4 de novembro de 2009

O balão do João


João Vila Verde já está na Etap. Diz que vai gerir (???) um gabinete de divulgação de cursos. Lá, onde a "bolsa de emprego" da Câmara tem sempre lugar para mais um.

Ou de como em Pombal vale tudo.

Questão

Se este executivo podia gerir o munícipio sem entrar em opções polémicas? Podia, mas não era a mesma coisa.

3 de novembro de 2009

A Arte da Multiplicação dos Tachos

Primeiro passo: aumenta-se a estrutura na Câmara com mais vereadores a tempo inteiro e mais Chefes e Subchefes (Serviço, Divisão, Secção, …). Desta forma criam-se vagas para chefes, assessores e secretárias.
Segundo passo: criam-se umas empresas municipais e umas entidades equiparadas. Desta forma criam-se vagas e agiliza-se a criação imediata dos “tachos”.
Terceiro passo: colocam-se os familiares e amigos nas vagas entretanto criadas. Como as admissões para a câmara têm que passar pelo crivo da Administração Central, colocam-se os familiares e amigos nas empresas municipais ou nas entidades equiparadas até se desbloquear as vagas na câmara (sempre mais segura).
Como, regra geral, os tachos são atribuídos a gente mal preparada ou incompetente há que faze-los rolar de “tacho” em “tacho”, de forma a ir disfarçando a coisa.
Quarto passo: repete-se a fórmula de mandato em mandato.
É este o reino narcísico, de alguns…

2 de novembro de 2009

A arte de seguir a pista

Afinal de contas a pista de aeromodelismo sempre deu os seus frutos. Diz uma nota do Gabinete de Imprensa da Câmara de Pombal que o município recebeu um prémio de mérito desportivo, na pessoa do seu Presidente, Eng. Narciso Mota. Foi exactamente o prémio Personalidade do Ano, atribuído pela Confederação do Desporto de Portugal, durante a 14.ª Gala Anual do Desporto CDP, em cerimónia realizada no Casino de Estoril. Ora aocntece que, (segundo a nota da Câmara) "Para este prémio, contribuiu a nomeação da Federação Portuguesa de Aeromodelismo, tendo em conta o trabalho desenvolvido pelo Município de Pombal na realização do 26.º Campeonato do Mundo de Acrobacia Radiocontrolada, em Agosto, na Pista Internacional de Aeromodelismo do Casalinho, em Pombal."
Se dúvidas restavam, aqui fica a resposta aos críticos, ok?

O Alma Grande

Nos Novos Contos da Montanha, Miguel Torga deu-nos a conhecer o Alma Grande, uma personagem fantástica criada a partir da lenda do Abafador. Segundo se consta, no tempo dos Cristãos Novos, existia uma figura - o Abafador - cuja função consistia em acabar com o sofrimento alheio. Quando um moribundo se encontrava às portas da morte, o Abafador era chamado para cumprir o seu desígnio e pôr fim à sua agonia. O prestígio, e a função social, do Abafador eram enormes e quem tinha a seu cargo essa importante missão era alguém muito respeitado na comunidade.

Acontece que sempre houve franco-atiradores que se tentaram aproveitar desse papel: os Asfixiadores. Esses seres mesquinhos e desprezíveis, para além de não saberem distingir um moribundo de uma pessoa saudável, usavam meios pouco éticos e eram movidos apenas pela ganância pessoal. Valendo-se da ignorância generalizada, faziam-se passar por quem não eram e recorriam a um charme bacoco para tentar convencer o povo que os seus alvos mereciam tal sorte. Mas as sociedades, que sempre souberam distinguir “o trigo do joio”, acabaram por relegar à sua insignificância esses assassinos de meia-tigela.

Numa altura em que a asfixia, que nunca é democrática, voltou a estar na moda, é tempo de pormos os ouvidos atentos, os olhos bem abertos e não nos deixarmos enganar pelas imitações.

1 de novembro de 2009

Amigo não empata amigo

A ser verdade o que OCP noticia na sua última edição, os dois vereadores do PS abstiveram-se na questão das remunerações dos vereadores. Os outros (os remunerados) votaram favoravelmente, claro.
Quem criticou (como o PS fez) o facto de ficarmos com um executivo caro, quando se abstém, quer dizer que afinal a medida não é boa nem é má... é "mais-ou-menos". Começamos bem...

Nós na Assembleia da República

Confirma-se agora que nem Pedro Pimpão nem Odete Alves serão deputados. Dos nove deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Leiria, nenhum é de Pombal. Será reflexo da nossa importância no distrito?

"Inauguração"

A mais recente aberração de que está a ser vítima a colina do Castelo já foi "inaugurada" com um graffiti. Para além da falta de civismo, fica o aviso para o futuro daquele projecto: já que se insistiu naquele absurdo, tomem-se as medidas necessárias para evitar que se repita. Por motivos óbvios.

Aquisições

A partir de hoje, esta casa conta com mais um farpeador. Gabriel de seu nome, comentador e entusiasta desta casa, aceitou o desafio de reforçar a equipa, pelo que lhe desejamos as boas vindas. Já agora, para além desta, haverá até ao final do ano mais novidades. Até breve.

31 de outubro de 2009

Chiqueira política

José Grilho, novo presidente da AM, afirmou no discurso de tomada de posse que a AM “não é local de chiqueira política”. Bela forma de começar o mandato.
Estou certo que os últimos presidentes da AM nunca profeririam aquela afirmação, naquele local e perante uma nova assembleia. Logo, se foi dita por quem leva vários mandatos na AM, só pode revelar um grande sentimento de culpa.

Discriminação?

Pedro Pimpão foi, à última da hora, promovido a vereador a tempo inteiro (ouvi dizer que o presidente da câmara lhe perguntou durante reunião pública do executivo se ele queria ser vereador a tempo inteiro, ao que ele respondeu, logo, afirmativamente). Pudera!
Assim, o executivo ficou com um presidente e cinco vereadores a tempo inteiro e uma vereadora, Paula Silva, a meio tempo.
Não havia necessidade de fazer esta pequena discriminação.

29 de outubro de 2009

Vamos ao teatro


Aceitando o repto do Filipe Eusébio, fica, mais uma vez, a sugestão de assistir ao espectáculo "O que não vi", criado a partir do livro de Javier Tomeo, "Histórias Mínimas", que o Teatro Amador de Pombal leva a cena este fim-de-semana (sexta e sábado), no Teatro-Cine, pelas 21h30.

O bilhete custa apenas 2 euros! Como curiosidade, deixo aqui um dos textos desse excelente livro.

28 de outubro de 2009

Tópico para uma discussão que se vai adiando

Em Itália, o novo líder da oposição, Pier Luigi Bersani foi eleito como líder do Partido Democrático Italiano com 2 milhões de votos. Foram eleições primárias onde bastava pagar 2 € e se podia votar em quase todo o lado. O poder tremeu perante uma escolha partidária devidamente selada com a legitimidade da "rua". Exemplo, oportunidade, perigo ou fogacho? Numa altura em que muitos questionam não apenas a qualidade do sistema político como dos seus actores, qual a medida da abertura que deve ser pensada para a relação entre partidos e sociedade civil?

O concelho charneira a franchising, já!

Por oposição ao mais do mesmo que descorre em Pombal, em Leiria vivem-se dias de mudança. O tempo dirá resultados (ou não) deste turbilhão de episódios que sucede por lá. Mas é bom ver que as coisas mexem. Imagino o que seria por cá, se tal sucedesse. Os que se acomodaram e julgavam nunca mais sair daquela confortável posição. Os que nunca acreditaram que, do dia para a noite, tudo mudasse. Os donos disto e daquilo, que de repente perceberam que a tudo é do povo. E que ele é quem mais ordena, para o bem e para o mal.
O que me preocupou foi ouvir o novo presidente falar de "um concelho charneira". Terá Narciso Mota promovido um franchising de tão fenomenal expressão? Resta-me esperar que não venha aí o apêndice humanista e o toque solidário. Cruzes, que isto alastra mais que a Gripe.

27 de outubro de 2009

Executivo novo

Decorreu ontem a primeira reunião do novo executivo que serviu, essencialmente, para a atribuição dos pelouros. O executivo de nove vereadores (7 do PSD e 2 do PS) passa a ter sete vereadores do PSD com pelouros (5 a tempo inteiro e 2 a meio tempo).
A lei prevê para municípios com mais de 20000 e menos de 100000 eleitores, nos quais Pombal se inclui, 2 vereadores a tempo inteiros (ou 4 a meio tempo). É um executivo grande, pago por nós, mas não é um grande executivo. Sobra-lhe em dimensão o que lhe falta em credibilidade (e esta não se compra na farmácia nem se conquista com os votos).
Decididamente, o executivo camarário tornou-se mais uma extensão do centro de emprego em que a câmara se transformou, agora para políticos desempregados.
Longe vão os tempos em que Narciso Mota se fazia acompanhar por pessoas com provas dadas.

Ainda os resultados das eleições autárquicas

Foram desastrosos para o PS. Uma derrota esmagadora que compromete o resultado das próximas eleições (tal como os resultados anteriores comprometem estes). Por muito que custe aos dirigentes e candidatos que estiveram envolvidos na campanha só há uma caminho a seguir: assumir sem dramas a derrota, procurar as causas, repensar tudo e traçar um novo rumo. Porque uma coisa é certa: o partido não á alternativa. E não existindo outra, tem que o ser o mais rápido possível.
P.S.: Apesar de tudo, grande vitória no Louriçal. A prova, provada, que o povo não estúpido.

