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9 de outubro de 2024

E o regimento, censores?!

No (final do) período reservado às intervenções do público, Manuel Serra pediu a palavra, porventura para reforçar a oportuna intervenção do cidadão Jorge Cordeiro e/ou para fazer algum tipo de paralelismo com a sua longa luta contra a instalação de uma grande unidade avícola, na periferia da vila da Guia. Mas logo se levantaram várias vozes “não pode…”, “não pode…”, “não pode…”, de todas as bancadas. Não haja dúvida que o espírito censório supera as ideologias, e está mais disseminado do que se julga.

Perante a ridícula situação, o presidente da Mesa da AM em exercício - doutor João Coucelo -, porventura condicionado pelos protestos, não concedeu a palavra ao alistado e, pior, brindou a assembleia com uma justificação que teve tanto de pomposa como de patética.

Todos aceitaram a decisão. Todos menos o visado…

Passados largos minutos, possivelmente alertado para o erro que havia cometido, o presidente da mesa em exercício informou a assembleia que tinha cometido um erro ao não ter concedido a palavra a Manuel Serra, já que o regimento lhe concedia esse direito, e pediu desculpa pelo erro. Os erros acontecem, mas, neste cargo, acontecem mais quando se conduz os trabalhos mais pelo sentimento (“feeling”) que pelo regimento.

Depois: depois continuamos a padecer dos antigos vícios: democratas pouco democráticos; e espírito censor aguçado.


26 de abril de 2022

Liberdade, Igualdade, Fraternidade

No dia em que escrevo há um sol que brilha mesmo que ameaçado por algumas nuvens. O que vislumbro do lado de lá da minha janela poderia ser a  da noite eleitoral de ontem em França: a Democracia vence, mas muitas nuvens permanecem na mente de todos nós.

O lema da Revolução Francesa permanece no nosso imaginário e costuma ser evocado também nas comemorações do 25 de abril em Portugal. Todavia, como em muitos outros aspetos, muito do que se gritava em 1789 está ainda por cumprir.

No nosso concelho do interior, à beira-mar plantado, poderia parecer que a fraternidade se estaria a cumprir. As páginas publicitárias do Município (no FB aparece como comércio local, pelo que se compreende que estejam a tentar vender uma imagem) apresentam com alguma frequência a partilha de algumas migalhas com quem sofre às mãos de um invasor. Nos discursos oficiais, parecem existir campeões em todo o lado em linha com as orientações dos gurus holísticos de autoajuda. Todavia, os nossos idosos continuam ao abandono, as minorias estão esquecidas e guetizadas, as/os trabalhadoras/es continuam exploradas/os e a ter de trabalhar 12, 14 ou mais horas por dia para, no final, ainda escutarem as lengalengas da meritocracia. Que Fraternidade é esta?

Hoje, celebramos a Liberdade. Em Pombal, apesar dos percalços do mau-tempo(!), também a celebramos. Todavia, deveríamos questionar a qualidade da Liberdade quando escutamos tantas pessoas a dizerem que não se manifestam contra as opções do poder vigente com medo de represálias. Que Liberdade é esta?

Mas, acima de tudo, jamais existirá Liberdade, enquanto não existir Igualdade. A primeira nunca se conseguirá cumprir totalmente, enquanto a segunda não estiver garantida. O Município apresentou um Plano Municipal para a Igualdade. Mas este é, claramente, um plano para ficar na gaveta. Acima de tudo porque, em determinado ponto, se faz depender esse plano da existência de verbas externas para o poder executar. Basta esta alínea para perceber que o documento é uma mão cheia de quimeras, pois os planos municipais para a Igualdade são opções estratégias políticas para o território, sem alocação de verbas governamentais. A sua base (o diagnóstico de género em Pombal) tem lacunas metodológicas que apenas se compreendem pelo pouco investimento de quem ordenou a sua execução. Deixo alguns exemplos:

a) questionário de diagnóstico aplicado aos serviços: o município tinha 17 quadros dirigentes, foram aplicados 16 questionários, obtiveram apenas 9 respostas. Que validade tem este diagnóstico?

