Mostrar mensagens com a etiqueta Dia do Município. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dia do Município. Mostrar todas as mensagens

8 de novembro de 2023

Um feriado municipal que dura seis dias




Eis que  fomos surpreendidos com o anúncio de que o Dia do Município (feriado municipal de 11 de Novembro) este ano dura seis dias. SEIS dias. É isso, Pedro: se a vida são dois dias e o carnaval são três, por que não há-de o Dia do Município de Pombal desdobrar-se em seis? Porquê ficar-se pela véspera, como era usual, com um espetáculo para o povo? Ora, se temos espaços públicos com lugares suficientes para todos e mais alguns (não ligues à má-língua das redes sociais que aponta o Teatro-Cine como pequeno, que diz que os bilhetes esgotam mesmo antes de ser anunciado, e mimimis) tu avança, com toda a confiança.

Tenho apreciado essa ideia fabulosa de abrires as portas da Câmara aos miúdos. A ideia é pô-los a fazer alguma coisa? É mostrar que isto é tudo nosso? Boa, Pedro! Na volta ainda te ensinam como passar o dia nas redes sociais e conseguir gerir a Câmara em simultâneo. Fazer funcionar os serviços. Ah, espera, aquilo chama-se "à descoberta dos serviços municipais"! Vamos reencontrá-los. 

Tu sabes que é na juventude que se desenha o futuro. Nada temas. São Martinho há-de amparar-te. Pede-se ao cura Vaz que inclua uma oração dessas no "Dia da Família Paroquial de Pombal", no domingo. Que mania têm esses iluminados de dizer que a Câmara deve ser laica. Ou então eclética na representação de outras religiões. Não aprendem nada com o Marcelo. Mas tu aprendes, Pedro, tu sabes quem é que conta. 

E agora fica a dica: no próximo ano, liga o Bodo com o Natal, usando apenas o 11 de Novembro como elo. Fazemos um programa único, boa?!



11 de novembro de 2021

Medalhas & Medalhados: quem os (en)comendou?

Foto: Rádio Cardal 

Decorreu esta manhã a sessão solene comemorativa do Dia do Município, com a tradicional entrega de medalhas de mérito. Pouco mais de três mãos cheias de medalhados (vários a título póstumo) subiram ao palco do Teatro Cine para receber as comendas de bronze, prata ou ouro. 

A rapariga que que fazia as honras da casa e lia o guião repetiu várias vezes que as medalhas foram aprovadas "por unanimidade". 

A nós, aqui no Farpas - e presumimos que a muito comum mortal munícipe deste concelho - sobra-nos apenas duas dúvidas:

1. Foram aprovadas quando, por quem, e em qual reunião de câmara?

2. Por que razão não foram divulgadas antecipadamente antes da cerimónia?

14 de novembro de 2020

Como dirimir o feriado municipal


Não é de agora a vontade em dirimir todos os motivos de interesse do nosso feriado municipal. Este ano, a pandemia veio dar uma ajuda e, para gáudio dos beatos que habitam o Convento do Cardal, o programa ficou confinado à santa missinha. Felizmente, a santa missinha não ficou confinada às paredes da Igreja. O Município de Pombal, prevendo que muitos de nós não pudessem assistir à celebração, transmitiu tudo na sua página oficial. Deus o abençoe!

Imagino que Martinho de Tours, tão bem lembrado estes dias pelos nossos soldados do bem, não fosse propriamente um folgazão. Mas caramba, ao nem ao menos o baptismo dos novos motards? Dizem as más línguas que, na véspera do feriado, houve uma festazita privada no Teatro-Cine. Tenho a certeza que não foi divulgada para não atrair o vírus pois, como toda a gente sabe, ele é doidinho por festas. Principalmente quando os artistas são do melhor que temos no país: Pedro Jóia, José Salgueiro, Patrick Mendes, Ricardo Silva, João Silva e Daniel Romeiro. 

Não é preciso ser especialista em virologia para saber que a melhor forma de dirimir o bicho é com rezas. Sendo uma criação do demónio, o SARS-CoV-2 não resiste a três pai-nossos e duas ave-marias. Infelizmente, o feriado municipal também não.

11 de novembro de 2019

11 de Novembro


Já que nem o tempo quer nada com o São Martinho, proponho um tema alternativo para as comemorações do próximo 11 de Novembro em Pombal: a paz. Para além de ser mais edificante do que homenagear o bispo francês, é uma boa ocasião para lembrar vidas que nos foram bem mais próximas. Seria também uma forma de evitar repetir todos os anos a mesma coisa.

