10 de fevereiro de 2022

Tratar mal dos nossos

Pombal tem uma percentagem elevada de emigrantes, acima da media nacional!

E continua a fornecer recursos humanos de qualidade para outros países.

Falhámos coletivamente como país porque as condições de trabalho oferecidas não são atrativas e as perspetivas de progressão de carreira são diminutas.

E quando há um movimento generalizado dos emigrantes que pretende exercer o seu direito democrático, numa primeira experiência de votar por correspondência com elevado sucesso, um partido (PSD) decide ser a barreira limitadora num processo adaptativo e com isto invalidam 157 mil votos para o lixo.

Foram cerca de 400 mil portugueses que tentaram votar, mas pouco mais de metade é que contaram.

Já não chega que, para o caso da Europa, tenham votado cerca de 100 mil portugueses para eleger um deputado, contra os cerca de 20 mil portugueses que residem no território nacional, que desvalorizem o direito de quem está lá fora.

A lei eleitoral precisa de ser alterada, para que não haja regras diferentes para as várias eleições, para que o voto dos emigrantes tenha a mesma proporcionalidade de quem reside por cá, que seja possível votar eletronicamente.


6 de fevereiro de 2022

O doutor Pimpão já subsidiou o doutor Mateus

Quinta-feira, depois de receber o parecer da CCDR que nada esclareceu, o doutor Pimpão fez aprovar o subsídio de reintegração requerido pelo doutor Mateus, no valor de trinta e tal mil euros.



Como já aqui ficou dito, em 2002, quando deixou de exercer o cargo de vereador na CMP, o doutor Mateus teria direito ao subsídio de reintegração “na vida activa”. Por não o ter requerido na altura e por a lei ter deixado de o atribuir a partir de 2005, é no mínimo muito duvidoso que o direito à subvenção se mantenha ad aeternum. Por outro lado, mesmo que o direito se tivesse mantido após a alteração da lei, o direito prescreveu por já ter decorrido 20 anos após a verificação dos requisitos para a sua atribuição.

Como sabemos, o doutor Pimpão tem medo do doutor Mateus. Mas não pode julgar que se protege com o nosso dinheiro.

31 de janeiro de 2022

Pombal ainda é laranja?




São muitos anos, muitas noites eleitorais a adormecer e acordar com os gritos de vitória que a ruidosa Jota tem na ponta da língua e solta aos megafones, abafando tudo à sua volta. E são muitos anos em que a estratégia resulta, veja-se como o poder se alimenta dela, e ela do poder, de Diogo Mateus a Pedro Pimpão. Nestas eleições legislativas, pressenti que alguma coisa estava fora do lugar. Isolada - como um milhão e 200 mil portugueses - acompanhei como espectadora atenta o final da campanha. Aqui no burgo, estranhava o silêncio e a falta de empenho na campanha, embora justificada à partida pela aversão a Rui Rio - que o eterno jovem João Antunes dos Santos lá disfarçou, em voltinhas várias (fora daqui), "o candidato da JSD".

 

Quando as sondagens - ah, as sondagens...esse elixir de bonomia para um líder que ontem à noite deixou cair a máscara - mostraram que o país podia virar à direita, que o PSD poderia regressar ao poder, então foi tempo de alguns se mostrarem, ainda que timidamente. Foi quando Pedro Pimpão se anunciou mandatário concelhio de Rio, revelando integrar a comissão de honra da lista de candidatos do PSD por Leiria, encabeçada por Paulo Mota Pinto, nosso ilustre presidente da Assembleia Municipal (agora eleito deputado por Leiria). Aconteceu a 26 de janeiro. Quatro dias antes das eleições.

 

No PS, estas eleições abriram mais uma fractura. Alguns membros da concelhia prometeram (e cumpriram) nem sequer fazer campanha, incomodados com a atribuição do lugar de "suplente" nas listas dado a Pombal. Uma nota para o deputado Joelito, que defendeu o seu posto de trabalho até ao fim, e por isso se apresentou todos os dias para fazer campanha, ao lado da candidata Carla Mariza Pereira, que não encontrou apoio na estrutura local.

 

Feito o enquadramento, o que nos dizem os números? Há três notas relevantes que vale a pena destacar:

 

1. O PS foi o partido mais votado nas freguesias de Pombal e na Redinha. Quando os dados foram revelados na Escola Secundária de Pombal (onde a Junta de Freguesia revolucionou a organização das mesas de voto, parabéns à presidente Carla Longo e à sua equipa), percebeu-se que seria uma tendência. Aliás, o PS cresce em todas as freguesias, correspondendo ao fenómeno nacional: perante a hipótese de ver a direita chegar ao poder, o eleitorado mobilizou-se para votar em António Costa e no PS, sacrificando o BE e a CDU. No Louriçal, onde o PS tem um dos seus melhores resultados (ficou a 50 votos do PSD), o Bloco ainda consegue ir ao 4º lugar. E ali, o Chega ainda pia fino - tem a mais baixa percentagem de todo o concelho, enquanto a CDU (PCP/PEV) tem a melhor percentagem, mesmo que isso signifique apenas 2.23% dos votos.

 

2. Carnide, Abiul e Meirinhas são os últimos bastiões do PSD - acima dos 50%, mas longe dos 80 que escrevi em muitas noites eleitorais. Porquê? Porque é aqui também que o Chega consegue as suas melhores votações, logo seguido da Iniciativa Liberal. E depois sobra ainda qualquer coisa residual para o CDS-que-Deus-tem. Vale a pena lembrar que, em Pombal, o partido ainda alcançou mais de 500 votos. Curiosamente, em Vila Cã, terra natal da presidente, Liliana Silva, quedou-se por expressivas 22 cruzes.

 

3. O distrito de Leiria pintou-se de rosa pela primeira vez. Era um bastião laranja. Pessoalmente, não acredito que a escolha dos cabeças de lista influencie grande coisa o resultado das eleições legislativas. Defendo antes que os eleitores escolhem nesta contenda o partido que melhor os representa, e mais, quem querem ver como Primeiro-Ministro. Desta vez, foi gritante. Ainda assim, António Sales foi uma boa aposta.

