30 de abril de 2013

Ainda a RATA (III)


Por cá, Rodrigues Marques, presidente da ex-Junta de Freguesia de Albergaria-dos-Doze, é um dos mais empenhados em endireitar a RATA na justiça e, desta forma, evitar a extinção da sua freguesia. Sem sucesso!
Albergaria dos Doze teve um passado grandioso, mas há muito tempo que só via passar os comboios. O seu futuro apresentava-se sombrio, mas Rodrigues Marques nunca imaginou, nem nos piores sonhos, que a paciente lhe morresse nos braços. Mas com tantos erros, o desenlace acaba por não surpreender muito.
Comprova-se mais uma vez: onde não há oposição as comunidades tendem para a extinção.  

Ainda a RATA (II)

A RATA nasceu torta em Lisboa e, em Pombal, cresceu torta. O povo diz que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Em Pombal, a RATA vingou torta com a conivência de muita gente: uns por tacticismo, outros por cobardia e quase todos por manifesta irresponsabilidade.

Os políticos (politiqueiros) locais abdicaram da responsabilidade de decidir, ignorando que não decidir é, em si, decidir. Agora, pateticamente, querem endireitar a RATA na justiça. 
Quem paga? O contribuinte…

Sai um bolo com 39 velas para a mesa do senhor Coelho, sff

De maneira que vai haver festa em Pombal. Esta malta não brinca em serviço, não senhor. Vão montar arraiais no Expocentro, sábado, ao almoço. Mesmo sem oposição (externa) o tempo não está para descuidos...

Sessão solene

25 de Abril de 2013, 11h da manhã, Salão Nobre do Edifício dos Paços do Município:

Maria Luís Brites (em representação do BE): “Viva o 25 de Abril!”
Adelino Leitão (em representação do PCP): “Viva o 25 de Abril!”
Adelino Mendes (em representação do PS): “Viva o 25 de Abril!”
Ofélia Moleiro (em representação do PSD): “Viva o Diogo Mateus!”

Não havia necessidade…

Houve quem tivesse estranhado a ausência do CDS. Eu não.


25 de abril de 2013

Cinco anos de Farpas

Obrigada a todos os que aqui vêm, os que não vêm mas ouvem o que outros lhe contam, os que têm a coragem de comentar, os que têm nome e rosto, os amigos e os inimigos. Amanhã temos encontro marcado, ao jantar. Saúde!




E depois de Abril? Viemos nós, os que nos habituámos a pouco valorizar a liberdade, porque nela crescemos. Os que fomos, aos poucos, cedendo tanto, sem, às vezes, disso nos apercebermos. Os que aceitámos a premeditada censura, ou a auto-censura, como se fosse uma necessária moderação feita à medida e fomos abdicando de falar, de escrever, de pensar, de estar. Mas é tempo de assumir outra atitude. É tempo de afirmar a liberdade, a diferença, a cidadania. É tempo de reflectir, de criticar e de denunciar “progresso da decadência”.
Passados 30 anos, o nosso mundo divide-se – outra vez – por uma cortina de liberdade: entre os que têm a coragem de afirmar a liberdade e os outros, que se escondem atrás do ecrã, no anonimato, à espera da benesse.
Nesta esquina colectiva em que nos juntámos, só há lugar para os primeiros.
Viva a liberdade!

24 de abril de 2013

Fraco orgulho

Os politiqueiros da praça ficaram radiantes com os resultados da PMUGEST: Diogo Mateus  disse que “melhor era impossível” e Adelino Mendes foi ainda mais longe e disse que a Câmara “deve estar satisfeita pelo resultado alcançado”, e que “o modelo de Pombal devia ser duplicado em outros municípios do País”. Compreende-se: Diogo Mateus e Adelino Mendes foram formatados na mesma máquina, mas custa a engolir tamanha desfaçatez.
Os resultados da PMUGEST dão o que se quer que dêem, ponto final parágrafo.
Afirmar o contrário revela ignorância ou vontade de fazer dos outros ignorantes.

23 de abril de 2013

Cinco anos de Farpas e um jantar-debate



O Farpas faz cinco anos no próximo 25 de Abril. Não encontrámos melhor forma de comemorar que esta: à mesa, entre um copo e uma conversa, num jantar marcado para sexta-feira, dia 26, às 20h30, no restaurante S. Sebastião (Travasso, Pombal). Uma noite da má-língua que reúna a comunidade farpeira: os da casa, os comentadores, os assumidos e os outros, os amigos e os inimigos. Basta que se inscrevam até ao final do dia de quarta-feira, por aqui ou pelo e-mail farpaspombalinas@gmail.com
A conversa andará à volta do tema "Liberdade de Expressão - opinar é preciso!", tão caro quanto actual. O jantar custa 12 euros por pessoa.

22 de abril de 2013

Ainda a RATA


Sendo certo que Miguel Relvas foi o arquitecto político de uma RATA sem nexo, não é menos verdade que a Lei foi votada e aprovada na Assembleia da República. Votada e aprovada, sem ressalvas, entre outros, por Pedro Pimpão, deputado que também é Presidente da Concelhia do PSD/Pombal e que entendia que a reforma é um sinal de modernidade. Não quero criticar as opções políticas de Pedro Pimpão, sendo legítimas, tanto que convergimos na necessidade de reforma, mas não na forma da mesma. 

Mas não posso deixar de constatar o aviso que Narciso Mota deixa, a propósito da RATA: “o povo tem muita força e vai dar o cartão vermelho a quem o deve dar”. Se Miguel Relvas e Paulo Júlio não irão a votos em Pombal (ou noutro sítio), se a Assembleia Municipal e as Assembleias de Freguesia locais rejeitaram a RATA, a quem é que Narciso Mota quer ver dado um cartão vermelho?

17 de abril de 2013

Sessão de esclarecimento


Na sequência do post “ETAP mais uma vez”,  a direcção da Escola Tecnológica Artística e Profissional de  Pombal convocou o seu autor para uma reunião, no sentido de esclarecer as questões colocadas no post. O José Gomes Fernandes fez questão de se fazer acompanhar pelos d'a Casa, o que foi aceite pela Direcção da ETAP. A reunião aconteceu ontem, ao final da tarde.
O Farpas foi recebido ao mais alto nível: pela Direcção e pelos accionistas da Escola. Depois de uma visita guiada pelas instalações, a reunião decorreu, durante cerca de 3 horas, em clima colaborativo. A direcção e os accionistas da Escola responderam a todas questões colocadas pelos Farpeiros.
Desta forma, desfizeram-se dúvidas e ficámos a conhecer melhor a realidade da escola.  Saúda-se esta nova postura de transparência.

