1. Pedro Martins (marido da
Júlia Paula e cunhado do Toninho Póvoa)
foi vereador da Câmara Municipal de Pombal por tempo de menos. Em
exercício, esse meu franco e radioso Amigo colocou Pombal na vanguarda nacional
da modernização administrativa por via informática. Na vanguarda. Em primeiro
lugar. Nem mais, nem menos. Prémio? Foi corrido. Ai sim? – pensou ele. Saiu de rosto levantado e fundou uma empresa
dedicada ao ramo em que é perito: hard/software. É a One Zero. Hoje, quando o município ao Cardal sediado precisa de
alguma coisa, paga-lhe. Eis um exemplo magno da politiqueirice à la Meirinhas em que há duas décadas
chafurdamos de arganaz na venta. Eis um evidentíssimo penhor da entrega, com
chave na mão, do nosso destino colectivo-comunitário aos Manos Mota & afins
derivados (ou “sucedâneos”, como é
chamado o “chocolate” espanhol). Eis,
pois, uma tristeza mais do legado narcísico.
2. Manuel Rodrigues Marques,
excelentíssimo dinossauro nosso, fez
uma vez, em sede plenária de Assembleia Municipal, uma intervenção que, de
oportuna e acutilante, me ficou para sempre na acta da memória. Virando-se para
a bancada PS com aquele vozeirão de Pavarotti d’Albergaria, foi ele assim:
“ – Mas os
senhores querem ser e fazer uma oposição que se veja? Então virem-se ali para o
senhor presidente da Câmara e lembrem-lhe que há sítios neste concelho que não
têm um metro de saneamento básico!”
E continuam a não ter – acrescento eu,
demasiados anos depois e já em pleno século XXI. Mas o maralhal vota (e “bota”) nos mesmos. Enquanto houver
bodos e bolos, não faltarão tolos. Como alguém disse, e bem, “não é possível tornar o mundo diferente
quando o povo é indiferente”. Ah pois não. E o povinho-povoléu (ao léu,
béu, béu) desta terrinha não tem sido outra coisa. Sem saneamento, como sair da
“fossa”? De maneira nenhuma.
3. Parecem ter sido os inefáveis “jotinhas da laranjinha” (que passarei a designar por “clementinas” para poupar
tinta ao Farpas) a baptizar aquela
aberração arquitectónica do Cardal como “Pala”.
Generosa contribuição tributiva minha: dada a sua (dela) inestimável entrega à
feitura do boletim paroquial, por que não chamar-lhe “Pala
Marques”?
4. A Direcção-Geral da Administração
Interna, face às indignadas reclamações de muitas famílias, retirou dos
cadernos eleitorais para as eleições autárquicas os nomes de cerca de 100
mortos. Nos aziagos tempos do Morcego
Eunuco, vulgo Salazar, é que os defuntos votavam que não se fartavam. Em
Pombal, aliás, ainda votam: pelo PSD, os mortos de alma; pelos outros, os
mortinhos por correrem com eles.
5. Fernando “Restaurador Olex” Ruas, perpétuo
caudilho da Câmara de Viseu e vitalício “pró-residente”
da Insolação Nacional de Municípios,
anda, segundo o próprio, a dar cheques da Câmara (dele) à porta das missas.
Veio no Correio da Manhã de 21 de
Agosto último. Aos católicos. É como andar a cuspir lentilhas no rosto de
Cristo. E é como aqui, via “política de
subsídios”. Digo eu, à guisa de remate de homilia: povo que se deixa
comprar, nem para dar serve. Ou então mais terrena e mais coloquialmente: povo
de tostão não vale um cagalhão.
6. Porque esta crónica se
chama “(Quase) Todos os Nomes”, não
posso deixar de inscrever nela estoutro – João. Sim, João. Melo. Alvim. De
lustral limpidez, o seu rosto radia uma bonomia ilustrada apenas ligeiramente
contrariada pela mania de gostar demasiado d’Amér(d)ica. Tirante tal, uma jóia.
O João Melo Alvim vai à vida dele. Lisboa, para já. Para o mundo, depois. O
motivo é profissional – pelo que dele sei, ele por ela nunca daqui sairia. E
vai ser feliz, como é de lei. Eu fiz o mesmo há muitos anos – mas, valha a verdade, tenho-me dado malzito. Por exilado, não há onde moro um bar como o do
Toninho Póvoa, que me paga sempre uma garrafosa das mais lindas de cada vez que
escrevo bem do cunhado dele, um tal Pedro Martins.

















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