A acção política do doutor Coelho derivou da tentativa de entupir o Pedro e o Né com dúzias de requerimentos para a sobrecarga da agenda da AM com recomendações.
Se o estratagema dos requerimentos se mostrou inconsequente, o das recomendações segue pelo mesmo caminho, mas com custos políticos mais acentuados que nem a vitimização ameniza. Daí que o doutor Coelho, desiludido com o estratagema, tenha negociado a aprovação de uma ou outra recomendação com a bancada da maioria. A negociação foi feita, como não poderia deixar de o ser, com o principal “Facilitador de negócios” (projectos) cá do burgo - como é designado dentro do próprio PSD - que logo deu luz verde à coisa. Apesar de a coisa não ter sido muito bem recebida por algumas figuras do PSD, o “Facilitador de negócios”, seguro de si e do seu poder no partido, deu o acordo como consumado na antevéspera da assembleia - uma mão lava a outra e as duas lavam a cara. O doutor Coelho transmitiu a boa-nova aos seus; e lá foram, mais animados para o calvário que têm sido aquelas reuniões da AM, convictos que, finalmente, teriam uma vitória simbólica. Ainda não perceberam, coitados, que em política, como em quase tudo na vida, vale mais uma derrota honrosa que uma vitória consentida.
Só que nestas coisas da política, como em quase tudo na vida, há sempre um “se” - há sempre muitos “se`s”. Como a coisa não foi bem acolhida no PSD, e o “Facilitador de negócios” ainda não tem o poder que julga ter no partido, os opositores ao “acordo” trataram de arregimentar os presidentes de junta contra as recomendações da bancada do PS, com o argumento que a sua aprovação rebaixava o estatuto e imagem dos presidentes de junta. No final, foi delicioso ver “Facilitador de negócios” a tentar salvar face, perante a sua bancada, zurzindo forte e votando contra as recomendações da bancada do PS.
Daqui se conclui duas coisas: primeira, o doutor Coelho é muito melhor a vender autocarros que a fazer acordos políticos; segunda, é muito mais fácil facilitar negócios que acordos políticos.
PS: a discussão das recomendações da bancada do PS derivou para uma longa conversa de loucos, como a classificou um dos protagonistas, que se arrastou até às 3 da manhã! Algumas daquelas criaturas perderam ou nunca tiveram noção do ridículo: recomendam a eliminação do tratamento pelos títulos académicos (doutor, engenheiro, etc.) mas tratam-se por “Sua Excelência”.




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