28 de maio de 2013

De Conde para Aio

Às vezes acontece: efabula-se tanto, que deixa-se de se saber o que se é; o fidalgo de Albergaria pensava que era Conde, mas já só era Aio.
A história conta-se em poucas palavras, certo dia, o fidalgo de Albergaria pôs-se a pensar:
- “Se não tenho oposição e se o condado continua a mirrar, é melhor fazê-lo crescer”.
Como era um homem de ação, logo partiu para a conquista e atirou-se aos condados vizinhos, que há muito vinha cobiçando. Só que, a tática e a estratégia estavam erradas (o homem tinha, entretanto, perdido qualidades), e, em vez de conquistar, foi conquistado.
Desgostoso, o Conde que já só era Aio, lá foi, sexta-feira, de corda ao pescoço, pedir perdão aos seus súbditos.

Ao que um fidalgo chega! 

25 de maio de 2013

O CDS voltou, ou Guardado está o bocado

Depois de Diogo Mateus se ter apresentado publicamente como candidato do PSD, há uma semana, hoje foi a vez de José Guardado (estimado comentador deste blogue) ressuscitar o CDS para a corrida autárquica.
A sede encheu-se não propriamente de jornalistas - era uma conferência de imprensa, afinal - como de uns rapazes novos que prometem animar a campanha e dar luta à JSD (da JS continuamos sem saber se são exageradas as notícias da sua morte); de militantes históricos (como o empresário Adelino Abreu João, que reapareceu para a política) e de dirigentes distritais e nacionais que vieram conhecer Pombal e os correlegionários da estrutura democrata-cristã.
O candidato deixou vários avisos: Há 10% de votos que são do CDS por direito e "têm sido mal usados". Se o PSD "consegue controlar outro partido da oposição...a nós não vai conseguir" (ui...que farpa).
E com isto, ficamos à espera da apresentação da candidatura de Adelino Mendes. E dos outros que hão-de vir. A coisa promete.

24 de maio de 2013

A admirável tampa de esgoto

Consta que até está uma em exposição, à entrada da Câmara. De tão contente que está com o brinquedo novo, o gerência do município mandou colocar umas fotos como esta nas redes sociais. Quando muitos munícipes ainda não têm sequer acesso ao saneamento básico, o esgoto personalizado é outra coisa. Rimos ou choramos?

Comerciantes, porque esperam?


Os comerciantes do centro histórico de Pombal foram apanhados na tempestade perfeita: debilidades estruturais do comércio tradicional, espiral recessiva e, “the last but not the least”, as obras de Santa Engrácia no Largo do Cardal e Centro Histórico. É verdade que pouco podem fazer para contrariar as duas primeiras ameaças à sobrevivência dos negócios, mas a forma como têm aceitado as obras, nomeadamente após sentirem os seus efeitos na caixa registadora, é um verdadeiro Hara-kiri.

Do que esperam para processar a câmara e exigir a correspondente indemnização por prejuízos causados.

22 de maio de 2013

Subsídios (XV)

Em JAN/13, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a ADERCE, na “comparticipação do custo de 50 exemplares de um livro sobre a referida associação, entregues ao Município, da autoria da Dr.ª Maria Luís Brites”, com um subsídio de 250 €.
Ou seja, a ADERCE pediu uma prenda para dar uma prenda. A câmara (nós) contribuiu: dando a prenda e recebendo a prenda. 

21 de maio de 2013

Obras

Para quê? E porquê? Mas porquê? Não haveria formas menos "exibicionistas" de mandar o estacionamento ali para o lado? Por falar em estacionamento, qual o futuro para o "buraco" debaixo da deserta Praça Marquês de Pombal? Conclusão: o que abunda em obra, falta em estratégia.

20 de maio de 2013

"Retratos do Concelho Charneira": Na Regional


Os resultados da principal equipa de futebol de uma qualquer terra é um bom barómetro do dinamismo da mesma.
Percebi isso, há muito tempo, na longínqua década de 70, do século passado, quando a União de Tomar disputava o campeonato nacional e Tomar tinha um dinamismo socioeconómico invejável e exibia brilho e beleza em tudo o que era espaço público. Nas últimas décadas, a União de Tomar tem-se arrastado pelos regionais e Tomar é uma cidade triste e sem grande vida, continuando, no entanto, a ser bela.
O S. C. Pombal desceu aos regionais. E o concelho para lá caminha.
 

Coerência e disciplina na política?

Na apresentação de candidatos, ouvi elogios a alguém que decidiu dizer, em nome da unidade, que estava disponível para não ser recandidato ao cargo que ocupava de Presidente da Assembleia Municipal. Merecidos.
Mas ninguém disse se o novo candidato foi o mesmo que, no passado, anos antes da aprovação da limitação de mandatos, dizia aos amigos e não só, que se não fosse indicado como candidato à Câmara pelo partido das setas seria candidato independente. Ninguém disse se foi o mesmo que, depois da aprovação da lei de limitações de mandatos e antes de ter a “abertura” do anterior detentor do cargo, teve aproximação a outros cidadãos de um partido mais à direita para aí ser candidato à Presidente da Assembleia Municipal.
Talvez seja o mesmo que afirmava pubicamente que ninguém deveria exercer mais de dois mandatos à frente da Câmara, para evitar vícios, que depois mudou para 3 e que finalmente só a lei o impediu de se candidatar. Não soube sair…
É caso para dizer que o uso e abuso das palavras coerência, disciplina e verdade revelaram uma prática contrária do seu autor…

19 de maio de 2013

Água de merda

Em Pombal, a falta de qualidade da água para consumo humano continua a ser um problema grave. Os últimos resultados, referentes ao último trimestre de 2012 (período em que, pelo efeito das chuvas intensas, deveria ser fácil apresentar valores dentro do exigido pela regulamentação) mostram que, nos sistemas do Casal da Rola/Louriçal, Caxaria/Carriço, Loteamento São Cristóvão/Pombal, Carnide/Pombal e Carrascos/Almagreira consumimos e pagamos água com merda (nas formas de Bactérias coliformes e Escherichia coli).
E o que fez a câmara? Nada. E afirma-o: “não foram tomadas medidas corretivas porque as análises de verificação posteriores não confirmaram o incumprimento”.
Restam duas importantes dúvidas:
A água tinha ou não tinha merda?
As análises são ou não são fidedignas?

