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23 de agosto de 2018

Tartufices

No verão passado, Pedrogão Grande (e os concelhos limítrofes) foi devastado por um violento incêndio que provocou a maior tragédia humana, neste tipo de catástrofe, em Portugal.
Os portugueses (e não só) desencadearam uma onda de solidariedade que permitiu disponibilizar, em pouco tempo, recursos financeiros e materiais mais do que suficientes para reparar os prejuízos materiais e restabelecer a normalidade possível daquelas vidas e daquela frágil comunidade.
Pensou-se que o mais difícil - o possível - estava feito. Puro engano! A reportagem da TVI sobre a reconstrução das casas em Pedrogão Grande, que passou ontem no Jornal da Noite, mostrou-nos uma mistela abjecta com as piores misérias humanas: a mentira, a hipocrisia, a desonestidade, o compadrio, a injustiça, a corrupção, a trafulhice, o aproveitamento pessoal, o roubo. O que choca não é que estes vícios e irregularidades estejam mais uma vez presentes na distribuição de dinheiros públicos – infelizmente, já estamos habituados. O que repugna profundamente é ver o patamar de desfaçatez que se atingiu; é verificar que até na presença de abundantes recursos materiais, os verdadeiramente necessitados são marginalizados, e os amigos e os oportunistas que pouco ou nada perderam são beneficiados de forma obscena.
Pobre terra, onde a corrupção brota à vista desarmada como um fungo. Pobres coitados, que tem à sua frente gente sem pinga de vergonha - uma cambada de impostores sem princípios e sem pudor.

15 de novembro de 2017

Dosonestidade política

A transparência é um dos princípios basilares da boa governação, particularmente relevante na administração pública. Feri-la, de forma premeditada, é pecado original.
A lista de candidatos ao executivo autárquico é hierarquizada. Por isso, o número um da lista mais votada é, sempre, presidente da câmara; e o número dois, no caso de impedimento perlongado ou renúncia do presidente, ascende, sempre, a presidente - independentemente de quem tenha sido designado vice-presidente. Daí que, o eleitorado veja no número dois da lista vencedora o futuro número dois do executivo – o vice-presidente e o potencial presidente. Logo, quando um presidente da câmara, depois de empossado ou durante o mandado, não atribui a vice-presidência ao número dois, ludibria o eleitorado, assume que jogou com a popularidade do/a número dois para captar votos mas não lhe reconhece capacidade para o substituir.
Bem sabemos que a popularidade e a competência andam muito desligadas, mais ainda do que quando Óscar Wilde afirmou que “para ser popular é necessário ser uma mediocridade”, mas a desonestidade política deveria ter limites.

1 de janeiro de 2016

Cidade viva e cidade adormecida

Quando se dava a transição para o Ano Novo, Pombal era uma cidade deserta, adormecida num sono profundo de esquecimento do tempo. Aqui ao lado, em Leiria (e também na Figueira da Foz), uma cidade em peso – novos, velhos, crianças, famílias inteiras (pombalenses, também) - saía à rua, confraternizava, divertia-se, partilhava afectos.
Mandeville, um dos percursores do pensamento liberal nos inícios de séc. XVIII, foi o primeiro filósofo-político a perceber que os vícios são fontes de riquezas, de melhorias, de tudo o que torna a vida mais confortável e agradável porque impulsionam a vida humana e, por meio da interacção humana, a sociedade. As suas teses geraram muito escândalo e foram o alvo proferido dos moralistas da época. Mandeville pode ser considerado  um visionário da actual sociedade de consumo e do prazer porque defendeu que a frugalidade deveria ser incentivada.
A indústria da diversão é actualmente uma das mais importantes: a de maior crescimento e a que mais contribui para a realização humana (excepto para os cristãos). Os políticos que ignoram isto estão desfasados no tempo ou tem uma agenda de retrocesso civilizacional.
Actualmente, as principais cidades europeias têm uma agenda de animação contínua. Lisboa é um bom exemplo - recuperou em pouco tempo o tempo de atraso.

Por cá compromete-se o presente em busca da salvação prometida.

7 de setembro de 2015

Por que não fazem duas listas?



Normalmente, a agregação cria sinergias.
Mas há casos em que a separação aumenta o resultado das partes.

É o caso da lista do PS no distrito de Leiria.

16 de julho de 2015

Aposta?

A Federação Distrital do PS de Leiria aprovou a lista de deputados seguinte:
            1.º - Margarida Marques
            2.º - António Sales
            3.º - Miguel Medeiros
            4.º - Odete João
            5.º - Adelino Mendes
            6.º - João Paulo Pedrosa
Se a lista final for esta, aposto dourado contra vintém que em Leiria o PS terá o pior resultado. Quem aposta?

PS: Ainda espero que António Costa faça aplicar, aqui, a orientação de renovação e abertura.

29 de setembro de 2014

PS é PS!