O maior cego é que não quer ver…

Vasco de Graça Moura (VGM), um dos maiores ideólogos do PSD, afirmou um dia destes, num artigo publicado no DN, o seguinte: “O resultado das legislativas não se limita a traduzir a profunda estupidez com que o eleitorado nacional se comportou.”
Não me incomoda nada que VGM assim pense (porque a esmagadora maioria não pensa assim), antes pelo contrário. O que me aflige é que uma boa parte dos socialistas de Pombal, nomeadamente dirigentes, também assim pensa.

26 de outubro de 2009

Antes da Blogosfera, um Bodo em Vermoil

O engenheiro está em grande forma. Constatei-o sexta-feira à noite, nesse evento em que tenho particular interesse (pelo que sou completamente suspeita), que é o Bodo das Castanhas, em Vermoil. Calhou mesmo bem, aquele jantarzito logo a seguir à tomada de posse (vulgo instalação) dos órgãos autárquicos. Foi um baptismo e tanto para os vereadores novos. Um banho de povo à maneira. As raparigas aguentaram-se como puderam. Também lá estava aquele arquitecto que é irmão do engenheiro. E o senhor Carrasqueira de Abiul. E aquela senhora de quem os homens ainda se esquecem, por ser a primeira presidente de uma junta de freguesia, no caso de S. Simão de Litém.
A noite era de festa. A tarde fora o prolongamento do acto eleitoral de 11 de Outubro. De tal modo que o presidente da Câmara - quiçá contagiado pela intervenção inusitada do presidente da junta, que não resistiu a agradecer publicamente tão expressiva votação no PSD - também se deixou levar pela emoção. E falou não só dos seus tempos de menino, como de moço. À história da catequese juntou a dos bailaricos. E de lá seguiu, para nova corrida, nova viagem. Parece que dura mais quatro anos, isto.

O engenheiro na blogosfera

Na última edição do Correio de Pombal, Narciso Mota afirmou que, assim que deixar o cargo de Presidente da Câmara, pretende "dar maia atenção à sociedade da informação" e contribuir, com as suas opiniões, "no mundo da blogosfera". Esta afirmação revela, desde logo, algum avanço face a declarações anteriores. Ainda não completaram seis meses desde que, no discurso de encerramento das I Jornadas Ibéricas sobre Violência, o engenheiro proferiu esta frase lamentável: "Encontramos neste mundo contemporâneo muitos tipos de violências: a violência provocada por aquelas pessoas que são toxicodependentes, a violência das pessoas que são alcoólicas, a violência das pessoas sem rosto, sem carácter, sem ética, que mandam blogs anónimos, mandam cartas anónimas, entrando na privacidade das famílias e das pessoas, a violência da pedofilia e a violência da homossexualidade, que não está em sintonia com aquilo que é a razão natural da vida."

A sua opinião relativamente aos blogues, pelos vistos, mudou. Esperemos também que já não defenda a existência de terapeutas para tratar "aquelas causas contraproducentes àquilo que é a essência da vida humana, toxicodependência, práticas contraproducentes, homossexualidade" (sic). Não gostaria de passar de novo pela vergonha de dizer que sou pombalense quando confrontado com tais alarvidades.


Senhor engenheiro, espero que estes quatro anos passem depressa. Estou ansioso para o ver comentar neste cantinho da blogosfera.

20 de outubro de 2009

Instalados na Câmara

Na próxima sexta-feira terá lugar a "instalação" da Câmara e Assembleia Municipal para o biénio 2009/2013. Conheci o termo há coisa de 16 anos, a propósito de um 4 de Dezembro frio e sombrio. À conta disso muito nos rimos no Sanduba de então, por onde passava muita da má-língua. Foi preciso este tempo todo para eu perceber a dimensão do termo.
Ora a (re)instalação da Câmara acontece às 15 horas desta sexta-feira. Com o mesmo Narciso Mota e seus delfins, a que se juntam duas raparigas simpáticas, mais o jovem Pedro Pimpão (até aos 30 ainda gozará desse estatuto), que é apontado como o próximo vereador do Desporto. Depois hão-de arranjar-se lá dois lugares para Adelino Mendes e Carlos Lopes, na oposição.
E assim começam os últimos quatro anos de um reinado de 20.

16 de outubro de 2009

Uma tarde de Outono aconteceu

Andei a ler um livro sobre a queda do Muro de Berlim que recomendo aqui. E hoje, depois de passar nas imediações da Colina do Castelo, confesso que me veio logo à cabeça a imagem do Reagan a dizer "Tear down this wall!".

LUÍS SÁ


Completaram-se ontem 10 anos sobre a morte de LUÍS SÁ. Em http://tempodascerejas.blogspot.com/, Vitor Dias recordou o seu carácter e percurso na vida política portuguesa.

14 de outubro de 2009

O design das Tasquinhas


Aparentemente, tem tudo a ver. A edição deste ano da Feira de Artesanato e Tasquinhas de Pombal ganhou um apêndice: o Design. Estou curiosíssima para ver de que se trata tamanha inovação.

A propósito, sempre gostava de saber o que foi feito do projecto da Câmara, para a construção de um "tascódromo". Às vezes tenho a sensação de que sou eu que sonho com as coisas, e de que elas nunca existiram. Não fora o facto de muitas delas estarem escritas e gravadas, era de pôr em causa a minha sanidade mental. Pois o certo é que há coisa de dois anos a Câmara disse que ia construir cozinhas definitivas para esta versão industrializada das Tasquinhas. Mas a intenção deve ter ficado arquivada ao lado do teleférico.

Pombal, Concelho com História

Ontem, dia 13 de Outubro, passaram-se 814 anos que Gualdim Pais morreu. Figura central da História Pombalense, que infelizmente apenas mereceu uma figura de xadrez para o homenagear, faz parte de uma das heranças mais maltratadas desta terra, e simultaneamente com mais potencial "vendável", de seu nome Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici, mais conhecidos por Templários. Como quem leu o meu programa para a Junta sabe, uma das apostas que faria seria nestes senhores e na sua História. Assim sendo, volto a relembrar que ainda há tanta coisa que, com base na nossa memória, podia ser feita como aproveitar a intervenção no Castelo para um Núcleo Museológico sobre os Templários - situação única em Portugal - ou criar uma rede de Terras Templárias com inserção roteiros turísticos mesmo de cariz internacional, por exemplo. Mais que ideias, haja aproveitamento...

13 de outubro de 2009

Compromisso à esquerda

Agora que José Sócrates iniciou a fase de diálogo com os partidos da oposição, convém lembrar o resultado das legislativas.

Dúvida existencial

Com a proibição futura dos animais em circos, quer isto dizer que também se vai proibir as touradas?

Cenas dos próximos capítulos

Quase 7 em cada 10 pombalenses que se deram ao "trabalho" de ir votar revêem-se na actual gestão autárquica. Se há maior legitimidade democrática que isto, digam-me qual é. Mas também não deixa de ser verdade que os 3 que não se revêem, entre os quais eu me encontro, também têm direito à sua opinião e que por esse motivo vêem com natural apreensão os próximos 4 anos. Até podia ser pela cristalização do poder, mas em bom rigor o problema é mesmo a falta de uma estratégia consistente para o desenvolvimento deste Concelho que, se está ausente há tantos anos a esta parte, porque aparecerá nesta recta final? Seja como for, os próximos 4 anos serão anos decisivos para as oposições mostrarem o que podem valer. A começar já.

12 de outubro de 2009

Laranjal

O PSD ganhou; todos os outros perderam. Conforme previ em Janeiro (não era preciso ser o Zandinga), lá vamos ter mais quatro anos de Narciso Mota. A dúvida estava na contabilização dos vereadores. Em Março disse que tudo apontava para os 7-2, como se veio a verificar, mas confesso que, no final da campanha (se calhar por não ter acompanhado as coisas de perto), cheguei a pensar que o PS podia chegar aos 6-3.

Estão de parabéns o PSD e o Eng. Narciso Mota por esta inequívoca vitória: 65,79% dos votos e 16 das 17 Juntas de Freguesia! Esta avassaladora hegemonia partidária nos órgãos de gestão autárquicos, por muito que agrade aos sociais-democratas, não é salutar para a democracia, pois cria no concelho uma enorme teia de interesses, uma espécie de “polvo cor-de-laranja”.

Mas, o povo quer, o povo manda. Plagiando (de forma grosseira) Chico Buarque: ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso laranjal...

Rescaldo (II)

Foram 3 meses em movimento com incontáveis reuniões com associações (de todos os tipos) e duas semanas de campanha intensas com um debate, 15 sessões de esclarecimento por toda a Freguesia, uma iniciativa na Praça Marquês de Pombal (que admito voltar a realizar), a adesão a uma iniciativa de voluntariado e a inevitável campanha de rua, tudo para a posteridade aqui. Com tudo isto queria provar que era possível afirmar a Junta de Freguesia e que era possível governar de outra forma. O resultado foi elucidativo: nas mesas ditas da cidade, ganhei tangencialmente (7 votos) e fora, tirando na Roussa e nos Mendes, onde os resultados fugiram ao habitual, não se conseguiu ir mais longe. Falhei, portanto.