Lamento que Leiria tenha perdido um deputado como Ricardo Vicente, empenhado até à medula em diversas causas, em detrimento de um negacionista do colonialismo, e outros demónios. Felizmente, o Governo não precisará dele(s) para nada.

 E agora? Será que o PS/Pombal já percebeu que o eleitorado sabe votar? Ou continuará a atirar-lhe culpas em cada derrota?

 

27 de janeiro de 2022

Os enormes custos da inépcia

Quem conhece minimamente o doutor Pimpão, e sabe quão exigente é actualmente a empreitada de administrar uma câmara municipal, de média ou grande dimensão, sabia que o dito não estava minimamente preparado para o cargo que os seus comparsas lhe destinaram e que ele abraçou como desígnio de vida.



Apesar dos riscos conhecidos, (quase) toda a gente concedeu o benefício da dúvida ao Pedro. Não pelos seus méritos políticos, que os não tem, mas pela compaixão que toda a alma bem-intencionada merece. Até este maldizente escriba acreditou que o doutor Pimpão saberia rodear-se de uma equipa experiente, com sólidas competências autárquicas, técnicas e políticas; que o doutor Pimpão se focaria no trabalho complexo de administrar a câmara, no estudo dos dossiers mais complexos e na preparação das decisões difíceis; que o doutor Pimpão era pessoa sensata, discreta e consciente da oportunidade única que lhe foi concedida e das responsabilidades que assumiu.  

Ora, toda a gente atenta, dentro e fora da câmara, já percebeu que o doutor Pimpão é inepto, como presidente da câmara. Serve para presidente da junta, mas não serve para presidente da câmara. Desgraçadamente, o doutor Pimpão não realiza nem ordena quem realize; tem poder mas não o sabe exercer. É uma alma pueril que esvoaça, esvoaça, e esvoaça para ser vista; que se ocupa e alimenta exclusivamente da encenação e da exposição com intuito de ser conhecido. 

Bastaram três meses – três simples meses! – para o doutor Pimpão perceber que não sabe, que não é capaz administrar a câmara; e que, apesar de ter designado quatro vereadores a tempo inteiro, quando a lei indica dois, não tem quem saiba governar a câmara. Vai daí, quer contratar alguém que o substitua, que faça o que ele não é capaz de fazer: administrar a câmara. Prepara-se para contratar um Director Municipal, cuja missão será gerir a câmara. 

Um Director Municipal, grau 1, recebe uma remuneração mensal de 3.734 € - acima do presidente da câmara! - mais 778 € de despesas de representação. Acarreta encargos anuais de cerca de 75.000 € e de cerca de 300.000 € no mandato.   

A inépcia é muito cara, mais cara a que arrogância. O doutor Pimpão deixará a câmara pior que D. Diogo a deixou. 

O doutor Diogo caiu pela arrogância. O doutor Pimpão cairá pela ignorância.

24 de janeiro de 2022

A Felicidade está nos detalhes

 

Diogo Mateus fez a sua primeira aparição pública desde que deixou de ser presidente de Câmara. Aconteceu ontem, na inauguração do Lar da Felicidade, nas Meirinhas, onde esteve presente a convite da direcção daquela IPSS. E isso confirma que são exageradas as notícias da sua morte política. 

Observando as fotos, e lendo as notícias que dali resultaram, percebemos que toda a cerimónia foi farta em fenómenos. Numa terra abastada, em que até o Lar de Idosos se chama Felicidade, não podia ser de outra maneira. 

21 de janeiro de 2022

O Parvo Vírus

O Parvo Vírus entrou em Pombal. Por agora só em algumas colónias, bem identificadas, mas pode disseminar-se. 

Subscrevo plenamente a necessidade de controlo dos Parvo Vírus. E pelos métodos recomendados: recolha, castração, vacinação e adopção dos portadores da maleita. Não se pode dar largas aos Parvo Vírus. Os Parvo Vírus são enorme ameaça, aos animais e aos humanos. Solução final com eles.


19 de janeiro de 2022

O facto político do momento na reunião da “Junta”

Reuniu, hoje, a “Junta”; no registo informal que lhe é característico (de cada um falar quando lhe apetece); sem a presença do doutor Pimpão, de "férias" em Cabo Verde, que, assim, evitou ter que ser ele a justificar o rol amigos e amigas que nomeou, sem qualquer critério que não seja o amiguismo - nem o sempre badalado critério da confiança política cumprem, como avante se verá! 

Coube à doutora Marto – vice-presidente da “Junta” – o fastidioso papel de ter que justificar, por critérios que ela sabe que não se aplicam nem se verificam, o injustificável - as nomeações do doutor Pimpão.

O doutor Pimpão espalhou propagandistas pelo gabinete de apoio ao presidente, pelo gabinete de apoio aos vereadores, e, vejam só, também pela defunta ADILPOM. Desconhece, coitado, que publicidade é pior que se pode fazer a um mau produto. E para a PMUGest (uma espécie de "empresa", deficitária e totalmente dependente da câmara) nomeou não um mas (+)dois administradores remunerados!

Custou ver a doutora Marto, conhecida por ter pelo-na-venta e mangas arregaçadas, naquele penoso arrastar de voz; naquele tormentoso pára-arranca contínuo de cada frase, de cada palavra; naquele martírio que as mentiras inverosímeis (e encomendadas) sempre provocam. Quando se ouve justificar a nomeação da Ana Gonçalves pelo seu curriculum, uma pessoa já nem ri. Mas também não consegue chorar.

A inépcia aflige. Mas a falta de decoro é pior. Ofende. 


PS: Com os representantes da “oposição” não vale a pena gastar muitas palavras. Lembrar-lhes, só, que quem ainda não tirou as devidas consequências dos desastrosos resultados eleitorais não tem legitimidade nenhuma para cobrar resultados a quem ainda dispõe de toda a legitimidade.  

16 de janeiro de 2022

Jovens autarcas – a infantilização da política

Decorreu ontem a “festa” da tomada de posse dos jovens autarcas. Tomada de posse de quê?! Valha-lhes Deus.



