29 de julho de 2020

O mistério do destacável do PSD do Oeste no Pombal Jornal

Na semana passada o Pombal Jornal apareceu mais leve que o normal. Estranho, porque era a edição "do Bodo"...

Ao folhear repara-se que faltavam páginas na edição… mais exactamente 8 páginas… O que explica esse mistério sem qualquer justificação até ao momento?

O PSD do Oeste fez algo incrível, em total coordenação com a máquina da cidade de Pombal:

  • Na pessoa do líder formal, Rui Acácio, várias personalidades da Guia, Ilha e Mata Mourisca foram contactadas para serem entrevistadas, para que pudessem dar o seu contributo para definição de prioridades para a União de Freguesias;
  • A entrevista terá sido dada a jornalistas do Pombal Jornal,  mas não foi comunicado que o seu contributo seria dentro de um destacável partidário;
  • O destacável foi pago com publicidade das empresas do Oeste que foram entrevistadas.
O caricato:

  • Após a impressão e reparando na ilegalidade que acabara de cometer, o Pombal Jornal manda retirar o destacável e os seus proprietários vão de quiosque em quiosque retirar manualmente, em cada jornal, aquelas páginas manchadas de falta de rigor, transparência e isenção - o que se espera dos jornais.
  • Infelizmente várias cópias sobrevivem e começam a circular imagens nas redes sociais;
Isto é a máquina no seu pior: a tentativa de utilizar ilegalmente um jornal local (que se presta a este papel) para campanha eleitoral na forma de entrevistas; tentativa de financiamento ilícito partidário visto ser claramente publicidade paga pelas empresas; tentativa de "colar" personalidades ao partido no Oeste...

Um jornal que se vende desta maneira está nos antípodas da independência mesmo com a tentativa de corrigir à ultima da hora.

Deixemos os (e)leitores analisarem bem este modus operandi...O tiro pode ter acertado... nos próprios pés...


28 de julho de 2020

A política do facto consumado

Afinal, a ponte sobre a linha férrea não caiu; foi simplesmente adiada para a segunda fase, ficando as fundações já feitas (na primeira fase). Isto tem um nome: política do facto consumado. 

D. Diogo só conhece – só pratica - duas formas de acção política: a política da força ou a política do facto consumado (versão light da primeira). Nesta deriva, estará, porventura, à frente de Salazar, que num dos seus discursos alertava para “o desvirtuamento da política realista - a política do facto consumado, a política da força”. Mas o que mais choca, já nem é a política da força ou do facto consumado, é o vazio de argumentos pelas opções tomadas. 

No debate sobre a alteração da empreitada do Interface Modal, D. Diogo não apresentou um único argumento minimamente plausível, não deu uma única justificação, nem uma única explicação sobre os propósitos e os objectivos do projecto. Porquê? Porque simplesmente não os tem. 

Pergunta-se, então: pode este tipo – e os figurantes que o acompanham – esturrar 4.000.000 € (o maior investimento público alguma vez realizado na cidade) numa obra de fachada, que não serve a cidade e, pior, descaracteriza-a?

Razão tinha o dirigente do PSD local quando me disse que Diogo Mateus, depois do elefante branco CIMU-SICÓ, deveria ser proibido de mexer na cidade.

27 de julho de 2020

Farmácia Barros abandona Centro Histórico

A vereadora Ana Cabral levou à reunião do executivo uma proposta sobre a mudança da Farmácia Barros, do Centro Histórico para a avenida Heróis do Ultramar (junto à Rotunda do Bombeiro). Defende-a. Aprovou-a. E rejeitou-a, quando viu que os seus colegas a tinham reprovado!

Que o Centro Histórico está morto, pode-se dizê-lo com aquela verdade que não precisa de flores a compô-la. A saída da Farmácia Barros é mortalha que envolve o cadáver, a que só falta o encerramento da histórica Loja de Ferragens para se encerrar definitivamente o caixão.

Mas há outro caixão que precisa de encerro: o do poder que nos desgoverna, e nos envergonha. 

Bem pode a vereadora Ana Cabral trazer e ler discursos escritos sobre a sua indignação com a linguagem nas reuniões do executivo. Abaixo, muito abaixo, da linguagem excessiva estão os actos que quem nos (des)governa pratica a pensar unicamente na sua sobrevivência política.