17 de maio de 2013

Da série "retratos do concelho charneira" #Mata Mourisca

O Município de Pombal prossegue na senda do progresso e do desenvolvimento do concelho-charneira. Que importa se a emigração deste tempo deixa vazias as aldeias e as vilas, hum? Que importância tem o facto de todos os dias se acentuar a desertificação, hã? É preciso é ter espírito empreendedor. E esse nunca faltou ao presidente dos últimos 20 anos, que tão bem tem sabido dinamizar a economia local. Talvez se explique assim a anunciada construção de mais um Centro Escolar, desta vez na freguesia da Mata Mourisca. O concurso pode ser consultado aqui.
Ah...querem saber quantas crianças há na freguesia? 47 no 1º ciclo e 26 no pré-escolar. Quarenta e sete. Vinte e seis. Mais de um milhão e 300 mil euros.
Se a este juntarmos o quase-pronto Centro Escolar da Ilha (que vai abranger mais umas dezenas de crianças), podemos concluir que nada faltará às freguesias em causa. Só a autonomia que a RATA leva para  Guia ;)

CDS tem candidato


Até o CDS já tem candidato: José Guardado (uma personalidade ativa, profissional e politicamente, que por aqui tem frequentemente aparecido com a propósito).
À esquerda tudo morto. Ou como diz a raposa para as uvas: estão verdes!

15 de maio de 2013

Uma exceção


A GPS é um grande exemplo de associativismo: trabalho profundo, valioso e desinteressado; com uma atitude corajosa, interventiva e sempre critica.
Um belo exemplo. 

Adenda: há, com certeza, outras associações com trabalho meritoso, mas coladas, dependentes ou submissas ao poder.

Da série "retratos do concelho charneira" #Meirinhas

O pavilhão. O pavilhão gimnodesportivo que nos custou mais de dois milhões de euros de vez em quando recebe uns jogos, como aconteceu no domingo passado. Os iniciados do NDAP não podiam receber a JUVE no pavilhão Eduardo Gomes e foram encaminhados para a catedral do desporto municipal.
Nunca mais lá tinha voltado desde a inauguração. Desta vez pude apreciar o palco (será que já foi usado? Por quem? Para quê?) , o equipamento de última geração e as casas de banho onde já cheira a mofo.
Entretanto, no dia anterior, a Câmara viu-se obrigada e deslocar bancadas amovíveis (com cerca de 200 lugares) para o pequeno pavilhão do Louriçal, que é contemporâneo mas não equiparado. Jogou lá o Benfica, em futsal. Aquele povo sempre teve a mania das grandezas...


13 de maio de 2013

O regresso (dos candidatos) aos mercados

A semana promete.
Ao PS resta aprovar oficial e publicamente Adelino Mendes como candidato à Câmara.
O PSD vai ao Jardim Municipal apresentar oficial e publicamente Narciso Mota como candidato à Assembleia Municipal Diogo Mateus como candidato à Câmara.
Bem conversado, fazia-se aí uma lista única e até escusávamos de ir a eleições. Mas por causa disso da democracia e tal, parece que (ainda) não pode ser. Não podendo, Pombal podia inspirar-se no modelo de outros concelhos vizinhos, como Leiria, por exemplo, em que os candidatos mostram algum pudor em assumir identificação partidária. Uma espécie de candidaturas independentes mas pouco.


9 de maio de 2013

CLOSED


O presidente da junta da guia pediu, na última AM, apoio para a luta contra o encerramento da Estação dos Correios daquela vila.
Organizem-se: vai ser preciso muita luta para conseguir manter alguma coisa a funcionar nesta terra de oportunidades perdidas. Por cá, tudo o que é serviço público, instituição pública ou de interesse público está na eminência de encerrar ou vegetar.
O Farpas procurará dar conta das agonias e dos muitos desenlaces que se anunciam. É mais um dos nossos contributos para a história do "concelho charneira".

7 de maio de 2013

TAP de ouro


Recebi hoje um email do Paulo Moreiras que passo a citar. "O espectáculo «A Demanda», uma produção do Teatro Amador de Pombal, arrecadou quatro prémios CALE na sétima edição do CALE-se - Festival Internacional de Teatro.

O júri, constituído por Salvador Santos (Administrador do Teatro Nacional de S. João), Filomena Gigante (Actriz profissional) e Cândido Xavier (Director do CALE-se), deliberou atribuir o prémio «Melhor Espectáculo» ao Teatro Amador de Pombal, pela peça «A Demanda»; o Prémio «Melhor Encenação», a cargo de Rui M. Silva; o Prémio «Melhor Interpretação Masculina», atribuído ao actor Luís Catarro; o Prémio «Melhor Cenografia», sob a responsabilidade de José Silva."

PARABÉNS!