15 de abril de 2013

Isto seria cómico, se não fosse trágico

Deixemos de lado o facto de não existir uma programação regular - pensada, organizada, como noutras cidades à volta - no Teatro-Cine de Pombal. Relevemos que a sala principal seja assim uma espécie de "barriga de aluguer" (como tão bem lhe ouvi chamar, certa vez, a uma figura da terra); esqueçamos os milhares que nos saíram a todos do bolso nos anos dourados do Café-Concerto, quando lá em cima se acotovelava gente para ver de perto grandes nomes da música, enquanto cá em baixo as moscas dançavam no grande auditório. E olhemos então para o presente, enquanto ainda se pode sonhar com futuro: de facto, sou eu que tenho tido muito azar, certamente, pois que "falhei" aquele espectáculo de Fernando Mendes que pelos vistos esgotou a sala. Lamentei que em pleno dia do município a cantora Cristina Branco cantasse para uma sala nem sequer composta, num espectáculo gratuito, em que apenas era preciso reservar o bilhete. Da mesma maneira que me espantei quando, no sábado de Páscoa (em que a cidade recebe tantos dos seus que se foram daqui para fora), o espectáculo do grupo Fado com Alma decorreu de forma brilhante, para um público constituído por 30 pessoas. E cinco funcionários municipais.
E ontem foi a vez de Lula Pena. Mais um espectáculo gratuito - para assinalar a abertura do Festival de Teatro - supostamente pago pelo município, com o apoio da Cultrede - para uma sala que não encheu.
De facto, numa autarquia em que se acabou com o pelouro da Cultura, com o gabinete de Comunicação e qualquer estratégia de divulgação, só por milagre virtual ainda se espalha a notícia. O Teatro Amador de Pombal merecia mais, o público - que somos todos nós - também. Ou não.

nota de rodapé: para a próxima, digam ao senhor presidente que é muito feio chegar atrasado e ainda por cima bater a porta. E alguém se encarregue de assegurar que o coro faça o favor de ensaiar noutra hora, quando houver espectáculos.

13 de abril de 2013

Calhaus

O Cardal em Pombal. Concelho com História ou com vontade de terraplanar?

E isto numa terra com historial pré-histórico, romano, ligada a um figura emblemática da fundação portuguesa e a uma das mais míticas ordens da História, a uma figura fundadora do nosso Estado Moderno (para o melhor e para o pior) e a 3 primeiros-ministros do nosso país. É que já era mau começar obras sem ouvir (não digo condicionar, mas apenas ouvir) alguns dos mais afectados, mas pior é saber que se intervém numa zona onde há vestígios arqueológicos e nada, mais uma vez, pelo menos aparentemente, acontecer que mereça relevo. Pedras, dir-me-ão. Não. Calhaus, é o que é. 



9 de abril de 2013

Festival de Teatro de Pombal 2013


É já na sexta-feira, dia 12, pelas 22h, que tem início mais uma edição do Festival de Teatro de Pombal. E não podia começar melhor: um espectáculo da fabulosa Lula Pena! Uma voz única, uma rara sensibilidade musical, um bom gosto irrepreensível. Se estes não forem motivos suficientes para Pombal encher o Teatro-Cine, lembro que o espectáculo é à borla! 

8 de abril de 2013

ETAP mais uma vez


Qual é o valor do passivo da Etap? €3.300.000,00 como dizem que consta do relatório de contas de 2010 e como dizem ter sido publicado num jornal? Quem controla as contas da ETAP?
Quanto dinheiro é que a Câmara Municipal enfia na ETAP através da Adilpom?
Quem controla os gastos e as contas da ETAP? Quem se importa? Quem vai pagar?
O que irá fazer o próximo executivo camarário? Que medidas irá tomar e que esclarecimentos irá prestar aos contribuintes?
Proponho que o “Pombal Jornal” investigue este caso e o trate segundo as várias perspetivas, sempre com contraditório…

1 de abril de 2013

Adivinha quem voltou?

Foi um domingo de Páscoa em cheio. Pelo menos até a GNR decidir cortar o trânsito e impedir os mirones de apreciarem aquele espectáculo único. Quer dizer, o primeiro destes desde a inauguração do Parque Verde do Açude, há coisa de um ano.

Dizem os entendidos (aprendizes de iluminados e pseudo-intelectuais) que não podemos impedir a força da natureza, mas devemos prevenir para não remediar. E há (havia) cuidados a ter em conta. Ou então não. Ou então isto chama-se planeamento e visão estratégica, pois que o passeio ribeirinho se transformou em passeio marítimo. Venham as docas, antes das eleições, vá. Perante os atrasos evidentes nas obras do Cardal, talvez seja uma boa alternativa para o dossier inaugurações do Bodo.

28 de março de 2013

Nós e os outros



Ontem comemorou-se o dia mundial do teatro. Comemorou? Bem, em Pombal, pelos vistos, não. Já o mesmo não se pode dizer dos nossos vizinhos da Figueira da Foz, que assinalaram a efeméride com o início das suas XXXVI Jornadas de Teatro Amador.

Curioso é notar que foi precisamente o nosso TAP quem inaugurou o evento. E com honras de actuação no Grande Auditório do CAE! De facto, a Figueira não é Pombal. É verdade. A cidade tem uma forte tradição teatral e, pasme-se, até tem um vereador para a cultura. Diz quem ontem se deslocou à Figueira que nem sequer foi preciso esperar pelo séquito autárquico para dar início ao espectáculo. 

Ah, já me esquecia: na Figueira também souberam reconhecer o valor do grande escritor que é o Paulo Moreiras.

