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11 de maio de 2016

Onde pára a Feira do Livro?



Ao fim de 21 edições a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Pombal decidiu (ou alguém decidiu por ela) que era tempo de acabar com a Feira do Livro. Talvez por fruto da sua extensa formação na área da mercadologia, Ana Gonçalves concluiu que o evento não interessava aos consumidores. 

Todos sabemos que as feiras do livro já conheceram melhores dias. Nos últimos anos, os certames realizados fora dos grandes centros têm apostado na literatura infanto-juvenil que - por muito que alguns pensem o contrário - é a única faixa etária que tem vindo a aumentar o número de leitores. Mas como os jovens não votam, não foram incluídos nos doutos estudos da Srª vereadora. 

Mesmo não tendo grandes expectativas quanto ao interesse da vereação laranja pelas coisas da cultura (acham mais piada brincar ao carnaval disfarçados de Marquês de Pombal), atrevo-me a dar um conselho: porque não entregam a organização do evento a quem sabe do assunto? Não faltam exemplos no país de iniciativas de sucesso em que o livro é protagonista. Mas, para isso, é necessário que os promotores tenham imaginação e acreditem genuinamente no que estão a fazer. 

Numa altura em que a Junta de Freguesia de Pombal, em boa hora, voltou a lembrar a figura de António Serrano, custa ver o desprezo com que a Câmara trata a literatura. 

PS: Muitos parabéns ao Nuno Gabriel e restantes premiados na edição deste ano do Prémio Literário António Serrano.

6 de maio de 2013

O mundo ao contrário deve ser isto

1.O Primeiro-Ministro é um rapaz do meu tempo e vai à TV anunciar mais desgraça. Era suposto que tivesse ao menos vergonha na própria cara e poupasse o povo das suas aparições públicas, nos dias seguintes. Ao contrário, no dia seguinte vem a Pombal comer camarões e fazer uma festança no Expocentro, porque o PSD ainda acha que há razões para festejar.

2. No mesmo dia (sábado), a Câmara organiza a Milha Urbana, prova de atletismo que podia e devia ser uma festa da modalidade dentro da cidade, chamando atletas e público. Ao contrário, a autarquia parece ter entrado num registo de actividade privada, primando pela falta de divulgação, como se quisesse esconder o que faz. Resultado: o povo anda pela cidade, porque está bom tempo, e pergunta insistentemente o que é que se passa ali, na avenida. Nem eles sabem, se calhar.

3. A Feira do Livro arranca no domingo, outra vez em modo sombra do que foi, noutro tempo. Um evento que se agenda para Maio deveria, supostamente, viver da rua (foi assim que nasceu, primeiro no jardim municipal e mais tarde do excelente recinto da Biblioteca). Ao contrário, enfia-se tudo dentro de uma tenda de lona e arranja-se ali um cantinho para as actuações, entre a Biblioteca e a tenda, que já agora serve de passagem também. O público é presenteado na abertura com um belíssimo espectáculo infantil da companhia Peripécia*; pais e filhos saem do interior da Biblioteca e até podem ficar ali o resto da tarde entre a música e os livros. Ao contrário, chega o séquito presidencial, interrompe-se a actuação dos músicos, que decorre à entrada da feira, para um discurso do presidente: não sei quê de cultura e educação e mais o dia da mãe e o negócio dos livros.

*O espectáculo Cores lotou o auditório municipal. Era tão fácil fazer mexer a cidade, enquanto ainda tem gente.