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31 de dezembro de 2021

Um grande orgulho


No último dia de 2021, é justo destacar a personalidade da Dª Lurdes Graça, recentemente distinguida com o
Prémio Carreira Boa Cama Boa Mesa 2021, do jornal Expresso. No ano em que completou 90 anos de idade, a Dª Lurdes viu o seu percurso profissional ser reconhecido pelo prémio de maior prestígio da gastronomia nacional. Não é que ela precisasse desse reconhecimento; na verdade, a excelência da sua cozinha há muito que é apreciada por todos. Se Pombal é hoje conhecido em todo o país (e não só), muito se deve ao seu (nosso) arroz de tomate e ao restaurante Manjar do Marquês. Depois de dois anos fortemente marcados pela pandemia, o restaurante que gere com o seu filho Paulo continua a ser uma referência de qualidade e um grande orgulho para todos os pombalenses. Muitos parabéns, Dª Lurdes! 

19 de novembro de 2019

Por ti, a inquiteção

Um dos nossos maiores morreu hoje, aos 77 anos.
Ninguém cantou tão bem a Inquiteção como ele. Deixa-nos tanto, em música, vida e obra, que seria atrevimento aqui dissertar sobre a grandeza tamanha. De Pombal, contou com o cartaz do Rui Cavalheiro e com a colaboração do Calika no generoso filme "Mudar de Vida - José Mário Branco, vida e obra".
Daqui, contará sempre com isto de nós. E para o resto.

1 de maio de 2018

Sua excelência o presidente dos social-democratas de Pombal: Manel


Estava assim sem rei-nem-roque, já há semanas, o PSD de Pombal, quando ontem à noite a rede foi inundada pela "mensagem do Presidente". É verdade que as eleições são só no próximo fim-de-semana, mas no oeste é atar e pôr ao fumeiro, de maneira que o único candidato conhecido para inquilino da rua Luís Torres resolveu apresentar-se logo como presidente, e está arrumada a questão. Talvez não valha a maçada de sair de casa para exercer o direito de voto. Deve ser essa a mensagem subliminar que está ali, naquele panfleto digital. Ou então, há várias hipóteses para esta atitude patética de Manuel António:
1.  Está como gato escaldado, e antes que à última hora lhe tirem o tapete, é melhor apresentar-se já como presidente
2. Foi isso que Pedro Pimpão lhe mandou fazer, pois que todos sabemos que foi ele quem o resgatou da desgraça em que caíra, da humilhação a que Diogo Mateus o sujeitou no processo do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal, bem como na Junta de Freguesia.
3. Tem saudades de ser presidente. É legítimo e ninguém lhe pode levar a mal.

Como a mim não me volta a enganar, nem estou em condições de votar nele, só tenho pena. 

24 de agosto de 2017

Sobre o político presunçoso

A presunção é ofensiva, e torna-se repugnante quando é maquilhada com falsa humildade. No político, em Democracia, onde o poder advém do povo, ofende ainda mais.
Nietzsche caracterizou muito bem a presunção: “O que mais devemos prevenir é o crescimento dessa erva daninha que se chama presunção, que arruína toda boa colheita dentro de nós; pois há presunção na cordialidade, na demonstração de respeito, na intimidade benévola, no carinho, no conselho amigo, na confissão de erros, na compaixão por outros, e todas essas belas coisas provocam repugnância, quando tal erva cresce entre elas. O presunçoso, ou seja, aquele que quer significar mais do que é ou aquilo por que é tido, faz sempre um cálculo errado. É certo que ele tem um êxito momentâneo, na medida em que as pessoas diante das quais é presunçoso normalmente lhe tributam, por medo ou comodidade, a medida de respeito que ele solicita; mas elas se vingam asperamente, subtraindo, do valor que até então lhe deram, tanto quanto ele solicitou além da medida. Não há nada que os homens façam pagar mais caro que a humilhação. O presunçoso pode tornar o seu mérito real tão suspeito e pequenino aos olhos dos outros, que é pisoteado por eles com pés sujos. — Mesmo uma atitude orgulhosa devemos nos permitir somente quando podemos estar seguros de não ser incompreendidos e vistos como presunçosos, diante de amigos e esposas, por exemplo. Pois nas relações humanas não há tolice maior do que granjear a fama de presunção; é ainda pior do que não ter aprendido a mentir por delicadeza”.