9 de novembro de 2019

Dia do Município


Que pena não poder usufruir do excelente programa que a nossa Autarquia definiu para o Dia do Município! 

Depois do hastear da bandeira às 9h, os pombalenses que trabalham no concelho poderão assistir à santa missinha em honra de Martinho de Tours, no dia em que se completam 1622 anos sobre a sua morte. Das 10h às 11h, Diogo Mateus e a sua equipa propõe-nos assistir à entrega de lembranças do passeio de carros antigos, seguida do batismo dos novos membros do grupo motard Marquês de Pombal. Quem não se deixar cativar por esta interessantíssima proposta, pode sempre assistir à arruada da Banda Filarmónica da Guia. Às 11h, o ponto alto da festa: a sessão solene dedicada à já tradicional distribuição de medalhas. 

Um aparte (que respigo do que aqui escrevi em 2012): nunca fui medalhado pelo Presidente da Câmara, nunca recebi um Globo de Ouro e o Correio da Manhã nunca me achou merecedor de qualquer um dos seus sensuais prémios. Este facto faz de mim um caso raro. Com tanta distinção, a importância dos prémios é praticamente nula. Num país onde a expressão de Almeida Garrett  "Foge cão que te fazem Barão! Para onde, se me fazem Visconde?" já subiu à categoria de provérbio popular, quem, como eu, nunca foi agraciado pela Câmara ou pelo Presidente da República corre o risco de ser apontado na rua.

Voltando ao imperdível programa do Dia do Município. Com a barriguinha cheia de prémios, a tarde é de festa. E que festa! Às 17h, os mais foliões podem optar entre comemorar o aniversário do grupo motard Marquês de Pombal (quem é que na Câmara é motard?) ou o tradicional magusto nos Bombeiros Voluntários de Pombal. 

Que inveja tenho de todos os que podem usufruir desta programação. Depois de um dia recheado, espero que alguns de vós ainda tenham energia para participar no debate que o Farpas promove no Café-Concerto. Propomos falar sobre cultura. Nada de especial...

7 de novembro de 2019

Os medalhados de última hora, ou a hora do faz-de-conta


Esta tarde a Câmara reúne para (supostamente) discutir e aprovar um ror de nomes para medalhar. Diz o regulamento municipal que tem de haver consenso, que tem de haver unanimidade, e por isso pressupõe-se discussão. Ledo engano. Por esta altura, a três ou quatro dias do 11 de Novembro, nem um milagre de São Martinho conseguirá fazer as coisas bem feitas. Pois que há colectividades que já sabem que vão ser galardoadas, e que já foram contactadas há vários dias.
D. Diogo está feito um mouro de trabalho nos Paços do Concelho, mal come, e arriscamos adivinhar que mal dorme. Entre o faz-de-conta que foi ouvir os partidos para o Plano Plurianual de Investimentos (que é como quem diz ouvir-se a ele próprio, pois que foi mais monólogo que diálogo cada bloco de três ou quatro horas que gastou com alguns deles), e as dores de cabeça que a autarquia lhe anda a dar, tratou de mandar avisar alguns dos homenageados. Homem precavido vale por...9. Assim como assim, a reunião de hoje é só para ficar em acta. Daqui por uns anos a história há-de contar que aos 7 dias do mês de Novembro reuniu o executivo municipal para deliberar a respeito dos homenageados. Só que não. Já estava tudo decidido. 
E agora, senhores vereadores, sentem-se bem nesse papel de candeeiros? 

10 de novembro de 2018

O que é que nos distingue, afinal?



