15 de março de 2019

O Reino da ADAC


Já falámos aqui esta semana do falso associativismo, oportunismo e esperteza saloia de quem gere algumas das associações do concelho.
Como é de conhecimento geral sou um dos sócios da ADAC Charneca,  há mais de 20 anos dos 44 que a associação já tem.
Apesar de por motivos profissionais viver fora do país nos últimos 10 anos, sempre fiz os possíveis para estar presente, mesmo não fazendo parte da direção da mesma, pois é isso que se pede a um sócio, que participe nas actividades e vida da associação e a ajude a crescer.
Por me custar ver a associação cada vez mais abandonada pelos sócios, vejo-me obrigado a denunciar algumas das irregularidades que ocorrem na ADAC actualmente.
No início desta semana foi colocada uma folha de convocatória para realização de uma Assembleia Geral e votação de novos corpos dirigentes. A Assembleia será realizada hoje às 21h30,  ou seja menos de uma semana depois do tal aviso ser colocado.
O papel foi colocado num local pouco visível fora da associação como se pode ver pelas fotografias anexadas.
Parece-me que seja essa mesmo a intenção, ninguém ver, ninguém falar e ninguém questionar a actual direção que concorre novamente ao cargo. 
O dito papel nem está datado a fim de certamente evitar maiores problemas ao presidente da Mesa da Assembleia, claro cúmplice nesta ocultação aos sócios.
O Facebook não serve só para anunciar concertos meus senhores, também serve para avisar os sócios dos seus deveres e direitos, olhem o exemplo dos vossos conterrâneos do Centro Sócio Cultural e Recreativo da Charneca, que cumpre todas as leis e estatutos da sua associação, respeitando e ouvindo assim os seus sócios. Para comprovar isso basta dar um salto ao Facebook desta associação. Podem ver também a página da Associação Ideias Ousadas onde tudo está exposto correctamente online, e que também curiosamente irá reunir nas instalações da ADAC dia 31 de Março.
Mas vejamos então alguns dos Estatutos da ADAC:

Capítulo IV

Art. 5º - As eleições para os corpos directivos serão efectuadas na última semana de Setembro, de dois em dois anos.

Art. 8º - As listas deverão ser entregues ao Presidente da Mesa de Assembleia Geral com uma antecedência de pelo menos quinze dias das eleições.

Capítulo V

Art. 12º  - A Assembleia Geral será convocada pelo presidente da mesa com uma antecedência mínima de oito dias, devendo na convocatória constar o dia, hora, local e ordem de trabalhos.
  
Para os mais esquecidos estamos agora em Março, as eleições deveriam ter ocorrido em Setembro do ano passado.
Mais, não passaram sequer 4 dias desde que a convocatória foi afixada ainda esta semana, muito menos 8.
E já agora como se pode entregar com 15 dias de antecedência uma lista se a Assembleia Geral foi anunciada no inicio desta semana?

Eu não sou jurista nem entendo de leis mas não será tudo isto obviamente ilegal?

Apesar da dança de cadeiras, nos últimos 10 anos a ADAC tem sido controlada por uma pessoa, João Pedro Gonçalves, actualmente tesoureiro. Esta pessoa  põe e dispõe da associação a seu belo prazer, não há contas prestadas a ninguém, simplesmente faz o que quer e como quer.
Esta pessoa faz tudo para se manter à frente da associação, nem que para isso tenha de ocultar os direitos dos sócios ou até mesmo denegrir a imagem de alguém. Já imaginaram se existirem outras listas a concurso com ideias palpáveis e projectos para o futuro, coisa que este senhor nunca teve? Muito perigoso não acham?

Nos estatutos da associação pode ler se também :

Capítulo III
( Direitos)
4-    Verificar as contas nos livros na presença de qualquer elemento da direcção.

Quando no passado pedi para verificar este livro fui confrontado com uma reacção violenta por parte do sr João Gonçalves,  e a verdade é que nunca vi tal livro nem nunca tive acesso às contas da associação apesar de as pedir várias vezes.
A caixa registadora do Bar não funciona  à mais de uma década e ninguém sabe com certeza quanto dinheiro entra e sai de lá, isto é um facto inegável.
O dinheiro dos sócios e das cotas não se sabe onde é investido ou onde vai parar, não há planos de actividades, não há relatórios de contas fieis, nada.
Neste momento ser sócio da ADAC é igual a não ser sócio, aliás, pior pois paga cotas e tem as mesmas regalias que qualquer visitante, zero.
Pergunto também qual o número dos novos sócios, pois nunca houve o cuidado de registar e atribuir números aos novos sócios, as folhas de inscrição amontoam-se em dossiers deixados ao esquecimento, é muito triste ver o desrespeito pelos sócios que a actual direção tem.
Todos pagaram uma taxa para ser sócios, os 12 euros anuais que pagam de cotas não chegam pra fazer um cartão com número?

E já agora, os apoios da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia para onde vão?  Também ninguém sabe ao certo.
Para vos dar um exemplo concreto, desapareceu, no final do ano passado, dentro da associação, um cheque com apoios passado pela Junta de Freguesia, o dinheiro foi levantado, o tesoureiro não faz a mínima ideia onde está esse dinheiro, aliás ninguém sabe, mas alguém o levantou e para isso necessitava de assinaturas…
Em relação a outros apoios e dinheiros recebidos,  segundo o tesoureiro gastaram-se, segundo o mesmo a ADAC nunca tem dinheiro para investir.
Eu até acredito mas gostava mesmo de ver os livros de contas onde podemos comprovar isso.
Não estou a acusar ninguém de nada mas a verdade é que tudo isto cheira a esturro e não é pouco, e como diz o velho ditado, onde há fumo…

A ADAC de portas abertas de há 10 anos atrás, recheada de desporto e cultura, é agora uma casa vazia, de vidros tapados, de portas fechadas com chapa de zinco e com má reputação. A associação virou clube privado onde só entra quem o tesoureiro quer, a esmagadora maioria dos sócios deixou de frequentar diariamente o espaço, muito por culpa da personalidade egocêntrica e conflituosa do “governador”.
Há concertos sim, como em outros bares e associações do concelho, mas pouco mais. Associativismo é que não se vê, trabalho em prol da comunidade também não, trabalha-se para encher o ego e quem sabe até o bolso de alguns.
O Desporto desapareceu completamente da associação, quando fazia parte da sua génese; o tabuleiro de xadrez abandonado numa qualquer mesa do bar é agora reflexo das glórias do passado, desperdiçadas uma vez mais pelo ego do ex presidente, vice, tesoureiro, ou será dono? Há quem pense nele assim! Quando as pessoas não colaboram ou as coisas não funcionam como quer, faz questão de maltratar e desterrar a pessoa para longe, para não perturbar o seu reino.
Hoje não há desporto na ADAC, as taças empoeiradas no primeiro andar são a memória dos tempos áureos da associação.
Deixa-me muito triste ver uma das associações que no passado mais impulsionava a cultura e desporto no concelho, definhar nas mãos de uma pessoa assim, deixa me mais triste ainda ver que os sócios nada fazem para mudar a situação, e alguns ainda suportem esta direção,  talvez porque não tenham total consciência da realidade em que a sua associação se encontra.

