D. Diogo guarde uma réstia do seu moralismo para as conversas com a coordenadora da USP Pinhal Litoral. E já agora, que Pombal não apareça nas notícias um dia destes. Certamente não aparecerá, porque quando a excepção se torna regra, entramos no registo do cão que mordeu o homem. E como se sabe, só o contrário é notícia.

1 de fevereiro de 2021

Obviamente que a obra é para avançar!

 



Supostamente, arrancaram hoje as obras de requalificação do Jardim da Várzea (do lado do caminho de ferro).

Afinal a tal “auscultação pública” do projecto serviu para quê? Serviu para atirar areia para os olhos daqueles mais distraídos e para os crentes. Se o projecto já tinha ido a concurso publico, queriam o quê?

Foram enganados Caros Pombalenses! Nada que já não tivéssemos alertado por essa altura.

30 de janeiro de 2021

D. Diogo faltou!

D. Diogo faltou à reunião do executivo municipal. Preferiu a reunião da CCDR Centro.

Percebe-se: o momento é de resguardo, de jogar com o tempo, de dar a iniciativa ao adversário. 

Fugir mostra fraqueza. Mas o homem que foge pode combater outra vez.

D. Diogo mantém-se em combate.


28 de janeiro de 2021

A saúde que (não) temos




Passaram quase dois meses desde que o delegado de Saúde pediu a exoneração. Não foi substituído. Mas ninguém parece importar-se com isso.

Desde final de novembro que "a vida é sempre a perder", como cantam os Xutos, no que diz respeito à situação de Pombal face à pandemia. Mas o poder político parece mais preocupado com passeios no parque, exibicionismo de boas práticas disto e daquilo, do que em bater o pé e exigir que um concelho como este - que tem só um dos números mais elevados do distrito no que respeita à letalidade por covid-19, à data de hoje 566 casos activos - tenha o que merece: uma autoridade de saúde que não comande a pandemia à distância.

Depois da saída de José Ruivo, a médica que supostamente o viria substituir ficou "retida" em Leiria. E é a partir daí que somos vistos, que é coordenado o estudo epidemiológico, segundo as regras ditadas pela tutela: o rastreio de contactos dos infectados faz-se a 48 horas, e não a 14 dias, como defendia o anterior delegado de saúde. Talvez isso explique por que razão, até novembro, Pombal era uma exemplo a quebrar cadeias de contágio. É claro que entretanto o efeito bola de neve ganha escala... E por mais competentes que sejam os profissionais de saúde que a partir de Leiria coordenam o trabalho do ACES Pinhal Litoral, não é bem a mesma coisa do que estar no terreno. Saber se naquela localidade há um parque industrial, um supermercado ou um café. Ou já não nos lembramos de como era até novembro?

Qualquer cidadão bem intencionado (e não de bem...) imagina o esforço hercúleo que médicos, enfermeiros e administrativos estão a fazer por cá, para que o Centro de Saúde de Pombal e as Unidades de Saúde Familiar (São Martinho e Marquês, na cidade; e Vale do Arunca e Sicó) continue a trabalhar com a aparente normalidade. Contando que as falhas de meios humanos são imensas, que faltam médicos, que ainda recentemente a Unidade de Saúde Pública esteve três semanas sem administrativa. 

E nisto, temos quase 3000 utentes sem médico de família.

A reboque da pandemia, há um tecido social que se fragiliza e precisa de apoio. Imaginemos uma família infectada, sem rede, que ainda por cima tenha a seu cargo um idoso. Quem é que a apoia? Noutros concelhos essa é uma articulação que está a ser feita pela Protecção Civil. Mas aqui preferimos gerir egos e questiúnculas, concentrando esforços no que é acessório e não no que é essencial. A propósito, por que deixámos de ter o tradicional briefing com/para a imprensa, logo quando era mais preciso? Por que deixamos de ter boletins epidemiológicos?

Recordo que temos 1 presidente da Câmara e 8 vereadores. 13 presidentes de Junta. Uma presidente da Assembleia Municipal. 27 membros eleitos por 5 forças políticas. Será que algum mexeu uma palha em nome deste elefante na sala?