Andei dias para escrever um post sobre uma intervenção de um jota na última Assembleia Municipal, que tecia loas à fabulosa aposta da Câmara em matéria cultural. Acabei por não escrever, com aquela sensação que não devíamos ter, de bater em mortos. Bem sei que a culpa é nossa, dos que não acompanhamos a extraordinária actividade municipal em matéria cultural: não vislumbramos uma programação no Teatro-Cine, não apreciamos a qualidade das exposições que passam pela galeria do mesmo edifício  (a última, de escultura, era demasiado para nós...), ou dos espectáculos que animam o Café Concerto. Não compreendemos que o público vai ali para rir alto e falar muito, que tanto faz ser um duo como os Terylene, ou um organista qualquer.
A culpa é nossa, pois, que não damos o devido valor ao investimento municipal na cultura, à programação que o pelouro organiza e desenvolve, nem nos comovemos com a afirmação "Pombal é Cultura", que perpassa pelo facebook de cada vez que acontece algum entretenimento. Como naquela tarde de sábado em que um grupo de gaiteiros desfilava pela cidade, com o director da Biblioteca à frente e o fotógrafo municipal atrás, mais uma funcionária que entregava panfletos. Eram os 20 anos da Biblioteca Municipal e aqueles que "são do contra", os mal-agradecidos, portanto, não foram lá "marcar presença". Porque - para o caso de não saberem - é isso que distingue um pombalense de gema, interessado e que ama a sua terra: fazer número.
É nossa, a culpa. Não sabemos de cor a letra do "ai meu Pombal", não valorizamos esse espaço ao serviço da cultura que é a Casa Varela, ou o Auditório Municipal, ou o Centro Cultural (ainda se chama assim) instalado no Celeiro do Marquês. Não sabemos aproveitar as oportunidades que a terra nos dá, e por isso é só curioso que dois dos técnicos de sonoplastia do Teatro Miguel Franco, em Leiria, sejam pombalenses. Que ainda na semana passada  deram cartas num concerto de um grupo de Pombal - o projecto Jazz - que esgotou a sala. E que sentiu a diferença de tratamento entre a cidade-natal e a que os acolheu.
A culpa é nossa, que permitimos o alastrar da (subsidio)dependência da Câmara, nos 20 anos em que Narciso Mota reinou, e nos conformámos com a displicência de Diogo Mateus. Pior: resignámo-nos, quase todos, contentado-nos com o poucochinho, demitindo-nos de qualquer papel na sociedade civil. O sucesso do Farpas - visível e palpável nas visualizações e na interacção com os leitores, sobretudo nas redes sociais, no último ano - resulta dessa consciência que temos vindo a tomar, no colectivo. Até há um ano, nas últimas eleições, por exemplo, o cidadão comum não se manifestava, lia tudo mas não comentava nada. 
Se há algum caminho que vale a pena ter percorrido é este, o de acordar consciências. Mas não basta. De que nos serve isso tudo se não houver uma alternativa ao poder em exercício? Falta-nos a bolha, não raras vezes. E aproveitarmos essa onda para valorizar o pouco que vai aparecendo, fora da caixa municipal, fora da esfera comissão-de-eventos-freguesia-de-Pombal, que acena com jantares aos participantes em iniciativas (válidas, pois) como o Ó da Praça. Não é muito, mas há gente a fazer coisas, de Abiul a Vermoil. Da Charneca a Londres, com raízes aqui presas. Há a Ideias Ousadas, sempre menosprezada. A Orquestra Marquês de Pombal. É uma lista de gente a insistir na terra, a dar-lhe nome, e a receber indiferença. Às vezes chego a duvidar que 2014 tenha existido, que aquele Bodo tenha sido real. E custa a crer que tenhamos deitado tudo fora: a pintura, a música, a dança, os debates, a homenagem à emigração que trouxe até Gérald Bloncourt, há poucos dias desaparecido. 
Falo nisto agora porque amanhã é Dia do Município, com o qual o concelho se identifica muito pouco, para lá do feriado.
Falta-nos sentimento de pertença, identidade. Não admira por isso que a lista de homenageados com medalhas seja o que é, todos os anos: um item a cumprir, uma obrigação municipal, a arte de andar à pressa a convidar clubes, figuras, empresas. E desta vez não se arranjou nada na área cultural, para cúmulo.
Somos a soma dessa resignação, desse desalento, dessa "política do enfeite" que embandeira em arco com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma: autarcas em modo Pimpão que destilam adjectivos no facebook, onde é tudo "notável e extraordinário". E que por isso nunca precisará de ser melhorado, repensado, povoado de alguma coisa que nos acrescente em vez de nos enfeitar, só. 
A culpa é nossa, que os elegemos no exacto momento em que engordamos os números da abstenção (convém lembrar que metade dos eleitores de Pombal não vota), na medida em que nos demitimos de intervir. Porque não basta encher a boca a dizer que "o meu amor é Pombal", é preciso pô-lo em prática. Se os nossos autarcas o fizessem, importavam-se com o desmazelo a que está votada a cidade, e algumas freguesias. Mas para isso é preciso percorrê-la, andar a pé em vez de correr para a fotografia. Ver para além de olhar. É preciso morar aqui, de facto, ter os filhos na escola pública, ir ao Centro de Saúde, acompanhá-los nas actividades. E depois olhar à volta, e perceber as diferenças entre as cidades e vilas vizinhas, o empenho no espaço público.
Vivemos a cultura do bem-parecer, perpetrada pelas rádios e pelo jornal, que redunda nos dias iguais, porque está tudo bem, é tudo gratificante. Nunca equacionamos discutir a sério, debater de verdade, ouvir opiniões contrárias, porque não interessa. Quem ousa fazê-lo é uma espécie de belzebu da terra, com quem não nos devemos cruzar nem virtualmente! Só ver o que diz, enviar aos correlegionários, à socapa, em mensagem privada, evitar o contágio. 
Não é uma escolha fácil ficar em Pombal, viver para contá-la, como escreveu sobre a (sua) vida Gabriel Garcia Marques. Levantar o tapete e sacudir a poeira é uma forma de zelar por ela. Discuti-la também. 
Digam lá o que disserem, essa é a nossa medalha mais brilhante. Não nos pesa, não enferruja, e está ao alcance de todos. 
Façam muitos magustos por aí. É uma forma de tirar o bafio às salas das colectividades, e dinamizar as comunidades sem ser em épocas eleitorais. Se começarmos agora, ainda vemos a tempo.
Vivam Pombal. 