Para mim isto é um BASTA e exijo transparência total para o futuro saudável da ADAC, não posso continuar a pactuar com este tipo de comportamentos. Não sei quem são as autoridades competentes para analisar este caso mas façam-no por favor!

Para terminar com a cereja no topo do bolo, deixo-vos algo em que pensar.
No início desta semana anunciei nas redes sociais que esta noite estaria em Coimbra por motivos profissionais, estranhamente no dia seguinte apareceram as tais convocatórias da Assembleia geral, precisamente para o mesmo dia e hora em que estou ocupado, será que foi mesmo coincidência ou alguém tem medo do que eu sei e possa falar na Assembleia Geral?
Quem tem cu tem medo, e quem tem o rabo preso ainda mais medo tem, não é assim que diz a sabedoria popular?

A ADAC é de todos e para todos os sócios, por isso se chama Associação Cultural.
Defendam o que também é vosso, não se deixem enganar como eu fui durante muito tempo.

As eleições desta noite são ilegais e um atentado aos direitos de todos os sócios da ADAC Charneca, em nome da associação exijam a verdade acima e tudo e de todos.

13 de março de 2019

A Armadilha

No Verão de 2017, assistimos todos a uma “operação de marketing” perfeito: Instalou-se o boato de que a extensão de saúde do Louriçal iria encerrar e que toda a população Louriçalense teria que se deslocar à Pelariga para aí ter acesso aos cuidados de saúde.
Consequentemente, mobilizaram-se as populações, fizeram-se manifestações, convidaram-se as televisões, e pasme-se …  promoveram um debate publico (ao ar livre, no centro da vila) sobre o “suposto encerramento” (sim, aquele que ninguém sabia que ia encerrar; só a Junta de freguesia era detentora dessa privilegiada informação em plena campanha eleitoral…)
Hoje, a extensão de saúde não encerrou, como vai ter um novo centro de saúde!
O antigo jardim de infância vai sofrer obras de requalificação, estando previsto um novo espaço, com 5 gabinetes médicos(?), 2 salas de enfermagem e 2 salas de tratamento, num total de cerca de 675 mil euros de investimento suportado pelo nosso Município!
Lembram-se do Carriço, da Mata Mourisca e da Ilha? Pois eu lembro-me bem. Temo pelas populações de Almagreira, Pelariga e Redinha, que à custa de um boato, o José Manuel Marques, antecipando-se aos seus colegas presidentes de junta, conseguiu praticamente garantir com esta construção, a criação da futura USF no Louriçal. E quando (e se) encerrarem as 3 extensões de saúde, vamos ter as populações destes territórios (acompanhados pelos seus eleitos locais) a reclamar e a acusar a tutela desta responsabilidade!
Vai daí, e já antevendo este cenário, os Presidentes de Junta, conjuntamente com o Presidente da Câmara, iniciaram mais uma “operação de marketing” com um novo “modus operandi”, a que assistimos na ultima AM.
A sério que nenhum dos Srs. Presidentes de Junta dos territórios ameaçados, entendeu a armadilha que o “Zé Manel” vos colocou?

Será que...(?) Desenvolvimento Económico


O desenvolvimento económico (ou falta dele) do Concelho de Pombal tem atufado a boca e os programas eleitorais dos nossos políticos. O resultado desse interesse tem-se revelado pouco prolífero. Com certeza que não virá mal ao mundo se articularmos algumas questões (retóricas, claro!):
Será que… as pequenas zonas industriais, mal infra-estruturadas, são atractivas para quem quer investir?
Será que… a Câmara Municipal não se poderia propor a realizar uma verdadeira, organizada e profissional intermediação entre os industriais que se pretendem instalar em Pombal e os proprietários dos terrenos, em vez de simplesmente os indicar?
Será que… se pegarmos no PDM e no Google Maps, não poderíamos concluir que existem condições para instalar um polígono industrial com dimensão, bem infra-estruturado, com interface ferroviário e atractivo para grandes investimentos, aproveitando assim a nossa excepcional situação geográfica?
Será que… se elencássemos as necessidades em bens e serviços das empresas sediadas em Pombal, essa informação não poderia constituir um elemento diferenciador, potenciando o nosso concelho para quem nele se propõe investir?
Será que… existe algum plano para conferir notoriedade à Feira Nacional da Floresta e retirar os devidos proventos para a economia local?
Será que… estaremos a aproveitar o facto de possuirmos uma grande e bem-sucedida diáspora?
Será que… a falta de atrevimento e de ideias, não estará a adiar o nosso desenvolvimento económico até a um ponto de não-retorno?

12 de março de 2019

Adivinha quem vem farpar?

Estamos a chegar aos 11 anos de Farpas com a casa cheia. A partir desta semana há novos autores no blogue, gente muito diversa que se junta agora a esta causa de cidadania, todos juntos no mesmo ponto de partida: Pombal. 
Aqui nasceram todos, aqui regressam sempre. Mulheres e homens de coragem, com opinião formada, que vêm de áreas diversas.
Caríssimos leitores, dêem as boas vindas à Marlene Matias, ao Luís Couto, ao Calika (Carlos Eduardo), ao Bruno Figueira, ao Dino Freitas, ao Adelino Leitão, ao Aníbal Cardona, à Inês Gonçalves e à Ana Formigo. 

O falso associativismo

O falso associativismo não se centra em fins, mais ou menos nobres, de grupos ou comunidades específicas; centra-se nos meios, é um instrumento para proveito próprio ou afirmação pessoal dos seus protagonistas.
O falso associativismo não é praticado por gente boa, solidária, desinteressada; é promovido, essencialmente, por falsos moralistas - oportunistas e manhosos - que se aproveitam de causas nobres para benefício ou promoção pessoal.  
O falso associativismo não assenta na discreta bondade humana; assenta no oportunismo presente na esperteza saloia.
O falso associativismo não vive essencialmente da junção de esforços e de recursos dos seus associados ou de receitas das suas actividades; vive da captura de recursos públicos, que desbarata sem controlo.
O falso associativismo não serve, serve-se; não agrega valor para os utentes, desbarata recursos.
O falso associativismo, no início, junta-se e mascara-se de verdadeiro associativismo; depois, captura e mata o verdadeiro associativismo.
O falso associativismo não é virtuoso, é uma praga social.