Regresso ao passado

Não me recordo da minha professora primária dos dois primeiros anos, mas recordo-me muito bem do dia em que embarquei em Almezinha, de madrugada, na camioneta da Companhia e Viação de Pombal, com o resto da canalha, para fazer o exame da 4.ª classe, em Pombal.
A noite anterior foi passada em branco. Às seis da manhã, upa! Vestir o fato domingueiro, engolir qualquer coisa à pressa e corda às pernas que se faz tarde e não se pode perder a camioneta. Depois, quase de uma hora para percorrer 15 Km, aos solavancos, primeiro sobre estrada de terra batida e depois por outra de manchas de asfalto.
Da parte da manhã, provas escritas: Ditado, Aritmética, História e Geografia. Da parte da tarde, para quem não tinha reprovado, provas orais.
Era, diziam, o melhor aluno da escola, mas isso de pouco me valeu. A pauta, cheia de reprovações, atribuía-me um “suficiente” que me dava direito a ir à oral. Na oral, só me lembro de me terem perguntado quais eram os cereais que se cultivaram na região centro e de eu só ter respondido o milho (eu que era da aldeia e estava farto de ver o que toda a gente cultivava). Estava, com certeza, bloqueado e os examinadores perceberem-no, e, por isso, perguntaram-me o que é que eu tinha comido ao almoço. Isso, eu sabia (tinha sido o melhor momento do dia) e respondi: frango assado com batatas fritas e arroz (no Verdegaio). Mesmo assim, com esta ajuda, não consegui responder o que eles queriam ouvir: arroz. Condescentemente aprovaram-me com um desprezível “suficiente”.  
Lembro-me como tivesse acontecido ontem, da expressão agressiva do professor Diamantino, para mim e para a minha mãe: “de ti, Adelino, não esperava este resultado, desiludiste-me”.
E a minha mãe, na viagem para casa e ao longo de toda a vida, sempre me atirou à cara que eu tinha feito um mau exame e tinha desiludido o professor Diamantino. Aquele dia foi um dos mais terríveis da minha infância (e a minha infância não foi nada fácil), imaginem o que foi para a maioria dos meus colegas que tiveram que suportar a vergonha do "chumbo", para alguns deles, repetida. Sim, alguns passavam por aquele calvário duas, três, quatro vezes, até poderem abandonar a escola aos catorze anos, sem a 4.ª classe (um alívio para eles e para a família).  
Hoje, o meu garoto disse-me que não tinha aulas porque os putos da primária iam fazer as provas da 4.ª classe à escola dele. Estamos a regressar ao passado, à vida a preto e branco, à inventariação simplita de bons e maus.
Como bem dizia o Professor Rui A. Santiago, os "Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras”. Eu salvei-me: do “chumbo” e do psiquiatra.
Não havia necessidade, mas a cegueira ideologia obriga!

6 de maio de 2013

O mundo ao contrário deve ser isto

1.O Primeiro-Ministro é um rapaz do meu tempo e vai à TV anunciar mais desgraça. Era suposto que tivesse ao menos vergonha na própria cara e poupasse o povo das suas aparições públicas, nos dias seguintes. Ao contrário, no dia seguinte vem a Pombal comer camarões e fazer uma festança no Expocentro, porque o PSD ainda acha que há razões para festejar.

2. No mesmo dia (sábado), a Câmara organiza a Milha Urbana, prova de atletismo que podia e devia ser uma festa da modalidade dentro da cidade, chamando atletas e público. Ao contrário, a autarquia parece ter entrado num registo de actividade privada, primando pela falta de divulgação, como se quisesse esconder o que faz. Resultado: o povo anda pela cidade, porque está bom tempo, e pergunta insistentemente o que é que se passa ali, na avenida. Nem eles sabem, se calhar.

3. A Feira do Livro arranca no domingo, outra vez em modo sombra do que foi, noutro tempo. Um evento que se agenda para Maio deveria, supostamente, viver da rua (foi assim que nasceu, primeiro no jardim municipal e mais tarde do excelente recinto da Biblioteca). Ao contrário, enfia-se tudo dentro de uma tenda de lona e arranja-se ali um cantinho para as actuações, entre a Biblioteca e a tenda, que já agora serve de passagem também. O público é presenteado na abertura com um belíssimo espectáculo infantil da companhia Peripécia*; pais e filhos saem do interior da Biblioteca e até podem ficar ali o resto da tarde entre a música e os livros. Ao contrário, chega o séquito presidencial, interrompe-se a actuação dos músicos, que decorre à entrada da feira, para um discurso do presidente: não sei quê de cultura e educação e mais o dia da mãe e o negócio dos livros.

*O espectáculo Cores lotou o auditório municipal. Era tão fácil fazer mexer a cidade, enquanto ainda tem gente.

5 de maio de 2013

Leiria e a RATA

Li a notícia no Região de Leiria em http://www.regiaodeleiria.pt/blog/2013/05/03/camara-de-leiria-da-apoio-de-35-mil-euros-a-freguesias-para-impugnar-agregacoes/: Câmara de Leiria dá €3.500, a cada uma das 10 freguesias que pretendem impugnar a agregação de freguesias.
Informei-me melhor e fiquei a saber que não são só €3.500,00 para cada freguesia porque, afinal, cada uma das 10 freguesias irá gastar ainda mais €1.500,00 do seu próprio orçamento, e que estes gastos são só para uma 1ª fase. Ou seja, numa 1ª fase serão gastos €50.000,00, depois mais serão.
Tendo todas as Juntas recorrido ao mesmo gabinete de advogados, o qual patrocina a Câmara de Leiria, justificou-se o Presidente dizendo que foi escolha das Juntas e mera coincidência, mentindo descaradamente como se os cidadãos fossem estúpidos…
A desonestidade da argumentação, leva-o mesmo a dizer, para ser comunicado ao público, que a oposição, ao votar contra, está contra as populações. Argumentação miserável de quem se serve dos impostos dos contribuintes para fazer demagogia de caça ao voto. Se tivesse de pagar do bolso dele não andava a brincar ao poder…
E cá por Pombal, quanto custaram as providências cautelares e qual a entidade que disponibilizou o dinheiro dos nossos impostos? Eu quero saber, eu pago impostos…

3 de maio de 2013

PS



Aqui jaz, em silêncio, quem foi grande, distinto e protagonizou a época de maior crescimento do concelho.
Que descanse em paz…

2 de maio de 2013

Ainda a RATA (IV)

Caro presidente da câmara e caros presidentes das juntas de freguesias;

Admitindo que estão mesmo preocupados com a extinção das nossas históricas freguesias e esgotada a via judicial, venho por este meio apresentar-vos os meus prestimosos serviços para desfazer a RATA.
Desde já vos garanto que a minha solução é simples, barata e de eficácia, praticamente, garantida.
Não sei porque esperam!

PS: Orçamento: 10% dos custos com as (inúteis) providências cautelares.