Passaram quase dois meses desde que o delegado de Saúde pediu a exoneração. Não foi substituído. Mas ninguém parece importar-se com isso.

 



Auschwitz

Porque ontem foi dia internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. 


Tinha 23 anos quando cheguei a Cracóvia para uma visita. 


Hoje acho que a sorte bafeja-nos o destino para que não passemos pela vida com falta de experiências para uma vida toda. 


Era a viagem que punha um ponto final a quase dois anos na Alemanha, que tinha também ditado a minha interrupção do curso de Economia. Por isso tinha que ser mítica.


O motivo principal da paragem em Cracóvia significou, na altura, falta de planeamento ou sequer uma pesquisa sobre as atrações turísticas da cidade. 


Na segunda-feira levantei-me de manhã e percorri a praça do mercado. Lembro-me da presença de imagens e estátuas de Karol Wojtyla por todo o lado. Afinal foi ali que andou no seminário. E eis que vejo a paragem de autocarros para os sítios turísticos. Foi na noite anterior que me falaram que estava perto dos campos de concentração. Não estava minimamente preparado para o que ia ver nesse dia.


Fiz a visita sozinho, senti-me um peregrino  que expia os seus pecados. 


É impossível não nos sentirmos culpados do pecado da humanidade, da qual fazemos parte e estamos intrinsecamente ligados. É impossível não chorar. Levar um pontapé no peito quando respiramos aquele lugar. É preciso parar, muitas vezes, para reflectir e digerir as monstruosidades que nós fizemos a outros como nós. Como fomos capazes de deixar que o ódio por outros, iguais a nós, inebriasse perdidamente a réstia de empatia nos nossos corações. 


Demorei o dia inteiro... não consegui comer. Bebi apenas a garrafa de água que levei. Sentei-me em várias pedras. Fiquei mais de uma hora no pátio junto à parede onde fuzilaram milhares, mesmo ao lado do edifício onde fizeram os testes humanos. Levei os dedos aos buracos de balas na parede, fim da linha do trajecto que tinha trespassado alguém como eu. Passei pelos fornos semi destruídos.


Não falei nesse dia.


Despedi-me com os olhos da frase “Arbeit macht Frei” em ferro.


É preciso não esquecer.


Foto: Czesława Kwoka, menina, 14 anos (foto original a preto e branco colorida por Marina Amaral)



O XATO - Os "Humanos"


 

25 de janeiro de 2021

O que dizem os teus votos

O resultado das eleições presidenciais de ontem é uma espécie de choque frontal com a realidade, que passou diretamente das redes sociais para os boletins de voto.

Pombal é o que sempre foi - ao contrário de muitos concelhos que só agora estão a (re)descobrir a banalização do mal e o discurso do ódio, através da retórica fácil de AV, sempre de faca afiada e língua de fora. 

A esta altura do dia já todos estamos fartos de análises, de comentadores, e seria bom que os líderes partidários tivessem percebido o que parecem querer continuar a ignorar: nada fica como dantes, depois destas eleições terem revelado que Portugal continua, afinal, alinhado com o resto da Europa e do mundo, só com um bocadinho de atraso. Não é defeito, é feitio. O que aconteceu agora à esquerda (que não percebe a importância de se unir em vez de esfrangalhar) já acontecera antes noutros cantos do mundo. A ascensão  apocalíptica de Ventura não é diferente da de Le Pen, Bolsonaro ou Trump. A base do seu eleitorado é a mesma, e não é a esses que devemos culpar, pois que o desencanto e a revolta nunca deram bom resultado. Rui Rio não percebeu nada do que se passou ontem, e seria bom que alguém fosse capaz de lhe explicar. Do Chicão não se pode exigir mais do que aquilo. É na direita democrática que está o segredo para fechar esta caixa de pandora.