11 de março de 2019

O problema não está na lei, está na moral cristã


A comemoração do Dia Internacional da Mulher serviu para as mulheres reivindicarem o justo estatuto de igualdade e para colocar na agenda outras reivindicações mais ou menos folclóricas. Em Pombal, a data foi assinalada, ontem, com uma Manifestação Silenciosa de Apoio às Vitimas de Violência Doméstica, onde o cabeça de cartaz foi o “bom-cristão” Diogo Mateus.
Convém assinalar que em Portugal pouco haverá a fazer ao nível legal pela igualdade de género, já que a igualdade de direitos está plenamente consagrada no nosso regime jurídico. O que não quer dizer que na vida real não existam injustiças e constrangimentos que mantêm discrepâncias significativas entre homens e mulheres.
O materialismo histórico ensinou-nos que a explicação dos fenómenos sociais, nomeadamente os mais complexos, não está nos seus actores mas em causas ocultas (na realidade submersa). Assim, quando se introduzem alterações significativas ao nível dos direitos das pessoas ou grupos sociais, é natural que, durante um certo período, haja um desfasamento entre o quadro legal e a realidade social. Contudo, na problemática da Igualdade de Género, o desfasamento não se tem atenuado ao ritmo que a maioria julgaria possível e aceitável. Por outro lado, é mais ou menos consensual que as razões do desfasamento estão essencialmente na realidade social e não no quadro legal; ou seja, está a ser difícil mudar a realidade, apesar do consenso político e social colocado no fortalecimento do quadro legal. Estudos recentes indicam que a desigualdade de género se manterá por muitas décadas ou até séculos!
Este fenómeno social complexo mostra aquilo que já sabíamos, mas que neste caso é mais evidente: as mudanças nos regimes jurídicos são essenciais mas não asseguram, per si, a mudança da realidade social; torna mais claro que os fenómenos sociais são fortemente influenciados por causas culturais, que ditam comportamentos individuais, que, por sua vez, conduzem a comportamentos colectivos.
Tudo isto para dizer que as mulheres portuguesas para além de vítimas da realidade social são agentes activos dessa realidade; condicionam-na fortemente e nem sempre no bom sentido – no sentido que as beneficia. Porquê? Porque, em Portugal – por muito que isto custe a ouvir à maioria - a moral cristã é o principal condicionante dos comportamentos individuais e colectivos. A religião e a moral cristã secundarizam a mulher de uma forma que as deveria indignar - com o estatuto que tinham na Idade Média. No entanto, anacronismo dos anacronismos, são as mulheres o principal veículo da moral cristã, frequentam mais a igreja, batem-se mais pela educação cristã dos filhos, etc. Enquanto a moral cristã for o principal condicionante social, bem pode a mulher reforçar a sua instrução, bater-se pelo reforço dos seus direitos e da sua protecção, a sua condição social será sempre secundarizada e foco de conflitos.
Convém nunca esquecer que não haveria casuística da moral se não houvesse casuística da vantagem.

9 de março de 2019

A política do enfeite, versão higiene oral

É comovente este lado bonzinho do nosso presidente. Imagine o leitor/munícipe que chega ao ponto de homenagear personalidades fora do domínio laranja, sobretudo numa fase da vida em que já não lhe fazem grande - ou nenhuma - mossa.
 É certo que era escusado nomear aquelas pessoas que trabalham para a autarquia e que manifestaram, em determinado momento da vida, alguma outra simpatia política. Mas que não ousam ter actividade. 
Portanto: ou estão inactivas pela ordem natural da vida... ou ficam, para que tudo corra bem. 

ps: Arlindo Medeiros é militante sim, mas do PS, Diogo. Alguma coisa falhou aí...

8 de março de 2019

Para ti, mulher



Porque o caminho é longo, a estrada é muitas vezes sinuosa, mas é preciso percorrê-la. Façamos (também) deste 8 de Março a nossa luta.
Um abraço a cada um de vós, particularmente à rapariga que me sorriu, esta manhã, nas bombas de combustível do Intermarché, e me disse, com toda a simplicidade: 'um bom dia da mulher para si!'
Depois falámos um minuto. Trouxe essa pequena conversa comigo para o resto do dia, para o resto da vida.
Em jeito de homenagem, deixo aqui um dos meus poemas preferidos, sendo que podem substituir a calçada pelo trânsito. E as horas de limpeza pelo que quiserem.

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão

6 de março de 2019

PARA, mais um exemplar do falso associativismo?





As famílias com crianças autistas, e acomunados, reuniram-se, na passada semana, para eleger os órgãos sociais da recém-criada Associação PARA – Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo.  
Visibilidade aos bem-aventurados agora empossados.

Os Gralhos

Criado por: azinheiragate.blogspot.com

4 de março de 2019

A degradação da Assembleia: quem é que esta gente representa?

"Sabes quem é aquele? É só o gajo mais importante do concelho, porque é presidente do órgão máximo, que é a Assembleia Municipal". Passaram uns 26 anos desde aquela explicação que o Pimpão dos Santos me deu, numa sessão pública, quando eu tomava as primeiras notas para um dos jornais desaparecidos na terra, O Correio de Pombal.
E 'aquele' era Francisco Menezes Falcão, que presidia com solenidade e mestria à mesa da AM. Vieram depois António Rocha Quaresma, Luís Garcia, José Grilo Gonçalves e Narciso Mota. Cada um à sua maneira, cada um com o seu estilo, mas todos com o mesmo sentido de responsabilidade da e para a causa pública.
Até que chegámos a este estado. O vídeo em causa ilustra bem a forma displicente e sectária como Fernanda Guardado ocupa o lugar. Não podemos falar de conduzir os trabalhos, porque a presidente descarrila a toda a hora, sem perceber que não está no salão do cabeleireiro (para cortar na casaca dos outros com a parceira da lado), nem a dirigir uma reunião da associação, ou dos condomínios do prédio.  
É a primeira vez na história deste Município que quem lidera a AM revela descaradamente não conhecer o Regimento, ser impermeável à independência, enfim, estar talhado para tudo menos para isto. 
O que me/nos deve intrigar: como é que D. Diogo, tão zeloso do funcionalismo das coisas, tão cheio de punhos de renda, convive com esta bandalheira? A quem convém isto?