Já se previa que a política para o doutor Pimpão fosse festa, sempre festa, e quanto maior a festa melhor. Mas a confirmação supera as expectativas. Para o doutor Pimpão, administrar resume-se à lide oca e honorífica de um moinho em giro e sem grão, moendo-se a si mesmo, num rol de festas e homenagens sem critério e sem fim.

Criou-se – também por cá - o Orçamento Participativo para envolver os jovens adultos na política e na gestão autárquica. Um esquema pífio para entreter os aspirantes à profissão. Resultado: são proformas que geralmente não saem do papel - e ainda bem! Depois acrescentaram a “eleição” dos “Jovens Autarcas” – uma coisa pífia para entreter e iludir adolescentes (e não só)… A seguir virá um concurso qualquer para as crianças. Depois outro para as criancinhas. E, se nada mudar, ainda chegará outro para os bebés!  

Com o doutor Pimpão ao leme, a infantilização da política entrou em marcha acelerada. Ele julga que isto o engrandece. Não percebe, coitado, que só o diminui. Nem percebe que nem todas as associações somam. Esta é de soma negativa - não acrescenta nada, só destrói, porque desfoca. 

PS: a última coisa que queria para os meus filhos era vê-los metidos nisto.

15 de janeiro de 2022

A nomeada da semana

Pedro Pimpão acaba de nomear mais uma amiga da Jota para secretariar os vereadores. Desta vez a feliz contemplada é Nicolle Lourenço, que vai dar apoio ao vereador Pedro Navega. Sabendo dos créditos que lhe são (re)conhecidos na área, estamos em crer que é agora que assistiremos a um certo avanço importante em "agilizar os processos" (de que tanto se fala nas reuniões do executivo), nomeadamente com as parcerias... 
 #Seguimosjuntos?



11 de janeiro de 2022

A Nova Ambição, do Pimpão

Passados três meses, já se pode afirmar com segurança que a “Nova Ambição”, do Pimpão, de nova só tem o velho; e de ambição só tem a ilusão. 

Na ausência de melhor, bastou ao Pimpão vender a sua ilusão: uma enfiada de regozijos públicos que prometiam a felicidade na terra. Mas os mais atentos, ao que se passa dentro e fora da câmara, já perceberam que a “Nova Ambição” vive unicamente do fogo-fátuo de aparecer em reuniões no Salão Nobre ou da correria pela cidade e pelo concelho em busca de eventos para a vaidade encenada para as redes sociais. É um poder oco, que padece da epidemia da inaptidão, exercido por gente não serve nem para ajudar à missa, quanto mais para dar missa.  

De novo a “Nova Ambição” só tem o retrocesso. Voltámos ao “se não ajudarmos os nossos…”: o interesse do concelho pelo interesse do partido; o interesse do partido pelo interesse dos amigos; o interesse dos amigos pelo interesse individual.

Os concursos públicos passaram a designar os/as candidatos/as preditos. A avença dos serviços jurídicos continua a ir para o correligionário do partido, apesar do desempenho conhecido. Os boys vão-se encostando. 

Mas para finalizar - por hoje - consta que a ex-vereadora Ana Gonçalves, protagonista maior dos escândalos do último mandato, vai ser nomeada administradora da PMUGest – aquela empresa municipal que é uma máquina geradora proveitos.


10 de janeiro de 2022

O que (nos) resta da Cultura




 A agenda cultural de Janeiro começa e acaba no Encontro de Teatro, que acontece entre quinta e domingo, por iniciativa do Teatro Amador de Pombal. Chegámos a isto, aqui na terra: agora que se foram os confettis do bosque encantado do Natal e do entretenimento que muitos confundem com programação cultural, percebemos que nem os visionários conseguem mascarar o que não há. Os serviços municipais tentaram preencher então a dita cuja com actividades diversas, workshops e encontros que vão desde informática para idosos (!) até um "círculo de leitura de livro" que está a ganhar um espaço inusitado quer na agenda, quer na Biblioteca (que continua sem responsável)  - um tema a que talvez ainda tenhamos que voltar...

Ah, o TAP. O mesmo que faz parar no Cardal até aqueles que não vão ao Teatro-Cine ver os espetáculos, surpreendendo-nos sempre, em cada encontro, em cada aniversário. E este ano convidou os vizinhos da ADAC. E os amigos da Ajidanha. E ainda Os Gambuzinhos com 1 pé de fora, da Benedita, que trazem a Pombal a peça "Não há assassinos no paraíso” (na foto), com encenação de José Carlos Garcia.  

9 de janeiro de 2022

Para desenfastiar do arroz de tomate falemos de nabos e nabiças

Percebi, finalmente, o sucesso do arroz de tomate: a malta devora-o até ao enfartamento. Mas como o que enfarta enfastia, falemos de nabos e nabiças – excelentes antídotos contra o enfastiamento por arroz de tomate.



Até porque não somos famosos unicamente pelo arroz de tomate. Somo-lo igualmente pelos belos nabos e pelas belas nabiças. Dão-se bem por cá. O terreno é-lhes fértil. Crescem em sobretudo – como diz o povo. Quis o destino, ou a natureza, que assim fosse, que esta sina nos calhasse. E, pelos vistos, teremos que nos haver com ela. 

Mas se isto dá felicidade, siga a festa.

8 de janeiro de 2022

A partidocracia

Em véspera de mais umas eleições legislativas, desta vez antecipadas em tempo de crise, vamos tentando identificar quem são as pessoas que podemos eleger pelo círculo eleitoral de Leira.

O distrito elege 10 deputados para a assembleia da república do total de 230 (representará 4% daquele hemiciclo). Em 2019 o PSD elegeu 5 deputados, PS 4 (apesar da diferença de cerca de 5 mil votos) e o BE elegeu 1 com cerca de 20 mil votos. O método de Hondt, em Leiria, não beneficia em nada os pequenos partidos e quanto mais distribuição de votos por muitos, mais os grandes partidos são beneficiados.


