3 de março de 2023

PMUGest respondeu ao Farpas

Depois do árduo e nada consensual “trabalhinho” do despedimento do engenheiro Carreira, a doutora Gonçalves partiu de férias para a neve – precisava, com certeza, de arrefecer os calores. Mas alguém a deve ter alertado, lá nos picos nevados, que o escândalo tinha sido colocado na praça pública, e gerado estupefação. Porventura, sentindo que o terreno lhe estava a fugir debaixo dos pés, agiu mas escondeu-se: mandou uma carta para a AM, assinada pelo presidente não-executivo, a justificar a trapalhada. A ladainha, para além de não esclarecer nada, reforça as dúvidas e expõe as sucessivas trapalhadas e as contínuas irregularidades.



Alega, na carta, que “o engenheiro Carreira foi contratado para Director Executivo da PMU (chamava-se assim na altura) em 2001, sendo que à data os acionistas decidiram não nomear um Administrador Executivo remunerado; e, mais tarde, em 2004, Manuel Carreira foi nomeado Administrador Executivo”. Depreende-se, destes dizeres, que o engenheiro Carreira foi contratado para Director Executivo e de imediato promovido a Administrador Executivo não remunerado, auferindo a remuneração do contrato como Director Executivo. Tudo coisas à moda da terra. E informa, também, que "em 2004, passa a ser remunerado como Administrador Executivo até Janeiro de 2022” – até à entrada da doutora Gonçalves para a sua função.

Perante todas estas trapalhadas e irregularidades, pergunto:

1 – O engenheiro Carreira alguma vez exerceu a função para que foi contratado? 

2 – Quando o engenheiro Carreira assumiu o cargo de Administrador Executivo não remunerado manteve o contrato de Director Executivo? E acumulava as duas funções?

3 – Quando o engenheiro Carreira passou a Administrador Executivo remunerado manteve as condições do contrato inicial ou foi-lhe fixada nova remuneração?

4 – Entre Janeiro de 2022, altura de cessação de funções como Administrador Executivo remunerado, e a presente data, por que condições contratuais o engenheiro Carreira foi remunerado, como Administrador Executivo ou como Director Executivo?

5 – O organograma do PMUGest contempla o cargo de Director Operacional. Quem exerce este cargo actualmente? Não foi este o único cargo que o engenheiro Carreira efectivamente exerceu?

Lendo a lei e conhecendo minimamente a realidade da PMUGest e o trabalho exercido pelo engenheiro Carreira no dia-a-dia percebe-se que, tendo ele mantido o Contrato de Trabalho como Director Executivo, este despedimento, por extinção do posto de trabalho, não tem condições para vingar em tribunal. Por conseguinte, pergunto:

1 – O presidente da câmara foi informado e deu aval a esta malvadez que só desprestigia as instituições públicas e onera o erário público?

2 – Se o processo terminar com acordo, como se prevê e o presidente da câmara já deu a entender, quem é que vai fazer o trabalho que o engenheiro Carreira efectivamete fazia? É a doutora Gonçalves, que o “substtituiu”? Ou vão contratar mais um quadro dirigente?  

Chega de trapalhadas, irregularidades e canalhices. A doutora Gonçalves está mais irregular e acrescenta menos à empresa que o engenheiro Carreira. 

2 de março de 2023

A diversão segue na BTL

Enquanto no PS se afiam as facas, para a noite das facas-longas, o Pedro diverte-se na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). A vida é ingrata: enquanto uns vivem os azedumes da desgraça colectiva; outros usufruem dos prazeres da boa-vai-ela. 



Como o divertimento é a felicidade do Pedro & C.ª, a roda tem que rolar e nós temos que a pagar. No ano passado, criticámos o Pedro por ele ter levado à BTL um autocarro cheio de gente, em passeio. Incomodado com a crítica, este ano carregou o burro (o orçamento): mandou fazer um stand, com a imagem do castelo, pagou terrado, contratou figurantes, à civil e disfarçados de marqueses e condessas, mandou servir petiscos e bebidas, para consolo dos convidados do costume e dos veraniantes, e assim, entre brindes e futilidades, fez a festa. 