Cabeça ausente, corpo presente



O humorista Salvador Martinha esgotou a lotação do Teatro-Cine na sexta-feira passada, no arranque de mais um festival de teatro. E foi uma comédia. Salvador é daqueles artistas com pontaria: primeiro foi a vereadora Ana Gonçalves, que entrou já o espectáculo tinha começado, sujeitando-se a um dueto entre a plateia e o palco. E depois foi o secretário do presidente da Câmara, Nuno Carrasqueira, cujo estilo de jovem-vestido-de-velho chamou à atenção de Salvador. Vai uma pessoa fazer o favor de ocupar as filas da frente e calha-lhe em sorte ser motivo de chacota colectiva. 
- e o presidente, está cá? Não? 'Cagou', não foi? mandou o secretário...


1 de março de 2019

Em Pombal as coisas não funcionam

A AM transformou-se numa enfiada de tesourinhos deprimentes. Mas, por muito que muitos se esforcem, continua a ser difícil atingir o registo do coveiro-mor. Na última, interveio para afiançar que “em Ourém as coisas funcionam bem, e em Pombal não funcionam”. Estava "muito verdadeiro" ou a boca fugiu-lhe para a verdade?

O Pedro no seu melhor

Trabalho para o retrato

A Educação no concelho não sai da agenda e da boca do presidente da câmara e da respectiva vereadora - Ana Cabral. Mas quando confrontados, como António Pires o fez na última AM, sobre políticas, objectivos e resultados, não sai nada. Sem nada para mostrar, Diogo Mateus chutou para o governo; e por aí deveria ter ficado se não andasse a gastar recursos em áreas que – como diz - não lhe competem. Mas não, não resistiu ao show-off: agarrou-se à ETAP para tentar mostrar que gere e melhora as coisas.
Do que a ETAP não precisa, seguramente, é de publicidade enganosa. O sucesso escolar apregoado pela ETAP é uma falácia, e a empregabilidade dos seus cursos é uma falácia ainda maior. A ETAP é o que é, com as suas aptidões e inaptidões, com os seus êxitos e fracassos. Não abusem da fraqueza.
Regra básica de gestão: pior que não ter resultados, é ter resultados falsos.


28 de fevereiro de 2019

Jorge Silva com os patins calçados?

Já tinha chegado ao conhecimento do Farpas que Diogo Mateus tinha decidido dispensar o director da ETAP e administrador da PMUGEST. No meio de muito material informativo existente, e das poucas mãos para o tratar, desvalorizámos a informação… Mas quando Diogo Mateus exprime, na AM, “preocupação, aborrecimento e incompreensão” pelo incumprimento dos investimentos previstos para a PMUGEST, fica claro que o doutor Jorge Silva tem os dias contados.

O regresso do 'enfant terrible' do PSD

José Gomes Fernandes já foi líder da bancada do PSD, no tempo em que a Assembleia Municipal era um órgão que exalava nobreza e dignidade. Também já foi presidente do partido, num tempo em que isso contava para alguma coisa. Não deixa de ser estranho vê-lo sentado ao fundo da sala, na cauda da bancada, conferindo ao cenário uma espécie de 'mundo ao contrário'.
Mas a prova de que não é o hábito que faz o monge é ele: do fundo da sala, fez aquilo que dantes se chamava 'um ponto de ordem à mesa', no tempo em que o regimento era cumprido. Não admira que uma certa franja do PSD o preferisse para presidente da mesa da AM: sabe de leis, tem experiência naquele órgão, e não fora os maus-fígados que lhe soltam a língua teria condições para um bom desempenho.
Porém, JGF é muito mais do combate que do consenso. E é nesse papel que se sente como peixe na água, envergonhando qualquer um dos jotas - que preferem alinhar na lambebotice, talhados para puxar o lustro ao presidente da Câmara: João Antunes dos Santos, João Matias, Nicole Lourenço...a sério que isso não dá para mais? 
Foi ele quem expôs ao ridículo o lado gabarolas reinante, ao chamar para a conversa a humildade. Excedeu-se na linguagem, é certo (para quem acusava outros, noutro tempo, de usar linguagem de tasca num blogue...fez grande caminho). E como a presidente tão-pouco o advertiu...continuamos para bingo. 



26 de fevereiro de 2019

De “deixa” em “deixa” até ao deixado completo

Salvo raras excepções, as intervenções da oposição, na AM, seguem o registo dos jotas da maioria: são “deixas” oferecidas ao presidente da câmara, que ele aproveita para brilhar.
O registo não honra os jotas da maioria, mas honra muito menos aqueles que precisam de se credibilizar para conquistar votos. Que os jotas cumpram aquele papel, como preço a pagar para poder chegar a um lado qualquer, percebe-se; o que não se percebe é que a oposição faça a mesma figurinha.
Reparem bem neste exemplo - que é a regra - e tirem as vossas conclusões.


PS: Desta vez, D. Diogo não foi ingrato; limitou-se a aproveitar, sem glosar a coisa.

Ouvi-o, senhores



O nosso presidente discursou perante algumas crianças, durante a inauguração do bioparque - parque urbano da Charneca, ontem à tarde.
Levar um púlpito para o meio do parque é coisa de génio. Não admira o entusiasmo gritante dos catraios, enquanto os vereadores Pedro Murtinho e Narciso Mota, de braços cruzados, revelavam algum enfado. Não há maneira da plebe perceber o lugar que lhe está destinado, e enfim, saber estar. 
Como as maravilhas do programa EPIS já se fazem sentir na criançada, é vê-los no papel que lhes está aportado, na inauguração do bioparque, que há-de ter melhor destino que o Jardim do vale, com as suas plantas e árvores autóctones que Deus tem. 

Falemos de Política, ou de falta dela

Com a economia a funcionar bem, o PPD/PSD do economista Rui Rio percebeu que não era a falar de economia que subiria nas sondagens. Vai daí, centrou a sua acção política nas áreas sociais mais relevantes: Educação e Saúde – mais nesta, porque dói mais.
A acção política do PPD/PSD na oposição segue sempre o mesmo esquema, testado com sucesso no verão quente de 74. O estratagema começa sempre pela fase de guerrilha, normalmente aos sistemas públicos, de forma a comprometer a sua operacionalidade e imagem; depois faz descer a guerrilha às bases, usando a sua forte rede autárquica (cada vez menos forte); estimula o descontentamento nas pessoas pelo mau serviço ou pela percepção de maus serviços públicos; vira as pessoas contra o poder instalado; e, se resultar, uma vez no poder, aproveita o descontentamento contra os serviços públicos para desmontar e repartir o “bolo” pela clientela.
Por cá, o estratega delineou o estratagema para cumprir não um, mas dois propósitos: por um lado, desenvolver o plano nacional; por outro, fazer fogo de barragem ao escândalo local.
Que o PPD/PSD actue desta forma compreende-se: está no seu ADN e faz o seu papel. O que não se compreende – irrita até o mais paciente - é que os dirigentes e representantes do PS nos órgãos autárquicos embarquem no estratagema; e se juntem ao PPD/PSD, contra o património político mais relevante do partido que representam, com um discurso anti-ideológico - patético, ingénuo e imprudente - numa das matérias mais ideológicas.
Deus lhes perdoe…