Para cabeças de lista temos o Presidente da Assembleia Municipal de Pombal, Paulo Mota Pinto, o Secretário de Estado e Adjunto e da Saúde, António Sales e o repetente Ricardo Vicente pelo BE. Os restantes serão ilustres desconhecidos, sobrepondo-se o partido às pessoas. 


Não há forma de ser eleito para a Assembleia da República sem um partido. 


Num distrito em que nas últimas autárquicas tivemos eleitas 6 câmaras PSD, 6 Câmaras PS e 4 Independentes significa que uma percentagem de eleitorado que se revê nos Grupos de Cidadãos Eleitores (GCE) tem dificuldade em encontrar semelhante cenário nas legislativas. Acresce ainda que os agentes políticos dos GCE ficam arredados do processo eleitoral, não participando, por exemplo, na constituição das mesas de voto.


A Associação Para uma Democracia de Qualidade (APDQ), em parceria com a Sedes, propôs um modelo misto entre o sistema atual e um círculo do Uninominal, já previsto na constituição desde 1997, ou seja, está previsto legalmente. Falta a vontade política.


Isto significaria que poderia haver um candidato pelo círculo uninominal por Pombal, mesmo sem pertencer a qualquer partido. 

31 de dezembro de 2021

Um grande orgulho


No último dia de 2021, é justo destacar a personalidade da Dª Lurdes Graça, recentemente distinguida com o
Prémio Carreira Boa Cama Boa Mesa 2021, do jornal Expresso. No ano em que completou 90 anos de idade, a Dª Lurdes viu o seu percurso profissional ser reconhecido pelo prémio de maior prestígio da gastronomia nacional. Não é que ela precisasse desse reconhecimento; na verdade, a excelência da sua cozinha há muito que é apreciada por todos. Se Pombal é hoje conhecido em todo o país (e não só), muito se deve ao seu (nosso) arroz de tomate e ao restaurante Manjar do Marquês. Depois de dois anos fortemente marcados pela pandemia, o restaurante que gere com o seu filho Paulo continua a ser uma referência de qualidade e um grande orgulho para todos os pombalenses. Muitos parabéns, Dª Lurdes! 

30 de dezembro de 2021

Notícias de Vermoil - edição digital


Não, ainda não é o regresso do jornal que a Junta de freguesia editava. Socorro-me do nome desse prestimoso título para louvar o que acontece naquela bela localidade: coisa básica - as sessões da Assembleia de Freguesia são transmitidas online, de modo que toda a gente pode assistir a elas. É assim agora, em tempo covid, mas já era assim  antes disso. Se a memória não me falha, é caso único no concelho de Pombal. Já ia sendo tempo dos restantes autarcas seguirem o exemplo do presidente Daniel Ferreira, e perderem o medo de abrir a cortina para que toda a gente possa ver o que acontece nas reuniões que - pasme-se - são públicas. Curiosamente, os casos mais gritantes de oposição a esta abertura, num passado recente (último mandato) foram dois comunicadores natos: Gonçalo Ramos, no Oeste, e o nosso super Pimpão, que enquanto presidente da Junta de Pombal se opôs à proposta  defendida pela eleita do CDS. 

Voltemos a Vermoil. A reunião da Assembleia confirmou aquilo que já aqui dissemos anteriormente: o problema do actual executivo está dentro de casa. Ilídio Manuel da Mota, ex-presidente da Junta e da Assembleia, foi à reunião para imprimir o tom de formalismo que a presidente  da mesa não foi capaz de gizar. Porque formalismo requer seriedade, e dessa junção já não resultaria o tom amistoso e tratamento "à vontadinha" que parte as pernas à oposição e redunda no espírito colaborativo que a malta gosta. A tal da "crítica construtiva", de que aqui tanto ouvimos falar. Ainda assim, não fazia mal à maioria dos eleitos locais que chegaram agora às funções frequentarem uns cursos rápidos, que os há online, para terem noções básicas do que são os regimentos, as ordens de trabalhos, as aprovações por minuta...

À falta disso, Ilídio Mota deu uma breve explicação. E deu também orientações à Junta do que reclamar junto da Câmara (podem ver aqui, na gravação online), pouco crédulo no êxito de um orçamento para uma freguesia daquelas, no valor de... 600000€....

O doutor Pimpão quer enganar-nos!

Dos documentos provisionais para o próximo ano, e para o quadriénio, discutidos e aprovados recentemente, pelo executivo e pela AM, constava o Mapa de Pessoal. Por norma, é um documento pouco valorizado e pouco escrutinado, por razões que se compreendiam. Desta vez voltou a sê-lo... Erradamente.

O documento prevê a contratação de mais 216 funcionários, o que representa um acréscimo de 45 % no quadro de pessoal – a câmara tem actualmente 477 funcionários. 



A câmara de Pombal teve sempre uma eficiente gestão do pessoal, daí a sua reconhecida solidez económico-financeira; mas o doutor Pimpão parece empenhado em mudar o paradigma, em meter carradas de pessoal na câmara. No entanto, quando se olha para o orçamento, verifica-se que o doutor Pimpão promete não aumentar a despesa com pessoal ao longo do mandato. Cresce uns míseros 3%, de 13.032 M€ em 2022 para 13.480 M€ em 2025.

A bota não bate com a perdigota. O doutor Pimpão não sabe prever nem planear. E a oposição não sabe confrontar - distrai-se com fait-divers, e descompromete-se com uma crédula abstenção.

22 de dezembro de 2021

Reunião da “Junta”

A “Junta” reuniu hoje. Para cumprir formalidades.

O doutor Pimpão apareceu com ar cansado, distraído e deslembrado. Fartou-se de coçar a pulga.

Do resto, mais do mesmo: a aprovação de um subsídio para uma Comissão Fabriqueira para obras já realizadas. 

Siga a festa.    

21 de dezembro de 2021

AM – da avidez ao desastre

A primeira reunião ordinária da nova AM, que decorreu ontem ao longo de oito longas horas, confirmou o expectável: o desastre do que resta da oposição.