b) entidades externas: enviados 59 questionários, foram respondidos apenas 25. Não se explicita a qualidade das entidades externas (conselhos de administração? Técnicos especializados?) o que condiciona a leitura da realidade das respostas. Qual a razão de não ter existido uma deslocação às sedes?

c) Quantas ruas com nomes femininos tem a Cidade de Pombal? E o Concelho? Nos últimos 10 anos, que preocupações existiram em termos de toponímia? Que planos para a "década" e este propósito?

d) Quantos livros escritos por mulheres foram financiados pelo município nos últimos 10 anos? Que planos para a "década" e este propósito?

e) qual o espaço que as mulheres tiveram para expor as suas obras nos últimos 10 anos? (Sim, eu sei que a Casa Varela tem uma exposição de Lídia Carrola a decorrer.)

f) qual o espaço musical dado às mulheres, comparando com os homens, nos últimos 10 anos?

g) os estudos internacionais apontam a iluminação das cidades como um fator de desigualdade com prejuízo para as mulheres. Que diagnóstico foi feito a este propósito?

Não é necessário ser-se um perito em Igualdade para perceber muito do que falta cumprir. Basta estar atento e basta querer, efetivamente, mudar. Ao discurso oficial é necessário aliar as ações e essas tardam em aparecer.

Viva o 25 de abril! Viva a Liberdade, Viva a Igualdade, Vida a Fraternidade.


Luís Gonçalves

25 de abril de 2022

Faz de conta que somos pela Liberdade

 


Na primeira comemoração do 25 de Abril que lhe coube em sorte enquanto Presidente da Câmara, Pedro Pimpão fez todo um show off à sua maneira: uma infantilização da cerimónia - e nem sequer estou a falar da escolha do punhado de jovens em representação dos partidos neste regresso da intervenção política (que se saúda). Ora para quem anda nisto há tantos anos, e já assistiu às mais altas comemorações da data na AR, não é desculpável tamanha falha de protocolo. Quem preside às comemorações não é o presidente da Câmara. É o presidente da Assembleia Municipal. Mas como esse agora é líder parlamentar do PSD e tinha que estar em Lisboa, precisamente na AR, e aqui no burgo o partido ainda está a colar os cacos, a nova ambição agora é isto: uma sessão solene sem presidente da Assembleia, nem ninguém que o represente. Adiante. 

Concentremo-nos então no discurso de Pimpão, que apareceu de cravo ao peito, dedo em riste, a encher a boca com a liberdade e o respeito. Repetiu a palavra vezes sem conta, talvez para si próprio. Talvez porque sabe que quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito. Diz o Pedro que quis dar duas dimensões às (suas) primeiras comemorações do 25 de Abril: a liberdade de Imprensa e a liberdade política. O problema é o conceito que o Pedro tem de liberdade de imprensa. Entende-a como mensageira, logo, o jornalista está bom para pé de microfone. A ele não o preocupa nada que tenham desaparecido tantos títulos aqui da terra, porque estes bastam para "veicular as opiniões" - uma das missões que reconhece à imprensa. 

