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20 de julho de 2025

Mota Pinto “out”

No dia em que Pedro Pimpão apresenta a recandidatura à câmara, fonte bem colocada no partido fez-nos chegar a informação que Mota Pinto está fora.

Há quatro anos, quando o Pedro anunciou a candidatura do Professor à Assembleia Municipal regozijámo-nos com escolha, porque era imperioso elevar o nível. Não nos enganámos: o Professor fez um bom mandato.

Mas a realidade política actual é o que é: a boa moeda acaba sempre “out”.

6 de dezembro de 2024

Soares, maior que o pensamento



 

Se cá estivesse, Mário Soares faria 100 anos este sábado, 7 de Dezembro. Ainda bem que não está, tal seria o desgosto com o estado a que chegámos, no país, a que chegou o partido que sonhou. Um e outro envoltos num manto de liberdade, com espaço para quem pensa diferente, no respeito pelos valores de Abril. Imagino-o a dar voltas no túmulo sempre que a tv nos mostra as tiradas de Leão ou Sanfona, exemplo claro de quem, sendo do PS, nunca foi socialista. Ou com outros que nunca chegam a ser notícia.

Soares nasceu num berço de ouro, podemos dizê-lo, e fez parte de uma franja que tomou consciência do que era ser privilegiado. De como seria se calçasse outros sapatos, às vezes tamancos, como aqueles que os meus pais calçavam ao domingo para ir à missa, no tempo em que Soares já era preso, ou forçado ao exílio.

Não sei que idade tinha eu quando ouvi falar dele pela primeira vez, mas foi antes daquelas eleições de 1986, em que quase todos os meus amigos da escola gritavam no recreio o slogan ‘Prá Frente, Portugal’, enquanto o meu pai – regressado da tão cinzenta Alemanha – me deixou colar no Kispo vermelho um autocolante a dizer “Soares é Fixe”.

Muitos antes, o meu tio Costa apareceu lá em casa com uma bandeira de tecido e o símbolo do PS bordado. Iam (os meus pais e os meus tios) a um jantar de apoio a uma candidatura qualquer, em que ele era esperado. O meu tio acabara de regressar à aldeia, também, reformado dessa dura profissão de estivador. Sentavam-se na placa do poço, no quintal, e falavam de política. Da guerra, que deixara mazelas em toda(s) a(s) família(s), da pobreza em que cresceram, do país que sonhavam para as filhas. De Soares, falavam sempre com a deferência de quem se refere a um ser maior.

Na primavera de 1994 tive a sorte de o acompanhar, em reportagem para o Região de Leiria, na sua presidência aberta pelo distrito. Soares era imponente, até no trato. A dada altura, reparou em mim, no meu indisfarçável pouco à vontade em tão gigante tarefa, e perguntou-me: “Então? Aguenta?”. Senti-me ainda mais pequena, perante um homem que era enorme.

Dois anos depois, a 8 de Dezembro de 1996, voltei a vê-lo, imponente, na inauguração da Casa-Museu João Soares, nas Cortes, um espaço que todas as crianças e jovens deste país deveriam visitar. Desse dia guardo dois momentos: o Betinho (fotógrafo do Diário de Leiria, prematuramente desaparecido) em cima de um telhado para captar a melhor imagem, e Soares a ralhar com ele: “ó homem saia daí que você ainda cai daí abaixo!’. E mais tarde, o episódio que daria títulos à imprensa nacional: “o meu pai costumava dizer, quando o elogiavam muito, ´sou apenas filho de um vacão do Soutocico´”.

Escrevo estas memórias enquanto a RTP 3 passa em reposição “O caminho faz-se caminhando”, uma conversa sobre o mundo e a História entre Mário Soares e Clara Ferreira Alves, onde fica tão patente a dimensão intelectual de Soares, num tempo em que os políticos eram também seres pensantes, senhores de uma cultura geral avassaladora. Que privilegiava o confronto, a divergência de opinião (como lembrou ainda hoje António Campos), em detrimento do elogio e da bajulação.