O Bloco de Esquerda não tem responsabilidades nesta derrota. Aliás, mantenho é que não tem responsabilidade nenhuma por se ter apresentado e nem ter feito campanha, para além de um artigo num jornal, demonstrando que para além da sua utilização para voto de protesto, é um partido que para pouco mais serve. A CDU teve um resultado abaixo do normal, mas também não é por ter concorrido que ontem perdi. A ausência do CDS pode explicar a subida do PSD (foram 390 votos em 2005 e o aumento do PSD cifrou-se em 311), mas o importante é que o aumento de 571 votos que a minha lista registou, foi muito insuficiente. A única nota menos má, mas sem efeitos práticos, é que se elegeu mais um membro para Assembleia.

Portanto, sem se conseguir convencer o público urbano e dando de barato que o facto de eu ter assumido, ab initio que não exerceria o cargo de forma exclusiva, situação que não me deve ter prejudicado por ser um exercício de transparência, não consegui demonstrar junto da população que a Junta pode ser mais do que aquilo que é.

Por isso, e números à parte, a conclusão é simples: assumindo que o diagnóstico estava bem feito, há que ter tempo para o expor, o que não se compadece com os habituais ciclos políticos de curta duração pombalense. Havia um trabalho de base da anterior bancada da Assembleia de Freguesia que foi muito útil, mas impõem-se agora 4 anos no terreno a demonstrar o porquê de apostar numa alternativa, mantendo sempre presente que o que for bem feito, também será referido (como aliás, a campanha o fez).

Quanto ao PS, que se tirem todas as ilações. Também ali me parece que o diagnóstico já está feito há muito. Haja pelo menos é algum tempo para apurar o que acontecerá.

Uma última nota para a actualização dos cadernos eleitorais: a abstenção aumentou porque para o aumento de 3000 eleitores nos cadernos eleitorais, apenas mais 400 pessoas vieram votar (nas legislativas a realidade é ligeiramente diferente, mas o padrão é o mesmo), o que demonstra que a inflação dos números de eleitores é parcialmente artificial. Isto, reitero, não afecta a legitimidade dos resultados e não tem qualquer outra influência senão na abstenção que, na realidade, pode muito bem ter sido inferior à registada.

Portanto, de rescaldos da Freguesia de Pombal estou falado. Venha o trabalho.

O que não tem remédio

Remediado está.
Disse-me isto há uns anos um amigo que trabalhou uma temporada na Ilha da Madeira, e que então percebeu que há povos assim, dignos de estudo. Talvez seja essa a forma de entrarmos no mapa.
Perante os resultados eleitorais que resultaram naquilo que já se adivinhava (e antes de aqui vir esmiuçar esses dados, tarefa que não fica esquecida), há que dizê-lo: esta foi (mais) uma derrota humilhante para o PS (e para Adelino Mendes) e a maior vitória para o PSD e Narciso Mota.
Como o futuro começa hoje, volto a reafirmar o que aqui escrevi há dias. Já só faltam quatro anos.

Rescaldo (I)

Ainda é demasiado quente para análises (ficam para mais logo e sem a preocupação de achar vitórias morais), mas, e embora tenha valido a pena esta corrida, não posso deixar de assumir esta derrota. De consciência tranquila (por tudo o que a minha equipa fez, pela forma como o fez e sobretudo pelo facto do povo ser quem mais ordena), mas reconhecendo a realidade: o nosso projecto não soube convencer a Freguesia de Pombal e, em especial, a parte urbana. Por isso, parabéns pela campanha que fizemos não servem para nada. Agora o que vai servir são os próximos 4 anos e o trabalho que será feito na oposição política e na actividade cívica.

Em tempo felicitei o meu directo adversário, mas deixo as minhas felicitações a todos os vencedores da noite. Isso e um agradecimento público à minha inexcedível equipa que merecia bem mais, mas que já mostrou hoje que está completamente pronta para o que aí vem.

11 de outubro de 2009

Porca política

O RC noticia no seu site que “O candidato do PS, Adelino Mendes, revelou que o governo havia formalizado o despacho de um apoio ao município, no montante de um milhão e trinta e dois mil euros, destinado a fazer face às inundações em 2006.
O anúncio foi feito no decorrer do debate promovido pela Cardal FM com os candidatos à autarquia de Pombal, que teve lugar no teatro-cine, na passada quarta-feira à noite.
Surpreendido com a intervenção de Adelino Mendes, o recandidato do PSD, Narciso Mota, levantou-se da mesa e cumprimentou o adversário socialista, como forma de agradecimento”.
Depois a câmara reune para debater o caso. E depois ameaça apresentar queixa à CNE.
É isto a nossa política. Porca miséria.

10 de outubro de 2009

Autárquicas de cá: vitória e derrota

No próximo domingo, os resultados das eleições autárquicas cá da terra ditarão, também, vencedores e derrotados. E a avaliação da dimensão da vitória e da derrota deve, também, ser feita em função das expectativas e da responsabilidade de cada partido. Assim:
Para o PSD:
Grande vitória: mais de 65% dos votos e todas as Juntas de Freguesia;
Vitória: mais de 50% dos votos e 13 Juntas de Freguesia;
Derrota: menos de 50 % dos votos ou menos de 13 Juntas de Freguesia;
Grande derrota: menos votos do que o PS.
Para o PS:
Grande vitória: partido mais votado;
Vitória: mais de 35% dos votos e 5 Juntas;
Derrota: menos de 35% dos votos e menos de 5 Juntas;
Grande derrota: menos de 30% de votos e sem Juntas.
A CDU e o BE não têm responsabilidade, nem expectativas. Participam. Logo, não se pode falar em vitória ou derrota.

9 de outubro de 2009

Toda a verdade

Quando domingo à noite se contarem os votos, é bem provável que Narciso Mota abra aquele riso do costume, orgulhoso do "Povo de Pombal". Não tenho grandes ilusões neste acto eleitoral, como se estivesse conformada em esperar mais quatro anos para voltar a ter esperança. Nessa altura, Diogo Mateus ou Adelino Mendes hão-de dar uma volta a isto. Com ideias e projectos que deixem a esfera redutora da gestão corrente. Porque é disso que se trata há 16 anos. Não há uma ideia para Pombal. A Câmara tem sido uma espécie de comissão de melhoramentos em grande escala, que constrói edifícios sem se preocupar como é que lhes há-de dar vida depois. Lembro-me, assim, de repente, do Teatro-Cine. Uma espécie de barriga de aluguer sem programação própria. Bem recuperado (como competia a qualquer Câmara), seria um meio excelente para outros fins culturais. Verdade?Mas convencionou-se que a cultura era servida em flutes, no café concerto, embrulhada por uma empresa municipal que fez o que quis e ainda lhe sobrou tempo.
O Centro Cultural (só eu e mais meia dúzia é que nos devemos lembrar de que se chama assim), vulgo Celeiro do Marquês. Exemplo maior de que uma autarquia pode e deve preservar e aumentar o património, mas com o mínimo de estratégia. Verdade?
O Arquivo Municipal, cujo nascimento teve o dom de tocar o coração mole do presidente que assim reparou (?) um dos erros cometidos ao longo dos anos com vários recursos humanos. Podia e devia ter outro papel e outra função. Verdade?
A Praça Marquês de Pombal, onde enterrámos dinheiro a rodos para a utilização que se sabe, contando já com o parque, verdade?
Sim, há outra verdade: o engenheiro fez muitas obras. Talvez tantas quantas tinha obrigação de fazer, ele ou outro, desde que com meios à disposição. Mas faltou-lhe (e há-de continuar a faltar) rasgo. Visão. Às vezes convenço-me que não aprendeu nada em 16 anos. De cada vez que ouço falar do concelho charneira humanista e solidário, ou de como "não podemos ser sectários", belisco-me.
De tudo o que ficou por fazer por esta terra ao longo de tanto tempo, custa-me particularmente não termos um parque verde. O meu filho fez-se rapazinho sem nunca ter tido esse privilégio. Gastámos dinheiro (sim, porque o dinheiro é nosso, dos que aqui moramos e aqui pagamos impostos) a ajardinar para encher o olho de concursos floridos, num vislumbre de qualidade de vida que é uma falácia.

Eu tinha pouco mais de 20 anos quando Narciso Mota aqui chegou. O tempo passou, a vida correu, e o homem nunca mais daqui saiu.
Talvez seja mesmo verdade a máxima: cada povo tem aquilo que merece.

7 de outubro de 2009

O filme do ano, numa noite única

À hora em que a Rádio Cardal presenteava os seus ouvintes com a transmissão do debate entre os candidatos à Câmara (que animou o Teatro-Cine numa sessão cómica), o Gato Fedorento oferecia ao país uma pérola do cinema caseiro. Uma curta metragem de longo alcance.


E aqui fica o excerto do programa.

Autárquicas em Pombal

Nunca assisti a eleições autárquicas tão sonsas. Falta-lhes quase tudo: pesos pesados, propostas arrojadas, confrontos, polémicas, boatos, … Assiste-se a um ritual enfadonho, sem chama e sem crença, do qual ninguém espera nada. A maioria dos candidatos só quer participar e alguns (talvez) ser eleitos. O poder não é contestado porque não é ambicionado. Chega a ser comovente ver candidatos, sem qualquer preparação, colocarem-se nos debates em posição submissa perante o poder, colocando dúvidas e pedindo esclarecimentos.
Neste marasmo, João Alvim faz a diferença. Porque acredita, arrisca, envolve e inova. Vai ganhar? Já ganhou!