Há gente que aprova este folclore; e outra, até mais fútil e instruída, que julga que isto traz algum retorno para o concelho. Este ano, muitos já recusaram o convite, já houve dificuldade em encher o autocarro, sinal que a mensagem vai passando… Mas há uma dúvida que me intriga: será que o Pedro acredita que está a fazer alguma coisa de útil para o concelho, ou isto é tudo aldrabice para enganar papalvo? Custa-me a acreditar que executivos municipais, sobrecarregados com atribuições e problemas, a que não conseguem dar resposta, desbaratem tempo e dinheiro julgando que se pode retirar algum retorno deste tipo de eventos. Mas quando oiço o Pedro defender que o turismo é vector estratégico para o desenvolvimento do concelho, e que o turismo associado às ditas figuras históricas - Marquês e afins – tem grande potencial, fico perplexo.

Quem age desta forma, continuará a apregoar a falácia da aposta no potencial turístico do concelho e a desbaratar rios de dinheiro público, necessário para ajudar a solucionar carências graves do concelho, em coisas tão desastrosas como CIMU-SICÓ, Quinta de Sant` Ana, Casa da Guarda Norte, etc.

Siga a festa.

O canto do cisne no PS

 


Os membros da comissão política concelhia do PS receberam ontem à tarde uma convocatória do indigitado presidente, Joel Gomes, para uma reunião extraordinária com um ponto único: retirar a confiança política ao líder da bancada do partido na Assembleia Municipal, João Coelho. Ao mesmo tempo, o jovem-promessa do aparelho socialista desfez-se em contactos com as bases, com o topo e com o que resta da estrutura, numa tentativa de justificar a insane intenção: em causa está a iniciativa de João Coelho (e sua bancada) levar à AM o voto de censura às declarações de João Pimpão, presidente da Junta de Meirinhas, a propósito da violenta agressão ocorrida recentemente dentro do Colégio João de Barros, atirando um aluno de 12 anos para o hospital. 

Ora, à hora em que decorria a AM, já Joelito (que, recorde-se, tem como única soft skill conhecida a arte de raspar canetas) anuía às ordens da mini-Odete que é a presidente da JS, e tentava acalmar os ânimos dos vereadores, apanhados de surpresa pelo voto de censura.

Não contente com  a inépcia perante este e outros casos da vida da terra, Joel faz aqui bem o papel de pau-mandado. Intriga-nos, porém, esta súbita manifestação de coragem, pois que o PS arrasta há anos um caso que há muito merecia - esse sim - a retirada da confiança política: Paulo Duarte, da Redinha,  único presidente da Junta eleito pelo PS, que sistematicamente vota contra o partido na AM, ignorando-o em toda a linha, à excepção de quando voltou a precisar dele, nas últimas eleições.

Não deixa de ser irónico o destino do PS, e este canto do cisne da concelhia do partido, pois que essa jogada da bancada foi, de longe, a melhor e com mais resultados políticos dos últimos tempos. Ninguém quer saber das propostazinhas da JS, das achegazinhas dos vereadores, fatias esboroadas desse bolo que é a "oposição colaborante", que não se opõe a nada e vive para ser ramo de enfeite. 

Se ainda houver uma réstia de respeito pelos eleitores que votaram em João Coelho e a sua equipa (recordo que foram mais do que aqueles que votaram na candidata à Câmara), e sobretudo se ainda houver socialistas dentro do PS, este terá sido um tiro nos pés de vários aspirantes a protagonistas. Mas a ver vamos o que nos revela a noite das facas longas na próxima segunda-feira. 

1 de março de 2023

A autodestruição do PS local em directo

A câmara decidiu entregar o Café-Concerto a privados.

O PS1 (do executivo municipal) enalteceu a medida, prestou ajuda na redacção do contrato e fez reparos à renda exigida – logo corrigida pelo poder. 

O PS2 (da Assembleia Municipal) rejeitou a concessão do espaço à exploração privada, com uma ladainha primária que só visava demarcação do PS1. 

O PS0 (da concelhia) calou-se - não se fez ouvir. Não existe nem pode existir neste contexto de guerrilha interna. 

Estas criaturas perderam, há muito, o respeito pelo partido. Agora, desceram mais um degrau: perderam o respeito por elas próprias.