Os marketers defendem que não há uma segunda oportunidade para deixar uma boa primeira impressão. Por isso, aconselhava a prudência que na primeira e, ao mesmo tempo, a mais exigente reunião - debate e aprovação de Taxas Municipais, GOP, Orçamento, PPI, … - os protagonistas se centrassem no essencial. Mas a bancada do PS quis pré-aquecer o confronto com uma polémica estéril, neste contexto, sobre o não agendamento das suas propostas pela mesa. Sobre o mérito e a pertinência das propostas nem vale a pena gastar palavras; mas ficámos depois a saber que elas foram apresentadas fora do prazo. Contrariados pela mesa abandonaram a reunião durante o PAOD, sem serem acompanhados pelos vereadores (e presidente) do partido. A avidez de protagonismo é sempre má conselheira. Neste caso, resultou num verdadeiro hara-kiri, do qual vai ser difícil recuperar.

O verdadeiro debate começou pelas taxas municipais, com o especialista em conversa de ninharias – Leandro Siopa - a tomar o protagonismo. Avançou depois para a taxa de IRS, com João Coelho a defender, duplamente, o indefensável: devolver o IRS para ser aplicado no comércio tradicional e compensar a receita com endividamento. A coisa foi de tal forma anacrónica que até permitiu à rapaziada do PSD brilhar a discutir endividamento.

Continuou com outro especialista financeiro – Nuno Gabriel – a defender mais endividamento para alavancar o orçamento. Sobre aquilo de que a oposição devia falar, nada ou muito pouco de relevante. Pelo meio, até o José G. Fernandes, que sabe tanto da matéria como o místico sabe de mecânica quântica, botou discurso trauliteiro sobre endividamento (estrutura de capital).

E vimos ainda a vice-presidente e o presidente da câmara a dizerem que se podia aprovar, à-vontade, o agravamento das taxas sobre prédios rústicos abandonados, porque se depois se verificasse que alguém não conseguia pagar, perdoava-se!

Mas a verdadeira vedeta desta primeira reunião ordinária foi o agora presidente da Junta das Meirinhas – João Pimpão -, que fez um quarteirão e meio de intervenções, sobre tudo e mais alguma coisa, e até derramou sapiência sobre custos administrativos e transparência.

No meio do desatino geral, o “Presidente da Junta” – Pedro Pimpão –, com com discurso realista, responsável e relativamente consistente, mostrou que pode vir a ser um verdadeiro presidente de câmara. O presidente da Junta de Almagreira – Humberto Lopes – confirmou que, para além de excelente presidente de junta, é um bom parlamentar, com pensamento próprio digno de registo. E o Luís Couto – do Oeste Independentes – fez duas boas intervenções, no PAOD e sobre as GOP e Orçamento.

18 de dezembro de 2021

ADILPOM – exemplar maior do falso associativismo

A ADILPOM é uma “associação” – que de associação tem pouco ou nada – criada em 1991, pelo poder político local da altura, com o objecto da “promoção do desenvolvimento no concelho de Pombal, através de uma integração adequada com os espaços e entidades no âmbito regional, nacional e internacional, visando o desenvolvimento global e equilibrado do concelho, mediante o apoio directo à actividade produtiva e à promoção e valorização dos recursos locais, especialmente os humanos” - música.

O estratagema por detrás deste tipo de entidades foi sempre dar-lhes um objecto vasto e aparentemente virtuoso suscetível de disfarçar o verdadeiro propósito - usá-las para esquemas da mais diversa índole, nomeadamente como alçapão para a saída de dinheiros públicos sem controlo. O problema – ou a virtualidade - destas entidades é a (sua) essência determinar tudo - o pecado original cumprir-se.

Nos primeiros anos e nos mandatos de Narciso Mota a ADILPOM serviu como estrutura para a realização de alguns eventos e como antecâmara para dar emprego à malta do partido que não podia entrar directamente na câmara. Com Diogo Mateus - menos adepto destes esquemas - foi definhando, até se tornar numa estrutura sem vida própria: sem autonomia, sem recursos, sem competências – sem nada. Por ser composta por outras entidades no mesmo estado (AICP e ACSP) ou que nunca se envolveram na sua gestão e nas suas actividades (Cooperativa Agrícola, Caixa de Crédito Agrícola) tornou-se um mero apêndice da câmara. Definhou até mirrar. Presentemente é um “esqueleto” que a câmara usa para contornar o regime de contratação pública e dar um ou outro emprego aos amigos. A forma como o doutor Pimpão usou a ADILPOM para montar os festejos de Natal roça o obsceno – pode ser observado e examinado na informação submetida e aprovada pelo executivo, disponível no link abaixo. 

Diogo Mateus conduziu a ADILPOM para a agonia. Agora, a bem da decência, e antes que malignidade se expanda, é preciso dar-lhe o golpe de misericórdia - como foi dado à funesta PombalViva. Um assunto a acompanhar nos próximos tempos.     

Link: https://drive.google.com/file/d/1gKbLbke56GfQMau6EOG0ajpCQWtj2nkP/view?usp=sharing

17 de dezembro de 2021

Profecias

Já tivemos o que queria fazer disto uma Central Alfandegária com um grande Centro Logístico.

E o que queria fazer disto um Centro Aeroportuário com Aeroporto no Casalinho.

E o que queria por isto no mapa com mamarrachos na Sicó.

Agora temos o iludido com o Campus Universitário.

Tudo criaturas que não sabem nem percebem que ideias/projectos que não acrescentam valor, destroem valor.

A desgraça maior desta terra é ser conduzida por criaturas que acreditam em milagres.

14 de dezembro de 2021

Obrigado, Pedro!



Uma pessoa pensa que a realidade não pode superar a ficção mas...é Pombal, é Natal, o Pedro é presidente e está a cumprir o seu destino. Dias depois da chegada  dos contos de Lili Carrol ao Farpas, inspirada no clássico de "Alice no país das Maravilhas", eis que a Câmara faz sair para a rua esta pérola. Obrigado, Pedro. Prometemos trazer mais episódios do teu folhetim a público, nos próximos dias. 

