O Pimpão e as Festas custam-nos muito dinheiro. Mais o Pimpão, porque não sabe o que o dinheiro custa…
Nos últimos seis meses, o doutor Pimpão derreteu mais de 1 milhão de euros em festas: 600.000 euros no Bodo, mais 250.000 euros no Natal, mais as Tasquinhas e Domingão e mais os festejos do Dia – da Semana – do Município... Se adicionarmos, como se impõe, todas as despesas indirectas e as pequenas despesas directas não divulgadas, que representarão 20 a 30% das despesas directas divulgadas, a coisa andará próxima do milhão e meio de euros.
Isto só tem sido possível porque se alinharam circunstâncias muito especiais: a malta gosta de festas, nomeadamente se forem de borla (julga a malta); a câmara tem dinheiro (e dinheiro que não tem dono); festas com o dinheiro dos outros é a coisa mais fácil de fazer no mundo. Sabendo disto, o doutor Pimpão deu asas ao seu dinamismo folclórico e tratou de divertir a malta, divertindo-se. Pelo meio, encontrou um pequeno entrave, dificuldades de tesouraria, que logo resolveu: cancelou 4,1 milhões de euros de investimento em obras e transferiu metade (2 milhões) para o orçamento da despesa corrente – para as festas e subsídios. Pelo que se sabe, já os deve ter torrado, sem regra e sem critério. E pior: sem nenhum retorno.
Bem sabemos que as terras têm datas e efemérides que devem ser comemoradas e que deve haver espaço e recursos para as festas e para as actividades artísticas, mas tendo sempre em conta que os recursos públicos são escassos, são de todos, e que o que se gasta no supérfluo faz falta para o essencial.
Vejamos dois exemplos, diferentes mas enquadráveis no que é gastar sem regra e sem critério (sem ter noção do dinheiro): primeiro, a contratação de uma Roda Gigante, por ajuste directo, pelo montante de 19.990 euros, para a malta andar à roda; segundo, a contratou do grupo “Tais Quais”, por 18.000 euros, para actuar na tenda colocada no Jardim do Cardal. A tenda tem uma lotação de cerca de 220 lugares; pelo que, colocar um grupo que custa 18.000 euros naquele espaço implica que cada lugar custe, logo à-cabeça, 82 euros, descontando os 5 euros do preço do bilhete fica em 75 euros. Se ao preço do grupo somarmos todos os custos indirectos, o custo de cada lugar rondará os 150 euros.
Por conseguinte, pergunto:
(I) será razoável, e aceitável, a câmara pagar uma roda gigante (ou outro tipo de carrocel) para simples diversão de uns quantos?! E será razoável, e aceitável, que apesar do chorudo cachet (19.990 euros) o contratado ainda cobre bilhetes?!
(II) será razoável, e aceitável, a câmara oferecer um espectáculo que lhe fica em cerca de 150 euros por lugar?! E poderá a câmara suportar o custo se mais ou todos os munícipes quiserem assistir ao referido espectáculo?!
Por este andar, o concelho será tão pouco atractivo e tão desgovernado que virá o dia em que, se quisermos comer uma fartura no Bodo, teremos que pagar para virem cá servi-la!
Razão e lucidez tem um histórico dirigente social-democrata, velho actor da política local e conhecedor da história da ascensão e queda dos impérios, que fez uma boa analogia entre a queda do império romano (causas e as consequências) e o que se desenha para esta malfadada terra. Aqui como outrora lá, o Cómodo diverte-se em comemorações, meses a fio, para promover a sua imagem. Aqui como outrora lá, o circo e a vaidade do novo imperador arruínam as finanças públicas e degradam a organização do império. Aqui como outrora lá, os políticos gastam enormes quantias de dinheiro dos impostos dos contribuintes em festas e promoções de “eventos” de lazer, descurando a economia e a prevenção das crises económicas e sociais e as catástrofes da natureza e da guerra.
Aqui como outrora lá, o povo paga tudo e os benefícios ficam para outros.