1 de maio de 2013

REJEITADA

A providência cautelar instaurada pelas freguesias agregadas ou pelo Município de Pombal foi liminarmente indeferida (rejeitada). Não conhecemos os fundamentos, mas supomos que sejam idênticos ou iguais aos que constam do Acórdão do S.T.A., relativo a outra providência doutra freguesia e que pode se consultado em http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/6802c068214a6dd780257b4f0031db83?OpenDocument
O presidente da Câmara e alguns autarcas decidiram instaurar providências cautelares, sem fundamento, só porque anunciaram publicamente tal intenção. Incumbiram o(s) grupo(s) de juristas pagos com avenças pela Câmara Municipal de Pombal, ou seja, pagos pelos contribuintes, ou melhor, pagos pelo estado para “pôr” o estado em Tribunal. Incoerentemente e irresponsavelmente, deduziram lide temerária, pois sabiam que não havia fundamento legal e já conheciam a jurisprudência do S.T.A. em casos iguais. Andaram a brincar ao poder e esbanjar o nosso dinheiro com manobras e diversão, o que certamente não fariam se tivessem de pagar do seu bolso as despesas processuais…
No período de preparação da lei da reforma autárquica, e apesar das várias “sessões de esclarecimento” sobre os objetivos, os autarcas nada fizeram: não estudaram soluções nem elaboraram propostas. No período fixado pela lei para apresentação de propostas, os autarcas, mais uma vez, nada fizeram pela reforma e optaram pelo boicote e pelo absentismo.
Com Narciso Mota a liderar, Rodrigues Marques a coadjuvar, Adelino Mendes a manipular e outros a reivindicarem uma fatia do protagonismo, formou-se um grupo do reviralho, com manifestações ao som da internacional socialista, contestação ao governo da república, propostas de cortes de estradas, de boicote de eleições, de providências cautelares, etc…
A irresponsabilidade e o absentismo dos autarcas, deixou-os fora da escolha das soluções que poderiam ter sido encontradas…
Agora vieram as providências cautelares. Veio também uma coisa estranha e miserável: o membro da Junta de Freguesia do Louriçal, única Junta socialista e que esteve a favor da agregação, apresentou na Assembleia Municipal uma proposta de revogação da Lei.
Brincam ao poder com o dinheiro dos contribuinte. Um bom título para uma reportagem do "Pombal Jornal"... 

30 de abril de 2013

Ainda a RATA (III)


Por cá, Rodrigues Marques, presidente da ex-Junta de Freguesia de Albergaria-dos-Doze, é um dos mais empenhados em endireitar a RATA na justiça e, desta forma, evitar a extinção da sua freguesia. Sem sucesso!
Albergaria dos Doze teve um passado grandioso, mas há muito tempo que só via passar os comboios. O seu futuro apresentava-se sombrio, mas Rodrigues Marques nunca imaginou, nem nos piores sonhos, que a paciente lhe morresse nos braços. Mas com tantos erros, o desenlace acaba por não surpreender muito.
Comprova-se mais uma vez: onde não há oposição as comunidades tendem para a extinção.  

Ainda a RATA (II)

A RATA nasceu torta em Lisboa e, em Pombal, cresceu torta. O povo diz que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Em Pombal, a RATA vingou torta com a conivência de muita gente: uns por tacticismo, outros por cobardia e quase todos por manifesta irresponsabilidade.

Os políticos (politiqueiros) locais abdicaram da responsabilidade de decidir, ignorando que não decidir é, em si, decidir. Agora, pateticamente, querem endireitar a RATA na justiça. 
Quem paga? O contribuinte…

Sai um bolo com 39 velas para a mesa do senhor Coelho, sff

De maneira que vai haver festa em Pombal. Esta malta não brinca em serviço, não senhor. Vão montar arraiais no Expocentro, sábado, ao almoço. Mesmo sem oposição (externa) o tempo não está para descuidos...

Sessão solene

25 de Abril de 2013, 11h da manhã, Salão Nobre do Edifício dos Paços do Município:

Maria Luís Brites (em representação do BE): “Viva o 25 de Abril!”
Adelino Leitão (em representação do PCP): “Viva o 25 de Abril!”
Adelino Mendes (em representação do PS): “Viva o 25 de Abril!”
Ofélia Moleiro (em representação do PSD): “Viva o Diogo Mateus!”

Não havia necessidade…

Houve quem tivesse estranhado a ausência do CDS. Eu não.


25 de abril de 2013

Cinco anos de Farpas

Obrigada a todos os que aqui vêm, os que não vêm mas ouvem o que outros lhe contam, os que têm a coragem de comentar, os que têm nome e rosto, os amigos e os inimigos. Amanhã temos encontro marcado, ao jantar. Saúde!




E depois de Abril? Viemos nós, os que nos habituámos a pouco valorizar a liberdade, porque nela crescemos. Os que fomos, aos poucos, cedendo tanto, sem, às vezes, disso nos apercebermos. Os que aceitámos a premeditada censura, ou a auto-censura, como se fosse uma necessária moderação feita à medida e fomos abdicando de falar, de escrever, de pensar, de estar. Mas é tempo de assumir outra atitude. É tempo de afirmar a liberdade, a diferença, a cidadania. É tempo de reflectir, de criticar e de denunciar “progresso da decadência”.
Passados 30 anos, o nosso mundo divide-se – outra vez – por uma cortina de liberdade: entre os que têm a coragem de afirmar a liberdade e os outros, que se escondem atrás do ecrã, no anonimato, à espera da benesse.
Nesta esquina colectiva em que nos juntámos, só há lugar para os primeiros.
Viva a liberdade!

24 de abril de 2013

Fraco orgulho

Os politiqueiros da praça ficaram radiantes com os resultados da PMUGEST: Diogo Mateus  disse que “melhor era impossível” e Adelino Mendes foi ainda mais longe e disse que a Câmara “deve estar satisfeita pelo resultado alcançado”, e que “o modelo de Pombal devia ser duplicado em outros municípios do País”. Compreende-se: Diogo Mateus e Adelino Mendes foram formatados na mesma máquina, mas custa a engolir tamanha desfaçatez.
Os resultados da PMUGEST dão o que se quer que dêem, ponto final parágrafo.
Afirmar o contrário revela ignorância ou vontade de fazer dos outros ignorantes.