25 de julho de 2020

Rua, Rua, Rua…

Depois da queixa-crime apresentada, e das anunciadas, e do demolidor ataque que o vereador Pedro Brilhante lhe fez, ontem, na reunião do executivo, Diogo Mateus é um cadáver político - perdeu definitivamente a legitimidade política. Mas infelizmente já nem são as potenciais ilegalidades e crimes que possa ter cometido que mais o fragilizam, é a sua baixeza ética e moral.

Percebe-se como é que Diogo Mateus monopolizou vergonhosamente o poder e o cargo para seu próprio uso. Mas custa a perceber - mesmo a quem o compreende - como é que uma pessoa supostamente bem preparada caiu nisto.

Mas o estado a que as coisas chegaram já não o atinge só a si. Os vereadores em exercício também não têm condições para se manter no cargo, porque não podem alegar que desconhecimento das ilegalidades. Demitam-se, se querem continuar a ser respeitados.


PS: Diogo Mateus não respondeu nem contrapôs; limitou-se a anunciar uma queixa-crime contra Pedro Brilhante.

24 de julho de 2020

Em dias de Bodo, o PSD experimenta novo milagre



As notícias locais dizem que o PSD acaba de retirar a confiança política ao vereador Pedro Brilhante. A corajosa decisão de João Pedro Pimpão tornou-se pública esta manhã, imediatamente depois de Brilhante ter denunciado, na reunião de Câmara, os gastos astromónicos feitos pelo presidente da Câmara em deslocações, portagens e multas, usando o cargo público em proveito privado. 
Isto quer dizer que o PSD está pouco interessado em apurar a verdade da mensagem, e por via das dúvidas mata-se já o mensageiro. É certo que os tribunais já estarão a fazer isso, mas há dois níveis de responsabilidade aqui, e uma delas é política.
Quer isto dizer, também, que o PSD está-se nas tintas para o facto de, alegadamente, um presidente que é estandarte do partido abusar do cargo em benefício próprio, naquilo que a justiça chama de peculato. Prefere imolar um elo mais fraco, à espera de um novo milagre do bodo: que o povo acredite nas boas intenções de um partido que sonha ser único, fazendo tábua rasa do ditado popular -  tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica de fora. 

23 de julho de 2020

Autarca perde mandato

O presidente da câmara de Castelo Branco, Luís Correia, perdeu o mandato e tem que abandonar o cargo até dia 30 de Julho, depois do Tribunal Constitucional ter julgado improcedente o recurso apresentado na sequência da condenação decretada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco, em Maio de 2019, confirmada pelo Supremo Tribunal Administrativo, por ter adjudicado três contratos, entre 2014 e 2016, no valor de cerca de 180.000 €, com uma empresa detida pelo seu pai. A justiça foi célere e implacável. 

Se o for, também, com os casos recentemente iniciados far-se-á justiça a tempo. E bem precisamos dela. 

O poder local não é – nunca foi - a escola de virtudes que os seus apaniguados apregoam - a melhor conquista do 25 de Abril 74. É um poder pouco democrático (pouco plural, pouco fiscalizado e pouco transparente), de matriz autocrática, que favorece a perenização dos dirigentes locais, através de redes de interesses e relações clientelares que impõem um certo “patrocinato político” e gera desigualdades ilegítimas e comportamentos ilícitos. 

É, por natureza, o poder do abuso de funções, que exclui, reprime, recalca, censura, mascara, esconde, e da grande e da pequena corrupção, que favorece a aceitação de vantagens patrimoniais ou não patrimoniais, da comissão, da viatura de serviço, de ajudas de custo indevidas, do suplemento do ordenado e da pensão, de almoços e jantares,…, e que estimula todo o tipo de vícios morais, de perversões e de avidezes, pelo poder, pelo dinheiro, e pela luxúria.

21 de julho de 2020

Boda-se!


"Se o Bodo fosse uma água com gás, este ano seria uma água com gás mas no dia seguinte... tem menos gás do que normalmente... (risos)...". Das duas uma: ou o homem não conhece as festas ou anda a ser enganado na água que bebe. Ouve-se cada uma em dias de Bodo...