                                                                ------- xxxxx -------

A autodestruição do PS local é um processo que vem de longe, mas acentua-se a cada passo e com cada novo protagonista. É uma espécie de doença degenerativa irreversível. 

É verdade que ainda ali há meia dúzia de criaturas sensatas e com alguma capacidade política. E outra meia dúzia com vontade de fazer alguma coisa pelo partido. Mas naquele ambiente doentio, de intriga e divisionismo constante, tudo putrifica e nada frutifica. Um partido não é, nem deve ser, um grupo de meninos e meninas de coro; mas não pode viver num clima de guerrilha constante. Há momentos para fazer a guerra e momentos para usufruir da paz. A pior guerra é a que não se faz abertamente – nunca gera paz.

O partido entrou na mais deliberada paródia do ridículo e da autoflagelação; precisa de quebrar a cadeia de autodestruição, de fechar para balanço, e de se sentar no divã para umas sessões de psicoterapia.

Obrigada, Maria Luís Brites

                                                                        Foto de Rui Miguel Pedrosa, para o Diário de Notícias




A escritora Maria Luís Brites partiu ontem. Contava 88 anos de uma vida demasiado intensa para se retratar em linhas de obituário. Em Pombal, foi - sem dúvida - a mulher que mais admirei. Pela riqueza intelectual, pela coragem. 

Respigo um texto de junho de 2013, escrito num tempo em que tivemos as mais demoradas conversas, e originalmente publicado num blogue pessoal (https://luzdepombal.wordpress.com/2013/06/).  E deixo o link de uma entrevista que insisti fazer-lhe, em 2018, depois de ter vencido um cancro da mama. "Antes aos 84 que aos 48", dizia ela. 

Ao tempo d'O Eco, viveu comigo uma das fases mais duras dos anos difíceis da década de 2000, quando o poder tentava silenciar tudo o que era crítica. 

Perdemos essa guerra, Maria Luís, mesmo tendo ganho aquela batalha. Obrigada por tudo, minha querida Maria Luís. Que Pombal a lembre sempre de for no cabelo e batom vermelho, como numa tarde de junho, o mês em que nasceu, como este sol de fevereiro, que a levou num raio. 


Retrato de uma Senhora

Subia as escadas daquele primeiro andar da Heróis do Ultramar com passo firme e sapatos altos. Vestia um saia-casaco azul petróleo e uma blusa de seda bege, com lenços a condizer. O sotaque, nortenho, fazia-se ouvir à entrada do jornal. Naquele tempo a cidade tinha por onde escolher e por isso, uma vez zangada com o director de um quinzenário, encontrou naquele semanário o sítio certo para escrever “apontamentos do nosso quotidiano”. Nós éramos muito novos e ficávamos divididos entre a admiração por tamanha mulher e os risos incontidos, quando às vezes nos parecia quase louca.

Tinha voltado para ficar. Ponto final num casamento de 36 anos, duas filhas na vida delas, muita prosa para escrever. Publicou um livro. Nesse dia o salão nobre da Câmara encheu-se para ouvir falar de uma história de amor e famílias portuguesas contada naquele romance apoiado pela Civilização. “Um triângulo no Litoral”. A mesma editora que lhe encomendara obras didáticas – “até um dicionário!” – porque a licenciatura em Germânicas lhe permitiu ensinar tudo o que aprendeu. E aprendeu muito, desde muito cedo.

A Lili nasceu afinal em berço de ouro: filha única de uma doméstica e de um advogado, comunista ainda por cima. Era 1934 e havia guerra pelo mundo. Os pais não quiseram arriscar e ficaram-se por ela. Depois veio a juventude e cresceu a vontade de engolir o mundo, de o perceber, de o contrariar.