As eleições para a Assembleia Municipal

Durante as campanhas autárquicas há uma grande tendência para minorizar as eleições para a Assembleia Municipal. Ora, em Pombal, a verdadeira oposição aconteceu neste órgão autárquico.Tanto o PS, com o excelente trabalho dos seus eleitos municipais - contrastando com o triste prestação dos seus vereadores -, como o PCP, com a denúncia de várias situações no período dado para intervenções do público, conseguiram marcar, várias vezes, a agenda política.

Convém lembrar que a Assembleia Municipal é um órgão autárquico de enorme importância. Para além das competências que tem em aprovar o PDM, o Plano de Actividades, os orçamentos e as contas da Câmara Municipal, tem também competências para estabelecer taxas e acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara Municipal e dos Serviços Municipais.

Pela sua actividade eminentemente fiscalizadora, seria bom eleger uma Assembleia Municipal que tivesse uma constituição plural, com a representatividade de vários partidos e que não se limitasse à monotonia do rosa/laranja. Mas isso é apenas a minha opinião...

6 de outubro de 2009

O papel do porco

Os politólogos hão-de estudar o fenómeno num futuro próximo. Enquanto esse tempo não chega, podemos - cada um de nós, cidadãos/eleitores - reflectir sobre a política do porco-no-espeto, cujas bases foram lançadas nas autárquicas de 2001 pela mega campanha de António José Rodrigues (nesse ano candidato do PS), mas só agora, oito anos depois, viria a atingir o auge, nos "convívios" do PSD. O cheiro a porco assado entranhou-se de tal forma que, ao percorrer a distância (ainda razoável) entre dois extremos do concelho, é possível sentir o cheiro no ar de forma contínua e persistente.
De modo que estranhei, quando me contaram, domingo à tarde, que a candidatura do camarada Alvim não tinha para vender (sim, é verdade, ainda há campanhas que precisam de vender os comes e bebes e não têm papas e bolos para dar) umas bifanas na Praça Marquês de Pombal. Está bem de ver que todo esse incómodo era escusado se o repasto fosse porco no espeto. Para a próxima aprendam meninos. E pensem grande!
(Afinal diz que não, que não há crise, que até nunca houve tanto dinheiro. Mas isso devem ser os ressabiados do PSD que são más-línguas, ao ponto de a dobrarem com jeitinho, antes que a mordam e morram envenenados)

2 de outubro de 2009

A obra do senhor engenheiro

O engenheiro Narciso Mota, no seu site de campanha, usa as imagens e o grafismo do Boletim Municipal para ilustrar a obra feita durante o seu mandato. Apesar da referência “Fotografias e dados cedidos pela Câmara Municipal de Pombal” considero que o seu uso é completamente abusivo.

O Boletim Municipal de Pombal é um documento caríssimo, pago com o dinheiro de todos os munícipes. Quem, como eu, sempre questionou a sua utilidade, tem agora a resposta evidente: o boletim serve apenas para promover a imagem do senhor presidente da câmara!

Por isso, senhor engenheiro, em nome da decência e de todos os pombalenses que não lhe deram autorização para tal abuso, peço-lhe que retire essas imagens do seu site.

Debate cancelado

Por indisponibilidade manifestada pelo recandidato do PSD, que sugeriu mandar em seu lugar o nº dois da lista, e consequente recusa por parte do candidato do PS, o debate agendado para hoje, numa organzação do REGIÃO DE LEIRIA, foi cancelado. É uma pena. Fica provado o que já se sabia: os jantares são menos indigestos que os debates.

Para cabal esclarecimento, aqui fica a nota informativa do RL ao leitores.

1 de outubro de 2009

Atestado de mediocridade

Decorreu ontem, no Cine Teatro, o debate entre os candidatos à presidência CMP. Mas, a bem da dignificação da política, não deveria ter acontecido. Ainda bem que não foi visto por muita gente. Formam duas horas, duas horas, de um espectáculo patético e deprimente, proporcionado por candidatos sem nada para dizer, que da missão de presidente da câmara só devem conhecer o nome, e que, ao serem solicitados para usar da palavra, só despejavam banalidades e imbecilidades; e por moderadores perdidos na tentativa de intercalar monólogos desconexos. Um verdadeiro atestado de mediocridade política e uma vacina anti-politica local.
PS: Mesmo o discurso de Adelino Mendes, com ideias arrumadas, foi abafado por aquilo.

O grande jantar da Guia

Amanhã à noite o PSD vai convergir para a casa dos Leitões da Guia. Come-se bem, lá. Mas soube agora que da ementa consta um prato muito mais picante que o leitão do Jorge "Pote". A pretexto do apoio à (re)candidatura de Manuel António (provavelmente um dos melhores presidentes de junta do distrito, e seguramente o melhor que o PSD poderia ter arranjado por aqueles lados), os apoiantes ameaçam juntar ali quase tanta gente como o próprio líder, aqui há tempos no Manjar.
Ora, este facto, já seria por si só uma dor de cabeça para Narciso Mota. Porém, o jantar promete muito mais. Qual fénix renascido das cinzas, José Gomes Fernandes também lá vai. Este cocktail já ameaçava ser suficientemente explosivo, mas eis que se junta Luís Garcia. Lembram-se deles? Narciso lembra-se, tenho a certeza. Para cereja do bolo, consta no mentidero que esta será a primeira reunião preparatória da era pós-Narciso, uma espécie de primeira abordagem para as autárquicas que hão-de vir, quando ele se reformar disto.
Talvez assim se perceba por que razão o homem prefere ir ao jantar, em vez de ocupar o seu lugar, no debate de amanhã à noite, promovido pelo jornal de maior tiragem no distrito, onde trabalha esta vossa amiga. A propósito, digam lá ao engenheiro que fique descansado, que apesar de o terem informado que o debate seria moderado pela minha pessoa, é pura intriga da oposição. É verdade que tenho moderado outros, noutros concelhos do distrito, mas em Pombal neste momento sou apenas e só uma cidadã atenta, munícipe exigente, eleitora comum. E é nessa qualidade que me desgosta não o ver por lá, pois que ainda não tive o prazer de o ouvir nesta campanha. Que chatice.

30 de setembro de 2009

Ausência oportuna

Na discussão da polémica proposta, sobre a “Declaração de Interesse Municipal à construção da ETAR da Sumol+Compal, SA”, metida à socapa na Ordem de Trabalhos, o presidente da câmara teve uma enorme dificuldade em responder às questões colocadas e foi metendo os pés pelas mãos confundindo ainda mais os que tinham dúvidas. Tal levou o sempre lúcido presidente da AM a sugerir ao Presidente da Câmara que desse a palavra a um dos seus vereadores. O presidente da câmara recusou a sugestão e aproveitou para censurar a ausência do vereador do Ambiente.
Há ausências oportunas!

Irresponsabilidade (II)

O agendamento e a discussão da proposta do executivo de “Declaração de Interesse Municipal à construção da ETAR da Sumol+Compal, SA” revelaram o superficialismo, o facilitismo e, porque não dizê-lo, a irresponsabilidade como é gerida a coisa pública (independentemente da boa intenção que possa estar por detrás da coisa). A proposta não está minimamente fundamentada porque não esclarece uma questão fundamental: como se vai processar a cedência do terreno público (e ninguém acredita que a questão não esteja definida; se não está, então a coisa é mais grave).
Mas a discussão serviu, pelo menos, para compreendermos melhor o péssimo desempenho da ETAR e a consequente poluição e destruição do rio a jusante da desta. Ficámos a saber que a ETAR Municipal recebe os efluentes industriais sem qualquer tratamento o que compromete o tratamento dos efluentes domésticos para os quais a ETAR foi dimensionada.

Da pobreza da campanha à promessa dos debates

Não tenho memória de tão fraca campanha eleitoral para eleições autárquicas. Afastada por uma distância confortável das miudezas de Pombal, constato-o a cada dia que passa, pelos concelhos onde tenho andado a moderar debates, num distrito real, do país mais duro que puro. Foi quando percebi que o mal é geral, embora se note mais nalguns locais que noutros. Depende muito da geografia. Do ADN. Da mentalidade. Mas disso falarei mais tarde, quando lavarmos os cestos desta vindima.
O que interessa agora é que hoje à noite Pombal recebe o primeiro de três debates entre os quatro candidatos à Câmara. Não há fome que não dê em fartura, lá diz o povo. Por razões suspeitas apelo à vossa presença no debate de sexta-feira, sem prejuízo dos (e)leitores assistirem a todos. Além do mais, o Teatro-Cine está a precisar de algum uso. A ver se isto anima.

29 de setembro de 2009

Irresponsabilidade?

Decorreu hoje a última AM deste mandato. Fui lá por obrigação e para me despedir. Anunciei na minha intervenção no período de antes da Ordem do Dia que iria fazer a minha última intervenção, na qual faria um pequeno balanço do mandato. Tinha decidido que na última assembleia, e com uma agenda sem assuntos polémicos, deveria primar pela descrição. Não foi possível. Porque, à última da hora, foi introduzido um ponto à Ordem de Trabalhos que continha uma proposta “irresponsável” (foi assim que um vereador da maioria a classificou numa conversa no final da reunião) e, consequentemente, o caldo entornou-se.
Na gestão da coisa pública as coisas têm que ser transparentes, tem que haver regras, temos que saber o que estamos a aprovar e não se passam cheques em branco. Por isso votei contra. Fui o único. O resto do pessoal já está em campanha, o que interessa são os votos.