25 de fevereiro de 2019

A bajulação como modus operandi

Gonçalo Ramos, presidente da União de Freguesias do Oeste, deixou escorrer meio pote de graxa na intervenção inicial que fez na Assembleia Municipal, desfazendo-se em parabenizações ao presidente da Câmara.
A verdade é que, com esta aproximação ao poder, está dado um nó nos laços do PSD para as bandas do oeste: como é que Manuel António (ex-presidente da junta e actual presidente da comissão política concelhia. Ainda é, não é?) e Manuel Serra, por exemplo, vão digerir esta aproximação latente a Diogo Mateus. Astuto, Diogo está a fazer render o peixe, não lhe permitindo que passe toda a graxa, só aceitando a escova. Atente-se na displicência com que lhe respondeu, passando-lhe roda de ignorância, a propósito da ADSE.
O registo bajulador foi adoptado pela generalidade dos presidentes de Junta. Uns queixam-se das dores alheias (como o do Louriçal), outros entram naquela cantilena anti-geringonça. Até Paulo Duarte (Redinha), que mal foi eleito cortou com o PS, estava a gostar de se ouvir a fazer coro. Ressalva feita para quando colocou o dedo na ferida; não há pessoas. Estamos sem gente. E por isso não há milagres.
Uma nota também para Sandra Barros, que leu muito bem aquele texto escrito.
Vão longe os tempos em que os presidentes de junta aproveitavam o palco da AM para apontarem o que lhes faltava, a eles e aos que os elegeram, sem caírem na tentação de fazer política partidária. Na sua maioria casam bem com esta política do enfeite levada a cabo pela Câmara. E demonstraram cumprir razoavelmente o papel do bom aluno: na semana anterior, Diogo Mateus reuniu com todos, a propósito da Saúde. Quando chegaram à AM iam em ponto de rebuçado, devidamente instruídos para abrirem fogo logo no PAOD (Período de Antes da Ordem do Dia), carregando as espingardas a abrir e a fechar, no ponto colocado extra-agenda, para discutir a questão da Saúde.
É bonito verificar que a maioria destes autarcas está já noutro patamar, além do buraco da estrada. Mas não era pior se começassem  por aí, antes de se armarem em politiqueiros num local onde estão por inerência. 
Nesta marcha, só há um desalinhado. É Humberto Lopes (Almagreira), com o discurso mais sério entre todos os pares, a provar que é possível separar as águas e ser presidente de todos, honrando verdadeiramente o lugar sem cair na bajulação.


Lamentações que enternecem

Coube à doutora Elisabete (PS) o encargo introduzir na AM o grande caso político dos últimos tempos: acusação do ex-executivo da junta de Abiúl da prática de 39 crimes de peculato. A doutora Elisabete (PS) abordou o caso com muita doutrina e pranto, num registo tão didáctico que até enterneceu o nosso presidente.  
A actual presidente da junta de Abiúl ouviu e respondeu. Ora vejam.


24 de fevereiro de 2019

Um louvor que não louva nada

Uma pombalense tornou-se a primeira submarinista. Como a futilidade dos nossos dias aprecia estas singularidades, foi logo notícia. Até aqui tudo normal - dentro da normalidade reinante.
Mas que um partido político apresente na AM um voto de louvor por uma mulher se ter tornado marinheiro (equivalente a soldado) e primeira submarinista, e este tenha sido aprovado por unanimidade, roça o ridículo. Ridículo explicado pela ligeireza e simplismo do partido (CDS-PPP) e da mulher (Liliana Silva) que apresentaram a proposta, para quem, pelos vistos e ditos, uma pessoa com uma farda é uma pessoa distinta; pela ligeireza e simplismo da presidente da mesa, que desconhece o regimento e rege-se quase exclusivamente pelas suas preferências; ligeireza e simplismo dos membros da assembleia que, com comportamentos destes, não dignificam o órgão e não engrandeceram - antes pelo contrário – as personalidades que louvam - neste caso a jovem em causa e as mulheres no geral.
Louva-se o mérito, não a aleatoriedade.


20 de fevereiro de 2019

Escândalo em Abiúl


Os membros do executivo da junta de freguesia de Abiúl, que exercerem funções entre 1994 e 2013, António Carrasqueira, presidente, Joaquim Agostinho, secretário, e Amândio dos Santos, tesoureiro, eleitos pelo PSD, foram constituídos arguidos pelo ministério público e acusados de 39 crimes de peculato*, no valor de 87.340,46 €, por terem utilizado em proveito próprio o dinheiro da junta à sua guarda, para o pagamento de almoços, nos restaurantes “Amigos da Velha Caroca” e “O Tirol”, entre 2008 – 2013.
Os elementos de prova dos crimes – cheques, facturas, actas… - foram recolhidos durante uma busca realizada nas instalações da junta pela Polícia Judiciária. A actual presidente, Sandra Barros, eleita pelo PSD, acompanhou as buscas e foi constituída testemunha.
Só entre Janeiro e Setembro de 2010 os arguidos gastaram 6.570,90 € no restaurante “O Tirol”; entre Junho e Dezembro de 2010 gastaram 7.478,09 € no restaurante “O Tirol”; em Agosto de 2010 gastaram mais 3.314,55 € no restaurante “O Tirol”; etc; etc; etc.
Os agora acusados vão responder perante a justiça. A actual presidente, Sandra Barros, deve explicações aos abiulenses, e aos pombalenses, pela ocultação deste escândalo.

* Código Penal - Peculato: O funcionário que ilegitimamente se apropriar, em proveito próprio ou de outra pessoa, de dinheiro ou qualquer coisa móvel, pública ou particular, que lhe tenha sido entregue, esteja na sua posse ou lhe seja acessível em razão das suas funções, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.

19 de fevereiro de 2019

Pombal, boa ou má governação?