10 de dezembro de 2021

O Filho da Alice no Reino das Maravilhas

Aventuras no Bosque Encantado e o Engenhoso Resgate

Quando o rato Camundongo saiu da sua toca, para caçar mais queijo no Bosque Encantado, já o seu amigo Pedro choramingava no maldito buraco. Chegado ao Bosque, estranhou o chilrear da passarada, àquela hora. Percebeu, depois, que galhofava com o sucedido.  Deu uma volta, e outra, pelo Bosque Encantado; mexericou por um lado e por outro, até lhe chegar aos ouvidos coisa estranha – gemidos humanos. Arrebitou as orelhas, resguardou-se, pôs-se à escuta, até perceber de onde vinham; e, passo-ante-passo, aproximou-se do local de onde vinham. Desceu ao buraco para ouvir melhor, e depois perguntou:


- Quem está aí?

- Sou eu, o Pedro, o Filho da Alice, acudam-me, tirem-me daqui...

- Eu sou o rato Camundongo, também conhecido pelo rato Verde, caro amigo; colocas-me um grande desafio: como poderei resgatar-te sem dar azo à chacota?

- Tira-me daqui grande amigo. Eu só quero sair daqui… - suplicava o Pedro.

- Vou ver o que se pode fazer… - prometeu o rato Camundongo.

O rato quis descer até junto do amigo, mas logo concluiu que de lá não poderia fazer nada por ele. Pensou melhor …, “se juntar as cordas que usei nos enfeites do Bosque…”

Enquanto o rato se atarefava na atadura das cortas ouviu passos. Era o Anão de Jardim que regressava da sua rotina das Boas Noites ao Marquês. Chamou-o e contou-lhe o sucedido. E ele quis logo assumir o comando das operações e activar o socorro. Mas o rato Camundongo, mais manhoso, desaconselhou-o.

Nisto, viram passar ao lado, vagarosamente, olhando para o chão como se tivesse perdido algo, o Coelho-Branco-de-Olhos-Rosa, com braçado de papéis, que o Anão de Jardim adivinhou ser outra catrefa de requerimentos para os chatear. O rato Camundongo ainda sugeriu pedirem-lhe ajuda, mas o Anão de Jardim recusou. 

De seguida, passou por lá o Cura Vaz, pregador e cantador, que resolveu passar pelo Bosque depois das rotinas de sacristia. Informado do sucedido, benzeu e rogou por milagre ao Santíssimo e dirigiu-se para o Altar onde suplicou ao Santo Padre Amaro que intercedesse junto da Nossa Senhora do Cardal pelo Filho da Alice. 

Paralelamente, o rato atou a corda à tília mais próxima do buraco e fê-la descer gritando “já chegou?”; “já chegou?”…; respondido, do fundo, com “ainda não”; “ainda não”… 

Quando chegou a informação “já chegou, amigo”, “obrigado, amigo”; o rato Camundongo ordenou: “sobe amigo”.  

O Pedro agarrou a corda e subiu alguns metros a muito custo, mas desfalecido tombou novamente no amontoado de gravetos e folhas secas. 

Ouviu-se, cá em cima, o estrondo e o grito da queda. E logo de seguida  o Anão de Jardim resmungou: 

- Eu bem te avisei que isso não resultava; em bem te avisei; eu bem….

- Hum-hum! — pigarreou o Camundongo com ar zangado.

Ainda mal refeitos da desilusão, ouviram um sapateado suave. Era a Lebre-de-perna-curta na sua corrida, agora fora de horas, que logo os reconheceu.

- Pôxa, amigos, por aqui?! Estão tristes no Bosque Encantado! Porquê? 

- Aconteceu uma desgraça: o Pedro caiu num buraco fundo. Lançámos-lhe uma corda, mas não consegue subir porque está muito enfraquecido – respondeu o Anão de Jardim.

- Tenho a solução, amigos! – afirmou, efusiva, a Lebre-da-perna-curta. E dirigiu-se ao Pedro: - Toma a minha poção mágica, amigo. Bebe-a, que logo ficarás forte.

Quando o Pedro agarrou na garrafa viu no rótulo “Sumo de laranja, proteína power e vitamina da felicidade”. Bebeu sôfrego. Passados alguns segundos exclamou: 

- Já me sinto forte e confiante, amigos. E acrescentou: - Vou subir, amigos! Dentro de minutos estarei aí convosco para retomarmos a Nova Ambição.

Eis como o Filho da Alice regressou,  de uma forma simples e engenhosa, ao Reino das Maravilhas.

                                                                                               Lili Carrol

As listas de deputados - do concelho charneira a Pombal feito num 8


 


O PS distrital aprovou ontem à noite a lista à Assembleia da República, que - sem surpresas - será encabeçada por António Lacerda Sales, Secretário de Estado da Saúde. Dias antes, já o PSD anunciara como cabeça de lista pelo distrito de Leiria um dos homens de Rio - Paulo Mota Pinto, que agora é o nosso presidente da Assembleia Municipal. Ora, como aqui vaticinou o Adelino Malho em post anterior, era de crer que o PSD local tinha tudo para se espalhar ao comprido, ao apostar numa infantil cartada como aquela de fazer anunciar a promessa João Antunes dos Santos: foi como a pescada - antes de ser, já o era. O que lhe sobrou foi, afinal, um 8º lugar na lista de deputados. Ora, seria preciso recuar ao tempo do Cavaquistão para sonhar com uma hipotética eleição. 

Do lado do PS, foi esse o lugar oferecido a Joel Gomes, o nosso Joelito, que deu uma de Pedro Pimpão em seu orgulho ferido (lembram-se das últimas eleições?) e recusou ir naquele lugar. De maneira que não vai em lugar nenhum. É claro que, à boa maneira do PS, a lista aprovada era apenas uma das três que apareceram. E em cada uma delas havia um nome de Pombal entre os suplentes, "à revelia" da concelhia. Uma chatice que doutora Odete considerou deslealdade, quando subiu ao palanque, na noite passada. Alguém lhe acuda, que está tudo contra ela...