20 de julho de 2020

A cultura de 'picar o ponto'



Ao longo do dia de hoje a RTP está dedicada ao distrito de Leiria, a propósito do concurso "7 maravilhas da cultura popular". E mais uma vez Pombal fica de fora. Porquê? Porque se ficou, de novo, por "picar o ponto": levou a concurso a lenda de Al Pal-Omar (que à partida não teria qualquer hipótese, está bem de ver) e a arte do bracejo da Ilha, além do capacho, ícone maior desse artesanato. Alguém nos explique, por obséquio, por que razão não candidatámos a lenda do Bodo?
Mas o empenho do município foi tanto que nenhuma das candidaturas foi contemplada. Custa a crer que não tenham sido envolvidos nessa candidatura os rapazes e raparigas da ARCUPS, aqueles que melhor sabem promover o bracejo e as capacheiras. 
Assim, ficamos a assistir pela tv à promoção dos outros municípios: Porto de Mós (muros de pedra seca), Batalha (procissão dos caracóis no Reguengo do Fétal)), Peniche (Renda de Bilros e procissão nocturna de Nossa Senhora da Boa Viagem), Marinha Grande (artesanato em vidro e arte xávega da praia da Vieira) e Leiria (enterro do Bacalhau no Soutocico ).
Temos esta tendência natural para servir de capacho. E para nos empenharmos pouco. Depois venham dizer-nos que Pombal é cultura, que é isto e aquilo. É uma maravilha, sim, mas é para meia dúzia que lhe usa o nome no currículo e se está nas tintas para o concelho e para o povo. 

Abram alas para...o Auditor de Defesa Nacional



Finalmente o mistério está desvendado: o curso de auditor de defesa nacional que nós munícipes pagámos a Diogo Mateus, afinal tinha razão de ser. É que o Município aderiu ao Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz (o que quer que isto seja), cujo protocolo será assinado amanhã (https://www.cm-pombal.pt/2020/07/16/municipio-adere-ao-referencial-de-educacao-para-a-seguranca-a-defesa-e-a-paz/?fbclid=IwAR0-kIHuUOCIM73urEL3GLNt0RGrRlaLABMvsaBb1IYxIB-caDiuot8riqQ).

Diogo Mateus é sem duvida um visionário, ele sabia que era de crucial importância formar-se nessa área , pois que eis  senão quando, iria ser necessário para prossecução das suas funções de Presidente da Câmara.  

Agora é que vai.

17 de julho de 2020

Centro Escolar de Vila Cã – Obra torta e desnecessária

Depois de muitos avanços e recuos, a câmara e a junta de freguesia resolveram avançar para a construção do Centro Escolar de Vila Cã, no qual se propõem gastar 1.370.000 € (… vai ficar mais caro, ou mais pequeno!). Não por que seja necessário – há um, em Abiúl, meio vazio, a 2 km de distância -, mas pela vã glória de fazer obra, de gastar dinheiro, de mostrar benfeitoria.

Tudo isto já era mau, muito mau; mas desta gente, movida pela vontade, onde abunda propensão para a acção e escasseia tino e prudência, pode-se esperar sempre o pior.

A junta e a câmara compraram um terreno que supostamente teria 6540 m2, mas, na verdade, só tem 2920. Resultado: o terreno não tem área suficiente para implantar o edifício.

Isto já não é só má gestão da coisa pública; é muito pior…!

PS: acresce ainda a desajustada localização. No entanto, existem duas escolas naquela zona, uma a 20 metros e outra a 300!

Pelo fim das conversas de motel

Quando a deixam falar, a Célia Cavalheiro (BE) leva à Assembleia Municipal o seu registo descontraído - que os membros de outros partidos acham exótico - que é cada vez mais preciso no cinzentismo da vida pública. E isso tem incomodado sobretudo a presidente da Assembleia, que a (des)trata sistematicamente, mas também o presidente da Câmara, que aproveita cada intervenção dela para para derreter, amiúde, o partido que ela ali representa. Em vez de lhe responder às questões que a Célia coloca - como ainda agora aconteceu na última reunião. 
Como a Célia se está nas tintas para os punhos de renda e para o faz-de-conta, na última reunião da AM disse isto:

16 de julho de 2020

44º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é organizado nem pela Câmara nem pela Junta; é uma oportunidade para ver o Teatro Só num espectáculo sobre o tema (muito actual) da violência doméstica; a discussão sobre a importância do teatro no espaço público faz todo o sentido nos tempos que correm. É crucial que os artistas reivindiquem o "direito à cidade" e que, ao mesmo tempo, aceitem o desafio de a ocupar em todas as suas dimensões: física, social, cultural e política. Parabéns ao TAP!