Estátua a Kim Jong-Mota


As obras de remodelação do Largo do Cardal estiveram suspensas. Poderia pensar-se que a causa seria a necessidade de avaliar e cuidar dos achados arqueológicos e do terreno. Depois não se verificou a presença dos técnicos do Município que têm conhecimentos sobre arqueologia e verificou-se que os terrenos de terra fértil (preta) passaram a ser misturados com brita.
Então pensei que a suspensão seria motivada pela necessidade de se alterar o projeto elaborado pelo arquiteto do regime a fim de se construir uma estátua de Kim Jong-Mota do tamanho do Colosso de Rodes. Sim, uma estátua colossal, cujos ombros sirvam de poiso a uma passarinha que esvoaça entre o Largo do Cardal e a ETAP e a outros passarinhos que esvoaçam no local. Uma estátua com dignidade, cujos olhos sejam lanternas para iluminarem a entrada dos paços do concelho e estejam vigilantes a indicarem o rumo ao delfim novo timoneiro.
Pouco importa se o caderno de encargos do concurso do projeto de remodelação da cidade elaborado pela empresa do regime previa, como um dos critérios de valoração das propostas, a afetação de um licenciado em determinada área. Sim, pouco importa que, em resultado do estabelecimento daquele critério, uma determinada empresa tenha ganho o concurso e que a EU tenha colocado a possibilidade de aplicar uma multa de €500.000,00 por violação das regras da concorrência. Pouco importa que o querido líder diga que o município tem dinheiro no banco por boa gestão e “atire” com os papéis para cima do seu “crítico” em jeito de vitória e omita que o saldo é a consequência do aumento da comparticipação dos fundos comunitários. Pouco importa a verdade.
O que importa a este povo é a estátua colossal do “querido líder”. Ele merece e o povo apoia e todos vão ficar muito felizes…

21 de março de 2013

Quem vê TV, sofre mais que no WC*

O Rotary Clube de Pombal tem feito um ano interessante em matéria de cidadania e serviço público.  Esta semana  volta a dar a sua contribuição para o debate de temas tão actuais como é o da televisão pública - por estes dias pontuado por mais um acto de pedagogia à la Relvas, como é o caso do despedimento de Nuno Santos: é preciso criar o terror.
Por isso, sexta à noite, um dia antes do comediante Fernando Mendes divertir uma sala esgotada no Teatro-Cine, o pequeno auditório recebe Luís Marques, o administrador da SIC que é natural de Abiul. É ocasião para sabermos tudo sobre pecados públicos...e privados da rádio e da TV.

*canção dos Taxi. Nos idos de 80'

19 de março de 2013

Pisar o risco

Entre a Igreja do Cardal e o estaleiro da obra de remodelação foi pintada, no solo, uma linha longitudinal contínua de cor amarela (provisória) a separar os dois sentidos de trânsito. Porém, alguns “titulares” dos pelouros municipais e alguns funcionários camarários quando conduziam as suas viaturas automóveis no sentido Largo do Cardal / Largo 25 de Abril e pretendiam mudar de direção à esquerda, para o parque das traseiras dos Paços do Concelho, paravam na rua, congestionando o trânsito e “pisando o risco”.
O executivo camarário deu ordens para pintar apenas alguns poucos metros segmento de linha contínua e uma outra linha descontínua paralela para permitir a mudança de direção para a esquerda…
Voltou tudo a ficar semelhante ao tempo anterior ao início da obra, antes do estrangulamento da rua. Também já há alguns anos, foi pintada uma linha descontínua para o mesmo efeito.
Todos são iguais, mas o edil e alguns vereadores e alguns funcionários camarários são mais iguais do que os outros: não podem maçar-se a contornar a “rotunda” do Largo 25 de Abril. Pisar o risco é só para alguns...

15 de março de 2013

Aconteceu...


Sexta-feira o meu irmão foi buscar a minha mãe ao Centro do Dia e levou-a a visitar a sua antiga residência. Sábado de manhã, depois de ter passado mais uma noite na minha casa, veio buscá-la para almoçarem na casa dela e passarem lá a tarde. O meu irmão detetou-lhe alguma prostração e arrastamento de voz, mas almoçou pela própria mão.
Porque a minha mãe tinha uma saúde frágil devido à idade (próxima dos 80 anos) e às sequelas de uma hemorragia cerebral ocorrida em 1990 inspirava alguma preocupação. Ao meio da tarde de Sábado o meu irmão decidiu levá-la à urgência do HDP.
Na triagem, após uma primeira observação, constataram que a minha mãe apresentava um ritmo cardíaco muito baixo (45 bpm). Censuraram o comportamento dos familiares por a transportarem de carro e cadeira de rodas, em vez de a levarem numa ambulância. A minha mãe ficou nas urgências para observação.
No domingo de manhã, o meu irmão ligou-me e pediu-me para me preparar para a receber. Tinham-lhe dado alta, apesar de, na opinião dele, estar muito pior do que quando entrou. Disse-lhe para aguardar até eu chegar ao hospital.
Na urgência pedi para ver a minha mãe e falar com o médico que a estava a seguir. Vi a minha mãe inconsciente - não me reconheceu - e sem fala. Inquiri o médico sobre o estado dela e sobre a alta médica. Disse-me que ela tinha vários problemas que eu já deveria conhecer (AVC, Alzheimer, …) mas que, para além disso, não tinha nada de preocupante. Tinha unicamente uma pequena infeção pulmonar e uma pequena infeção urinária que passava com um antibiótico que lhe tinha prescrito e que dava para os dois pequenos problemas, logo, tinha-lhe dado alta. Disse-lhe que não compreendia a alta porque a minha mãe estava muito pior do que quando entrou, e, em menos de 24 horas, o estado tinha-se agravado fortemente. Reagiu com alguma agressividade e reafirmou que ela tinha alta porque não tinha nada de grave, estava um bocado desorientada mas isso não me deveria surpreender porque, como eu deveria saber, ela tinha Alzheimer. Nisto, entra no gabinete um enfermeiro, intromete-se na conversa, corroborando a tese do médico e defendendo que o melhor para a minha mãe era a alta. Discordei da tese que atribuía a inconsciência da minha mãe a Alzheimer, porque, ainda há pouco tempo, a minha mãe tinha realizado um TAC para diagnosticar demência que não tinha revelado degeneração significativa. Perante a intransigência do médico e do enfermeiro relativamente à alta médica, pedi-lhes que, pelo menos, e porque era Domingo, me concedessem algum tempo (umas horas/um dia) para encontrar uma solução para a minha mãe. Reagiram com inflexibilidade: - a sua mãe tem alta e tem que sair, não vê que temos isto tudo cheio? (Sim, a urgência estava a abarrotar). O enfermeiro, para além da inflexibilidade e agressividade, recorreu à chantagem mais ignóbil. Disse-me e reafirmou que a minha mãe a partir daquele momento não receberia qualquer medicação porque tinha tido alta e perguntou-me se eu estava preparado para assumir a responsabilidade disso. Chocou-me! Disse-lhe que nunca imaginaria ouvir aquilo de um profissional do SNS e preferia não lhe responder. Tenho, infelizmente, recorrido muito ao SNS, nomeadamente com a minha mãe. Os meus amigos sabem bem que tenho/tinha uma excelente imagem do SNS. Este caso abalou-a.
Perante a inflexibilidade daqueles profissionais pedi, na receção, para falar com o Diretor Clinico do Hospital (disseram-me que não estava) ou com alguém que mandasse no hospital. Passados alguns minutos colocaram-me em contato com uma jovem médica que, por acaso, seguia a minha mãe nas consultas externas. Pediu-me desculpa pelo sucedido e disse-me para ir almoçar com calma e voltasse mais tarde, que ela, entretanto, iria reavaliar a situação.
Voltei ao fim da tarde. A jovem médica recebeu-me e disse-me que já tinha reavaliado a situação e que a minha mãe estava com problemas cardiorrespiratórios e uma infeção urinária. Para além disso iria pedir um TAC para perceber se tinha feito AVC.
No Domingo há noite a minha mãe seguiu para Leiria para fazer TAC e regressou segunda-feira ao início da manhã.
Segunda-feira, ao início da tarde, falei com a médica na urgência. Disse-me que o TAC não revelou novas lesões cerebrais mas a minha mãe tinha uma grave infeção pulmonar pelo que iria ficar no SO.
Na terça, quarta e quinta-feira fui vendo a minha mãe, sempre inconsciente, na luta contra a morte. Os diferentes médicos descreveram-me sempre um quadro clínico grave, de prognóstico reservado, com falha de vários órgãos (pulmões, rins, coração).
Ontem, quinta-feira ao fim do dia, uma senhora do hospital ligou-me e, depois de uma breve introdução, disse-me: a senhora Joaquina morreu.
Não sei se ouve erros significativos de avaliação e decisão. Não culpo ninguém pela morte da minha mãe. Sei sim, que não se comunica desta forma com os doentes e os seus familiares.