29 de junho de 2017

O sangue-azul do Oeste



O povo é uma chatice. O povo não lê. O povo não ouve jazz, blues, ou música clássica. Não sabe o que são botões de punho, suspensórios, gilet no inverno nem passeios de barco no verão. E desde há umas quatro décadas, ainda se acha no direito de opinar, amiúde, sobre o tempo e o modo daqueles que elege como seus legítimos representantes. Fá-lo pouco, é certo, mas ainda assim em demasia, aos olhos de uns e outros.
A intervenção do presidente da Junta de Freguesia da Guia  da União de Freguesias do Oeste na última Assembleia Municipal é uma ode à nova vaga de politiqueiros que emerge, de quando em vez, disfarçados de autarcas. Há quatro anos, Manuel Serra fez o especial favor de se candidatar à Junta do Oeste. Ganhou, com os votos do voto, mas nas suas palavras percebe-se o incómodo em lidar com ele. Não lhe parece legítimo que povo público utilize a AM, ao abrigo do regimento, como espaço de comentário político.  "Política pura e opinião de cada um discute-se nos cafés, nos jornais, no farpas...", esse fóruns onde a etiqueta não entra. 
Perante tão abalizada opinião de quem ali está por inerência, aqui no Farpas assalta-nos pequena dúvida:
- lá na sua freguesia já alterou o regimento para que o povo não vá às assembleias importunar os eleitos? Ou já educou o povo para se comportar condignamente? 

5 de dezembro de 2016

O ex-futuro presidente

Tem sido um deleite para quem acompanha a acção política, o desenrolar dos últimos tempos em Pombal. Sempre achei que, à falta de oposição, o PSD haveria de consumir-se internamente, com os diversos actores a degladiarem-se, entre si. É o que está a acontecer, desde que Narciso Mota saltou para o terreno, abrindo aquilo a que a JSD já chamou "uma guerra fratricida". Mas a quantidade de tiros - nos pés e ao lado - que o ex-presidente da Câmara tem dado, faz-nos adivinhar um tempo ainda mais animado nas próximas eleições autárquicas. Hoje mesmo fez sair um comunicado em que diz que afinal não-votou-o que foi votado-pois que-não tinha que votar- mas que ainda é candidato- pois que não concorda com outro - e que será candidato com ou sem o PSD. A vantagem do engenheiro continua a ser a mesma de sempre: o seu fiel eleitorado não lê comunicados, pouco liga a jornais, e continua a sentir-se órfão do poder político, como se tivesse perdido o interlocutor de eleição. Mas há um limite para asneirar, e isso o ex-futuro-presidente-da-Câmara parece que ainda não percebeu, desde 2013. Foi a candidatura que acabou por não ser apresentada, foi a votação em que afinal não participou, é a falsa esperança que alimenta de ver o PSD a apoiá-lo, quando toda a gente já vislumbrou que isso não vai acontecer. 
Quando esprememos esta paródia, há no entanto figuras tristes que nunca pensámos ver outros fazer, nomeadamente aqueles que foram humilhados por D. Diogo - e que agora vão em coro, quais cavaleiros do apocalipse, bater à porta de Narciso e implorar-lhe para que não se candidate. A troco de quê?

27 de outubro de 2016

Teremos sempre Paris


O João Melo Alvim é desde esta semana Cônsul-Geral Adjunto de Portugal em Paris. Aqui na casa ficamos de peito cheio pela conquista do camarada Alvim, que sonhou connosco o Farpas e lhe deu corpo durante vários anos. 
É um orgulho para nós e para a comunidade emigrante, ver um pombalense ali destacado. A terra perdeu mais um dos seus melhores, mas ganhou-o o mundo - e todos nós, de certa forma.