O que mais retrai um investidor é a Incerteza - Ainda a Lusiaves


Mais do que impostos, mais do que compensações que terão de dar à comunidade, o que verdadeiramente assusta um investidor é a incerteza que as regras podem mudar a qualquer momento.

E se efectivamente a incerteza é muita, a decisão de pegar na trouxa e ir para outro lugar será mais certa. Ao contrário dos políticos, os investidores não vão ao sabor dos (bons?) ventos. Querem ter a certeza que podem investir e que as regras não mudam a meio.

Ora vejamos:
  1. A expansão da Zona Industrial da Guia (ZIG) já estava prevista para esta zona e a Câmara Municipal agiu em conformidade e de acordo com o previsto. Já aqui referi que a Câmara esteve bem ao criar as condições para a instalação deste investimento.
  2. O espaço adjudicado em hasta pública é específico para actividades económicas e, portanto, previsto para Indústria e está assim definido há anos.

Onde estão as incertezas:

  • O PSD da Concelhia está completamente dividido neste ponto. Os do Oeste, agora assumidamente liderados pelo Manuel António, estão contra a implantação nesse local em desacordo o PSD “Central” liderado pelo executivo camarário que coordenou a atracção de investimento e trouxe atempadamente o processo para a Assembleia Municipal;
  • Ao usar este assunto como uma bandeira eleitoral, que é isso que transparece na totalidade, o PSD do Oeste apresenta-se oficialmente na campanha pela segunda maior freguesia do Concelho, esquecendo-se que poderia lá atrás ter contribuído para que a ZIG não crescesse para nascente como referem, mas agora é que se lembram;
  • Como se não bastasse, os deputados independentes da Junta de Freguesia de Pombal Oeste, votam na sua grande maioria do lado do PSD do Oeste, mostrando claramente que não existe qualquer coordenação entre este executivo da junta e a sua bancada parlamentar, cedendo facilmente a meia dúzia de argumentos;
  • Manuel António, com a sua experiência política dos pormenores, apercebendo-se que a Assembleia da União de Freguesias não havia entregue a moção com os 8 dias de antecedência aproveita muito bem o assunto politicamente para injuriar o Presidente da Junta e antecipa a discussão para esta assembleia ao invés da próxima;
  • Na próxima Assembleia este assunto, como já estava previsto, continuará a ser debatido e imaginando que a Assembleia volta atrás na decisão haverá duas consequências possíveis: 1) O Investimento vai para a outro local ou 2) a conseguir aquilo que os proponentes querem, terá que ser o município a compensar todas as trapalhadas ao Investidor e muito provavelmente compensar em valor, leia-se redução de receita ou prejuízo para o erário público, mas quem paga não são os interesses de campanhas eleitorais;
  • O Grupo Lusiaves, e bem, já pediu um adiamento do pagamento e vai estar, como qualquer outro potencial investidor, à espera de próximos desenvolvimentos desta novela até, eventualmente, se cansar.

O mais engraçado disto tudo é que o projecto final nem sequer foi apresentado, ou seja, estão todos a falar de questões hipotéticas e na verdade ninguém pode aferir se já impacto ou não porque o projecto não foi apresentado.

No meio disto tudo aparece o Sr. José do Oeste [nome fictício] que ouvindo estas histórias, e do alto da sua memória de quase 80 anos, declara:

- “Pombal é sempre a mesma coisa… Foi igualzinho quando foi do investimento das celuloses na Leirosa… Aquilo era para ser no Concelho de Pombal e colocaram tantos problemas que foi para o Concelho da Figueira aqui bem ao lado… Conclusão: Pombal não teve quaisquer investimentos nem benefícios financeiros mas leva na mesma com o cheiro e com a espuma amarela na praia [do Osso da Baleia]… Agora andam às guerras para ser meia dúzia de quilómetros para o lado… Assim não vamos lá…”


13 de julho de 2020

Premeditação ou aselhice?