Ganhou o Costa. Eu vaticinava o contrário, crente que estava (e estou ainda) na podridão deste PS. 
Começaram a rolar cabeças, a nível nacional. Como se fosse o "outro banco", começam agora a separar o "PS bom" do "PS mau". Por pouco tempo, há aquela nata (corja?) que não sabe fazer mais nada nem tem problemas de coluna, e que rapidamente vão dizer ser Deus aquele que antes ofenderam de "oportunista sem escrúpulos", e com isso vão ganhar a redenção. Até porque, na lógica do cacique que por ali impera, o "gajo das ofensas" vale não sei quantos votos, e não o podemos encostar para já... Não é assim que se "faz a nobre arte da política"?
Por cá, parece que apostaram no cavalo certo (coisa atípica)! A reunião de "instrução" convocada e patrocinada pelo Manuel Gonçalves, na passada quarta-feira, dia 24, terá sido proveitosa, tendo militantes e simpatizantes saído da mesma mais esclarecidos, certo? 
Que resultado terá tido o PS de Pombal? É certo, não foi ele que foi a votos, mas se tudo muda para que tudo fique na mesma, então não vale muito a pena andar a fazer barulho. O PS de Pombal tem sido uma nulidade, quer aos olhos dos pombalenses (vejam-se os resultados eleitorais autárquicos nos últimos 20 anos), quer aos olhos dos socialistas do resto do país (veja-se o destaque que dão ao PS de um concelho com este relevo, e ponham os olhos nos vizinhos laranjas). 
Num partido com a libido do poder tão activa, como é o PS ou o PSD, em que parece que nada mais importa do que ter o poder ou manter o poder, os "15 dias"após a mudança de liderança são fundamentais. Há que fazer milhares de telefonemas, atraiçoar dezenas de antigos amigos, trocar votos e apoios por lugares, jurar amor eterno e assinar tais sentimentos em jantares de emergência... Enfim, é coisa linda de se ver. Vejamos pois como se portam os artistas de cá. 
O circo continua na cidade, isso é certo!

19 de janeiro de 2012

O fdp do Pedrosa

Para evitar plebeísmos, recorro à inspiração do poeta e manifesto: um partido que consente deixar-se representar por um Pedrosa é um partido que nunca o foi. E só não vou mais longe pois reconheço dignidade em muitos dos seus militantes. Abaixo o partido! Morra o Pedrosa, morra! Pim!

12 de junho de 2011

E porque não te demites?

João Paulo Pedrosa, presidente da distrital de Leiria do PS, apressou-se a expressar apoio público a António José Seguro para Secretário-geral do PS. Fê-lo sem conhecer programa ou ideias, simplesmente na ânsia de rapidamente marcar lugar na nova viagem.

António José Seguro é um dos políticos mais enfadonho e mais banal que conheço. Jamais ganhará uma eleição fora do PS (nem para a junta de freguesia da Marmeleja). Espero que nunca chegue a Secretário-geral do PS, porque, se chegar, o PS descerá no País ao nível que está em Leria.

29 de outubro de 2010

Apparatchiks no seu melhor

Carlos Lopes, ex-deputado e actual chefe de gabinete do Governador Civil, é o estereótipo acabado do actual militante partidário de sucesso. Rapaz sem grandes qualidades chega a Chefe da Divisão Administrativa e a Secretário do Presidente da Câmara de Figueiró do Vinhos e, depois de passar pela incubadora de apparatchiks que é Federação Distrital, a Deputado da Nação. Empurrado para candidato à Câmara de Figueiró dos Vinhos - de onde é natural e muito conhecido – sofre derrota esmagadora. Como prémio de consolação abriga-se/abrigam-no a Chefe de Gabinete do Governador Civil de Leiria. Entretanto é denunciado e caçado pelo Ministério Público que o acusa de 23 crimes, dos quais 19 são de corrupção passiva, sendo suspeito de prometer obras a troco de dinheiro para o partido.
Mais palavras para quê? A vida nos partidos faz-se disto e com isto! De vez em quando um ou outro, dos menos dotados de manha, acaba, felizmente, nas mãos da justiça.

PS: Ninguém espere que a criatura se demita do cargo de nomeação política que ocupa no governo civil, nem que quem o nomeou o faça. Falta-lhes vergonha.

12 de abril de 2010

PS é PS!

As eleições para as secções e concelhias do PS do distrito de Leiria decorreram este fim-de-semana (excepção feita para Peniche, que decorrerão no próximo sábado). No norte do distrito, predominam as listas únicas. Como em Pombal, por exemplo, em que Adelino Mendes tem a vitória assegurada, mas com um número de eleitores que faz lembrar as assistências da União de Leiria, quando joga em casa.
Num partido (PS) que tem coleccionado hecatombes nos últimos actos eleitorais autárquicos, em toda esta região, a existência de listas únicas é mais um claro sinal de falta de vitalidade. Porque a grandeza de um partido é como a seriedade da mulher de César: não basta ser, é preciso também parecer. E este PS não parece um partido grande!