PS1: Nunca imaginei escrever este post. Não gosto da temática, do estilo e muito menos do conteúdo. Mas ontem à noite encontrei, por acaso, o tal enfermeiro na urgência. Perguntei-lhe se se recordava do episódio de domingo comigo. Disse-me que sim. Perguntei-lhe então se já tinha feito uma análise crítica ao sucedido. Disse-me que sim, falou, falou, justificou-se, justificou-se, …, com a baixa médica. No final perguntei-lhe se achava que em algum momento tinha errado. Disse-me, na presença do segurança, que não. Cumprimentei-o e vi-me embora ainda mais desalentado. Escrevo isto para mostrar como está a funcionar a urgência do nosso hospital.
PS2: Agradeço, em nome da minha mãe, ao Dr. João (o das barbas) o seguimento que fez da minha mãe nos últimos anos. Talvez não lhe tenha prolongado a vida, mas melhorou-lhe a qualidade de vida. Obrigado.
PS3: A vida nos últimos tempos não me tem corrido nada bem. Agora passei a ser o último da fila. É altura de repensar tudo. E suspender, por uns tempos, a participação ativa neste espaço.

14 de março de 2013

Operação limpeza

A Câmara Municipal vai contratar a empresa igualmente municipal PMU Gest para limpar um conjunto alargado de edifícios públicos. A coisa vai custar-nos qualquer coisa como 285 mil euros. Mas o presidente garante que a adjudicação é um bom negócio, pois que “se não existisse a PMUGEST teríamos de contratar pessoal no quadro da Câmara para o efeito”. Se ele garante, está garantido. 
Ainda bem que existem esses laços familiares municipais que nos ajudam a mobilizar a economia em tempos de crise, poupando uns cobres. Ainda bem que a transparência é amiga da eficácia, salvaguardando que não nos acontece a pouca-vergonha que se vê noutras câmaras, noutras empresas municipais, em que as segundas servem quase só exclusivamente para contratar quem as primeiras não podem, por imperativo legal. Ainda bem que isto é Pombal.

12 de março de 2013

Da série vergonha na cara.


"Cavaco homenageia o homem a quem há 20 anos recusou pensão". Alertam-me para esta notícia. Imediatamente vem-me à cabeça uma palavra: nojo. Toda a podridão e hipocrisia de um dos pais do regime e do próprio regime que levou esta III República à exaustão está patente nesta atitude. Este PR foi aquele que disse, além de outras alarvidades, que era preciso nascer muitas vezes para ser tão honesto quanto ele. Não é. A prova provada é que ao Homem a homenagear lhe bastou nascer uma vez para ser muito mais num dedo do pé do que o PR algum dia será em sucessivas reencarnações. E sim, isto é uma provocação. Não a qualquer património de esquerda ou de direita, já que Salgueiro Maia, o último grande português, mostrou bem o que é dedicação, espírito de sacrifício   e servir e não abusar do lugar que se ocupa. É uma provocação a todos os que não desistem de criar um futuro diferente neste país. Um que nos afaste dos becos sem saída para onde temos sido encaminhados.

