João Vila Verde já está na Etap. Diz que vai gerir (???) um gabinete de divulgação de cursos. Lá, onde a "bolsa de emprego" da Câmara tem sempre lugar para mais um.
Ou de como em Pombal vale tudo.
"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."
João Vila Verde já está na Etap. Diz que vai gerir (???) um gabinete de divulgação de cursos. Lá, onde a "bolsa de emprego" da Câmara tem sempre lugar para mais um.
Ou de como em Pombal vale tudo.
Nos Novos Contos da Montanha, Miguel Torga deu-nos a conhecer o Alma Grande, uma personagem fantástica criada a partir da lenda do Abafador. Segundo se consta, no tempo dos Cristãos Novos, existia uma figura - o Abafador - cuja função consistia em acabar com o sofrimento alheio. Quando um moribundo se encontrava às portas da morte, o Abafador era chamado para cumprir o seu desígnio e pôr fim à sua agonia. O prestígio, e a função social, do Abafador eram enormes e quem tinha a seu cargo essa importante missão era alguém muito respeitado na comunidade.



Agora que José Sócrates iniciou a fase de diálogo com os partidos da oposição, convém lembrar o resultado das legislativas.
O PSD ganhou; todos os outros perderam. Conforme previ em Janeiro (não era preciso ser o Zandinga), lá vamos ter mais quatro anos de Narciso Mota. A dúvida estava na contabilização dos vereadores. Em Março disse que tudo apontava para os 7-2, como se veio a verificar, mas confesso que, no final da campanha (se calhar por não ter acompanhado as coisas de perto), cheguei a pensar que o PS podia chegar aos 6-3.
Estão de parabéns o PSD e o Eng. Narciso Mota por esta inequívoca vitória: 65,79% dos votos e 16 das 17 Juntas de Freguesia! Esta avassaladora hegemonia partidária nos órgãos de gestão autárquicos, por muito que agrade aos sociais-democratas, não é salutar para a democracia, pois cria no concelho uma enorme teia de interesses, uma espécie de “polvo cor-de-laranja”.
Mas, o povo quer, o povo manda. Plagiando (de forma grosseira) Chico Buarque: ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso laranjal...
Durante as campanhas autárquicas há uma grande tendência para minorizar as eleições para a Assembleia Municipal. Ora, em Pombal, a verdadeira oposição aconteceu neste órgão autárquico.Tanto o PS, com o excelente trabalho dos seus eleitos municipais - contrastando com o triste prestação dos seus vereadores -, como o PCP, com a denúncia de várias situações no período dado para intervenções do público, conseguiram marcar, várias vezes, a agenda política.
O engenheiro Narciso Mota, no seu site de campanha, usa as imagens e o grafismo do Boletim Municipal para ilustrar a obra feita durante o seu mandato. Apesar da referência “Fotografias e dados cedidos pela Câmara Municipal de Pombal” considero que o seu uso é completamente abusivo.
Decorreu ontem, no Cine Teatro, o debate entre os candidatos à presidência CMP. Mas, a bem da dignificação da política, não deveria ter acontecido. Ainda bem que não foi visto por muita gente. Formam duas horas, duas horas, de um espectáculo patético e deprimente, proporcionado por candidatos sem nada para dizer, que da missão de presidente da câmara só devem conhecer o nome, e que, ao serem solicitados para usar da palavra, só despejavam banalidades e imbecilidades; e por moderadores perdidos na tentativa de intercalar monólogos desconexos. Um verdadeiro atestado de mediocridade política e uma vacina anti-politica local.
Decorreu hoje a última AM deste mandato. Fui lá por obrigação e para me despedir. Anunciei na minha intervenção no período de antes da Ordem do Dia que iria fazer a minha última intervenção, na qual faria um pequeno balanço do mandato. Tinha decidido que na última assembleia, e com uma agenda sem assuntos polémicos, deveria primar pela descrição. Não foi possível. Porque, à última da hora, foi introduzido um ponto à Ordem de Trabalhos que continha uma proposta “irresponsável” (foi assim que um vereador da maioria a classificou numa conversa no final da reunião) e, consequentemente, o caldo entornou-se.Como toda a gente afirma, a CDU perdeu as eleições de Domingo. Deixou de ser a terceira força política do país para passar a ser a quinta. Este facto parece estar assente numa lógica irrepreensível, apesar de ter havido mais 15 000 eleitores que confiaram o seu voto nessa coligação.
O problema é que a força da CDU não é visível apenas no Parlamento. Contrariamente ao CDS e ao BE, que esgotam a sua intervenção política no Parlamento e na comunicação social, a CDU tem uma forte implantação social, visível, por exemplo, nos sindicatos. Num cenário de maioria relativa, este facto deveria preocupar o PS. Se fosse eu que mandasse, tentaria um diálogo à esquerda, por muito que isso custe ao eng. Sócrates e aos socialistas que ainda não fugiram para o Bloco (e foram muitos nestas eleições).





Foi hoje inaugurado, com alguma pompa e circunstância (ou não estivéssemos nós em campanha eleitoral), o Centro Educativo de Carnide (CEC). É um equipamento moderno, com várias valências e excelentes condições para as crianças e para os profissionais ligados ao processo educativo.
A quantidade de outdoors que povoa as cidades e as rotundas deste pobre País choca o mais desatento e é revelador do nosso subdesenvolvimento. Estamos em crise? Não parece. Mas colocar grandes outdoors, para a câmara e, vejam bem, até para a JUNTA, é obsceno.
Em Abiúl, mais concretamente no Ramalhais, foi construído um ringue, no cimo de um monte, junto à casa de um activo membro da Junta, contra a vontade da população e da Associação Desportiva Local; longe dos núcleos populacionais, da Escola e do Campo de Futebol, sem balneários e sem uma simples Casa de Banho.
Ontem, empurrado pelo meu miúdo, voltei a Castanheira de Pêra para passar o dia na famosa Praia das Rocas. Os miúdos, normalmente, não se enganam na escolha das atractividades lúdicas. Valeu a pena, passámos um belo domingo.
É espantoso como a câmara transformou um simples ribeiro numa enorme e belíssima praia, animada e cheia de atractividades (ver imagens). Fui lá nos primeiros anos (2003 e 2004) e já naquela altura fiquei surpreendido com a visão e o arrojo do executivo camarário que concebeu e realizou aquele avultado investimento público. Temi que depois do epifenómeno inicial a coisa acabasse num enorme elefante branco. Felizmente nada disso aconteceu, o empreendimento continua vivo, com grande capacidade para atrair famílias dos concelhos vizinhos e não só (vi por lá várias famílias de Pombal).
Daqui se conclui que os executivos municipais podem fazer muito mais pelo desenvolvimento das suas comunidades do que à primeira vista se pode pensar. Mas para isso é necessário possuir alguma imaginação e alguma visão (no mínimo para além das próprias palmas das mãos) e não destruir riquezas naturais, valiosíssimas nos dias que correm, nem desbaratar recursos financeiros em subsídios frívolos e em benfeitorias e arranjas de fraco valor.