– Vou estudar para Coimbra,

disse à mãe, apoiada pelo pai. Foi quando a senhora se tornou de repente religiosa. Tão religiosa que se pôs a oferecer promessas à Srª de Fátima para que a filha reprovasse no exame de acesso. Mas a razão levou a melhor e formou a rapariga, em Coimbra. Depois, o casamento. Uma fotografia desse dia publicada muitos anos depois num jornal local mostra-a em todo o seu esplendor, linda como não havia outra na vila de então. Vira as costas à terra e só cá há-de voltar 36 anos depois, para ficar. Aos poucos despe o saia-casaco azul, arruma os saltos e liberta-se, outra vez. Escreve muito, fala na igual medida, casa-se com um pintor alemão. Faz programas de rádio pelo concelho fora, ouve e conta como vive o poder local. É um tempo participado, esse. Um dia, por brincadeira, aproveitamos o 1º de Abril no Jornal e fazemos a manchete que nos dá gozo: “Candidata-se à Câmara pela CDU”. Nesse ano é mentira, noutro será verdade. E noutros que se vão seguir nas próximas duas décadas há-se ser candidata na sede do concelho e na sede do distrito, sempre à esquerda. Tão às avessas que faz campanhas eleitorais sozinha, pinta paredes e muros à moda antiga. Os anos passam, esbate-se a cor, mas ainda lá mora o símbolo do BE. Nas entrelinhas desse tempo escreve poesia, também, que lhe traz arrelias (a ela e ao jornal que a publica). São os versos de Joe of Arunca, sarna para o presidente. E depois um discurso em Abril em que dobra o papel, se volta para trás e lhe diz, de voz trémula e peito feito:

– a imprensa é para respeitar. É o símbolo da liberdade!

E era.

Ontem voltei lá a casa. Entre o sabor do açafrão na paella e meio copo de vinho falámos de nós, dos nossos, do tempo perigoso que atravessamos. A Maria Luís vai fazer 80 anos daqui a meses. A vida não é nada do que julgamos. Não é nossa, para sempre, quando a idealizamos na melhor das fases, ou quando a projectamos por imitação deste ou daquele. Na volta, a vida é uma enguia. Que se nos escapa entre os dedos e deixa apenas o rabo preso, para mostrar que ainda existe. E que vale a pena, por nos dar o privilégio de a viver, de conhecer gente tão inteira.

Continua linda, ela.

https://www.dn.pt/pais/maria-luis-brites-a-viragem-ao-populismo-e-muito-preocupante-10354198.html


28 de fevereiro de 2023

O Professor deu lição

Já aqui o referimos mas não é demais reforçá-lo: em boa hora o Professor Mota Pinto aceitou ser presidente da Assembleia Municipal (AM). A sua presidência não resolve, nem pode resolver, todos os problemas e vícios instalados no debate político institucional, mas colocou um travão na sua degradação contínua que se julgava irreversível. 


  

Desta vez deu uma lição de moderação, rigor e isenção no tratamento da moção de censura, apresentada pela bancada do PS, às declarações de João Pimpão sobre o episódio de violência grave entre dois alunos do Colégio das Meirinhas, em boa hora divulgadas aqui. É verdade que não foi ouvido pelos seus, que preferiram baixar as orelhas e impedir a discussão, mas o exemplo de honestidade intlectual e inteligência expõs a tacanhez e falsificação reinante.

Numa terra onde a ignorância e a grosseria escorraça o pensamento e a sabedoria faz-nos bem sentir que ainda temos gente capaz de espalhar lição e fundar exemplo. Das más-figuras não vale a pena falar: os perus são aves que esgravatam muito mas nunca levantam voo. 

27 de fevereiro de 2023

Notícias do PS (ou o socialismo na gaveta)

 A imprensa local noticia esta semana algumas alterações aos meandros do contrato para cedência do Café Concerto a privados -  o maior ultraje dos últimos tempos. Mas eis que a peça nos dá conta do improvável: ao contrário do que fora inicialmente apalavrado - e comunicado aos partidos durante o briefing que a vereadora Isabel Marto andou a fazer com (quase) todos - a renda passa de 400 para 750 euros. O desconto (de 50% no primeiro ano, reduzindo nos seguintes) mantém-se, mas o aumento para quase o dobro fica a dever-se à oportuna e abalizada intervenção dos vereadores do PS. 

Andamos a ser governados assim, ao sabor de bitaites. 

Odete Alves - que até tem estado bem na generalidade da sua intervenção nas reuniões de Câmara, nos últimos tempos - deixa cair aqui um prego do tamanho de uma tonelada: "só não concordava com o valor base, tão baixo". "A mesma opinião é partilhada pelo vereador Luís Simões, que acrescenta que o Café Concerto não só não sai prejudicado, como ainda poderá beneficiar com 'uma boa programação cultural'". Jura?