Mas voltemos a Pombal. Conheço muitos dos que deram ao "messias" estes 2.366 votos, e que se vinham revelando nas redes: há uma maioria, jovem, que nunca votava, e que agora vê nele a salvação "para essa cambada de ladrões e chupistas". Depois há mais velhos, que replicam sem pensar todos os mêmes que lhe aparecem à frente, contra os "malandros que não querem trabalhar", contra o RSI, contra os imigrantes, contra os refugiados. E ainda há os outros, saudosos do tempo da outra senhora. Esses, pelo menos, nunca enganaram ninguém. E continuarão a ser tratados nos hospitais públicos, a receber a dignidade que negam aos outros, em todas as áreas. Preparemo-nos para as autárquicas...

Há muitos anos, num aniversário da revolução que permitiu a estes todos a liberdade (que acabaria no exacto momento em que a extrema-direita chegasse ao poder), publiquei no jornal que dirigia um artigo de opinião de um assumido defensor desse tempo. Porque naquela altura, muito jovem, cheia de esperança no mundo, ainda acreditava que a liberdade de expressão era isso: dar voz a todos, até a esses. Encontrei na rua um leitor que me disse assim: "pois eu não sei se aqueles que são contra a liberdade merecem usá-la, sobretudo para isto". Hoje sei que tinha razão.

Marcelo ganhou também em Pombal, mas por menos que em 2016. Perdeu mais de 3.200 votos. Também votaram menos 3.770 eleitores. Percentualmente, dilatámos ainda mais a abstenção. E há apenas uma freguesia onde Ana Gomes fica à frente de AV: Pombal.

 E quem é que subiu aqui a votação, quem foi? Tino de Rans, que um dia vi hipnotizar uma galinha junto ao mercado municipal, quando ele era a atração de uma campanha autárquica do PS. Quem foi que disse que éramos uma espécie de Entroncamento?

O XATO - Pelos Cabelos


 

24 de janeiro de 2021

A (in)esperada saída de Diogo




Os órgãos distritais  - e nacionais - do PSD preparam-se para ratificar  o nome de Pedro Pimpão como candidato às eleições autárquicas deste 2021. Tornou-se, afinal, inevitável - mesmo com a pandemia no seu auge. 

Em nome da franqueza que me merecem os leitores do Farpas, admito: sobrevalorizei Diogo Mateus e  menosprezei Pedro Pimpão, neste jogo de cintura política. Acompanho o percurso dos dois desde o princípio, e não julguei que a capacidade estratega do primeiro escorregasse em cascas de banana; Podemos tirar (todos) daqui uma grande lição: nunca é bom contar só com a sua própria esperteza, por mais alicerçada que esteja em conhecimento e capacidade. 

Diogo cometeu vários erros neste trajeto que preparou desde a juventude, e ao longo do qual ultrapassou obstáculos complicados [recuemos a 2001, quando Narciso o deixou de fora das listas, deu a volta por cima e conquistou a Junta de Pombal para o PSD. Conseguiu voltar à Câmara em 2005 e aguentar o cargo de vereador até chegar a sua hora de subir ao poder, em 2013]. Está na Câmara desde 1994. O maior erro talvez tenha sido rodear-se mal. No pressuposto de evitar capacidades maiores à sua volta, acabou sozinho.

Mas há erros que se pagam caros. E se a substituição - por razões que a razão desconhece - da vereadora Ana Gonçalves não teve grandes custos políticos (afinal ela continua ao lado dele, sempre, a votar quando é preciso), já a de Pedro Brilhante foi-lhe fatal. E embora a nível local o PSD tenha feito de conta que as denúncias de utilização de meios públicos para fins privados não importavam - os órgãos nacionais preferem não arriscar. A história autárquica está já bem recheada de casos que redundaram numa substituição do candidato à última hora, por contas com a Justiça. Aconteceu aqui ao lado, em Ourém, há 4 anos. E resultou numa derrota inesperada para o PS.

Percebe-se agora o peito cheio dos mais próximos de Pimpão: com a unanimidade da concelhia (os que iriam votar contra vão fazer o favor de não comparecer ao plenário de militantes, quando ele acontecer), a distrital só tem que aprovar-lhe o nome. 

Perante isto, já era tempo de Diogo dar uma palavra aos súbditos. 

Dirimir a altivez não é fácil, mas é digno. Se é que isso (lhe) importa.