Na ausência de melhor, a central de propaganda e os acérrimos defensores do executivo municipal socorreram-se dos indicadores do Anuário Financeiro dos Municípios, editado pela Ordem dos Contabilistas Certificados, para propagandear a suposta boa governação local. Foi mais uma operação de fogo-fátuo: parte dos foguetes eram de pólvora seca; os que não eram deveriam ter-lhes rebentar nas mãos - se houvesse oposição com alguma capacidade de análise e de contraditório.
Os indicadores financeiros são pouco efectivos para avaliar a qualidade da governação (como a última crise financeira demonstrou); contudo, quando aplicados para monitorizar a estratégia de organizações que operam em mercados concorrenciais, são úteis. Ora nenhuma destas duas condições se aplica aos municípios, nomeadamente a Pombal.
Na generalidade, os indicadores financeiros são ambivalentes; a sua leitura depende do contexto e da orientação estratégica (que em Pombal e na esmagadora maioria dos municípios não existe). Por exemplo, o executivo gaba-se de aparecer em 3.º lugar no indicador Equilíbrio Financeiro, Leiria aparece em 4.º e Alvaiázere em 6.º. Boas ou más companhias? O mesmo se poderia dizer do Resultado Económico, ou do Volume de Investimentos, …
No que concerne à qualidade/retorno dos investimentos, Pombal será mesmo um “case study” nacional: elevados níveis de investimento público concelhio e fraco retorno económico. Porquê? Porque grande parte do investimento público camarário, realizado nas últimas décadas, teve pouco ou nenhum retorno. O concelho está cheio de monos: Quinta Sant`Ana, CIMU-SICÓ, Casa da Guarda-Norte, Celeiro do Marquês, Parque da Praça Marquês de Pombal, Centro Negócios, Casa Varela, Casa Mota Pinto, etc. etc. etc. A isto, deve-se somar as dezenas de sedes de associações, equipamentos desportivos, parques de merendas e benfeitorias diversas que estão ao abandono ou sem uso condizente.
Pombal (tal como a generalidade dos municípios) investe/gasta muito porque tem receitas asseguradas; se estivesse dependente do retorno dos investimentos há muito teria deixado de investir.
Resumindo: primeiro, investir (muito) não é necessariamente bom; segundo, uma empresa com o nível de investimentos falhados da CMP já teria fechado portas há muito tempo; ou a administração já tinha sido corrida pelos accionistas.

18 de fevereiro de 2019

O que vai acontecer ao Centro de Saúde de Vermoil?



O povo, sempre sábio, fareja que qualquer coisa está para acontecer aos serviços de saúde, mesmo que aparentemente aquela sessão de sexta-feira passada tenha sido apenas uma "sessão informativa sobre o funcionamento e organização dos serviços locais de saúde/unidades de saúde familiares".
Só assim se percebe que numa terra desertificada e pouco dada a ajuntamentos o salão da Junta tenha sido insuficiente para receber tanto freguês, obrigando a transferir o encontro para o salão da Igreja.
"Diz que querem fechar o centro de saúde e construir um grande que sirva Vermoil, Carnide e Meirinhas...nas Meirinhas". Será? Será que o povo vê fumo e lhe cheira a fogo? Ou estamos a fazer a cama à descentralização de competências sem nos apercebermos? E porque é que não se aproveitou a ocasião para perguntar, preto no branco?
As explicações de Rui Pedro Valente foram claras, mas não para uma população idosa, que maioritariamente não utiliza a internet e passa ao lado de "plataformas online" e toda a linguagem inerente.
Este é um assunto para acompanharmos, nos próximos tempos. 

15 de fevereiro de 2019

Monarca é monarca

O quezilento vereador Michael importunou boa parte da reunião do executivo com questões indiscretas sobre a forma como D. Diogo ocupa o seu tempo. É verdade que se escudou nas suas credenciais de assiduidade e pontualidade e no facto de ter feito meia dúzia de masters e pós-graduações sem faltar ao serviço - diz ele -, enquanto vereador a tempo-inteiro, mas não se faz! Monarca é monarca e ministro é ministro. Monarca tem direito a dispor de todo o tempo a seu belo prazer. Monarca não dá satisfações a ministros ou povo.
No final do período de antes-da-ordem-do-dia já estava tudo incomodado, ao ponto de Narciso Mota ter tido necessidade de repreender o seu delfim.

14 de fevereiro de 2019

Política para a bandeira

O PSD administra a Câmara Municipal de Pombal (CMP) há sete mandatos consecutivos (quase três décadas). Sete mandatos é muito tempo e muito dinheiro. O PSD tem obra feita: muita infraestrutura, muito equipamento, muita benfeitoria, muito subsídio, muito emprego, muito prémio, muita bandeira, etc. Que fez muito não há dúvida; falta saber se fez bem – há primeira vista sim, porque nem a oposição se manifesta. Mas importa olhar para além das aparências.
Fazer muito não é difícil - basta ter recursos, e eles abundaram por via do Orçamento de Estado, Fundos Comunitários e Receitas Próprias. Difícil é fazer bem, fazer melhor - fazer melhor é aquilo que é mais difícil de fazer. O PSD, tanto com Narciso Mota como com Diogo Mateus, limitou-se a fazer o mais fácil – infraestruturas, equipamentos e benfeitorias – e a comprar consciências – subsídios, empregos, prémios, bandeiras. Em política mais é menos, o mais fácil é o pior, o mais imediato é o mais efémero. Resultado: o concelho, em vez de crescer, definhou; em vez enriquecer, empobreceu; em vez de florescer, envelheceu. Mas está bem colocado nos rankings da “feira de vaidades” - ganhou prémios, conquistou bandeiras.
No reinado de Narciso Mota, Diogo Mateus ganhou o rótulo do rigor – sobressaiu facilmente no meio do improviso -; no seu é a imagem da política da aparência e da propaganda - para o prémio, para bandeira, para a imagem.
A obsessão pelos prémios é tanta, e é tão fácil obtê-los, que a CMP obtém posições de destaque – e ganha prémios e bandeiras – onde tem mau desempenho. O lugar de destaque na Eficiência e Sustentabilidade Financeira no Anuário Financeira dos Municípios exemplifica bem o quadro. Questão que, pelo que revela e pela sua relevância, merece post próprio.