24 de fevereiro de 2023

Da felicidade à malvadez vai um passo

O profeta Pedro prometeu a felicidade, e os crédulos acreditaram… Mas mal se começou a desembrulhar o embrulho veio o assombro: no lugar do exilir da felicidade vinha o veneno da inépcia, do amiguismo, da injustiça, e da MALVADEZ.

A ruindade praticada com o esforçado e diligente Eng. Carreira, ex-administrador-executivo da PMUGest, durante o último ano, roça a malvadez pura: esvaziamento de funções, afastamento dos demais trabalhadores, e, despedimento por extinção do posto de trabalho. Tudo gizado e conduzido pela doutora Gonçalves, nova administradora-executiva, nomeada irregularmente pelo doutor Pimpão, depois de ter sido dispensada do anterior executivo devido aos sucessivos escândalos.


O desgoverno geral está instalado, na câmara e nas empresas públicas. Os processos judiciais sucedem-se em catadupa; e as derrotas da câmara idem. 

Quando a malvadez e a estupidez* se juntam o desastre é inevitável. 

* Sim, o despedimento por extinção do posto de trabalho do Eng. Carreira é, para além de injusto, estupidez pura.

22 de fevereiro de 2023

A cobardia no seu esplendor

Nietzsche afirmou que a coragem é a virtude suprema, a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. Como é suprema, é rara; logo, a maioria das pessoas não é corajosa nem precisa de o ser para a maior parte das actividades humanas.  

No extremo oposto temos a cobardia: a mais baixa das fraquezas humanas. E pelo meio temos uma vasta maioria de pessoas que tem pelo menos a coragem de ser sincero consigo mesmo: sabe-se não corajosa mas não é cobarde.

Nas sociedades modernas, a conquista do poder faz-se pela política, pela coragem, não pela cobardia. Por cá, temos um poder fraco e mole, sem propósitos, sem capacidade e sem maneiras. Mas quando mais precisávamos de uma oposição responsável, ousada e honrada, calha-nos umas almas resignadas com fome de celebridade ou de sobremesas da vida, uns franco-atiradores de cartuchos sem carga e sem remetente, e umas línguas de libertino sem coragem para a libertinagem que por detrás de páginas anónimas defecam e farejam o seu fedor. 

Vive-se um caldo de intriga onde se desenvolvem todas as fraquezas que são com ele solidárias: a insensatez, a inépcia, o desequilíbrio mental, o egoísmo, a hipocrisia e a cobardia. 


19 de fevereiro de 2023

Obras imperfeitas

Numa terra onde muito pouco foi feito, nas últimas décadas, para melhorar a qualidade de vida da população, o Parque do Açude e o circuito ribeirinho merecem destaque positivo. Mas é indesculpável que um local que é utilizado para actividade física e de lazer não disponha de um único bebedouro de água.

A época de maior actividade física e de maior calor avizinha-se. Falha a corrigir rapidamente.


17 de fevereiro de 2023

Não basta, não, dona Durvalina

A dona Durvalina encheu-se de coragem, montou-se na cadeira de rodas e foi à reunião da “junta” - o novo normal. Disse que pouco sai de casa, e pouco deve ligar ás redes sociais, mas já tirou a pinta ao “presidente da junta”: “recebe bem, mas não basta…”. Mas não se deixe enganar pela simpatia, dona Durvalina, não vá em cantigas nem em bailes de Carnaval. O Pedro tem tanto de simpático como de manhoso – é um simpático manhoso. Aperte com ele, obrigue-o a trabalhar e a dicidir. E volte à reunião da “junta”, que a senhora fala bem, gostamos de a ouvir.


16 de fevereiro de 2023

Diário de um RP

Hoje foi dia de reunião pública da Câmara, que nesta nova dimensão das (i)responsabilidades autárquicas quer dizer 'dia de briefing'. Pedro Pimpão já disse que não se importa nada de ser  Relações Públicas (RP). Nós também não nos importaríamos, se além disso fizesse o seu trabalho. Ora acontece que o nosso autarca decidiu ficar-se pelo prazer, mandando o dever para a sarjeta. 