11 de março de 2013

justin bieber e a crise


Dizem que há crise! Pois dizem, mas um cantor chamado Justin Bieber, com cara efeminada, vem a Portugal e as adolescentes saloias já acampam à entrada do pavilhão, onde vão permanecer durante duas semanas a esperar e a fazer juramentos de amor ao seu “grande” ídolo.
Não estamos em tempo de abundância nem de férias escolares, mas os papás saloios suportam os custos e toleram as faltas das filhas saloias às aulas, para elas melhor poderem "aprender" a "cultura" da moda, do esbanjamento e da ociosidade. Toleram e pagam, porque também eles passaram a adolescência e a juventude atrás de quimeras e a adorar “vacas sagradas” e outros ídolos.
Temos de facto uma crise bem profunda…

8 de março de 2013

E é outra vez Dia Internacional da Mulher


Não sei bem qual delas admiro mais: se a minha avó Maria, que pariu 13 filhos sozinha e ainda ajudou a nascer meia Moita do Boi; se a minha avó Leontina, que pariu apenas 10, oito dos quais ao lado da minha mãe, numa esteira, no chão. Que percorria os 20 km que separam Antões de Pombal com um cesto de laranjas à cabeça, para vender nos tempos de fome; se a avó do meu homem (que também foi muito minha, nos anos em que convivemos), que ficou viúva aos 32 anos, com cinco filhos e sem qualquer ajuda; ou a minha mãe, uma muralha à prova de tudo.
Na minha família as mulheres têm tão mau feitio que nunca nenhum homem ousou desafiar-lhes limites, nem pisar o risco. Se o fizesse, tenho a certeza de que acabava partido aos bocados. Sempre ganharam o seu próprio dinheiro, sempre trabalharam muito, em casa e no campo, nas casas dos outros, nas fábricas, nos escritórios, nas escolas, onde houver trabalho e onde for preciso. Nunca os homens ousaram mandá-las calar, porque qualquer um que se aproximou delas percebeu ao que ia.
A minha mãe sabe que eu não concordo nada com a forma como a maioria decidiu assinalar o Dia Internacional da Mulher* e não se rala nada com isso. Logo à noite lá vai ela para um desses jantares, que  dinamizam a economia neste concelho a cada 8 de Março. 
Depois há muitas que eu admiro, à minha volta, e que nunca são evocadas nos poemas nem nas músicas. Luísas de muitas calçadas que nunca desistem. Seria nessas que pensava madre Teresa de Calcutá quando escreveu estas linhas:
Tenhas sempre presente que a pele se enruga, o cabelo branqueia, os dias convertem-se em anos …
Mas o que é importante não muda; a tua força e convicção não têm idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sente saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas…
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não consigas correr através dos anos, trota.
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!
 *em quase cinco anos de Farpas, julgo que é a primeira vez  que me refiro ao Dia. Sei que muitas mulheres aqui vêm, embora muito poucas se mostrem.  Entrem, sem medo. Esta casa também é vossa.

6 de março de 2013

AM repudia RM


Leio, mas não acredito.
Na AM (de Pombal) cada um diz o que quer e quem mais pode mais diz. Rodrigues Marques faz parte dos que dizem tudo o que querem e, às vezes, o que não querem. Neste caso disse, só, o que queria. E o que queria ele? Que o PS barafustasse e criasse o ambiente para que o Diogo Mateus dissesse o que disse.
O PS foi no engodo. O presidente da AM não percebeu, disse e desdisse-se.
Tático, o sacana*! Começou a campanha, e os golpes.

*Sem conotação agressiva, antes pelo contrário.

28 de fevereiro de 2013

A regeneração ou lá o que isso é

Atentemos, então, no que diz Joaquim Eusébio, obviamente chocado com o que se passa com a cidade que ajudou a erguer, e cuja história ajudou a contar. Ontem mesmo, escrito no Facebook:

"Obras do Cardal

Lamentável a todos os títulos. Estranha a insensibilidade da população de uma cidade multisecular que deixa fazer esta operação a coração aberto. Mas para mim o mais inquietante é a grande possibilidade de uma vez mais NADA de arqueologicamente significativo se encontrar durante os trabalhos. A exemplo do que ocorreu nos trabalhos feitos nas imediações da igreja de Santa Maria do Castelo, no interior das muralhas do castelo (que teriam podido fornecer muita informação sobre o período medieval de Pombal) ou na praça Marquês de Pombal (coração da vila durante a Idade Moderna) será que o cemitério do convento de Santo António do Cardal, o forno do Bodo ou a capela de Nossa Senhora de Jerusalém não terão igualmente deixado qualquer vestígio?"

26 de fevereiro de 2013

Ó meu Pombal...


Ainda sobre a questão da dita regeneração do Largo do Cardal, não posso deixar de constatar o seguinte:

Este link contém uma súmula do projecto (páginas 13 e 14 sobre o Largo do Cardal), tendo sido este que foi apresentado, pelo menos, numa Assembleia de Freguesia, já que a Junta é parceira (no papel) deste projecto.


Este, sobre as alterações ao trânsito, contém uma montagem sobre como ficará o espaço. É neste que aparecem as tais IS (ou lá o que é):


Descubram as diferenças entre projectos. Isto ajuda à seriedade com que se quer que se olhe para a actuação de quem decide "regenerar"? Isto ajuda a que aceitem os argumentos sem desconfiança?


E entendamo-nos: regenerar, em muitos casos, tem servido como pretexto para gastar dinheiro estupidamente, decorando a betão ou a outros elementos, zonas que mereciam outro tratamento. Reaproveitar, redesenhar e repensar espaços públicos é bem-vindo desde que inserido numa estratégia. Infelizmente vê-se o resultado que a Praça Marquês de Pombal deu, ou o Castelo, onde a requalificação deu apenas de bom a Cafetaria e o tratamento à volta do Castelo - sem contar com as vergonhosas escadas tipo maison - ou ao pé do Cemitério. Excepção, claro, ao Parque Verde do Açude (mantendo eu que aquelas "varandas" são uma coisa perigosa - por favor, vão lá e vejam bem como aquilo está, mas que afecta a mais valia do espaço). Desde há anos que se trabalha a forma e não se preocupa com o conteúdo. O Castelo, fechado há anos, terá, pelos vistos, uma apresentação/filme. Mas a ocupação de espaços não é acautelada, o que condena o Celeiro do Marquês (espaço excepcional) a uma utilização espaçada ou o próprio Museu do Marquês (que até teve um prémio para a recuperação), que por ter uma exposição com horários de função pública é incapaz de atrair mais público.