23 de abril de 2013

Cinco anos de Farpas e um jantar-debate



O Farpas faz cinco anos no próximo 25 de Abril. Não encontrámos melhor forma de comemorar que esta: à mesa, entre um copo e uma conversa, num jantar marcado para sexta-feira, dia 26, às 20h30, no restaurante S. Sebastião (Travasso, Pombal). Uma noite da má-língua que reúna a comunidade farpeira: os da casa, os comentadores, os assumidos e os outros, os amigos e os inimigos. Basta que se inscrevam até ao final do dia de quarta-feira, por aqui ou pelo e-mail farpaspombalinas@gmail.com
A conversa andará à volta do tema "Liberdade de Expressão - opinar é preciso!", tão caro quanto actual. O jantar custa 12 euros por pessoa.

22 de abril de 2013

Ainda a RATA


Sendo certo que Miguel Relvas foi o arquitecto político de uma RATA sem nexo, não é menos verdade que a Lei foi votada e aprovada na Assembleia da República. Votada e aprovada, sem ressalvas, entre outros, por Pedro Pimpão, deputado que também é Presidente da Concelhia do PSD/Pombal e que entendia que a reforma é um sinal de modernidade. Não quero criticar as opções políticas de Pedro Pimpão, sendo legítimas, tanto que convergimos na necessidade de reforma, mas não na forma da mesma. 

Mas não posso deixar de constatar o aviso que Narciso Mota deixa, a propósito da RATA: “o povo tem muita força e vai dar o cartão vermelho a quem o deve dar”. Se Miguel Relvas e Paulo Júlio não irão a votos em Pombal (ou noutro sítio), se a Assembleia Municipal e as Assembleias de Freguesia locais rejeitaram a RATA, a quem é que Narciso Mota quer ver dado um cartão vermelho?

17 de abril de 2013

Sessão de esclarecimento


Na sequência do post “ETAP mais uma vez”,  a direcção da Escola Tecnológica Artística e Profissional de  Pombal convocou o seu autor para uma reunião, no sentido de esclarecer as questões colocadas no post. O José Gomes Fernandes fez questão de se fazer acompanhar pelos d'a Casa, o que foi aceite pela Direcção da ETAP. A reunião aconteceu ontem, ao final da tarde.
O Farpas foi recebido ao mais alto nível: pela Direcção e pelos accionistas da Escola. Depois de uma visita guiada pelas instalações, a reunião decorreu, durante cerca de 3 horas, em clima colaborativo. A direcção e os accionistas da Escola responderam a todas questões colocadas pelos Farpeiros.
Desta forma, desfizeram-se dúvidas e ficámos a conhecer melhor a realidade da escola.  Saúda-se esta nova postura de transparência.

15 de abril de 2013

Isto seria cómico, se não fosse trágico

Deixemos de lado o facto de não existir uma programação regular - pensada, organizada, como noutras cidades à volta - no Teatro-Cine de Pombal. Relevemos que a sala principal seja assim uma espécie de "barriga de aluguer" (como tão bem lhe ouvi chamar, certa vez, a uma figura da terra); esqueçamos os milhares que nos saíram a todos do bolso nos anos dourados do Café-Concerto, quando lá em cima se acotovelava gente para ver de perto grandes nomes da música, enquanto cá em baixo as moscas dançavam no grande auditório. E olhemos então para o presente, enquanto ainda se pode sonhar com futuro: de facto, sou eu que tenho tido muito azar, certamente, pois que "falhei" aquele espectáculo de Fernando Mendes que pelos vistos esgotou a sala. Lamentei que em pleno dia do município a cantora Cristina Branco cantasse para uma sala nem sequer composta, num espectáculo gratuito, em que apenas era preciso reservar o bilhete. Da mesma maneira que me espantei quando, no sábado de Páscoa (em que a cidade recebe tantos dos seus que se foram daqui para fora), o espectáculo do grupo Fado com Alma decorreu de forma brilhante, para um público constituído por 30 pessoas. E cinco funcionários municipais.
E ontem foi a vez de Lula Pena. Mais um espectáculo gratuito - para assinalar a abertura do Festival de Teatro - supostamente pago pelo município, com o apoio da Cultrede - para uma sala que não encheu.
De facto, numa autarquia em que se acabou com o pelouro da Cultura, com o gabinete de Comunicação e qualquer estratégia de divulgação, só por milagre virtual ainda se espalha a notícia. O Teatro Amador de Pombal merecia mais, o público - que somos todos nós - também. Ou não.

nota de rodapé: para a próxima, digam ao senhor presidente que é muito feio chegar atrasado e ainda por cima bater a porta. E alguém se encarregue de assegurar que o coro faça o favor de ensaiar noutra hora, quando houver espectáculos.

13 de abril de 2013

Calhaus

O Cardal em Pombal. Concelho com História ou com vontade de terraplanar?

E isto numa terra com historial pré-histórico, romano, ligada a um figura emblemática da fundação portuguesa e a uma das mais míticas ordens da História, a uma figura fundadora do nosso Estado Moderno (para o melhor e para o pior) e a 3 primeiros-ministros do nosso país. É que já era mau começar obras sem ouvir (não digo condicionar, mas apenas ouvir) alguns dos mais afectados, mas pior é saber que se intervém numa zona onde há vestígios arqueológicos e nada, mais uma vez, pelo menos aparentemente, acontecer que mereça relevo. Pedras, dir-me-ão. Não. Calhaus, é o que é. 



9 de abril de 2013

Festival de Teatro de Pombal 2013


É já na sexta-feira, dia 12, pelas 22h, que tem início mais uma edição do Festival de Teatro de Pombal. E não podia começar melhor: um espectáculo da fabulosa Lula Pena! Uma voz única, uma rara sensibilidade musical, um bom gosto irrepreensível. Se estes não forem motivos suficientes para Pombal encher o Teatro-Cine, lembro que o espectáculo é à borla! 