Já vai sendo tempo da oposição não o importunar com perguntas incómodas - como por exemplo como é que se justifica que há um ano esteja por resolver a situação dos esgotos públicos que vertem para um terreno privado na freguesia do Louriçal, sem percebermos quem é que mente, se o presidente da junta, se o da Câmara - sobre coisas sérias, pois que um verdadeiro RP não tem margem para chatices. Vendo bem, está transformado no verdadeiro programador (cultural e desportivo) e divulgador de eventos.  Mas para dar um pendor comovente ao cargo, agora juntou um momento de necrologia, que distingue pombalenses de primeira e de segunda: há os que merecem um voto de pesar, e os que só merecem condolências. Aguardamos então pelo momento dedicado aos nascimentos, que por certo está a guardar para juntar à divulgação do "cheque bebé". 

Percebe-se, finalmente, por que razão mantém aquele insípido gabinete de comunicação: ele é o verbo. E o sujeito. E o predicado. E se não responde...é porque não sabe.


Tudo normal, em Pombal Ocidental

Dado o alarme, as televisões foram às Meirinhas falar com o “presidente da junta”. Ficaram a saber que foi tudo normal…! 


10 de fevereiro de 2023

Operação resgate da decência política

Os sucessivos escândalos políticos ocorridos nos últimos meses, no país e no Pombal, expuseram a enorme discrepância de julgamentos entre os detentores de cargos políticos e os cidadãos em geral, e alteraram substancialmente o clima ético na política.

Por cá, com o poder a resistir à mudança e a “oposição” a alinhar com a manutenção do status quo, alguém tem de dar um passo em frente, alguém tem de agitar o jogo (viciado). Resistimos sempre a dar esse passo, por respeito à Política e aos políticos mandatados; mas chegou o momento de saltar para o campo da verdadeira fiscalização do poder – dos podres do poder.



Assim, a bem da transparência e da responsabilidade política, da necessidade de esclarecer a polémica intalada sobre os pagamentos indevidos efetuados ao dr. Agostinho Lopes nos anos de 2006, 2007 e 2008, requeri à câmara cópias de documentos que respondam ou comprovem a resposta às perguntas seguintes:

1.      Em que data e por quem foi detectada e informada a irregularidade?

2.      Qual o fundamento da irregularidade que deu origem ao processo?

3.      Que montante de pagamento indevido foi apurado?

4.      Em que data o devedor foi notificado da dívida e da obrigação de a saldar?

5.      Qual foi a resposta do devedor à notificação?

6.      A dívida foi saldada ou não?

7.      Se foi saldada, foi-o de uma só vez ou em prestações?

8.      Se foi paga em prestações, qual o montante e a frequência das prestações, bem assim a data da primeira e da última prestação?

9.      Qual a forma de pagamento (cheque, transferência bancária, numerário ou outra?

8 de fevereiro de 2023

A Lusiaves deu mais um passo

Pé-ante-pé, a Lusiaves deu um passo importante na viabilização da instalação de uma grande unidade de processamento de carnes na periferia da área urbana da Guia: aprovação do Pedido de Informação Prévia. Não é um passo decisivo, mas consolida direitos.



Se houvesse vontade política e respeito pelas legítimas preocupações da população o avanço do processo poderia ter sido travado. Mas o executivo municipal não o quis fazer, não mexeu uma palha para harmonizar interesses divergentes perfeitamente harmonizáveis, reduziu a sua acção ao papel meramente burocrático-administrativo de reunir os pareceres e despachar a coisa. A postura do Pedro, neste caso e noutros parecidos, soa profundamente estranha. Correm duas teorias explicativas distintas, mas complementares, para esta forma de actuar: o Pedro é isto; há “eminência-parda” por detrás dele.

Para além da contestação pública, o processo está cheio de engulhos jurídicos que deveriam ditar outro tipo de postura e responsabilidade dos decisores políticos. Mas de onde não há não se pode tirar – como já dizem, à boca cheia, os correligionários.

Esperam-se novos desenvolvimentos. "A Guia aos guienses".

7 de fevereiro de 2023

O dia em que o PS fez o seu papel


 

Tornou-se moda na Câmara (e para a câmara) isto de "ouvir os partidos" a propósito de batatas. Ao contrário do que possa parecer, o acto em si não revela nenhuma pueril vontade de Pedro Pimpão ouvir todos, mas antes uma forma de entreter o executivo, às aranhas com a realidade. 