29 de março de 2010

Partidos & colados

O PS local vai a votos dentro de dias, logo a seguir à Páscoa da Ressureição. Até à data não há notícias de outras candidaturas, tão pouco da esperada recandidatura Adelino Mendes, para os lados da Alexandre Herculano. É verdade que o partido anda moribundo há muito tempo, desde que começou a definhar, logo no inverno de 1993, quando a guerra das rosas descambou num viçoso laranjal, até aos dias de hoje. Mas 2013 é já ali ao lado - como diz o Alvim. E apesar de não estar minimamente preparado para deixar o poder, Narciso Mota não pode recandidatar-se. Pelo menos em Pombal. E o fenómeno pode e deve abrir espaço a novas oportunidades. Por isso vamos acompanhar com particular atenção os dias que aí vêm.
Entretanto, na Luís Torres, os tempos também não andam meigos. Consta que a isso se deve o estratégico afastamento de Rodrigues Marques deste nosso são convívio, pois que o outro engenheiro não gosta muito da brincadeira quando vê o nome desse amigo atirado para a possível sucessão. Estranhei o número de votantes (77) nas directas da semana passada. Julguei mesmo que Pombal registara não apenas a excepção nos resultados (o único concelho onde Rangel ganhou), como também na abstenção. Ledo engano. Afinal, há apenas 124 militantes inscritos. É só conferir os resultados. E comparar com Ansião, por exemplo. Valemos muito pouco no bolo distrital, e (agora) menos ainda no nacional.

10 de dezembro de 2009

Pensamento do dia

"A abstenção em Portugal, afinal, não é alta: começa a ser uma generosidade votar nesta gente. Será que não têm noção do que são, de onde estão, do que representam, do que se propuseram, do que esperamos e exigimos deles?"
Pedro Guerreiro, in Jornal de Negócios

1 de novembro de 2009

Nós na Assembleia da República

Confirma-se agora que nem Pedro Pimpão nem Odete Alves serão deputados. Dos nove deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Leiria, nenhum é de Pombal. Será reflexo da nossa importância no distrito?

26 de fevereiro de 2009

Presidente da CMC arguido

O Sol online afirma: “o presidente da CMC, Carlos Encarnação e alguns vereadores do anterior executivo, foram ouvidos hoje pela Polícia Judiciária como arguidos por alegadamente terem violado a lei no arrendamento de um imóvel”.
Por esta ilegalidade? Não havia necessidade…

18 de maio de 2008

Corrupção e Poder Local

Um estudo sobre Corrupção Participada em Portugal, publicado há dias pelo Observatório de Ética na Vida Pública, afirma que “ em metade dos casos, as pessoas envolvidas em actos de corrupção pertencem a órgãos do poder local” e “ a corrupção ao nível da Construção Civil e Obras Públicas, bem como dos serviços camarários, lideram as áreas de actividade onde se registam maior número de denúncias”.
Na região, nos últimos dias, fomos confrontados com mais dois casos de alegadas irregularidades na área do urbanismo. Na Figueira da Foz, o presidente da câmara, do PSD, foi constituído arguido por alegada prática dos crimes de participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder. Em Pombal, a policia judiciária fez buscas na câmara por suspeitas de ilegalidades no urbanismo, suspeitas amplamente apregoadas e discutidas no burgo.
A corrupção é uma praga da nossa sociedade e com grande incidência nas câmaras municipais.
Mas o mais grave é que estamos perante uma praga que se propaga beneficiando da inépcia do sistema judicial. O estudo refere que metade das denúncias terminam no arquivamento por falta de provas porque temos uma polícia pouco eficaz e um quadro legislativo confuso e disperso no combate á corrupção.
Comentando o estudo, Maria José Morgado considera ”urgentíssima a incriminação das condutas contra o ordenamento do território” e defende a “consagração no Código Penal da figura do crime urbanístico”, tal como sucede em Espanha.
É urgente parar esta praga. Punindo politica e criminalmente os prevaricadores.

5 de maio de 2008

Despesa ou Desperdício (1)


No pós 25 de Abril, nomeadamente nas décadas de 80 e 90, o poder local granjeou uma boa imagem junto das populações. Várias razões contribuíram para isso: as carências básicas das populações, a consciência reivindicativa das populações e das suas organizações de base (associações de moradores, colectividades, etc.), a orientação para a acção disseminada pelo processo revolucionário, o comprometimento dos eleitos, o reforço dos meios financeiros do poder local.
Foi a época do fazer, fazer, fazer. As prioridades estavam definidas: caminhos, estradas, água, saneamento e equipamentos sociais.
Solucionadas as carências básicas, e nalguns casos antes disso, começaram as obras de fachada: rotundas, estátuas, monumentos, etc.
É neste estágio que estamos em Pombal. À demasiado tempo, contudo!