23 de abril de 2026

O que nasce torto tarde ou nunca se endireita

O vereador não-eleito Manuel Serra, número dois da lista Chega, que assumiu o cargo após a renuncia do cabeça de lista Mithá Ribeiro, anunciou, hoje, na reunião da “junta”, que se desvinculava do partido e passava a vereador independente.

Bastaram seis meses para Manuel Serra despir a camisola que decidiu envergar; o que diz muito, ou tudo, da coerência e da consistência política que actualmente se pratica, em total desrespeito pelos eleitores. Porventura, assume agora o papel que sempre desejou representar, mas sério, correcto e digno seria a renúncia ao triste papel que continua a representar. 




12 de abril de 2026

Ditadura Democrática em Pombal – a suprema tontice do PS local

Na ausência de melhor apreciação, o PS local, nomeadamente pela voz do seu líder na Assembleia Municipal (dotor Manuel Gonçalves), acusa o dotor Pimpão de exercer uma Ditadura Democrática em Pombal!



A acusação tem tanto de inverosímil como de contraditória. Por isso, só pode advir de quem perdeu, há muito, o tino (político). Se por um lado, a expressão é uma contradição nos termos, porque não se pode ser uma coisa e a outra em simultâneo, por outro, o classificativo “Ditadura”, ao estar bem estabelecido pela História e pela Ciência Política, e por estar bem presente, de forma traumática, na nossa memória colectiva, não deveria ser usado corriqueiramente, nomeadamente pelos ditos democratas. Mas o pior nem está na dimensão contraditória da imputação, já de si muito relevante e reveladora; está na total e absoluta inverosimilhança da mesma. Se há faceta que o dotor Pimpão não tem – mesmo - é de ditador. E digo mais: é a sua antítese.

A crítica política, para ser eficaz, tem de cumprir, no mínimo, duas condições: ser minimamente verosímil e ser bem-apresentada e explicada. Regras que o PS local parece desconhecer ou é incapaz de implementar. Mas pior: parece desconhecer totalmente a terra onde vive e a forma como é exercido o poder. Os problemas do concelho, ao nível do exercício do poder, não estão, de certeza, nos supostos abusos de poder do presidente da câmara para condicionar os outros poderes, nomeadamente da oposição; estão, acima de tudo, na impotência da dita oposição para exercer o poder que lhe compete – o contrapoder.

Sobre o exercício do poder que se faz, ou não faz, por cá, convinha que os actores políticos metessem uma coisa muito simples nas cabeças: o dotor Pimpão só se preocupa com uma coisa aparentemente muito simples e ao mesmo tempo complexa: ser amado. Se para isso for necessário abdicar do exercício do poder, abdica (abdicou). É isso que ele tem feito, com sucesso, sem contrapoder.

9 de abril de 2026

Tozé no país das Meirinhas

https://youtu.be/Hnywooh9VTs?si=IXkcCxt-Qk5QCLDm

 Quando António José Seguro começou esta presidência aberta, parecia mesmo que estava a virar uma página na política portuguesa: guardo a imagem do presidente em Ourém, a fazer o que ainda nenhum outro tinha feito – a visita ao povo afectado pela tempestade, o contacto directo com pessoas sem tecto, longe dos ambientes controlados que têm almofadado as visitas sucessivas de ministros, o desfile obsceno a que temos assistido, sem que daí resulte nada, nicles, zero.

Mas bastaram os dias seguintes para percebermos que foi ledo engano. Seguro está, afinal, a trabalhar para a reeleição, versão 2.0 de Marcelo, a distribuir beijos, selfies e abraços com um afinco tal que nos sufoca. Não há esperança para isto. Desde a Junta ao topo da República, 99% por centro dos políticos só está preocupado com a sua própria sobrevivência no cargo.

A sua passagem pelas Meirinhas, durante o dia de hoje, rivaliza com qualquer filme de Kusturica.

Poupo-vos aos pormenores, deixo à curiosidade de cada um as imagens (algumas em vídeo, que mostram bem o ar de deboche de vários protagonistas), e permito-me soltar uma gargalhada, só. Eu havia de viver para isto: ver uma terra onde ser socialista está ao nível da extrema esquerda, rendida a Tozé Seguro. E ver Tozé Seguro rendido ao poder laranja, levado em ombros por aqueles que a vida toda apoucam, desprezam e ridicularizam os que vêm da mesma família política, fez-me lembrar uma procissão de Senhor dos Passos fora de prazo. Mas serviu para conhecermos, todos nós, o que (lhes) importa.

Seguro passou, Meirinhas soma e segue (não esquecer que ali os prejuízos se contam aos milhões, não é aos milhares), quem ainda não tem telhado que espere. Pelo dinheiro do seguro, do Estado, ou tão só por uma visita de alguém da Câmara.

Uma nota final para o desfile de assessores, uns moiros de trabalho a saltar de fotografia em fotografia. Alguém que lhes arranje um banco corrido, que isto cansa. Não acreditas? Estudasses!

Foto do dia

 

Para macacadas, prefiro os caretos de Podence.

1 de abril de 2026

Reunião da “junta”

A “junta” reuniu, ontem. Cumpriu-se mais uma formalidade, sem chama e sem relevo, num registo uniforme e indolente mais digno de final de ciclo.



O vereador não-eleito (doutor Coelho), que rapidamente e compreensivelmente se tornou insubstituível, descarregou, sem força e sem animo, qual Diácono Remédios, o volumoso saco de preocupações e minudências que colecta nas conversas mundanas e arrasta consigo. Carrega, coitado, com a sua circunstância e a consciência das próprias fragilidades. Com o outro vereador não-eleito não vale a pena gastar muito latim, continua agarrado à Guia e a distribuir umas loas pelos companheiros/as, sempre no registo assembleia de freguesia.

O doutor Pimpão despachou bem todas as preocupações dos vereadores não-eleitos – são uma das suas especialidades; a outra é a felicidade. Mas sentiu-se entalado com as intervenções do público, do senhor Amadeu e da senhora Durvalina, que esperam, há longo tempo, por uma solução para os seus problemas: um projecto parado há mais de meia dúzia de anos; e uma obra torta que incomoda sem solução por igual período. Chutou as batatas quentes para a tarefeira-mor, que, coitada, só teve para oferecer a voz e o tom meloso, que só serve para embalar camelo. No entanto, as duas questões do público tiveram o mérito de fazer luz sobre as razões por que rodam tanto os vereadores, sobretudo no urbanismo e obras.