12 de fevereiro de 2019

Descentralização, uma não-reforma

A descentralização em curso foi desenhada para ser ao gosto de cada um, como convém a quem gosta de mexer nas coisas para que tudo fique na mesma. É uma “não-reforma”: não acrescenta nada de relevante, entretém; não é a reestruturação de que o país necessita; nem agradará à maioria das autarquias – para umas é uma mão cheia de nada, para outras é uma mão de problemas. No final, a esmagadora maioria acabará por aceitá-la, com mais ou menos dificuldade, porque acrescentará mais uns euros aos orçamentos municipais e adocicará a partidarite com mais uns tachos para distribuir. Pelo meio, anuncia-se a próxima reforma: regionalização. Coitado do doente.
O processo de descentralização do Estado para as autarquias não tem obedecido a uma estratégia, a um plano, ou uma lógica sequer, que permita dotar o país de um modelo administrativo coerente, consistente e adequado à sua realidade socioeconómica. Cada governo faz as suas experiências, ao sabor de impulsos supostamente reformadores que têm resultado em mais entidades, mais assimetrias, mais entropia.
Portugal consolidou o seu território no final da reconquista e, logo de seguida, D. Dinis desenvolveu um modelo de administração assente no municipalismo, que se manteve até aos nossos dias. O municipalismo faz parte do código genético do país; logo, deve ser aprofundado e adaptado à realidade socioeconómica. Não faz sentido existirem freguesias com mais de 25.000 habitantes e concelhos com menos de 2.500. Logo, indispensável é a reformulação do mapa de concelhos de forma a dar massa crítica ao municipalismo dotando-os de capacidade para proporcionar condições de vida idênticas, nomeadamente ao nível dos serviços do Estado, mas nisto ninguém quer mexer; mexe-se no resto e estraga-se o que está enraizado e funciona.
O país não tem nenhuma tradição ou cultura regionalista - nem os distritos vingaram - e as nossas regiões sempre foram unicamente similaridades geográficas, nunca tiveram identidade ou autonomia política.
A estrutura administrativa do país não pode estar sempre em reformas e nunca reformada. Por isso comungo de Pessoa quando diz: “Se alguma coisa odeio, é um reformador. Um reformador é um homem que vê os males superficiais do mundo e se propõe curá-los agravando os fundamentais”. É o que se tem passado com as reformas da estrutura administrativa do país desde a Revolução Liberal – pelo menos!

6 de fevereiro de 2019

Que trata da desventura do Pança com os mandos do Príncipe

Os últimos dias têm custado a passar ao socarrão Pança, tem andado mui atormentado, ao ponto da sua maria já ter notado a mudança de espírito e lhe ter recomendado “tomai cuidado com o aziado! Quem assim procede acaba sempre mal”. Mas o desconsolo do Pança, com os últimos mandos do Príncipe, parece ser daqueles que nem consolação admite; anda roído por dentro e alterado por fora, de noite não prega olho, de dia não tem maneiras - se alguma vez as teve –, anda de maus-feles, dá ordens e reprimendas a todos e sobre tudo; não lhe sai da cabeça a injusta entrega da mui cobiçada chefatura do apoio aos idosos à filha do mais miserável traidor, inimigo ruim demais para viver, aqui ou alhures, quanto mais para receber prebendas; não entende, diz ele, a razão da sem-razão de tal escolha, que contrabalanço Sua Alteza procura, por que desbarata tão valiosa mortalha com tão ruim defunto, que nada tem para dar e tudo pode deitar a perder; não saberá, Sua Alteza, que há muita prosélita à espera duma graça ou de alguma migalha do poder, e vai dar valiosa prebenda ao inimigo, catano; as prebendas têm que ser bem dadas, primeiro os nossos, depois os de ninguém, e depois de depois acabou-se; neste negócio da política quem cai cai e acabou-se.
O Pança sabe que precisa de se conter para não desagradar ao Amo, que incenso e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, mas tem necessidade de um pouco de ruibarbo para purgar a sua demasiada cólera; vai daí, sendo muito devoto da N.ª Sr.ª do Cardal e do Santo P.e Amaro, buscou protecção na providência divina, já se fez confessar pelo padre Vaz, que lhe prenunciou penitência ajustada, jejuar uma semana somente a pão-e-água, ao que ele pensou contrapor que preferia rezar um mês com sopa da pedra e carne barrosã, mas, pelo sim pelo não, anuiu, e lá foi cumprindo, com um ou outro deslize menor, que o corpo é fraco e Deus é amigo, e o festival do glorioso, na casa do rival, não poderia ficar sem festejos a preceito.
A danação interior do Pança, reprimida mas mal contida, não passou despercebida ao Príncipe, que deixou a coisa moer até ao ponto certo. No final do dia de despacho, perguntou-lhe:
- Por que andais tão aziado, Pança?
- Desculpai-me a franqueza e fraqueza, Alteza, mas tenho andado com o miolo em ânsias desde que o Senhor brindou o nosso maior traidor e inimigo com valiosa prebenda – replicou o Pança.
- Sois mesmo de entendimento boto, Pança; e ainda não aprendestes nada da arte de mandar e ser obedecido – retrocou o Príncipe.
 - Desculpai-me o reparo, Alteza; posso ser de entendimento fraco, mas tanta bondade condiz mais com frade – retorquiu o Pança.
- A bondade das coisas, Pança, depende do momento e do intento. O teu reparo é tão sem sentido que me parece será tempo perdido o que se gastar para te convencer da minha subtileza e da tua simpleza – Rematou o Príncipe.
Oh alma despiedosa! Quem vos devesse fugir mais do que ajudar - pensou o Pança, mas não o verberou.
                                                                                                Miguel Saavedra

5 de fevereiro de 2019

O presente envenenado



O impoluto Diogo Mateus escolheu para coordenadora do programa CLDS-4G a psicóloga Rita Mota, filha de Narciso Mota.
Como? - perguntará o leitor atento, sabendo da chacina política que o presidente tem feito ao seu antecessor; da humilhação constante nas reuniões públicas e gravadas, do processo que corre em tribunal movido pela nora do mesmo Narciso, contra a Câmara Municipal, onde também trabalha. 
Como? - terá perguntado a vereadora do PS, Odete Alves, na última reunião de câmara, convencida de que esta nomeação cheira a "uma forma de silenciar ou controlar" o agora vereador da oposição.
Como? tem razões para se interrogar Teresa Silva, presidente da direcção da APEPI - a entidade gestora do dito programa CLDS-4G, ligação que vinha do tempo em que a sua IPSS  e a Câmara tinham uma relação umbilical, em que também ela era uma mulher social-democrata, ao ponto de dar o nome da deputada (e ex-secretária de Estado) do PSD, Teresa Morais, à Casa Abrigo. No meio social toda a gente sabe que a filha de Narciso Mota não era a escolha da APEPI para coordenadora técnica deste projecto - que dura há anos e ninguém sabe muito bem o que é, para que serve, que resultados se apuram do meio milhão de euros investido, de cada vez que cai "no terreno". E toda a gente sabe que Diogo não perdoa nem esquece. E que, na verdade, esta nomeação - para um cargo pago a peso de ouro, com dinheiros públicos - é uma espécie de presente envenenado, qual pescadinha de rabo na boca: a filha daquele que foi seu adversário, que lhe lhe chama vingativo todos os dias, que levou com ele muitos do PSD, como Teresa Silva. 
O futuro há-de mostrar como este caso é um isco e quem o vai morder.  

4 de fevereiro de 2019

Prognósticos eleitorais antecipados

Ainda mal passou o primeiro ano de mandato autárquico, e já os sinais, de má governação e de promiscuidade entre governação e partido, são de tal forma expressivos, que já é possível prognosticar que determinadas câmaras do distrito mudarão de mãos.