5 de novembro de 2017

Vitorino e Janita Salomé em Pombal: A malta só não gosta da esquerda de cá


Não deixa de ser curiosa a escolha dos irmãos Vitorino e Janita Salomé para o espectáculo comemorativo do Dia do Município, marcado para domingo, 12 de Novembro, no Teatro-Cine de Pombal. O concerto é protagonizado pelos dois irmãos, acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras, e vem na linha de outros que o(s) executivo(s) de Diogo Mateus oferecem ao povo, por ocasião do feriado municipal. 
É um tanto esquizofrénica esta ideia subliminar que o poder tem, de se mostar muito aberto, muito alternativo no estilo musical, assim a piscar o olho a um público pouco dado a fadistagens do regime, e depois barrar o acesso ao debate sobre o futuro da esquerda em Pombal, promovido por munícipes que pouco contam, como estes gatos-pingados do farpas. Este tempo está-me perigosamente a fazer lembrar um outro, que trouxe a Pombal Sérgio Godinho, já lá vão uns anos, a um elitista café concerto da época.

13 de novembro de 2016

Cerimónia das comendas

A cerimónia das comendas foi muito bonita: cheia de pompa e circunstância, e com felicidade a transbordar por todos os lados – foi lindo de se ver. Os agraciados estavam felizes, mas os agraciadores não o estavam menos – alguns evidenciavam até alguma euforia. Não notámos que o Cura Vaz tenha estado por lá - um pormenor muito bem pensado e do nosso agrado.
D. Diogo esteve discreto e com o donaire que a circunstância e o seu estatuto recomenda. E a sua Marquesa semelhou-o. Mas a cerimónia teve, também, a vertente popular que o dia impunha.
Os agraciados estiveram igualmente bem: uns mais discretos, outros mais vistosos - cada um ao seu estilo, mas todos bem. Um ou outro parecia estar a viver o dia-da-sua-vida; só lhes faltou levarem o Boby e o Dolly - o que daria um toque chique à coisa.
O Farpas contava estar lá, também. Confessa, por ser verdade, e por ser pecado, que ficou com uma pontinha de inveja de não estar em tão digna cerimónia. Não atingimos, com certeza, os deméritos exigidos pelo comité agraciador, mas o facto de termos entrado na lista dos potencias agraciados – diz-se - deixou-nos com o orgulhosinho revigorado e, talvez, também, por isso, gostamos muito da cerimónia. Sabemos que para o ano há mais; prometemos trabalhar com mais afinco pela comenda. Queremos muito estar lá.

Este ano o comité viu grandes feitos nos bem-feitores das mobílias e das enfermidades. La terá as suas razões, e critérios de tão insignes criaturas não se controvertem. Mas custa ver o Mário, o mais antigo empresário do ramo, com negócio no centro da cidade, não ser mobilado. Bem te avisamos Mário: dar gás às farpas, mesmo encoberto, não traz graça. Devias saber isso. E que eles vasculham tudo, e não esquecem nada.