Era assim, ele. Socialista, republicano e laico.

 Faz-nos falta todos os dias. 

15 de abril de 2024

Comemorar Abril - o corriqueiro não engrandece

O dotor Pimpão - a “junta” - decidiu atribuir a medalha de honra do município ao capitão Salgueiro Maia, a título póstumo. 

Quando se comemora os 50 Anos da Revolução de Abril de 74 - iniciada com o Golpe do MFA - todas as homenagens aos “capitães” de Abril são justificáveis e merecidas. Mas existindo tanto capitão de Abril ainda vivo, a merecer um gesto de gratidão, porquê a repetida insistência na homenagem ao Salgueiro Maia? 



Convém recordar, para que tudo não seja ainda mais desvirtuado, que o Golpe Militar de Abril de 74 não foi um golpe conduzido por um militar aureolado, como foi, por exemplo, o Golpe de Maio de 1926, protagonizado pelo general Gomes da Costa; foi um golpe planeado e conduzido por um vasto conjunto de oficiais intermédios (capitães, majores e tenentes-coronéis), com liderança partilhada (Operacional; Estratégico-política e Comunicação), onde uns tiveram papel liderante e/ou relevante, e outros papel operacional e/ou secundário.

Cumprir Abril 74, nomeadamente quando se comemora oficialmente a data, deveria compelir os decisores políticos a respeitarem o espírito do momento e o papel dos diferentes protagonistas, não engalanando uns ignorando outros. Reparando, por exemplo, a profunda ingratidão do país com Melo Antunes. Mais isso talvez seja pedir muito… 

É verdade que para muitos Salgueiro Maia é herói do golpe - o herói romântico. O que se compreende: foi o elemento mais mediatizado e foi protagonista de um momento crítico que o fez passar de mártir a “herói” num ápice - por acções e razões que pouco dependeram dele. Mas não foi o herói nem elemento decisivo do golpe, nem poderia sê-lo… Por circunstâncias várias, Pombal adoptou-o como o seu herói de Abril (assinalando uma ligação à terra que não existiu) para tornar corriqueiro homenageá-lo. Mas o corriqueiro não engrandece os distintos, só dá protagonismo ao culto do inerte.

30 de junho de 2023

Pombal, terra de pimpões e bustos

"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar". J. Goethe

 Até há pouco tempo, o almirante Silva Ribeiro era um perfeito desconhecido da generalidade dos pombalenses. Mas eis que, de um momento para o outro, passou a ser figura omnipresente na terra, pela mão do doutor Pimpão. Os mais atentos estranharam o seu repentino interesse pela terra, mas nós percebemos logo ao que vinham…



Ficámos agora a saber que o doutor Pimpão decidiu fazer do almirante a figura das festas da cidade, carregando-o de homenagens: vai dar o seu nome ao largo da Central de Camionagem e, pasme-se, não suficientemente contente com a risível vénia, vai colocar um busto dele no novo largo. Perdoai-lhes Senhor, tanta soberba. 

Já sabíamos que o doutor Pimpão é um escravo da emoção e da bajulação, que vê méritos nas tolices que pratica e está sempre disposto a sacrificar tudo pela sua satisfação momentânea, mas o que é demais enjoa. A maior fatalidade do seu caráter é não ter consciência do papel que representa nem das suas falhas. Que da sua cabeça tenha saído esta insensatez, compreende-se - já tudo se pode esperar deste hipocondríaco pela empatia, sempre ávido de glória e falho de tino -; mas do almirante, do mais alto chefe da tropa, esperava-se um pouquinho mais: algum bom senso, alguma reserva e algum sentido do (seu) lugar – da sua circunstância e do respeito pela memória colectiva da terra, que o viu nascer mas que nunca mais soube nada dele nem ele da terra.

Há associações que não acrescentam, só rebaixam.  