28 de setembro de 2009

A derrota da CDU

Como toda a gente afirma, a CDU perdeu as eleições de Domingo. Deixou de ser a terceira força política do país para passar a ser a quinta. Este facto parece estar assente numa lógica irrepreensível, apesar de ter havido mais 15 000 eleitores que confiaram o seu voto nessa coligação.

O problema é que a força da CDU não é visível apenas no Parlamento. Contrariamente ao CDS e ao BE, que esgotam a sua intervenção política no Parlamento e na comunicação social, a CDU tem uma forte implantação social, visível, por exemplo, nos sindicatos. Num cenário de maioria relativa, este facto deveria preocupar o PS. Se fosse eu que mandasse, tentaria um diálogo à esquerda, por muito que isso custe ao eng. Sócrates e aos socialistas que ainda não fugiram para o Bloco (e foram muitos nestas eleições).

Por isso, camaradas e amigos, apesar de "grande derrota" da CDU, anunciada pelos seus adversários em todas as eleições, fica a certeza de esta continuar a ser uma força política em crescimento, não só em percentagem, mas tembém em número de votos e de deputados.

Day after

Dizes tu, Paula, que "não vejo aqui (resultados das legislativas) os resultados das autárquicas, embora neles leia alguns sinais". E concordo absolutamente contigo. Porque convém não fazer como muitos fazem, que vêem vitórias onde há derrotas ou que comparam resultados entre duas eleições tão díspares. Para mim, a luta de dia 11 pouco retira do que se passou ontem. Tratam-se de dois boletins de voto diferentes, onde as ligações locais (mais) e a escolha reduzida a 4 partidos (menos) terão o seu peso. Isto porque ainda acho que não basta aparecer no boletim para se conseguir levar centenas de votos. Quanto a isso, a partir de amanhã, abertura oficial da candidatura, vamos ver o que acontece.

Quanto a ontem, abre-se agora a dúvida sobre qual o formato do Governo. Por muito que eu gostasse de expôr o Bloco de Esquerda, o que é certo é que mesmo dividindo os votos dos círculos da emigração, PS+BE contarão com 114 votos (a 2 da maioria absoluta). Com o BE no Governo, rapidamente a sua base de apoio evaporará, e não passaria muito tempo até que fosse inevitável surgir uma nova coligação ou mesmo novas eleições. A solução PS+PSD parece naturalmente excluída (e convenhamos, que de todas as combinações, é francamente a pior por ser a mais propensa ao atrofio da actuação política), sobrando a solução PS+PP. Excluo a hipótese PS+BE+CDU, porque os tempos das Frentes Populares já lá foram. Como estaremos em campanha nas próximas duas semanas, ficará por aí a sombra a pairar.

Sobre vencedores e vencidos, José Sócrates vence, sem sombra de dúvida, mas é Paulo Portas aquele que tem mais razões de satisfação. Louçã não consegue tornar o BE na 3ª força, mas os votos e deputados obtidos geram uma vitória com sabor amargo. Já Manuela Ferreira Leite perde (e assume, sem ambiguidades, o que é sempre de registar) e Jerónimo de Sousa também (mesmo que insistam, como sempre, na tese contrária), apesar de ter mais 1 deputado que em 2005. E venha o Governo que se segue.

Eu voto, tu votas, ele não aprende

Agora que já é outro dia, que já deixei para trás uma noite eleitoral, que por conjugação do destino dividi o mesmo espaço físico que Pedro Pimpão e não lhe pude ouvir qualquer declaração de vitória, porque o PSD perdeu um deputado no distrito e ele não foi eleito, percebi que Sócrates que não aprendeu nada com estas eleições. Bastou-me vê-lo, num filme da noite que as televisões fizeram o favor de voltar a passar, para ter essa certeza. É um tipo de sorte, ele. A coisa correu-lhe melhor que do poderia esperar: uma adversária que não conseguiu enganar toda a gente durante todo o tempo, revelando a fobia ao povo (muito visível nas arruadas), mais o tiroteio nos pés disparado por Cavaco.
Agora, que a noite caminha para o dia, podemos sempre concluir que em Pombal nem tudo está na mesma: O PS ganhou na freguesia/cidade (por apenas cinco votos, mas ganhou), mais na Redinha. É claro que este é e será, enquanto houver PSD, um laranjal. Mas ali na Rua Alexandre Herculano haverá quem fez contas estas noite, talvez até esperançado em ver estes resultados repetirem-se daqui a 15 dias. E na Luís Torres também se devem ter feito contas. O CDS há-de roer até as unhas dos pés por não apresentar candidato em Pombal. E o BE ainda não deve ter percebido bem como é que em política é possível fazer castelos no ar e ter gente a acreditar que são reais. Apraz-me também ver a subida da CDU, naturalmente. Porque o meu país caminha para a esquerda e o meu concelho ainda é Portugal.
Eu, que acredito cada vez menos nos políticos e me desencanto todos os dias com mais um ou outro, não vejo aqui os resultados das autárquicas, embora neles leia alguns sinais. E por isso faço votos para que o povo (pelo menos) vote. Já é bom sinal.

E durante muito tempo há-de martelar-me na cabeça a frase de Sócrates, no Altis, dirigindo-se aos fotógrafos: "façam o favor de se baixarem, que eu gostaria de falar às pessoas". Diz ele que "o povo falou bem claro". Só é pena que ele não tenha entendido.

27 de setembro de 2009

Legislativas: vitórias e derrotas

Logo à noite os resultados eleitorais ditarão algumas surpresas. No entanto, cada partido reivindicará a sua vitória: vitória propriamente dita, perda da maioria absoluta pelo PS, mais votos, mais deputados, etc. Mas, nas semanas seguintes, a poeira assentará e nessa altura os derrotados sentirão na pele a diminuição da sua capacidade política e as naturais convulsões internas. A dimensão da vitória e da derrota deve ser feita em função das expectativas e da responsabilidade de cada partido. Assim:
Para o PS:
Grande vitória: maioria absoluta (improvável);
Vitória: 6 pp acima do PSD;
Derrota: vitória tangencial;
Grande derrota: perder as eleições.
Para o PSD:
Grande vitória: ganhar com um score que permita maioria na AR com o CDS;
Vitória: maior número de votos
Derrota: ficar atrás do PS;
Grande derrota: ficar 6 ou mais pp atrás do PS.
Para o BE:
Grande vitória: mais de 15 % e terceira força política (sem maioria absoluta do PS);
Vitória: terceira força política e sem maioria absoluta do PS;
Derrota: menos de 10% ou maioria absoluta do PS;
Grande derrota: quarta ou quinta força política ou maioria absoluta do PS.
Para o PCP:
Grande vitória: mais de 10 % ou terceira força política, sem maioria absoluta do PS;
Vitória: terceira força política ou quarta à frente do BE, sem maioria absoluta do PS;
Derrota: maioria absoluta do PS ou quarta política sem possibilidade de fazer maioria com PS;
Grande derrota: maioria absoluta do PS ou quinta força política sem possibilidade de fazer maioria com PS.
Para o CDS:
Grande vitória: mais de 10 % e maioria com o PSD;
Vitória: terceira ou quarta força política e score que permita maioria com vencedor;
Derrota: maioria absoluta do PS ou sem score que permita fazer maioria com o vencedor;
Grande derrota: maioria absoluta do PS ou sem score para fazer maioria com o PS.
Adenda: Pelos meus critérios deu: PS - Vitória; PSD - Grande derrota; BE - Derrota; PCP - Grande derrota e CDS - Vitória

25 de setembro de 2009

Desarranjo

Aquele arranjo (ou requalificação, como agora está na moda dizer-se) feito à rotunda na Urb. Senhora de Belém serve exactamente para quê? Sei bem, enquanto pessoa que por lá passa vezes sem conta que urgia fazer algo. Do género semáforos e lombas, mas não sendo tal possível, porque não alargar a rotunda não só no centro, mas também na parte exterior, por uma questão de segurança?

O que se lá fez - alargando a alegada placa central com uma diferença de altura quase imperceptível em relação à estrada - serve exactamente para quê, excepto para os carros passarem por cima, porque também não percebem o objectivo? É que não havendo sinalização, com as fitinhas de obras na rotunda (que belo aspecto) e com o facto dos carros que vêm das ruas que dão acesso à Avenida terem que se chegar bem à frente porque não têm visibilidade, não houve ali mais que um desarranjo que, em bom rigor, disfarça mas não resolve.

Sei também que a falta de civismo é uma parte determinante, mas em vez de invenções que tal soluções?

24 de setembro de 2009

A questão da esquerda

No Domingo o PS vai ganhar as eleições sem maioria absoluta. Este resultado, que vai de encontro ao cenário mais comum nos restantes países europeus (as maiorias absolutas são um fenómemo quase tipicamente português), é óptimo. Não é que eu grame o Sócrates ou considere o PS substancialmente diferente do PSD. A questão é que este resultado obriga o PS a olhar para a esquerda.