12 de novembro de 2016

O dia de São Martinho, sem adega nem vinho



Passa o Dia do Município e a minha time line do facebook enche-se de selfies, fotos dos homenageados, palavras de emoção dos que lá estiveram. Sim, eu tenho entre os meus amigos muitos desses: autarcas, homenageados,  familares deles, amigos de uns e de outros, apaniguados, enfim. E para começo de conversa, devo dizer que acho de elementar justiça a condecoração de quem faz mais do que a sua obrigação pela terra e pelos outros.
Ontem, uma comoção generalizada abateu-se sobre aquela franja de pombalenses que vai à sessão solene, e que acredita - se calhar profundamente - que a realidade é aquilo: umas dezenas de convidados a cortar fitas e bolos, ao longo do dia, em traje domingueiro.
Na viagem entre Pombal e outro concelho do distrito de Leiria, fui ouvindo na Rádio Clube a transmissão da sessão solene. Foi assim que ouvi um (bom) discurso de Diogo Mateus, bem escrito e bem lido, mesmo que as palavras as leve o vento.  E assim percebi que foi ontem o arranque da campanha eleitoral, de tal modo D. Diogo voltou a usar o slogan que lhe serviu de muleta para a eleição: Mais Pombal. "Temos uma visão para Pombal, queremos mais para Pombal". Continuamos, afinal, a ter um ponto em comum. Mas podíamos começar por descer um pouco à terra, e levar as comemorações ao povo. Fazer mais por Pombal era envolver as colectividades, grupos e movimentos que despontam pelo concelho, abrindo o programa à festa popular, como tão bem fazem outros concelhos do distrito e do país. Como fazem os bombeiros, à sua maneira. Como hoje estavam a fazer os moradores do bairro Agorreta.
Enquanto o modelo for este - da sessão solene, do fato-gravata, da medalhita e do discurso - tanto faz que lhe chamemos Dia do Município como Dia da Câmara. Não passamos disto. 

ps: gostei de ver o presidente a dar um toque cool e irreverente no discurso, ao citar Jorge Palma (que horas antes ali deu um belíssimo concerto, a que poucos puderam assistir)

imperdoável é o que não vivi
imperdoável é o que esqueci
imperdoável é não perdoar

Afinal, São Martinho ainda faz milagres. 

12 de novembro de 2015

E o po(l)vo, pá?


Esta imagem vale por mil palavras. As comemorações do Dia do Município - que deveriam chamar-se comemorações da paróquia de Pombal/festas de São Martinho - trouxeram ao Teatro-Cine um concerto de Rita Guerra, na véspera de feriado. O concerto era de borla, bastando para isso reservar o bilhete, como sucede, amiúde, nesta terra-amiga. Ora acontece que, horas depois de disponibilizadas as reservas, quem ligou para a linha indicada percebeu que o concerto estava esgotado. Comunicação eficaz? Divulgação massiva? Agora o leitor que retire daqui as suas "inalações" - como dizia um político da região, noutro tempo. 
O polvo que se instalou em Pombal nas últimas décadas conseguiu esta proeza: na Câmara trabalham os tios, os primos, os amigos dos amigos, que encheram (rapidamente) a sala. Na verdade, a avaliar pelas imagens prontamente divulgadas, tratou-se de uma festa privada paga pelo erário público. Ou como canta Rita Guerra: "pormenores sem a mínima importância"...

8 de novembro de 2013

Ouro, incenso e mirra

As comemorações do Dia do Município (que este ano ainda se assinala a 11 de Novembro) apresentam-se agora como uma organização conjunta da Câmara Municipal e da Paróquia. Aliás, o programa é claro: Dia do Município/Festas de São Martinho. A notícia (escorreita) da Rádio Clube assinala o facto de, "pela primeira vez" estarem envolvidas algumas instituições locais. Vamos ser claros: Já todos tínhamos percebido que a Igreja (Católica) foi ganhando terreno na causa pública, sobrepondo-se, também por cá, ao Estado Republicano e Laico. O programa de actividades vem desvendar essa escalada.
Ficamos então à espera de um milagre: oxalá os ventos de mudança que parecem soprar (para bem de todos) no modus operandi do executivo municipal, consigam tornar Pombal num palco de mais valores humanos (e cristãos, já agora), e menos cenário de inquisição - sempre pronta a queimar na fogueira quem não se cobre de véu para dizer "ámen" em toda e qualquer circunstância.
Para além das Festas de São Martinho, o programa integra a tradicional distribuição de medalhas, este ano dedicada exclusivamente aos "dinossauros" do poder autárquico. Vai tudo* corrido a prata: 
António Carrasqueira | Abiul
António Fernandes | Mata Mourisca
Carlos Cardoso | Redinha
Carlos Domingues | Ilha
Eusébio Rodrigues | Carnide
Guilherme Domingues | Santiago de Litém
Leovigildo Fernandes | Carriço
Manuel António | Guia
Ouro, só para Narciso Mota.
*Fica a faltar nesta lista o nosso comentador de estimação, engº Rodrigues Marques, último presidente da Junta de Albergaria dos Doze, ainda presidente dos Bombeiros Voluntários de Pombal e da Rádio Clube. Segundo a notícia publicada no FB da mesma, "é a excepção, uma vez que no ano passado recebeu a Medalha de Mérito Associativo Grau Ouro". Trabalho feito não dá cuidados.