8 de abril de 2013

ETAP mais uma vez


Qual é o valor do passivo da Etap? €3.300.000,00 como dizem que consta do relatório de contas de 2010 e como dizem ter sido publicado num jornal? Quem controla as contas da ETAP?
Quanto dinheiro é que a Câmara Municipal enfia na ETAP através da Adilpom?
Quem controla os gastos e as contas da ETAP? Quem se importa? Quem vai pagar?
O que irá fazer o próximo executivo camarário? Que medidas irá tomar e que esclarecimentos irá prestar aos contribuintes?
Proponho que o “Pombal Jornal” investigue este caso e o trate segundo as várias perspetivas, sempre com contraditório…

1 de abril de 2013

Adivinha quem voltou?

Foi um domingo de Páscoa em cheio. Pelo menos até a GNR decidir cortar o trânsito e impedir os mirones de apreciarem aquele espectáculo único. Quer dizer, o primeiro destes desde a inauguração do Parque Verde do Açude, há coisa de um ano.

Dizem os entendidos (aprendizes de iluminados e pseudo-intelectuais) que não podemos impedir a força da natureza, mas devemos prevenir para não remediar. E há (havia) cuidados a ter em conta. Ou então não. Ou então isto chama-se planeamento e visão estratégica, pois que o passeio ribeirinho se transformou em passeio marítimo. Venham as docas, antes das eleições, vá. Perante os atrasos evidentes nas obras do Cardal, talvez seja uma boa alternativa para o dossier inaugurações do Bodo.

28 de março de 2013

Nós e os outros



Ontem comemorou-se o dia mundial do teatro. Comemorou? Bem, em Pombal, pelos vistos, não. Já o mesmo não se pode dizer dos nossos vizinhos da Figueira da Foz, que assinalaram a efeméride com o início das suas XXXVI Jornadas de Teatro Amador.

Curioso é notar que foi precisamente o nosso TAP quem inaugurou o evento. E com honras de actuação no Grande Auditório do CAE! De facto, a Figueira não é Pombal. É verdade. A cidade tem uma forte tradição teatral e, pasme-se, até tem um vereador para a cultura. Diz quem ontem se deslocou à Figueira que nem sequer foi preciso esperar pelo séquito autárquico para dar início ao espectáculo. 

Ah, já me esquecia: na Figueira também souberam reconhecer o valor do grande escritor que é o Paulo Moreiras.

Estátua a Kim Jong-Mota


As obras de remodelação do Largo do Cardal estiveram suspensas. Poderia pensar-se que a causa seria a necessidade de avaliar e cuidar dos achados arqueológicos e do terreno. Depois não se verificou a presença dos técnicos do Município que têm conhecimentos sobre arqueologia e verificou-se que os terrenos de terra fértil (preta) passaram a ser misturados com brita.
Então pensei que a suspensão seria motivada pela necessidade de se alterar o projeto elaborado pelo arquiteto do regime a fim de se construir uma estátua de Kim Jong-Mota do tamanho do Colosso de Rodes. Sim, uma estátua colossal, cujos ombros sirvam de poiso a uma passarinha que esvoaça entre o Largo do Cardal e a ETAP e a outros passarinhos que esvoaçam no local. Uma estátua com dignidade, cujos olhos sejam lanternas para iluminarem a entrada dos paços do concelho e estejam vigilantes a indicarem o rumo ao delfim novo timoneiro.
Pouco importa se o caderno de encargos do concurso do projeto de remodelação da cidade elaborado pela empresa do regime previa, como um dos critérios de valoração das propostas, a afetação de um licenciado em determinada área. Sim, pouco importa que, em resultado do estabelecimento daquele critério, uma determinada empresa tenha ganho o concurso e que a EU tenha colocado a possibilidade de aplicar uma multa de €500.000,00 por violação das regras da concorrência. Pouco importa que o querido líder diga que o município tem dinheiro no banco por boa gestão e “atire” com os papéis para cima do seu “crítico” em jeito de vitória e omita que o saldo é a consequência do aumento da comparticipação dos fundos comunitários. Pouco importa a verdade.
O que importa a este povo é a estátua colossal do “querido líder”. Ele merece e o povo apoia e todos vão ficar muito felizes…

21 de março de 2013

Quem vê TV, sofre mais que no WC*

O Rotary Clube de Pombal tem feito um ano interessante em matéria de cidadania e serviço público.  Esta semana  volta a dar a sua contribuição para o debate de temas tão actuais como é o da televisão pública - por estes dias pontuado por mais um acto de pedagogia à la Relvas, como é o caso do despedimento de Nuno Santos: é preciso criar o terror.
Por isso, sexta à noite, um dia antes do comediante Fernando Mendes divertir uma sala esgotada no Teatro-Cine, o pequeno auditório recebe Luís Marques, o administrador da SIC que é natural de Abiul. É ocasião para sabermos tudo sobre pecados públicos...e privados da rádio e da TV.

*canção dos Taxi. Nos idos de 80'

19 de março de 2013

Pisar o risco

Entre a Igreja do Cardal e o estaleiro da obra de remodelação foi pintada, no solo, uma linha longitudinal contínua de cor amarela (provisória) a separar os dois sentidos de trânsito. Porém, alguns “titulares” dos pelouros municipais e alguns funcionários camarários quando conduziam as suas viaturas automóveis no sentido Largo do Cardal / Largo 25 de Abril e pretendiam mudar de direção à esquerda, para o parque das traseiras dos Paços do Concelho, paravam na rua, congestionando o trânsito e “pisando o risco”.
O executivo camarário deu ordens para pintar apenas alguns poucos metros segmento de linha contínua e uma outra linha descontínua paralela para permitir a mudança de direção para a esquerda…
Voltou tudo a ficar semelhante ao tempo anterior ao início da obra, antes do estrangulamento da rua. Também já há alguns anos, foi pintada uma linha descontínua para o mesmo efeito.
Todos são iguais, mas o edil e alguns vereadores e alguns funcionários camarários são mais iguais do que os outros: não podem maçar-se a contornar a “rotunda” do Largo 25 de Abril. Pisar o risco é só para alguns...