Durante a campanha extremaram-se posições, o que é normal. Mas, se os partidos políticos tiverem sentido de responsabilidade, como espero, terão que saber interpretar o sentido do nosso voto: queremos um governo do PS que consiga entender-se com os partidos à sua esquerda.

Mas o desafio não é só para o PS; é também para a CDU e para o Bloco. Quanto a mim, este é talvez o maior desafio político, stricto sensu, que se coloca à esquerda portuguesa desde a nossa adesão à Europa.

23 de setembro de 2009

A CERCIPOM DESCENTRALIZA

A Cercipom de Pombal, na minha modesta opinião, é uma das instituições do nosso concelho com maior prestígio. A actual direcção presidida pelo Senhor Manuel Santos irá descentralizar os serviços com a criação de um centro de actividades ocupacionais e um lar residencial na freguesia da Guia. Segundo as notícias, tal iniciativa pressupõe um investimento de 1,065 milhões de euros. A Câmara Municipal irá ceder o terreno e apoiará a construção. Muito bem. Eis um exemplo, em que os dinheiros públicos/municipais são bem utilizados. Pena é que, muitas centenas de milhar de euros, anualmente, sejam desperdiçados em subsidiar associações recreativas sem qualquer actividade de relevo, sem qualquer critério, casuisticamente, sem lei nem roque.

21 de setembro de 2009

CRISES ECONÓMICAS E O DESEMPREGO



As crises económicas são inerentes ao funcionamento do sistema capitalista, como nos ensinam os doutos economistas de formação liberal ou marxista. O desemprego é um dos maiores flagelos sociais, cuja a existência é natural ao sistema económico actualmente existente em Portugal e na Europa, como todos sabemos, ou quase . O que se fez de concreto, para além do propagandeado pelo nosso 1º ministro, para dinamizar a economia e combater o desemprego? Veja-se a este propósito o escrito de Eugénio Rosa em http://resistir.info/e_rosa/utilizacao_fundos_qren.html. Vale a pena a sua leitura atenta.

Diga lá em que dia é

O senhor presidente foi à aldeia onde eu nasci no sábado à noite, a uma festa do candidato/amigo dele, à Junta do Louriçal. (O homem percebeu que foram sobretudo os jovens que o derrotaram, há quatro anos, e então agora dá-lhe com festas para a malta jovem, pá, em tudo quanto é colectividade).
Chegou tarde, mas em forma. E então anunciou uma sessão qualquer, no Expocentro, onde serão apresentados todos os candidatos a todos os orgãos autárquicos, pelo mesmo PSD. Contaram-me as minhas 333 fontes que lá estavam, que o homem convidou dali toda a gente: "Comunistas e tudo", pois que "haverá lá quem asse uns churrascos". Isso, sim, é ser presidente de todos os pombalenses. De uns mais do que outros, é certo, mas não deixa de lhe ficar bem esta atitude. Estou a modos que...sensibilizada. Vai-se a ver e ainda me amolece este meu duro coraçãozinho, que corre o risco de ficar tão humanista e solidário...a pontos de deixar de ser vermelho.

18 de setembro de 2009

VAMOS ELEGER OS NOSSOS DEPUTADOS!











No próximo acto eleitoral os portugueses irão eleger a nova A.R., isto é, escolherão os novos(?) deputados da Nação. Contudo, publica-se e diz-se por aí, que nas próximas eleições os portugueses irão eleger o próximo primeiro ministro, como se o nosso sistema político-constitucional admitisse tal eleição. Ora, é necessário ter em especial atenção, que em Pombal, quando votamos, estamos a eleger deputados do círculo eleitoral do distrito de Leiria. Dirão, os caros leitores, que estou a afirmar uma evidência. Estarei? Quantos eleitores do PSD, PS, CDU, CDS/PP, B.E, do nosso distrito saberão que com o seu voto estarão a contribuir para a eleição para a A.R. de Teresa Morais, Luis Amado, Ana Rita, Assunção Cristas, Heitor Sousa? E já agora, quantos eleitores saberão quais as actividades políticas desenvolvidas pelos cabeças de lista supra referenciados, em prol dos interesses do nosso distrito/concelho/freguesia? Responda quem souber!

O presidente, os jornais, e os assessores dele(s)

Perante tamanha vergonha, só emigrando.

16 de setembro de 2009

Serviço ao Munícipe ou Propaganda?

Ontem recebi em casa uma carta da CMP, assinada pelo Presidente da Câmara, a informar-me que hoje iriam ser iniciadas os trabalhos dos Arranjos Urbanísticos do acesso à minha urbanização (São Cristóvão). Foi, tenho que o dizer, uma boa notícia. Senti-me, até, lisonjeado com a distinção. Sim, não é todos os dias que um munícipe é informado, por carta, que a sua rua ou praça vai ser arranjada e lhe é explicado, detalhadamente, o que vai ser feito, como, por quem e o prazo de execução das obras. É verdade que a obra foi várias vezes prometida e outras tantas adiada, ao longo dos últimos 16 anos, mas isso agora pouco importa, com a carta na mão acredito que a coisa agora vai.
Só gostava de saber uma coisa: isto é um novo serviço ao munícipe ou propaganda política? A ver vamos…

O síndroma da inauguração

O solícito gabinete de imprensa da Câmara de Pombal (a propósito...o que será feito do Ganibete de Imagem?) emitou uma nota alusiva à "Inauguração da Valência de Educação Pré-Escolar no Travasso". Tenho impressão de que estamos a falar daquela creche onde o Governo de Sócrates investiu umas coroas. Quererá isto dizer que o Estado fechou a torneira e agora a Câmara encontra nesta "inauguração a calhar" uma compensação para a verba investida? Ou Adelino Mendes anda distraído?
Perante a primeira hipótese, parece-me justo. Mesmo que eu tenha sempre alguma dificuldade em perceber a diferença entre dinheiro da Câmara e do Governo, já que ninguém me tira da ideia que é tudo nosso, pago por nós.
Se a resposta estiver na segunda possibilidade, significa que continuaremos em apuros.

15 de setembro de 2009

Coreto ou Barraca?


O coreto é, normalmente, um elemento distintivo e simbólico, que qualifica e enriquece o espaço público de uma determinada localidade. Mesmo nas localidades mais descaracterizadas, sob o ponto de vista arquitectónico, o coreto é, normalmente, um elemento atractivo e bem preservado. Em Abiúl não, a Junta utiliza-o como barraca de arrumações e painel de publicidade. Opções…

14 de setembro de 2009

Choremos todos

João Tordo é um rapaz bem criado. Filho de um "trovador", escreve com uma lucidez tal que parece adivinhar o pensamento. Este post diz tudo aquilo que me vai na alma, por estes dias.
É claro que o rapaz não faz ideia do que é Pombal, nesta matéria. Se fizesse, desconfio de que o post não se chamaria "choradeira", mas antes "depressão profunda", que é o estado em que ficamos quando nos parece que nada tem remédio.

13 de setembro de 2009

Centro Educativo de Carnide

Foi hoje inaugurado, com alguma pompa e circunstância (ou não estivéssemos nós em campanha eleitoral), o Centro Educativo de Carnide (CEC). É um equipamento moderno, com várias valências e excelentes condições para as crianças e para os profissionais ligados ao processo educativo.
Fico feliz por o meu País estar a proporcionar às crianças, desde tenra idade, todas as condições para se desenvolverem e serem felizes. E valorizo-o ainda mais porque sei o que a escola antiga fez, logo na escola primária, à minha geração. Bem sei que hoje é fácil estarmos de acordo acerca da importância destes equipamentos, mas recordo com alguma mágoa os discursos inflamados e ferozes contra o governo e a ministra da educação por causa do encerramento das velhas escolhas, sem condições e sem crianças, que tanto contribuíam para o insucesso escolar.
Espero que alguns dos políticos que assistiram aquela inauguração (e outros) tenham feito um mea culpa e iniciado o acerto do passo com o progresso
.
Adenda: Pelos vistos, apesar de eu ter recebido um convite, formal, não era suposto, e conveniente, ter aparecido. Como eu os compreendo: afinal aquilo era, acima de tudo, uma acção de campanha, paga com o nosso dinheiro. Manhosos…!

11 de setembro de 2009

história do tenor desafinado

A história que hoje aqui trago foi contada por Plácido Domingo no meio de políticos, durante um banquete oferecido pelo Presidente da Republica há época da sua (1.ª) passagem por cá, e relatada na revista Actual pelo J.M. Santos, assim:
“Numa pequena cidade de província, em Itália, havia um pequeno teatro com uma grande tradição. O público, embora modesto de condição económica, era sabedor e exigente de gosto musical. Uma noite houve em que se representava uma ópera, na qual, num dos actos, se sucedem duas árias: uma cantada por um tenor; outra, cantada por uma soprano. Os cantores daquela companhia eram todos muito maus e o publico estava furioso com isso. À medida que a récita decorria, as reacções dos que a ela assistiam tornavam-se mais impacientes, mais hostis e mais ruidosas. Quando chegou a altura das duas árias sucessivas o tenor entrou em palco e começou a cantar. Cantava e desafinava. Mas habituado ao desastre que era, não se intimidava. Cheio de desfaçatez, continuava a cantar com um à-vontade e uma arrogância que nem o melhor cantor do mundo. O público agitava-se, aguardando o fim com ar feroz e ameaçador. Mal foi dada a última nota (até essa desafinada) desatou a patear furiosamente. O tenor fitava com ar desafiador aqueles que uivavam e batiam freneticamente os pés. Essa atitude insolente ainda os enfurecia mais e a vaia aumentava de intensidade e vigor. Parecia que a sala vinha abaixo. Então, o cantor começou a fazer gestos, sacudindo as mãos lentamente. Quando os espectadores perceberam que ele estava a pedir-lhes que se acalmassem, a pateada ainda se tornou mais agressiva. Mas o cantor continuava a mover as mãos, agora com uma humildade forçada ou fingida, pedindo que escutassem o que tinha para dizer. Pouco a pouco, com contrariedade e desconfiança, o publico lá foi diminuindo a fúria sonora. Quando o silêncio era total, o tenor fez o seu olhar viajar da plateia aos camarotes e dos camarotes à plateia, encarando o rosto dos que o fitavam. Tossiu para aclarar a voz e, nesse momento solene, disse, alto e bom som: “Não pateiam já tudo. É que o soprano que canta a seguir ainda é muito pior do que eu!...””
Por ser intemporal e por a política se ter transformado num espectáculo, todas as similitudes com a realidade política actual são legítimas.

