Ao fim de 21 edições a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Pombal decidiu (ou alguém decidiu por ela) que era tempo de acabar com a Feira do Livro. Talvez por fruto da sua extensa formação na área da mercadologia, Ana Gonçalves concluiu que o evento não interessava aos consumidores.
Todos sabemos que as feiras do livro já conheceram melhores dias. Nos últimos anos, os certames realizados fora dos grandes centros têm apostado na literatura infanto-juvenil que - por muito que alguns pensem o contrário - é a única faixa etária que tem vindo a aumentar o número de leitores. Mas como os jovens não votam, não foram incluídos nos doutos estudos da Srª vereadora.
Mesmo não tendo grandes expectativas quanto ao interesse da vereação laranja pelas coisas da cultura (acham mais piada brincar ao carnaval disfarçados de Marquês de Pombal), atrevo-me a dar um conselho: porque não entregam a organização do evento a quem sabe do assunto? Não faltam exemplos no país de iniciativas de sucesso em que o livro é protagonista. Mas, para isso, é necessário que os promotores tenham imaginação e acreditem genuinamente no que estão a fazer.
Numa altura em que a Junta de Freguesia de Pombal, em boa hora, voltou a lembrar a figura de António Serrano, custa ver o desprezo com que a Câmara trata a literatura.
PS: Muitos parabéns ao Nuno Gabriel e restantes premiados na edição deste ano do Prémio Literário António Serrano.