19 de setembro de 2016

O exemplo de Ansião, outra vez

                                                   foto retirada da página do Facebook do PSD/Pombal

O presidente da Câmara de Ansião anunciou estes dias que não se recandidata ao cargo. Fê-lo nas páginas de um jornal local, e embora não seja muito claro a explicar as razões deste abandono prematuro, dá um sinal que devia servir pelo menos para reflexão, a muitos correlegionários. 
Lembro-me de Rui Rocha enquanto adjunto de Fernando Marques, enquanto líder da JSD, e mais tarde enquanto vereador. É discreto, ponderado, e tem uma dose de coragem que aprecio nos políticos, o que faz dele o homem certo na comissão política distrital do PSD, sem folclore.
Não sei se vai ser administrador de alguma empresa, se quer ter a experiência (legítima) da Assembleia da República, mas sei que no vizinho Ansião deixa uma marca, à conta daquele equilíbrio entre o rapaz da terra que faz por ela tudo o que pode, e o político que escapa à propaganda, sabendo que isso da Jota já foi há 20 anos e por isso há um tempo para tudo...
A verdade é que é mais um quadro do PSD em condições de ocupar qualquer lugar fora daqui. E isso não é bom para D. Diogo nem para Pedro Pimpão, em primeiro plano, nem para todo o séquito, em segundo. Mas é bom para o eleitorado.

9 de setembro de 2016

De vez em quando lembram-se de Mota Pinto



No princípio, era o busto: várias figuras de Pombal clamaram, durante anos, por uma homenagem a Carlos Alberto Mota Pinto, que aqui nasceu e viveu até à juventude, embora nunca tenha estabelecido com Pombal grande ligação. Depois veio a Junta de Freguesia com um prémio que não passou da primeira edição, e só depois a Câmara decidiu comprar a casa onde nasceu o professor, primeiro-ministro de Portugal em 78/79, fundador do PPD e um dos vultos da memória social-democrata. Depois foi o que está à vista, na casa em frente ao Teatro-Cine de Pombal.
Entretanto, os órgãos locais do partido acabam de criar um evento com o nome do vulto: é a Academia Mota Pinto, descrito na página do facebook como "Um evento de formação e reflexão cívica que se pretende anual". 
Talvez seja mesmo essa a melhor forma de homenagear um pensador. É preciso é que seja consequente, e não à imagem do que têm sido as tentativas falhadas pelos órgãos autárquicos. E por favor, não o tentem transformar numa espécie de universidade de verão.

7 de maio de 2015

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

11 de abril de 2014

Do acessório ao essencial


Lado a lado, como na geografia deste distrito, o Pombal Jornal oferece duas notícias curiosas na edição desta semana: a eleição (!) da nova direcção da Associação dos Industriais do Concelho de Pombal, que pelos vistos quer criar uma empresa (...) para apoio à exportação; e a criação de 200 postos de trabalho no vizinho concelho de Ansião, através de uma empresa têxtil que para ali vai transferir a sua sede social, ao mesmo tempo que "salvou do desemprego 112 pessoas".
Toda a gente sabia, ma é sempre bom ouvir do nosso estimado engenheiro Rodrigues Marques  - presidente da AICP nos últimos 15 anos -  que "a sucessão já estava a ser trabalhada há três anos". Ficamos a aguardar então esse ambicioso projecto que é "a criação de uma empresa, da qual a associação será sócia, e que pretende ser um meio para a exportação do produto local". Nós e os industriais deste concelho, que são aos magotes, mas certamente andam muito ocupados.

9 de dezembro de 2013

Da série "a verdade (a que temos direito)"


Há horas de sorte na vida de um dirigente, e horas de azar na vida de um editor. Que o diga o nosso comentador de estimação, supra-mega dirigente associativo Rodrigues Marques, que na última edição do Jornal de Leiria se viu subitamente transformado em José (em vez de Manuel), e promovido a presidente da Associação Comercial e Industrial de Pombal. Ora, como é sabido, a lei de Murphy faz-se sentir sem apelo nem agravo...mas salva-se a veracidade da resposta do engenheiro, a propósito da propaganda que o Governo alimenta, fazendo crer que o desemprego baixou e que a economia recupera a cada dia.
Diz ele: "penso que essa queda do desemprego se prende com uma limpeza feita à base de dados dos centros de emprego, quer pela via da emigração ou por outro qualquer motivo. Em termos empresariais não se nota nada. Está tudo na mesma".
Ou como diria o outro...o pior é a realidade.