O doutor coiso (autor e primeiro subscritor) meteu os pés-pelas-mãos na proposta de revogação das competências delegadas pelo executivo no presidente da câmara, ferindo-a de nulidade. A proposta foi aprovada - pela “oposição” - mas teve que ser re-submetida na reunião seguinte.

Na reunião seguinte (sexta-feira), o doutor coiso voltou a meter os pés-pelas-mãos, ao apresentar uma proposta cheia de irregularidades formais. Mesmo depois de o presidente da câmara o ter alertado para as desconformidades da proposta, na reunião anterior.

Este tipo de proposta exige unicamente três competências básicas: ter a lei que regula a matéria em causa, saber ler e saber copiar.

Pergunta-se: o doutor coiso meteu os pés-pelas-mãos, repetidamente, por premeditação ou por aselhice (jurídica)?

11 de julho de 2020

Gante na Caixa Agrícola



O que aconteceu hoje na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal mostra bem como não há poderes eternos nem absolutos: quando se quer muito, quando se trabalha afincadamente para isso - e quando o poder apodrece de maduro - a mudança acontece.
A lista B, liderada por João Gante, derrotou a lista A, liderada por Albano Carreira (em segunda escolha, perante a desistência de Diamantino Leal). 653 votos contra 480, mais seis brancos e três nulos. Quer isto dizer que as eleições mobilizaram mais de mil sócios.
Afastado de Pombal pela anterior administração, João Gante regressa agora pela porta grande, como presidente do Conselho de Administração. Vamos ver como se comporta no poder de uma das maiores unidades do Crédito Agrícola do país: 20 balcões entre Pombal, Penela, Soure e Condeixa. 

Inferno de Dante


(Gustave Doré, Dante fala para os traidores no gelo do Nono círculo, canto 32)

Na primeira parte de “A Divina Comédia”, obra prima de Dante Alighieri, o autor é conduzido ao Inferno pelo poeta romano Virgílio e pela sua musa inspiradora Beatriz. No poema, o Inferno é descrito com nove círculos onde cada um corresponde a um tipo de pecado. Quanto mais profundo o círculo, maior a intensidade do pecado. O fundo do Inferno é destinado aqueles que cometeram o pior dos crimes: a traição. 

A política em Pombal atingiu as profundezas do Inferno e, tal como na obra de Dante, o que existe não é fogo, só gelo. Por cá, os os traidores ainda não estarão submersos na água gelada, apenas com a cabeça e tronco de fora, alimentando-se dos cérebros dos mais fracos. Lá chegaremos. No entanto, se tiverem vergonha, jamais conseguirão voltar a erguer os olhos e recuperar a dignidade perdida. 

O episódio lamentável a que hoje assistimos, protagonizado pela vereadora Ana Gonçalves, não a compromete só a ela: compromete todo o PSD local. A triste vereadora é apenas um joguete submisso aos interesses do seu partido, vendendo a sua dignidade por um prato de lentilhas. E se alguém ainda tinha dúvidas, agora é evidente: vamos ter mais quatro anos de Diogo Mateus à frente da Câmara Municipal de Pombal. Nem Dante conseguiria ser tão cruel!

Hoje lembrei-me de uma música de José Afonso, homem íntegro, chamada "Tinha uma sala mal iluminada". Dizia o poeta: A velha história ainda mal começa // Agora esta voltando ao que era dantes // Mas se há um camarada à tua espera // Não faltes ao encontro sê constante. Ele tinha razão: se há um camarada à tua espera, não faltes ao encontro sê constante.

10 de julho de 2020

Putedo político

A política local já estava, há muito, transformada num bordel, administrado por proxenetas e tias, onde tudo se vende e tudo se compra. Hoje, desceu abaixo do bordel.

No bordel vende-se quase tudo. Na política local vende-se tudo – até a alma.

Todo o bordel tem uma boneca vaidosa, que atrai, que ilude, que trai. Uma cara de bronze sem coração e sem alma, movida unicamente pela vaidade e pela volúpia, que de natural, de digno, de “persona”, não tem nada. 

“Isto é tudo um putedo!”