Feitas as contas, estamos feitos num 8. Um oitavo lugar nas listas. Se no caso do PS é compreensível, pois que os resultados eleitorais não merecem mais do que isso nem podem reclamá-lo, já no caso do PSD é no mínimo estranho chegarmos a este estado. Não há memória disto nos ter acontecido na história da democracia em eleições livres. Vai-se a ver, o concelho charneira foi-se, de vez. 

ps: A excepção destas eleições em Pombal é Lina Oliveira, do BE, que ocupa o 2º lugar na lista de deputados por Leiria. 



8 de dezembro de 2021

Um PSD cada vez menos de todos e cada vez mais de Rio

A noite das facas longas chegou e aquilo que Rio gostaria de ter feito há 2 anos teve agora a liberdade para o fazer: escolher quem quer para posições elegíveis. Já o tinha começado nas últimas autárquicas, fecha agora com força a porta a quem não for yes-man.

Com isto, seca a oposição interna, os outros, porque os tira da política profissional e terão que se dedicar a outras profissões, visto que autárquicas só são daqui a 4 anos e não há grandes alternativas porque não é poder. Não sendo políticos profissionais deixam de poder fazer oposição de forma profissional e consistente. Vamos seguramente ouvir vozes de alerta aqui e ali, mas a falta de consistência dificilmente conseguirá mobilização alternativa.


Rodeia-se de uma geração mais velha, mais conservadora, e portanto com maior propensão para se segurar no poder do partido e disposta a aceitar benesses do partido no poder, desde que mantenha benefícios para este grupo. Comissão aqui e ali, mais uma nomeação etc. 


O partido ideológico, de massas, da social democracia desaparece definitivamente. Passa a dar lugar à estratégia política, à capacidade de negociação. Mais ainda, esvaindo-se a ideologia, cresce a importância da representação autárquica - quem irá mandar no partido serão os filiados autarcas, porque serão a única garantia de trabalho eleitoral e mobilizadora de votos.


A geração nascida na década de 80 é praticamente dizimada da lista para a Assembleia. Cristóvão Norte, Duarte Marques, Rui Cristina entre outros. Geração qualificada mas indicadora também do corte geracional.


Rio perdurará na liderança, tal como Portas no CDS. E todos sabemos o que aconteceu quando finalmente se cansou de ser o centro de decisão. Caso não consiga ser primeiro ministro manter-se-á na liderança por muitos anos reforçando a sua estratégia. Se conseguir ser eleito o “partido partido”, como diz Alberto Joäo Jardim, irá tolerar estas mudanças de centralização.


Por Leiria Paulo Mota Pinto substitui Margarida Balseiro Lopes (que apoiou Paulo Rangel depois de nas anteriores eleições ter apoiado Rio e a mudança paga-se caro). Troca-se a juventude e a paixão pela lealdade e senioridade. 


Esta mudança é positiva a Pedro Pimpão, que ganhou com grande expressão em Pombal e permite-lhe reforçar influência a nível nacional dentro do partido. Mesmo que na campanha autárquica tenha convidado Paulo Rangel para a “festa da ribeira” no vale da Sobreira, terá agora em Paulo Mota Pinto uma ligação directa à Assembleia da Republica e a Rio, que manda em absoluto no partido. Estrategicamente é bom para atração de investimento público para Pombal (mesmo que Rio não seja primeiro ministro porque vai conseguir negociar orçamento e a autarquização do partido trará assuntos desses para a mesa). Será desta que o estado investirá num centro logístico rodoviário? Um grande investimento do sistema permitiria garantir um legado sério para além da felicidade.


A simpática Margarido Balseiro Lopes sai. 


Como último acto enquanto deputada escolhe uma reunião de trabalho com: Aurélio Ferreira, o independente agora Presidente da Câmara  da Marinha Grande, o herói dos autarcas independentes, e deixa uma mensagem clara sobre o seu posicionamento. 


Margarida refere na sua mensagem de despedida: “Quem achar que a política se divide entre os bons e os maus presta um péssimo serviço à democracia.” Pois é, mas quem pensa assim é que manda agora.




7 de dezembro de 2021

O Filho da Alice no Reino das Maravilhas

Aventuras no Bosque Encantado (I)

Os últimos dias têm sido maravilhosos para o Filho da Alice… O Pedro acredita mesmo que o céu estrelado gira em torno do destino do Homem.

Ontem, o Céu estava estrelado e a Lua irradiava uma luminosidade misteriosa. Quando o Pedro veio à varanda, depois de jantar, transbordava felicidade; sentia que os astros estavam alinhados com o seu destino. Estava irrequieto, saiu, encaminhou-se para o centro, para o Bosque Encantado no Jardim das Tílias, o seu lugar de deleite. Cumprimentou os anões, quis saber com se sentiam com tanta garotada; agradeceu-lhes a dedicação e a simpatia, o notável serviço à comunidade. Depois, quis divertir-se: visitou a Casa do Pai Natal, entrou na Bota Botilde, passou pela neve e deslizou pelo escorrega.


Mais eis que, quando tocou no solo, um buraco se lhe abriu e engoliu-o. Tombou por ali abaixo, tão bruscamente que não foi sequer capaz de se frear. Desceu sem saber se o poço era demasiado fundo ou se era ele que estava caindo devagarinho.

Naquela escuridão, o Filho da Alice limitava-se a pensar no que aconteceria depois. “Depois deste tombo, não me vou mais importar com os trambolhões que me esperam!”

E caía, caía, caía. “Será que esta queda não acabará nunca?”, pensava ele; “Quantos quilómetros eu já despenquei? Já me devo estar aproximando do centro da Terra”. 

O Filho da Alice aprendeu muitas coisas na escola, fez muitos cursos, mas não tinha ideia do que era latitude ou longitude; no entanto, considerava essas palavras monumentais, e gostava de as dizer em voz alta - gosta muito de se ouvir. No tombo, entretinha-se a falar: “- Será que vou atravessar a Terra? Vai ser muito engraçado sair do outro lado, no meio das pessoas que andam de cabeça para baixo: os antipáticos!” Riu-se.