Há 11 anos defendi um debate público alargado quando se enterrou uma fortuna num parque de estacionamento que não é usado e se converteu uma Praça que é o resto da nossa zona histórica, num momento à insipidez e à lógica do empedrar sem tornar o espaço aprazível (que continua sem o ser). Defendi que a autarquia, já que estava naquilo, podia perfeitamente equacionar serviços públicos na Praça ou ter um plano para ter vida. Obviamente, não tive retorno, sendo certo que eram, infelizmente, poucos os que naquela altura se preocupavam com aquela situação ou que criticavam as opções do partido do poder em sede de património, tendo este defendido, acerrimamente, uma intervenção que apenas iria ter placa de inauguração. Aliás, é uma constatação  que as vozes críticas, quando se trata de património, são sempre poucas demais. Que este golpe final, depois de tantos avisos e obra efectuada, sirva de exemplo e de mudança, principalmente com Outubro à porta.

Ontem, como hoje, é assim que a obra é feita. Mesmo com fundos comunitários na sua maioria, são milhões que não servem para reconciliar os cidadãos com a sua cidade, com algumas honrosas excepções. Lamento, por exemplo, não ter um Parque Verde a sério ou mais corredores verdes (a Junta queria um na Charneca, mas falta capacidade para reivindicar ou capacidade para gerar o dinheiro de outra forma) ou ainda ver a obra do CIMU Sicó começada. (http://noticiasdocentro.wordpress.com/2010/09/15/pombal-constroi-centro-de-interpretacao-e-museu-da-serra-de-sico/cimu-sico/)


Concluindo, fazer obra para placa, qualquer um, desde que tenha dinheiro, faz. Mesmo que sejam pontes que só dão para uma margem ou quase-aeródromos em terras que nem passeios têm. Mas preocupar-se com o retorno, como por exemplo, se tentou (e bem) fazer com a Expocentro, é uma excepção. Aliás, fosse isto um oásis e o poder cessante não desistiria enquanto as palmeiras não fossem abatidas, a água contida dentro de um lago de betão e o verde substituído por granito. E claro, uma placa de inauguração para cada uma destas requalificações.

25 de fevereiro de 2013

E o Cardal foi-se


O Cardal está (e ficará por muito tempo) transformado num enorme estaleiro. Para quê? Para enegrecer o coração da cidade e colocar lá um URINOL.
Eles não sabem o que fazem, coitados! Querem simplesmente fazer, gastar e dar dinheiro a ganhar.
Pelo meio apagam uma parte significativa da memória dos pombalenses e exterminam os poucos comerciantes locais que ainda resistem. Os verdadeiros pombalenses não podem deixar fazer isto.

23 de fevereiro de 2013

Narciso encabeça lista


O presidente da Câmara de Pombal vai encabeçar a lista do PSD à Assembleia Municipal. A tão esperada notícia foi confirmada ontem à noite, em plenário de militantes da família social-democrata, que assim reconhece o trabalho desenvolvido por Narciso ao longo de quase 20 anos. 
Uma sala cheia e uma plateia entusiasta aprovou - por quase unanimidade e aclamação - esta nova era que agora se inicia no nosso Pombal. Num registo de grande dignidade, o presidente de quase todos os pombalenses tinha, como sempre, o coração ao pé da boca. E foi a emoção que o fez explicar à assistência toda a dinâmica do post anterior deste blogue, confirmando, afinal, aquilo que quase sabíamos: a ponte é uma passagem...para a mesma margem.
Está bem de ver que reunião de família que se preze tem sempre alguma tensão. Mas fontes bem colocadas garantem que bastou uma folha voadora para libertar todas as desavenças acumuladas. E foi com lágrimas que os ânimos serenaram, numa noite de emoção como há muito se não via lá para as bandas da Rua dr. Luís Torres.
Ao lado de Narciso, o Farpas inicia também uma nova era, acompanhando a evolução na continuidade. 

19 de fevereiro de 2013

A ponte é uma passagem?

Há uma linha que separa as freguesias de Vermoil e Meirinhas.
Há uma linha que separa o essencial do acessório.
Haverá alguma linha (de acção, supõe-se) que explique a construção de uma ponte para nenhures?


Dão-se alvíssaras a quem no-lo explicar.

16 de fevereiro de 2013

Ideias de fora

(os sublinhados são meus)

Pombal não é Coimbra, como é claro, e sociedade civil aqui é coisa que parece tão estranha como granito na parte histórica, mesmo com os exemplos, de quando em vez, que mostram que há vontade de fazer pela comunidade, sem rótulos, normalmente colados pelos invertebrados do sistema. Fica o apontamento do que se vai passando lá fora (mesmo que, aparentemente, também impulsionada por uma péssima escolha do PS em Coimbra) e o flagrante contraste com a modorra pombalense onde parece (sublinho o parece) que se vai apenas cumprir calendário. Sobre a questão dos partidos, subscrevo, aliás, sempre subscrevi o que é dito. São necessários, mas este sistema é uma democracia não uma partidocacria. São bases essenciais, principalmente numa lógica de representação nacional, mas o próprio sistema eleitoral deveria ser reformado para que as decisões cruciais sobre representação não ficassem nas mãos de alguns. Nesse sentido deixo uma sugestão de leitura sobre a representatividade dos partidos (assinada por dois militantes, note-se).

14 de fevereiro de 2013

As escolhas para Marcelo - carta ao professor que adivinha coisas


Estimado professor Marcelo:

Soube que está tudo organizado para o receber como merece, na próxima sexta-feira. A Associação dos Amigos Social-Democratas de Pombal anda incansável, pois que não é todos os dias que a colectividade tem ocasião de receber tão ilustre personalidade. Além disso, os tempos de austeridade afastaram os associados das jantaradas no Manjar. Já lá vai o tempo em que o "ninho de vitórias" - como lhe chamava Maria Ofélia Moleiro, de quem se lembrará - não tinha mãos a medir com as marcações para isto e para aquilo. Aqui para nós, depois daquela transição para o Expocentro...ao tempo de Marques Marques, nada voltou a ser como dantes.
Por isso a sua vinda se revela de tamanha importância, nesta altura do campeonato. Não é só pelo mediatismo que pode emprestar a Pombal. É também porque está ainda viva na memória de todos aquela premonição que o professor trouxe à família social-democrata, quando era líder, e que se confirmou naquelas autárquicas em que o PSD "limpou" todas as freguesias. Não sei se sabe, professor, mas esse foi aquele ano conturbado, quando Narciso Mota afastou Diogo Mateus das listas, empurrando-a para
uma candidatura à junta de freguesia local, que se sagrou numa vitória mais festejada do que a costumeira cabazada municipal. Coisas da vida.
De então para cá, muita coisa mudou, professor. Até a lei, a maldita lei que nos vai levar daqui esse homem bondoso que nos últimos 20 anos veio trabalhar para o Largo do Cardal. Para consolo colectivo, ficam aqui os seus ramos, semeados um pouco por todos os serviços municipais. Claro que cada um dos seus só trabalha em prol do município pelo extrema competência que lhe é nata. É, de resto, uma característica comum a várias famílias deste concelho, que em conjunto formam a família laboriosa do município. Assim fica tudo em família! Não é bonito, professor? É esse clima de amor e ternura que o espera, amanhã à noite, no jantar da Associação.  E depois da festa,voltaremos a falar. Cá ficamos à espera da boa-nova que, certamente, não vai deixar de anunciar, como é seu apanágio.
Ah...se acaso for sua intenção ofertar um livro ao nosso estimado-ainda-presidente, traga-lhe aquela obra de Irving Wallace, O Todo-Poderoso. É um clássico sobre poder e jornais. E um clássico nunca passa de moda.