O Pedro está ressabiado com o Farpas. Percebemo-lo agora. Pedro, o democrata, o arejado, aquele que veio depois de Narciso Mota e Diogo Mateus, foi o primeiro a não responder sequer ao convite deste colectivo para participar no aniversário, que aconteceu ontem à noite, com casa cheia e debate vivo, tema inusitado, seis meses depois dele tomar: "poder local em Pombal: que alternativa?". Está 'picado' o Pedro, e não é de agora. Ontem à noite, também a sua sucessora na Junta estava assim. A malta precisa de festa. Alimenta-se dela. E isto de não haver a festa prometida, foi um problema. Como é sabido, estava agendado um festival para estes dias em Pombal, o "Oh da Praça", coisa de arromba, integrado no programa do 25 de Abril, que numa primeira fase foi apresentado aos responsáveis políticos da praça como sendo uma coisa da responsabilidade da Câmara. Mas depois passou para a Junta. E da Junta passou para uma organização de nome "Encant'art", uma suposta associação nova, alegadamente presidida por um velho conhecido dos meandros da animação cultural. Anunciou-se uma tempestade, cancelou-se o festival. De Pimpão, nem um pio se ouviu. Ele, que conta com todos, para quem todos contam, que valoriza tanto a liberdade de imprensa, trouxe a Pombal dois jornalistas "de renome" (Júlio Magalhães e Manuel Queirós), numa quinta-feira às duas da tarde; encheu-se os claustros com uma turma da ETAP, tão interessada que nem uma única pergunta dali saiu. Nem um jornalista da terra. Deu-lhe jeito dizer que é filho e sobrinho de jornalistas. Sim, é. E é lamentável que não se tenha lembrado disso antes. Porque naquele dia, Alfredo A. Faustino - que estava na plateia, a assistir - teria feito uma intervenção muito mais viva e rica que qualquer um deles. Foi confrangedor perceber que nenhum dos dois convidados sabia sequer da existência da Associação de Literacia para os Media e Jornalismo, que desde 2019 faz um trabalho de proximidade com as escolas deste país, em parceria com o Ministério da Educação, apontado como exemplo na Europa. 

De modo que augura tudo de bom o anúncio que fez esta manhã: já que o país tem uma comissão para as comemorações dos 50 anos do 25 de abril, ele também vai criar uma em Pombal. E convidou Luís Marques, antigo jornalista e administrador da SIC, para presidir à estrutura. Sabendo-se da ligação estreita que mantém com Pombal..mal podemos esperar pelas novidades. 

16 de abril de 2021

O 13º aniversário do Farpas e o debate que se impõe

Sismo | n. m.: Fenómeno natural resultante de uma rotura, mais ou menos violenta, no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, e que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante. 

Se o leitor substituir "natural" por "político" e "da crosta terrestre" por "do partido no poder", fica com a descrição perfeita do que se passou em Pombal no último ano e meio. No entanto, apesar da violência do terramoto político, cujas réplicas estão ainda longe de ter terminado, muitos insistem em assobiar para o lado, como se nada tivesse acontecido. 

O Farpas, como é evidente, não pode deixar passar o assunto em claro. O que temos assistido é demasiado grave e, ao mesmo tempo, revelador da enorme impreparação de muitos dos nossos actores políticos. Com a oposição moribunda e a comunicação social sem qualquer interesse em afrontar o poder, o debate só poderia ser promovido pelos suspeitos do costume. 

Fica o convite: no próximo dia 24 de Abril, por ocasião do 13º aniversário do Farpas, junte-se o debate que iremos promover nas nossas redes sociais sob o tema "Terramoto político em Pombal e a liberdade de o dizer". Para enriquecer a conversa, convidámos dois jovens com pensamento político próprio e que não podem ser acusados de falta de coragem: Pedro Brilhante e Raul Testa. Contamos convosco para os interpelar e para, no final, às 24 horas, erguer cravos e copos e, como sempre, brindar à liberdade.

21 de abril de 2020

12 anos de Farpas: vem aí o primeiro debate on-line



No próximo sábado o Farpas comemora 12 anos. Antes desta pandemia nos trocar (a todos) as voltas, prevíamos uma festa, como é hábito: um jantar-debate para erguer cravos e copos no ar, brindando à liberdade. 
E assim os tempos obrigam-nos a improvisar: vamos comemorar o nosso aniversário com um debate entre Os da Casa, através da plataforma Zoom, entre as 22 e as 23 horas do próximo dia 24, véspera do Dia inicial, inteiro e limpo. 
O debate será transmitido em directo na nossa página de Facebook, para que o público possa participar, como sempre, embora em moldes diferentes do habitual.
Contamos com todos para farpear os interesses instalados - e que são tão evidentes em tempos de pandemia. A pergunta fica já no ar: pode uma pandemia suspender a liberdade?