Depois do episódio "Café Concerto" - cujo post, aqui no Farpas, serviu para mostrar que neste chove-não-molha se esqueceram do PCP, o que diz bem da forma como está a funcionar o gabinete do presidente - eis que, por estes dias, decorre nova ronda, agora a propósito do Plano Estratégico Pombal 20/30, mas desta vez on-line, pois que a malta da FNway (a empresa de Mira Amaral) tem mais que fazer na capital e vir à província é uma maçada. 

Ora, o momento serviu para o PS local ter um assomo de lucidez e recusar fazer parte dessa fantochada. Agora só falta aguentarem a onda. Se assim for, o próximo passo (que já deveria ter acontecido) é recusarem a presença, nas reuniões do executivo, do proclamado director municipal. Uma coisa é chamá-lo quando for preciso, como acontece com outros responsáveis de departamentos. Outra coisa é torná-lo equiparado a um eleito, fazendo-o pavonear até nas visitas às freguesias, como já aconteceu.

Imponham-se e oponham-se, que foi para isso que 21% dos pombalenses votaram no PS.  

6 de fevereiro de 2023

Sai mais uma contratação amiga e desnecessária

O doutor Pimpão mandou contratar o doutor Pedro Carrana para chefiar, em regime de substituição, a Divisão de Acção Social e Saúde, depois de este ter cessado a comissão de serviço como chefe de divisão na câmara de Coimbra, a 31 de dezembro. 

Nestas situações, o espírito da lei e as regras da boa governação compelem os decisores políticos a privilegiarem a escolha de um técnico superior da casa, com formação e experiência na área e conhecimento da realidade do concelho. A câmara de Pombal tem nos seus quadros técnicos superiores que cumprem os requisitos para chefia de divisão, formação adequada e conhecimento da realidade social do concelho, que o doutor Pimpão elogia e bajula regularmente, mas na hora da verdade trai-os: contrata um Engenheiro Químico, de Cantanhede, com MBA em Felicidade e um doutorado em Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho (!), por acreditar que o homem domina a química da felicidade.



Num ano de mandato, os desmandos do doutor Pimpão na contratação de pessoal já provocaram mais danos nas finanças da câmara que os seus antecessores numa década. São exemplos maiores a contratação  meio camuflada da Ana Goncalves (PMUGest), que só acrescenta custo onde o potencial para acrescentar proveito é reduzido;  a contratação ilegítima - não sufragada - e cheia de vícios do Director Municipal, que só acrescenta elevado custo e entropia à organização; a contração do chefe da Protecção Civil, que também só acrescenta custo porque a câmara tem dois técnicos superiores qualificados e com experiência na área; a contratação do Chefe de  Divisão de Acção Social e Saúde; e muitos outros casos. Contratações que, para além do custo, fazem estragos na moral dos funcionários no dia seguinte e no futuro. 

O amiguismo e a incompetência podem não ser crimes, mas são moral e eticamente inaceitáveis em funções públicas, porque geram descrédito e prejuízo para a coisa pública. 

3 de fevereiro de 2023

Sobre seriedade em funções públicas

Não sou nem pretendo ser o campeão nem o guardião da seriedade, nem nas palavras nem nos actos, mas sejamos claros: “quem não tem a folha limpa não se pode pôr na fila do poder”, e muito menos exercer cargos públicos relevantes.

Por incapacidade minha ou por falar para ouvidos moucos, talvez ainda não tenha conseguido passar suficientemente a mensagem sobre o currículo de seriedade necessário para exercer cargos públicos. Mas a dr.ª Helena Vasconcelos explicou-o muito bem no Região de Lerira desta semana.


2 de fevereiro de 2023

E o Café Concerto? Privatize-se, dizem eles



 

Apesar de não haver ainda anúncio público dessa decisão, os apaniguados do poder já espalham aos quatro ventos a intenção da autarquia entregar o Café Concerto a privados. 