9 de julho de 2020

Falta de transparência nas eleições da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pombal?

Sempre se soube que, havendo duas listas para os órgãos sociais e estatutários, haveria naturalmente um frenesim a que a instituição não estava habituada e era um sinal de alternância democrática. É a primeira vez que acontece.

Há, no entanto, relatos de aspectos menos transparentes como a recolha por parte de membros das listas dos votos em casa dos associados fazendo aproveitamento do fraco conhecimento destes sobre o processo. A maior parte dos associados não o são por escolha ou por interesse mas porque em tempos era a única forma de ter acesso a alguns serviços financeiros, hoje normais. É por isso que grande parte pertence a uma classe etária bastante avançada. 

Alegadamente, ao chegarem as cartas a casa dos associados, membros das listas, munidos de listagens, vão de casa em casa recolher os boletins assinados, nem sempre preenchidos e responsabilizam-se por os fazer chegar por correio. Independentemente de quem ganhar, a percepção de falta de credibilidade do processo não será favorável à imagem da instituição.

7 de julho de 2020

O caso Lusiaves

O caso Lusiaves monopolizou o debate na última AM, relegando para segundo e terceiro plano dois assuntos tradicionalmente relevantes: Relatório de Gestão e Moção de Censura do PS.

O caso foi introduzido, logo de início, com o debate sobre a admissão de duas moções subscritas por Manuel António (PSD), que tinham sido aprovadas na Assembleia de Freguesia (AF) da UFIGMM e enviadas à Assembleia Municipal. A admissão das propostas foi rejeitada.

No entanto, fazia parte da agenda da reunião a aprovação da extensão dos prazos para submissão dos projectos do investimento da Lusiaves, na Zona Industrial da Guia. O ponto foi aprovado por unanimidade, mas serviu para fazer uma longa discussão que a generalidade da assembleia rejeitou, estranhamente, fazer no início.

Pelo meio, vieram a público as suspeitas, que o líder da bancada do PSD na AF da UFIGMM - Manuel Serra – apontou, na missiva dirigida à presidente da AM, e a todos os partidos lá representados, nomeadamente “a forma pouco democrática como se lançou uma hasta publica à medida de um investidor, para o espaço urbano da nossa(sua) freguesia, em pleno estado de emergência nacional, tudo à revelia das autoridades e das opiniões locais, deixando a população alvoraçada e os seus representantes ainda mais.” E prosseguia: “Todo este negócio é demasiado nubloso no seu lançamento mas cristalino no objectivo de quem pretende beneficiar, dado que existiu uma hipotética grande empresa francesa que afinal nunca ninguém soube quem era, mas cristalino no privilegiamento da Lusiaves, para que se juntarem mais 5 ha aos 7 ha já classificados na ZIG, para ela se poder instalar como desejava mas sem qualquer projecto ou intenção sequer. Não sabemos quem sai beneficiado com isto, nem que outros interesses poderão existir, mas uma coisa sabemos: se essa instalação se fizer no sítio proposto pela câmara de certeza a Guia sai prejudicada, no seu ambiente, no seu crescimento urbano futuro e nas expectativas de muitos residentes e também dos empresários, e isso é um sacrilégio de lesa freguesia que esta bancada jamais poderia permitir, nesta União de Freguesias, sem se bater até à exaustão.” E rematava a missiva ameaçando que “se a câmara insistir naquele local, teremos de juntar a nossa acção porventura escrutinando melhor os processos administrativos envolvidos e os seus contornos que, como afirmámos, estão envoltos numa penumbra que gostaríamos de não ter de aprofundar”. 

Decididamente, o investimento anunciado não é a pérola que a câmara tanto apregoou; e de que, aqui, logo duvidei.


