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16 de julho de 2018

Defesa da floresta e do mundo rural


Os trágicos acontecimentos do ano passado vieram mostrar que as questões relacionadas com a floresta e o mundo rural a todos dizem respeito. O paradigma da nação urbana e desenvolvida, onde a relação do português com a natureza era encarada como uma saudade na geração dos mais velhos e uma ficção de que ouvem falar os mais novos, revelou-se desadequado e o insistir na ideia de que a ruralidade já pouco faz parte da substância da identidade portuguesa um erro que pode custar caro.

É urgente que Portugal se reencontre com a sua matriz rural. A perspectiva não é saudosista, nem corresponde a um regresso ao passado. As potencialidades do mundo rural, da pequena agricultura familiar e da floresta são muitas e a forma de nos relacionarmos com essas realidades deve ser reinventada e projectada no futuro. Acredito que um Portugal moderno só faz sentido se conseguir cimentar a sua identidade nacional, dando corpo e espaço à nossa cultura tradicional. 

Por tudo isto decidi participar na recém formada Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural de Pombal e Pinhal Interior Norte do distrito de Leiria. De entre os objectivos dessa comissão destaco o da mobilização da população em geral e todos os interessados - nomeadamente pequenos produtores florestais e de agricultura familiar desta região - para defender a floresta, o mundo rural e a agricultura de subsistência. 

Fica o convite a todos os que queiram conhecer melhor os objectivos desta comissão ou associar-se a esta iniciativa para comparecer no acto público de apresentação que irá decorrer amanhã, dia 17 de Julho de 2018 (terça-feira), pelas 21h, no edifício da COPOMBAL. A apresentação pública contará ainda com a participação e intervenção de Isménio de Oliveira, membro do Executivo da Direcção da CNA (Confederação Nacional da Agricultura). 

28 de agosto de 2017

Época de colheitas

A colheita é o resultado da sementeira, ou melhor dito: da forma como se cuidou dela. No limite, quem não semeou não colhe, e quem desmazelou a sementeira pouco colherá.
A arte da semeadura é mais complexa do que parece. É um processo longo: começa na escolha do que, onde e como semear; continua com a preparação do terreno, sementeira propriamente dita e respectivo acompanhamento (limpeza, fertilização, rega, …); e termina, um ano depois (ou vários, no caso das plantações), com a recolha da colheita e o seu usufruto. Esperar colher alguma coisa de terrenos inférteis, abandonados, ou de terrenos férteis, onde nada se semeou, é tontaria. Os agricultores - mesmo os menos instruídos - não acreditam nesse tipo de “milagres”, sabem que nada podem esperar do destino, que a colheita é sempre o resultado de muito trabalho, dedicação e saber-feito no terreno através da tentativa-erro. Mas nos dias que correm, há muita gente que não pensa assim, que acredita que as coisas acontecem por um estalar-de-dedos; não semeia, ou semeia de manhã para colher à tarde; menospreza a natureza das coisas; e, ainda assim, espera resultados! Desconhecem que só no dicionário é que o “R”, de Resultado, vem antes do “T”, de Trabalho; na vida real o Resultado vem sempre depois do Trabalho. Mas trabalho feito com algum fito, algum método, alguma competência e alguma avaliação. 

7 de outubro de 2011

A Horta Comunitária (Urbana)

Os políticos da cidade uniram-se em torno de uma causa comum: uma horta comunitária (urbana). Pombal sempre foi uma terra de agricultores. Mas a agricultura nunca deu nada de relevante à terra. Serviu, quando muito para ir matando a fome ao povo, mas este, quando quis melhorar o nível de vida teve que abandonar as terras. É verdade que ainda por cá existe uma cooperativa agrícola, na mão de políticos e burocratas, mas não tem agricultores nem produtos agrícolas. Ainda comercializa um vinho que da terra pouco mais tem que o nome.

Agora, os políticos urbanos querem incentivar o regresso à terra. Talvez seja tarde. Pombal, a urbe, há muito que deixou de ter terra (agora é só asfalto e betão) e nunca teve gente que a soubesse trabalhar. O projecto até pode vingar e tornar-se um viveiro de futuros agricultores mas falta-lhe terra…As couves e os nabos não crescem no asfalto.