15 de março de 2013

Aconteceu...


Sexta-feira o meu irmão foi buscar a minha mãe ao Centro do Dia e levou-a a visitar a sua antiga residência. Sábado de manhã, depois de ter passado mais uma noite na minha casa, veio buscá-la para almoçarem na casa dela e passarem lá a tarde. O meu irmão detetou-lhe alguma prostração e arrastamento de voz, mas almoçou pela própria mão.
Porque a minha mãe tinha uma saúde frágil devido à idade (próxima dos 80 anos) e às sequelas de uma hemorragia cerebral ocorrida em 1990 inspirava alguma preocupação. Ao meio da tarde de Sábado o meu irmão decidiu levá-la à urgência do HDP.
Na triagem, após uma primeira observação, constataram que a minha mãe apresentava um ritmo cardíaco muito baixo (45 bpm). Censuraram o comportamento dos familiares por a transportarem de carro e cadeira de rodas, em vez de a levarem numa ambulância. A minha mãe ficou nas urgências para observação.
No domingo de manhã, o meu irmão ligou-me e pediu-me para me preparar para a receber. Tinham-lhe dado alta, apesar de, na opinião dele, estar muito pior do que quando entrou. Disse-lhe para aguardar até eu chegar ao hospital.
Na urgência pedi para ver a minha mãe e falar com o médico que a estava a seguir. Vi a minha mãe inconsciente - não me reconheceu - e sem fala. Inquiri o médico sobre o estado dela e sobre a alta médica. Disse-me que ela tinha vários problemas que eu já deveria conhecer (AVC, Alzheimer, …) mas que, para além disso, não tinha nada de preocupante. Tinha unicamente uma pequena infeção pulmonar e uma pequena infeção urinária que passava com um antibiótico que lhe tinha prescrito e que dava para os dois pequenos problemas, logo, tinha-lhe dado alta. Disse-lhe que não compreendia a alta porque a minha mãe estava muito pior do que quando entrou, e, em menos de 24 horas, o estado tinha-se agravado fortemente. Reagiu com alguma agressividade e reafirmou que ela tinha alta porque não tinha nada de grave, estava um bocado desorientada mas isso não me deveria surpreender porque, como eu deveria saber, ela tinha Alzheimer. Nisto, entra no gabinete um enfermeiro, intromete-se na conversa, corroborando a tese do médico e defendendo que o melhor para a minha mãe era a alta. Discordei da tese que atribuía a inconsciência da minha mãe a Alzheimer, porque, ainda há pouco tempo, a minha mãe tinha realizado um TAC para diagnosticar demência que não tinha revelado degeneração significativa. Perante a intransigência do médico e do enfermeiro relativamente à alta médica, pedi-lhes que, pelo menos, e porque era Domingo, me concedessem algum tempo (umas horas/um dia) para encontrar uma solução para a minha mãe. Reagiram com inflexibilidade: - a sua mãe tem alta e tem que sair, não vê que temos isto tudo cheio? (Sim, a urgência estava a abarrotar). O enfermeiro, para além da inflexibilidade e agressividade, recorreu à chantagem mais ignóbil. Disse-me e reafirmou que a minha mãe a partir daquele momento não receberia qualquer medicação porque tinha tido alta e perguntou-me se eu estava preparado para assumir a responsabilidade disso. Chocou-me! Disse-lhe que nunca imaginaria ouvir aquilo de um profissional do SNS e preferia não lhe responder. Tenho, infelizmente, recorrido muito ao SNS, nomeadamente com a minha mãe. Os meus amigos sabem bem que tenho/tinha uma excelente imagem do SNS. Este caso abalou-a.
Perante a inflexibilidade daqueles profissionais pedi, na receção, para falar com o Diretor Clinico do Hospital (disseram-me que não estava) ou com alguém que mandasse no hospital. Passados alguns minutos colocaram-me em contato com uma jovem médica que, por acaso, seguia a minha mãe nas consultas externas. Pediu-me desculpa pelo sucedido e disse-me para ir almoçar com calma e voltasse mais tarde, que ela, entretanto, iria reavaliar a situação.
Voltei ao fim da tarde. A jovem médica recebeu-me e disse-me que já tinha reavaliado a situação e que a minha mãe estava com problemas cardiorrespiratórios e uma infeção urinária. Para além disso iria pedir um TAC para perceber se tinha feito AVC.
No Domingo há noite a minha mãe seguiu para Leiria para fazer TAC e regressou segunda-feira ao início da manhã.
Segunda-feira, ao início da tarde, falei com a médica na urgência. Disse-me que o TAC não revelou novas lesões cerebrais mas a minha mãe tinha uma grave infeção pulmonar pelo que iria ficar no SO.
Na terça, quarta e quinta-feira fui vendo a minha mãe, sempre inconsciente, na luta contra a morte. Os diferentes médicos descreveram-me sempre um quadro clínico grave, de prognóstico reservado, com falha de vários órgãos (pulmões, rins, coração).
Ontem, quinta-feira ao fim do dia, uma senhora do hospital ligou-me e, depois de uma breve introdução, disse-me: a senhora Joaquina morreu.
Não sei se ouve erros significativos de avaliação e decisão. Não culpo ninguém pela morte da minha mãe. Sei sim, que não se comunica desta forma com os doentes e os seus familiares.

PS1: Nunca imaginei escrever este post. Não gosto da temática, do estilo e muito menos do conteúdo. Mas ontem à noite encontrei, por acaso, o tal enfermeiro na urgência. Perguntei-lhe se se recordava do episódio de domingo comigo. Disse-me que sim. Perguntei-lhe então se já tinha feito uma análise crítica ao sucedido. Disse-me que sim, falou, falou, justificou-se, justificou-se, …, com a baixa médica. No final perguntei-lhe se achava que em algum momento tinha errado. Disse-me, na presença do segurança, que não. Cumprimentei-o e vi-me embora ainda mais desalentado. Escrevo isto para mostrar como está a funcionar a urgência do nosso hospital.
PS2: Agradeço, em nome da minha mãe, ao Dr. João (o das barbas) o seguimento que fez da minha mãe nos últimos anos. Talvez não lhe tenha prolongado a vida, mas melhorou-lhe a qualidade de vida. Obrigado.
PS3: A vida nos últimos tempos não me tem corrido nada bem. Agora passei a ser o último da fila. É altura de repensar tudo. E suspender, por uns tempos, a participação ativa neste espaço.