22 de janeiro de 2021

Eleições em tempo de pandemia


No domingo vamos ser chamados a decidir sobre quem será o próximo Presidente da República de Portugal. Apesar das sondagens, é bom lembrar que não há vitórias antecipadas. A decisão está nas nossas mãos. 

A actual crise pandémica não pode confinar a democracia. Antes pelo contrário. Para além das questões de saúde pública, o momento que estamos a viver tem enormes reflexos sociais e económicos que não podem ser negligenciados. Os próximos anos serão decisivos e o papel do Presidente da República será crucial. Enquanto garante do regular funcionamento das instituições democráticas e, principalmente, pela incumbência que assume, no acto de posse, de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, o futuro Presidente da República terá que estar ao lado de TODOS os portugueses e ser consequente com o seu juramento.

São vários os candidatos (decentes) que, este ano, se apresentaram a eleições. As diferenças de personalidades e projectos políticos são muitas, o que enriquece a democracia. A cada um de nós, cabe escolher consoante os seus critérios pessoais. O leitor terá os seus; eu tenho os meus. Quero que o próximo Presidente da República seja uma pessoa séria, fortemente comprometida com a democracia, que não ceda a populismos, com capacidade e vontade de defender os interesses do país, dos portugueses e de todos os que escolheram o nosso país para viver, trabalhar ou estudar. Por isso, no domingo, não irei prescindir do meu direito cívico. 

Um apelo final aos jovens: não deixem os mais velhos decidir por vós. Lembro que o voto da vossa geração foi determinante para restaurar a decência no EUA

17 de janeiro de 2021

A Ermida de São João Baptista, no lugar dos Malhos

Antes de falar, como é conhecida, da Capela dos Malhos, remeto-nos para uma história fascinante: a Capela de Santa Ana.

A Capela de Santa Ana, situada no promontório da barra de São Martinho do Porto, lugar ermo e de difícil acesso, mas com uma localização e vista singular sobre o mar e a baía, terá sido construída durante o século XII e é apontada como o edifício religioso mais antigo do concelho de Caldas da Rainha e em particular da antiga freguesia de Salir do Porto.

Há pelo menos mais de um século que se encontrava ao abandono e tudo indicava que era uma questão de tempo até se deixarem de ver os escombros a que estava reduzida. Mas eis que, com um investimento de 93 mil euros e vontade se reconstruiu, o mais próximo do original possível, esta Capela.

Bem perto de nós encontramos a conhecida Capela dos Malhos que estará, grosso modo, no mesmo estado de conservação que a, agora fantástica, capela de Santa Ana.

A Ermida ou Capela dos Malhos consta no PDM do município como património referenciado e apesar de um esforço da população na década de 60, tal como a outra capela, parece irrecuperável.

De acordo com informações paroquiais de 1721 [Tese de Mestrado de Nelson Pedrosa] “foi erigida e fabricada pelo povo. Tinha capelão nos domingos e dias santos e pertencia aos moradores da marinha”. Apresenta ainda sobre o lintel, entretanto caído, a data de 1633.

Estando em ano de eleições autárquicas, pode ser, que com alguma vontade e algum investimento se possa replicar o que de bom se fez para os lados das Caldas. E com base neste exemplo de nada vale aqueles que dizem que "é complicado" ou que "já não dá para recuperar".

Ruínas da Capela de Santa Ana (Antes)

Capela de Santa Ana Reconstruída (Presente)


Capela dos Malhos (Presente)



15 de janeiro de 2021

PSD em confinamento

Consigo ouvir daqui aquele riso sarcástico de Diogo Mateus. 

Se o confinamento durar muito tempo, Pimpão e sua malta bem podem ir pregar sobre felicidade para o largo da capela de Santo Amaro.



8 de janeiro de 2021

Os “processos” do processo (parte I)

D. Diogo levou à última reunião do executivo - segunda-feira - as conclusões dos inquéritos disciplinares às duas funcionárias do departamento de recursos humanos (RH), com a proposta de suspensão de funções, por 90 dias para uma delas e de 45 para a outra, ambas com execução efectiva suspensa.