O senhor engenheiro ao natural



Irrita-me este ar dengoso.
Cada vez lhe encontro mais semelhanças com o outro engenheiro. Só lhe falta dizer mais vezes "hã..."

10 de setembro de 2009

A falácia da asfixia democrática

Ando asfixiada com o tema. Muitos dos meus camaradas têm memória curta, outros não têm memória. O que nos vale é que há a Madeira, onde todos nos vamos refugiar quando o Sócrates soltar definitivamente as garras, ou a tia Manela despir esta pele de avozinha que faz bolinhos para os netos e sabe bem quanto gastou nos ingredientes e se armar em dama-de-ferro à portuguesa.

8 de setembro de 2009

Novo Centro de Saúde

Segundo o NC, Narciso Mota, na cerimónia de encerramento da I Mostra da FisioSaúde, reivindicou novo Centro de Saúde para Pombal.
Reivindicou? Mas ele já o prometeu em 1997, 2001 e 2005.
Engana-me, que eu quero...

5 de setembro de 2009

Atentado ambiental e paisagístico


Em Pousadas Vedras, o vale que vai dar a Olhos de Água (nascente do Rio Anços e local próximo de captação de água pela CMP) está transformado em grande vazadouro de todo o tipo de detritos e lixo.
Um atentado ambiental e paisagístico que está à vista de toda a gente. Tanta conivência, porquê?

4 de setembro de 2009

mouraguedesgate, tão longe e tão perto

Não gosto do estilo nem da figura, mas mexe sempre comigo este tipo de coisa, este tique silenciador que desta vez acabou com o jornal de sexta, na TVI.
Sabendo à partida que não há anjinhos no Governo, que Sócrates lida mal com quem assume opinião contrária (já escrevi noutros tempos que ele e o "nosso" engenheiro têm muito mais em comum do que se imagina), há uma verdade absoluta que importa lembrar: Quem manda nas empresas são os administradores. Por saber do que falo, fico sempre triste quando vejo uma administração baixar-se até rastejar de língua no soalho, polindo o caminho. Temos por cá exemplos potentes, como muitos sabemos. Por isso, a "sorte" de um qualquer jornalista nos tempos que correm chama-se mesmo entidade patronal e reveste-se da firmeza e da índole de quem nos gere, percebendo que todos ganham muito mais se forem árvores, que morrem de pé, em vez de arbustos que secam mal acaba a primavera. Porque não haja ilusões: Hoje temos sócrates como tivemos santana. E antes disso tudo houve Cavaco, esse "mestre" na arte de silenciar, que agora já não come bolo-rei nem faz chamadas à polícia de intervenção. Agora já não se mete nos assuntos da Ponte nem da Pereira Roldão.
E depois agora temos blogues, como este, numa terra onde por causa de um blog ficou uma história dessas para contar. A diferença é que Moura Guedes não sai dos saltos nem consta que ande a contar os trocos do salário para as contas de supermercado. A nós, o que nos vale, é que vivemos num concelho charneira, humanista e solidário. E quem perceber este chavão nunca tem chatices na vida. Nem precisa de ter sorte com os patrões.

Espuma dos dias

A propósito do caso do Jornal Nacional da TVI, para além do que tenho dito na minha outra casa, repito que Portugal é um país com uma incipiente maturidade democrática (cada vez mais em remissão) e uma Justiça ineficaz, pelo que aqui a liberdade de imprensa nunca é um pilar de um Estado de Direito, mas sim uma arma de arremesso que se utiliza ao sabor do vento.

3 de setembro de 2009

BLOCO DE ESQUERDA


Agostinho Silva, candidato do B.E. à Câmara Municipal de Pombal, deu uma entrevista ao mensário O Eco na edição 1 de Setembro de 2009. Questionado sobre qual o seu político de referência respondeu: Sá Carneiro e Paulo Portas. Surpresa? Admito que nunca imaginei que um indíviduo da área política do Bloco pudesse ter como políticos de referência S. Carneiro e P.Portas, mas pensando bem tal afirmação não me espanta por aí além, uma vez que vem confirmar as dúvidas sobre a real natureza política daquele movimento. Mas afinal o que é o Bloco de Esquerda? Um albergue espanhol? *


* Albergue espanhol: na gíria francesa significa o lugar onde várias culturas se misturam, onde não há regras e onde tudo pode acontecer.

2 de setembro de 2009

As Obras do Regime (II)

Em Pousadas Vedras, Redinha, jaz ao abandono mais uma obra do regime. Apesar de inacabada, foi inaugurada, teve direito a discursos e placa.
Está na altura de gastar lá mais uns cobres na recuperação e requalificação da obra (como costuma dizer o Presidente Narciso Mota). E, como os trabalhos não são de grande monta, a coisa, se acelerada, ainda se (re)inaugura antes das eleições. Não podem perder muito tempo…

31 de agosto de 2009

Propaganda chocante

A quantidade de outdoors que povoa as cidades e as rotundas deste pobre País choca o mais desatento e é revelador do nosso subdesenvolvimento. Estamos em crise? Não parece. Mas colocar grandes outdoors, para a câmara e, vejam bem, até para a JUNTA, é obsceno.
Quem paga? NÓS, NÓS e NÓS, de todas as formas.
Havia necessidade?

O nosso Parque Verde



Em Pombal faltam espaços verdes porque o betão engoliu quase tudo. Mas os nossos visitantes descobriram, no Barco, uma zona verde, constituída por enormes silvados, que utilizam como parque de campismo selvagem. E assim se polui e degrada, ainda mais, uma zona nobre da área urbana da cidade, se reforçam os riscos de incêndio e se compromete a saúde pública.
Até quando?

28 de agosto de 2009

Crimes no urbanismo

O Público de hoje noticia que “A Unidade Especial de Investigação à Câmara de Lisboa acusou o arquitecto Jorge Contreiras de corrupção, branqueamento de capitais, abuso de poder e falsificação de documento. O arguido era assessor de uma das divisões de gestão urbanística da autarquia e terá dado pareceres favoráveis a processos elaborados por um gabinete de projectos de que era sócio”.
A notícia relata como foi apanhado o arquitecto aprendiz de vigarista. E os alfacinhas têm a mania que são muito espertos! Na província os arquitectos vigaristas já não são apanhados desta forma, são muito mais sofisticados, a coisa não é feita de forma tão directa, tipo toma lá dá cá, passa por umas triangulações mais elaboradas, mais dissimuladas e, acima de tudo, mais protegidas.
Anjinho!

Calhaus e Ideias


Penela inaugura primeiro parque infantil de temática romana de Portugal. Há quem aposte em traços diferenciadores e os potencie. No fundo, até que é simples: começa por perceber que o património serve para mais que placas de inauguração ou projectos de requalificação sem objectivos palpáveis. Pode-se até dizer que Pombal não tem um património como a villa do Rabaçal, por exemplo, mas isso é falso. É falso porque nesse capítulo nunca se fez o levantamento do património romano no território do Concelho, se bem que existe um projecto para tentar fazera mesma coisa a uma villa na Freguesia de Santiago de Litém. Mas é preciso não esquecer São Tibério, o próprio Castelo e porque não, a eventual Cidade da Roda, na Redinha. Tudo locais referenciados mas nunca explorados para aferir o seu potencial. É que o que para muitos são meros calhaus, para outros são ideias ou projectos que fazem toda a diferença.

27 de agosto de 2009

Subscrevo

Moita Flores afirmou no DN de ontem que "é costume dos inaptos atirar para cima do Governo com as responsabilidades dos problemas não resolvidos, alijando assim a carga da incompetência dos que governam os municípios".
Por estas bandas a culpa do que falta e do mal feito é sempre do Governo.