28 de fevereiro de 2023

O Professor deu lição

Já aqui o referimos mas não é demais reforçá-lo: em boa hora o Professor Mota Pinto aceitou ser presidente da Assembleia Municipal (AM). A sua presidência não resolve, nem pode resolver, todos os problemas e vícios instalados no debate político institucional, mas colocou um travão na sua degradação contínua que se julgava irreversível. 


  

Desta vez deu uma lição de moderação, rigor e isenção no tratamento da moção de censura, apresentada pela bancada do PS, às declarações de João Pimpão sobre o episódio de violência grave entre dois alunos do Colégio das Meirinhas, em boa hora divulgadas aqui. É verdade que não foi ouvido pelos seus, que preferiram baixar as orelhas e impedir a discussão, mas o exemplo de honestidade intlectual e inteligência expõs a tacanhez e falsificação reinante.

Numa terra onde a ignorância e a grosseria escorraça o pensamento e a sabedoria faz-nos bem sentir que ainda temos gente capaz de espalhar lição e fundar exemplo. Das más-figuras não vale a pena falar: os perus são aves que esgravatam muito mas nunca levantam voo. 

31 de dezembro de 2022

Depois vai-se a ver e...nada


 

No Dia de Natal o Pedro teve aquela prenda por que andava à espera desde que chegou à Câmara: um encontro entre a criatura e o criador, com a visita de Marcelo, o omnipresente Marcelo. Desaconselhado pelas entidades competentes a intrometer-se no teatro das operações - quando deflagram os incêndios - escolheu aquele dia em que toda a gente está com as famílias para visitar um território ardido: parte da freguesia de Abiul. Pouco se importou se arrastava consigo aqueles que iriam abdicar do dia com a família, porque para ele, um homem só, não há melhor do que a vida pública para matar a solidão e buscar conforto. 

Chegou a Abiul antes da hora e não encontrou vivalma. Mas o Pedro tinha arregimentado todas as tropas: as da Câmara e as do PSD, e claro, já que era Natal, fez-se acompanhar de um dos rebentos. As criancinhas ficam sempre bem nestas coisas. E tiram selfies com o professor. E foi bonito de ver o à-vontade geral, abrilhantado pelo animador de serviço, outrora traidor do partido, agora regressado, mas sempre declamador de poemas Rodrigues Marques. E o entusiasmo puril da presidente da Junta, secundado pelo do presidente da Câmara, enquanto resguardavam Marcelo dos pingos da chuva, como se acreditassem que sim, que a vinda dele vai mudar alguma coisa nos apoios que Pombal que não tem, por não atingir a área ardida que a lei prevê. 

No dia de Natal, as televisões mostraram aquelas imagens várias vezes, para gáudio do nosso Pedro & seus amanuenses. Marcelo fez o número. Ter-lhe-ia ficado melhor talvez fazer uma visita à mulher que ficou tão gravemente ferida naquele incêndio - já que tanto queria ocupar o tempo. Longe das câmaras, dos autarcas e dos jornalistas - que a 25 de Dezembro (na sua maioria) deveriam estar à mesa com pais e filhos, em vez de darem cobertura a números de circo mediático. 

Porque depois vai-se a ver...e nada. 

25 de março de 2018

O que foi fazer Diogo Mateus ao congresso do PS?

As fotos e vídeos espalhadas pela rede mostram que, afinal, sempre existiu o congresso distrital do PS em Pombal. Dessa reportagem caseira fica-nos, no entanto, uma dúvida existencial: Adalberto Campos Fernandes (actual ministro da Saúde) que até há pouco tempo não era sequer militante do PS, veio ao congresso de Pombal em que qualidade? Como ministro ou como militante socialista? As imagens mostram a entrada triunfal de Diogo Mateus, a acompanhar um envergonhado ministro. Só se compreende a presença do presidente da Câmara (que se fez ladear do deputado/presidente da junta Pedro Pimpão, e do chefe de Gabinete João Pimpão) a acompanhar Adalberto, se o estiver a fazer institucionalmente. Se assim é, erro. Um ministro não vem nessa qualidade a um congresso partidário. Se Adalberto vem como destacado militante, outro erro. Porque assim não há justificação para a presença do presidente da Câmara, que até agora há-de estar a rir-se que nem um perdido, sabendo nós que não dá ponto sem nó. E que sabe de cor a linha que separa as funções. E que ali foi dar a ideia de que é um democrata, porque sabe bem que dali não virá qualquer perigo. Nem oposição. 