Antes de mais, convém esclarecer que os processos disciplinares às funcionárias dos RH são uma peça menor, de uma trama mais ardilosa, premeditada com muita astúcia, alguma malícia e uma boa dose de irracionalidade, a que foi preciso deitar mão, quando o primeiro processo ao ex-director de RH deu uma mão cheia de nada e foi necessário direcionar a acusação para outro campo e para outro processo. 

Como sabemos, o confronto de titãs envolve sempre peões, gente simples sem grande vontade e autonomia próprias, que é arrastada ou e se deixa arrastar para um “jogo” perigoso, que não dominam e do qual acabam por sair como as maiores vítimas.

Perante isto, o vereador Pedro Brilhante – único opositor ao poder instalado – escalpelizou bem os estratagemas utilizados para os fins em vista, a falta de consistência das conclusões/sanções e os riscos que as funcionárias correram ao assumir ingenuamente práticas e culpas que consubstanciam ou podem consubstanciar crime. Depois de afirmar que a defesa das funcionárias tinha sido má de mais para ser verdade, perguntou se a câmara já tinha apresentado queixas-crime contra as funcionárias e o ex-director de RH - como anunciado –, mas não obteve resposta. Foi nessa altura que a doutora Odete saltou para dizer ao vereador Pedro Brilhante que não lhe admitia que colocasse em causa a forma como a defesa das funcionárias estava a ser feita.

Chegado o momento de votação das sansões, a doutora Odete pediu escusa – alegou impedimento. O doutor coiso derramou fel sobre o inimigo de estimação.

Abre o jogo, Pedro.

De hoje a oito dias o PSD de Pombal reúne em plenário de militantes. É nesse dia que a concelhia designa o candidato à Câmara para as autárquicas que acontecem daqui por meses, lá para o outono. Até há um ano, o processo encaminhava-se para seguir pacífico, quando Diogo Mateus fez aquilo que mais tarde designou por "agitar as águas", ao anunciar que não tencionava recandidatar-se a um terceiro mandato. Duraria pouco tempo essa paz podre no reino laranja: "os mandatos são como os cafés, é um de cada vez" - sentenciou depois.

Enquanto isso, Pedro Pimpão - o segundo na fila do partido - foi reunindo tropas. Voltou a assumir [oficialmente] a presidência da concelhia (depois da demissão de Manuel António), e depois de um erro de cálculo que o deixou de fora da lista de deputados à Assembleia da República, lá se manteve à tona como pôde, na Junta de Freguesia. No verão, quando partiu à conquista dos caminhos de Santiago, ia convencido de que Diogo estava fora do caminho. Só que as decisões do maior profissional da política mudam ao sabor dos cafés, já se sabe. E quando regressou, Pimpão tinha à sua espera um balde água fria. Apesar de continuar a comportar-se amiúde como o puto da Jota a quem não se pede grande responsabilidade, ele bem sabe que já não vai para novo. Que 8 anos em política é uma eternidade. E que por isso não podia arriscar continuar apagado na Junta - pois que a pandemia impediu as festas e festinhas e torna tudo mais difícil na sobrevivência política.

E eis que - por vontade própria ou impelido por outros - fez a fuga para a frente: anunciou, no final do ano, na reunião da Assembleia de Freguesia, aquilo que aqui no Farpas já tínhamos adivinhado no vídeo de boas-festas, que cheirava a despedida: este era o primeiro e único mandato na Junta. Seguiram-se, nas redes sociais, lençóis de palavras envoltas em esperança e felicidade, criando uma cortina de fumo à volta do futuro. 

Ninguém no seu perfeito juízo acreditou que ia embora da Junta para se dedicar a uma profissão, como o comum dos mortais, por mais melosa que seja a conversa. Aqui chegados, um dos 6 pontos da reunião magna do PSD integra uma moção da comissão política que o defende como candidato. Ainda bem que o palco é o salão dos Bombeiros. Para simulacro, é o ideal. 

Da mesma maneira, ninguém acredita que Diogo vai entregar o poder ao Pedro, de mão beijada. Mesmo que Pedro tenha aprendido a não escorregar em certas cascas de banana, no último ano...