13 de fevereiro de 2013

De La Palice


Nem mais…

Ainda o ensino superior em Pombal

Não assisti ao fórum "Como crescer na crise" promovido pela concelhia do PS. Daí que, talvez, não devesse falar sobre ele. O problema é que não consigo deixar de comentar o que li no relato do Orlando Cardoso, jornalista a quem reconheço isenção.

Segundo os empresários presentes, uma das receitas para Pombal "crescer na crise" seria a instalação de um pólo do Ensino Superior na cidade. Assim, sem mais nem menos. Não interessa saber que Ensino Superior, quais as licenciatura a ministrar. O que interessa é ter um barracão qualquer onde alguém coloca uma placa de mármore a dizer “Universidade inaugurada pelo Senhor Fulano de Tal…” e se encha de jovens de capa-e-batina dispostos a queimar a mesada nossos bares a troco de nos derreterem os tímpanos: “a mulher gorda/para mim não me convém/…”.

Esta discussão já não é nova e, como tal, respigo alguns argumentos que usei num artigo que escrevi para O ECO, em Outubro de 2002, e que explicam porque estou em total desacordo com a opinião dos nossos empresários.

"O ensino superior em Portugal, depois da enorme explosão verificada nos anos 90, atingiu um período de estabilização, senão mesmo de recessão. Muitas das universidades existentes não conseguem preencher o número de vagas disponíveis e muitos cursos apenas o fazem pois admitem alunos com médias claramente inferiores às consideradas adequadas. Seria muito pouco crível que uma instituição de ensino superior investisse num curso de sucesso em Pombal podendo fazê-lo na sua cidade de origem, com muito menos custos. Perspectiva-se, assim, a vinda para Pombal de cursos com capacidade para atrair apenas os piores alunos do país.

Uma universidade é uma instituição de ensino que necessita de professores altamente qualificados, alunos motivados, infra-estruturas adequadas, bibliotecas, etc. O investimento envolvido na criação de um pólo universitário de qualidade é muito elevado e dificilmente as instituições que conheço tem capacidade para o fazer."

Se esta era a situação em 2002, imagine-se em 2013!

A Demanda


No próximo sábado, dia 16 de Fevereiro, o Teatro Amador de Pombal (TAP) volta a apresentar “A Demanda”. É mais uma oportunidade para assistir ao aclamado espectáculo encenado por Rui M. Silva e construído a partir do romance “A Demanda de D. Fuas Bragatela” de Paulo Moreiras. E se razões faltassem para ir ao Teatro-Cine, fica a informação que esta apresentação conta com o apoio de “A Casa da Amizade” do Rotary Club de Pombal e tem como fim uma acção de solidariedade a favor das famílias carenciadas do concelho.

11 de fevereiro de 2013

Ilusionismo


Em ano de eleições os partidos ficam mais ativos. O PS também, e começa a mostra-se com a realização de uns fóruns. O primeiro foi sobre a Saúde, o segundo sobre "Pombal - como crescer em tempo de crise". A ideia é em si mesmo um paradoxo e uma ilusão. Mas os portugueses - e PS local em particular - tendem a embarcar em ilusões.
Há uns tempos atrás Miguel Esteves Cardoso definia os portugueses como o povo manso e lunático. Manso porque refila, refila mas é inconsequente e acaba, normalmente, por aguentar tudo. Lunático porque ilude-se facilmente, e, nessa ilusão néscia, acha que tem solução para todos os problemas, dos outros!
O PS de Pombal confirma plenamente o estereótipo: tem (ou procura) soluções para os problemas dos outros (mas nunca para os seus) e ilude-se ou procura iludir os outros com propostas fantasiosas.
"Pombal - como crescer em crise" é em si mesmo um paradoxo e uma ilusão. Ao formular o problema desta forma, o PS, estranhamente, não se limita a propor o crescimento de Pombal (o que já por si é uma ilusão tremenda), mas a fazer crescer Pombal em contexto de crise. Ou seja, o PS quer fazer passar a ilusão de que, liderando o executivo, fará de Pombal um oásis no deserto.
Para quê tanto ilusionismo?

10 de fevereiro de 2013

Assimetria preocupante


Em Pedrogão Grande, dois militantes do PS guerreiam-se para serem candidatos à câmara municipal: um aprovado pela concelhia (o seu presidente), outro aprovado pela distrital.
Fartura por lá, escassez por cá.

7 de fevereiro de 2013

É pau, é pedra, é o fim do caminho

(Por “encomenda” da minha mui querida Amiga Paula Sofia Luz, escrevo agora e aqui uma diatribe anti-Narciso da Câmara de Pombal, a publicar nas Farpas Pombalinas, sítio internáutico de apreciável concorrência pombalense.)

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Em jeito de proémio, aviso desde já os eventuais leitores internautas meus que a idade me tem acrescentado em anos o mesmo que me tem sumido em paciência. O mesmo vale por dizer que nem palpos-de-aranha, nem papas-na-língua. Quem tiver medo de se assoar em público, que corte o nariz em privado.