18 de abril de 2020

25 de Abril sempre. Sempre.





Numa manhã de sol como a deste sábado, há uma nuvem que paira no espaço público e mediático. Baixou um espírito de indignação nuns quantos a propósito da decisão - conhecida estes dias - de manter a cerimónia evocativa do 25 de Abril na Assembleia da República.
O melhor dos argumentos saiu da boca de João Almeida, aquele rapaz do CDS que não se revelou de direita o bastante para chegar a líder: Ora se não comemorámos a Páscoa, porque vamos comemorar o 25 de Abril? Há quem goste de confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira, e quanto a esses não podemos fazer muito mais que apelar aos crentes (como o 'nosso' João Antunes dos Santos, agora no patamar cimeiro da JSD distrital, que pede perdão a Deus mas diz que sabe bem o que mereciam os que decidiram manter a cerimónia) que rezem muito, batam tantas vezes com a mão no peito até lhes sair a Grândola. 
Há outros, porém, mais comedidos nos argumentos: como é o Governo tem a lata de pedir confinamento, de proibir ajuntamentos, e agora leva 130 pessoas para dentro do hemiciclo. Convém lembrar que esse número não andará longe do mesmo número de deputados, assessores e outros actores que no último mês se têm reunido naquele mesmo espaço, para aprovar as medidas que têm permitido o lay-off simplificado, por exemplo, que alimenta os escritórios de advogados por estes dias, que permite a muitas empresas sobreviverem - e a outras, que as há, a aproveitarem-se mais uma vez do Estado. Tal como há oito anos, a propósito da intervenção da Troika, também agora a pandemia se tem revelado uma senhora de costas muito largas. Mas disso teremos tempo para falar, nos tempos que aí vêm. Por hoje, falemos de Abril. De como para muitos a cereja no topo do bolo seria passar por cima da data, como se fosse domingo de Pascoela ou Dia da Espiga. 
Num tempo como o que estamos a viver, em que saíram do armário tantos agentes da autoridade, sempre pontos a apontar o dedo às compras do vizinho, a ditar o que são bens de primeira necessidade, a moralizar comportamentos do outro, é imperioso que se assinale a data. E que nesse sábado de Abril a casa da Democracia possa - com as devidas precauções, como é indiscutível - lembrar que a liberdade ainda está a passar por aqui, mesmo que para desgosto de muitos. 
De Pombal, continuamos sem notícias. Mas daqui nunca esperámos milagres.

26 de abril de 2019

24 Abril, dia cheio e dia grande


Audição como testemunha. Passagem a arguido por recusa em entregar um pião do “inimigo”.
Quando o "inimigo" se consome na canalhice, deixá-lo consumir-se. E afirmar a honra e a verticalidade.
Depois, noite ainda maior: casa cheia, espírito livre e alegre, convívio fraterno, debate rico.
Isto (também) é o Farpas.
Viva a Liberdade.

20 de julho de 2018

Para que serve uma farpa


Andamos há 10 a farpear os interesses instalados, os oportunistas e os manhosos. E também a dar nota do gesto simples e desinteressado - infelizmente, com pena nossa, muito mais a primeira que a segunda.
Mas o que aconteceu nas últimas 24 horas deixa-nos com a sensação clara de que isto vale a pena. E que, aos poucos, a comunidade onde nos inserimos vai ganhando consciência dos seus direitos, vai perdendo o medo de apontar o dedo a meia dúzia de pseudo poderosos que se acham no direito de pôr a pata em cima. Fortes com os fracos e fracos com os fortes.
Este post escrito aqui ontem por nós alcançou, em 24 horas, mais de 17.700 pessoas. Foi partilhado por mais de 100, comentado por outras tantas. A indignação tomou conta do Facebook, no que diz respeito a Pombal. Só lhe falta agora saltar para a rua, como fez aquele jovem munícipe dos Malhos. A Câmara (na pessoa do vereador Pedro Murtinho e, em primeira instância, do seu presidente, Diogo Mateus) devia tão só um pedido de desculpas ao cidadão que protestou, e a todos os que, há dois anos, são fustigados pelo mau estado da estrada. Optou antes por pôr em prática tiques de autoritarismo, persecutórios. Que o povo nunca se esqueça que é ele quem sustenta isso tudo, e que tem nas mãos o poder de acabar com estes laivos. 

