Quanto mais se vai conhecendo
a forma como a CMP gere as obras públicas mais se percebe por que nascem e
crescem tortas. Mais: mergulhando nos processos, fica-se na dúvida se a câmara não
as entorta deliberadamente para conveniência de alguém. Os exemplos são mais
que muitos. O mais recente é o Projecto de Desenvolvimento Urbanístico do
Casarelo.
A 22 Julho de 2019, a câmara
adjudicou o projecto a um gabinete de Arquitectura de Coimbra, por 24800 €, com
um prazo de entrega de 150 dias e estudo prévio no prazo de 3 meses (sujeito a
sanção de 0,5 % do preço por cada dia de atraso).
Por indefinições da câmara
acerca organização do espaço, das valências e dos equipamentos o prazo do estudo
prévio foi sendo adiado e só foi entregue 9 de Dezembro de 2019. Em 23 Janeiro
de 2020, a câmara - o gestor do projecto - informou o Gabinete de Arquitectura
que os prazos estavam suspensos até emissão de parecer técnico pelos serviços e
respectiva validação política, que não apareceu. Mas pior: a câmara não pagou os
restantes 50% do projecto, entretanto entregue, e cortou os contactos com o
projectista.
Depois de 15 meses de silêncio,
o presidente da câmara marcou uma reunião com o projectista, que se realizou a 29
Março de 2021, onde colocou em causa os elementos fundamentais do projecto e
propôs – exigiu – opções técnicas que o projectista considerou – e bem –
erradas, tanto ao nível da utilização do espaço como da densidade de construção
junto de uma zona sensível – Mata da Rola.
Mas o presidente quer, por toda
a força, alterar o PDM, aumentar o já exagerado índice de construção no topo
norte do Casarelo, de 130% para – vejam bem! - 320%, para, desta forma, defende
ele, valorizar os terenos a fim de os utilizar como “moeda-de-troca” com
particulares.
Os pombalenses não podem
permitir mais este atentado urbanístico, esta delapidação de espaço púbico com enorme
valor paisagístico para servir interesses/negociatas privadas.