As últimas bolachas do pacote



José Gomes Fernandes e João Coucelo representam o que resta de um tempo em que a Assembleia Municipal era palco de grandes discussões políticas na terra, com solenidade, trabalho e dignidade dos que ocupavam o lugar, em representação de quem neles votou (convém nunca esquecer este pormenor). Lembro-me sempre do espanto do meu camarada Damião Leonel (que se sentava a meu lado, na bancada da imprensa, ele a acompanhar para o Jornal de Leiria e eu para o Região de Leiria) e do desabafo, na viagem de regresso a Leiria: "Eles tratam-se por senhor deputado!"
Com isto, passaram uns 25 anos. Tendo em conta que Fernandes e Coucelo já eram membros da AM ao tempo de Armindo Carolino...na bancada do PSD (claro)... é fazer as contas, como dizia o outro.
De maneira que esta discussão entre ambos foi um deleite, a todos os níveis, e figurativa do estado de divisão que reina no partido a nível local - mesmo que, por uma vez na vida, JGF esteja do lado do poder e não da guerrilha. Chavam-lhe "o talibã" do partido, noutro tempo; agora percebe-se que a idade tudo traz, e tudo leva. Ou quase.
João Coucelo é uma espécie de padrinho de Diogo Mateus, conselheiro-mor. Mas sabe (tenho a certeza que sabe) que o que está em causa neste investimento da Lusiaves na Guia não é brincadeira de meninos. E que muitos (e diversos) valores se levantam, como deixa perceber na dúvida. 
Mas Coucelo e Fernandes nunca se arranharam muito bem no saco de gatos em que o PSD se transforma, amiúde: O primeiro representa a tal burguesia da vila-cidade, o segundo o mundo rural, que a mantém viva. É conhecida essa fronteira. Foi evidente, nesta discussão, como ambos se manifestam cara e coroa da mesma moeda. À falta de boa discussão política entre bancadas, entre oposição e poder, valha-nos a que existe dentro da mesma bancada. Por mais estéril que seja, e que mais não queira do que mostrar como cada um deles ainda se acha a última bolacha do pacote.
Para remate deste episódio, e à laia de cenas dos próximos capítulos, fica a imagem dos tremeliques no pé de João Antunes dos Santos e Pedro Pimpão. E o respeitinho da presidente perante a voz grossa do Zé Fernandes. 

6 de julho de 2020

Relatório de Gestão

A discussão e votação do Relatório de Gestão é - deveria ser - o ponto mais alto da política local, aquele em o executivo presta contas e a oposição avalia o seu desempenho - aponta erros, falhas e necessidades não cumpridas.
Aqui, é tudo ao contrário. É a oposição (cábula) que vai a exame. E é o examinado que a examina. 
Custa ver aquelas alminhas a debitar generalidades e banalidades – o óbvio e o patético - ou a ler excertos do relatório sem nenhuma capacidade de análise política e de responsabilização do executivo. E custa ainda mais ver como se expõe - mostra as debilidades – tentando cumprir aquele obrigação sem honra e sem brio.
Quem esteve melhor? Talvez a representante do BE – não falou.


5 de julho de 2020

Querer ou não querer, eis a questão

O Pedro tem muitas qualidades e alguns defeitos. O Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana também. A diferença é que o Pedro quer ser presidente da Câmara e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana não. Quando chegar a hora, o Pedro irá ser o justo vencedor e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Luís e a Liliana não irão perceber. Bem... a não ser que tudo isto seja uma enorme farsa e o Pedro se revele como mero lacaio de um amo superior.

3 de julho de 2020

A Passagem Superior Pedonal caiu

No passado dia 30, o executivo municipal de Pombal aprovou, com o voto de qualidade do presidente da câmara (a oposição falhou o novamente o fito), o projecto de requalificação da Interface de Transportes e da Passagem Superior Pedonal (PSP). Mas o presidente da câmara decidiu suspender/abandonar o projecto da PSP sobre a Linha Férrea. 

Esta alteração de planos confirma, mais uma vez, que quando as pessoas se imiscuem na vida pública as coisas importantes (que afectam as nossas vidas) são melhor trabalhadas e decididas. E confirma-se, também, que afinal D. Diogo ouve! Ou é forçado a ouvir. Neste caso, ouviu com certeza a clarividente intervenção do arq.º Celestino e a do tipo da trotinete que defendeu que projecto da PSP não cumpria dois critérios fundamentais: o estético e o da utilidade.

Percebe-se, pela resposta dada na AM, a azia de presidente da câmara e as razões porque abandonou o projecto. Não o fez por ter percebido que era impróprio, mas por não possuir capacidade política para o impor.