28 de janeiro de 2019

A pista (des)coberta


Não deve tardar muito, a pista coberta destinada ao atletismo - instalada na Expocentro - mudará de poiso. Pombal, que é como quem diz o poder autárquico, tem esta capacidade inata de deixar escapar para fora o que tinha obrigação de conservar e rentabilizar. É certo que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita: primeiro era o Parque TIR, mas quando se acabou a obra já a abertura de fronteiras ditava outras regras. Depois era o Expocentro, mas faltou perceber que não bastava abrir as portas às feiras, era preciso ter estrutura para acolher. Depois, em boa hora se acolheu a Pista Coberta, mas continuámos com o mesmo problema. Agora agravou-se: os clubes do concelho que se dedicavam à formação no atletismo deixaram de o fazer, e quase parece que deixámos de ter pelouro do Desporto, pelo menos a avaliar pelo deserto que se apresenta neste campo, a começar pela comunicação. Desafiamos o leitor a fazer uma pesquisa na página do Município e encontrar os eventos de...2017.
Ora acontece que estamos em 2019 e Pombal acaba de perder a realização do campeonato nacional de clubes, que vai acontecer em Braga. Aqui ficámos apenas com a fase de apuramento, e já gozamos.
Há pessoas e cidades que têm um talento especial para construir coisas, para acrescentar. Nós haveremos de nos notabilizar pelo talento de as destruir. Mas com pompa e circunstância. 

25 de janeiro de 2019

A junta do Pedro

Aviso ao leitor: este post não é o que era para ter sido, é o que pode ser.
    
As juntas de freguesia são de utilidade discutível, ao ponto de muita gente defender a sua extinção. A junta da sede do concelho é a de utilidade mais duvidosa, na medida em que, as suas atribuições são escassas, de pouco valor e o seu raio de acção sobrepõe-se ao da câmara.
A entrada do deputado Pedro Pimpão, e da sua pujante equipa, na junta de freguesia de Pombal, criou – criaram - a expectativa de que o papel da junta iria mudar: deixaria de ser uma coisa menor, que trata de minudências* (atestados, valetas, um ou outro arruamento e uma ou outra benfeitoria menor) e passaria a prestar serviços de elevado valor à comunidade. Puro engano. A junta mudou, sim, mas, pelos vistos, para pior: nem magnificências, nem minudências. E não é por falta de vontade, de voluntarismo. De onde não há não se pode tirar.
Ao contrário do que o bom-cristão sente e pensa, e o Pedro é o estereótipo do bom-cristão (que grande elogio!), a vontade não é naturalmente eficiente, ilude e ilude-se, porque labora mais que sobre uma vontade e não sobre a matéria. Daí que o voluntarismo conduza mais vezes à ineficiência do que à magnificência. O Pedro e a sua equipa têm-se esforçado por mostrar atitude voluntariosa, sempre a fazerem muitas coisas, ao ponto de já se apelidar a junta de agência de eventos, mas muitas coisas descambam quase sempre em coisa-pouca.
O Pedro prometeu colocar a junta na vanguarda das novas tecnologias, com os serviços on-line e os fregueses em rede, e, vai-se a ver, a coisa está pior do que no passado, do que no tempo da dupla Lopes-Escalhorda. Passou mais de um ano de mandato, e no site só actualizaram as fotos/perfis dos novos inquilinos; nem as obrigações mínimas de transparência têm cumprido: Relatórios de Prestação de Contas, Orçamentos e PPI e Actas nem vê-los!

PS: * As AEC e as refeições escolares são actividades que deveriam estar na câmara, se esta valorizasse verdadeiramente a educação.


21 de janeiro de 2019

A rã e o escorpião

Uma boa parte da natureza humana está espelhada na fábula a rã e o escorpião. A última reunião do executivo traduziu-a com requinte.
O escorpião caiu no lodo agarrado a um regulamento que cheirava mal por todos os lados. Logo a rã, sempre solícita e singela, se ofereceu para o ajudar. O escorpião aceitou ajuda, acomodou-se nas costas macias da rã e atravessou o rio sem sobressaltos.
Posto a salvo e seguro, o escorpião apresentou logo outro regulamento à rã. Esta, sem tempo e cansada de fazer fretes, pediu compreensão ao escorpião.
Mas o escorpião levava o ferrão carregado de veneno; e sentindo que ficava a dever um favor, mal a rã pediu ajuda, ergueu o ferrão, e zás, ferrou-lhe o seu veneno. É a sua natureza. Coitada da rã.

20 de janeiro de 2019

Uma “brilhante” trapalhada

O nosso douto e rigoroso presidente também não lê os documentos que leva às reuniões do executivo. Falha indesculpável, presidente: sabe bem que não pode confiar no trabalho do vereador.
O documento “cheira-mal” por todos os lados! Não são só as profundas incongruências jurídicas; mostra que quem o fez não tem noção nenhuma do que estava a fazer.
PS: a doutora Odete esteve muito bem a secretariar o executivo – merecia uma avença jurídica. O presidente, logo a seguir, deu-lhe bem a paga.

19 de janeiro de 2019

Conversa harmoniosa

A última reunião do executivo foi um deleite para as almas doces. Se o Eng.º Narciso também tivesse adoecido, a coisa teria sido uma conversa de anjos.
A doutora Odete, de forma sucinta e no seu registo mui cordato, interpelou o nosso presidente - lançou as deixas - sobre temáticas que são do agrado de qualquer bom-cristão.
O senhor presidente aproveitou muito bem as deixas da doutora Odete para, ao longo de 46 minutos (!), de 46 minutos (!), dar nota da sua frutuosa reunião com secretário de estado, sobre o processo de delegação de competências, onde, no seu dizer, alardeou as virtualidades da (sua) gestão municipal; o que lhe possibilitou exibir, ali, os seus talentos jurídicos e a sua retórica mui substantiva (palavras suas). Enfim: fez política ao longo daquela eternidade, tendo ainda a lata de intercalar os apartes “agora vou fazer um comentário político”. Embalado como estava, mostrou-nos a sua desconhecia face bondosa: informou-nos que já ofereceu, e pode oferecer, carros de lenha aos pobres.
O nosso presidente esteve soberbo. Satisfeito, consentiu que a cereja no topo do bolo fosse colocada pela vereadora Ana, que o fez com a simpatia e a doçura que a caracterizam.


18 de janeiro de 2019

C E Meirinhas: a asneira anunciada

Narciso Mota diz, também, coisas certas! O que disse sobre o Centro Escolar das Meirinhas foi bem dito. O seu problema – da oposição – é a perna curta ou a falta de memória. Quando estica a perna, tropeça; quando arrisca, a memória trai-o.

Oposição: tropa fandanga

Mais palavras para quê?