6 de dezembro de 2013

11 de novembro de 2012

É dia de festa?

A sessão solene(?) comemorativa do Dia do Município marcou, esta manhã, o fim de uma era. Narciso Mota sabia disso e fez uma espécie de balanço dos mandatos passados, entre quilómetros de estrada, tubagens de saneamento, dinheiro às IPSS's e medalhas ao quilo.
Como já aqui dissemos tudo o que o tema merece, serve esta nota apenas para dar conta de uma sintonia inesperada entre eleitos e eleitores: quando nem o próprio executivo se leva a sério (vereadores e presidente    mantiveram um registo jocoso durante quase toda a cerimónia), como é que nós o poderemos encarar?


9 de setembro de 2011

Sim, é possível!


Idílio Freire, 45 anos, pombalense, pastor, cozinheiro, agricultor, calceteiro, aprendiz de pedreiro, pintor, estudante, economista, desportista e tudo chegou a Ushuaia, na Argentina (“a cidade mais austral do mundo”), no dia 6 de Setembro de 2011. Tinha partido a 23 de Julho de 2010 de Inuvik, Canadá, de bicicleta, com o objectivo de percorrer todo o continente americano a pedalar. Foram cerca de 30 mil quilómetros. Conseguiu. Parabéns!

15 de fevereiro de 2011

Parabéns, Senhor Reitor


Depois do irmão ter sido escolhido para bastonário da Ordem dos Médicos, João Gabriel Silva foi eleito Reitor da Universidade de Coimbra.

20 de agosto de 2010

Conselho charneira (o conselho é mesmo com s)

Quando se utiliza a palavra "intelectual" para tentar ofender, há comparações que são uma tentação. Mas a tentação é excessiva porque há comparações que quando são feitas, no mínimo, são grotescas. Tão grotescas como certas e determinadas tentativas de insultar.

Depois há a utilização da palavra "intelectual" para estabelecer uma distinção. Uma distinção, diga-se, que é apenas mais uma das heranças negativas do ciclo Narciso: a divisão - falsa - entre "os" da cidade, esses "intelectuais" (deve ter faltado o "perigosos") e a população do resto do Concelho. É que é tudo tão infeliz que até me apetece fazer uma comparação com tempos idos, mas ainda passava por intelectual...

27 de julho de 2010

Passam hoje 40 anos!

Salazar morreu a 27 de Julho de 1970, fazem hoje precisamente 40 anos. Digo eu, ainda com uma convicção juvenil de que me orgulho: não faz falta à nação! (Deixem a pontuação tal e qual como está.)
O perverso nisto tudo é que ainda existem saudosos, que não raras vezes imploram por um novo Salazar. O triste concurso da RTP fez dele "o maior português de sempre", em 2007. Estas perplexidades devem fazer-nos pensar. A única conclusão a que consigo chegar é a seguinte: muito mal anda a nossa classe política, para que um sujeito (regime?) odiento como foi (o fascismo de) Salazar ainda deixe saudades.

18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)


Foto de Céu Guarda 

A 6 de Dezembro de 1998, José Saramago escreveu: “Nós estamos a assistir ao que chamaria de morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos, e cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém te pergunta o que pensas, agora perguntam-te que marca de carro, de roupa, de gravata tens, quanto ganhas…”. Como o Farpas pretende ser um espaço de exercício da cidadania, lembro essa grande figura da cultura universal. Hoje, no dia da sua morte. 

25 de abril de 2010

25 de Abril, sempre!


Obrigado. Pela coragem, pela integridade, pelo exemplo, pela abnegação, por ser o último grande herói. Por não querer o holofote. Por perceber que Abril se teria de cumprir com muitos e pelo futuro de todos. E que mesmo que ainda falte bastante, o exemplo de um Homem, tão maltratado por quem depois mandou (privilegiando sempre a espinha quebrada e desrespeitando opiniões contrárias), mesmo que tenha havido datas posteriores que felizmente impediram desvios totalitários, neste dia gosto de relembrar um rosto de um Homem que no encontro que teve com a História nem chegou atrasado nem quis roubar o momento. Obrigado.