Quando uma criatura, que se julga iluminada mas não passa de um ignorante em muitas matérias, tem a lata de afirmar que avaliar o projecto de uma ponte pelo prisma da utilidade é uma ideia pré-histórica, atesta duas ciosas: primeira, que nos dez anos andou a cursar Gestão (Autárquica) não aprendeu absolutamente nada; segundo, que desconhece os traços fundamentais das diferentes épocas da História.

D. Diogo tem razão quando afirma que as passagens subterrâneas sobre a linha férrea são más, nomeadamente as que vêm do séc. XIX. Mas parte de uma premissa verdadeira para tirar uma conclusão errada, que o deveria fazer reflectir sobre a utilidade/funcionalidade do que tem andado a fazer na cidade.  


Sermão de D. Diogo aos ignorantes


Diogo Mateus esmerou-se particularmente na última reunião da Assembleia Municipal, no que toca a distribuir roda de ignorância ao povo, neste caso a quem ali o representa.
A maneira altiva e petulante  como responde a perguntas ou intervenções que não tragam chancela de sangue-azul ou cor de laranja, revela - essa sim - uma extrema ignorância.
Se nos anos que passou a fazer cursos, tivesse despendido algum do seu tempo (até podia ser com o nosso dinheiro, na mesma) a frequentar um que fosse em comunicação, talvez lhe tivesse sido bem mais útil do que a auditoria de segurança interna. 
Porque há valores que, numa balança, pesam mais do que os botões de punho. 

2 de julho de 2020

Moções e marretas

A Assembleia Municipal iniciou-se com o ritual dos votos de pesar, e do minuto de silêncio, sempre do agrado dos “senhores deputados”, pelo falecimento de três figuras locais, e pelas vítimas do covid-19 (as outras foram ignoradas - covid diferencia).

Prosseguiu com um debate picado a Oeste, mas consensual a Leste, entre todas as forças políticas, sobre a admissibilidade de uma moção sobre a ampliação da ZI da Guia e outra sobre a localização do investimento da Lusiaves. O debate foi rico no apelo à coerência, aos princípios e ao respeito pelo regimento e pelo acordo estabelecido. E a admissibilidade, de ambas, foi rejeitada.

Mas logo de seguida, foi sugerida, oralmente, uma moção de louvor aos profissionais de saúde e outros envolvidos no combate à pandemia, que logo foi aceite, redigida pela mesa, e aprovada por unanimidade. 

Para esta gente, os princípios e os regulamentos servem para bloquear o debate de assuntos relevantes mas incómodos, mas são sempre esquecidos para dar passagem ao mais obsceno populismo.


Discussão da Cobardia

Numa autarquia, por maior ou mais pequena que seja, pede-se ao Presidente do Executivo que respeite, defenda e transmita as decisões e tomadas de posição tidas no seu órgão deliberativo, a Assembleia.

Na Assembleia de Freguesia, do passado dia 19 de junho, da União de Freguesias de Guia, Ilha e Mata Mourisca foi aprovada por maioria duas propostas que o Presidente de Junta, Gonçalo Ramos (NMPH) deveria ter tido o cuidado de ter levado à discussão na Assembleia Municipal como dois pontos da ordem de trabalhos.

As propostas versavam sobre a intenção de “ampliação da Zona Industrial da GUIA (ZIG) a nascente da linha férrea do Oeste” e de alterar a “localização da nova unidade industrial da Lusiaves” apresentando soluções na mesma ZI (já publicado aqui).

Como não o fez, o deputado Manuel António (PSD), assinando as propostas em nome individual apresentou-as no próprio dia da Assembleia, as quais, após votação não foram incluídas, adiando assim a discussão.

Após uma troca de palavras entre os referidos protagonistas, Gonçalo Ramos “deduz” que as referidas propostas tenham sido encaminhadas à Câmara Municipal pela Assembleia de Freguesia e, que, portanto, não foram só pela mão do Manuel António que estas chegaram.

Enquanto Presidente de Junta, o Gonçalo tem de:
  • Apresentar ele próprio as propostas à discussão e votação na Assembleia Municipal;
  • Saber concretamente se as propostas foram ou não enviadas à Câmara Municipal;
Com quase três (3) anos de gestão pede-se mais, muito mais a um Presidente de Junta que concorreu como oposição (?!), mas que nada mais é do que um "Yes Man" do Presidente de Câmara.