Abre o jogo com o teu povo, Pedro. Ou abre os olhos.

1 de janeiro de 2021

Os desejos de Ano Novo (como passar da teoria à prática?)

 


E assim se repete todos os anos. Todos vamos desejando, exprimindo, prometendo todo um rol de coisas lindas, bonitas. Quase sabendo de antemão que amanhã, ninguém se lembrará nada do que se disse – ou que se leu- e voltamos à azáfama dos dias.

Eu era uma daquelas “crentes” de que o contexto pandémico em que vivemos, que tanto nos tem posto à prova a todos os níveis, nos tornaria melhores enquanto seres humanos. Que o Mundo ia/vai ficar melhor. Precisava (preciso) de acreditar. Mas … Começo acreditar que levámos um abanão. Mas não passa disso.

Diz-me a voz da experiência, que a verdadeira crise económica e social, estará ainda por vir. Não sabemos concretamente quando, nem da intensidade da mesma. Temo que aquela ultima que vivemos, que foi dramática e devastadora, não é comparável com a que possamos experienciar (espero estar redondamente enganada). Muitos dirão que as dificuldades podem ser oportunidades (onde já ouvi isto no passado?).

É mesmo aqui que quero focalizar o meu post: as dificuldades de uns podem ser oportunidades (obscenas) para outros.

Diariamente recebo informação de ofertas de emprego de varias entidades, até porque pela actividade profissional que exerço na área social, ajuda-me a compilar informação para integração de pessoas no mundo laboral.

Esta semana recebo informação de uma empresa (group) “prestigiada” do nosso concelho com várias ofertas de trabalho. Uma(s) pérola(s):

Vou dar dois exemplos.

 Vaga para Engenheira civil (discriminação de género), com disponibilidade TOTAL de horários (em serviço permanente presumo) com transporte próprio;

Vagas para Praticante de fabrico, com horário de trabalho por turnos, mas ressalvando disponibilidade total para trabalhar sábados, feriados e horas extras (ahh! falta dizer que o vencimento é o SMN mais um pequeno subsidio de turno…)

Mas a cereja no topo do bolo é a parte final: “ Requisito transversal a todas as funções – nacionalidade portuguesa; sem problemas de saúde e transporte próprio

Daí o meu desalento. Não aprendemos nada. Temos memória curta. Agora imaginem se toda as nossas comunidades emigrantes espalhadas por esse mundo fora, tivessem encontrado empresas deste calibre???

Só me resta saber se estas vagas, a serem preenchidas, terão apoio do IEFP em termos de subsídios de integração. Se assim for, estou disponível para denunciar a quem tiver que ser, porque com isto eu não compactuo.

Feliz Ano Novo!

30 de dezembro de 2020

As (boas) festas da Junta

Pedro Pimpão dirige-se do Cardal para a Câmara, num exercício de treino. A mensagem é gravada e vai para o ar no dia de Natal, que é quando nasce o (Deus) menino. Ele e os seus 'reis magos', primeiro a solo, depois em coro, num chorrilho de agradecimentos mais carnavaleiro que natalício: agradecem e agradecem e voltam a agradecer, não com tónica de serviço público (como era de esperar), mas antes com foco no mandato. Serviço político e partidário, portanto.

Sendo assim, ficam duas dúvidas. Uma moral e outra legal.

1. Está Pedro Pimpão a despedir-se da Junta? Terá ele garantida a maioria dos votos na concelhia do PSD para fazer sair do caminho Diogo Mateus?

2. Qual é a alínea da lei das autarquias locais que permite juntar no mesmo executivo um vogal que deixou o cargo com aquele que o veio substituir? Se fosse eu a vocês não me espantaria que na reunião da Assembleia de Freguesia de Pombal marcada para hoje (em modo presencial, que loucura, no Teatro-Cine), Pedro Roma e Ana Carolina Jesus (eterna menina JA, aqui no Farpas) dividissem a cadeira. 

Oh sr. Nascimento Lopes, ponha lá ordem na casa.