Caía, caía, caía e, como não tinha mais nada para fazer, continuava a tagarelar. Até que, de repente: plunct! Aterrou num amontoado de gravetos e folhas secas. A queda tinha chegado ao fim.

Pôs-se a pedir ajuda: “Socorro; socorro; socorro; …, tirem-me daqui”. Mas aquela hora, ninguém o ouvia, e ninguém lhe podia valer. Perante tamanha aflição, responderam-lhe os pássaros que pernoitavam nas frondosas tílias.

- Estás sozinho, passarão; não tens ninguém que te apoie nem que te ampare na desgraça...

- Acudam-me, pardais amigos.

- Um bom pardal nos saíste tu; invadiste o nosso poiso sem nos dizeres nada e agora queres apoio… E chamam-nos, a nós, pardais!

                                                                                   Lili Carrol 

5 de dezembro de 2021

O Natal do tio Pedro, do primo João, e dos amigos dele(s)



João Vila Verde (ao fundo) e o "tio Pedro" na inauguração do Natal
 

A Câmara de Pombal decidiu manter boa parte da programação de Natal agendada para estes dias e isso merece um valente aplauso. Num tempo em que é tão mais fácil embarcar no cancelamento dos espectáculos (como está a acontecer em tantas cidades, como se isso cancelasse o vírus, como se algum dia nos fossemos ver livres dele), atirando ainda mais para a míngua os artistas e técnicos, fechando ainda mais o público, que vive há dois anos como sabemos, é bom viver numa terra que escapa a essa "virose", chamemos-lhe assim. 

Mas,

Vamos lá saber, afinal, que festividades são estas, quem as está a fazer, quanto custam, e quem as vai pagar. Pois...não se sabe. Chegou a estar anunciada uma conferência de imprensa destinada ao efeito, mas foi cancelada com a mesma rapidez. 

O pouco que se sabe, porém, por portas travessas, é bastante para que Pedro Pimpão venha rapidamente a público explicar o resto. É o mínimo que se exige ao presidente da Câmara, "o tio Pedro", que chamou as criancinhas para junto de si, sexta-feira ao final do dia, para carregar no botão que supostamente ligaria as luzes e faria disparar o fogo de artifício, inaugurando assim o Natal da cidade. Só que às 18 horas de anteontem apenas o Cardal tinha iluminação. E foi preciso montá-la à pressa, como de resto está ainda a acontecer nas outras ruas da cidade. Minutos antes, funcionários de uma empresa da área, funcionários municipais, funcionários da PMU e outras figuras andavam numa roda viva a pendurar adornos e gambiarras. Mas o tio Pedro conseguiu. Pouco passava das 18 quando o Pombal Jornal fez o directo no Facebook, ele e as crianças contaram de 10 a zero, rebentaram uns foguetes, seguiram para o bosque encantado no Jardim das Tílias, para a Casa do Pai Natal, e seguiram para a fotografia. 

No resto da cidade, hoje, domingo, ainda não há iluminação. 

Agora surpreendam-se: o grande obreiro desta espécie de Natal-em-modo-Bodo, que inclui carrosséis durante um mês inteiro, junto à Biblioteca, é nada menos que um velho conhecido deste município: João Vila Verde, ex- administrador executivo da empresa municipal Pombal Viva, exonerado por Narciso Mota, depois de contas por explicar e prejuízos acumulados. A empresa acabou por ser extinta. Quem não sabe do que estamos a falar, tem nos arquivos do Farpas muito para explorar. O epílogo está aqui e aqui   O resto é pesquisar. Há muito por onde, entre 2008 e 2009 - foram anos fartos. 

Agora só falta Pedro Pimpão entregar-lhe de novo o Bodo. É desta que eu volto a acreditar no pai natal, nos duendes e tudo. Já que temos um bosque, pode bem ser que se levante de lá um anão de jardim e caminhe na minha direcção. Ora se eu vi um presidente de junta publicitar, orgulhoso, trabalhos da sua empresa para isto - coisas que antigamente davam perda de mandato... - Jingle Bells. 


2 de dezembro de 2021

O Subsídio a D. Diogo

O doutor Pimpão leva, hoje, à reunião da “Junta”, a (sua vontade de) atribuição de um subsídio reintegração ao ex-presidente Diogo Mateus, no valor de trinta e tal mil euros. A legalidade da medida é, no mínimo, duvidosa. E nesta matéria, o doutor Pimpão parece ter dois pesos e duas medidas...


Quando D. Diogo saiu da câmara, em 2002, para exercer funções de Presidente da Junta de Pombal e de Adjunto do Governador Civil, a Lei atribuía-lhe o direito a receber o subsídio de reintegração no montante de 1 mês de salário por cada 6 meses de serviço como eleito local, até ao montante máximo de 11 remunerações; mas D. Diogo não requereu o subsídio quando cessou as suas funções como vereador em janeiro de 2002.

 O direito a subsídio de reintegração, para titulares de cargos políticos, terminou (foi revogado por lei) a partir dos mandatos iniciados em 2005, pelo que nenhum vereador ou presidente eleito, depois daquela data, tem direito a receber subsídio de reintegração.

D. Diogo veio mais tarde, depois de regressado às funções de vereador da CMP, requerer o tal subsídio de reintegração. Nesta situação, a atribuição do subsídio fica, salvo melhor interpretação da lei, sujeita ao artigo do estatuto dos eleitos locais que obriga que “os beneficiários do subsídio de reintegração que assumam as mesmas funções antes de decorrido o dobro do período de reintegração a devolver metade dos subsídios que tiverem recebido entre a cessação das anteriores e o início das novas funções.” 

Assim, é altamente discutível a concessão do subsídio de reintegração a D. Diogo por inteiro, nesta data, como o doutor Pimpão lhe quer conceder. Além disso, o facto de D. Diogo não ter requerido o subsídio em 2002 (quando deveria) e ter entretanto assumido funções idênticas, põe seriamente em causa o direito a receber o subsídio.