19 de março de 2018

O dia em que o PSD de Pombal respirou de alívio


*Feliciano Duarte, em 2002, na Quinta da Gramela (gala dos 70 anos do jornal O Eco). A primeira vez que veio a Pombal enquanto governante

Quando ontem à tarde foi conhecida a anunciada demissão de Feliciano Barreiras Duarte, o tempo abriu para muitos dirigentes do PSD de Pombal. Ao contrário do que era ainda suposto por alguma linha mal informada, há muito que a proximidade de Feliciano e Diogo se esfumara. Por outro lado, na Jota não gostam dele. E ele não gosta de várias figuras aqui da terra, no cantão laranja.
Neste excelente artigo publicado no Observador, fica um relato pormenorizado da vida política de Nanito - como ainda hoje é tratado por muitos, entre os quais o engenheiro Rodrigues Marques - que diariamente vai fazendo por mail a revista de imprensa, num trabalho de assessoria impagável. 
Feliciano e Diogo são quase da mesma idade, contemporâneos na JSD. Estavam ambos em plena ascensão quando os vi juntos a primeira vez, na sede do PSD de Leiria, em 1994, na tomada de posse da distrital da JSD. Nesse dia Feliciano sucedeu ao irmão, João Carlos, e levou com ele vários amigos, como Telmo Faria (que viria a ser presidente de Óbidos), Paulo Baptista Santos (actual presidente da Batalha) e  (Luís) Diogo Mateus, que acabara de ser eleito vereador, e nessa conferência de imprensa dava nota de como as mudanças estavam a acontecer em Pombal, pois que os vereadores "passaram a sair à noite e isso já é encarado como natural". Outro tempo.
Depois a vida fez Feliciano subir e Diogo descer na escada da política. Em 2001, quando Diogo se viu obrigado a candidatar-se à Junta de Pombal para não perder tudo, Feliciano iniciou um caminho ascendente ao lado de Durão Barroso. Quando foi nomeado secretário de Estado, quis levar (Luís) Diogo para chefe de gabinete. Diogo preferiu jogar pelo seguro e não se afastar de Pombal. Arranjou-se-lhe então um lugar no Governo Civil de Leiria, cargo que foi acumulando com o de presidente da Junta.
A amizade corria bem, mas em política tudo se paga. E nada se esquece, mesmo que pareça. Feliciano manteve algumas guerras viscerais com Narciso Mota, tendo por base a defesa de Diogo. Mas este nunca teve a coragem de enfrentar Narciso, calou sempre e consentiu, como se sabe, à espera do momento certo. A esse traço de quem faz pela vida juntou-se outro momento: quando Passos Coelho começa a desenhar a ascensão ao partido, Feliciano vai a Leiria com 'o Pedro' e Diogo aparece na apresentação do livro, como que a redimir-se do passado recente. O mal estava feito e nada voltou a ser como dantes.
A ascensão de Feliciano a Secretário-Geral do PSD foi um amargo de boca na Rua Dr. Luís Torres. Um problema. Só ontem se respirou de alívio.

8 de fevereiro de 2018

Pombalense distinto


O governo decidiu propor o almirante Silva Ribeiro, actual CEMA, para chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).
O almirante Silva Ribeiro é um distinto pombalense com uma brilhante carreira militar que soube conciliar com a carreira académica.