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Quer-se então dizer que a Câmara Municipal de Pombal odeia Pombal. Quer, quer, Man’el Rodrigues Marques – quer, quer. As duas décadas narcisistas aí estão para no-lo demonstrar – à saciedade como à sociedade.
Vinte anos são muito ano. É muito bafio a sacristia menos autárquica que autocrática. É muita canga jungindo o mesmo cachaço.
Que vai arrancar a calçada para tudo lajear, em seu lugar, de granito. Granito! Supina parolice: que temos nós, sicó-arunquenses, a ver com granito? Nada. Nada – a não ser a reiterada asneira de reeleger sucessivamente uma figura da idade… da pedra.
Que vai arrancar os plátanos. Cuidado: isto já não é só e tão-só parolice. É crime. A dendroclastia é uma tara intolerável. E é uma burrice mineral própria de quem for de miolo mais dado à substância do calhau do que à circunvolutiva prega neural da noz cerebral que às vezes distingue o homem da alimária. A não ser que se seja das Meirinhas, essa charneira do pato-bravismo mais corneamente obtuso, caso em que tudo fica (quase) explicado.
Que vai fazer um urinol público em frente aos, ou perto dos, Paços. Isso já acho bem: consagrar-se-á o mija-depressa-que-vem-lá-gente em monumento vivo à cagada dos últimos dois decénios.
Aos moradores e aos comerciantes do centro histórico não foi pedida qualquer opinião. Pelo contrário, o projecto e a aberração foram-lhes apresentados como facto consumado. É normal: é característico de qualquer aleivoso e histriónico tiranete o rancor e a alergia à opinião livre, assertiva e construtiva. Suponho que o edil com nome de velocípede até deve sonhar com elas, as bichas das opiniões, as mostrengas manifestações de raciocínio não acarneirado. Deve, deve, Man’el Rodrigues Marques – you know what I mean, como dizem os ugandeses que andaram no colégio. Antes sonhasse, pobre homem, com as boazonas que o Cristiano Ronaldo engata a torto e a direito – enquanto nós homens do Arunca népias.
Népias por surrépias, temos portanto que Narciso, o Arboricida, se prepara para deixar em sua infeliz memória um urinol, uma saudade plátana e um chão de granito em que o escarro gordo há-de ter estrelada pontuação. Muito bem. A gente, amigo doutor Rocha Quaresma, também não tem feito por merecer mais. Tem? Não tem. Menos é que era difícil.

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Termino com um giro e bonito slogan de minha mesma lavra, do qual faço graciosa oferta à edilidade mata-árvores. Tem a ver com o tal urinol (será ele, pergunto-me eu, daqueles de meter moedinhas e que, depois de utilizado e aberta a porta, um gajo dá por si na Austrália?). O slogan é este:

Quando fores ao urinol do Narciso, no fim sacode-a, que é preciso.

Daniel Abrunheiro

2013 tarda em aquecer

Houve alturas em que estando o CDS no boletim de voto, sobretudo em Pombal, ajudou a determinados resultados. E agora um CDS-PP que, aparentemente, está organizado e a trabalhar, apresentará Mota Carvalho para candidato a Presidente da Câmara. É uma prova de vida que carece, como tudo, de demonstração. Mas que faz pensar na capacidade de outras oposições que não a habitual, especialmente numa cidade onde a sociedade civil apenas aparece de quando em vez. Para mais quando do PSD não sai fumo branco (talvez andem facas no ar, agora que o poder vai deixar de ser de charneira). E o PS ainda não passou das conferências para o nome, que, quer se queira quer não, é que determina ou não a mobilização, embora se reconhecendo esta como mais lógica nas suas premissas que a anterior, tendo ainda o bónus de contar com a presença do "D. Sebastião" do PS/Pombal.

Mas agora, numa altura em que pelo país se vão confirmando os nomes, a modorra pombalense deixa que seja legítimo assumir que passando anos, continuem lições por ser aprendidas: as eleições não se ganham num ano (e eu que o diga) e que se há pessoas que valem mais que uma sigla, há outras que não valem tanto. Porque até Outubro são uns dias. E os próximos 4 anos são decisivos, esteja lá quem estiver. Não apenas pelos buracos que se vão herdar (falo de obras), mas pela absoluta e imperiosa necessidade de ter uma estratégia para Pombal, aproveitando o que de bom se fez nos últimos anos e erradicando os vícios e a rede que se foi impondo e constragendo o mérito e o relacionamento normal entre poder e cidadãos. Tarefa difícil? Claro, mas há cargos que fazem os homems e homens que fazem o cargo. Está na altura da última opção.

6 de fevereiro de 2013

Os sanitários, ou o ex-libris da regeneração urbana


A notícia bem que podia ser a manchete desse periódico que sai hoje à rua pela primeira vez. Não sendo, está tratada aqui, no sítio do costume.
Antes de ir embora, Narciso Mota está apostado em não deixar pedra sobre pedra no centro da cidade. Vão arrancá-las todas, as da calçada portuguesa, e substituí-las pelo granito, tão típico da nossa região, como sabemos.
Na semana passada o presidente, mais o vereador do pelouro e um arquitecto que sabe muito chamaram ao salão nobre os moradores e os comerciantes que restam. Não, não era para discutir ideias nem chamar os intervenientes a pronunciarem-se. Era mesmo para mostrar o facto consumado: O Cardal e todo o centro da cidade vão ser virados do avesso, ao preço de três milhões de euros. No centro, o nosso cartão de visitas passará a ser um sanitário público. Até pode ser dourado. É um sanitário. E vão arrancar os plátanos.
O que chegou ao Farpas nos dias que se seguiram foi um lamento constante e uma revolta incontida. Quem aqui nasceu e escolheu esta terra para viver não pode ficar sentado a aplaudir que nos arranquem o passado, a troco de qualquer coisa que ainda não percebemos que proveito terá. Mas a avaliar pela amostra do que tem sido a intervenção urbana desta gente, está-se mesmo a ver o que será o centro de Pombal em breve. Basta pôr os olhos na zona histórica: uma Praça às moscas, um parque de estacionamento subterrâneo cuja rentabilidade é nula, um comércio que sucumbiu ao fim do estacionamento, primeiro, e ao resto.
É claro que a fava sobrará para quem  suceder, no poder, a este presidente. Daqui até Outubro a cidade ficará transformada em estaleiro, a fazer lembrar os tempos de Joaquim de Almeida, de má memória para o PSD. Se ao menos houvesse oposição, sempre haveria esperança.