8 de janeiro de 2017

Obrigada, Mário Soares


Agoniei-me muitas vezes nas últimas horas com o que gente aparentemente de bem - que tenho entre os amigos da minha página de facebook - escreveu e replicou sobre Mário Soares, na hora da sua morte. O destilar do mesmo ódio que escorre de vez em quando a propósito dos refugiados, que papagueia frases feitas ou artigos de jornais fora de contexto, com o mesmo à-vontade com que partilha pagelas dos senhores dos aflitos, da Cruz Vermelha ou de qualquer obra de caridade. Há um denominador comum entre todos: o ódio. Bem sei que os Homens como Mário Soares nascem assim, na condição de serem amados ou odiados, sem meios termos. Mas impunha-se, a muitos desses actores da vida pública, alguma noção do que isso significa, de como não se despe ali à porta do facebook o casaco de autarca, de dirigente, assim como não se despe o de jornalista, de médico, de professor. Porque antes de tudo há ali um cidadão. Ou deveria haver.
Conheci Mário Soares pessoalmente na sua última visita oficial ao distrito de Leiria, em 1995. Não simpatizando largamente com a personalidade, percebi um pouco melhor quem ele era e como era:imparável. A meio da jornada, percebendo ele que eu andava colada aos seus gestos (daquela vez a minha função era fazer 'o outro lado' da visita), ágil nos meus vinte e picos, visou-se para mim à porta dos Morgatões, agarrou-me nos braços e perguntou: "então, aguenta?". Rimo-nos todos. Mal sabia ele (e eu) o equilíbrio que precisaria para me aguentar, nos anos que se seguiram. 
Poderia dizer muito sobre tudo o que representa Soares para o país, para a Democracia e para a Liberdade, a mesma que permite a qualquer pato-bravo discorrer sobre a sua vida e a sua obra. Mas fico-me pelo agradecimento. Por ter existido e nos permitir, aos portugueses, sermos hoje um povo menos parolo, menos atrasado, do que éramos antes de chegarmos à Europa, de termos o mesmo acesso que os outros ao mundo. Aquela de que fazia parte a Alemanha dos anos 70, onde o meu pai trabalhava, para onde emigrara depois de deixar Angola, depois da guerra. De onde escrevia à minha mãe todas as semanas, a lembrá-la de como era importante ir votar. Aquela de onde voltou em 80, cheio de sonhos para a aldeia e para o país, levados ao extremo naquelas eleições em que no fulgor da adolescência colei um autocolante na lapela a dizer "Soares é fixe", e na escola uma funcionária do bar quase me triturava juntamente com o almoço, porque tudo estava ao rubro, A mesma Europa que encheu bolsos, comprou jipes, criou o cavaquismo e agora se desmorona. Este é o fim de um ciclo, sabe-mo-lo bem. Na hora em que Soares deixa este mundo - que idealizou socialista, republicano e laico - resta-me, só, agradecer. Pelo Farpas, por sermos livres. E sublinhar as palavras de Vasco Pimental, de entre tudo o que se vai escrevendo:


"Atacar a vida de uma pessoa no justo momento em que ela deixa de se poder defender não diz rigorosamente nada sobre a pessoa atacada, e diz tudo sobre o atacante. Fiquem a saber: o que vocês escrevem nesses momentos é um letreiro que vos fica colado na testa para todo o sempre (colam-no vocês próprios) e que diz o seguinte: "Sou uma porcaria ignóbil".