8 de janeiro de 2017

Obrigada, Mário Soares


Agoniei-me muitas vezes nas últimas horas com o que gente aparentemente de bem - que tenho entre os amigos da minha página de facebook - escreveu e replicou sobre Mário Soares, na hora da sua morte. O destilar do mesmo ódio que escorre de vez em quando a propósito dos refugiados, que papagueia frases feitas ou artigos de jornais fora de contexto, com o mesmo à-vontade com que partilha pagelas dos senhores dos aflitos, da Cruz Vermelha ou de qualquer obra de caridade. Há um denominador comum entre todos: o ódio. Bem sei que os Homens como Mário Soares nascem assim, na condição de serem amados ou odiados, sem meios termos. Mas impunha-se, a muitos desses actores da vida pública, alguma noção do que isso significa, de como não se despe ali à porta do facebook o casaco de autarca, de dirigente, assim como não se despe o de jornalista, de médico, de professor. Porque antes de tudo há ali um cidadão. Ou deveria haver.
Conheci Mário Soares pessoalmente na sua última visita oficial ao distrito de Leiria, em 1995. Não simpatizando largamente com a personalidade, percebi um pouco melhor quem ele era e como era:imparável. A meio da jornada, percebendo ele que eu andava colada aos seus gestos (daquela vez a minha função era fazer 'o outro lado' da visita), ágil nos meus vinte e picos, visou-se para mim à porta dos Morgatões, agarrou-me nos braços e perguntou: "então, aguenta?". Rimo-nos todos. Mal sabia ele (e eu) o equilíbrio que precisaria para me aguentar, nos anos que se seguiram. 
Poderia dizer muito sobre tudo o que representa Soares para o país, para a Democracia e para a Liberdade, a mesma que permite a qualquer pato-bravo discorrer sobre a sua vida e a sua obra. Mas fico-me pelo agradecimento. Por ter existido e nos permitir, aos portugueses, sermos hoje um povo menos parolo, menos atrasado, do que éramos antes de chegarmos à Europa, de termos o mesmo acesso que os outros ao mundo. Aquela de que fazia parte a Alemanha dos anos 70, onde o meu pai trabalhava, para onde emigrara depois de deixar Angola, depois da guerra. De onde escrevia à minha mãe todas as semanas, a lembrá-la de como era importante ir votar. Aquela de onde voltou em 80, cheio de sonhos para a aldeia e para o país, levados ao extremo naquelas eleições em que no fulgor da adolescência colei um autocolante na lapela a dizer "Soares é fixe", e na escola uma funcionária do bar quase me triturava juntamente com o almoço, porque tudo estava ao rubro, A mesma Europa que encheu bolsos, comprou jipes, criou o cavaquismo e agora se desmorona. Este é o fim de um ciclo, sabe-mo-lo bem. Na hora em que Soares deixa este mundo - que idealizou socialista, republicano e laico - resta-me, só, agradecer. Pelo Farpas, por sermos livres. E sublinhar as palavras de Vasco Pimental, de entre tudo o que se vai escrevendo:


"Atacar a vida de uma pessoa no justo momento em que ela deixa de se poder defender não diz rigorosamente nada sobre a pessoa atacada, e diz tudo sobre o atacante. Fiquem a saber: o que vocês escrevem nesses momentos é um letreiro que vos fica colado na testa para todo o sempre (colam-no vocês próprios) e que diz o seguinte: "Sou uma porcaria ignóbil".

7 de janeiro de 2017

Mário Soares

Mário Soares partiu. Viveu uma vida cheia e encheu a vidas de várias gerações. O País deve-lhe muito; por isso, rende-lhe, neste momento, uma justa homenagem. Não é uma homenagem consensual, nem o poderia ser: Mário Soares nunca foi consensual e nunca procurou sê-lo. Há uma direita radical, revanchista, sectária, saudosista que tem raiva a Mário Soares, que nunca lhe perdoou o papel decisivo que teve no pós-revolução, nomeadamente na descolonização. A esquerda radical também lhe teve ódio, mas soube vencê-lo.
Não sei sintetizar melhor o percurso político de Mário Soares do que a forma como o fez (há mais de uma década) Vasco Pulido Valente (insuspeito esquerdista): “Mário Soares fez mais do que ninguém. Liquidou como pôde a ilusão do Império. Foi o fundador da democracia portuguesa contra o Partido Comunista e a tutela do exército. Levou o país para uma "Europa" a que ele sempre desejara pertencer. Presidiu a um "progresso material" (e "social") sem paralelo em toda a nossa história”. E fez tudo isto no período ideologicamente mais conturbado do sec. XX - o pós-Guerra-Fria – porque esteve sempre do lado certo em três valores fundamentais: Liberdade, Democracia e Europa. Pouquíssimos políticos, em Portugal e na Europa, se podem gabar disso.
Obrigado Mário Soares.