14 de março de 2013

Operação limpeza

A Câmara Municipal vai contratar a empresa igualmente municipal PMU Gest para limpar um conjunto alargado de edifícios públicos. A coisa vai custar-nos qualquer coisa como 285 mil euros. Mas o presidente garante que a adjudicação é um bom negócio, pois que “se não existisse a PMUGEST teríamos de contratar pessoal no quadro da Câmara para o efeito”. Se ele garante, está garantido. 
Ainda bem que existem esses laços familiares municipais que nos ajudam a mobilizar a economia em tempos de crise, poupando uns cobres. Ainda bem que a transparência é amiga da eficácia, salvaguardando que não nos acontece a pouca-vergonha que se vê noutras câmaras, noutras empresas municipais, em que as segundas servem quase só exclusivamente para contratar quem as primeiras não podem, por imperativo legal. Ainda bem que isto é Pombal.

12 de março de 2013

Da série vergonha na cara.


"Cavaco homenageia o homem a quem há 20 anos recusou pensão". Alertam-me para esta notícia. Imediatamente vem-me à cabeça uma palavra: nojo. Toda a podridão e hipocrisia de um dos pais do regime e do próprio regime que levou esta III República à exaustão está patente nesta atitude. Este PR foi aquele que disse, além de outras alarvidades, que era preciso nascer muitas vezes para ser tão honesto quanto ele. Não é. A prova provada é que ao Homem a homenagear lhe bastou nascer uma vez para ser muito mais num dedo do pé do que o PR algum dia será em sucessivas reencarnações. E sim, isto é uma provocação. Não a qualquer património de esquerda ou de direita, já que Salgueiro Maia, o último grande português, mostrou bem o que é dedicação, espírito de sacrifício   e servir e não abusar do lugar que se ocupa. É uma provocação a todos os que não desistem de criar um futuro diferente neste país. Um que nos afaste dos becos sem saída para onde temos sido encaminhados.

11 de março de 2013

justin bieber e a crise


Dizem que há crise! Pois dizem, mas um cantor chamado Justin Bieber, com cara efeminada, vem a Portugal e as adolescentes saloias já acampam à entrada do pavilhão, onde vão permanecer durante duas semanas a esperar e a fazer juramentos de amor ao seu “grande” ídolo.
Não estamos em tempo de abundância nem de férias escolares, mas os papás saloios suportam os custos e toleram as faltas das filhas saloias às aulas, para elas melhor poderem "aprender" a "cultura" da moda, do esbanjamento e da ociosidade. Toleram e pagam, porque também eles passaram a adolescência e a juventude atrás de quimeras e a adorar “vacas sagradas” e outros ídolos.
Temos de facto uma crise bem profunda…

8 de março de 2013

E é outra vez Dia Internacional da Mulher


Não sei bem qual delas admiro mais: se a minha avó Maria, que pariu 13 filhos sozinha e ainda ajudou a nascer meia Moita do Boi; se a minha avó Leontina, que pariu apenas 10, oito dos quais ao lado da minha mãe, numa esteira, no chão. Que percorria os 20 km que separam Antões de Pombal com um cesto de laranjas à cabeça, para vender nos tempos de fome; se a avó do meu homem (que também foi muito minha, nos anos em que convivemos), que ficou viúva aos 32 anos, com cinco filhos e sem qualquer ajuda; ou a minha mãe, uma muralha à prova de tudo.
Na minha família as mulheres têm tão mau feitio que nunca nenhum homem ousou desafiar-lhes limites, nem pisar o risco. Se o fizesse, tenho a certeza de que acabava partido aos bocados. Sempre ganharam o seu próprio dinheiro, sempre trabalharam muito, em casa e no campo, nas casas dos outros, nas fábricas, nos escritórios, nas escolas, onde houver trabalho e onde for preciso. Nunca os homens ousaram mandá-las calar, porque qualquer um que se aproximou delas percebeu ao que ia.
A minha mãe sabe que eu não concordo nada com a forma como a maioria decidiu assinalar o Dia Internacional da Mulher* e não se rala nada com isso. Logo à noite lá vai ela para um desses jantares, que  dinamizam a economia neste concelho a cada 8 de Março. 
Depois há muitas que eu admiro, à minha volta, e que nunca são evocadas nos poemas nem nas músicas. Luísas de muitas calçadas que nunca desistem. Seria nessas que pensava madre Teresa de Calcutá quando escreveu estas linhas:
Tenhas sempre presente que a pele se enruga, o cabelo branqueia, os dias convertem-se em anos …
Mas o que é importante não muda; a tua força e convicção não têm idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sente saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas…
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não consigas correr através dos anos, trota.
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!
 *em quase cinco anos de Farpas, julgo que é a primeira vez  que me refiro ao Dia. Sei que muitas mulheres aqui vêm, embora muito poucas se mostrem.  Entrem, sem medo. Esta casa também é vossa.

6 de março de 2013

AM repudia RM


Leio, mas não acredito.
Na AM (de Pombal) cada um diz o que quer e quem mais pode mais diz. Rodrigues Marques faz parte dos que dizem tudo o que querem e, às vezes, o que não querem. Neste caso disse, só, o que queria. E o que queria ele? Que o PS barafustasse e criasse o ambiente para que o Diogo Mateus dissesse o que disse.
O PS foi no engodo. O presidente da AM não percebeu, disse e desdisse-se.
Tático, o sacana*! Começou a campanha, e os golpes.

*Sem conotação agressiva, antes pelo contrário.