Eleições e Candidatos

A degradação da actividade política é uma realidade mais ou menos consensual nesta terra cada vez mais mal frequentada e noutras deste País (e não só) que se manifesta na ocorrência, cada vez mais frequente, de factos escandalosas. A causa primária disto está, como não podia deixar de ser, no político; tal como no circo está no palhaço.
Olhando para o perfil dos candidatos aos próximos sufrágios não são expectáveis melhorias na acção politica. Estou convencido que os critérios de escolha dos candidatos foram, na maioria dos casos, unicamente os definidos na lei: ter capacidade eleitoral activa. Só assim se compreende que as listas estejam povoadas em lugares ilegíveis de gente mal preparada, mal empregada, desempregada ou à procura do primeiro emprego (digno desse nome). No entanto, como o nível de exigência está muito baixo concedo que o recrutamento de candidatos para uma Junta se faça entre a população desempregada ou mal empregada, julgo até que para uma Junta o facto de o candidato estar desempregado poderia ser um dos critério de selecção e até de voto, mas baixar os critérios de selecção a este nível para os órgãos da Câmara ou para deputado da República é demais.
Por este caminho a actividade política rapidamente se transformará na mais rasca das actividades lícitas.

As Obras do Regime (I)

Em Abiúl, mais concretamente no Ramalhais, foi construído um ringue, no cimo de um monte, junto à casa de um activo membro da Junta, contra a vontade da população e da Associação Desportiva Local; longe dos núcleos populacionais, da Escola e do Campo de Futebol, sem balneários e sem uma simples Casa de Banho.
Resultado: não é utilizado, está abandonado.
É o regime no seu melhor.

Continuamos a seguir a pista


Que isto em Pombal é porreiro, pá.
Que o digam os de fora.

25 de agosto de 2009

Recomendação aos políticos

Como estamos em época de campanhas eleitorais achei oportuno relembrar aos nossos políticos a importância de ser pontual. Faço-o com esta pequena história:
Numa determinada terra as pessoas decidiram homenagear o velho padre pelos pelos seus 25 anos de trabalho ininterrupto à frente da Paróquia. Um político, importante, da região, membro da comunidade, foi convidado para entregar o presente e proferir um pequeno discurso durante o jantar, mas atrasou-se.
O sacerdote, incomodado com a espera, decidiu proferir umas palavras, disse:
- “Tive a minha primeira impressão da Paróquia na primeira confissão. A pessoa que se confessou disse-me que tinha roubado um rádio ao vizinho e dinheiro aos pais e na firma onde trabalhava, que se tinha dedicado ao tráfico de droga e que tivera aventuras amorosas com a esposa do patrão e até tinha transmitido uma doença à irmã. Fiquei assustadíssimo... Pensei que o Bispo me tinha enviado para um lugar terrível. Mas fui confessando mais gente, que em nada se parecia com aquele homem... Constatei que na realidade a Paróquia estava cheia de gente responsável, com valores e comprometida com a sua fé. Vivi aqui os 25 anos mais maravilhosos do meu Sacerdócio”.
No momento em que o padre terminou a sua curta intervenção chegou o político. O padre passou-lhe imediatamente a palavra. O político, depois de pedir desculpas pelo atraso, disse:
- “Nunca mais vou esquecer o dia em que o senhor padre chegou à nossa Paróquia. Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro da Paróquia a ser por ele confessado!”
Moral da história: nunca chegar atrasado.

21 de agosto de 2009

ETAP, verdade?

A política de verdade, ou de mentira, chegou, também, à ETAP: não paga aos professores e aos fornecedores (atempadamente).
Desbarata-se dinheiro em tanta coisa fútil e depois falta dinheiro para capitalizar a escola e respeitar os compromissos.
Escola de referência? Olha se não fosse!

E já agora...

A Bússola Eleitoral para as Legislativas em Portugal. Giro, giro era se alguém se dedicasse a construir uma coisa destas para as Autárquicas em Pombal...

Guia prático para as festas populares

Num fim-de-semana em que se realizam duas das mais importantes festividades deste concelho - quiçá do país, do universo, sei lá - que são, como é sobejamente conhecido, a festa em honra de Nº Sr. das Misericórdias, na Moita do Boi, e a festa em honra do Sagrado Coração de Jesus, em Vermoil, aqui ficam alguns conselhos para candidatos e demais aspirantes a políticos que eventualmente estejam interessados em caçar por lá uns votos:

1 - Não chegar atrasado à missa. Para isso já basta o José Neves mais velho, no Louriçal, que depois atravessa a capela/igreja toda para se fazer notar. Só que isso do protocolo não é o pão-nosso-de-cada dia e...a malta não percebe.

2 - Acompanhar a procissão no meio do comum dos mortais (bem sei da Gripe e tudo e tudo, mas assim sempre dão um ar de quem não se importa de levar um banho de povo), ao invés de seguirem o padre debaixo do pálio, se o houver.

3 - Deixar em casa a gravata e/ou casaco do fato, pois que não há nada mais deprimente que uma camisa molhada de suor, para além do desagradável que se torna levar um beijinho* ensopado. Opte por camisas de linho e/ou t-shirts de algodão leve e fresco. O engº Narciso deve apostar mais nestas e menos naquelas camisetas/pólos que estão fora de moda. Já o Adelino deve apostar mais nos jeans, que ainda está na idade.

4 - Escolher bem os membros da comitiva, pelo menos nestas ocasiões. Isto é: há aqueles rapazes que andam na noite e que depois têm uma certa dificuldade em andar de dia, mesmo que seja nas festas populares. Têm normalmente atitudes a despropósito e a malta nota-lhe o ar de enfado. (Veja lá se tem mão neles, engº)

5 - Isto de arraiais e festas carece de alguma preparação prévia. Se não tem grandes hábitos de beber refrescos, comece pela mini. Vai ver que lhe dará um jeitão no contacto com o povão. Depois é só juntar-lhe tremoços e pevides, pôr o seu melhor sorriso e ouvir. Por alguma razão Deus nos dois dois ouvidos, e só uma boca.

19 de agosto de 2009

Mais uma grande obra do regime

No próximo domingo, desta vez na Pelariga, vai ser inaugurado, com pompa e circunstância (discursos, foguetes, comes e bebes e música), mais um Parque de Merendas.
Mais uma grande obra do regime! E paga o Zé, e a Maria…

A campanha on-line


Ao contrário do que aconteceu há quatro e há oito anos, tempos em que, em Pombal, apenas a CDU assumia a sua candidatura na internet, proliferam os sites e blogues das diversas forças partidárias. Parabéns! Existe agora uma forma simples de obter informação relativa às agendas de campanha, aos programas eleitorais, etc.

Um "estrangeiro", como eu, pode agora consultar o blogue do Narciso Mota que, pelos vistos, lá arranjou tempo para escrever em blogues (as voltas que o mundo dá...), o site do Adelino Mendes, o blogue do Alcides Simões. Como se pode ver, todas as candidaturas optaram pela personalização da campanha. Não gosto. Mas isso talvez se deva a facto da minha formação privilegiar os projectos colectivos...

Também as candidaturas à junta se começam a perfilar no ciberespaço. Temos o site e o blogue, do João Alvim (sem dúvida o candidato mais habituado a estas andanças), o site e o blogue do José Neves (o homem tem também, pasme-se, facebook, hi5, etc), o site do Dinis Martins.

Passou-se do oito para o oitenta! Agora tudo tem site, blogue, facebook, hi5, twitter e sei lá mais o quê. Eu até comprendo essa parafernália no João Alvim. Como já anda há muitos anos nisto, definiu estratégias diferentes para o site e para o blogue (basta ver a inteligente escolha dos títulos), conseguiu atrair um grande número de seguidores no facebook, objectivou diferentes públicos-alvo para os vários canais que utiliza. Apesar de achar que poderia ter sido mais parcimonioso, não lhe fica mal. Agora, convenhamos: na maioria dos casos é um completo absurdo!

18 de agosto de 2009

É preciso é seguir a pista!

Há entre nós uma nova paixão. Chama-se Aeromodelismo. Ae-ro-mo-de-lismo. Fiquei a saber sábado à noite, quando ouvia uma dissertação do senhor presidente numa festa de um clube de... Atletismo. Ainda julguei tratar-se de um lapso, pois que os muitos adeptos da modalidade reclamam para Pombal uma pista, no Estádio Municipal, que sirva a todos. Mas não. O homem repetiu aquilo. E voltou a repetir. E ainda disse não-sei-quê de falar com verdade e com rosto. A cena passou-se em Vermoil, onde o Atlético local comemorava bodas de prata.

17 de agosto de 2009

De um simples ribeiro a uma grande praia



Ontem, empurrado pelo meu miúdo, voltei a Castanheira de Pêra para passar o dia na famosa Praia das Rocas. Os miúdos, normalmente, não se enganam na escolha das atractividades lúdicas. Valeu a pena, passámos um belo domingo.
É espantoso como a câmara transformou um simples ribeiro numa enorme e belíssima praia, animada e cheia de atractividades (ver imagens). Fui lá nos primeiros anos (2003 e 2004) e já naquela altura fiquei surpreendido com a visão e o arrojo do executivo camarário que concebeu e realizou aquele avultado investimento público. Temi que depois do epifenómeno inicial a coisa acabasse num enorme elefante branco. Felizmente nada disso aconteceu, o empreendimento continua vivo, com grande capacidade para atrair famílias dos concelhos vizinhos e não só (vi por lá várias famílias de Pombal).
Daqui se conclui que os executivos municipais podem fazer muito mais pelo desenvolvimento das suas comunidades do que à primeira vista se pode pensar. Mas para isso é necessário possuir alguma imaginação e alguma visão (no mínimo para além das próprias palmas das mãos) e não destruir riquezas naturais, valiosíssimas nos dias que correm, nem desbaratar recursos financeiros em subsídios frívolos e em benfeitorias e arranjas de fraco valor.