Até aqui, nada nos surpreende. O Café Concerto sempre esteve sob a alçada de uma empresa municipal (primeiro da Pombal Viva e depois da PMU Gest). Com a chegada à liderança  desta última da ex-vereadora Ana Gonçalves, era trigo-limpo, farinha Amparo - livrar-se do que dá prejuízo. A solução passaria pela assunção de responsabilidades por parte da Câmara, nomeadamente do pelouro da Cultura, se existisse e lhe fosse conhecida acção. Mas há coisas muito chatas, que dão trabalho, e repensar o funcionamento daquele espaço

 pode ser uma delas. Portanto, qual foi a solução do Pedro & amigos? Entregar o espaço (fechado desde 2020, deixando o Teatro-Cine sem bar de apoio) a um privado. 

Mas a esta Câmara foge-lhe sempre o pé para o chinelo, e vai daí decidiu chamar ao gabinete da vereadora Isabel Marto (que toca piano e fala francês, logo, está mais que habilitada a tratar do tema) os responsáveis de todos os partidos políticos que concorreram às eleições, sob o pretexto de recolher a opinião de cada um. Como se algum dia estivesse interessada nela. Pior: como se já não tivesse tomado a decisão, procurando apelas validação do acto. E aqui, não sabemos o que é pior: se chamar os partidos por atacado, juntando alguns na mesma reunião, sem sequer ter a decência de avisar todas as partes de que iriam fazer de ramo de enfeite ao mesmo tempo; se fazer perder tempo a quem ainda dá a cara pelos partidos, sendo certo que este faz-de-conta-que-nos-importamos-com-o-que-pensam faria sentido em muitas temáticas, se fosse sincero. Nesta...é só recreio.

Ainda assim, não deixa de ser estranho que apenas o Bloco de Esquerda tenha ressuscitado para a vida pública assumindo uma posição: é contra. Muitos gostaríamos de saber o que pensa o PS, por exemplo, enquanto representante de uma parte importante do eleitorado. 

E agora a cereja deste bolo: a Câmara vai entregar o Café Concerto por um preço simbólico. Embora o valor do contrato esteja fixado nos 400 euros de renda mensal, no primeiro ano há desconto de 50% por centro. E nos seguintes o desconto vai diminuindo... Mas grosso modo, é isto: há um espaço público para arrendar por 200 euros ao mês, e a Câmara lava dali as suas mãos, como Pilatos. O que esperávamos nós? Que a oposição se manifestasse. Se a houvesse. Porque do poder...o que não tem remédio remediado está. Só falta sabermos qual é o amigo que será o feliz contemplado ;) 


1 de fevereiro de 2023

Director Municipal – o escândalo confirmou-se na plenitude

Ontem, o escândalo confirmou-se: o doutor Pimpão deu posse ao doutor Agostinho como Dir. Municipal.

Nos últimos meses, o regime foi abalado por sucessivos escândalos políticos; não devido a alterações do quadro legal ou por o comportamento dos políticos ter mudado significativamente, mas pela indignação dos cidadãos após a divulgação de actos inequivocamente ilegais e/ou más condutas praticadas pelos titulares de cargos públicos no exercício de funções públicas ou privadas. Este abalo expôs a enorme discrepância de julgamentos entre os detentores de cargos políticos e os cidadãos em geral, que urge corrigir para evitar o crescente descrédito da política.



Em Pombal Ocidental tudo igual: “se não formos nós a ajudar os nossos…” Já sabíamos que falta ao doutor Pimpão autoridade para dirigir e impor critérios e padrões de desempenho e éticos alinhados com as expectativas dos cidadãos, a missão e objetivos da câmara e do concelho.  Mas agora ficámos definitivamente a saber que não temos presidente, nem executivo, nem poder, nem oposição. Com a nomeação do doutor Agostinho, o doutor Pimpão vulgarizou, desculpou e normalizou comportamentos inequivocamente ilegais e a má conduta pessoal e profissional do nomeado. Perpetrou danos reputacionais irreparáveis no curto e médio prazo, à câmara e à sua integridade, que comprometem a sua legitimidade e acentuam o descrédito da política. 

Todos os vícios têm um limite além do qual não se pode passar, ou não se deveria passar. Ultrapassado esse limite, o jogo tem que mudar. A situação obriga-nos a dar um passo em frente. Dá-lo-emos.