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28 de junho de 2022

Do género "igualdade fofinha"



Quando a Secretária de Estado para a Igualdade e Migrações aborda os números de mulheres vítimas de Violência Doméstica e desabafa que não sabe o que mais havemos de fazer para combater o problema, pois temos as leis mais avançadas do mundo, isso diz muito do estado a que chegamos neste país. Quando a este desabafo se acrescenta um elogio ao Presidente de Câmara por este assumir o pelouro da Igualdade e Cidadania, sem que seja pública qualquer ação de monta nessa área, isso torna tudo ainda mais deprimente. Quando, no seu discurso, o Presidente sublinha que a Igualdade não se limita à Igualdade de Género, sem que seja claro o objeto do seu discurso, isso secundariza completamente qualquer intenção de valorizar o papel das mulheres na sociedade, mesmo que, pelo meio, refira que tem "muito carinho pelo tema da Violência Doméstica".

Quando a responsável (?) pelo Plano Municipal para a Igualdade refere que o Diagnóstico de Género foi um processo participado, ficamos a perceber que podemos ter as melhores leis do Universo, que não sairemos deste fado pombalense. Recordo o que já escrevi num post anterior: a município tem 18 pessoas em lugar de chefia tendo o questionário sido a aplicado a apenas 17 e, destas, responderam apenas 40%. Ou seja, num universo de centenas de trabalhadores do Município, o Plano Municipal para a Igualdade assenta na resposta dada por 7 (sete) pessoas. Sim, não é engano… 7 Pessoas. Podemos dizer que o documento hoje (28 de junho) apresentado assenta num processo participado?

Continuemos a brincar à Igualdadezinha e a criar documentos fofinhos para, de seguida, dizermos de modo compungido que não percebemos a razão de, em junho 2022, termos tantas mulheres assassinadas como em todo o ano de 2021.

 

Nota: na Assembleia Municipal de 29 de junho, debater-se-á uma proposta de recomendação relacionada com este plano (lá para a 1 ou 2 da manhã). Haverá debate, ou avançar-se-á diretamente para a votação, de modo a continuar os atropelos à democracia?


Luís Gonçalves - Farpas Convidadas

22 de fevereiro de 2022

A igualdade fica-nos tão bem


Assenta muito bem nesta Nova Ambição o Plano Municipal para a Igualdade e Não Descriminação - que o Município encomendou a uma consultora e cuja proposta levou à reunião de Câmara, antes de a ractificar na Assembleia Municipal, que acontece esta quarta-feira. Ficou claro o que uns e outros pensam a respeito do tema, aqui sintetizado neste excerto da discussão: para os vereadores do PS o problema resume-se a eles próprios e à desconsideração a que estão sujeitos suas excelências, não raras vezes. Para os outros...não sabemos.
Desgraçadamente, somos aquela terra onde o poder local encomenda planos - ou porque não sabe fazê-los ou não está para isso - e depois nem sequer se dá ao trabalho de os ler.