14 de fevereiro de 2015

Pim!

Depois de tão eloquente apologia, Pombal pode esperar para breve uma estátua de prata por um ourives do Porto em homenagem ao Eng. Narciso Mota, e uma exposição das maquetes p'ró seu monumento erecto por subscrição municipal do "Pombal Jornal", e o Largo do Cardal mudado em Largo Eng. Narciso Mota, e as festas da cidade p'los seus aniversários, e sabonetes em conta "Narciso Mota" e pasta Narciso prós dentes, e graxa Narciso p'rás botas e Niveína Narciso, e comprimidos Narciso, e autoclismos Narciso e Narciso, Narciso, Narciso, Narciso... E limonadas Narciso- Magnésia.

Viva o Narciso, viva! Pim!

12 de fevereiro de 2015

Viva o nosso comendador!


Zeinal Bava foi condecorado pelo presidente da República, Cavaco Silva, em 10 de Junho de 2014, com a grã-cruz da Ordem de Mérito Empresarial. Amanhã, o mesmo Cavaco, irá agraciar Narciso Mota (e mais 14 antigos presidentes de câmaras municipais) com o grau de comendador da Ordem do Mérito. Reconheçamos: o nosso presidente - que nunca se engana e raramente tem dúvidas - é exímio a identificar o mérito! 

14 de janeiro de 2009

Oliveira e Costa

A SIC apresentou ontem um mini documentário sobre vida de Oliveira e Costa. Nele podemos facilmente encontrar as explicações para o escândalo do BPN e perceber como o “SISTEMA” consegue gerar verdadeiros MONSTROS.
Estou certo que os continua a gerar, e de forma mais refinada e sofisticada.

30 de setembro de 2008

A Factura da Água

Na AM confrontei novamente Narciso Mota com os preços da Factura da Água.
Narciso Mota não se cansa de afirmar que os pombalenses são uns privilegiados por pagarem a água (e serviços associados) muito baratos.
Um estudo do IRAR demonstra que no escalão mais económico (60 m3 anuais) os pombalenses suportam a Factura mais alta de todo o Distrito, no escalão intermédio (120 m3 anuais) a segunda mais cara e no escalão superior (180 m3 anuais) a terceira mais cara.
O estudo demonstra que Narciso Mota mente quando afirma que a Câmara pratica os tarifários mais baratos da região.
Solicitei ao Presidente da Câmara que revisse as tarifas e eliminasse a taxa de disponibilidade da água porque esta não representa qualquer valor para o utente e é, por isso, ilegal.
Mais uma vez não respondeu. Vociferou e tentou achincalhar a bancada do PS. Até quando?

8 de agosto de 2008

Crise de confiança

"Há uma crise gravíssima de valores e uma crise daquilo que é o cimento de uma sociedade contemporânea: a confiança. Nós precisamos de ter confiança que o contador de electricidade (e da água, digo eu) conta como deve ser, que as pessoas não estão a fazer batota num jogo de futebol, que os concursos públicos são limpos, que não há interesses ocultos. Estamos numa sociedade com um nível de complexidade tal que temos de confiar nas pessoas e nas instituições públicas e privadas."
João Lobo Antunes, in Diário Económico, de 8/8/08

6 de junho de 2008

Alegre?

Nas eleições internas no PS votei Alegre. Mais por protesto, contra o aparelho, do que por convicção. Foi um equívoco. Hoje, não me revejo em quase nada do que Alegre diz. Acho-o errante e um pouco pedante.
Sobre o seu comportamento e motivações gostava de ter escrito isto!